História A secretária - Capítulo 32


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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Lacey (Belle), Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Regina Mills, Swanqueen
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Palavras 6.283
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então... Chegamos ao nosso último capítulo postado e não tenho como ser mais grata pela companhia e amor de vocês com essa história que eu e Wifey (bea @missbexana) estamos desenvolvendo ao logo desse ano. Quero agradecer por vocês pela compreensão, tivemos altos e baixos, mas acredito que tenhamos desenvolvido a história de uma maneira que tenha levado aos pontos que queríamos expressar ao longo dela.

Sobre o livro, ele vai ter coisas que não vão vir para as plataformas onde postamos a história, até então é a única coisa que realmente foi nos passado, mas nós estamos muito empolgadas de contar para vocês esse detalhe a mais.

A todas as meninas que estão no grupo da editora Mills: obrigada por ter nos feito rir, pelas teorias, pelas conversas, por tudo. Vocês são mais do que especiais.

Para todos que nos acompanharam até aqui, esse capítulo é para vocês.
Nos vemos em breve, amo vocês.

Capítulo 32 - Capítulo trinta e um


Editora Mills,

Regina Mills

 

Oito e meia da manhã eu estava descendo do elevador no andar da presidência. Estava exausta, dormi pouco e todo o estresse da visita de Cora ainda estava presente. Talvez eu tirasse o horário de almoço para fazer uma massagem.

Mamãe havia ficado um pouco mais depois que fui me deitar. Zelena disse que ela estava envergonhada, furiosa também, pelo que tinha acontecido em frente às nossas amigas, então se manteve por mais um pouco torturando-as fingindo estar interessada em suas vidas.

Passei em frente à mesa de minha secretária e a encontrei vazia. Incompetentes. Como Emma fazia falta por ali. Entrei na sala como um furacão, já pronta para ligar pra August pedindo que demitisse-a e me arrumasse uma secretária decente. Já com o celular a caminho da orelha, parei rapidamente olhando aquela cena.

Estela estava de costas, mas tinha certeza de que havia notado a minha presença, ajeitava algo sobre a minha mesa e empinava seu corpo de forma que deixava sua saia social esverdeada quase vulgar. Fechei a expressão imediatamente, sentindo que hoje seria o dia que finalmente arruinaria o nome da minha família jogando alguém da janela. Travei o telefone, cruzando os braços logo em seguida.

Srta. Waves, posso saber o que está acontecendo aqui? — Perguntei, apesar de já ter noção das intenções da moça. A morena virou-se lentamente, e como eu havia imaginado, os primeiros botões de sua camisa social estavam abertos, revelando parte de seu busto. Trazia um sorriso inocente, o que contradizia o brilho sacana em seus olhos amarelados. — Estou esperando uma resposta. — Repeti, e aparentemente, ela fraquejou, desviando os olhos dos meus por alguns instantes.

— Eu pensei que seria mais prático esperá-la em sua sala, já que temos muitos assuntos para colocar em dia — Mentira, estive fora mas não louca, mesmo na Itália está por dentro de tudo que acontecia na Mills. —, então para poupar tempo, já organizei os arquivos e documentos. — Finalizou, e deu uma rápida olhada em mim.

— Poupar tempo? Não gosta do seu trabalho, srta. Waves? — Arqueei a sobrancelha enquanto seguia em direção a minha mesa. Ela remexeu-se no lugar onde estava, virando-se frustrada quando passei direto.

— Gosto, srta. Mills. Mas acho que o tempo também poderia ser aproveitado de outra maneira. — A malícia tomou seu tom de voz e minha boca quis se abrir em descrença, achei que ela daria mais rodeios.

— Ok, Estela, deixa eu te explicar uma coisa. — Refiz meu caminho, parando à sua frente e ela sorriu quando levei meus dedos aos botões de sua camisa. Mas logo me encarou confusa quando comecei a fecha-los. — Eu não sei o que você escuta por esses corredores ou o que ouviu quando estive fora, também não tenho o interesse de saber. Mas o que importa pra mim é que você siga as regras. Não quero que entre em minha sala quando eu não estiver e nem que entre sem bater. E o mais crucial para manter o seu cargo é: não procure por algum envolvimento sexual dentro da minha empresa, menos ainda comigo porque mesmo que você seja uma mulher atraente, eu não estou interessada e estou muito satisfeita com... — Percebi que ia falando demais e resolvi mudar o foco. Ela estava envergonhada, eu podia ver em seu rosto. E se fosse em outra época, eu teria demitido ela assim que colocasse os olhos na sua figura. — Enfim, gosto dos meus funcionários fazendo o que são pagos para fazer e gosto de trabalho bem feito. Que isso não se repita, entendido?

— Sim, srta. Mills. — Ela murmurou, olhando para baixo.

— E já que deixou tudo aqui, pode se retirar. — Dessa vez ela só assentiu e rapidamente se pôs para fora da minha sala. Sentei na minha cadeira e suspirei, fechando os olhos e resmungando ao ouvir a porta se abrir sem que batessem. — Era só o que me faltava. O que eu acabei de falar, srta. Waves?

