História A Sacerdotisa e o Espadachim - Capítulo 6


Escrita por:

Postado
Categorias Inuyasha
Personagens Kikyou
Tags Ação, Aventura, Inuyasha, Kikyou, Magia, Suspense, Terror
Visualizações 4
Palavras 2.404
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Violência
Avisos: Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - O pedido


Fanfic / Fanfiction A Sacerdotisa e o Espadachim - Capítulo 6 - O pedido

Naquela noite, o velho Owen me arranjou um lugar para dormir. Minamoto foi dormir no seu velho Dojo, perto de sua mãe e de seu irmão. Ele ainda tentou me convidar para passar a noite lá com eles. Suas intenções eram na verdade menos honrosas. Talvez tivesse esperanças de ver banhando, ou invadir o meu quarto a noite. O ancião, conhecendo nosso amigo de longa data, já sabia suas intenções, e me ofereceu um lugar. Era uma casa mais afastada, simples, mas confortável.

Recebi um quarto em separado e uma esteira de palha para me deitar. A verdade, no entanto é que eu não tinha a menor intenção de recostar a cabeça. Aquela posição me lembrava estar morta, algo que abominava. Não era um hábito incomum dormir sentado. Algo eu que poderia fingir enquanto minha mente e meu poder espiritual vasculhava as redondezas. Eu percebia uma força poderosa lançando suas teias sobre o povoado. Quase podia sentir as longas patas arranhando o teto das casas.

Não imaginava que fosse uma casa abandonada. Estava bem arrumada e limpa. Os quartos eram simples, mas não via lixo. Mesmo assim, fiquei por um bom tempo sozinha. No quarto principal, acendi a fogueira. As cinzas eram frescas. Alguém cozinhara na noite anterior. Embora não tivesse necessidade de aquecer o corpo frio, a sensação era desagradável. A permanecer no escuro chamaria ainda mais a atenção do pequeno vilarejo.

As pessoas já deviam estar comentando sobre a jovem estranha que apareceu repentinamente com um de seus moradores mais conhecidos. Chamar ainda mais atenção poderia gerar algum problema. E não seria adequado fugir naquele momento.

A ferida que meu último confronte com meu inimigo me deixara, continuava me incomodando. Eu podia sentir o veneno abrindo brechas e rachaduras no interior de meu corpo de barro. Era desagradável como ter vermes comendo a própria carne. Eu me sentia fraca. Minha força ainda era muito maior do que a de qualquer sacerdotisa viva. Talvez perdesse apenas para kagome. A diferença era minha experiência. Mesmo assim, qualquer dificuldade naquele estado, representaria um perigo extra. E eu não poderia morrer ainda. Não sem concluir minha missão. Sem curar meu ressentimento. Vingar minha morte.

A vingança, no entanto, parecia uma realidade cada vez mais distante. Gostaria de ver o rosto agonizante de Naraku, vê-lo sofrer e sumir, junto com todo o mal que habita nele. Gostaria de poder purifica-lo, e então me recolher para seguir meu caminho, até onde minha existência fosse capaz de me levar. Eu caminharia através dos vales escuros, pelos pântanos. O espirito de uma mulher morta, que devora a alma de virgens. Talvez um dia eu mesmo me tornasse em algo semelhante ao Naraku, e talvez meu amado viesse para me dar a paz. Talvez eu precisasse ser purificada também. Eu não desistiria fácil.

Eu sentia, no entanto, que aquele corpo não suportaria. Eu não seria capaz de pôr fim ao meu inimigo. Um dia, talvez ele risse sobre esta carcaça de boneca inerte. Quando eu morresse, nada mais importaria. Quem continuasse este caminho, quem vencesse, quem morresse.

