História A Seleção - Capítulo 1


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Categorias A Seleção, Merlin
Personagens Agravaine de Bois, Arthur Pendragon, Gaius, Guinevere "Gwen", Lady Vivian, Merlin, Morgana Pendragon, Morgause, Sir Gwaine, Uther Pendragon
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Palavras 5.999
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa Fanfic foi inspirada na obra "A Seleção" de Kiera Cass e, por isso, muitos trechos do livro encontram-se aqui, de forma adaptada. Antes que os fãs mais fervorosos da trilogia de livros digam que não fui fiel aos livros já deixo aqui claro que essa nunca foi minha intenção. E antes que os fãs de Merthur reclamem que meu Arthur pode estar um pouco OC, já digo que isso foi totalmente intencional. ;)

A imagem de capa não é minha. O autor se encontra no tumblr com o nome de lao-pendragon, se alguém desejar ver outras LINDAS fanarts.

Capítulo 1 - Capítulo Um


Contrariamente às previsões mais catastróficas, a Terceira Guerra Mundial (2157-2165) não dizimou a humanidade, mas deixou a economia fortemente abalada e desestabilizou todos os governos mundiais, tanto socialmente quanto em nível de recursos econômicos e ambientais. O que outrora era um pequeno, contudo importante Estado chamado Reino Unido, acabou conseguindo se firmar na economia emergente, ainda que precariamente, mas a tão amada família real foi traída e tirada do poder por um golpe de estado, dando lugar ao levante de governantes sucessivos que se utilizavam de um discurso democrata para iludir a população enquanto disputavam pelo poder para benefício próprio, em detrimento do povo.

O visionário Yardley Pendragon, herdeiro direto da antiga família real britânica, assumiu o poder em 2185, vinte anos após o final da guerra, reinstaurando a monarquia e estabilizando o governo. A partir de então, a nação se solidificou economicamente, trazendo melhorias significativas à qualidade de vida da população, proporcionando a expansão do território sob o reinado do sábio monarca por boa parte da Europa e instituindo o Estado Unificado de Camelot, assim batizado em referência a uma lenda muito difundida na antiga Inglaterra.

Quando da morte de Yardley, em 2202, seu primogênito Emery Pendragon assumiu a coroa. Dentre suas mais conhecidas medidas constam a instalação da Lei Antimagia e a implantação do Sistema de Castas, objetivando padronização da organização social e maior solidificação da economia do Estado Unificado.

(…)

As medidas de Emery Pendragon trouxeram grande descontentamento de boa parte da população, ao que seguiu-se um violento levante popular liderado pelas castas menos favorecidas, ameaçando o poder da família real, já fragilizado desde a morte de Yardley.

Numa tentativa de mostrar à população a preocupação da monarquia com o bem-estar coletivo e que a implantação do Sistema de Castas fora uma medida essencial para segurança de todos e para a estabilidade financeira da nação, em 2209 foi instaurada a primeira Seleção onde, ao longo de doze semanas, o então herdeiro, James Pendragon, conheceu vinte moças e rapazes representantes de todas as castas e naturais de todas as partes de Camelot, engajados numa disputa pelo coração do futuro herdeiro do trono. Um ano depois, James e Emily Pendragon, a primeira princesa escolhida através da Seleção, subiam ao trono com a benção do antigo rei.

Trecho do Livro "História Contemporânea"

"Abertas as inscrições para a 5ª Edição d'A Seleção

Atenção, senhoritas e cavalheiros, chegou o momento tão aguardado! Nosso charmoso e amado Príncipe Arthur Pendragon atingiu a maioridade¹. Embora ainda jovem, não são poucas as responsabilidades do Príncipe perante o reino, portanto, para esta nova fase da sua vida, ele deseja ter uma companheira ou um companheiro ao seu lado para apoiá-lo. Se seu filho ou filha, irmão ou irmã, protegido ou protegida elegível estiver interessado na possibilidade de tornar-se o noivo ou a noiva do príncipe Arthur e futuro príncipe ou princesa de Camelot, corra até o Departamento de Serviços Provinciais da sua localidade e preencha o formulário de inscrição para A Seleção! Um jovem de cada província será escolhido pelo próprio príncipe para participar da competição. Os selecionados serão hospedados no agradável Palácio de Buckingham, em Westminster enquanto durar sua estadia. A família de cada participante será recompensada generosamente por seu serviço à família real.

