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História A Retaliação dos Esquecidos - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


BACK BITCHES
Obrigada as 3 leitoras leais que eu tenho
Lavem as mãos
Música de hoje: Rewrite the stara
Eu gostaria que vocês escutassem pq tá muito bonitinho, mas se quiserem pular tudo bem

Capítulo 15 - Novatos e Pedido



P.O.V Laura C

Leonela vestia um suéter bege, uma calça preta e botas de cano alto da mesma cor, além de um sobretudo também preto. A mulher estava a minha frente explicando uma missão de resgate em uma fazenda à alguns quilômetros de distância do acampamento, pois a mesma fora atacada por criaturas estranhas no meio da noite. Ao meu lado, a filha de Hades escutava tudo atentamente enquanto amarrava seus coturnos marrons.

- A fazenda dos Andallino foi atacada durante essa madrugada em busca do filho de Dionísio que ali morava. De acordo com a proprietária, os monstros eram grandes, peludos e pareciam estar sendo domados por alguém, essa é toda informação que temos.

- Como ela pode saber que o ataque foi para o filho? – Questionei intrigada

- Ela tem razão, Leonela. Quase nenhum humano sabe que seus filhos são semi-deuses, ainda mais de Dionísio, que só sabia farrear e deitar com todas. – Laura completou minha pergunta

- Olha eu sei que vocês são desconfiadas de todos e tudo a sua volta e por isso são as minhas melhores, mas realmente precisam ir. Essa missão chegou ao Conselho e se não a cumprirmos irão deduzir que não estamos protegendo outros semi-deuses. – Suspirou ao terminar de falar e jogou todo seu peso sob a poltrona que havia ali.

- Eu vou assim que anoitecer. Faço um reconhecimento de campo e passo a noite por lá e evito que algo aconteça, além de saber que tipo de criaturas são essas. – Falei após alguns segundos de silêncio.

- Negativo, filha de Zeus. – A mulher cansada a minha frente rebateu. – Por ordem minha, você deve levar alguns que nunca saíram em campo.

- O que?! – Perguntei irritada. – Eu não vou levar novatos. Eles iriam morrer no primeiro ataque, mal sabem andar no acampamento sem tropeçar. Eu levarei Kai comigo, não preciso de nenhum outro.

- Primeiro, é uma ordem direta minha e você vai cumprir, caso contrário, irá limpar os quartos dos filhos de Poseidon. – Seu tom era firme. – Em segundo lugar, quem é Kai? – Droga.

- Eu não acredito nisso. – Resmunguei e escutei a filha de Hades dar uma pequena risada. Revirei os olhos para a mesma e respirei fundo antes de explicar. – Eu estava andando pela clareira como sempre e havia um grande lobo branco ensanguentado por ali. - Dei de ombros. – O ajudei e o levei para a oficina do Otávio para que pudesse fazer algo.

- Se você estava na clareira ontem... – Me olhou como se pudesse ver minha alma. – Você viu quem atacou Ana? – Claro que eu sabia, mas não podia dizer.

- A-ana foi atacada? Por que n-ninguém me disse? – Eu espero que esse teatro fosse convincente o suficiente para me livrar. – C-como? – Realmente teve algum efeito. Leonela suavizou as mãos e as colocou sob a minha com cuidado.

- Ela foi atacada ontem e está em coma desde então. Não irá receber visitas enquanto não apresentar um quadro de melhoras, sinto muito. Eu via o quanto estavam juntas.

- T-tudo bem... Eu volto quando tiver notícias.



Levantei da cadeira sem dar tempo da mais velha responder e sai com Laura ao meu lado que segurava o riso durante todo esse tempo. Claro que ela sabia do meu teatro e de eu era a culpada por deixar a professora em coma. Me despedi da garota e voltei para meu chalé a passos lentos ao mesmo tempo em que pensava em quem recrutar para essa missão de reconhecimento.

Jeon estaria ocupado com Julia, Laura iria treinar e Vitor estava de viagem. Victória seria uma boa aposta, mas o resto? Pelos deuses, eu estava no escuro. Por falar em escuro, era assim que estava toda a sala do meu chalé. Bufei e comecei a organiza-lo antes que desse a hora do almoço.

(...)

