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História A segunda música - Capítulo 27


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Notas do Autor


Postei mais cedo porque preciso sair. Aproveitem! 💟

Capítulo 27 - Calmaria


Hoseok despertou-se aos poucos, encarando a escuridão. Ainda é madrugada. Ao virar para o lado e encontrar a cama vazia, uma onda de desespero surgiu, desaparecendo logo em seguida após olhar ao seu redor.

Chae estava em frente a janela, abraçando o próprio corpo enquanto observa a escuridão da noite. Suas roupas foram substituídas por um pijama cinza e fino. Ele não sente mais frio?

— Está melhor? — a voz saiu mais grossa do que o esperado. Ao limpar a garganta, sentou-se na cama.

Chae não respondeu, então decidiu levantar. O chão esfria seus pés, mesmo sob proteção das meias grossas. O luar é a única fonte de luz, não ajudando muito a enxergar todos os objetos do quarto. Ele se aproximou a passos lentos e mesmo assim conseguiu bater o dedo na quina da cama.

Após se posicionar ao lado do outro, reclamando da dor, olhou para a mesma direção. Diferente de seu quarto, no qual é possível observar boa parte da rua, Chae apenas possui a visão de um terreno baldio, além do próprio quintal. Algo triste para admirar.

— Uma vez minha mãe me contou que a paisagem que você vê pela janela interfere em sua vida.

Dizer aquilo pareceu chamar a atenção de Chae, que o encarou no mesmo instante. Hoseok se dispôs a apenas continuar.

— Naquela época eu observava pela sala o quintal vazio da frente, as roupas no varal e alguns pregadores caídos sobre o chão de cimento. Porém, no meu quarto, eu apenas via a amoreira do vizinho dos fundos, bem próxima à minha janela.

Enquanto falava, Hoseok sentiu a brisa fria bater contra o próprio rosto, arrepiando-se no mesmo instante. Como Chae aguentou ficar ali parado?

— Em pouco tempo, meu quintal perdeu a graça, porque tudo era monótono. Minha mãe estendia a roupa sempre nos mesmos dias e recolhia os pregadores do chão após retirar os tecidos secos do varal. Então eu te pergunto, e a amoreira?

Hyungwon manteve-se em silêncio, porém, continuou encarando-o.

— Eu presenciei amoras vermelhas se transformarem em pretas. Doces, suculentas. Também vi cada uma delas cair em meio à terra e apodrecer. Também é monótono, não é? Talvez sim. Mas às vezes alguns pássaros roubavam as frutinhas. Às vezes a chuva derrubava até mesmo as amoras bebês, que nem ao menos tinham chances de crescer.

— Só então eu comecei a refletir. O que mais poderia acontecer? E durante minha ausência? É possível um outro animal ou até mesmo uma pessoa comer aquilo? Então, conclui que o quintal do meu vizinho parecia mais interessante do que o meu. Eu fiquei fascinado. Voltava da escola correndo apenas para vê-la. Esse foi meu vício durante meses, até cortarem a árvore.

— Por que? — Chae fez a mesma pergunta que ele, naquela época.

— As pessoas agem de formas imprevisíveis e muitas vezes isso afeta tudo em sua volta. E a ausência daquela árvore me afetou. Eu não tive mais um motivo para correr ao sair da escola, muito menos o que fazer pela tarde. Mas sabe o que mais me entristeceu? Eu nunca provei nenhuma amora. Eu a admirei, vi vários frutos apodrecer e nunca estiquei a mão para pegá-los.

— Por que está me contando isso?

— Não sei. Por que você está olhando pela janela?

— Eu sinto frio.

Hoseok estranhou aquela resposta. Claro, ele entendeu, porém, não faz sentido alguém reclamar do frio estando em frente aquele vento com roupas finas.

— Então por que não volta para cama?

— Eu continuarei com frio.

— Chae? Eu não consigo te entender. Você está se sentindo bem?

— Eu não estou bêbado, se é isso o que questiona. Apenas sinto como se tudo estivesse frio e…

Ele não completou a frase, mas foi o suficiente para Hoseok finalmente entender de qual frio ele se referia.

— Quer me contar o que aconteceu?

Hoseok o encarou, tentando suavizar ao máximo a própria voz.

