História A Residente - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Taeyeon, Tiffany, Yuri
Tags Girls' Generation, Snsd, Taeny, Yulsic
Visualizações 294
Palavras 4.887
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quem é vivo, sempre aparece, não é? Me desculpem mesmo por esta demora, mas quando cheguei de viagem, fiquei atolada de trabalho, e ainda fiquei sem o meu notebook e sem o meu celular.
Eu iria postar na sexta, mas decidi fazer isso hoje, pelo simples fato de ser aniversário de 1 ano da fanfic. E eu estou absurdamente feliz, por saber que ela vem agradando à algumas pessoas. Jamais imaginei que terei +300 favoritados, mas estamos aí, obrigada à todos que sempre me apoiam e não me deixam desanimar. Vocês são incríveis e darei o meu melhor sempre.
Sem mais delongas, e vamos ao que interessa. Gostaria de dizer que, a fic já passou da metade da estória, e como não pretendo demorar mais para atualizar, logo logo estará finalizada. Não sei se fico triste ou se fico feliz, mas né, vamos seguindo.
Boa leitura babys !

Capítulo 23 - Capítulo 22


P.O.V Tiffany

Olho para o relógio do outro lado da cômoda, e vejo que mais um minuto se passou. São 7:45 pm e ainda havia tempo suficiente, para me afundar de vez na ansiedade, antes da inauguração da nova ala de pediatria. Arrependimento, era a única palavra coerente que me vinha a memória agora. As malas arrumadas, à deriva de um canto qualquer, roubavam-me a atenção e embrulhavam o meu estômago. Em poucas horas, estaria no Brooklyn novamente, e nada mais que pudesse ser feito.

Taeyeon havia comprado as minhas passagens e reservado um hotel bom, à contragosto meu. E eu, relutante, me sentia uma traidora por não lhe revelar os verdadeiros sentimentos, por detrás de um genuíno sorriso, em forma de agradecimento. Definitivamente, eu não me sentia agradecida por aquilo, não mais. Me perguntava se não havia cometido um grande equívoco, afinal, talvez a Yuri estivesse certa o tempo todo. Talvez eu não devesse nada àquela mulher, mas voltaria não com esse pensamento, mas sim pela consideração que tinha à qualquer pessoa que estivesse em seu leito de morte. Era uma despedida.

Vencida pelo meu arrependimento, sorvi o último gole do vinho e levantei da cama, voltando para a cozinha. Eu já me encontrava arrumada, dentro de um tubinho azul marinho, com um cinto dourado, afivelando a minha cintura. Faltava apenas calçar os saltos e dar um ar vivo às minhas bochechas pálidas, com uma boa maquiagem, daquelas que escondem as mais profundas imperfeições – e se eu tivesse sorte, um pouco dos meus sentimentos também.

Peter havia voltado comigo do hospital, para podermos chegar juntos no evento. Havíamos pedido pizza para o jantar, onde só conseguir comer metade de uma fatia, e acabamos por abrir um vinho. Eu havia ingerido metade da garrafa sozinha, enquanto ele se arrumava no quarto da Yuri. Estava mais concentrada em afogar o meu arrependimento, do que colocar qualquer coisa que me enjoasse o estômago. Preenchi minha taça com o restante que sobrara, e enfiei a rolha de volta na garrafa vazia.

- Você bebeu uma garrafa sozinha? - Peter vinha adentrando a cozinha, lutando para dar um laço em sua gravata de cetim. – Uau, desse jeito, vamos pedir um táxi. – Seu sorriso largo, me fez rir em resposta.

- E olha só para você. - Me aproximei dele e segui para abotoar a sua camisa branca, que estava aberta, revelando o seu peitoral torneado. – Nem parece que é um apreciador de jeans surrado, com all star vermelho desbotado e cadarço preto. Você é gay Pet, tenha um senso melhor para moda, não envergonha a comunidade. – Provoquei, e sorri amistosa, sentindo uma onda de calor crescente esquentando o meu corpo, por conta do vinho. – Vou terminar de me arrumar e chamamos um táxi.