— Ih, mal começou a semana e já está soltando fogo pelas ventas. — Zelena falou, sentando-se em minha frente.

— Eu já ia ligar para você. — Ignorei seu comentário. — Precisamos de uma reunião para discutir uma possível compra.

— Está me convocando para vê-la experimentar lingerie? — Seu entusiasmo me fez olhá-la chocada.

— Sinceramente, Zelena, em qual frequência seu cérebro funciona?

— Em uma bem mais divertida que a sua, com certeza. — Riu, me fazendo revirar os olhos. — Mas sobre o que é?

— A tia de Emma está vendendo a parte dela na Nolan.

— E?

— Emma me ofereceu. Disse que pensaria, mas não é apenas uma decisão minha e jamais faria algo do tipo sem consultar você. Além do mais, precisamos falar com os outros acionistas também.

— Entendi. Podemos marcar para depois do almoço. — Ela disse na maior tranquilidade, mas eu sabia que avaliaria os prós e contras dessa compra. — Diga para sua secretária ligar para os outros. — Assenti. — Por falar nela, o que houve entre vocês? — Questionou, cerrando os olhos.

Eu ri e me surpreendi com minha própria atitude. Zelena havia dito que eu era quem mais havia mudado e eu estava atenta para cada sinal que mostrasse que ela estava certa. Esse definitivamente era um deles. Contei a ela todo o ocorrido, sem tirar e nem pôr.

— Eu não acredito nisso! — Disse, assim que finalizei a narração do ocorrido. — E você não demitiu ela? — Neguei, ainda sorrindo. — E posso saber por que?

— Ela é nova, me fez pensar em quando Emma chegou aqui. Mesmo que tenha dado um deslize enorme, sei que precisa desse emprego assim como sei que não fará de novo. E também estou tentando não querer exterminar todo mundo que me irrita.

— Graças a Deusa você entrou nesse estado depois que Emma apareceu.

— Por que? — Perguntei, franzindo o cenho confusa.

— Se você tivesse perdoado o “deslize” de uma outra secretária pós Marian e Emma talvez nunca tivesse se candidatado à vaga.

— Essa é uma possibilidade que nem ao menos gosto de cogitar. — Balancei a cabeça, tentando afastar esse pensamento.

— Eu também, sis, eu também. — Ela disse, enquanto se levantava. — Tenho algumas coisas para resolver, mas estarei aqui para a reunião. Até mais tarde. — Mandou-me beijinhos e saiu da sala. Liguei para Estela pra que ela marcasse a reunião e após isso, me afundei no trabalho.

Almocei em minha sala mesmo e só voltei para o mundo real quando Estela bateu em minha porta para avisar que faltavam cinco minutos para a reunião. Segui para a sala de reuniões e um sorriso pequeno descansava em meus lábios com as várias lembranças que invadiram minha mente. Não foi algo demorado, como eu sabia que ela faria, Zelena já havia pesquisado os prós e contras, colocando-os na mesa. A previsão era boa, um bom negócio fechado em breve, mas para isso era necessário uma reunião com representantes da Nolan. Eu, obviamente, fiquei responsável por essa parte.

Já havia adiantado todo o serviço e após a reunião, não tinha mais nada a ser feito. Nada que não pudesse ser feito em minha casa. Passei por Estela avisando que não voltaria mais hoje e fui em direção ao elevador. Queria ligar para Emma, mas deixaria pra fazer isso quando chegasse em casa.

 

***

 

Roma, Itália —  

Emma, Swan.

 

Enquanto caminhava pelas ruas de Roma, podia ver muitos detalhes do acontecimento que chocou o meu país. Os jornais bombardeando o partido político de Neal - mesmo com ele já afastado -, algumas matérias falando sobre o quão  comum era a agressão às mulheres vindas de homens de partidos conservadores, mas estas se restringiam a jornais online. É claro que eles não exporiam isso para rolar por todo o país em suas páginas cinza. Mas isso não me importava, desde que a informação chegasse, não me importava mais que meu nome ou o meu rosto estivesse vinculado a isso. Talvez seja apenas uma das minhas reações do agora, do momento, mas essa força vinda de dentro, a força que eu sentia para lutar contra todos esses problemas, não podia abandoná-la, e nem iria.

— Oi, o meu nome é...

— Emma. Conheço você. —  A mulher murmurou olhando para mim. — Acho difícil que alguém aqui não a conheça, infelizmente. Infelizmente para nós, os casos não foram tão repercutidos. Mas por favor, sente-se. — Ela indicou o lugar à frente de sua mesa na pequena recepção, num pequeno prédio em Roma. — Meu nome é Alma Migliacci.

— Srta. Migliacci. — Apertamos nossas mãos num cumprimento gentil. — Nos falamos por telefone.

— Sim, consigo me lembrar, apesar de ter muito trabalho por aqui. — Sorriu bem calma mostrando a papelada a sua frente. — A Srta. Giacomelli, de Florença, me avisou que você estava visitando a casa de lá.

— Sim, eu estava. — Respirei fundo. — Mas precisava voltar para as minhas obrigações aqui em Roma.

