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História A Seleção - Larry Stylinson - Capítulo 24


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Notas do Autor


penúltimo capítulo do primeiro livro
nem acredito

Capítulo 24 - Capítulo 23


AMY, JOHN E TALLULAH FORAM embora dali a horas. Eu não sabia dizer se por causa da eficiência de Silvia ou do estado de nervos deles. De repente éramos dezenove, e tudo pareceu progredir muito rapidamente. Ainda assim, eu jamais poderia ter previsto a velocidade com que as coisas iam se mover dali para a frente.

Na segunda-feira depois dos ataques, retomamos nossa rotina. O café da manhã estava delicioso como sempre e fiquei imaginando se chegaria o dia em que deixaria de gostar daquelas refeições espetaculares.

- Liam, isso não é divino? – perguntei.

Eu mordiscava uma fruta em formato de estrela. Nunca tinha visto nada igual antes de chegar ao palácio. Liam estava de boca cheia, mas concordou com a cabeça. Sentia um clima cálido de irmandade naquele dia. Após termos sobrevivido a um grave ataque rebelde juntos, parecia que os pequenos laços que nos uniam se tornaram indestrutíveis. Ao lado de Liam estava Emily, que me passou o mel. Perto de nós, Tiny também saboreava o seu café da manhã. O clima lembrava os jantares da minha família de uns anos atrás, antes de Phoebe se transformar em uma babaca e de perdermos Lottie para o marido: cheio de gente, radiante e com muita conversa.

Dei-me conta na hora de que, como Harry contara sobre sua mãe, eu manteria contato com essas pessoas ao longo dos anos. Ia querer saber se todos tinham se casado e mandaria cartões de Natal. Dali a uns vinte e pouco anos, se Harry tivesse um filho, telefonaria para eles para saber quem era seus favoritos na nova Seleção. Relembraríamos tudo por que passamos, e riríamos daquilo como se tivesse sido uma aventura, não uma competição.

Por mais incrível que pudesse parecer, a única pessoa com aparência perturbada na sala de jantar era Harry. Ele nem tinha tocado na comida. Em vez disso, corria os olhos pelas fileiras de pessoas com a expressão de quem estava concentrado. De tempos em tempos, parava para pensar e parecia discutir consigo mesmo sobre alguma coisa. Depois continuava.

Quando chegou a vez da minha mesa, o príncipe me flagrou olhando para ele e abriu um sorriso fraco. Tirando o breve diálogo da noite do ataque, não conversávamos desde nossa discussão, e algumas coisas ainda precisavam ser ditas. Eu é que tinha que tomar a iniciativa. Com uma expressão que revelava tratar-se de um pedido, e não de uma exigência, mexia a orelha. Seu rosto permaneceu distante, mas ele também mexeu na dele.

Respirei aliviado e por acaso olhei para as portas daquela sala enorme. Como suspeitava, outro par de olhos estava fixo em mim. Tinha notado Stanley ao entrar na sala de jantar, mas tentei não demonstrar. Era difícil ignorar alguém que eu amava.

O príncipe se levantou. Aquele movimento repentino fez a cadeira chiar com o atrito contra o chão. E esse barulho foi suficiente para atrair a atenção de todos. Ao ver todos aqueles rostos voltados em sua direção, Harry pareceu querer sentar novamente, sem que ninguém percebesse. Sabendo que isso seria impossível, ele começou a falar:

- Senhoritas e cavalheiros – saudou, fazendo uma breve reverência com a cabeça. Ele parecia sofrer demais. – Receio que após o ataque de ontem eu tenha sido obrigado a repensar profundamente o funcionamento da Seleção. Como sabem, três pessoas pediram para sair ontem, e eu cedi. Não quero ninguém aqui contra sua vontade. Além disso, não me sinto confortável mantendo no palácio, sob a constante ameaça de risco de vida, pessoas com quem estou certo de que não terei futuro.

Pela sala, a confusão deu lugar à compreensão infeliz e inequívoca dos fatos.

- Ele não vai... – murmurou Tiny.

- Sim, ele vai – respondi.

- Embora me doa tomar essa atitude, conversei com minha família e com alguns conselheiros íntimos, e decidi proceder ao afunilamento da Seleção para a Elite. Contudo, em vez de dez, decidi dispensar todos vocês, com exceção de seis – afirmou Harry, com um tom de voz bem formal.

- Seis? – perguntou Liam, impressionado.

- Isso não é justo – resmungou Tiny, já prestes a chorar.

Corri os olhos pela sala de jantar conforme o burburinho de reclamações crescia e diminuía. Nick juntou coragem, como se fosse lutar por uma vaga. Arthur fechou os olhos e cruzou os dedos, talvez na expectativa de que aquela pose lhe angariasse alguma simpatia. Perrie, que tinha admitido não querer nada com o príncipe, parecia muito tensa. Por que ela queria tanto ficar?

- Não quero estender o assunto além do necessário. Assim, apenas as seguintes pessoas permanecerão aqui: senhorita Perrie, cavalheiro Liam...

