História A Segunda Vida de Hyuna - Capítulo 20


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Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpe o atraso

Capítulo 20 - Descontrole e Visita à UniCon


Descontrole

Ainda na cabine de transporte, Hyuna conversava com colegas pelo comunicador, e ficou sabendo que a boca de geladeira era ela. O apelido tinha sido dado pelo “namorado” ao contar para os colegas como foi aquele beijo.

Vergonha, ódio, desespero, solidão. Hyuna foi inundada por esses sentimentos.

A mão esquerda dela abria e fechava descontroladamente, os olhos piscavam em frequência irregular, sua cabeça insistia em tombar para a direita.

Além daquelas sensações, agora a mocinha também estava aterrorizada com as reações do seu corpo. Ela ativou o procedimento de emergência em seu comunicador, o autotransporte seguiu para o laboratório, seu pai e Jaebum foram avisados.

Hyuna foi recepcionada pelos técnicos que cuidavam de sua manutenção; na sala de diagnósticos, Jaebum já estava presente virtualmente, o rosto dele aparecia em uma tela, ele conversava com todos e operava algumas câmeras e sensores.

A voz dela saia normalmente dos alto-falantes internos, mas os lábios tremiam, deixando o movimento da boca fora de sincronia com a fala.

Com poucos testes, os cientistas concluíram que o descontrole foi causado por uma crise de stress, O corpo robótico respondia daquela maneira a impulsos cerebrais que não podiam ser interpretados corretamente.

Efeitos semelhantes já tinham sido estudados em outros ciborgues, e bastava acrescentar calmantes nos nutrientes para resolver a situação.

Os técnicos pediam informações sobre fatos que ocorreram antes destes sintomas, mas Hyuna apenas falava de um apelido que um garoto tinha dado para ela, sem maiores informações sobre o motivos ou identidades.

A psicóloga e a enfermeira suspeitaram da real causa do transtorno, explicaram discretamente a situação para a equipe, e pediram para que os técnicos e médicos se retirassem, ficando apenas as duas para conversar com a paciente.

Até a tela de Jaebum foi desligada, mas todos continuavam acompanhando a conversa por câmeras de monitoramento, inclusive o pai de Fernanda, que já havia chegado.

A estratégia, juntamente com os calmantes, funcionou, as duas acompanhavam o desenvolvimento de Hyuna desde que ocorreu o transplante de cérebro, e existia uma ligação forte entre elas. Ambas realmente se importavam com Hyuna, e nos sentimentos da garota, elas assumiram o papel de mãe.

Primeiro elas acalmaram a situação, falando de amenidades. As irregularidades foram diminuindo e Hyuna retomou o controle total do seu corpo.

Depois elas puxaram o assunto para namoros, contaram experiências pessoais delas, riram de algumas situações, e finalmente conseguiram chegar no fato que desencadeou a crise.

A enfermeira continuou conversando, e a psicóloga saiu para explicar a situação aos demais, e exigir que mantivessem sigilo sobre o assunto, pois se tratava da vida particular da paciente.

O pai estava furioso, queria processar os pais do garoto, mas foi aconselhado a não fazer isso por Jaebum, que também estava presente virtualmente naquela sala.

Ele explicou que, por causa da lei de limites de implantes, ciborgues como Hyuna tinham menos direitos do que animais de estimação, eram considerados como robôs, objetos; segundo a lei, Hyuna era apenas um objeto, cujo proprietário era o pai.

Essa explicação levou a fúria do pai para um novo nível, um nível em que ele se sentia impotente diante da maioria ignorante da humanidade.

Por fim, pai e filha se acalmaram e voltaram para casa.

 

 

            Visita à UniCon

Fernanda não queria voltar para a escola.

O pai dela não gostava daquela interrupção dos estudos, mas entendia a situação da filha, e contava que aquela fase passaria.

Decidiu colaborar com esse intervalo, e passou algumas responsabilidades domésticas para ela durante a semana.