Propaganda do Governo, veiculada por meio de folhetim."

Quem viera com aquela ideia ridícula fora Will, obviamente. Ele não dera paz a Merlin durante dias, falando sobre toda a comida que ele poderia comer e como seria bom dormir em uma cama decente, para variar.

Merlin costumava dar corda para as ideias mirabolantes de Will, mas daquela vez, ele estava irredutível. Não queria ser da realeza. Não queria ser Um. Não queria nem tentar.

Desde que as inscrições para A Seleção haviam iniciado, há duas semanas, Will só sabia falar sobre aquilo e nada mais.

"Por que você não se inscreve, Will?" Merlin perguntara numa tarde em tom irônico. "Você parece bem empolgado com a ideia."

"Não acho que consiga convencer o príncipe de que me interesso por ele, se quer mesmo saber." Will deu de ombros. "É mais fácil eu concorrer com ele pela atenção das garotas e nós dois sabemos o quanto isso pode acabar mal."

Merlin procurou ignorar Will, já que o amigo não parecia muito interessado em dar ouvidos aos seus argumentos.

Hunith não gostava nem de ouvir falar sobre aquilo. Ela não se manifestava a respeito, deixando Merlin e Will brincarem com a ideia de Merlin usando uma coroa, mas Merlin podia notar o olhar apreensivo de sua mãe toda vez que Will tocava no assunto.

Não era como se Merlin pudesse culpá-la. O próprio Merlin não sentia-se tentado a participar daquilo – não quando ele colocaria sua vida em risco, caso viesse a ser selecionado –, mas a ideia de que sua mãe achava que ele fosse frágil e indefeso o irritava.

Por isso Merlin passava a maior parte do tempo nos últimos dias se escondendo de sua mãe e Will no trabalho, no The Rising Sun. Merlin era um criado, como todos da casta seis e, enquanto Hunith tinha um emprego sólido na casa do prefeito de Ealdor, Merlin vivia fazendo bicos em qualquer lugar que pagasse pela diária, bem ou mal. Ele sabia que qualquer quantia extra no orçamento de casa contava, já que o salário para um seis não era lá essas coisas.

Não era como se Merlin achasse que sua vida fosse das piores. Pelo menos ele tinha um lugar para morar e não passara fome muitas vezes durante sua vida. Ele via moradores de rua todos os dias, enquanto caminhava para o trabalho – em sua maioria, eram Oito, mas também haviam Seis e Sete e alguns poucos Cinco entre eles – e agradecia internamente que aquela não fosse a situação da sua família. Porém, aquilo não diminuía o sentimento de impotência que o invadia ao presenciar tamanha injustiça e ele desejava poder fazer algo por eles, em vez de apenas sentir pena.

Will morava com eles desde que sua mãe falecera de tuberculose, quando o garoto ainda era criança e, ainda que ele fosse um sete, Hunith nunca o tratara de forma diferente.

Talvez fosse por isso que Merlin odiava o sistema de castas. Ele costumava brigar com as outras crianças das castas mais altas que chamavam Will de nomes e jogavam pedaços de pão embolorado quando eles passavam na rua, esperando que sua mãe lhe desse um sermão quando chegassem em casa, mas Hunith jamais o repreendera por isso. Pelo contrário, ela costumava sorrir como se apoiasse o comportamento inadequado do filho.

Quando chegava em casa, depois do trabalho, Merlin caía na cama exausto de tanto esfregar o chão, limpar pratos e copos e lavar banheiros. Suas mãos e joelhos eram as partes do seu corpo que mais reclamavam durante o dia, mas ao cair da noite, quando seus músculos finalmente relaxavam, ele sentia também suas costas, bíceps e panturrilhas cobrando o esforço realizado durante o dia.