***

O teatro que havia sido alugado para o evento, o Groundlings, não era lá essa coisa toda. Alguns fotógrafos de revistas importantes da medicina, com os seus enormes crachás pendurados em um cordão no pescoço, que identificava para qual revista trabalhava, já estavam presentes na simples entrada do teatro, porém bastante iluminada, com direito à um pequeno tapete vermelho. Carros blindados paravam no local, joias caras adornavam o pescoço de tantas mulheres desconhecidas para mim, assim como vestidos de estilistas famosos e de nomes importantes. E por um breve momento de sobriedade, me senti a verdadeira cinderela, em seu habitual dia de faxina. Não imaginei que a simples inauguração de uma ala, fosse ser algo tão grandioso, mas tendo em vista que o UCLA era referência em todo o país, eu poderia ao menos ter tido o prazer de comprar um autêntico Jimmy Choo.

Agarrei o braço de Peter, só para me certificar de que não viraria o pé num salto tão alto, pelo desequilíbrio que o álcool poderia causar, e seguimos em passo de formiga, pelo tapete. Todos os convidados que entravam no local, paravam rapidamente na entrada, para uma foto formal. Teria me sentido pior, se ao menos, a maquiagem não tivesse ficado impecável, assim como os longos cachos que havia feito nas pontas dos cabelos, deixando o emaranhado sedoso, cobrindo os meus ombros desnudos.

Quando enfim conseguimos adentrar o local, paramos na porta, olhando para todo o salão. Quem via a fachada, praticamente caída na entrada do teatro, não dava nada para o que havia por dentro. Um salão ilustre, com mesas redondas, acompanhadas por 4 cadeiras, estavam dispersas por todo o ambiente rústico, com pequenos jarros de flores, enfeitando as toalhas branca das mesas. Um quarteto de violoncelo, estava posicionado ao lado do que parecia ser um pequeno palco, onde continha uma mesa enorme e várias cadeiras, e uma pequena placa em cima: chefes da diretoria. Tudo muito entediante para mim. Mas quem não estivesse de plantão, teria de comparecer ao evento, para prestigiar todo o esforço, de um sonho realizado.

- Com licença senhores. – Uma jovem moça, em um típico traje de recepcionista, se aproximou. – As mesas estão reservadas por áreas, por gentileza, de qual vocês fazem parte¿

- De nutrição. – Peter se adiantou a responder.

- É por aqui. – A jovem abriu caminho na multidão, e seguimos logo atrás dela, entre as mesas.

Chegamos na mesa reservada. Os nossos estagiários já estavam presentes, assim como a recepcionista carinha de anjo, em um exagerado vestido decotado, na cor vermelho sangue. Nos cumprimentamos e sentamos, completando a mesa. Garçons passavam de um lado ao outro, com bandejas transbordando salgados e espumantes, e tudo o que conseguia pensar, era no meu pijama confortável, um grande balde de pipoca com vinho e chocolate, antes de abrir a porta para o meu passado abarrotado de tormento. Mas, não necessariamente nessa ordem.

- A Dra Kim fica uma coisa nesses terninhos não fica? - Me viro para carinha de anjo quando ela começou a falar, e me deparo com o seu sorriso bajulador e o olhar compenetrado, seguindo um ponto firme, em cima do palco. Taeyeon acabava de chegar, acompanhada da Jessica. Aquela mulher com pouco menos de um metro e sessenta, vestindo um terno feminino de caimento perfeito, exala opulência, e todo o conhecimento de que, por de baixo daquela roupa, existe uma mulher ainda mais poderosa e instigante, do que aparentava ser. – Não se preocupe, você não é a primeira interna, e nem será a última, a se apaixonar por ela. – Em um gesto minimamente calculado, ela pega a taça de Champagne de cima da bandeja, de um dos garçons que estava parado entre as nossas cadeiras. Qual outra interna, também se apaixonara por ela?