Depois de reprogramar a cotação de compras da geladeira, e enquanto esperava os tequidráulicos para consertar o banheiro, Hyuna recebeu um convite pelo comunicador pessoal: Jaebum a chamava para uma visita em sua empresa.

Ela gostou da ideia, o pai autorizou, e na manhã do dia seguinte, Hyuna chegava ao prédio da UniCon, um prédio azulado de dois andares que ocupava toda uma quadra distante de um distrito industrial.

Uma escultura de um unicórnio empinado, feita com peças bronzeadas de máquinas antigas, se destacava no jardim de pequenas flores azuis que enfeitava a frente do prédio.

A grande porta com o logo da empresa abriu assim que ela se aproximou. A recepção era grande espaçosa, com leds de diferentes formatos iluminando cartazes e vitrines com produtos da empresa: vidros ampliadores destacavam artefatos minúsculos ligados a fios, e os cartazes mostravam partes do corpo humano com ampliações desses artefatos, mostrando detalhes e inscrições.

Na frente de um longo corredor, iluminado por fileiras de leds, estava uma moça de cabelos vermelhos e vestido verde, ambos curtos.

            Ela estava próxima de um pequeno veículo com caçamba e quatro braços robóticos. Assim que viu Hyuna se aproximar, ela acenou e passou mais algumas instruções para o veículo, que acenou com um de seus braços e seguiu pelo corredor.

            A moça veio com um sorriso e disse: - Olá Hyuna! Finalmente estou cara a cara com a primeira garota-robô.

            Fernanda não gostava do termo “robô”; ela não era uma máquina, era um ciborgue, mas a recepcionista parecia tão sincera em seu cumprimento que decidiu levar a frase como um elogio e retribuiu com um: - Olá.

            - Você ficou linda nesse novo corpo, o Jaebum já tinha me mostrado algumas imagens.

            - Obrigada, ele me convidou para conhecer a empresa hoje.

            - Sim, claro, vou avisar que você chegou.

Enquanto conduzia Hyuna para um conjunto de sofás quadrados, a recepcionista passava seus dedos no braço esquerdo, e um teclado verde brilhava ao toque de seus dedos, como se fosse uma tatuagem luminosa.

- Senhor presidente, sua convidada chegou. – Ela disse, tirando os olhos do seu teclado e olhando para um grupo de funcionários uniformizados que estava saindo do elevador.

Os três rapazes acenaram animados para a recepcionista, ela correspondeu à animação e se aproximou de um deles.

- Já chegou sua atualização. – Ela disse estendendo a mão.

Fingindo tristeza, ele procurava algo nos bolsos enquanto os colegas ainda estavam por perto. Quando eles se afastaram, ele retirou um cartão do bolso.

A recepcionista estendeu a mão, os dois se olharam seriamente, e ele inseriu o cartão na mão dela.

Ele se aproximou ainda mais, e ela olhou rapidamente para Hyuna e digitou algo no próprio braço.

O funcionário viu que estavam sendo observados, parou a aproximação a poucos centímetros do rosto da recepcionista e falou algo em voz baixa para ela.

Também em voz baixa, ela respondeu, enquanto ejetava o cartão e entregava com a mesma mão.

Ele pegou o cartão e tocou discretamente na cintura dela antes de se afastar.

- O Sr. Jaebum está te aguardando na sala dele. – A recepcionista voltou sua atenção para Hyuna e a conduziu até o elevador, que ainda estava aberto.

- Obrigada, mas onde fica a ...

- Não se preocupe, é só seguir a trilha de leds no teto assim que o elevador se abrir.

A porta do elevador se fechou, o som ambiente noticiava alguns eventos da empresa enquanto ele se deslocava horizontalmente, e depois, verticalmente.

Depois que a porta se abriu, Hyuna olhou para as trilhas de led no teto, uma delas piscava sincronizadamente, indicando uma direção.