Eu gostaria de acreditar nisso. Eu gostaria de aceitar esta realidade. Mas havia um certo incômodo. Eu tinha ciúmes de meu amado. Não somente de vê-lo com aquela menina. Eu me passava por ela, assumia o nome de uma mulher que eu odeio. Mas eu também tenho ciúmes de meu amado com meu inimigo. Tenho asco a que ele toque seu corpo, que o faça sangrar, sofrer. Só posso acreditar que isso seja ciúmes. Nos momentos de meu ódio mais profundo, eu mesmo desejo o sofrimento de meu amado. As vezes me pego imaginando indo desse mundo com ele, partindo desta vida. Eu o arrastaria até as profundezas do inferno. E velaria sobre seu corpo eternamente, até que me tornasse uma escultura de pedra.

Então eu me lembro de que até mesmo na morte, seria possível que eu não encontrasse a paz. Eu poderia ser revivida novamente, talvez com finalidades malignas. Hoje eu me alimento de almas de pessoas mortas. E se fosse diferente? E se eu fosse obrigada a me alimentar da alma de criancinhas? Esse era um karma pior que a morte. Não poderia haver um sofrimento ainda mais terrível.

Perdida nesses pensamentos, me lembrei de Tamoe Gozen. Não fazia sentido pensar excessivamente no futuro, meu futuro incerto e sofrido, enquanto eu possuía um problema mais urgente com o qual lidar. A velha possuía uma arma demoníaca. E aquela arma estava abrindo ainda mais meus ferimentos, e matando crianças. Em breve, vilarejo inteiro poderia sumir, e ela permaneceria no interior de um dojo fantasma, para se tornar talvez um demônio pior do aquele eu mesma tinha me tornado. Duvidava que revelasse a verdade ao monge, ou que confiasse a ele seu segredo. Aquele homem tolo e obsceno teria um fim triste, embora isso pouco me importasse. Era sua sina. Ele possuía a dele, como eu tinha a minha.

Ainda assim, fazia falta ter alguém com quem conversar. Um homem sofrido, mas ainda com certo senso de humor. Talvez eu tivesse algo a aprender com ele, embora soubesse que seu maior interesse fossem as posições do kama sutra. Quando não se pode dormir, percebe-se como as noites são barulhentas. Os animais e os insetos no lado de fora, gatos, alguém que se revira na cama em outro aposento. Nada nos escapa. E os pensamentos são mais amargos do que vários copos de saquê. Havia momentos que tudo o que mais desejaria seria dormir, e não pensar mais em nada.

De repente, ouviu um barulho no lado de fora. A senhora de mais cedo naquele ia apareceu, muito cabisbaixa, e triste. Os aldeões deviam manter a criança afastada com medo de que a doença fosse contagiosa. E a senhora deve ter permanecido ao lado dela até não conseguir mais.

— Minha filha, desculpe a demora. Não temos nada pronto para comer. Vou providenciar algo.

— A senhora comeu?

— Confesso que não.

— Somente por isso, vou aceitar o seu convite. A senhora precisa comer. — Pensei que ela deveria ter a idade de minha irmã. Senti uma compaixão instantânea por ela. Como eu sentia saudade de Kaede!

Ajudei em algo e fizemos algum ensopado rápido. Haviam restos de peixe e alguns legumes. Fiz de conta de comia algo, enquanto a senhora comia moderadamente.

— Está muito ruim? Perguntei.

— Não é isso, mas não tenho apetite. Percebi que você comeu pouco também. Eu diria que quase não comeu.

— Tenho hábitos austeros, minha senhora. Resultado de minha vida como sacerdotisa. Não se preocupe comigo.

— Eu gostaria de agradecer o que fez mais cedo.

– Fiz pouco, minha senhora. Fiz somente o que estava ao meu alcance.

— Percebi que depois do que a senhorita fez, a pobre criança respirou melhor. Eu achava que ela não duraria até a manhã seguinte. Diga-me uma coisa: há esperanças pra ela?

— Sinceramente, não é algo que eu possa garantir.

— Eu gostaria de pedir que a senhorita não se aborrecesse comigo, e me perdoasse qualquer indiscrição. Sou muito grata pelo o que fez. Me devolveu alguma esperança. E gostaria que soubesse que acredito muito na senhorita.