Fico totalmente calada, apenas prestando atenção na cena que se desdobrava à minha frente, há uns metros de distância. Taeyeon e Jessica, cumprimentavam todos os presentes no palco, elas pareciam tão à vontade uma com a outra, que me fez suspirar em um descontentamento, em um ciúme inevitável. Jessica em um belíssimo longo preto, de costa nua, detinha total atenção da mão da Taeyeon, que estava repousada sutilmente, acima do seu quadril, entre o corte do vestido e a sua pele alva, a todo tempo, exalando dominação.

- Hey, bebe aí – Peter que pareceu notar todo o meu desconforto, me ofereceu uma taça de Champagne.

- Obrigada. – Sorri fraco, sorvendo um grande gole da bebida.

- Qual é a delas? Se divorciaram ou não?

- Eu não tenho muita certeza. Para mim, Taeyeon age como se estivesse divorciada. – Falei em um fio de voz.

- Você não acha que é muito complicado não?

- Bastante.

- E por que não se afasta?

- Porque é complicado para mim também. – Repousei a taça vazia na mesa, olhando-o com aflição.

- É compreensível, eu nunca conheci uma mulher como ela, forte e intimidadora. Aliás, nunca conheci mulher alguma. – Ele começou a gargalhar, jogando a cabeça para trás.

Seu comentário inusitado, me fez gargalhar em resposta. Talvez tivesse sido o nervosismo, ou talvez eu tivesse achado uma certa graça no modo como ele falava, mas toda a tensão, que a presença de ambas me causou, havia se esvaído nesse momento. O som do quarteto de violoncelo seguia determinado, mas as conversas, com ruídos bastante audíveis, ultrapassavam a melodia harmoniosa, contemplando o salão que, agora, estava demasiadamente cheio. A bebida acabou me deixando mais descontraída, e eu não me sentia mais a cinderela – e nem ligava se toda a alta sociedade hollywoodiana, estivesse presente.

Entre uma taça e outra de Champagne, beliscamos alguns salgados servidos, e por um momento me senti alheia à presença da Jessica e da Taeyeon, que agora estavam sentadas juntas, uma ao lado da outra. Comecei a intercalar o Champagne, com uma dose de whisky, restaurando os meus pensamentos tristes, dando lugar a outros mais alegres e divertidos. A recepcionista carinha de anjo, engatou um papo na mesa, sobre as mais variadas dietas, que as mulheres de Hollywood faziam, para pesar menos de 50 kg. Em um determinado momento da conversa, eu e o Peter começamos a discutir sobre os efeitos da compulsão alimentar, enquanto os estagiários nos interviam.

- Esse tipo de mulher é igual a alface. – Matthew colocou o seu copo vazio em cima da mesa, denotando estar sob efeito do álcool, com um sorriso acanhado. – Só prestam para tirar foto, porque para comer, tem que ter carne.

- Ai, como você é ridículo. – Ashley tratou de estapear o seu braço direito.

- Machista babaca – E carinha de anjo, Betsy, tratou de estapear o esquerdo.

Peter se desmanchou em gargalhada e estendeu seu braço para bater na mão de Matthew, mas eu o interceptei, abaixando a sua mão e apertando com força sobre a mesa – Não fica encorajando esse tipo de comportamento.

- Com licença, senhoras e senhoras. – Um homem, de aparência robusta, e cabelos grisalhos, que estava sentado a centro da mesa, anunciou ao microfone, roubando atenção de todos. – Por favor, peço um minuto da atenção de todos de vocês.

O quarteto de violoncelo cessou a sinfonia, e todos nos calamos. O diretor geral do hospital, começou com o seu discurso eloquente, sobre sonhos realizados, e de como nunca deveríamos perder as esperanças. Não parecia ser àqueles discursos robotizados, onde estaria com um papel extenso e digitado em sua mão. Mas também, sequer prestei atenção, em algum momento de suas palavras inspiradoras, curvei os braços sobre a mesa e abaixei a cabeça, repousando-a. Pude sentir o arrependimento socar meu estômago, no momento em que minha cabeça começou a girar, me trazendo uma estranha sensação de leveza. Fiquei inerte nessa posição por um instante, tentando absorver o enjoo que me tomou subitamente, me convencendo das poucas horas de descanso que eu teria, antes de viajar. No fim das contas, meu dia se resumiu em uma única palavra, arrependimento, e mais arrependimento.

