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História A Redenção do Lobo Valentão (ChangLix) - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Sim, é uma fanfic que o cara que sofreu bullying se apaixona pelo agressor, então, esteja ciente antes de ler. Não será tão clichê, é não se passa na época de escola. :-:. Se quiser dar uma oportunidade, talvez ela te surpreenda de uma forma positiva ^^

Capítulo 1 - One: Changbin


Imagina você descobrir que esta preso, sozinho, com a pessoa que mais teme, mais assustadora da face da terra, alguém que sempre sentiu prazer em te ver tremendo como um coelhinho assustado, que nunca teve problemas em te fazer chorar, que zombava das suas fraquezas. Como se sentiria? O que faria? Foi isto que aconteceu comigo... Estou amarrado, contra a minha vontade, com o homem que mais tenho medo no mundo. Quero fugir, mas não tem como, não tenho alternativas, não com a nevasca lá fora cobrindo as ruas e calçadas, tornando impossível o tráfego humano.

Fracote. Você é um fraco Yongbok, uma mariquinha.”

Sorri, amargo, e cobri os ouvidos com as palmas da mão. A voz que está na minha mente, zombando de mim, não me pertence, é uma lembrança antiga, que me persegue. Eu sou fraco, um medroso... ‘Tô chorando nesse momento, silencioso — graças a deus —, enrolado como um tatu, ou quase isso, em um sofá velho, que tem um cheiro leve de mofo. Ele está na cozinha, fazendo alguma coisa, não faço a menor ideia do que, nem quero saber, só sei que não quero estar aqui... Qualquer lugar, menos aqui, com ele. O que fiz para merecer isso? Estou meses evitando-o, desde o dia que descobri que meu appa esta noivo da omma dele.

Me sinto um tolo, por temê-lo tanto, mesmo depois de tantos anos. Ainda continuo sendo aquele adolescente desengonçado que era empurrado para dentro do armário, que levava uns tapas e socos, que era humilhado na frente dos outros alunos. Só as lembranças já são suficientes para me fazer tremer. Permaneço temendo-o, tendo pesadelos com ele, me sentindo um verme sempre que ele está próximo. Agora estou aqui, sozinho com ele, sem saber o que ele planeja fazer comigo...

— Yongbok?

Ergo a cabeça, de súbito, choramingando ao vê-lo na minha frente. O que ele quer? Aperto mais os joelhos contra o peito e as mãos contra os ouvidos, tentando me encolher ainda mais, desaparecer dali, me tornar invisível para ele. Não quero ser fraco assim, prometi que quando ele retornasse, iria ser diferente, que o enfrentaria e não me encolheria como um rato assustado, porém, é impossível controlar minhas reações de medo. Ele é intimidante ‘pra caralho.

— Fiz chocolate quente, pensei que poderia querer também, então preparei uma xícara ‘pra você.

Por que a voz dele parece suave e hesitante?

Reparo, pela primeira vez, na caneca fumegante que ele esta segurando estendida para mim. Estou surpreso com o gesto e desconfiado. Não sei o que ele quer, o que planeja. Hesito, por um breve segundo, antes de aceitar. Minhas mãos estão tremendo quando pego a xicara e tenho certeza que ele percebe, pois, franze a testa e seus olhos escurecem. Assopro o líquido grosso e quente, assistindo-o caminhar e sentar na poltrona marrom, que está no lado esquerdo.

Fico esperando-o dizer algo, mas ele fica calado, bebericando o chocolate quente e me olhando. Conforme os minutos passam, relaxo, aos poucos, não me sentindo mais tão intimidado. Ele tem uma expressão calma e ilegível, não vejo nenhum sinal de ameaça... É confuso. Aquele homem na minha frente é diferente do valentão que me atormentou durante todo o ensino fundamental e médio. As pessoas mudam? O que aconteceu dois anos atrás o transformou fisicamente, disso eu sei, mas será que o fez se tornar uma boa pessoa? Os meus amigos dizem que sim, mas não consigo acreditar... Mas ele salvou sua vida naquele dia. Salvou e nunca entendi a razão. Por que ele colocou sua vida em risco para salvar a minha, sendo que me odiava?


[2 anos atrás... março de 2017]

Eu estou encurralado, preso contra a parede manchada, ao lado de uma caçamba de lixo lotada e fedida.... Foi de repente, estava indo ao banheiro quando fui agarrado e arrastado para cá, para o beco atrás do bar e jogado sem delicadeza contra o concreto. É ele, Seo Changbin, o valentão que me perseguia na escola e quer continuar fazendo o mesmo agora que estou na universidade. Está bravo, como sempre, e me escara com ódio. Suas mãos magras estão fincadas nos meus braços, apertando-os. Novamente ele vai deixar marcas, nada novo.

— Cadê o seu namorado, já desistiu de ficar salvando a donzela em perigo?