Ela seguiu essa direção, e pelo corredor viu salas com vitrines, algumas cheias de máquinas de análises, outras com robôs montando maquinários complexos, uma dessas salas tinha um emaranhado absurdo de fios coloridos, alguns funcionários estavam colocando máscaras protetores antes de entrar numa sala sem vitrine.

Um pequeno transportador com algumas caixas se desviou de Hyuna e seguiu pelo sentido oposto do corredor. Ela parou para observá-lo até que a porta daquela sala cheia de fios se abriu e ele entrou.

A trilha terminou em uma porta com o símbolo da UniCon, um unicórnio com chifre formado por engrenagens. Ela se abriu e Hyuna entrou.

Chamava a atenção na sala uma parede repleta de telas, mostrando vários departamentos da empresa, era a principal fonte de iluminação no local, que contava também com alguns focos de luz destacando estatuetas sobre pequenas mesas espalhadas pela sala.

- Seja bem vinda ao meu reino, Hyeona!

Hyuna procurou a origem da voz, até que algumas telas atrás de uma grande mesa formaram uma imagem única do rosto do Jaebum.

- Oi Jay, muito bonito o seu reino, estou gostando muito do passeio.

- Mas o passeio nem começou, vou te mostrar tudo o que fazemos por aqui. Você tem um plugue de ouvido no seu comunicador?

- Tenho, mas deixei em casa...

- Não tem problema, pegue um na gaveta daquela mesa com o anjo.

O foco de luz de uma mesa piscou, iluminava uma estatueta de um anjo de asas abertas tocando uma trombeta. Hyuna abriu a gaveta e viu várias embalagens de plugues.

Ela abriu uma delas e configurou o plugue para responder ao comunicador em seu pulso. No comunicador, já piscava uma chamada do Jaebum; ela encaixou o plugue no ouvido e atendeu à chamada.

- Tudo certo? Podemos começar nosso passeio? – A voz dele chegou duplicada, pelo pluge e pelo som ambiente.

- Sim, tudo bem. – Ela respondeu ainda olhando para o rosto de Jaebum na tela.

- Me acompanhe, vou piscar um trilha de leds para mostrar o caminho. – A voz estava apenas no plugue, a porta da sala se abriu e, lá fora, uma trilha de leds piscava.

Por quase uma hora, a voz de Jaebum e os leds conduziram Hyuna por vários departamentos de sua empresa: setor de prototipagem, área de planejamento, sala de testes; Hyuna mal conseguia guardar metade das informações apresentadas.

Eventualmente, Jaebum aparecia em uma tela e utilizava o som ambiente para apresentar Hyuna a alguns funcionários naquela área. Eles se aproximavam animados para cumprimentá-la, Hyuna era famosa por lá, ela até lembrou-se da época em que saiu do laboratório e voltou para casa pela primeira vez, quando câmeras de reportagem seguiam-na por onde ela passava.

Um andar abaixo estava o estoque, as prateleiras formavam corredores enormes, com braços mecânicos em trilhos verticais e caçambas de transporte em trilhos horizontais.

- Eu adoro ficar admirando meu estoque, mas você vai perder muita energia para andar por aqui. Vou ver se o Jinho está por perto.

- Às ordens, chefe.

Hyuna percebeu que mais uma pessoa havia sido adicionada à conversa pelo comunicador.

- Jinho, você pode dar carona para uma mocinha que está no final do corredor E?

- Já estou a caminho, chefe.

- Hyeona, você vai conhecer meu fiel escudeiro Jinho. Ele já trabalhava em um depósito que foi comprado pela minha empresa anterior. Eu o conheci no primeiro dia que visitei o depósito, e fiquei impressionado com a logística que ele utilizava para organizar e memorizar todo o estoque.

Enquanto ouvia as memórias de Jaebum, Hyuna se impressionava com a coreografia de braços e caçambas, sincronizados para levar pequenas caixas de produtos nas mais variadas direções.

Um pequeno veículo automático avançava pelo corredor, parecia aquele que ela tinha visto assim que entrou na recepção, mas ao invés da caçamba, ele carregava um assento duplo, e dois de seus quatro braços pareciam estar fixando esse assento em sua carroceria.