Meu silêncio contemplativo se quebra, quando escuto o show de aplausos, que reverberava por todo o salão. Todos estavam de pé e batendo palmas, em uníssono. Me levantei, apoiando minhas mãos abertas sobre a mesa, buscando total equilíbrio sobre os saltos, e olhei diretamente para o palco. Taeyeon aplaudia o homem que estava ao seu lado, enquanto me encarava com a sua costumeira impassibilidade, e um semblante inexpressivo. Durante o dia inteiro, quase não tivemos contato, exceto algumas vezes que precisei falar sobre o meu estudo de caso, ou quando trocamos olhares afetuosos durante o almoço no refeitório, e só. Seu dia fora agitado como de costume, e a maior parte do tempo, foi em reunião.

Respiro fundo, podendo sentir um aperto dentro de mim, por saber que não iria me despedir dela antes de viajar. Taeyeon estava sempre cercada de pessoas, conversando e bebendo, o que me impedia de chegar até ela e tirá-la de lá, para me despedir da forma que eu gostaria. Reunir forças e me aproximei de Peter, avisando que precisava ir embora. Passava um pouco mais da meia noite, e as poucas horas de sono, me preocupavam.

 - Pet, é melhor eu ir. – Me apoiei em seu ombro e enfiei meu rosto em seu pescoço.

- Eu acho que já passou até da hora. – Senti seu braço me segurar em volta da cintura, me mantendo firme. – Pensei em passarmos no hospital, aproveitar que os meninos estão de plantão e te aplicar soro e glicose, para você não se sentir tão ruim para viajar.

- Hmm. – Murmurei baixo. - Sabia que você é um anjo?

Por todo o caminho, me mantive com o rosto enfiado no pescoço de Peter, me sentia tonta e enjoada. Quando chegamos ao hospital, tratei de tentar me manter firme por todo o caminho, até chegarmos à emergência, e me deitar em uma das macas disponíveis, ao canto da sala. Peter retirou meus saltos, e cobriu minhas pernas com o seu paletó, e logo saiu para procurar um dos meninos. Fechei os olhos e me entreguei ao cansaço, de imediato. O ambiente gélido, fez meu corpo arrepiar em resposta, desfrutando do momento. Deveria ter ido diretamente para casa descansar, mas com o soro e a glicose diretamente na veia, sabia que iria me recuperar em poucos minutos, e estaria pronta para viajar. Não demorou para que Peter voltasse, abrindo a cortina. Ele havia trazido Yuri consigo.

- O plantão de Charlie termina em poucas horas, então irei voltar com ele está bem? Mais tarde passo lá no apartamento e pego as minhas coisas com Yuri. – Ele se aproximou e depositou um beijo casto em minha testa. – Boa viagem e eu sinto muito pela sua mãe.

- Obrigada. – Murmurei enquanto ele pegava o seu paletó de volta e me cobria com o lençol.

Yuri que estava em pé logo na saída da cortina, se despediu quando ele passou por ela, e fechou à mesma, permanecendo parada, me observando.

- Você sabia que ia viajar, por que bebeu tanto assim? – Ela começou com a voz indiferente.

- O que? – Encarei enquanto ela se aproximava, e puxava o suporte do soro, que estava ao lado da cama. - Pessoas bebem em um evento, e eu não bebi tanto assim.

- Não bebeu? E por que está aqui? – Ela arqueou a sobrancelha – Você está ansiosa, não está?

Respirei profundamente, começando a me arrepender da ideia de Peter. - Yuri, se não quer aplicar a glicose e o soro, tudo bem, não tem problema, eu volto para casa. Mas ...