De casa arrumada e banho tomado, eu estava à procura de minha jaqueta após colocar uma camisa qualquer sem estampa. Quando a achei também vi que minha blusa favorita estava ali e instantaneamente fui tomada por uma lembrança que fazia minha cabeça doer

FLASHBACK ON

- Podemos dar uma volta? – Alguém que eu não reconhecia perguntou em um sussuro segurando nossas mãos por baixo da mesa. Acenei e ia retirar minha mão, mas a mesma segurou fortemente. – Eu estou bem assim. – Sorriu me fazendo sorrir também

Abra os braços. – A pessoa me olhou em dúvida. – Abra. – Mesmo confusa abriu os mesmos esperando alguma reação. Retirei minha jaqueta colocando agora em seu corpo. – Ficou bonita em você. 

FLASHBACK OFF

Era a minha jaqueta e porquê ela a usava?
De novo aquele sentimento de vazio e infeliz de ontem, talvez aquela mulher seja mais importante do que eu consiga me lembrar. Balancei a cabeça tentando afastar tais pensamentos, mas ao olhar de novo para minha camisa voltei a ter pequenos flashes de memória que pareciam recentes.

FLASHBACK ON
- Acho que você podia deixar algumas roupas suas aqui. - Falei simples ao ver que a mulher desconhecida no momento vestia um pijama com estampa de universo meu

- Love me like a desert rose... - Comecei pelo refrão em um tom baixo e a de cabelos castanhos se mexeu tentando ficar confortável. - Hold me like you can't let go...


Passou seu braço pela minha cintura como se realmente não fosse me soltar nunca mais

FLASHBACK OFF

Eu estava ficando louca e a cada segundo que se passava parecia que a tendência era piorar e me deixar cada vez pior. Peguei minha jaqueta e saí o mais rápido possível em direção ao refeitório.


(...)


Hugo veio me perguntar como eu estava após saber sobre a atual situação da filha de Teseu e novamente, tive de fazer aquele teatro tosco. Toda essa conjuntura estava me dando nos nervos e ainda havia Millena, essa que parecia me vigiar vinte quatro horas por dia e reclamava a cada segundo. Precisava descobrir o que estava acontecendo o mais rápido possível.

Andei até a mesa onde dois dos quatro que eu recrutei estavam. Ambas pararam de conversar assim que me viram e se ajeitaram corretamente na cadeira. Ri internamente. Era sempre assim com aqueles que pouco conversavam comigo.

- Onde está o resto? – Perguntei antes de sentar.

- Estão na fila. – A ruiva apontou para o lugar e olhei para o mesmo. Os dois conversavam como se fosse velhos amigos. Intrigante. – Você não vai comer? – Pele clara, sorriso brilhante, roupas de couro e algumas tatuagens, além do piercing no nariz. Um pouco diferente para uma filha de Apolo.

- Me diga, por que uma filha de Apolo como você tem um ar de rebelde? – Aquilo era realmente diferente do que eu estava acostumada a ver.

- Adolescência rebelde, sabe como é. – Deu de ombros.

Eu estava um tanto irritada por ter que levar dois romanos a curta viagem, mas eu precisava de um segundo plano de fuga e força dupla, além de alguém que tem contato com a terra. Se você me pergunta porque não ter chamado outra filha de Afrodite, eu lhe respondo: não gostam de atuar nessa parte.

- Maryana. – A cumprimentei antes de me sentar e a mesma me respondeu com um leve aceno de cabeça. Nossa relação não era das melhores desde o jogo.

- Bom dia, Laur. - Victória me abraçou e sentou ao lado do garoto que a acompanhava na fila. – Acho que você não se lembra do Taehyung, filho de Afrodite, ou na língua deles, Vênus. – Sorriu simpática e começou a comer suas saladas.

- Olá, Taehyung. – Coreano, cabelos castanhos escuros e um pouco ondulado, alto e um sorriso acolhedor. Típico filho de Afrodite. - Não tivemos a chance de sermos apresentado antes, não é? Perdoe-me os mal modos, não é da minha natureza. – Podia ser impressão minha, mas ele exalava um pouco de medo.

- O-olá filha deu Zeus. Eu voltei com Bianca e Jennifer, mas depois eu fiquei no chalé masculino de Afrodite e saía bem pouco. – Respirou fundo se recompondo e sorriu confiante. – É um prazer finalmente conhece-la.