— Um dia meu pai me pediu para escrever um livro — Chae começou a falar, envolvendo um pouco mais o próprio corpo naquele abraço individual. — Eu era uma criança, não prestava atenção em metade das palavras dele.

Ele se aproximou melhor da janela, seus cabelos voaram para trás após uma brisa fina adentrar o cômodo.

— Ele repetiu diversas vezes para eu nunca engolir meus sentimentos. Porém, se um dia isso acontecesse, era preciso enfiar um dedo na garganta, vomitar cada palavra, amoldar a gosma e transformá-la em arte.

— Seu pai era musicista também? — arriscou-se a questionar.

— Meu pai era tudo, alguns nomeiam isso como escritor. Ele teve o dom das palavras, algo que deduziu que eu também teria.

Hoseok encarou o rapaz esguio, que naquele momento parece uma leve folha prestes a voar.

— Ele notou estar errado ao me ver trocar as palavras por sons. Eu amava formar um som para cada letra do alfabeto, não sons vocais, mas instrumentais. Ele percebeu aquilo após um tempo, quando me viu bravo apertando com força as teclas de um piano antigo que tínhamos em um quarto velho.

— Ele se irritou? Acredito que o desejo dele era você seguir os mesmos passos.

— Ele foi um velho rico, e escrever, apenas um passatempo. Diferente dos pais que criam um fantoche ao invés de um filho, ele me apoiou da melhor forma possível; me ensinando a tocar.

— Ele também sabia?

— O piano era de minha mãe. Após eu nascer, ela desenvolveu uma doença terminal que o nome nunca chegou até meus ouvidos. Ela desejou aprender a tocar piano no final de sua vida, porém não possuía forças para ir até às aulas. Foi então que meu pai foi em seu lugar. Ele assistia a aula do dia e ensinava à ela o que aprendeu.

Hoseok se surpreendeu com aquilo. Então é esse o significado de amor?

— Após aulas suficientes, ela aprendeu a tocar uma música inteira. E por ter o conhecimento básico, alterou a melodia, acrescentando mais notas. Meu pai anotou todas as alterações e anos mais tarde, me ensinou a mesma música.

— Você nunca… a conheceu?

— Minha mãe morreu um ano depois do meu nascimento. Eu não me recordo dela, porém, em minhas noites em claro é com essa música que tudo aparenta ficar suportável.

Hoseok assentiu sem perceber. Então era esse o motivo dele sempre tocar a mesma música? De alguma forma, seus pais estavam em meio à melodia.

— Ontem fez dois anos desde o desaparecimento dele. Eu não… — Chae deu uma pausa, soltando os braços daquele aperto. — Quando ele me pediu para escrever um livro, e sentiu-se orgulhoso da mesma forma ao me ver aprender a tocar piano, ele mudou o pedido. E me aconselhou a conhecer coisas novas.

— Qualquer coisa?

— Eu aprendi a jogar dominó, tirar fotos com ângulos perfeitos, desenhar de forma torta, cozinhar e até mesmo me arrisquei a escrever alguns poemas.

— E como ele se sentiu?

— Ele dizia que tinha orgulho toda vez que eu era corajoso e tentava alguma coisa nova. Isso me incentivou a continuar procurando por mais. Porém, quando ele sumiu, era como se um gelo fino formasse abaixo dos meus pés. A cada passo ele rachava e o medo de afundar em meio às águas escuras cresceu. Foi então que parei de me mover. Parei de fazer coisas novas, parei de ser o motivo de orgulho dele. Eu…

Hoseok não precisou olhá-lo para reconhecer o motivo daquela voz embargada, porém, o fez mesmo assim. Chae posicionou os dois braços ao lado do corpo, e diferente das pessoas que buscam esconder as próprias lágrimas, ele não o fez. Elas desceram rápidas demais, sem trégua.

Hoseok seguiu seu coração e o abraçou em silêncio.

— Eu sinto frio… Ele dói.

Ao sentir os braços magros envolveram seu corpo, retribuindo o gesto sem hesitação, entendeu que Chae chegou ao próprio limite.

Não há uma máscara, palavras grosseiras ou simplesmente palavras. Apenas alguém que reprime os próprios sentimentos por trás de uma casca grossa.