- E lá vem ele, o estoquista mais eficiente do mundo.

- Obrigado, chefe.

O veículo, sem lugar para motorista, parou ao lado de Hyuna, posicionou dois braços como se fossem degraus, e um terceiro braço estendia uma mão artificial para que ela se apoiasse enquanto subia para o assento.

- Jinho, esta é a Hyeona que tanto falo, a menina mais importante de nossas vidas.

- Sim chefe, eu tinha visto ela na recepção, ela é muito bonita, fico feliz de finalmente conhece-la pessoalmente, senhorita Hyuna.

A voz de Jinho se repetia no plugue e no painel de sensores do veículo. Olhando para uma das câmeras deste painel, ela respondeu: - Olá, obrigada. Parabéns pela organização do depósito.

- Ah, muito obrigado senhorita Hyuna. Esse é o depósito dos meus sonhos, eu planejei cada um desses trilhos.

- Mesmo se o Jinho ficasse o dia inteiro lá na recepção paquerando a Minnie, esses robôs que ele organizou levariam qualquer encomenda até o departamento de entregas em menos de um minuto.

- Ah! Isso é verdade, chefe. Essas carretinhas são muito espertas.

- Ele só fica circulando por aqui para testar suas novas rodas. Quando os corredores ficam sem movimento, ele fica acelerando para treinar as curvas.

- Chefe! Mas... é que...

- E ele está indo muito bem, estou até pensando em investir nas corridas de fórmula Z, o que acha Jinho?

- Bom, se você diz, chefe...

Em poucos instantes, eles já estavam chegando no grande salão da recepção.

Um funcionário com traje social padronizado da UniCon apresentava para três possíveis clientes uma das peças em exposição. A recepcionista estava em sua mesa, e assim que viu Jinho se aproximando com Hyuna, ela desconectou seu dedo da mesa e andou na direção deles.

- Olá Hyuna, vejo que já conheceu o Jinho. Ele exagerou muito na velocidade aí dentro?

- Senhorita Minnie, não há necessidade de ficar espalhando nosso segredo.

A voz de Jinho não estava mais duplicada, Hyuna percebeu que a conversa pelo comunicador havia sido desligada.

O rosto de Jaebum apareceu em uma tela onde antes estava um cartaz da empresa, e de um alto-falante próximo saía sua voz: - Jinho guarda as manobras radicais apenas para você, Minnie. Ele se comportou muito bem com a Hyeona.

- Se eu passarei a ser o centro das atenções, peço licença, pois tenho trabalho a ser feito em meu depósito. Foi um prazer conhece-la, senhorita Hyuna.

Enquanto Jinho manobrava para voltar ao depósito, Minnie mandou um beijo e disse: - Eu também te amo, Jinho!

Hyuna acenou, tentando imaginar por qual das câmeras do salão ele estaria vendo-a. Também se questionou por quê não foi levada para visitar a sala de onde Jinho controlava seu veículo e seus robôs no depósito. Também se perguntou por quê Jaebum não a recebeu pessoalmente. Talvez estivesse administrando toda a empresa remotamente, na casa dele.

- E então, o que achou da minha UniCon?

- Achei fantástica, Jaebum. Não imaginava que era tão grande.

- E você só viu o setor de montagem pela vitrine, tem muito maquinário atrás daquela primeira fileira.

- Eu sei, eu vi todos aqueles braços robôs no teto.

- Se você quiser, pode conhecer esse setor com maiores detalhes outro dia.

Depois de breves despedidas, Hyuna voltou para casa.

No começo da noite, Jaebum chamou Hyuna e o pai dela pelo comunicador residencial. Ele fez uma proposta de estágio na UniCon para Hyuna.

 


Notas Finais


Postei dois capítulos para compensar o atraso e, provavelmente, começarei a postar dois capítulos assim.
O livro tá tão lindo, vocês não tão entendendo o meu orgulho🤧🤧💕


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