- É o que todos dizem. – Dei de ombros. – Sem formalidades, apenas Laura. A propósito, não sei seu nome rebelde. – A ruiva sorriu e levantou a cabeça lentamente.

- Ana Flávia. Agora que estamos devidamente apresentados, pode explicar o plano? – Essa era diferente.

- Leonela me chamou mais cedo para falar de um ataque a um filho de Dionísio que morava em uma fazenda aqui perto. – Seria uma missão suicida caso as criaturas atacassem de novo. – O plano é passar a noite no local e descobrir o que causou tanta destruição e as ordens foram que novatos deviam participar desse reconhecimento. Alguma pergunta? – Questionei e o único perdido em pensamentos era o garoto coreano.

- Hmmm okay. – A filha de Apolo deu de ombros e as outras seguiram seu ato.

- Nos vemos após o jantar na saída principal. – Me levantei pronta para ir embora. – Conversem com algum filho de Hermes ou com Marcos para providenciar um carro para vocês. Suponho que você saiba dirigir. – Ana Flávia me olhou em duvida e logo acenei em afirmativa com a cabeça.

- A minha carteira é comprada, vale? – Sorriu divertida.

- Desde que não sofra um acidente, está ótimo.

- Mas você sabe dirigir. – Maryana pontuou.

- Eu já tenho carona.

Pisquei e enquanto saía dali pude ver que Jeon teria um pouco mais de trabalho do que o esperado. O mesmo me olhou e eu apenas ri de seu sofrimento amoroso. Seria um longo dia.

(...)


Nunca vou conseguir dizer o quão filhos de Hefesto são engenhosos e criativos com qualquer coisa que tem na mão. Antes, Kai era só um lobo branco. Agora ele estava protegido até os dentes com titanium. Possuía um pelo mais reluzente e seu corpo parecia um pouco maior. Encima uma sela de titanium com detalhes em azul e preto que pegava toda sua costas, mas não parecia pesar quase nada. Na cabeça usava uma espécie de tiara com um raio esculpido na pedra do meio. Assim que me viu veio correndo já me jogando para cima e me pegando sem dificuldade. Eu senti falta da maciez, porém era confortável do mesmo jeito.

- Otávio! Eu não vou te bater ou ameaçar pode vir aqui. – Ele tentava se esconder atrás de um escudo quebrado, mas eu sentia sua áurea daqui. – Cinco segundos!

- Você disse que não ia ameaçar! – O garoto saiu e como sempre estava com um avental cheio de gracha.

- Mudança de planos. – Dei de ombros. – Desculpe pelo meu comportamento e obrigada por me ajudar mesmo assim. – Falei sincera.

- Não tem problema... Alias, Kai foi uma ótima companhia, não é garoto? – Acariciou a parte descoberta pela armadura e o mesmo se aproximou querendo mais.

- Algo que eu deva saber? – Questionei e o filho de Hefesto deu alguns passos para trás.

- Poderia carregar essa pequena pedra com o seu símbolo? No caso seus raios.

Fiz o que Otávio pediu e a pedra brilhou em azul irradiando toda a armadura como se estivesse carregada de estáticas. Olhei em choque para o garoto ao ver que não afetava em nada o lobo. Ele continuava impassível, mas atento ao redor.

- Com uma ajuda de Victória consegui fazer com que ele ficasse imune aos seus ataques, porém que conseguisse reproduzi-los, ou seja, se alguém chegar perto dele irá receber uma pequena descarga elétrica.

- Em que quantidade? – Perguntei preocupada pois poderia atingir um dos meus sem querer.

- O suficiente para atordoa-lo e faze-lo cair no chão... Eu meio que testei e durou cerca de seis minutos, mas creio que a magia é bem diferente da origem... Talvez dez a doze minutos. – Deu de ombros. – A armadura é altamente resistente a facadas e armas de fogo, ainda não testei poderes de semi-deuses além do seu e da Victória. Ela também pode se aproximar sem problemas. Posso fazer mais aprimoramentos em breve, se quiser.

- Eu vou sair em missão agora, porém trago assim que possível. Obrigada, Otávio. Estou em divida com você.

- Sempre as ordens, capitã. – Piscou e voltou para o escudo. – Eu que estou em divida com você.