- Eu já volto. – Ela me interrompeu. – E você parou de tomar os seus remédios.

- Isso é porque eu não preciso. – Rebati séria.

- É, eu estou vendo que não. – Respondeu com um falso sorriso irônico, e saiu.

Enfiei a cabeça de vez no travesseiro, e virei o rosto para o outro lado. Há dias estava nessa impassibilidade, nessas pequenas trocas de farpas com Yuri, e isso me desgastava, tanto quanto a minha teimosia. Não demorou para que ela voltasse trazendo uma bandeja móvel, com algumas ferramentas estéreis, juntamente com uma seringa e uma bolsa de soro. Ela posicionou o soro no suporte, e sentou na ponta da cama, pegando o meu braço.

- Que horas é o seu voo? – Ela passou um elástico emborrachado em volta do meu braço, amarrando-o, e acariciando minha veia, no sentindo contrário ao fluxo sanguíneo.

- 6:45

- E por que tão cedo? – Ela bateu levemente em minha veia alterada, então comecei a fazer o movimento com meus dedos, enquanto ela abria um pequeno envelope, onde continha pequenos lenços umedecidos com álcool.

- Não fui eu que comprei a passagem, foi a Taeyeon.

- E eu assumo daqui enfermeira Kwon. - Ali estava a pessoa, em última instância, a qual imaginaria aqui. Ou eu estava bêbada demais, vendo coisas, ou eu estava sonhando acordada. Taeyeon adentrava o pequeno espaço, abrindo totalmente a cortina. – Já pode nos dar licença.

Yuri virou-se para ela, e depois para mim novamente. – Você pode esperar um instante Dra Kim.

- Por favor. – Taeyeon pediu com insistência, parando logo à frente dela com a mão estendida. – Deixe que eu faço.

Relutante, Yuri olhou para mim, não muito certa do que fazer, enquanto eu apenas encarava a cena, com um certo receio de discussão. Acenei positivamente com a cabeça, para que ela soubesse que estava tudo bem, e então ela colocou o envelope aberto na mão da Taeyeon.

- Estarei lá fora se precisar de mim babyTi.

Yuri saiu, fechando a cortina atrás de si. O fato de ela ter me chamado de babyTi, sabia que não era o porquê de estarmos bem uma com a outra, porquê não estávamos. Mas sabia que ela queria atingir Taeyeon de alguma forma, por ter sido ordenada a fazer uma coisa, a qual ela não queria. Taeyeon assumiu o lugar em que Yuri estava sentada, e puxou o meu braço si, passando o lençol ensopado com álcool, na protuberância da minha veia.

- Você sabe fazer isso? – Indaguei curiosa, enquanto ela pegava a seringa, para colocar o soro.

- Sim. – Respondeu ríspida e monossilábica.

Comprimi os lábios, em uma linha rígida, e soltei o ar vagarosamente pela boca, sabendo que ela estava chateada com algo. – Existe alguma coisa que você saiba fazer?

- Sim, por exemplo, agir com irresponsabilidade, quando sei que irei viajar em poucas horas. Isso eu não sei fazer. – Falou concentrada no que estava fazendo. Penetrou a agulha em minha veia, retirando o elástico que estava em volta do meu braço, e se levantou. Parecia estar visivelmente irritada.

- Entendi. – Deitei a cabeça por completo no travesseiro, e virei o rosto para observá-la, enquanto ela aplicava a seringa de glicose, no equipo que estava conectado ao soro. Estava literalmente exausta, e prorrogar uma conversa, na qual eu sabia que não iria levar a nada, só iria me deixar triste, por ter que discutir ela, quando iríamos ficar 3 dias separadas.

- Francamente, no que você estava pensando? – Ela voltou a se sentar ao meu lado, tentando demonstrar desinteresse, mas inalou o ar profundamente, como se tivesse se preparando para me dar uma bronca – Você tem agido estranho a semana toda. – Falou claramente decepcionada.