— É um passo muito importante dada as condições da senhorita.

— Minhas condições? — Perguntei e ela apontou um jornal com as páginas bastante amareladas, mostrando o exato em que fugi do apartamento onde morávamos. — Ah, sim.

— O que quero dizer, senhorita Nolan... É que, como pode ver, essa é uma casa pequena e, com o dinheiro que recebemos para mantê-la, mal temos condições de manter suas provisões.

— É sobre isso que quero falar. — Olhei-a diretamente e tirei da minha bolsa algumas pastas. — O mundo só muda quando vamos atrás das mudanças, não quando esperamos que ela caia do céu. — Repeti as exatas palavras que havia proferido horas atrás para os acionistas da Nolan. Eram homens de idade, amigos do meu pai de longa data, que antes não acreditavam do que eu era capaz de fazer. Não foi difícil convencê-los de que ajudar os outros era a nossa maior forma de progresso, principalmente no ramo editorial, já que, por ano, publicamos tantas histórias capaz de mudar a vida dos seres humanos com apenas um contextos. — Não podemos lhe dar dinheiro, não diretamente, mas podemos cuidar da infraestrutura e cedê-la a sua organização, diretamente para essa causa. A editora Nolan, concordou em arcar com todas as despesas relacionadas a compra deste lugar.

— Você está dizendo que essa casa passa ser propriedade da sua empresa? Não é um tanto equivocado? — Perguntou-me a plenos pulmões. — E se algum dia a sua empresa abandonar essas mulheres? Como funcionaria isso? É um salto no escuro, senhorita Nolan.

— Na verdade, acredito ter me expressado mal, o que quero dizer é que nós compramos esse prédio diretamente com o dono e, vamos transferir vocês para um outro endereço mais seguro. — Murmurei e a senhora, um tanto carrancuda, exibiu um sorriso pra mim. — Sei que essa é uma das casas que mais recebe mulheres e suas crianças em situação de risco.

— E, infelizmente a nossa infraestrutura não as permite ficar mais do que um par de dias...

— É exatamente isso que estou querendo dizer. Eu tive recursos para fugir, passar meses longe dele até ele me encontrar e fazer o que fez. — Respirei fundo. — Mas e aquelas pessoas que nasceram na mesma terra que eu? E aquelas que no fim das contas tem que voltar para suas casas e no fim do dia virarem uma estatística do governo, onde jornais apenas datam uma nota sobre sua morte ou sobre quantos casos dessa mesma forma aconteceram na Itália esse ano? Eu não quero isso, quero a mudança e, ao meu ver, a mudança começa dessa forma. Começa comigo fazendo a diferença.

 

***

 

— Me diga, como foram as coisas por lá? — Meu pai me perguntou sentado em seu escritório quando entrei. Depois que Regina foi embora, a única conversa que tivemos foi relacionada a ajudar outras vítimas, minha mãe deu-me total apoio, com ele não foi diferente.

— Demorei um pouco pra me recompor quando cheguei aqui. — Confessei e, David Nolan, com seus olhos azuis brilhantes refletindo toda sua preocupação levantou-se para vir até mim.

— Voltou a chorar? Conversou com seu médico sobre isso?

— Chorei de felicidade, papai. — Segurei suas mãos lhe dirigindo toda a segurança que sentia naquele momento. — Chorei porque essa editora, algo que veio da nossa família, vai ajudar a mudar a vida de pessoas.

— Estamos orgulhosos de você, Emma. — Segurou meus ombros, mas não pode se conter em me dar um abraço, um abraço que eu precisava. — Orgulhosos por você ter dado este passo.

— Pessoas podem ajudar as outras de tantas formas, mesmo que essa seja a nossa, para este lugar específico. Podemos ajudar oferecendo nosso serviço comunitário, arrecadando doações, ajudando as crianças que tiveram de presenciar esses momentos horríveis de seus pais, com uma brincadeira ou uma ajuda no dever de casa. — Senti que as lágrimas voltaria para os meus olhos, mas permaneci abraçada ao meu pai. — Pai…

— Sim, querida?

— Me perdoa por ter perdido o controle e ter agido daquela forma com vocês na nossa outra casa? — Respirei fundo e olhei seus olhos. — Você tem razão, pai. Ninguém vence guerras sozinho e eu não quero passar por nenhuma das lutas que tenho pela frente ao longo de toda essa minha vida sem você ou a mamãe. — Ele me apertou um pouco mais, como se quisesse me proteger e ele podia. — Eu os afastei por tanto tempo, porque achava que ter apenas Neal era o que importava, mas eu sempre tive o maior exemplo de amor vendo você e a mamãe e o quanto vocês eram próximos aos meus avós, a tia Ingrid. Deixei que ele anulasse até mesmo isso por tanto tempo. Não quero isso nunca mais.

— Emma, você é a minha única filha. É o amor da minha vida assim como sua mãe, nós ficamos tão preocupados com você que confundimos nossa proteção nesse momento com tentar manter o controle da situação. Nós esquecemos de ver que você sempre foi capaz e estaremos aqui para lhe dar a força que precisar. — Beijou a minha testa. — Você terá uma família feliz com sua namorada, com o filho dela e terá a nós dois para sempre, porque, Emma, nosso amor por você é incondicional.


