História A Resistência À Beira do Caos - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Distopia, Drama, Ficção Cientifica, Mundo Distópico, Pos-guerra, Principe, Romance, Triângulo Amoroso
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Palavras 936
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Survival, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Terceira Guerra Mundial


Como se lesse meus pensamentos, seus olhos castanhos encontram os meus e não se desviam. Parece que estamos em câmera lenta, como naqueles pesadelos em que não conseguimos correr rápido o suficiente ou quando a voz simplesmente fica entalada na garganta e não conseguimos gritar. Ela estava morrendo mesmo à nossa frente e ele começava a achar que não poderia fazer mais nada.

Sei que ele é forte, mas nunca perdeu tantas pessoas em tão pouco tempo.

— Dr. Lucas. — Anna diz com uma voz firme, mas sem ser autoritária. — Não podemos fazer mais nada.

Ela até tenta, mas não consegue esconder o que sente por ele, nem mesmo na minha frente. Não posso culpá-la, antes de me conhecer ela deve ter pensado que um dia eles poderiam ficar juntos. E eu tenho que admitir que é muito difícil as pessoas que o conhecem ficarem indiferentes à sua determinação e ao seu sorriso.

Ele não diz nada, apenas continua com mais força. Ele não desiste fácil.

— Dr. Lucas, ela já não... — Ela pensa antes de continuar. — Ela já não está aqui. — Diz de uma forma que a situação não parece ser tão grave como é.

Eu sei que ele está pensando na Resistência, tudo o que ele mais quer é mudar o sistema.

Olivia já nasceu contaminada. Assim como eu, o Lucas, a Anna e todas as pessoas dos onze Setores de Gaia. Já estamos na terceira e quarta geração após a Terceira Guerra Mundial, que devastou o mundo há cem anos.

Pelo que vemos nos livros, todos acreditavam que a Guerra seria nuclear e que a raça humana se extinguiria. Mas estavam enganados.

A Terceira Guerra Mundial foi biológica.

Onze tipos de vírus foram espalhados.

Em pouco tempo, apenas vinte por cento da população do que antes era a América do Norte continuava viva.

Em um comunicado que foi transmitido repetidamente durante sete dias, o grupo terrorista Confederação do Leste dizia ter o antídoto para todos os vírus. Deram uma semana para que aqueles que quisessem fazer parte do Novo Estado se apresentassem nas sedes provisórias que eles criaram rapidamente.

Quem recebeu o antídoto, ganhou uma identidade nova, uma casa, um trabalho. Quem se recusou foi executado em praça pública para servir de exemplo.

Mas claro que eles não tinham feito tudo isso em vão. Eles não estavam oferecendo a cura, o efeito não era definitivo.

A cada vinte e um dias, eles teriam que reforçar o antídoto para que o vírus hibernasse. Ou seja, eles nos transformaram em escravos do sistema.

As pessoas foram separadas em onze grandes Setores de acordo com a estirpe do vírus que estava no sangue delas. No nosso caso, era um tipo de vírus que causava insuficiência cardíaca.

Infelizmente, há pessoas que não respondem tão bem ao tratamento, como Olivia.

Quando isso acontece, elas são trazidas para cá. Não para serem curadas, mas para receberem cuidados paliativos e para preparar a elas e suas famílias para a morte inevitável.

E não podíamos mais negar. Ela estava morta, mesmo à nossa frente. Olheiras debaixo dos olhos e cabelos ralos e sem brilho espalhados na maca. Em algum outro momento ela deve ter sido uma mulher bonita. Não agora.

— Lucas. — Eu digo colocando a minha mão sobre as mãos dele. — Diga a hora.

Ele parou e continuou sem se mover por uns segundos, olhando para baixo, para a minha mão em cima da dele.

Então ele vira os olhos para a parede onde o relógio não para, não importa o que acontece, os ponteiros continuam passando.

— Dezenove horas e trinta e cinco minutos. — Ele corta o silêncio. Tiro a mão de cima da dele.

Anna não anota a hora no prontuário.

Lucas se afasta da maca e se apoia na mesa com a cabeça baixa. Seu corpo continua tenso.

Com o cobertor, eu cubro o rosto de Olivia. Ela não tem ninguém. O seu marido morreu há três anos e eles não tiveram filhos.

— Dr. Lucas, ela é um caso 21. — Anna fala e eu logo percebo o que se faz nessas situações. Não era a primeira vez que tínhamos um caso desses desde que comecei a trabalhar aqui.

Ela foi até ele e mostrou algo no prontuário.

— Você acha que consegue? — Lucas pergunta e ela confirma com a cabeça.

— Não Lucas, você não... — Eu começo me dirigindo até ele. Então ele se vira para mim com aquele ar de determinação que eu sabia que não conseguiria contrariar.

— Eu tenho que ir Emily.

— Então eu vou desta vez. — Eu digo sem pensar. Eu sei que ele já fazia esse tipo de coisas antes de eu começar a trabalhar ao lado dele, mas ele não poderia continuar. Essa vontade de ajudar, de tentar quebrar o sistema ainda vai fazer com que ele seja condenado. E eu não posso permitir isso. Não posso perder mais ninguém para uma causa sem futuro.

Talvez, se eu começar a mostrar interesse, ele desista. É esta a forma como eu vou abordar esta situação a partir de agora. Assim ele talvez perceba o quanto é arriscado e sinta o que eu sinto sempre que ele sai nestas missões. Mas por agora eu sei que ele vai continuar inflexível.

— Não, de forma alguma. — É o que ele me diz e o que eu esperava.

— Não era uma pergunta. — É o que eu digo e o deixa surpreso. Ele fez uma careta. Mas sabe que quando eu quero, sou mais teimosa do que ele. E não havia muito tempo para discussões.

— Vocês têm uma hora e cinquenta e cinco minutos. — Anna diz não dando a ele opção para me contrariar.



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