- Eu sei, é só a ansiedade de voltar mesmo. Faz tempo que não vejo minha mãe. – Tentei parecer a mais sincera possível, e de fato, fazia tanto que não a via.

- Mas não deveria ter misturado as bebidas. – Ela curvou seu corpo levemente em minha direção, e tocou meu rosto, com as pontas dos seus dedos. Desceu até o meu queixo e segurou com firmeza, puxando-me levemente, de forma que nossos rostos ficassem há poucos centímetros de distância. – Vê se não bebe, eu não estarei lá.

Encarei seus olhos muito próximo aos meus, com a culpa se evidenciando em meu semblante, e balancei a cabeça em sinal de positivo. Em minha frente, estava uma mulher madura, adulta, vivida, inclinada a dar ordens, e a ser acatada imediatamente. Estava uma mulher a qual eu passei a fazer tudo, sem contestar. Esbocei um leve biquinho nos lábios, me sentindo a pessoa mais imatura da face da Terra, como uma criança que acabava de ganhar um sermão. Taeyeon apertou meu queixo com um pouco mais de força e suspirou em exasperação.

- Não faça isso. – Falou selando meus lábios demoradamente.

O contato da sua pele na minha, fez com que meu coração começasse a disparar, de forma descontrolada. Elevei minha mão até a sua nuca, numa tentativa de aprofundar o beijo e tentar aplacar essa vontade que teria dela, nesses 3 dias, mas fui contida pela sua mão livre, que segurou o meu pulso e retirou a minha mão.

- Vou até à minha sala, aproveitar que preciso pegar uns documentos, e já volto. – Selou meus lábios rapidamente, e se levantou. Antes de alcançar a cortina, e sair, ela se virou. – Tenta descansar um pouco, enquanto o soro não acaba. Eu já volto.

 ***

Quando adentramos o apartamento, lá pelas 3 e tanta da madrugada, pude sentir a saudade começar a se aconchegar em meu peito. Taeyeon passou à minha frente, como se já fosse íntima de casa, e seguiu diretamente pelo pequeno corredor, que dava para os quartos. Fiquei parada na porta, observando-a se distanciar de mim, e contemplando a visão parcialmente erótica e irresistível do seu andar, tão seguro de si, e dominante, antes de desconstruir o meu mundinho remontado, com um banho gelado.

Caminhei para o quarto e a vi pegando as minhas malas do canto, colocando em cima da cama. Seus saltos haviam abandonado os seus pés, e estavam repousados no pé da cama, assim como o seu blaser, que estava no encosto da minha cadeira.

- Vá para o banheiro e tome o seu banho. Tomaremos café da manhã no caminho do aeroporto. – Falou em seu costumeiro tom imperativo, mas abrandado.

- Você vai me levar? – Sorri quando uma onda de alívio me preencheu, e caminhando até ela, me virei de costas, para que ela me ajudasse a retirar o vestido. – Achei que não fosse conseguir me despedir de você. – Murmurei num fio de voz, deixando que a tristeza se evidenciasse em minha voz.

- E por que você achou isso? – Senti seu toque quente em minhas costas, enquanto ela abaixava o zíper do meu vestido. – Não deveria estar tão surpresa.

- Você está chateada comigo. – Suspirei profundamente, ao notar que ela se afastava, assim que me ajudou com o vestido. Tocar o meu corpo, e desfrutar do meu prazer, era algo que ela nunca recusara. Agora me vi confusa, por causa da sua atitude repentina.

- Eu só estou cansada, a semana foi cheia para mim, você sabe. – Me virei e a vi sentada na ponta da cama, passando os dedos em seus fios sedosos, deixando-os cair propositalmente em seu rosto. - Apenas tome o seu banho menina, ou podemos nos atrasar.

Deixei que o vestido caísse em torno dos meus pés, e fiz um coque frouxo, no alto da minha cabeça. Segui para perto dela novamente, e me ajoelhando entre as suas pernas, tomei uma de suas mãos para mim, e rocei a costa da mesma, pela lateral do meu rosto. – Pelo menos, tome o banho comigo Taeyeon. – Falei em um tom de súplica. – Eu já estou sentindo a sua falta.