 

***

— Ah, o dinheiro… — Respirei fundo olhando para Victoria sentada na nossa sala, comigo e Rose.

— Bom, Emma… você sabia que seria indenizada. — Rose murmurou e eu respirei fundo.

— Não queria mesmo ter ligação com esse dinheiro.

— Você não precisa, com seu novo projeto, você pode doá-lo. — Belfrey passou as mãos pelos cabelos. — Não quero dizer que você ganhou esse dinheiro como um troféu do que ele fez, mas você pode usar uma coisa ruim para ajudá-la numa coisa boa.

— Também estou disposta a ajudar. — Rose respirou fundo mantendo seus olhos sobre mim. — Preciso contar uma coisa pra você.

— Bom, vou deixá-las a sós e vou para o meu hotel. Agora que finalmente encerramos isso, vou poder voltar pra casa e passar um tempo com as minhas filhas. — Levantamos para abraçá-la.

— Victoria, não tenho palavras para dizer o quão foi maravilhoso ter o seu auxílio.

— Fazer justiça, Emma, faz meu trabalho fazer sentido. — Abraçou-me uma vez mais. — A propósito, em algumas semanas você tem a reunião com o consulado, não esqueça, ok?

— Certo. — Rose aproveitou para abraçá-la.

— Doutora Belfrey, obrigada por ajudar minha amiga. Lhe sou muito grata.

— Não precisam me agradecer, qualquer coisa vocês tem o meu telefone. Posso orientá-las frente a qualquer nova situação e encontrar um profissional adequado. — Despediu-se seguindo para a porta da casa dos meus pais.

— Diga, qual é a notícia? — perguntei vendo um pouco de nervosismo em sua expressão.

— Acho que vou dar a notícia boa primeiro que, ao mesmo tempo, pode não ser tão boa assim. — Rose murmurou com sua risada nervosa.

— Rose, você está me deixando preocupada. — Minha melhor amiga sentou-se no sofá e me puxou para retomar o lugar ao seu lado.

— Não fica assim! Bom, Robin conseguiu um teste pra mim num filme. — Contou os planos e eu exibi um enorme sorriso. — Por isso tenho passado muito tempo estudando para esse papel, lendo as possibilidades e, quando for fazer o Marketing dele, posso tentar ajudar de alguma forma com o abrigo de mulheres.

— Isso é maravilhoso. — Eu a abracei com toda força que consegui. — Você sempre quis entrar para isso de atuação, mesmo quando você começou a carreira. — Apertei seu rosto, enchendo suas bochechas de beijos.

— Emma… — Rose gargalhava. — Meu deus, vou ligar pra Regina.

— Eu estou muito orgulhosa de você, por favor, não me ameace com a minha namorada. — A abracei novamente. — Ok, agora a notícia ruim.

— A mais tranquila delas duas, que no mesmo me faz cogitar se realmente devo aceitar o papel é: se eu aceitar, voltarei para os Estados Unidos antes de você realmente conseguir um visto… Mas não quero deixá-la só. Não agora.

— Ah… — Balancei a cabeça afastando todos os pensamentos que povoavam minha mente. — Rose, você não me abandonou quando seguiu carreira. Eu abandonei você por Neal.

— Não, Emma… não diga isso.

— Sim, eu o fiz. Você me alertou quanto ao caráter dele, você lembra que vinha todos os meses para a Itália? Sempre estávamos juntas até no momento que você me alertou sobre ele. Afastei você porque eu estava cega naquele relacionamento. Abandonei você por ele, Rose, e me arrependo todos os dias por ter mantido pouco contato ao longo dos anos. — Ela segurou minhas mãos com força. — Quando você me viu na Mills e agiu como se eu nunca tivesse optado por ele, não falei nada, mas senti todo o peso do seu amor por mim e o meu amor por você. Nós nunca devemos substituir uma amizade por um amor e, se não dá para conciliar os dois, algo de muito errado tem nessa equação. Eu era ingênua demais para perceber que só bastava você e eu para poder ser feliz.

— Oh, Emma. — Rose me abraçou com força. — Eu… Quando meus olhos caíram sobre você eu sabia que minha melhor amiga tinha retornado e não podia deixar um orgulho adolescente atrapalhar na amizade que nós temos.

— Nem um orgulho adolescente e nem o fato de que eu ainda não possa ir aos Estados Unidos deve te manter por aqui. É o seu futuro, seu sonho, nunca vou abandoná-la. Amo você, Rose.

— Também amo você, Emma.

— E qual é a outra, notícia? — Perguntei ao limpar meus olhos e vê-lá fazendo o mesmo.

— Não importa, Emma. — Ela me abraçou. — O que importa é que tenho seu apoio e você tem o meu.

— Pra sempre? — Perguntei fazendo a mesma rir.

— Pra sempre.

 

***

Editora Mills, NYC.