Não pude responder pois o mesmo fechou a garagem me deixando em dúvida. Kai rosnou impaciente e logo o coloquei para caminhar em direção a saída. O frio piorava a cada dia e até o acampamento estava amontoado de neve dificultando a passagem por todo o lugar. Estava com a mesma jaqueta que me fazia ter pequenos flashes de memoria de alguma noite e minha camisa favorita que também me lembrava alguém. Observei Leonela sentada na escada da Casa Grande lendo algum livro desconhecido por mim. Me aproximei devagar até que a mesma tirasse sua atenção do papel e direcionasse a mim.

- Então este é o querido Kai. - A mulher se levantou, mas ficou receosa de se aproximar. – Posso?

- No momento não. Sua armadura está eletrizada por mim. – Me olhou em dúvida. – Coisas do filho de Hefesto, você sabe.

- Fascinante... Você já está partindo?

- Sim. Ao voltar te darei o relatório da missão e todos os detalhes possíveis. - Olhei para a saída onde os três me aguardavam pacientemente.

- Tome cuidado, filha de Zeus.

Leonela só dava a bênção quando eram missões de alto escalão e mais de um dia de viagem. Foi estranho receber, mas no mesmo momento senti que algo ruim nos aguardava na escuridão da floresta.

Lhe dei meu melhor sorriso e fui até meus novos companheiros que guardavam suas armas e mantimentos no carro. Era uma caminhonete vermelha com correntes nas rodas para que pudesse andar sob a neve pesada.

- Quando você disse que tinha carona não era bem isso que eu imaginava. - Victória falou assim que cheguei perto.

- Esse mundo é cheio de doidos. - Ana Flávia disse após entrar no banco do motorista. - Vamos antes que fique tarde demais.

- Eu não posso entrar na rodovia, mas creio que ambas podem me acompanhar. Filhos de Apolo são os melhores para ver algo de longe e filhos de Hécate podem ver perfeitamente tudo que está ao seu redor.

- Claro. - A ruiva sorriu junto com a filha da magia e todos entraram no carro.

A filha do sol deu partida no motor e Kai ladrou no mesmo instante já correndo a passos curtos para que ninguém ficasse perdido.
Ao olhar para trás o acampamento já se desaparecia aos poucos e tudo que nos rondava eram altos pinheiros e uma densa escuridão.

(...)

O caminho entre a fazenda e o acampamento não levou mais que quarenta minutos, mesmo com a neve conseguimos chegar antes da lua alcançar seu ponto mais alto da noite. Todo o lugar estava destruído; madeiras espalhadas pelos cantos, pedras amontoadas e restos de uma perfeita fazenda estavam ali ainda.
Montamos três tendas a cerca de quatro metros de distância de cada um e eu ficaria sozinha, enquanto Maryana iria dividir com Ana Flávia e Victória com Taehyung.

- Eu vou dar uma volta com Kai pela redondeza e fazer o reconhecimento. Não saiam daqui, é uma ordem. - Tomei a pose de líder ao subir no lobo. - E se alguém desobedecer vai ter de limpar o chalé masculino dos filhos de Poseidon.

- Prefiro até ficar quietinha esperando você voltar. - A filha de Apolo se deitou e cruzou as mãos por baixo da cabeça.

- Certo... Não saiam.

Os outros três sentaram e começaram a conversar entro si. Adentrei com Kai pela floresta a passos curtos e silenciosos, como se qualquer passo em falso nos colocaria em perigo e, realmente poderia. Já ouviram a frase, "mente vazia, oficina do diabo"? Pois bem, o meu diabo só queria relembrar os momentos de mais cedo.
Estava claro que a mulher cujo o rosto eu não conseguia discernir era importante demais e tivemos alguma coisa.

Flashback On

Eu corria pela floresta em uma tentativa vaga de fugir da criatura que possivelmente bateu no carro de minha mãe causando a morte da mesma. Enquanto fugia sem prestar atenção na onde pisava acabei tropeçando em uma pedra qualquer e cai morro abaixo.

Era meu fim. A parte boa é que eu poderia reencontrar minha mãe nos Elisios, como ela sempre dizia estar depois que morresse.
Ao invés de encontrar os pares castanhos da mulher que me deu a vida, encontrei castanhos escuros totalmente desconhecidos, mas que passavam conforto e calmaria em um momento tão ruim.