Will geralmente chegava apenas no início da manhã, tossindo e sujo depois de um turno de doze horas na mina de carvão. Eles dividiam a cama desde que eram pequenos. Não que eles ainda coubessem no estreito colchonete de solteiro, mas Will trabalhava durante a noite, enquanto Merlin pegava o turno da tarde e isso facilitava as coisas – Merlin sabia que eles não poderiam pagar por um colchonete extra e, pelo menos assim, ninguém tinha que dormir no chão, especialmente Will, que tinha que trabalhar quatro horas a mais que ele para ganhar a mesma quantia.

Não que Hunith ou Merlin exigissem aquilo, mas Will se negava a contribuir menos.

Hunith acordava cedo todas as manhãs e separava um pão e um copo d'água – muito raramente acompanhados de meia banana – para cada um deles, e saía para o trabalho quando o sol ainda estava para nascer.

Merlin sentia-se tentado por vezes a pegar algo no mercado sem que ninguém visse. Ele sabia que seria fácil fazê-lo com sua magia, mas a voz alarmada de sua mãe em sua cabeça o impedia de agir.

O fato era esse, Merlin tinha um dom. Um dom que, entretanto, não podia usar, nem mesmo para aquecer a água que vinha direto de um cano na parede do banheiro. No inverno, porém, Hunith permitiria que ele acendesse um fogo mágico no meio da sala – já que não tinham uma lareira ou sistema de aquecimento – pois sabia que morreriam de frio, caso contrário.

Sempre que ele ousava fazer algo fora de casa, contudo, por mais discreto que fosse, Hunith o puxava pela orelha – às vezes, Merlin perguntava-se se aquele era o motivo delas serem tão grandes – até que estivessem seguramente entre quatro paredes novamente e falava durante horas a fio. Merlin costumava argumentar que nunca fora pego, mas o olhar temeroso de sua mãe e as lágrimas em seus olhos acabavam por vencê-lo.

Por isso que, todas as manhãs, quando sua mãe saía para o trabalho e Will estava desmaiado na cama, Merlin arrastava a cômoda pequena da sala e retirava os tijolos falsos da parede até pegar o livro de feitiços escondido ali.

Ele passava algumas horas de cada manhã recitando encantamentos e testando a extensão do seu poder. Hunith não poderia nem sonhar com aquilo, obviamente, ou Merlin estaria em sérios problemas, mas a verdade é que aqueles momentos eram os únicos em que Merlin sentia-se vivo, como se sua magia chamasse por ele, irradiando de cada pedaço do seu corpo.

"Se sua mãe te pega fazendo isso, ela arranca sua orelha." A voz de Will sobressaltou-o, fazendo com que Merlin deixasse o pequeno copo de alumínio que levitava cair com um estrondo, quicando pelo chão.

"Will, você quer me matar do coração?" Merlin guinchou antes de se levantar para colocar o livro de volta no esconderijo.

"Não." Will disse de forma mais grave. "Mas se algum oficial entrasse aqui, não se importaria se isso acontecesse. Provavelmente pouparia o trabalho deles."

"Não seja exagerado, Will." Merlin disse, movendo a cômoda de volta ao lugar com um acenar de mão – seus olhos iluminando-se momentaneamente. "Não é como se eles entrassem na casa dos outros assim, sem mais nem menos."

"Eles entram se tiverem uma denúncia." Will parecia estoico. "E se alguém te visse por uma fresta entre as cortinas? Ninguém hesitaria em ter uma recompensa por entregar um bruxo, sabia?"

"Você está parecendo minha mãe agora." Merlin girou os olhos.

"Talvez porque ela tenha razão em se preocupar!" A voz do amigo saiu sonoramente desesperada.

Merlin limitou-se a suspirar, resignado.

Não era como se não houvesse motivos para a apreensão de Will e sua mãe, Merlin sabia disso. Há quase dois anos ninguém era pego usando magia em Ealdor, mas Merlin costumava ver nos jornais, na banca de revista a caminho do trabalho, as manchetes sobre as execuções daqueles que eram flagrados praticando magia.

"Vou tomar mais cuidado." Merlin prometeu, a contragosto.

Will mexeu-se desconfortável antes de sentar-se na cadeira de frente para a mesa na cozinha.

"Por que você não está dormindo?" Merlin perguntou ao sentar-se de frente ao amigo.