Regina Mills

 

Os dias foram passando e nos aproximávamos do Natal. O que significava somente uma coisa: uma coleção inteiramente de livros novos, com autores renomados e outros que estavam tendo sua ascensão agora. E não falo apenas de contos natalinos com todo aquele calor da época, mas das mais diversas histórias. Uma, em especial, havia prendido a minha atenção desde a primeira vez que pus os olhos no manuscrito. Fascinação. Um nome que fazia total jus a história contada, um amor que nasce de maneiras peculiares e aparentemente impossíveis. Mas o que realmente havia me prendido tão fortemente, era o fato de sua protagonista levar duas vidas; a de mãe comum e dedicada e, de uma dançarina num bar. Ela carregava um segredo que pode facilmente ruir o relacionamento que surge aos poucos com a delegada que salva seu filho. Um segredo que pode fazê-la abrir mão de muita coisa para mantê-lo salvo. A gente aprende duramente a vida que as pessoas não são iguais as outras, apesar de sempre afirmarmos isso, mas a teoria é sempre mais fácil, não é mesmo? Não somos iguais e alguns segredos existem com pesos inimagináveis, algumas pessoas precisam mantê-los até que sintam-se fortes o bastante para libertarem-se deles. Segredos são, em grande parte, dolorosos. Mas em outras, são os pilares que podem manter alguém vivo. E nunca é fácil quando aprendemos isso.

Saí de minha sala e parei em frente à Estela, que rapidamente tirou os olhos da tela do computador e os colocou em mim.

— Srta. Waves, quero que compre as passagens ainda hoje, ok? Para mim, Henry, Zelena e Ruby. — Era algo que deveria ter sido feito dias atrás, mas com tanta coisa para resolver, não pude dar a devida atenção. — Para o dia 30 de dezembro, Itália.

— Sim, srta. Mills. — Respondeu, prestativa como se mostrara ser. Depois do ocorrido em minha sala, Estela não deixou que o lado profissional fosse esquecido sequer por um minuto, não parecia ser algo difícil para ela já que não me dava olhares insinuantes e nem fraquejava ao olhar-me nos olhos. O convívio profissional era algo que estava me agradando em demasia pois ela era eficiente e eu gosto de profissionais eficientes.

— Vamos, ou iremos nos atrasar. — Disse, já caminhando em direção à sala de reuniões com Estela em meu encalço.

Apesar de já fazer algumas semanas que não via Emma, exceto pelas nossas ligações diárias, que nos tem sido muito proveitosas, para saber como anda sua cabeça, coração e seu trabalho, o fato de que em exatos 10 minutos estaríamos em uma reunião através do Skype deixou-me um pouco nervosa, talvez um tanto ansiosa. Era um importante feito, diga-se de passagem,  nem mesmo minha mãe teria a audácia de recusar uma proposta como esta em sua época de ouro comandando esta editora. Mills vs Nolan dando uma passo grande em direção ao progresso por parte do ramo editorial.

Nós somos muitos, temos a tendência de nos conhecer por causa do nosso árduo trabalho em dar voz àqueles escritores que foram rejeitados por outros grupos editoriais e, graças ao nosso apoio, fizemos suas obras alcançarem o mundo. Era uma trabalho árduo de equipe, editor e escritor.

Agora, não saia da minha cabeça o fato de que, essa aquisição empresarial mudaria o rumo das coisas. Faria grandes editoras, tanto da Europa quanto da América unirem-se e, de certo modo, virar o referencial na nossa área de atuação. Antes nós já agíamos dessa forma, separadamente, mas agora... Agora seríamos imbatíveis.

Zelena estava comigo e Estela, assim como Kristin, August e Natasha do setor financeiro, que já nos aguardavam na sala de reuniões com a jovem do TI resolvendo nosso sistema online. Passamos toda a semana ocupados estudando as possibilidades de adquirir 50% de uma grande editora europeia, assim como reuniões com nossos advogados e o banco para nos ajudar quando a transferência de uma grandiosa quantia em dinheiro fosse transferida para Irlanda já que, a recebedora daquela quantia era a tia de Emma. Quanto a isso, Emma havia me dito que sua tia não tinha sido reticente em voar da Irlanda para Itália para participar da nossa reunião, mesmo que Emma tivesse me dito que ela não entendia realmente muita coisa sobre os trâmites legais, estava disposta a participar da reunião e ficaria feliz em saber que parte do seu patrimônio familiar, seria da responsabilidade de alguém que não deixaria a empresa falir e que estaria disposta a fazer o negócio ser renovado com um ar jovial. Quando ela me contou sobre isso, achei que Ingrid estivesse falando sobre Emma, mas minha namorada ficou feliz em dizer que era sobre mim. Que os Nolan confiavam em mim, no meu trabalho para assumir parte dessa responsabilidade, assim como confiavam em Emma por ter concordado que - tanto eu, quanto ela - seríamos parte importante para tocar com a Unificação das Editoras Mills e Nolan.

— Senhorita Mills, o servidor está online, podem ficar à vontade para darem início a reunião. — A jovem Margot, nossa TI, murmurou.

— Obrigada Margot, qualquer incidente nós a procuraremos. — A jovem sorriu deixando a sala.

