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História A Seleção - Limantha - Capítulo 31



Notas do Autor


Mais um porque sim!
Boa leitura :)))))))))

Capítulo 31 - A Elite - 06


— ADORÁVEL, SENHORITA. Continue a apontar para os desenhos. As outras tentem não olhar para mim — pediu o fotógrafo.

Era sábado e toda a Elite havia sido dispensada da obrigação de permanecer no Salão de Beleza o dia inteiro. No café da manhã, Samantha tinha anunciado a festa de Halloween; à tarde, nossos criados começaram a desenhar as fantasias, e alguns fotógrafos apareceram para registrar todo o processo.

Naquele momento, eu tentava parecer natural enquanto examinava os desenhos de Anne, e os criados estavam atrás da mesa com pedaços de tecido, caixas de lantejoulas e uma quantidade absurda de penas.

A câmera clicava várias vezes enquanto fazíamos poses diversas, na tentativa de dar opções ao fotógrafo. No instante em que eu posaria com um tecido dourado enrolado na cabeça, recebemos uma visitante.

— Bom dia, senhores e senhoritas — disse Samantha, caminhando porta adentro.

Não pude deixar de me endireitar um pouco e tive a sensação de que meu sorriso tomava todo o meu rosto. O fotógrafo captou esse momento antes de se dirigir a Samantha.

— Sua Alteza, é sempre uma honra. A Vossa Alteza se importaria de posar com a jovem senhorita?

— Seria um prazer.

Os criados abriram espaço. Samantha pegou alguns desenhos e se colocou bem ao meu lado. Uma de suas mãos segurava uma folha e a outra repousava em minha cintura. Esse detalhe significava muito para mim. É como se ela dissesse: “Veja, logo vou tocá-la assim diante do mundo. Você não precisa se preocupar com nada”.

Depois de mais algumas fotos, o fotógrafo foi atrás da próxima pessoa. Percebi que também os criados, discretamente e por conta própria, haviam deixado o quarto.

— Seus criados têm muito talento — disse Samantha. — A ideia é maravilhosa.

Tentei me comportar da mesma maneira de sempre, mas as coisas passaram a ser diferentes, ao mesmo tempo melhores e piores.

— Eu sei — respondi. — Não poderia estar em melhores mãos.

— Já se decidiu por algum? — perguntou ela, espalhando os papéis pela escrivaninha.

— A gente gosta dessa ideia do pássaro. Acho que é uma referência ao meu pingente — eu disse, com a mão sobre o fino cordão de prata. O pingente de passarinho era presente de meu pai, e eu preferia esse objeto a todas as joias pesadas do palácio.

— Detesto dizer isso, mas acho que Katiane também escolheu uma fantasia de pássaro. A determinação dela era impressionante — disse ela.

— Tudo bem — respondi, dando de ombros. — Não sou louca por penas, mesmo. — De repente parei de sorrir. — Ei, você estava com Katiane?

Ela confirmou com a cabeça.

— Foi apenas uma visita rápida para conversar. Acho que não posso ficar muito tempo aqui também. Minha mãe não está contente com tudo isso, mas com a Seleção ainda em curso, compreendeu que seria legal termos um pouco mais de festa. E concordou que também seria um modo bem melhor de conhecer as famílias diante da atual situação...

— Que situação?

— Ela está ansiosa por uma eliminação, e devo excluir alguém depois de conhecer os pais de todos. Na opinião dela, quanto antes eles vierem, melhor.

Eu não tinha percebido que mandar alguém de volta para casa fazia parte dos planos do Halloween. Pensava que seria apenas uma grande festa. Aquilo me deixou nervosa, embora eu repetisse para mim mesma que não tinha motivos para tal. Não depois da nossa conversa do dia anterior. De todos os momentos já compartilhados com Samantha, nenhum me parecia mais real do que aquele.

Ainda com os olhos nos desenhos, Samantha falou, com ar distraído:

— Acho que preciso terminar as visitas.

— Você já vai?

— Não se preocupe, querida. Vejo você no jantar.

“Sim”, pensei, “mas você verá todos nós no jantar.”

— Está tudo bem? — perguntei.

— Claro — ela respondeu, para depois me beijar. Na bochecha. — Tenho que correr. Falamos mais tarde.

E saiu, tão subitamente como tinha chegado.

No domingo, oito dias nos separavam do Halloween, o que significava que o palácio estava um furacão, cheio de atividades.

Na segunda, a Elite passou a manhã com o Rei Edgar provando e aprovando o menu para a festa. De longe, aquela foi a melhor das nossas tarefas até então. À tarde, porém, Katiane ficou horas sumida do Salão de Beleza. Quando voltou, por volta das quatro da tarde, anunciou a todas que “Samantha mandou lembranças”.

Na tarde de terça-feira, cumprimentamos membros mais distantes da família real que vieram à cidade para os festejos. E naquela manhã, assistimos da janela a Samantha dando uma aula de arco e flecha a Ellen nos jardins.

As refeições estavam repletas de convidados que chegaram antes da festa, mas Samantha quase nunca aparecia, assim como Keyla e Anderson.