Flashback off

Era ela. Ao constatar tal pensamento, imediatamente coloquei a cabeça para o lado vomitando um líquido vermelho que derreteu o chão assim que caiu. Millena havia me enfeitiçado e eu caí como um patinho. Eu tinha de volta e acordar Ana o mais rápido possível e conseguir pelo menos o seu perdão, além de verificar Laura e esperar que Vitor estivesse de volta.

Eu estava tão distraída em pensamentos que só pude ver uma fumaça roxa passar rapidamente por mim. Olhei alarmada em volta e achei Victória me olhando assustada.

- Eu não acredito que você tava aí toda distraída pronta pra ser morta! - Gritou furiosa ao mesmo tempo que andava em minha direção com passos firmes. - Laura Castro! Eu vou contar para todos que uma filha de Zeus estava desatenta a luta.

- Eu só estava pensando! O que foi isso? - Perguntei em choque. Quanto tempo eu fiquei ali?

- Você estava demorando muito então resolvi vir checar e um segundo a mais você estaria com uma flecha na cabeça.

Kai ficou em posição de ataque e mexeu as orelhas ao escutar passos pesados, mas silenciosos a poucos metros de distância de nós. Estendi a mão para que a garota ao meu lado pudesse subir e a mesma aceitou de bom grado.

- Consegue dizer em quantos são? - Questionei para a filha da magia.

- O movimento no chão está em todo canto... Devemos voltar e ver com Ana Flávia e Taehyung. - Disse por fim.

Kai corria a passos curtos, mas aumentou o passo ao ver que mais de vinte flechas tentavam nos acertar dos dois lados. Com certeza enfrentariamos um pequeno exército.
Os que restaram no acampamento logo se levantaram com suas armas e ficaram em posição de ataque ao nos ver.

- TEMOS COMPAMHIA!

Assim que gritei suas feições mudaram para espantada e ao me posicionar ao seu lado eu entendi. Vários orcs montados em animais de inverno nos cercavam sem dar uma brecha para uma fuga. Estávamos presos e a chance de sair sem uma luta era mínima.

(...)     P.O.V Narrador

Jeon usava uma blusa com estampa de pequenas guitarras além da sua jaqueta estilo colegial. Uma calça preta justa dava contraste ao seus tênis brancos de alguma marca famosa. O mesmo esperava pacientemente Julia, filha de Afrodite, para que pudesse montar o que havia planejado. Ele estava acabando de colocar a tenda no galho da árvore quando sentiu um cheiro de rosas se aproximar cada vez mais forte. Olhou para trás e por alguns segundos seu coração bateu tão forte que sairia pela boca a qualquer instante. A filha do amor vestia uma blusa branca de mangas compridas por baixo de um blazer preto e uma calça jeans dobrada na barra. Nos pés usava seu inseparável coturno preto e na cabeça sua famosa coroa de flores.

- U-uou você está incrível! - O filho de Ares falou assim que a garota chegou. - Nunca conte aos meus irmãos que eu perdi a fala. - Brincou com a mais nova que riu junto.

- Não se preocupe. - A filha do amor se aproximou da orelha do coreano antes de sussurrar. - Seu segredo vai estar seguro comigo. - Percebeu que o garoto engoliu em seco, porém tentou disfarçar rindo.

- Okay, okay. Primeiro, sente-se. - Julia o olhou desconfiada, mas o fez. - Infelizmente não temos a opção cinco estrelas hoje, no entanto se olhar para cima verá mais que apenas cinco estrelas.

- Jeon, isso é incrível. - A garota falou depois de ficar minutos olhando a noite estrelada. - O que vem agora? - Perguntou interessada nos movimentos que o mais velho fazia.

- Não seja tão ansiosa, docinho. Temos a noite inteira.

Ambos estavam tentando algo novo ali, mas tinham medo que seus genes intrometessem demais e fizesse com que a chama acesa fosse apagada. Jeon era o ódio e Julia era o amor que ele precisava. E a filha de Afrodite precisava de alguém por quem lutar além de si mesma.

(...)

- Eu quero me expressar, porém eu nunca fiz algo do tipo então eu vou cantar.

