História A Reserva - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Christophe Giacometti, Otabek Altin, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Visualizações 165
Palavras 2.224
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Estupro, Homossexualidade, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Gelo


Acordei com um gosto ruim na boca, não tinha ideia de que horas seriam e não imagino que horas consegui ir dormir. Só lembro que mandei uma mensagem avisado o Yakov que a gente não iria para o ringue cedo e nem sei se vamos conseguir ir hoje.

O Victor ficou muito mal com tudo que aconteceu, depois que o Yuuri finalmente tomou um remédio e dormiu, ele se entregou ao desespero, nunca o vi assim. Chorou tanto e tudo o que podia agarrado a mim, levei mais de uma hora para acalma-lo e acabei dormindo no quarto com eles.

Todos os sentimentos estavam misturado raiva, medo, frustração... amor. Ele queria ser forte, precisava, mas não imagino o que ele deve estar sentindo. Eles são almas gêmeas!!! Foram feitos um para o outro assim como eu e Otabek, não consigo imaginar um mundo sem os dois juntos e toda aquela melação nojenta, mas  mesmo assim o universo parece conspirar contra. Vou falar um negocio isso de "um amor e uma cabana" é para os fracos, quero conhecer alguém que tenha vivido isso, por que está bem difícil de acreditar nessa baboseira. Olho para o lado, Victor está abraçando um travesseiro... cadê o katsudon?

Porra...

Pulei da cama, ele não está no quarto e nem no banheiro... merda, era pra ele ainda estar dormindo. Saio do quarto sem fazer barulho, depois acordo o velho se precisar...

Sons vem da sala ou da cozinha, tem cheiro de café. Ando devagar e tento ficar calmo, vou repetindo sem parar "Yuuri está bem, Yuuri está bem" e quando chego na cozinha me deparo com um japonês com uma faca enorme na mão. Sem pensar arranco o utensílio da sua mão e jogo na cuba da pia que está atras de mim.

- O que você está fazendo? - Pergunto furioso e ele me devolve um olhar triste. - Não adianta fazer essa cara, depois de ontem não confio em você.

- Estou tentando fazer café. - Ele respira pesadamente e se vira para o faqueiro pegando outra faca. - Estou com fome.

Outra faca vai pra dentro da pia. Ele bufa e se vira mais uma vez.

- Posso te ajudar Katsudon? O que é pra fazer? - Me olha, parece indeciso, mas no fim concorda.

- Pensei em fazer umas torradas com bacon e ovos mexidos, o que acha? Ou prefere blini? Acho que tem os ingredientes aqui.

Era outra pessoa essa manhã!!! Tirando o fato que ele está usando uma luva na mão esquerda e eu saber que era por causa dos ferimentos, era o Yuuri de anos atrás. O amigo que mandava muito bem na cozinha e me fazia feliz pelo simples fato de estar cozinhando pra mim.

- Até que enfim vai ter de novo comida de verdade aqui nessa casa, por que vou te falar uma coisa o Victor é péssimo cozinheiro. - Falo exagerando e dando ênfase no adjetivo.

Ele ri com gosto, como é bom poder escutar essa risada.

Ficamos assim, vamos fazendo tudo que é possível com os ingredientes que encontramos na cozinha e jogando conversa fora, falando de assuntos neutros e das fofocas do mundo da patinação. Olho para o lado enquanto o porco está fazendo os ovos e falando de uma viagem que fez há algum tempo, seus olhos estão bem vivos e brilhantes, ele está contando detalhes que não presto a mínima atenção, estou apenas parado o olhando... como senti falta desse momentos, dessas conversas... dele. Quando Yuuri se volta pra mim para de falar no ato e estende sua mão para me tocar.

- Esta tudo bem Yurio? Falei algo errado? Por que está com essa cara? - Pulei no pescoço do porquinho.

- Não faz mais o que você fez ontem, por favor.

- Ok. - Ele passa a mão pelos meus cabelos, simples como sempre foi. - Me ajuda a colocar a mesa?

O velho apareceu na cozinha com cara de quem caiu da cama, olhou para a mesa posta com tudo que havíamos feito depois me olhou e eu apenas acenei com a cabeça indicando o japonês que estava parado observando algo que não existia em cima da pia. O silêncio era ensurdecedor.

Victor passou por mim e o abraçou por trás, deu um beijo na sua nuca e encaixo o queixo na curva do seu pescoço. O asiático suspirou e pousou as mãos em cima dos braços entrelaçados.