"Estou sem sono." Will deu de ombros, enfiando metade do pão em sua boca de uma vez.

"Você sem sono?" Merlin arqueou uma sobrancelha.

Will evitou encará-lo dessa vez, o que fez com que Merlin franzisse o cenho.

"Will, o que foi dessa vez?"

Will remexeu-se na cadeira antes de olhar para ele com um olhar culpado. Merlin encarou-o com os olhos estreitos.

"Por favor, não me odeie." Will pediu.

"Will." Merlin chamou, subitamente inquieto. Ele sabia que nada de bom poderia seguir aquelas palavras.

"Você lembra do que falamos sobre você se inscrever na seleção?" Will ofereceu um sorriso a ele, ao que Merlin fechou a cara, um calor irradiando seu peito, seu coração acelerando uma fração.

"Lembro." Merlin disse, esperando que as palavras do amigo não significasse o que ele estava pensando. "Também lembro de ter dito o quanto essa ideia era estúpida."

"Bem…" Will soou arrependido.

"Will! Eu não acredito!" Merlin gritou, levantando-se da mesa, seu pão intocado.

"Merlin…"

"Como você pôde?" Merlin passou a mão pelos cabelos, andando de um lado para o outro nervosamente. "Eu disse que não queria!"

"Merlin, tente ser racional…"

"Racional?" Merlin guinchou. "Você sabe o que penso a respeito dessa seleção idiota, dessa tentativa ridícula do governo de fingir que está tudo bem e levantar a popularidade da monarquia, quando na verdade ninguém mais compra essas besteiras. Você não tem ouvido sobre os levantes rebeldes? Eles mataram a família do prefeito de Lacock mês passado! Colocaram fogo na casa com todos dentro."

"Merlin…"

"Sem falar no meu pequeno probleminha." Merlin ironizou. "O que acha que farão quando descobrirem? Me convidar para um chá? Eles vão atirar primeiro e fazer perguntas depois, Will!"

"Bobagem." Will girou os olhos. "Ninguém precisa descobrir sobre os seus er… suas habilidades."

Merlin cruzou os braços frente ao peito antes de voltar a tomar seu lugar diante do amigo. Não era como se ele conseguisse ficar bravo com Will por muito tempo, de qualquer forma.

"Isso não faz com que eu queira participar." Merlin bufou, irritado. "Vai me dizer que você não acha ridícula a ideia de conhecer alguém quando tudo está sendo televisionado para todo o país?"

"Acho normal, pra falar a verdade. Ele tem que namorar de algum jeito."

Merlin girou os olhos.

"Eu não acho que o príncipe tenha uma escolha a respeito disso, Merlin. É meio triste, para ser sincero." Will suspirou. "Mas ao mesmo tempo, não deixa de ser romântica a ideia."

"Romântica… pff!" Merlin desdenhou. "Como você conseguiu uma foto minha, de qualquer forma?"

"Eu recortei da nossa foto do festival do ano passado." Will deu de ombros.

Merlin deixou o queixo cair.

"Você recortou nossa foto?" Merlin soou afrontado aos próprios ouvidos. "Era a única…"

"Eu tirei uma cópia, gênio." Will desdenhou.

"Com que dinheiro?" Merlin perguntou, incrédulo.

"Eu juntei por alguns dias."

Merlin sentiu toda raiva esvair-se do seu corpo. Ele sabia que Will devia ter passado alguns dias sem comer no trabalho para conseguir juntar dinheiro suficiente, e mesmo que fosse por um motivo estúpido, ele conseguia entender as motivações do amigo.

"Não acredito que você gastou dinheiro nisso por minha causa." Merlin sussurrou, sentindo suas bochechas corarem e encarando o pão à sua frente.

"Quem disse que foi por você?" Will desdenhou. "Se você for selecionado, sua mãe e eu viveremos como reis por uma semana."

Merlin não pôde impedir-se de rir.

"Que bom que você não está se iludindo quanto a isso." Merlin disse com humor. Ainda que ele fosse selecionado – o que era pouco provável por si só –, era comum que todos os homens fossem eliminados na primeira semana.