Jeon pegou o violão escondido na pequena tenda e respirando fundo se sentou corretamente no chão de neve. (Att/play)

You know I want you 

(Você sabe que eu quero você) 


It's not a secret I try to hide

(Não é um segredo que eu tento esconder)


I know you want me

(eu sei que você me quer)


So don't keep saying our hands are tied

(Então não continue dizendo que nossas mãos estão amarradas)



Julia de primeira não reconheceu os acordes, mas assim que o filho de Ares cantou os primeiros versos ela ficou espantada pela voz maravilhosa e pela música escolhida.

But you're here in my heart

(Mas você está aqui no meu coração)


So who can stop me if I decide

(Então, quem pode me parar se eu decidir)


That you're my destiny?

(Que você é o meu destino?) 


What if we rewrite the stars?

(E se reescrevemos as estrelas?)


Say you were made to be mine

(Diga que você foi feito para ser meu)


Nothing could keep us apart

(Nada poderia nos separar)


You'd be the one I was meant to find

(Você seria o único que eu deveria encontrar)


It's up to you, and it's up to me

(Depende de você, e depende de mim)


No one can say what we get to be

(Ninguém pode dizer o que conseguimos ser)


So why don't we rewrite the stars?

(Então, por que não reescrevemos as estrelas?)


Maybe the world could be ours

(Talvez o mundo possa ser nosso)


Tonight

(Esta noite)


Foi a vez de Jeon ficar quieto e escutar a voz melodiosa de uma filha de Afrodite. E ele podia afirmar, era a voz mais doce de se ouvir.

You think it's easy

(Você acha que é fácil)


You think I don't want to run to you

(Você acha que eu não quero correr para você)


But there are mountains

(Mas há montanhas)


And there are doors that we can't walk through

(E há portas que não podemos atravessar)


I know you're wondering why

(Eu sei que você está se perguntando por que)


Because we're able to be

(Porque podemos ser)


Just you and me

(Apenas você e eu)


Within these walls

(Dentro dessas paredes)


But when we go outside

(Mas quando saímos)


You're going to wake up and see that it was hopeless after all

(Você vai acordar e ver que era impossível depois de tudo)



A garota se levantou com lágrimas nos olhos e Jeon a segurou antes que pudesse sair correndo.

No one can rewrite the stars

(Ninguém pode reescrever as estrelas)


How can you say you'll be mine?

(Como você pode dizer que você será meu?)


Everything keeps us apart

(Tudo nos mantém separados)


And I'm not the one you were meant to find

(E eu não sou o único que você deveria encontrar)


It's not up to you

(Não depende de você)


It's not up to me

(Não cabe a mim)


When everyone tells us what we can be

(Quando todos nos dizem o que podemos ser)


How can we rewrite the stars?

(Como podemos reescrever as estrelas?)


Say that the world can be ours

(Diga que o mundo pode ser nosso)


Tonight

(Esta noite)


Seus corpos dançavam livres, porém na mesma sincronia.

All I want is to fly with you

(Tudo o que eu quero é voar com você)


All I want is to fall with you

(Tudo o que eu quero é cair com você)


So just give me all of you

(Então, dê-me tudo de você)


It feels impossible

(Parece impossível)


It's not impossible

(Não é impossível)


Is it impossible?

(É impossível?)


Say that it's possible

(Diga que é possível)


Seus corações batiam forte no peito como se pudesse escapar a qualquer momento. 


How do we rewrite the stars?

(Como reescrevemos as estrelas?)


Say you were made to be mine?

(Diga que você foi feito para ser meu?)


Nothing can keep us apart

(Nada pode nos separar)


Cause you are the one I was meant to find

(Porque você é o único que eu deveria encontrar)


It's up to you

(Você decide)


And it's up to me

(E depende de mim)


No one can say what we get to be

(Ninguém pode dizer o que conseguimos ser)


And why don't we rewrite the stars?

(E por que não reescrevemos as estrelas?)


Changing the world to be ours

(Mudando o mundo para ser nosso)


Julia iria cantar a última parte, mas Jeon a calou antes que completasse. Seus corações estavam selvagens e tentavam aos poucos normalizar a respiração.


- A última parte não é necessária. Nós não podemos reescrever as estrelas, mas podemos escrever nas nossas estrelas. Não temos de seguir nem mostrar para ninguém que somos ou o que sentimentos, só precisamos estar um com o outro e tudo vai ficar bem. - O filho de Ares falou depois que enxugou as últimas lágrimas da garota.