- O seu amor é uma boa razão. - Escutei o soluço do platinado e o vi apertar mais o Yuuri que apenas deixou um pequeno sorriso escapar. - Você está com fome?

- Eu estou e vendo vocês dois assim está estragando meu apetite. - Falei revirando os olhos e eles sorriram ainda mais.

Yuuri girou nos braços do Victor e ficou de frente para ele, beijou os seus lábios e murmurou um pedido de desculpas. Eles estavam abatidos, mas estavam juntos.

- Você não vai me soltar? Assim vai ficar difícil para tomar café.

- Não vou te soltar nunca mais. - Outro beijo.

 

Como acordamos tarde e tinha um monte de comida para o café da manhã, acabamos não almoçando. Yurio tinha que ir treinar, uma competição importante estava próxima e ele não se exercitava há dias, por isso depois do horário de almoço surgiu na sala trocado. Eu estava como sempre tentando me concentrar em um e-mail, nesse momento, de uma amiga de uma ONG de ajuda humanitária que se encontrava em um país de conflito, ou seja, estava em algum país em guerra.

No e-mail tinha um apelo por doações de água potável a remédios de alto custo, já estive em um campo assim... falta tudo... comida, água, paz, respeito, médicos, remédios, dignidade e sobra corpos, pessoas mutiladas seja no físico ou na alma, crianças órfãs, pais sem filhos, um país sem esperança e sem futuro.

O jovem russo sentou do meu lado e sei que ele estava lendo o texto que estava aberto no computador, uma vez que no meu campo de visão só tinha uma cabeleira loira que me bloqueava de enxergar qualquer coisa.

- Você vai ajudar? - Acho que ele fez leitura dinâmica.

- Não sei ainda, preciso falar com meu advogado, com o Taylor e depois com a Linda. - Apontei para o notebook. - Depois preciso fazer pressão em cima de algumas empresas e cotar preços, arrumar o meio de transporte mais rápido e mais barato para fazer os contêineres chegarem onde realmente precisam. Se for o caso, monto uma pequena equipe que vai junto... tudo é tão burocrático e cansativo.

- Você precisa resolver isso agora?

- O que eu podia fazer já fiz, agora tenho que esperar o feedback dos outros. Por quê? - Vi o tigre suavizar o olhar e morder o lábio inferior.

- Vamos comigo para o treino. Eu me sentiria melhor se você estivesse comigo lá e não sozinho aqui no apartamento.

- Ahhhh... -  olhei para frente, Victor estava sentado mexendo no celular vestindo roupas para ficar em casa e deduzi que o platinado tinha aberto mão do treino para ficar comigo, ou seja, Yurio é que ficaria sozinho durante o período da tarde. Minha atenção voltou para o loiro. - Se vai ser importante pra você, eu vou. - Me levantei e fui para o quarto, segundos depois Victor entrou.

- Se você não quiser ir, eu fico com você aqui. Não ter problema nenhum. - Disse me abraçando e passando a boca pelo meu pescoço.

- Sei. - Dei mais espaço a ele quando virei à cabeça para o outro lado apoiando no seu ombro. - Ele precisa ir treinar, você precisa estar com ele e... - o platinado mordeu meu pescoço. - Vityaaaa...

- Estou com saudades de você... mas tem razão. Preciso ir, só que não quero deixá-lo aqui sozinho e se nos acompanhar seria perfeito.

- Ok, eu vou. - Pousei os olhos na minha mala. - Só que vou congelar, acho que não tenho nenhum casaco para usar agora. O que trouxe sujei de sangue.

- Tem suas roupas aqui. - O russo respondeu ainda enlaçado a mim.

- O que??? Você guardou todo esse tempo? Por quê? - Estava surpreso demais.

- Sim... não consegui me desfazer, por isso lavei e guardei tudo... estão no outro quarto. - Mais um beijo, desse jeito não vamos a lugar nenhum. - Quer ir dar uma olhada? - Só balancei a cabeça afirmando.

Caminhei até o outro quarto com o Victor ainda me abraçando, estava engraçado andar à assim, tropecei várias vezes e só não fui ao chão porque ele me sustentava. Yurio quando nos viu levantou- se de pronto falando.

- Hein?! No meu quarto não quero putaria... escutaram??? Parou na porta e observou o mais velho tirar do guarda roupa a caixa que anos atrás eles colocaram juntos ali dentro.