"Mas uma semana é mais que suficiente para estocar comida pra uns dois meses!" Will soou animado. "E ainda tem o dinheiro que eles mandam para as famílias dos Selecionados. Não que você vá ser um deles, de qualquer forma."

"E por que não?" Merlin soou mais ofendido do que pretendia.

"Até parece, Merlin!" Will zombou. "Aquele príncipe engomadinho não saberia apreciar uma beleza natural como a sua. Ele deve ser um esnobe, de qualquer forma."

As poucas vezes que Merlin vira o príncipe Arthur foram pela televisão no The Rising Sun, durante a transmissão do Jornal Oficial de Camelot ou nas revistas na banca próxima ao trabalho e, apesar de ser um homem muito bonito, ele meio que concordava com Will. O príncipe sempre parecia muito formal e quase nunca falava. Merlin dificilmente se sentiria tentado a puxar conversa com ele, caso o visse em público e caso ele não fosse da realeza.

"Ele deve tratar todo mundo como escória e achar que as pessoas têm o privilégio de respirar o mesmo ar que ele." Merlin concordou, dando de ombros.

"Você tem razão, não deveria ter gastado meu dinheiro com isso." Will disse em meio a um bocejo.

"Ainda bem que você sabe." Merlin assentiu, imitando a postura da sua mãe quando ela lhes dava um sermão. "Agora vá dormir, antes que você caia dessa cadeira."

"Você acha que sua mãe ficará brava comigo?" Will perguntou, já se levantando.

"É claro que não." Merlin fez pouco-caso. "Ela provavelmente nem ficará sabendo que você fez uma coisa tão idiota."

Will fez uma careta e caminhou lentamente, mas virou-se quando alcançou a porta do pequeno quarto.

"Seria engraçado, de qualquer forma." Will ofereceu com um sorriso zombeteiro. "Você, num palácio, tendo que usar roupas estúpidas e se comportar diante da nobreza, lutando para conquistar o coração do príncipe Arthur." Ele disse juntando as duas mãos frente ao peito, batendo os cílios e suspirando de forma teatral.

"Cala a boca." Merlin girou os olhos.

Will não demorou muito a começar a roncar e só então Merlin permitiu-se abocanhar seu pão, já desistindo de ignorar os protestos do seu estômago. Ele negaria isso veementemente se alguém perguntasse, mas deixou sua mente vagar livre, imaginando-se caminhando pelos corredores do castelo com o príncipe ao seu lado antes de balançar a cabeça, contendo um arrepio.

Raras vezes Merlin vira o Príncipe Arthur na televisão. O Rei aparecia em anúncios oficiais durante o dia, que Merlin vislumbrava vez ou outra enquanto lavava a louça do pub movimentado, mas o príncipe só costumava aparecer durante o Jornal Oficial.

Merlin gostaria de dizer que não pensou mais no assunto depois que Will confessou tê-lo inscrito na Seleção, mas estaria mentindo se dissesse que não ficara intrigado para saber mais sobre o príncipe. Certo dia, ele resolveu ficar trabalhando até mais tarde para poder assistir ao Jornal Oficial de Camelot.

O Jornal era veiculado todos os dias às oito da noite pontualmente, o que coincidia com o término do turnmo de Merlin. Por esse motivo, Merlin raramente assistia ao Jornal, cansado demais para perder uma preciosa hora do seu dia atarefado com aquilo, ansioso para voltar para casa e cair na cama – contando que não desmaiasse de exaustão no meio do caminho de volta.

Naquele dia, entretanto, às oito horas em ponto, o hino nacional fez-se ouvir alto e claro aos ouvidos dos presentes e a família real apareceu à esquerda na tela. O Rei Uther encontrava-se no alto de um palanque, sua cadeira mais alta do que as demais – do seu lado direito estava o Príncipe Arthur e do esquerdo Morgana, a Duquesa de Cambridge. Do lado direito da tela se encontravam o mestre de cerimônias, Geoffrey de Monmouth e os conselheiros do Rei.

Merlin observou a figura altiva do Príncipe Arthur na tela. Ele era bonito, isso ninguém poderia negar. Seu cabelo dourado refletia um pouco as luzes do local e seus olhos azuis eram profundos e enigmáticos. Merlin notou como sua mandíbula quadrada e proeminente estava apertada numa postura rígida e perguntou-se se seria um sinal de nervosismo. Seu cabelo estava milimetricamente arrumado e sua roupa em perfeita ordem, ajustando-se aos contornos do seu corpo de forma suave.