Ele fala de Bang Chan, que conheci no primeiro dia de aula na faculdade de administração, alguém que em poucos dias se tornou o meu melhor amigo. Nunca tive amizades, na pequena cidade em que nasci e resido, ninguém tem coragem de conversar com o cara que é a principal vítima de Changbin, o maior valentão da cidade. Porém, agora que estudo na cidade vizinha, que é maior, as pessoas finalmente se aproximam de mim, elas não tem medo do Seo... Chan não teme o homem a minha frente, ele o enfrenta e não permite que ele me toca.

— Estou aqui com ele. — Digo, esperando que com isso ele me deixe em paz. Ele tem medo do Chan, aconteceu depois de levar uma surra dele, duas semanas atrás, após este dia passou a evitá-lo. Eu só quero me livrar dele.

— Diria que ele está bem distraído lá dentro e não está nenhum pouco se importando com você, acho que a bunda do garçom é mais interessante. — Sorri astuto.

Estremeço, medo afundando-se sobre mim, me consumindo e causando um horrível aperto no peito. Deus, o que fiz para merecer isso? Os olhos dele, na penumbra, me fitam agressivos e seu toque é bruto.

— O que você quer? — Pergunto baixinho, lutando para conter as lágrimas que ardem em minhas vistas. Já teve alguma vez que não chorei na frente dele?

— Seu namoradinho me humilhou, na frente daqueles mauricinhos, por sua culpa, achou mesmo que eu deixaria passar. — Ele rosnou, deslizando umas das mãos para o meu pescoço, circulando-o com seus dedos ásperos. — Achou mesmo que eu não me vingaria?

O aperto me sufoca e minha respiração falha, mas não o suficiente para perder a consciência.

— E-u não fiz...n-nada. — Respondo engasgado. — Me d-deixe ir.

— Nem comecei é já está implorando. — E aqui está o sorriso sádico, que eu odeio e que me apavora. Eu sempre peço, mesmo sabendo que ele não me deixará ir até estar satisfeito, até meu corpo estar marcado, até eu chorar como um bebê, até eu sangrar.

— Por favor. — Lágrimas escorrem, não sei dizer se por causa dos dedos no meu pescoço ou por causa do choro trancado na garganta. — Por f-avor.

Eu vejo o movimento vindo, fecho os olhos, quando dor bate diretamente no meu estômago, onde ele acabou de espancar com um dos seus joelhos. Ele não para, ainda me segurando pela garganta, aplica mais três golpes, no mesmo lugar. Dor. Dói tanto. Estou caindo, para frente, perdendo forças por causa da dor aguda. Ele me solta e eu deslizo para o chão, caindo de joelhos. Chorando, abraço minha barriga com os braços, tossindo e tremendo.

— Que porra tá fazendo Changbin?

Reconheço a voz, é do meu salvador. Um suspiro escapa dos meus lábios, me sinto aliviado, sei que Chan não permitira que ele continue me batendo. Ouço barulhos e ergo a cabeça, vendo o australiano desferir um soco no rosto de Changbin, que até tenta revidar, porém, não é páreo para a agilizes e força do outro. Ajoelhado naquele chão imundo, sinto uma estranha sensação de prazer com a cena na minha frente, quase sorrio, quando o Seo desiste e com os lábios sangrando, corre para fora do beco.

— Sinto muito, pequeno. — Chan se abaixa, coloca uma das mãos no meu ombro e aperta de leve. — Porra, me distrai um segundo... Não vou permitir que aconteça de novo, sinto muito por ter falhado.

— Não! Hyung não falhou, você me salvou. — Digo desesperado. Ele é meu herói, sempre me salva, não é culpa dele se Changbin me persegue. A culpa nos olhos dele é errado, ele não tem como prever quando vou ser atacado. Ele nem tem obrigação de me defender, mas sempre faz isso, sou grato por ele ter aparecido na minha vida. — Estou bem, não se preocupe.

— Quão ruim está? — Seus olhos negros caem para os meus braços, que ainda abraça minha barriga.

— Não muito, consigo lidar. — Sorrio, forçado.

— Venha, te ajudo a levantar.

Aceito a oferta. Um dos braços dele deslizam para a minha cintura e eu apoio minhas palmas abertas no outro braço dele. Com a ajuda dele, fico em pé e mordo os lábios, engolindo o gemido de dor.

— Você é um péssimo mentiroso. — Acho que minha expressão não é nenhum pouco boa, já que ele está me olhando com tanta tormenta.

— Tudo bem.

— Deveria denunciá-lo, não pode deixar que ele saia impune. Existem leis Felix

— Não, não quero. — Falo ríspido, sem intenção. — Desculpa hyung, eu...

— Tudo bem pequeno, não vou forçá-lo, mas lembre o que ele faz é errado e tem que pagar por isso.

— Eu sei.

Eu só não quero que meu appa descubra, tem anos que me esforço para esconder dele, não quero preocupá-lo... Ele já lida com tanto, já passou por tanto, não quero trazer mais problemas e preocupações 'pro colo dele.


Notas Finais


É isso, vai mais uns capítulos no passado, aí volta pro presente, até chegar no dia que está contando no início da fic.


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