- Você é todo o meu oposto e nossos genes podem interferir demais e eu não estou pronta para ter um coração quebrado. - Tentou brincar, porém seu sorriso era quebrado. 


- Se for para ter algo quebrado que seja a cama. - Julia lhe deu um tapa fraco. - É melhor que um coração quebrado. - Deu de ombros. - Mas falando sério, somos o oposto um do outro, por isso, vamos brigar muito, entretanto, vamos usar essas brigas para aprendermos e sermos um casal melhor. Eu quero ser uma parte da sua estrela.


- Jeon... - A olhou ansioso. - Só tem um problema.


- Qual? 


- Você já é minha estrela. 


O garoto a abraçou fortemente e Julia se questionou se havia quebrado alguma costela, porém iria deixar para outra hora. Eles estavam felizes e era isso que importava. 


- Então isso é um sim? - Perguntou esperançoso.


- Eu não lembro de ter ouvido um pedido.

Jeon se bateu na testa e logo se pôs de joelhos segurando uma caixinha de veludo preto.

- Droga... Eu estou nervoso. - Resmungou e respirou fundo. - Vocequernamorarcomigo?

- Eu entenderia se você falasse a nossa língua e não embaralhado. - Julia já sorria de novo e segurava as lágrimas de emoção.

- Você quer namorar comigo? - Revirou os olhos, mas sorriu assim que sentiu o pequeno corpo colidir com o seu.

- Sim sim sim!

Ambos ficaram ali desfrutando da noite e das milhares de estrelas que teriam para escrever. (Att/vomitei boiolice)


P.O.V Laura C

- Ana Flávia para os telhados nos dando cobertura de cima e o número de inimigos. Maryana e Taehyung fiquem com os da esquerda. 


Dei as posições de cada um e prontamente a filha de Apolo foi lançada ao alto pela romana e caiu perfeitamente em pé depois de um mortal. O filho de Afrodite já ia manejando seu chicote verde musgo cheio de espinhos e a ponta com uma rosa que ao atingir a velocidade certa ficava em chamas.


- E eu? - Victória perguntou atrás de mim.

- Você vem comigo. Aliás, pensa rápido. - Avancei com Kai, mas joguei a garota para o alto e esperei que ela fizesse o que eu pensei. 



- AKIRA! - Gritou ao mesmo tempo em que caia do céu e logo um Cerberus cruzou meu campo de visão e pegou a garota antes de se espatifar no chão. – NUNCA MAIS FAÇA ISSO OU EU VOLTO DO INFERNO PARA TE BUSCAR E NEM ZEUS SERÁ CAPAZ DE ME PARAR! – Me ameaçou, mas eu apenas ri de sua tentativa. 

- Você precisava de um empurrãozinho. – Peguei a espada que havia ganhado de meu pai e firmei na mão. – Chega de papo! NÃO DEIXEM QUE PASSE DE NÓS. 

No segundo seguinte já estava acontecendo um banho de sangue. Podia se ouvir explosão solar, espadas se batendo, partes do corpo sendo cortadas e flechas sendo lançadas para todos os lugares. 

Kai e Akira devoravam orcs lado a lado enquanto Victória queimava alguns com chamas azuis e eu decapitava outros. 

Eram muitos e mesmo que matássemos a maioria sempre aparecia mais. Eu acabava de lançar um raio que matará um pequeno grupo de criaturas da neve, quando a garota ao meu lado me chamou. 

- EU PRECISO DE COBERTURA! ACHA QUE CONSEGUE?! – Questionou depois de queimar mais meia dúzia. 

- TÁ BRINCANDO?! – Rebati enquanto tirava minha espada de uma cabeça. – Ugh isso é nojento. – Falei após tirar a gosma verde da espada. 

 

- EU TE RECOMPENSO DEPOIS! TAEHYUNG HORA DE ABRIR UM BURACO 

Fiquei confusa, mas logo o filho de Afrodite estava ao seu lado, ambos com a mão na terra. Ativei meu escudo e gritei por Maryana que logo entendeu o que devia fazer. Colocou o pé esquerdo e no mesmo instante a joguei para o alto. 


- JUNTE SUAS MÃOS 

 

Fez o que pedi e com um baque enorme no chão o mesmo foi se rachando e abrindo um buraco bem onde um grupo maior se encontrava e prontamente alguns se desestabilizaram caindo direto na vala. Não era muita coisa, mas íamos ganhar um tempo até que conseguissem subir de volta, porém havia aqueles que estavam montados em criaturas de quatro patas e esses eram os que já subiam com rapidez. 

