História A Sacerdotisa e o Espadachim - Capítulo 5


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Categorias Inuyasha
Personagens Kikyou
Tags Ação, Aventura, Inuyasha, Kikyou, Magia, Suspense, Terror
Visualizações 3
Palavras 1.490
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Violência
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Devoradora de almas


Fanfic / Fanfiction A Sacerdotisa e o Espadachim - Capítulo 5 - Devoradora de almas

Antes começar o breve capítulo, cabem alguns comentários, dentre eles de que é difícil encontrar o desenho de mulheres idosas em animes, principalmente que sejam espadachins. Isso demandou certa pesquisa, e demorou mais um pouco encontrar imagens. Mesmo as que eu encontrei, não achei perfeitas. Isso talvez seja um indicativo de que devo dedicar algum tempo para desenvolver minha capacidade de desenho. Sempre ajuda a demonstrar algumas ideias. A imagem inicial é da líder de um clã, não de samurais, mas de ninjas, de um anime de nome Basilisk. Este anime é pesado, cenas fortes, muita violência. A velhinha é casca grossa. Talvez por isso eu a use para dar uma ideia da velha Tamoe, que realmente foi uma mulher espadachim, Tamoe Gozen. Fica também como homenagem.

***

— eu não sabia que a sua mãe era um samurai.

— Não existem samurais mulheres. A velha Tamoe foi uma Onna-musha.

— E tem alguma diferença?

— Nossa! Como tem! Samurais são treinados para a guerra. As mulheres espadachins são treinadas para proteger as famílias, quando os homens morrem em combate. São uma segurança, uma alternativa para os casos extremos, quando tudo parece perdido, para evitar que as famílias sejam simplesmente dizimadas. Geralmente as filhas dos nobres, princesas, são treinadas na arte da espada e do arco. Mas não há honra neste trabalho. Muitas, quando fogem, dirigem até uma colônia de pescadores qualquer oferecer seus serviços como prostitutas, e escondem suas armas, pagando a vida com a vergonha.

[— Não parece que foi isso que aconteceu com a sua mãe]

— Não parece que foi isso que aconteceu com a sua mãe.

— Faça-me somente um favor. Não pronuncie que ela é minha mãe diante dela. Não o pronuncie na frente de pessoa alguma. Não é algo do qual se vanglorie, ser mãe de um fracassado. Não chego sequer a ser digno de ostentar esse título. Não passo de um aprendiz renegado. Isso é tudo, e nada mais. Isso no entanto não me admira em nada. Afinal, nunca fui um dos preferidos.

Ele dizia isso e se afastava de mim. Eu podia jurar que algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto. Mas ele virou as costas.

Tive a vontade de pedir que ele se calasse, que ele não me contasse mais nada. Eu deveria ser indiferente a tudo aquilo, mas de alguma maneira, não era. Não precisei me dar o trabalho de dizer mais nada. Ele começou a falar de costas mesmo pra mim. Eu ainda me sentia tonta do encontro que eu tive com a espada demoníaca daquela mulher. Seria muito difícil que alguém me convencesse, mas aquela era uma katana devoradora de almas. Aquela noite mesmo eu teria que procurar novas almas para suprir meu corpo.

— Minha mãe foi esposa de um nobre. Nosso pai. Meu e de nobunaga. Ela também era filha de um nobre, e foi treinada desde jovem nas artes da luta. Quando meu pai foi pra guerra, e não retornou, era evidente que marchariam contra nosso feudo. Ela reuniu as últimas guerreiras e fugiu para o mais longe que pode. No final, ela se negou a fazer sua morada num vilarejo qualquer de pescadores, e esquecer a arte da espada. Ela ignorou o perigo que corria. Talvez simplesmente não se importasse muito com a nossa vida, ou achasse que preferia morrer a abandonar o caminho da espada. Na cabeça dela, acredito, ter dois filhos homens, dois futuros samurais, daria a ela a possibilidade de talvez recuperar a honra do clã. Assim, montou este dojo, e passou a nos treinar. Era um dojo estranho, com apenas dois alunos. De qualquer forma, parecia algo tão descarado, que nunca foi importunada. Mesmo assim, por medida de segurança, dizia que éramos dois órfãos que ela recolheu. Como tinha trazido algum tesouro de nosso feudo, vendeu, juntou dinheiro e passou a viver de agiotagem. Ela sempre foi uma mulher trapaceira. Afinal, ninguém desafaria deixar de pagar uma mestra de um dojo de esgrima. Mas sempre foi comedida, e com o tempo, angariou até algum respeito.

[Com o tempo, quando adquirimos a idade necessária, julgou que estávamos prontos para nos juntarmos a milícia de algum nobre]

Com o tempo, quando adquirimos a idade necessária, julgou que estávamos prontos para nos juntarmos a milícia de algum nobre. Imaginava que seríamos capazes de reconquistar a honra de nosso nome. Revelou armaduras e emblemas a muito tempo esquecidos, e nos apresentou ao senhor feudal mais próximo.