Seus olhos encontraram os meus, e ela afagou meu rosto, com a sua outra mão. Havia um certo brilho em seu olhar, estava pacífico, e ao mesmo tempo aliviado. Então ela se inclinou para frente, segurando o meu rosto com as duas mãos e beijou a minha testa, como se estivesse partilhando do mesmo sentimento que o meu, num gesto que quase me fez transbordar pelos olhos. Ela levantou e eu inclinei um pouco meu corpo para trás, sentando em meus calcanhares, dando espaço suficiente para que ela começasse a se despir em minha frente, e finalmente revelasse as curvas que eu tanto ansiava em tocar, mas nunca havia conseguido, porque sempre, sempre era ela quem estava no controle da situação.

O restante das peças de roupa, que adornavam o seu corpo, foram deixados no chão, assim como a minha timidez. Era a primeira vez que eu a via sem nenhuma peça de roupa, totalmente exposta ao meu deleite. Meus olhos percorreram toda a extensão do seu corpo pequeno, de pele mais alva do que um algodão. Desejei tê-la. Desejei senti-la. Seu corpo era como um imã para a minha mão, ansiava em tocá-lo e explorar seus músculos levemente delineados, na extensão do seu abdômen. Esforço dos seus vários minutos dedicados, ao exercício diário.

- Quero tocar você Tae. Posso te tocar? – Levantei o olhar, e ela me encarava de cima. Mesmo em pé do jeito que estava, e eu ajoelhada em sua frente, ela emanava dominação, e nunca haveria de ser diferente.

- Você pode. – Senti meu peito se encher, ao escutar a sua voz rouca. Levantei do chão, e ficando na mesma altura que ela, me aproximei.

Não sabia ao certo por onde começar, e muito menos, de como fazer e de como ela gostava. Taeyeon jamais havia revelado intimidades suas, exceto o que eu precisava saber, e era somente o que parecia importar para ela. Me sentia egoísta de uma forma estranha, por estar apaixonada por uma mulher que, sequer fazia ideia de como agradá-la, mas levando em conta a maneira de como tudo isso começou, talvez o seu prazer se resumia em me dar prazer.

Deixei as pontas dos meus dedos vagarem entre os seus seios, subindo até os seus ombros, e então desci pelos seus braços, antes de repousar em sua barriga. Tracejei as pequenas linhas que torneavam seu abdômen rígido e subi para os seus seios novamente. Pequenos, mas com uma protuberância condizente com o volume do seu corpo. Seus biquinhos intumescidos e rosados, imploravam por uma atenção, que não demorou para acontecer.

Deslizei meus lábios ao redor do pontinho enrijecido, e o abocanhei com delicadeza. Pude escutar um suspiro alto e longo, seguido de um gemido inaudível. Sua mão agarrou o meu coque com força e apertou, desmanchando-o e enrolando seus dedos entre os meus fios negros, mantendo-me firmemente imóvel, dando atenção somente ao que ela ordenava. Sua atitude me fez ganhar uma confiança para que eu fizesse o que quisesse, uma confiança que ela nunca me dera.

Agarrei a sua cintura com ambas as mãos, e repeti o mesmo processo no outro seio, chupando e mordiscando o biquinho, antes de alçar voos e ir mais longe, trilhando um caminho molhado com a minha língua sedenta pela sua barriga, e fui me abaixando novamente, até que eu me ajoelhasse no meio das suas pernas. Olhei para cima e ela me encarava com expectativa. Sua respiração descompassada, acusava a ansiedade crescente em seu peito. Taeyeon parecia uma criança, prestes a ganhar a maior boneca de uma loja de brinquedos.