— Sinceramente não precisa me pedir algo assim. Pretendo salvar a sua criança. Mas acredito que seja difícil. Vou fazer o máximo. Mas detestaria nutrir falsas esperanças.

— Eu sei. Gostaria somente que soubesse que não tenho mais a quem recorrer. A senhorita é minha última esperança. Estamos diante de um mal maior do que podemos enfrentar. Gostaria de poder trazer aquela criança para a minha casa, acomodá-la aqui. Mas os aldeões estão possuídos pelo medo, um vilarejo que está morrendo. Eu sei que se trata de mal sobrenatural, algo que somente o sobrenatural pode derrotar.

— Não entendo onde a senhora quer chegar.

— Eu sei que a senhorita não está viva. Não sei bem o que é. Sei somente que não está viva. Eu consigo ver. Eu consigo sentir. Assim como sei que algo está sugando a vida daquela menina. — Enquanto ela falava aquilo, ficava cada vez mais retraída. Seu corpo frágil parecia que ia desabar.

— E mesmo assim, a senhora me recebe em sua casa? Mesmo sabendo que eu sou um fantasma, ou uma aberração.

— Como eu disse, a senhorita é minha última esperança. E além disso, eu sinto que a senhorita possui um bom coração, que realmente foi uma sacerdotisa enquanto viva. É impossível que tenha uma alma perversa.

— Deveria ter menos confiança em mim.

— Posso estar enganada. Eu sei. Não tenho muitas alternativas. Estou dizendo isso para que saiba que não pretendo atrapalhar, que não a pretendo reter aqui. Não direi nada a ninguém. A senhorita pode ir para fazer o que tem que fazer, não quero saber o que é. Somente salve a criança. Eu imploro. Talvez tenha perdido a fé em si mesma. Não no seu poder. Este é inquestionável. Uma vida austera e disciplinada, foi a sua. Este poder espiritual deve ter sido desenvolvido a base de muito estudo e treinamento. Mas sinto que perdeu a fé no próprio coração, nos próprios sentimentos. É capaz que a senhorita seja mais velha do eu, não tenho qualquer direito de lhe dar qualquer conselho. Não o faço. Leve somente meu humilde sentimento, os sentimentos de uma velha fraca e vencida, de que eu confio no seu coração frio, e que mesmo o mal que seja capaz de causar, ou cause, é o menor possível, e repleto de compaixão. — Quando disse isso, dobrou os joelhos sobre o chão e se prostrou numa saudação muito solícita, e sincera.

Eu deveria intimidar aquela pobre mulher. Eu deveria fazer um rosto duro, eu poderia convocar meus coletores de alma, fazê-los rodopiar naquele pequeno aposento. Estávamos um pouco afastados. Ninguém seria capaz de se intrometer.

Vê-la ali, no entanto, com a cara junto ao chão, implorando pela minha ajuda, me fazia ter vontade de correr até ela e puxá-la pra mim, abraça-la. Se houvessem lágrimas em mim, eu seria capaz de chorar.

Seria capaz de rir, de zombar de sua fé ingênua. Mas suas palavras me abalaram. O rosto eu mantive duro, como um pedaço de pedra na montanha. Virei-me apenas, e falei de costas pra ela. Não suportava vê-la daquela forma.

— Eu agradeço sua consideração. Realmente era um grande incômodo ficar aqui enquanto ainda tenho assuntos a resolver.

— Não se preocupe comigo. Direi a todos que dormiu aqui.

Saí para a noite sem dizer nenhuma palavra a mais. Fui para a densa floresta. Eu possuía as almas com ferocidade. Não sentia ódio daquela mulher, mas o sentimento crescia em mim. Por um instante senti vontade de ver Minamoto, de ouvi-lo falar gracinhas, e exibir aquele sorriso idiota.