— Você sempre será o orgulho dele.

Chae afundou o rosto na curvatura do pescoço alheio, fazendo um movimento de negação, encharcando a pele que naquele momento não se importou mais com o estado.

Eles permaneceram naquela posição por longos minutos. Chae engasgava com os próprios sons que sua garganta produz, porém não parou.

Aos poucos, sentiu o corpo tenso relaxar em seus braços junto ao choro. Hoseok se afastou o suficiente para olhar o rosto alheio, inchado, repleto de lágrimas e aquelas melecas que todos odeiam. Bom, ele continua perfeito. Imperfeitamente perfeito.

— Aceita um chocolate quente? — perguntou enquanto afastava com o polegar todo aquele líquido, sentindo as bochechas alheias se levantarem. Chae sorriu. O melhor sorriso que presenciou em toda a sua vida.


•••


Vivenciar um momento bom, induz a área do cérebro, responsável pelas emoções, a liberar dopamina, causando a sensação de bem-estar além de influenciar nossa percepção de tempo. Geralmente, quando ela está elevada, o tempo passa mais rápido. Porém, enquanto Hoseok brincava suavemente com os fios bagunçados do garoto deitado em seus braços, era como se o mundo resolvesse pausar por um momento, desobedecendo as leis da ciência.

Chae preencheu o estômago com duas xícaras cheias de chocolate quente, além de ingerir o seu remédio para dormir. Era quase de manhã, não houve mais riscos em tomar aquele comprimido, porém ele provavelmente passará algumas horas em sono profundo.

Após chorar mais duas vezes, ele se acalmou. Hoseok não soube diferenciar se era efeito do remédio ou um alívio natural. Talvez os dois.

De certa forma, ouvir cada soluço também amenizou a preocupação de seu peito. Chae precisa liberar aquilo, os dois sabiam.

Aprisionar sentimentos por tanto tempo o transformou em uma bexiga. E cada negação, sobre o próprio estado, a preencheu. Além de endurecer a borracha, sendo impossível perfurá-la sozinho.

— Eu estou com sono. — Chae comentou obrigando os próprios olhos a se manterem abertos, ação que não adiantou muito.

Hoseok riu da relutância alheia.

— Estarei aqui quando acordar.

E foi o suficiente. Ele continuou a acariciar cada mecha, mesmo após ver o rapaz entregue ao sono. No final, acabou dormindo também.


•••


Dessa vez, Hoseok foi o primeiro a acordar. Chae ressonava tranquilo, como se não houvesse mais tormentos em sua mente.

Ele afastou o corpo alheio a fim de levantar, ajeitando a coberta acima dos ombros magros. Chae reposicionou o próprio corpo, virando-se de bruços, ainda adormecido. Após observá-lo por alguns segundos, resolveu descer e preparar um pouco de café.

Ele se apressou a descer cada degrau, chegando na cozinha em instantes. Não há resquícios do cheiro forte.

Enquanto abria cada armário, em busca do pó, ele refletiu um pouco sobre o incidente.

O gás ligado foi mesmo um distração? Ou proposital? Chae passou por um momento difícil, e as consequências ainda permanecem em sua vida. Em pouco tempo de convívio notou o quão organizado ele é, principalmente com o que gosta. Uma pessoa com esse feitio não se esquece de detalhes simples do dia a dia. Ou esquecem?

Chae é uma verdadeira incógnita e não contará caso fosse proposital, pelo menos não agora. Porém, decidiu não forçar o assunto, ele irá receber respostas quando o ambiente estiver confortável o suficiente. Sem pressão.

Com a xícara em mãos, ele sentiu o aroma típico da bebida. Chae havia lhe dito que seu café é ruim, mas nunca o provou. Ou o loiro não se lembra desse momento. O frio esvaiu após o líquido quente descer por sua garganta. Ele pensou em levar um pouco para o outro, mas decidiu apenas manter a cafeteira ligada, aquecendo-o. Chae não dormiu a madrugada inteira, é preciso mais algumas horas até o corpo recuperar todas as energias.

Ele então decidiu passar em sua casa com intuito de ver Pass. Felizmente aquele é seu dia de folga, então será uma preocupação a menos.


