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História A saga dos hunos na Europa - Capítulo 13


Escrita por: Tripa_Seca

Capítulo 13 - Making of (parte II - fim)


Fanfic / Fanfiction A saga dos hunos na Europa - Capítulo 13 - Making of (parte II - fim)

7 - Leões iranianos: Hoje em dia restritos à floresta de Gir na província de Kathiawar (noroeste da Índia), os leões asiáticos (Panthera leo persica) já foram encontrados em uma área muito maior. Em tempos antigos eram encontrados desde a Península Balcânica (e possivelmente ao norte ate a atual Hungria) até a região do rio Ganges no norte da Índia e do Cáucaso ao Iêmen. No Irã os leões eram comuns, principalmente nas regiões sul e oeste, enquanto que os tigres se concentravam no norte, próximos às fronteiras com a antiga União Soviética. Também era um símbolo de poder e realeza entre os antigos persas, assim como no Antigo Egito, na Antiga Roma, na Índia e na Europa medieval, entre outras sociedades ao longo da história. Infelizmente desapareceu do Irã por volta de 1942. Hoje em dia os únicos leões selvagens fora da África subsaariana são os leões de Gir. E em Gir não existem tigres.

8 - Guepardos iranianos: Até os dias de hoje o guepardo é encontrado no leste do Irã, próximo à fronteira com o Afeganistão. E essa é a única população de guepardos selvagens que nos dias de hoje vive fora da África subsaariana, já que todas as outras foram extintas principalmente ao longo dos séculos XIX e XX. A subespécie asiática do guepardo (Acinonyx jubatus venaticus) outrora também era encontrada no Oriente Médio, Cáucaso, grande parte do Irã, Afeganistão, Ásia Central e norte do subcontinente indiano.

9 - Sobre a nomenclatura real huna: Para quem viu o filme da Mulan (não esse mais recente, o primeiro filme animado, lançado em 1998) deve lembrar que o nome do vilão principal do filme e chefe dos hunos que invadiu a China era Šan-Yu. E o título que os soberanos hunos orientais usavam era... Šanyu! De acordo com o artigo do site All Empires sobre os hunos orientais (xiongnu), o termo šanyu (também grafado como čanyu e šan-yu) significa “O magnífico” ou “o grande”. Tal título persistiu nas estepes até no século III, quando se passou a ser utilizado o título Khan, usados pela primeira vez pelos žoužan. Não achei nada a respeito do uso de tal título entre os hunos europeus a não ser a obra do autor húngaro Géza Gárdonyi chamada O homem que não se vê: a vida de Átila narrada por um escravo (originalmente A láthatatlan ember, que literalmente significa o homem invisível), de 1901. Coloquei os soberanos hunos na minha história com tal título mais para ressaltar a ligação entre os grupos hunos da Europa e da Mongólia.

10 – Repartição de poder dentro do Império Huno: De fato, o Império Huno, até Átila tornar-se o governante único em 445, era regido por dois governantes. Mas nunca encontrei maiores detalhes a respeito de como funcionava a divisão dos poderes dentro do Império Huno além da existência de dois soberanos reinando no mesmo Império ao mesmo tempo. Entre os khazares (um dos povos das estepes que apareceram na história após os hunos, notórios por sua conversão ao judaísmo no século VIII como uma manobra política para se manterem neutros entre o Califado Abássida e o Império Bizantino), por exemplo, havia a figura do bek, responsável pelo poder militar e administrativo, e o khagan, que tinha um poder figurativo e limitado. Ou mesmo a bipartição de poder do Japão na Era Edo (1603 – 1868) entre o šogun e o imperador, em que o poder de fato estava na mão do primeiro enquanto que o segundo tinha uma função mais cerimonial, e que foi extinta a partir de 1868 após a Revolução Meidži. Sobre a base de poder de cada um, é fato que os hunos, após adentrarem na Europa, centraram seu poder na atual Hungria. Já a localização exata do centro do soberano oriental no baixo Volga é invenção minha.

11 – Asgard e os hunos: Até onde sei, os hunos nunca se aventuraram em expedições militares ao norte da Germânia. Até porque para que desperdiçar homens e recursos em dispendiosas expedições ao norte, sendo ao sul eles tinham alvos muito mais ricos, como os dois Impérios Romanos, ou mesmo a Pérsia Sassânida mais a leste? Mesmo Roma, após o fracasso na batalha de Teutoburgo, desistiu de estabelecer a província da Magna Germania que se estenderia até o Rio Elba.

Além disso, é bom lembrar que durante muito tempo o sul da Europa foi muito mais rico que o norte, e tal situação perdurou até o século XVIII com o advento da Revolução Industrial primeiro na Inglaterra e depois na França e na Alemanha. E que as grandes civilizações da Europa antiga floresceram não na Escandinávia ou na Germânia, e sim nas cálidas margens do Mediterrâneo, na Grécia e em Roma. Os ancestrais dos atuais alemães e escandinavos, na época de Heródoto, Aristóteles, Sócrates, Sêneca, Tácito, Políbio, Tito Lívio e Plínio o velho, levavam um estilo de vida não muito diferente dos atuais indígenas da Amazônia, e só tiveram saltos civilizatórios após travarem contatos primeiro com Roma e depois com os estados europeus que emergiram na Europa pós-romana.

Alguns mapas dos domínios hunos os mostram se estendendo até o sul da Suécia. Talvez os hunos exercessem alguma espécie de domínio tributário não só sobre a Germânia, como também sobre as atuais Dinamarca, sul da Suécia, e mesmo sobre a Polônia, a Ucrânia e partes do sul da Rússia e do Cazaquistão. Algo similar ao que séculos mais tarde os mongóis vieram a estabelecer em locais como a Rússia, a Bulgária, o Tibete e a Coreia.

Lembro-me também que no filme de 2001 sobre o Átila, em que ele foi interpretado pelo Gerard Butler, é dito que os domínios hunos se estendiam por mais de 100 nações e ao norte iam até o mar glacial. Se por mar glacial subentende-se o Oceano Ártico ou o Mar Báltico, o filme não deixa claro.

Mas, por outro lado, é interessante imaginar Asgard tendo interações com esses povos e impérios históricos todos e que nesse tempo todo não foi um reino isolado do resto do mundo, a despeito de não ter se convertido ao cristianismo como o resto da Escandinávia a partir dos séculos X e XI. Que teve sim suas relações com o mundo exterior e que essas relações chegaram inclusive a influenciar os desenvolvimentos políticos, econômicos e sociais do reino nórdico. E isso inclui os clãs de origem dos Guerreiros Deuses do século XX que reivindicam descendência dos hunos, ou mesmo dos mongóis.



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