Havia algo incômodo naquela cena, entretanto. O homem estava travado em seu assento. Parecia tenso. Seu terno sob medida estava engomado demais, seu cabelo perfeito demais. Ele era mais uma pintura do que uma pessoa, Merlin notou com amargura. A verdade é que Merlin tinha pena da pessoa que fosse escolhida por ele, pois se a figura do Rei mostrava algo era que aquela rigidez só tendia a piorar. Merlin estava perdido nesses pensamentos quando o Rei começou a falar.

"Novos ataques rebeldes foram reportados nesta manhã…"

Quando enfim voltou para casa, quase meia hora depois, Merlin teve que recriminar a si mesmo por ter perdido tempo com algo tão idiota. Afinal, não era como se ele tivesse ficado no pub para ver o Jornal Oficial, ele só queria analisar o príncipe. Ele negou-se a fazer aquilo novamente, mas foi com impaciência que viu-se repetindo o processo durante os próximos dias.

Talvez por isso ele estivesse apreensivo quando se sentou numa mesa no The Rising Sun, duas semanas depois. O prazo para inscrições para A Seleção havia acabado há quase uma semana e os candidatos escolhidos seriam anunciados ainda naquele dia.

Como de praxe, de acordo com as poucas informações voluntariadas por Hunith, o dia do anúncio dos escolhidos era feriado nacional e as pessoas se aglomeravam em qualquer lugar que houvesse uma televisão. Por isso, Merlin, Hunith e Will estavam ocupando uma mesa no fundo do pub enquanto Merlin lutava contra o rebuliço em seu estômago.

"Eu me lembro de quando a Rainha Ygraine foi escolhida." Hunith falou ao lado de Merlin. "Não que isso tenha surpreendido alguém. O Rei Uther não escondeu sua preferência por ela desde o início."

"De qual casta ela era?" Merlin pegou-se curioso. As pessoas não costumavam falar muito da falecida rainha.

"Quatro."

"Quatro?" Will exclamou, surpreso.

"Sim. Qual a surpresa?"

"Ela não parecia uma Quatro." Merlin colocou em palavras a dúvida de Will. "Pelo menos nas fotos que já vi dela, eu diria que sempre foi Um. Então eu achava que ela era Dois antes disso."

Hunith limitou-se a dar de ombros.

Finalmente o relógio deu oito horas. O brasão de Camelot surgiu na tela, acompanhado da versão instrumental do hino. Merlin tentou conter um tremor que subiu por sua espinha sem ser convidado.

O Rei apareceu brevemente no telão dando seus anúncios, como de costume, só que dessa vez parecia mais bem-humorado. Merlin perguntava-se quanto daquilo era genuína empolgação e quanto era fachada.

Merlin deixou seu olhar vagar pelo ambiente, vendo alguns rostos conhecidos e tentando desligar a atenção da televisão. Não era como se preferisse ficar alienado com relação ao estado caótico em que o país se encontrava, mas estava cansado de ouvir tanta catástrofe. O fato de que os anúncios sempre eram abordados de maneira parcial também não o agradava.

Foi quando notou o olhar de Freya.

Há dois anos, Will trabalhara numa fazenda nos arredores de Ealdor e a família empregadora parecia tratá-lo muito bem. Por isso, quando ele saiu do emprego para ganhar menos na mina de carvão, Merlin não entendera o motivo. Apenas alguns meses depois, quando passeavam pela praça da cidade, que Merlin compreendeu a atitude do amigo.

Ele e Will estavam caminhando distraidamente, enquanto dividiam um saquinho de pipocas – um luxo que eles se davam apenas uma vez por mês –, quando uma garota trombou com Will. Merlin logo reconheceu Freya, a filha da família que empregara Will. Merlin cumprimentou-a alegremente, mas os olhos da garota permaneceram cravados em Will, como que ansiando por ser notada. Will desviou o olhar, murmurando um "vamos, Merlin" com a voz abafada. Ele não disse mais nada naquele dia, tampouco Merlin perguntou e eles nunca tocaram no assunto. Não era como se Merlin precisasse de respostas. Ela era uma Quatro, Will um Sete; as coisas jamais dariam certo entre os dois e Merlin sabia que Will jamais a colocaria numa situação tão delicada.