Olhei para o relógio em meu punho, faltavam 3 minutos, mas isso não me impediu de antecipar tudo aquilo, principalmente por saber que eles estavam num fuso horário de 6 horas a nossa frente. Todos estávamos prontos para aquilo e, exatamente às 9 da manhã em New York, o skype fez seu característico som que não tardou ao ser atendido pelos pertencentes ao corpo da editora Nolan em Roma.

Quando a ligação começou mostrando todos aqueles rostos, mesmo tentando seguir todo o protocolo de que uma proposta como aquela significava, assim como o fato de que logo estaríamos embarcando para Itália e no primeiro dia do ano que vem essa compra estaria finalmente efetivada, não pude deixar de ver o quanto Emma estava profissional, mostrando todos os pontos fortes daquela aquisição, tanto para mim quanto para sua tia.

Vê-la trabalhar a distância me fez sentir falta de sua presença aqui, em casa. A editora Nolan poderia pertencer a ela como um legado de sua família, assim como ela era uma cidadã Italiana, mas sua casa era aqui, na Mills, em New York, no meu coração.

August, Zelena, Kristin e até mesmo Natasha debateram com Emma, David e seus advogados presentes naquela reunião para que nenhuma das duas partes fossem lesadas. Tudo isso era um pré-acordo, mas não deixou de ser menos essencial para que, em breve, o negócio fosse fechado. Quando Emma me ofereceu parte de sua empresa, ela havia me dito que se eu não tivesse vontade de mantê-la ou que não fosse rentável a mim que, dentro de alguns anos, ela a compraria de volta.

Mas enquanto expressávamos os pontos naquela reunião, lhe deixei claro que não era a minha vontade, não ao primeiro momento. Os número da Nolan dificilmente tinham alguma baixa e, a nossa unificação, tornaria ambas as empresas ainda maiores no mercado. Todos os dois lados sairiam ganhando no fechamento daquele acordo.

Quando a reunião chegou ao fim e um importante ponto foi fechado, Emma sorriu discretamente para mim e eu sabia que ela queria falar comigo ao telefone, rapidamente deixei a sala para ligar para ela.

— Estava com saudades de ouvir sua voz. — Ela disse do outro lado da linha.

— Você não imagina o quanto foi bom para mim vê-la trabalhando. — Respondi enquanto caminhava pelos corredores em direção a minha sala.

— Gostou do meu desempenho? — Perguntou divertida.

— Bastante, você sabe convencer bem as pessoas. Nunca pensou em formar-se em direito?

— Belfrey ficaria orgulhosa de ouvir essa possibilidade. — Ela riu ao mencionar sua advogada. — Não, estou bem com meu grau em Marketing, sempre fui boa em apresentar e vender coisas.

— O livro da Belle é uma prova convicta disso. — Lembrei a mesma que logo riu.

— Como estão todos aí? Está feliz com sua nova aquisição?

— Estamos todos bem e com saudades. Estou feliz pois nunca almejei tal coisa, mas fico realmente feliz por fazer o ramo editorial se expandir e, como finalizarmos essa compra podemos planejar tantas coisas para ajudar novos escritores a entrarem no mercado, assim como, levar conhecimento ao público. — Não podia expressar o quanto todas aquelas ideias que explodiam em minha mente estavam me deixando empolgada. — Mas, fale-me de você, como estão as coisas por aí?

— Estou gostando de ter voltado ao trabalho, principalmente pelo fato de ter feito os acionistas se manterem com a gente mesmo depois da sua compra, eles também acreditam no seu potencial e de Zelena é claro. — Ela respirou fundo. — Mas a grande novidade é: está tudo correndo bem em ajudar o abrigo para mulheres e, apesar de que é horrível o fato de coisas ruins acontecerem a essas famílias, já estamos prestando todo auxílio necessário, desde  moradia, à reintegração das crianças nas escolas e, o encaminhamento a mãe para um psicólogo ou psiquiatra. As pessoas estão felizes em nos ajudar.

— Ah, Emma, não poderia estar mais orgulhosa. — Não pude conter o meu sorriso.

— Obrigada, meu amor. — Ela murmurou do outro lado da linha. — Mas vou precisar desligar, meu pai quer falar comigo, você me ligar mais tarde para falarmos da sua vinda?

— Claro, ligo sim, estou tão ansiosa.

— Também estamos. Amo você, Regina.

— Também amo você, Emma.

 

***

Quando o dia 31 chegou, podia ver toda excitação por parte da minha família. Zelena e Ruby faziam roteiros para os lugares que gostariam de visitar, já que historicamente a Itália, toda ela, era um lugar romântico. Já Henry, passou o Natal com Robin para poder viajar conosco no ano novo, aproveitando seu último feriado do ano - em New York -  junto com o pai, mas a verdade era que ele não dormia, ansioso para poder ver Emma novamente, eu também estava.

Numa das nossas ligações, minha namorada havia dito que tudo correu bem na reunião com o consulado, mas seu visto só seria liberado para o ano que vem, devido o congestionamento nos sistemas causados pelo fim do ano, realmente compreendi aquela possibilidade, já imaginávamos.