O chão tremeu novamente e vi duas barreiras de terra se erguer do mesmo. Taehyung estava com as duas mãos erguidas e Victória possuía metade do cabelo roxo além de estar rodeada por uma sombra da mesma cor. 

 
- OS CERQUE DENTRO DA BARREIRA E NÃO DEIXE QUE SAIAM! – O garoto falou e eu entendi o que haviam pensado. 


- Maryana! – Chamei pela garota que parecia um pouco zonza, mas estava firme. – Monte em Akira e os cerque do lado direito. Eu vou para o esquerdo com Kai. 

 
Mesmo com o baque a romana ainda lutava com toda a força que podia. É eu tinha que reconhecer, ela era uma perfeita filha de Ares. Gritei por Kai e o mesmo veio ao meu econtro já me jogando para cima e pegando com facilidade. O conduzi até o lado esquerdo e recarreguei a pedra com o símbolo de Zeus. 

 
Do outro lado, Maryana ameaçava os orcs com sua lança de vibranium, além de Akira arrancar a cabeça de outros sem piedade nenhuma. 

 
Voltei a olhar para os dois que estavam no chão e tinha algo de estranho acontecendo. A névoa que antes rodeava Victória, estava entrando no buraco que ambos e Maryana haviam aberto para manter os orcs. Fechei meus olhos ao ver que uma luz azul brilhava fortemente e ao abrir fiquei extasiada. Victória estava queimando todos com as chamas do inferno enquanto Taehyung fechava a barreira cada vez mais, obrigando os inimigos a caírem no próprio inferno. 

 
Uma flecha fincou ao meu lado e eu estava pronta para atirar um raio quando percebi que era Ana Flávia descendo por uma corda de luz que logo desapareceu quando a mesma pousou. 

 
- Vocês ficaram com toda a diversão. – Comentou triste. – Rudes. 

 
- Acabou? – Maryana perguntou. – Eu acho que bati a cabeça. – Falou zonza e a peguei antes que caísse de cara no chão. 


- Por mim ela cairia. Não comece a achar que gosto de romanos. – Falei ao ver que a ruiva me encarava divertida. 


- Podemos ir ou temos que passar a noite? – Taehyung vinha com uma Victória desacordada nos braços. 


- Vamos embora. 

 
Colocamos os desacordados nos bancos de trás e o romano foi na frente com a filha de Apolo que também parecia cansada. Subi em Kai e mandei Akira de volta para o submundo onde era seu lugar. Deixamos o lugar depois de fechar o buraco e tudo que restou foi restos de madeira, poeira e pedra. 



(...) 


Eu estava cansada demais até para dar um passo, mas eu tinha de falar com ela e faze-la acordar ou eu nunca me perdoaria por ter feito tal ato.

Filhos de Apolo e Ares vigiavam a entrada da enfermaria e eu não estava nem um pouco afim de discussão. Pelos deuses que dia difícil.

- Não pode passar, filha de Zeus, sinto muito. – O garoto alto e musculoso foi o primeiro a me barrar.

- Eu não quero te machucar, só me deixe passar. - Eu tentaria o modo pacífico, porém agressão também resolvia.

- Não pode passar. – O do seu lado interviu. Era alto, mas não possuía músculos grandes.

Eu disse que tentei, né? Peguei ambos pelo pescoço e fiz com que batessem a cabeça um no outro e logo caíram moles no chão.

Fitei seu corpo imóvel na maca e senti meu coração despedaçar ao meio com a visão. Puxei uma cadeira e me sentei ao seu lado.

- Eu sei que não mereço o seu perdão e vou entender se nunca mais quiser me ver, você tem esse direito e eu vou respeitar... Só volte para mim.

Segurei em sua mão e me deitei em seu colo esperando que sua mão fosse até meus cabelos e os acariciasse até que eu dormisse tranquila.


Notas Finais


Vou revisar mais tarde ✌🏻🥴

https://images.app.goo.gl/wsKzMjPsK9WWTW4C7

Para quem nunca viu uma caminhonete com corrente na roda

https://youtu.be/9JKKAvihRcc

Link da música


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