Eu me sentia cada vez mais envergonhada. Revelar meus sentimentos para Samantha tinha sido um erro. Apesar de toda a conversa, ela não podia estar interessada em mim de verdade se sua primeira opção era sempre passar o tempo com os outros.

Na sexta, já tinha quase perdido as esperanças. Depois do Jornal Oficial, permaneci sentada em frente a tela, desejando que Samantha viesse ao meu quarto.

Ela não veio.

Tentei distrair a cabeça no sábado. Nós, da Elite, tínhamos a obrigação de fazer sala às pessoas que chegavam no palácio de manhã, e à tarde haveria mais um ensaio de dança.

Ainda bem que minha família, como Cinco, tinha escolhido se concentrar em música e artes: eu era uma péssima dançarina. A única pessoa pior que eu naquele salão era Anderson. Para minha tristeza e meu ódio, Katiane era o máximo da graciosidade. Os instrutores lhe pediram mais de uma vez para ajudar os outros jovens. O resultado foi que Anderson quase torceu o tornozelo graças às más indicações que Katiane lhe dava de propósito.

Sutil como uma serpente, Katiane botou a culpa na absoluta falta de jeito de Anderson. Os professores acreditaram nela, e Anderson apenas ria da própria situação. Admirava Anderson por não se abalar por causa de Katiane.

Katharine esteve presente em todas as aulas. Evitei-a nas primeiras; não tinha muita certeza se queria me aproximar dela. Ouvi rumores de que os guardas tinham começado a mudar suas escalas com uma velocidade enlouquecedora. Alguns estavam desesperados para irem à festa, ao passo que outros tinham pares em sua terra natal e arrumariam um grande problema se fossem vistos dançando com outra pessoa, principalmente porque cinco de nós em breve voltariam a ser “solteiros”. Solteiros e bem procurados.

Mas aquele era nosso último ensaio, e Katharine estava perto o bastante para me tirar para dançar. Não recusei.

— Está tudo bem? — perguntou ela. — Você parecia triste nas últimas vezes em que a vi.

— É só cansaço — menti. Não podia conversar com ela sobre meus problemas afetivos.

— Mesmo? — ela perguntou, cética. — Tinha certeza de que más notícias estavam por vir.

— O que você quer dizer?

Será que ela sabia de algo que eu não sabia?

Ela suspirou.

— Se você pretende dizer que preciso parar de lutar por você, aviso que não quero conversar sobre isso.

Para ser sincera, fazia mais de uma semana que eu nem pensava em Katharine. Estava tão absorta por minhas palavras e ideias erradas que não podia pensar em mais nada. Lá estávamos nós: enquanto me preocupava com a possibilidade de Samantha me abandonar, Katharine preocupava-se com a possibilidade de eu a abandonar.

— Não é nada disso — respondi vagamente, me sentindo culpada.

Ela acenou com a cabeça, por ora satisfeita com a resposta.

— Ai!

— Ops! — exclamei.

Tinha pisado no pé dela totalmente sem querer. Me esforcei para prestar atenção na dança.

— Desculpe, Lica, mas você é péssima — ela disse, rindo, apesar de o meu salto provavelmente tê-la machucado.

— Eu sei, eu sei — eu disse, sem fôlego. — Juro que estou tentando!

Eu me agitava pelo salão como um alce cego, mas o que me faltava de graça eu compensava com esforço. Katharine, muito gentil, deu o seu melhor para me fazer parecer bem; até perdeu um pouco o compasso da música para acompanhar meu ritmo. Era tão típico dela, sempre tentar ser minha heroína.

Ao fim da última aula, pelo menos eu sabia todos os passos. Não dava para prometer que não derrubaria sem querer um convidado diplomata com um chute das minhas pernas empolgadas. Mas faria o meu máximo. Imaginar essa cena me fez ver que não era de estranhar que Samantha pensasse duas vezes. Passaríamos vergonha ao visitar outros países e muito mais ao recebermos visitas aqui. Eu realmente não servia para ser princesa.

Suspirei e fui buscar um copo d’água. Katharine me seguiu, ao passo que as outras pessoas deixaram o salão.

— Então...

Ela começou a falar. Corri os olhos pelo salão para me certificar de que ninguém nos observava.

— ... suponho que se você não está preocupada comigo, deve estar preocupada com ela.

Baixei os olhos e corei. Como ela me conhecia bem.

— Não que eu esteja torcendo por ela e tal, mas se ela não percebe como você é maravilhosa, é uma idiota.

Sorri, com os olhos ainda cravados no chão.

— E se você não for a princesa, qual o problema? Você não vai ser menos incrível por isso. E você sabe... você sabe...

Katharine não conseguia soltar o que tinha a dizer. Arrisquei um olhar para o seu rosto.

Nos olhos dela, vi mil finais diferentes para aquela frase. Todos me uniam a ela: ela ainda estaria à minha espera; ela me conhecia melhor que ninguém; nós éramos um; uns meses no palácio não podiam apagar dois anos. Não importa o que acontecesse, Katharine sempre estaria ao meu lado.

— Eu sei, Katharine. Eu sei.


Notas Finais


Como esse livro tem capítulos a mais (muitos bastante curtos), iremos postar dois por dia a partir de hoje, ok?
E, aí? Vocês acham o quê desse gelo repentino vindo da parte de Samantha?


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