Com todo congestionamento de fim de ano, a Srta. Waves só tinha conseguido comprar as passagens para o último dia, não podia culpá-la, nossa antecedência pelas passagens deveria ter sido por meses, mas como poderíamos prever que as coisas se acertariam entre Emma e eu. E, ir para outros aeroportos em outros estados, não estava sendo cogitado já que, a nevasca que atingiu New York no Natal, estava fechando a maioria deles ao redor do país.

— Okay, passaportes? — Perguntei pela milésima vez.

— Regina Mills, eu juro pela Deusa que irei jogá-la na pista de decolagem se você fizer essa pergunta mais uma vez. — Zelena respondeu, bufando irritada, fazendo minha cunhada sorrir.

— Desculpe, estou ansiosa. Está com as passagens? — Seus azuis me fuzilaram e ela ameaçou levantar. — Ok, ok.

Henry dava risadas pela forma como estávamos agindo, mas a verdade era que: voar nas primeiras horas do dia não estava sendo vantajoso para ele, mas logo seria, porque ele dormiria durante todo o voo e ficaria bem para comemorar o ano novo na Toscana. Ouvimos o primeiro anúncio do nosso voo e seguimos para o embarque, Zelena havia ficado responsável pelo despache das bagagens.

— Bom dia, senhorita, passagem? — O rapaz me pediu, um sorriso simpático nos lábios.

— Ah, sim, claro. — Virei para Zelena e vi a mesma procurar algo em sua bolsa, a testa franzida. — Zelena. — Chamei, mas ela não me respondeu, apenas saiu da fila ainda procurando algo em sua bolsa, fazendo-me dar um sorriso amarelo ao rapaz e segui-la.

— Eu juro que elas estavam aqui. — Ela murmurou, assim que notou minha presença. Ruby rapidamente colocou os braços ao meu redor quando meus joelhos pareceram falhar.

Minhas mãos estavam trêmulas e podia jurar que todo o sangue que circulava pelo meu corpo desceu de uma única vez fazendo com que o sensação de desmaio se fizesse presente em meu corpo.

— Por Deus, Regina! — Ruby disse um pouco mais alto próximo ao meu ouvido antes de me colocar sentada numa das cadeiras da sala de espera.

— Mamãe, você está bem? — Henry olhou-me preocupado enquanto eu tentava respirar fundo, mas meus olhos se enchiam de lágrimas.

— Por favor, não chora. — Zelena murmurou ao parar ao meu lado. — Por favor, me perdoa sis. Eu juro que as passagens estavam aqui!

— Nós não vamos mais conseguir outras passagens. — Ruby murmurou baixando seus olhos, Henry ao notar o que se passava sentou ao lado de Zelena com uma expressão triste.

— Me perdoa, querido. — Zelena pediu e ele pareceu não lhe dar muita atenção, pela primeira vez na vida, vi Henry recusá-la. Vendo a expressão do meu filho e que todos os meus planos haviam sido frustrados, não conseguir conter minhas lágrimas. — Ai meu deus, me perdoa, Regina… Me perdoa mesmo.

— Eu… Eu… Eu prometi a Emma. — Baixei minha cabeça tentando não mostrar meu descontentamento e fazer com que as lágrimas cessarem, mas só de pensar que demoraria dias para que eu conseguisse outro voo e que, talvez Henry não fosse comigo pela volta de suas aulas, sentia ainda mais forte o peso de não poder viajar para vê-la. Zelena não tentava mais me acalmar, ela sabia o quanto o relacionamento a distância entre Emma e eu estava sendo difícil, então sabia que ela também estaria decepcionada por ter cometido essa falha, afinal, minha irmã me amava e amava Emma e Henry também. Um lenço foi estendido para mim, minha irmã deve ter acho ele entre suas coisas. — Obrigada. — Murmurei logo assim que usei o lenço para limpar os meus olhos.

— De nada. — Mas não foi a voz de Zelena, Ruby ou Henry que escutei. Levantei meus olhos e pude vê-la, de pé, parada em minha frente. Levantei-me num sobressalto para abraçá-la com força. Não me importei se estávamos num aeroporto, toda a frustração de pensar em não vê-la saiu de mim deixando um peso na cadeira do pré-embarque. Emma estava ali, reivindiquei seus lábios num beijo mostrando toda saudade que sentia e toda felicidade por tê-la ali. Apenas quando ela sorriu e segurou meu rosto que realmente pude olhá-la.

— Você cortou seus cabelos, Emma… — Alisei seu rosto de traços bem delicados.

— Acho que eu precisava me reinventar de todas as formas possíveis. Espero que o novo não assuste você. — Ela murmurou exibindo seu sorriso quase angelical.

— Eu amo você, Emma… Seja minha secretária, minha amiga, minha namorada. Todas as versões de você. — Disse ao olhá-la mais uma vez antes de beijá-la.


