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História A segunda chance para amar - Capítulo 23


Escrita por: pernambuco11

Capítulo 23 - Consolo


-Vocês vão queimar no inferno!

Meu sócio, um dos melhores amigos de Jorge, apontou para mim e para Eduardo. Ele surtou desse jeito quando contei para eles sobre a minha relação com Daiane.

-Te encontramos lá, amigo- meu amigo respondeu, enquanto eu fiquei paralisada de medo. Me pergunto o que ele seria capaz de fazer se os outros não estivessem presentes- Como você, um advogado tão bom, tem esses pensamentos tão preconceituoso?! Carla, assim como eu, é uma mulher independente que não deve satisfação da vida dela pra você nem pra ninguém... 

-São dois doentes... Pervertidos! Isso sim!

Ele saiu da sala, gritando frases preconceituosas, enquanto meus outros dois sócios me abraçaram e disseram que minha sexualidade não muda o respeito e a admiração que sentiam por mim. Eu os agradeci e fui para a minha sala. Eduardo fez menção de ir comigo mas, com um pequeno gesto, neguei sua companhia.

Entrei na minha sala, tranquei a porta e comecei a chorar. O jeito que meu sócio falou, as palavras que falou, sua maldição, o ódio presente em seus olhos... Senti medo dele e muito, mas muito mesmo, nojo. Eu e Guilherme éramos muito próximos na faculdade, por conta do meu relacionamento com Jorge. Quando descobri a traição do meu ex e terminei com ele, passamos a nos ver apenas no escritório e nas festas que nossos amigos em comum organizavam. Guilherme sempre deixou claro que torcia para que eu e Jorge voltássemos , depois que o rapaz ficou solteiro e minha mãe falava que namorávamos ele realmente acreditou. Eu ter contado para eles sobre meu namoro com a cantora foi um banho de água fria nele.

Quando me acalmei liguei para minha namorada, mas ela não atendeu a minha ligação. Então liguei para minha mãe  e nela encontrei o consolo que precisava.

-Vai ficar tudo bem, filha...  Ele usou a palavra 'inferno' não por ser temente a Deus... mas sim por tentar justificar o preconceito dele. Você já esperava algo do tipo vindo dele, né? Seu nervosismo em contar pra eles estava exatamente na reação dele. 

-Sim, mãe! Ele e Jorge são muito amigos e ele caiu na sua, que ficou tratando Jorge como meu namorado na frente deles e de Daiane... Aí, quando contei a verdade, ele deve ter se sentido traído ou algo do tipo.

-Me desculpa por isso, filha! Eu fiz isso mais pra tentar me convencer que você não gostava dela como... como... você sabe...

-Como mulher, como namorada... a senhora não queria acreditar que eu amasse outra mulher! Eu juro que te entendo! Mas isso alimentou nele a esperança de ver o amigo feliz novamente comigo. Os outros dois meninos entenderam e me apoiaram. Foi tão lindo! E é nisso que preciso me apegar, Em quem me apoia e me respeita... Eu me sinto bem melhor agora, depois de conversar com a senhora. Obrigada por ser meu consolo, mãe!

Ela disse que eu não precisava agradecer, e que a minha namorada deveria saber me aconselhar melhor em como reagir ás palavras de Guilherme. Concordei com ela e desliguei nossa chamada. Liguei novamente para Daiane e quem atendeu foi seu Carlos. Ele contou que sua funcionária havia dormido depois de chegar chorando em sua casa, Me preocupei, mas o homem disse que ela me explicaria quando acordasse.

Trabalhei o resto do dia com a preocupação com minha namorada me maltratando. Quando voltei para casa consegui falar com ela e marcamos dela vir aqui. Por telefone ela me contou por alto o ocorrido e a raiva já tomou conta de mim. Como alguém deixaria a oportunidade de produzir uma artista como minha namorada, somente pelo fato dela ser lésbica?!

Me fiz essa pergunta um milhão de vezes e, um milhão de vezes, me respondi: Por puro preconceito! ÓBVIO!

-Daiane chegou, filha! Vou pra meu quarto... Pra deixar vocês mais á vontade. Qualquer coisa me chama- minha mãe beijou minha cabeça e eu saí do transe- você tá bem?

-Sim, mãe! Vou ficar com ela na sala um pouco.

Ela assentiu e saiu do meu quarto. Eu a segui e fui para a sala. Abri a porta e a minha namorada se jogou em meus braços, emocionada e com os olhos vermelhos.

-Obrigada por ter me chamado pra cá! Hoje o que mais preciso é do seu abraço, dos seus carinhos, da sua calma, seus beijos- me deu um selinho- de você!