Segurei em uma das coxas, e a coloquei sobre o meu ombro direito. Ao mínimo toque, da ponta da minha língua, trilhando um caminho da parte interna da sua virilha até a sua buceta, ela segurou meus cabelos com mais força, em súplica silenciosa. Olhei novamente para ela, enquanto deslizava dois dedos por entre as dobras dos grandes lábios, e os separei, expondo para mim, o seu pequeno e íntimo pedaço, levemente rosado. Então passei a ponta da minha língua, circulando-o levemente, sentindo seu músculo se retesar ao meu toque, e ela fechar os olhos instantaneamente.

Foi como se uma descarga elétrica se transportasse do seu corpo, para o meu. Comecei a brincar com o seu sensível pontinho repetidamente, movendo minha língua em torno dele e, então, suguei gentilmente. Seu corpo começou a se mover lentamente, em total sincronia com a minha língua. Guiada pelo instinto predatório, movia minha língua habilmente, enfiando-a na abertura, acariciando-a, obrigando-a a rebolar com mais rapidez.

- Ohh menina. – Sussurrou ela, com a sua voz rouca. – Preciso gozar logo.

Sorri, o desespero contido em seu tom de voz, só me fez querer ainda mais provocá-la, até conhecer o seu limite. Depositei um beijo casto em seu clitóris, e enfiei um dedo em sua buceta.

- Mas não é você quem manda agora. – Penetrei todo o meu dedo, e o movi lentamente, deslizando com facilidade pela sua lubrificação. – Eu poderia fazer isso o dia todo.

No momento em que voltei a chupar o seu clitóris, ela apertou meus cabelos com tanta força, que me fez senti uma leve ardência em meu couro cabeludo. Suas mãos mantiveram-se segurando meus cabelos rigidamente, como as rédeas de um cavalo. Cada vez mais que eu penetrava fundo, ela apertava e puxava, como fazia para um cavalo parar. Quando penetrei o segundo dedo, sugando seu clitóris com mais força, a explosão foi tão arrebatadora, que me fez gemer pelo ardor que ela causou, ao puxar meus cabelos com força. Um gemido gutural eclodiu entre os seus dentes, enquanto seu corpo se desmanchava em um forte orgasmo.

Seu corpo tremia e convulsionava, em baixo da minha língua. Rapidamente, ela me puxou pelos cabelos, afastando meu rosto do meio das suas pernas e me puxando para si. Fui envolvido por um beijo sôfrego e violento, que me deixou aturdida pela rapidez com a qual eu levantei do chão. Sua língua entrou em minha boca com agilidade, movendo-se em sincronia com a minha, como se a qualquer momento o mundo pudesse acabar, e aquilo era tudo o que ela precisava.

Apoiei minhas mãos em seus ombros, e afastei nossos lábios para vê-la. Ela abriu os olhos que brilhavam calorosamente com satisfação. Um brilho primitivo em seu olhar, que me fez sentir um calor percorrendo o meu corpo, e um medo repentino de que eu pudesse perdê-la a qualquer momento. Embora já tivesse dito a ela que a amava, eu não conseguia controlar a onda de emoções que emanava dentro de mim. Um sentimento de amor que nunca ia embora, em vez disso, se desenvolvia, tornando-se algo permanente, obsessivo, e que me consumia a cada vez que me despunha para ela.

- Se sairmos em 30 minutos, teremos tempo para um café tranquilo. – Ela segurou meu rosto entre as palmas das suas mãos, e selou meus lábios tranquilamente. – Vamos.

A dor de ir, começou a me assombrar subitamente. A frieza com a qual ela lidava, sempre depois que transávamos, era descomunal para mim. Parecia haver um abismo entre quem eu – involuntariamente – gostaria que ela fosse, em como ela realmente era. Talvez se ela atendesse à todas as minhas expectativas, eu não me apaixonasse por ela ... E numa deliciosa contradição, eu a amava irremediavelmente. 


Notas Finais


Admito que não ia rolar orange neste capítulo, mas precisava recompensar vocês de alguma forma, por esta demora SAHSUAHUSUAH.
Gostaria muito de saber o que vocês acham do rumo que a estória vem tomando, porque tenho algumas ideias e seria importante a opinião de vocês.
Obrigada à quem leu e até breve !


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