 

***

 

Após o ocorrido no aeroporto, voltamos todos para a minha casa, descobrindo no caminho que Zelena e Ruby já haviam organizado uma festa para a virada, com alguns amigos e até mesmo os pais de Emma que chegariam à noite. O sorriso estampado em meu rosto deixava minhas bochechas dormentes, a felicidade parecia que iria explodir meu coração. Henry estava segurando a mão esquerda de Emma e conversavam animadamente, enquanto eu entrelaçava os nossos dedos e repousava minha cabeça em seu ombro. Apesar de não ter saído da cidade onde fazia moradia, finalmente me sentia em casa.

A noite já estava tudo pronto, o buffet havia chegado alguns minutos antes, assim como alguns amigos. Kristin, Belle, Fiona e mais alguns rostos que eu não conhecia. Para a minha surpresa — ou não —, Kristin e Fiona estavam em uma atmosfera tão romântica, o que não passou despercebido por mim. Assim que Kristin saiu para pegar outra bebida, me aproximei de Fiona para descobrir desde quando estavam juntas e não pude conter um tapa estalado em seu braço quando ela me disse que começaram a sair quando fui para a Itália. A loira voltou logo em seguida, com um sorriso casto nos lábios e os olhos azuis olhando com muito carinho para minha amiga. Conversamos um pouco e ficamos de marcar um encontro de casais. Eu, Regina Mills, em um encontro de casais. Onde eu poderia me imaginar em uma situação dessas? Emma chegou sorrateira, passando os braços ao redor de minha cintura e facilmente entrando na conversa.

Aos poucos a casa foi ficando cheia, August, Whale e Chad chegaram acompanhados de mulheres que eu ainda não conhecia; os pais de Emma chegaram junto com Margot, a nossa TI. O que me deixou surpresa, mas não o bastante até ver a moça loira que a acompanhava, Tilly, como fomos apresentadas depois. Não fora aplicado algum título, e eu achava que não era necessário dado aos olhares nada discretos que ambas trocavam. Henry seguia David para todos os cantos, enquanto Mary conversava com minha irmã e minha cunhada. A última a chegar foi Rose, que cumprimentou todas nós com um abraço apertado.

Fomos todos para a cobertura, os fogos estavam para começar. O espetáculo tomou o céu assim que a contagem finalizou, mas pouco era admirado por mim já que Emma reivindicou meus lábios  e, logo, desejou um "feliz ano novo" no meu ouvido. Henry nos abraçou logo em seguida, desejando feliz ano novo e dizendo que nos amava, mal nos dando tempo de retribuir antes de vê-lo correr atrás de David. Cumprimentarmos nossos amigos e familiares, para nos reunimos à mesa.

— Bom — Chamei a atenção para mim, dando um sorriso quando todos pousaram seus olhos em mim. —, o ano que se passou foi repleto das mais diversas surpresas, das mais diversas provações. Mas do que é feito os seres humanos se não de suas provações e da força tirada delas? Tive a sorte de trabalhar ao lado de mulheres incríveis e de força tão imensa que me faltam as palavras para expressar o quanto as admiro. Mulheres que não baixaram suas cabeças diante dos problemas e que além de resistentes, foram persistentes o suficiente para não abandonar outras mulheres que precisavam de ajuda. — Olhei para Emma e Belle, recebendo um sorriso das duas. —  Certa vez li uma frase de Bette Davis que cativou minha atenção: "Quando um homem opina, ele é um homem. Quando uma mulher opina, ela é uma vadia". Não percam tempo ouvindo que não são capazes. Falem, lutem, gritem, chorem, dancem, amem e criem. Mostrem a força dentro da mente de vocês. É um novo ano, novos começos. Não se calem, quebrem o silêncio. Façam da vida de vocês nesse novo ano a mudança que vocês querem para o mundo. Esse ano que se inicia virá com outra carga de surpresas, e uma delas é a união de duas das maiores editoras do mundo, onde mulheres fortes trabalham duro para dirigí-las e fazê-las funcionarem. É um novo começo e começos geralmente são assustadores, mas espero que possamos ver que também são essenciais. E espero poder contar com todos vocês novamente. — Erguemos nossas taças realizando o primeiro brinde do ano, Emma segurava minha mão, a taça em sua mão era apenas para o brinde.

— Foi inspirador. — Mostrou seu sorriso aberto. — Obrigada por isso.

— Pelo que? — Perguntei um tanto ingênua.

— Por ter feito não só que eu visse a força que tenho, mas por ter me ajudado a fazer que os outros também a vejam. Estava perdida quando cheguei aqui, mas você acreditou que eu podia mudar e continua acreditando que sou capaz. Tenho um longo caminho a percorrer, mas em todos os degraus que eu subir em busca da felicidade, quero subir segurando suas mãos. — Enquanto os fogos que ao longe ainda ressoavam e Emma demonstrava seu amor por mim, senti uma lágrima solitária escorrer pelos meus olhos. Uma Emma tão cheia de força e felicidade sussurrou para mim: — Feliz ano novo, meu amor.

— Feliz ano novo.

 

Fim.

 


Notas Finais


Lembrem-se vocês são as luzes capazes de tirar alguém da escuridão.
@morrisswen @missbexana para novas informações.


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