Liam suspirou aliviado e levou a mão ao peito. Perrie ensaiou uma dança feliz e contente na cadeira, olhando para as pessoas ao redor esperando que estivéssemos felizes também. E eu estava até me dar conta de que duas das seis vagas já tinham sido preenchidas. Com uma discórdia entre Harry e eu, será que ele me mandaria para casa?

Ao longo de todo esse tempo, eu tivera nas mãos o poder de decidir sobre minha saída. Naquele instante, percebi o quanto era importante para mim continuar.

- ... senhorita Natalie, cavalheiro Nicholas... – continuou Harry olhando para cada um deles.

Eu me contorci ao escutar o nome de Nick. Ele não podia deixá-lo ali e me mandar embora. Eu mal acreditava que ele não ia dispensá-lo. Mas seria esse um sinal de que eu ia embora? Brigamos exatamente por causa da presença dele.

- ... senhorita Elise... – ele anunciou.

Toda a sala prendeu a respiração à espera do último nome. Dei-me conta de que Tiny e eu estávamos de mãos dadas.

- ... e cavalheiro Louis.

Harry olhou para mim e senti cada músculo do meu corpo relaxar. Tiny caiu em prantos na hora. E ela não estava sozinha: a lista de Harry provocou muitos soluços.

- A todos os demais, meu sincero pedido de desculpas. Espero, contudo, que acreditem em mim quando digo que fiz isso para seu bem. Não quero alimentar suas esperanças nem arriscar suas vidas à toa. Se alguém dos que estiverem de saída quiser falar comigo, estarei na biblioteca ao final do corredor. Podem me encontrar lá assim que terminarem de comer.

Harry se retirou o mais rapidamente possível, sem correr. Observei-o até que passasse na frente de Stanley, quando minha atenção se desviou. O rosto de Stanley estava confuso, e eu sabia o motivo. Eu tinha dito que não amava Harry, e por isso Stanley entendeu que eu não significava nada o para o príncipe. Se era assim, por que tinha ficado tão tenso para saber se ia sair ou ficar? E por que Harry ia querer me deixar ali?

Nem bem passou um segundo e Emmica e Tuesday já estavam correndo atrás do príncipe, sem dúvida em busca de uma explicação. Algumas garotas choravam, e a maiorias dos garotos tentavam se manter forte. E recaiu sobre os que ficaram a responsabilidade de confortá-los.

A situação era de uma bizarrice insuportável. Tiny acabou por soltar violentamente minhas mãos e correr para o quarto. Eu esperava que ela não ficasse com raiva de mim.

Todos deixaram a sala em poucos minutos, já sem fome. Eu mesmo não demorei muito a sair; não era capaz de lidar com aquela torrente de emoções.

Passei por Stanley, que sussurrou:

- Hoje à noite.

Concordei com a cabeça discretamente e segui meu caminho.

O restante da manhã foi esquisito. Nunca na vida tivera amigos de quem sentira saudades. Todos os quartos ocupados no segundo andar estavam abertos, e as pessoas corriam de um lado para o outro, trocando bilhetes e pegando endereços. À tarde, o palácio já era um lugar bem mais sério do que quando chegamos.

Não restou ninguém na parte do corredor onde eu ficava. Não se ouvia mais o som das criadas passando de um lado para o outro nem o do abrir e fechar das portas. Sentei-me à mesa para ler um livro enquanto as criadas tiravam o pó dos móveis. Perguntei-me se o palácio sempre tivera aquele clima de solidão. O vazio fez com que sentisse saudades da minha família.

De repente, ouvi batidas na porta. Anna correu para atender, com os olhos em mim para garantir que eu estava preparado. Assenti com a cabeça.

Quando Harry entrou no quarto, pus-me de pé com um pulo.

- Senhoritas – ele disse, olhando para as criadas – reencontramo-nos afinal.

Elas se curvaram e deram uma risadinha. Ele as cumprimentou e se voltou para mim. Até então eu não fazia ideia de como estava ansioso para vê-lo. Estava em êxtase, ao lado da mesa.

- Me perdoem, por favor, mas preciso falar com o cavalheiro Louis. Vocês nos dariam um momento?

Mais reverências e risadinhas, e Anna perguntou ao príncipe – com um tom de voz que dava a entender a adoração que tinha por ele – se podia lhe trazer algo. Harry recusou, e as três saíram. As mãos dele estavam nos bolsos. Permanecemos em silêncio por uns instantes.

- Pensei que você não me deixaria ficar – admiti, por fim.

- Por quê? – ele perguntou, soando realmente confuso.

- Porque brigamos. Porque nossa relação é esquisita. Porque...

E porque apesar de você estar saindo com outras cinco pessoas, acho que estou de traindo, pensei.