Pela manhã, quando o céu dava os primeiros sinais de aparecer, eu deveria estar saciada. No entanto, nenhuma alma era capaz de curar a ferida no meu peito. Ela continuava crescendo, me devorando por dentro. Caso eu estivesse viva, eu deveria me contorcer no chão de dor. No entanto a morte me fazia não sentir nada. Se havia algum sofrimento, eu estava presa dentro dele. Isso significava que eu não podia sequer gritar.

Pela manhã, eu estava diante do velho dojô. Lá dentro eu tinha perfeita noção de que Tamoe me esperava. Sentada no seu interior, no centro do salão de treinamento que não era usada, ela sustentava a espada ainda dentro da bainha.

— Eu sabia que não tinha abandonado a vila. Não demoraria muito a aparecer. Seja lá o que um demônio deseje, não desistirá fácil. Se busca a alma daquele idiota, vou avisando: primeiro, ela não vale a pena. Segundo, mesmo sendo um lixo, é o meu lixo, e não vou deixar que ninguém o leve de mim. Ele dorme nos meus aposentos. Não passarás daqui.

Eu tinha atravessado o portão principal. Estava na sala em seu interior. Ela se erguia diante de mim exibindo uma lança. Não era versada nas armas dos homens, mas sabia que era uma arma comum. A espada continuava em sua bainha.

— Fico imaginando com que direito uma mulher que exibe uma katana devoradora de almas aponta os dedos pra mim e me ameaça, quando ela mesma é portadora de uma maldição.

— Minhas armas não lhe dizem respeito. Mas saiba que minha katana não é a única arma mágica que possuo. Esta Naginata também possui seus poderes, e não privarei de usá-la. Quero ver sua cabeça rolando pelo assoalho.

Peguei meu arco e retirei minha flecha. Eu não precisaria atingi-la. Eu poderia sugar sua alma se eu quisesse. Ou queimá-la com um simples toque. Uma flecha seria suficiente para anular o poder de sua arma. Minha preocupação era a espada. Caso ela a desembainhasse, eu teria pouco tempo para acertá-la. Me pergunto qual o motivo de ela não a usar desde o início. Imaginava que ela estava me testando, e que queria saber até onde ia meu poder. Isso me dava certa vantagem. Eu poderia desarmá-la antes que tivesse oportunidade de usar sua arma mais mortífera.

— Não tenho qualquer interesse no seu filho. — Ela arregalou muito os olhos, e logo em seguida se recompôs.

— Foi aquele idiota que lhe contou isso? Ele é mesmo um linguarudo.

— Não vou discordar que ele seja um idiota. Mas acredito que o ame. Afinal o deve estar protegendo. — ela ficou mais desconfortável. Suas mãos apertaram a lança com mais força. Se eu estivesse muito próxima, teria sem dúvida desferido um golpe de raiva.

— Não me venha falar de amor. Uma mulher que deve ter morrido jovem, não sabe a desgraça que é ter um filho que somente a envergonha. Pouco me importa seu destino. Não gosto de você. Vou manda-la de volta para o inferno.

— Estou somente curiosa. Porque uma mulher mantém uma espada que devora a alma de crianças e tem matado as crianças desta vila durante anos? Eu queria saber quem é o verdadeiro demônio, agora? Eu ou a senhora?

Percebi que aquelas palavras a perturbaram. Por um breve momento, ela se desconcentrou e baixou os olhos. Eu iria atingir sua lança em cheio, e em seguida pretendia desarmá-la de sua espada, quando o chão tremeu com um estrondo. Nós duas nos perdemos o equilíbrio. Eu consegui me manter de pé, e a velha se apoio na arma. Quando nos recompomos, não estávamos mais sozinhas. Um exército de homens tinha nos cercara.Um homem se destacava na multidão. Eu logo o reconheci. Tratava-se do mesmo bandido que tínhamos encontrado. Mas estranhamente, ele exibia uma outra mão no lugar daquela que Minamoto tinha decepado

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...