•••


Pass dormia tão bem entre todas as cobertas que se desculpou por acordá-lo sem intenção. Ele trocou a água e preencheu a tigela com ração, despedindo-se logo em seguida.

Doía deixá-lo sozinho, porém, a alergia de Chae não contribui para uma solução melhor. Ele fez uma promessa de recompensar o animal em breve, mas naquele momento, precisou sair.

Voltou despreocupado para a casa de seu vizinho. O sol começava a surgir entre as nuvens cinzas, e talvez, em poucas horas, esquentará. Ele adentrou o local assustando-se ao ver Chae sentado no sofá da sala.

— Você me trancou aqui dentro. — Ele iniciou o diálogo, bebericando um pouco do que julgou ser café.

— Eu passei em casa e coloquei ração para Pass, não pensei que você fosse acordar agora. — Hoseok se aproximou receoso, não soube ao certo o motivo de sentir-se daquela forma — Você… está bem?

— O suficiente, e você?

— Bem. Meu café não é ruim? — perguntou, pretendendo afastar o clima estranho.

— Não é perfeito, mas é ótimo. Por quê?

— Ontem você disse que é.

— Sinto que acabei dizendo muitas coisas erradas, peço desculpas.

Hoseok não soube como reagir. Um pedido de desculpas vindo de um bêbado é totalmente diferente daquilo. Chae está sóbrio, ciente de todas as palavras que solta pelo ar.

— Você quer sair?

O rapaz ingeriu o resto do líquido e depositou a xícara sobre a mesa de centro.

— Para onde?

E naquele momento, ele teve uma grande ideia.


•••


— Não.

Hoseok retirou a pequena camada de poeira de sua bicicleta antes de trazê-la para fora de casa. Em sua antiga cidade, ele a usava o tempo todo, porém, naquele lugar — no qual há chances de ser atropelado a cada segundo — acabou optando pelo ônibus.

— Me diga um bom motivo.

— Eu não vou subir nisso, Hoseok.

— Você mesmo me disse que hoje não irá fazer nada. Bom, podemos aproveitar.

— E ir para onde?

— Não sei, me leve até um lugar que não conheço.

Chae manteve-se em silêncio enquanto observa cada detalhe daquela velha, porém incrível, bicicleta vermelha.

— Há um parque perto daqui, podemos ir. De ônibus.

— E qual será a graça?

Hoseok continuou a escutar a relutância alheia, arrumando motivos vagos para recusar o pedido. Porém, acabou cedendo, exigindo que pegassem um ônibus pelo menos na volta. O loiro concordou, há bastante tempo para convencê-lo daquele detalhe também.

Quando subiram na bicicleta, Chae permaneceu com as mãos ao lado do corpo.

— Eu recomendo você se segurar na garupa ou rodear os braços em minha cintura. A menos que goste de cair, eu não irei julgá-lo.

Ele não respondeu, porém o viu segurar-se na base firma, na qual estava sentado. Quando Hoseok começou a pedalar, sentiu braços desesperados agarrarem seu corpo e riu.

— Acredito que agora o medroso é você.

O caminho foi tranquilo. Chae avisou em quais esquinas virar e manteve-se em silêncio na maior parte do tempo.

Eles permaneceram no mesmo bairro. Lassitude é um local sem movimento, até mesmo triste. Não há crianças, muito menos animais pelas ruas. Notou a presença de um ou dois carros, mas nenhum sinal de vida dentro das casas.

— Por que esse lugar parece tão abandonado em comparação à cidade?

— Você já ouviu a história de Newton e o motivo dela ser em formato de girassol? — Chae questionou enquanto apertava mais o tronco alheio, ele estava mesmo com medo de cair.

— Não. Quer me contar?

— Após a guerra, Newton ergueu-se das cinzas. Porém ocultou, entre a própria desgraça, a ajuda que recebeu das cidades e bairros vizinhos. Ela se tornou a maior cidade, o miolo do girassol, e extraiu das próprias pétalas todos os bens, deixando apenas a miséria e pobreza.

Hoseok pôde avistar um pequeno parque no final da rua, deduzindo ser ali.

— Lassitude não se recuperou e pela situação atual, duvido que as também outras voltem a ser como eram antes.