- Não posso acreditar que você guardou tudo? - Abri a caixa e encontrei os meus patins embalados, peguei na mão, estavam bem conservados. Olhei na direção do Victor que continuava sentado no chão perdido em pensamentos, por isso toquei o seu rosto. - Obrigado.

- Então... podemos ir??? Não vou deixar vocês dois aqui no meu quarto sozinhos. Tenho certeza que vão aprontar!!! - Olhou pro Victor. - Você é um velhote tarado e você... - apontou pra mim. - É meu amigo e não vou deixar isso acontecer. - Mostrou a língua para o Victor e saiu do quarto. - Vou ficar de olho em vocês!!! - Gritou e nos caímos na gargalhada.

Passaria a tarde toda na pista de patinação e por isso peguei os meus patins. Um sentimento quente me reconfortava por dentro, algo esquecido, mas que meu corpo lembrava como era... estou conseguindo reagir pela primeira vez longe da reserva. Longe do meu porto seguro e da segurança dos muros que a cercava, parei para pensar que de um certo modo, tirando minha família do Japão, tudo que eu amava e queria perto de mim estava dentro da reserva. E agora estou bem na medida do possível, apesar da crise de ontem, me sinto leve e acho que tudo é por causa do homem que me ama e insiste nesse amor.

Peguei um casaco e fui ao encontro dos dois russos na sala. Seria uma tarde cansativa e desejei que fosse especial também.

 

Foi bom rever amigos, sentir a rotina do treino, deslizar pelo gelo que sempre foi meu lugar predileto no mundo.

Passei uma parte da tarde vendo o Yurio treinar com o Victor e em alguns momentos Yakov nos fazia companhia, na outra parte fui pra pista aberto ao público acompanhando o mais velho que me incentivou a patinar, nesse horário estaria bem tranqüila, mas parecendo mágica em instante tinham outros patinadores comigo, pessoas que eu conhecia e jovens que nunca vi na vida patinavam do meu lado ou passavam e cumprimentavam. Mila chegou deslizando suavemente.

- É muito bom te ver Yuuri!!! - Disse sorrindo. - Você ainda é reverenciado com um grande patinador, sabia?

Fiz uma careta.

- É verdade!!! Olha envolta!!! - Segui seu conselho. - Você tem um grande nome " príncipe japonês"!!!

- Fala sério Mila!!! - Aquele apelido me deixava tímido ainda, acho que nunca fui merecedor dele, mas...

- Yuu, você vem amanha à tarde? - O Georgi vinha patinando em nossa direção.

- Não sei. Por que esta precisando de algo? - Cumprimentei o outro patinador.

- Eu não, mas esse gênio aqui sim. - Apontou para o amigo. - Não sei se sabe, mas o Georgi está dando aulas para as crianças do orfanato São Nicolau e eles vêem amanhã à tarde. E sinceramente, se o Yakov estivesse aqui na aula passada, ele teria comido o Georgi vivo. - Falou rindo da cara do amigo.

- Não foi assim tão ruim!!! E tem outra coisa, se você me ajudasse ao invés de só ficar rindo.

- É uma atitude muito nobre a sua, mas crianças farejam medo e insegurança e se foi isso que aconteceu você precisa impor a disciplina. Outro conselho não confunda medo com respeito. - A ruiva gargalhava e outro estava cada vez mais amuado.

- Você poderia me ajudar? O Yurio disse que você leva muito jeito com crianças. Senão vou morrer de qualquer jeito... ou pelas mãos do Yakov ou pelas mãos dos anjos...

Ri do seu exagero. - Tá bom Georgi, eu venho. - Continuamos a conversa durante um tempo até que voltamos a patinar.

Foi quando o platinado aparece na pista e por um momento não tinha mais ninguém, somente nos. Victor pegou a minha mão e começamos a dançar no gelo, uma música imaginaria tocava para os nossos ouvidos, os passos se completavam e se encaixavam. Não tinha certo ou errado, o momento era pleno e tudo fluía bem.

 

Um repórter que veio para entrevistar o Yuri Plisetsky passou pela pista e viu o casal que deslizava pelo gelo sorrindo um para o outro, mas o que mais chamou sua atenção era o público que assistia a performance da dupla, todos os patinadores e o velho técnico estavam encostados na barreira apreciando a bela coreografia. Era de se admirar realmente, eles eram únicos e encantavam como sempre, por isso pegou o celular e registrou o momento. 



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