-Eu estou sempre aqui, meu amor! Sempre por você e pra você- dei um selinho nela também- e sabe o que mais? Essa produtora que perdeu! Você é incrível! Artista completa e eu me orgulho muito de você... - notei seus olhos lacrimejarem e beijei sua cabeça- Promete que não vai se deixar abalar tanto?

-É difícil, amor! Eu sei que tenho talento, ou não largaria tudo em buscado meu sonho que é viver da música... E nem teria fãs como eu tenho que, mesmo sem lançar música no cenário local, fazendo somente meus shows no bar e meus vídeos nas redes sociais, estão do meu lado e eu amo eles mas... Será que se eu fosse hétero, por exemplo, eu teria mais chance de me tornar famosa?

-Entendo sua dúvida, amor. Mas você pode me responder uma pergunta?- ela assentiu- Você seria feliz? Por exemplo, aceitando namorar um cara somente pra ser "aceita" por essa produtora?

Ela negou e disse que não conseguiria deitar e dormir, sabendo que estaria negando a si mesma e o nosso amor, apenas para realizar o sonho de sua vida. 

-Obrigada! pelo consolo... pelas palavras... eu nunca negaria nosso relacionamento, nosso amor... isso, sim me mataria! Eu te amo, doutora!

-Eu te amo, cantora!

Nos beijamos sem nenhuma malícia até sermos interrompidas por minha mãe, que apareceu na sala com dois comprimidos para dor. Eu já não aguentava mais tanto remédio!

-Vai tomar, ou prefere as dores de volta?- parecia que minha mãe lia meus pensamentos- Toma logo! Tudo bem com você, Daiane?

-Uns oitenta por cento, dona Ana... É que, por mais que eu já esteja acostumada com isso, ser vítima de preconceito ainda me tira o chão. Ainda bem que ganhei mais um motivo pra não desistir de nada que sonho- a garota fez carinho na minha mão e eu sorri- Eu amo tanto sua filha!

-E ela ama você também... Dê tempo ao tempo! Pra algumas pessoas, como eu mesma, o tempo é o melhor remédio pra curar o preconceito... ou, ao menos, tornar ele mais brando. Eu tô aprendendo muito mais a respeitar as diferenças e você tem me ajudado nisso... Se posso te dar um conselho, assim com pra minha filha, é: Não desista nunca de quem você é... dos seus sonhos... da vida e, muito menos do amor!

A minha namorada assentiu emocionada e perguntou se podia abraçar a minha mãe. Eu me assustei com aquele pedido, mas minha mãe nem pensou muito. Quando dei por mim, as duas estavam abraçadas. E eu quase chorando.

-Ouvir essas palavras, ainda mais vindas da senhora, é um consolo enorme depois de um dia tão pesado! Obrigada! De coração!

-Não precisa agradecer... É só continuar fazendo minha filha feliz... Agora me deem licença, vou dormir. Amanhã o dia vai ser longo! Vou visitar o escritório da minha filha, vou no médico com ela- olhei surpresa- e ainda vamos no shopping pra comprar umas coisas!

Minha namorada assentiu e minha mãe se despediu de nós duas, indo para o quarto de hóspedes da minha casa. Eu e Daiane ficamos conversando um pouco nasala e resolvemos ir para o quarto.

Quando entramos, passei a chave na porta e a garota sorriu. Como amo esse sorriso envergonhado! Ela deitou na cama mas logo levantou, não esperando eu deitar por cima dela. Olhei, me perguntando o que ela faria.

-Preciso de um banho, amor! Mas lembrei que não trouxe roupa...

-Vamos pro banheiro então... Quanto as roupa, não precisa se incomodar... Não vamos precisar delas...

Ela gargalhou e me ajudou a levantar. Fomos para o banho e, quando voltamos para a cama as duas nuas, minha namorada me fez um pedido inusitado.

-Vamos ficar só abraçadinhas hoje? Preciso tanto do seu carinho! Do seu cheiro...

-Claro que podemos! Nada me faria mais feliz... quase nada- e o sorriso apareceu outra vez- Vem! Vou ser seu consolo e amanhã estaremos prontas pra mais um dia!

Nos abraçamos e eu sorri com a facilidade com a qual meu corpo se encaixou no dela.

Me encontro apreciando seu corpo, sua companhia, seu cheiro... Desejando que mais nunca ela precise passar situações parecidas com a que viveu hoje. Queria poder protegê-la do mundo. Mas sei que não posso, o que posso é estar ao lado dela nos momentos de alegria e de dor também. Ser seu consolo!



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