Ao chegarem em frente a enorme entrada, eles desceram da bicicleta. Algumas pessoas adentraram o local também.

— Então, enquanto Newton se ergue, todos os bairros menores ao redor entram em decadência?

— A maioria das pessoas daqui, trabalham lá. Buscam qualquer emprego, se humilham por dinheiro a fim de pagar o aluguel e matar a fome. Quando eu disse que você fez a escolha errada ao se mudar, esse é o motivo. Estamos morrendo e o significado de Lassitude, tornando-se verdadeiro.

Hoseok não soube o que dizer, aquela é uma história terrível e ao olhar ao redor, é possível sentir a veracidade. Ambos locais possuem diferenças gigantescas e independente dele ter se acostumado, sentiu medo.


•••


O dia passou rápido. Aquele parque parece pequeno por fora, porém revelou-se gigante por dentro, principalmente ao compará-lo com os locais semelhantes que conheceu. Chae avisou que há outros bem maiores, porém, perigosos em questão de assaltos.

Ele parece feliz para alguém que no princípio recusou a sair de casa. Por mais que soltasse algumas falas grossas, se permitiu a aceitar cada momento. Bom, quase todos.

— Não seja teimoso. Experimente!

— É feio demais.

— Pare de julgá-lo pela aparência!

Hoseok decidiu comprar um pacote de um doce que há muito tempo não via. A leveza é a mesma de um suspiro, porém, feito por amendoim moído. Delicioso e crocante, independente da deformidade.

— Eu não gosto.

— Você nunca comeu — ao ver uma distração repentina, o loiro empurrou o pedaço dentro da boca alheia, tapando-a com a mão logo em seguida. — Mastigue e me agradeça depois.

Chae o encarou com fúria, tentando se soltar daquele aperto.

Algumas pessoas que caminhavam no local, olharam para eles com uma expressão assustada. Demorou alguns segundos até o rapaz ceder e começar a mastigar lentamente. Por fim, afastou a mão.

— E então? — perguntou ao vê-lo engolir — Morreu?

— Continua feio. — Chae se aproximou, pegando o pacote das mãos alheias.

— Ei!


•••


O dia finalizou de forma branda. Eles caminharam pelo parque diversas vezes, observando alguns esquilos, tartarugas, gansos e até mesmo capivaras. Qual é a chance daquele filhote, que ajudou há meses, estar ali também?

Após Chae roubar seu pacote de doces, ele entristeceu. Porém, surpreendeu-se ao ser presenteado por um maior ainda. E naquele momento descansavam sentados em um banco de madeira, comendo e sentindo o excesso de açúcar entre os dentes.

O sol estava prestes a se pôr. Não foi intenção permanecer até aquele horário, porém, as horas se passaram de forma rápida, ambos não perceberam.

— Eu espero que tenha se divertido hoje.

Chae o encarou de lado ao ouvi-lo. O céu visto daquele ângulo parece mais bonito que o normal. Ele então pegou em sua bolsa a câmera — que não esqueceu de trazer —, a fim de tentar fotografar aquele momento. Porém, quando ergueu o objeto, sentiu uma mão abaixar seu braço aos poucos.

— Há coisas que guardamos apenas na memórias, doutor.

Ele assentiu, enrugando o nariz ao ouvir a formalidade.

— Por que começou a me chamar assim?

— O sol está se pondo.

O céu começou a mudar de cor, transformando-se em um laranja forte, quase vermelho. Tão bonito.

— Obrigado.

Hoseok desviou o olhar da cena a fim de encarar o rapaz, que não o encarou de volta. Chae parece ainda mais bonito com o rosto iluminado por aquele tom quente.

— Ao que devo a honra de um agradecimento? — brincou, mesmo sentindo a sinceridade naquele pedido.

— Por não ter me deixado sozinho.

O loiro pela primeira vez não o respondeu, não foi preciso. As luzes dos postes acenderam uma a uma, impedindo a escuridão de rodeá-los por muito tempo.

Hoseok acabou perdendo o término daquela cena natural, por ter se concentrado no rosto alheio. No fundo não se importou tanto, Hyungwon também é algo que vale a pena admirar. 



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