Harry diminuiu a distância entre nós aos poucos, escolhendo as palavras conforme caminhava. Quando finalmente chegou até mim, tomou minhas mãos e explicou tudo:

- Primeiramente, deixe-me dizer que sinto muito. Eu não devia ter gritado com você – seu tom de voz era totalmente sincero. – É que alguns comitês e meu pai já me pressionam, e quero ser capaz de tomar a decisão por mim mesmo. Foi muito frustrante deparar com outra situação em que minha opinião não é levada a sério.

- Outra situação?

- Bom, você viu minhas escolhas. Perrie é a favorita do povo, e não posso desprezar isso. Nicholas é um jovem poderoso e vem de uma família com que seria ótimo me alinhar. Natalie e Liam são boas pessoas, ambos muito agradáveis, e os preferidos de alguns membros da minha família. Elise tem contatos na Nova Ásia. Como estamos tentando acabar com essa maldita guerra, devo tê-la em conta. Fui massacrado por opiniões e encurralado por todos os lados nesta decisão.

Ele não explicou nada sobre mim, e eu quase não pedi que explicasse. Sabíamos que no meu caso a amizade vinha em primeiro lugar e que não tinha nenhuma serventia política. Mas precisava ouvir essas palavras para decidir por mim mesmo. Não podia olhá-lo nos olhos.

- E por que eu ainda estou aqui?

Minha voz saiu um pouco mais alta que um sussurro. Eu sabia que ia doer. No fundo, tinha certeza de que só estava ali porque Harry era bom demais para quebrar uma promessa.

- Louis, pensei ter sido claro – ele disse calmamente.

O príncipe respirou fundo para demonstrar sua paciência e levantou meu queixo com a mão. Quando finalmente o olhei nos olhos, ele confessou:

- Se o assunto fosse simples, já teria eliminado todos os outros. Sei o que sinto por você. Talvez seja impulsivo da minha parte ter tanta certeza, mas estou certo de que seria feliz com você.

Corei. Seu rosto tinha uma expressão apaixonada que eu não queria perder.

- Há momentos em que penso que rompemos todas as barreiras. E há outros em que penso que você só fica pela conveniência. Se tivesse certeza de que eu, e apenas eu, sou sua motivação...

Ele fez uma pausa e balançou a cabeça, como se não quisesse chegar ao final da frase.

- Eu estaria errado se dissesse que você ainda não tem certeza sobre mim?

Eu não queria magoá-lo, mas tinha que ser honesto:

- Não.

- Então posso arriscar muito em minha aposta. Você pode optar por sair, e deixarei se quiser. Enquanto isso, preciso escolher uma pessoa. Estou tentando tomar a melhor decisão dentro dos limites que foram dados. Agora, por favor, não duvide por um segundo da sua importância para mim. Porque é imensa.

Pensei em Stanley e nos meus atos. Senti-me tão envergonhado.

- Harry... Será que um dia você vai me perdoar...

- Perdoar o quê? Nossa briguinha besta? Já é passado. Seus sentimentos demoram mais para passar que os meus? Sem problema. Estou pronto para esperar – ele disse, dando de ombros. – Acho que não há nada que você possa fazer que eu não possa perdoar. Lembra-se da joelhada?

Não consegui segurar a risada. Harry também riu, mas uma vez só. Depois, ficou sério de repente.

- O que foi? – perguntei.

Ele balançou a cabeça.

- Eles foram tão rápidos dessa vez.

A voz dele estava cheia de uma admiração raivosa pelos talentos dos rebeldes. Só então me dei conta de quão perto de uma tragédia estive por tentar salvar minhas criadas.

- Tenho ficado cada vez mais preocupado, Louis. Nortistas e sulistas, os dois estão cada vez mais determinados. Parece que não vão parar até conseguirem o que desejam. E eu não faço ideia do que seja – Harry parecia confuso e triste. – Penso que é só uma questão de tempo até destruírem alguém importante para mim.

Ele me olhou nos olhos e prosseguiu.

- Sabe, você ainda pode escolher. Se tiver medo de ficar, pode dizer – ele fez uma pausa e pensou. – Ou se chegar à conclusão de que nunca vai me amar, seria melhor me contar já. Deixarei que siga seu caminho e seremos amigos.

Lancei meus braços ao seu redor e apoiei a cabeça em seu peito. Harry pareceu ao mesmo tempo confortado e surpreso com o gesto. Ele demorou apenas um segundo para me envolver nos braços.

- Harry, não tenho certeza do que somos, mas sem dúvida somos mais que amigos.

Ele deixou escapar um suspiro. Com a cabeça em seu peito, pude finalmente ouvir as batidas de seu coração através do paletó. Pareciam aceleradas. Sua mão, delicada como sempre, acariciava minha bochecha. Ao olhar nos seus olhos, percebi que um sentimento inominável crescia entre nós.

Com o olhar, Harry me pedia algo que tínhamos concordado esperar. Estava feliz por ele não querer mais esperar. Inclinei levemente a cabeça em consentimento, e ele fechou o pequeno espaço entre nós me beijando com uma ternura inimaginável.

Senti um sorriso em seus lábios, um sorriso que durou por muito tempo depois.



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