Não posso negar que estávamos preparados fisicamente. Mas ela não nos preparou para a guerra, para o sangue e para a carnificina. Se ela fora nobre em algum feudo honrado, o exército ao qual nos juntamos era o amontoado das pessoas mais desonestas e vis. Nossa acampamento fora dizimado. Era uma bagunça. Nobunaga foi gravemente ferido. Passou vários dias entre a vida e a morte. Meu irmão querido, o preferido de minha mãe. E depois disso, nunca mais se recuperou. Perdeu completamente o juízo. Ele permanece daquela forma, nos fundos do velho dojô, como um cão raivoso numa coleira. Os aldeões evitam a todo o custo o dojo. Sabem do perigo. E somente procuram a velha Tomeo quando estritamente necessário.

Quando eu me apresentei aqui com meu irmão ferido, não posso descrever o desprezo com que me olhou. Nesse momento, tive vontade de nunca ter sobrevivido aqueles combates. Eu provavelmente deveria estar morto agora, não fosse meu irmão, se eu não precisasse protege-lo, trazê-lo de volta. Mas com certeza, minha adorável mestra não compartilha dos meus sentimentos. Ela provavelmente preferiria que eu tivesse morrido. Pra ela, isso recupera nossa honra. Embora pra mim, não signifique nada. Duas vezes desonrada, e com suas esperanças mortas, só falta enterrá-la. Esse dia deve estar próximo. E eu devo sucedê-la nos cuidados do meu irmão, e manter um dojo sem alunos.

— Eu não perguntei. E também não queria saber. Mas já que o senhor monge falou, seria essa a razão de retorno?

— Sim, e não! Ele se virou pra mim, e começou a sorrir. Aquele sorriso sem-vergonha tinha voltado ao seu rosto. — De fato, eu a considero um pouco parecida com a velha Tomoe. — Pensei que talvez fôssemos da mesma idade, eu, a sacerdotisa morta, e a velha.

— Provavelmente compartilhamos o mesmo sentimento por vossa senhoria. — Respondi.

— Acho que não resta muita dúvida quanto a isso. Tenho certeza que as duas me amam. — Estranhamente, corei com aquelas palavras, embora tenha mantido o semblante duro. Há muito tempo não cogitava amar outro homem, ainda que fosse somente um comentário maldoso de um homem sem honra.

— Desde jovem, que a quantidade de mortes de crianças neste vilarejo foi alta. Com o tempo passaram a nos chamar de vilarejo amaldiçoado, ou das crianças mortas. O número de mortes com o tempo foi aumentando, até o estado em que chegamos. Recebi uma mensagem do velho Owen. Acredito que a senhorita o tenha encontrado.

— Sim. Eu realmente o encontrei.

— Ele sabia onde eu me encontrava, e me mandou uma mensagem. Pediu minha ajuda. Ele foi como um pai pra mim. Não podia deixar de atender seu chamado. Hoje resta uma criança apenas. Eu não estava mentindo quando falei que a considerava uma grande curandeira. Espero que tenha descoberto algo.

— Não descobri nada. Mas desconfio que os eventos tenham uma origem espiritual. Olhei a água, e não havia nada nela. Os outros aldeões também não possuem qualquer sinal de enfermidade. O problema assola apenas crianças. Nesse tipo de problemas, ajuda de um monge seria maior do a de um espadachim. Com relação à espada, conheço sua maestria. Já quanto aos sutras de buda, tenho minhas dúvidas.

— Acredito que sei o suficiente. O que eu sei dá pro gasto. A senhorita é boa mesmo, no final das contas. Eu precisava de uma esposa assim, para que eu endireitasse o meu caminho.

— Senhor monge, pensei que fôssemos irmãos. Seria inadequado irmãos terem esse grau de intimidade.

— O que são dois amantes senão duas almas irmãs, ou almas gêmeas? Vê como nosso destino estava escrito nas estrelas?

– Não vejo nada. Não acredito em estrelas, e também não acredito em almas gêmeas. Além do mais, considero que o senhor seja um caso perdido. Nem mesmo eu seria capaz de endireitá-lo.

— Não se subestime. Tenho plena confiança em sua capacidade.

Me afastei daqueles comentários maldosos sem responder qualquer palavra. Mas gostaria que o que ele disse fosse verdade. Eu gostaria de ter curado o coração de meu amado, ao invés de ter cavado uma ferida ainda mais profunda. Quem sabe, talvez a verdadeira Kagome tivesse esse poder. Se ele confiava em minha capacidade, talvez não devesse fazê-lo. Deveria muito menos confiar no meu caráter. Talvez fizesse parte da sina daquele homem ser enganado pelas mulheres. Não cabia a mim julgar seu carma. Eu procurava ainda uma forma de dizer a ele o que eu desconfiava, que a mãe dele e mestra era portadora de uma katana devoradora de almas, e que provavelmente sua lâmina amaldiçoada tinha matado todas aquelas crianças.

 



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