A questão é que, apesar de não haver nenhuma lei que proibisse o casamento entre pessoas de castas diferentes, haviam leis que desestimulavam relacionamentos entre as castas e o processo para se oficializar a união era tão longo que a maioria dos casais acabava desistindo. No caso de Will, por exemplo, além do fato de ter que se sujeitar a ser praticamente sustentado pela esposa e se resignar a não poder dar as mesmas condições que ela teria na casa dos pais – coisa que Merlin sabia que ia contra o orgulho de Will –, se eles viessem a ter um filho, a criança seria um Sete, como Will. Como se não bastasse, ainda havia a família da garota, que dificilmente aprovaria o relacionamento.

Mas tudo que Merlin podia notar no olhar de Freya naquela noite é que ela não poderia se importar menos com tudo isso. Era óbvio que a única coisa que ela queria era que Will a olhasse de volta. Merlin sorriu consternado para ela, que devolveu o cumprimento timidamente. Will não parecia ter notado a presença dela ou a ignorava, seus olhos focados na televisão.

Aparentemente, Merlin tinha perdido o momento em que os membros do conselho falaram sobre a economia e infraestrutura – todos deveriam estar ansiosos pelo destaque da noite, a excitação do grupo de espectadores ao lado de Merlin certamente era um indício daquilo –, pois o mestre de cerimônias já subia ao pequeno palco no centro do ambiente. Os membros do conselho deveriam ter recebido instruções para deixar que o público tivesse alguma diversão e aquilo só fez com que Merlin sentisse mais repulsa pela competição.

"Boa noite, senhoras e senhores, cidadãos de Camelot. Como sabem, nas últimas semanas recebemos pelo correio os formulários de inscrição para a quinta edição d'A Seleção. É com muita satisfação que anuncio que milhares de jovens patriotas deixaram seu nome nas nossas urnas!"

Ao fundo, no extremo esquerdo, Merlin notou o príncipe remexer-se em seu assento e perguntou-se se ele estava ansioso. Depois de duas semanas analisando-o, Merlin achava que já conseguia decifrar as expressões do jovem príncipe. Não que houvesse muito ali para ler, pois ele só conseguia expressar desagrado e contragosto, na maioria das vezes.

"Em nome da família real, quero agradecer-lhes por seu entusiasmo e patriotismo. Se tudo correr conforme o planejado, comemoraremos no Ano-Novo o noivado do nosso amado príncipe Arthur com uma encantadora ou com um encantador filho de Camelot!"

Os conselheiros ali sentados aplaudiram. Arthur sorriu, mas não parecia à vontade. Quando as palmas cessaram, o mestre de cerimônias prosseguiu:

"É claro que teremos muitas horas de programação televisiva para conhecer os candidatos d'A Seleção, incluindo especiais sobre a vida no palácio. Não podemos imaginar ninguém melhor que Edwin Muirden para nos guiar durante esses dias tão emocionantes!"

Merlin girou os olhos quando Edwin Muirden entrou em cena. O homem era um ícone da mídia – portanto, obviamente um Dois. Não que Merlin não gostasse particularmente dele, mas sempre achara que seus sorrisos eram falsos e ensaiados e, apesar de seu humor sarcástico arrancar risadas de todos, sempre sentia um arrepio pela espinha quando ele sorria torto, seu lábio repuxando numa cicatriz que tomava boa parte do lado direito do seu rosto.

"Boooooooa noiteeeee, Camelot! Quero dizer que é uma grande honra participar da quinta edição d'A Seleção. Parece que foi ontem que acompanhei pela televisão, quando ainda era um garotinho, ao nosso amado Rei escolher nossa encantadora e gentil Rainha."

Edwin sorriu em direção ao Rei que devolveu um sorriso amarelo, mas isso não pareceu abalar o apresentador.

"Que sorte a minha: vou conhecer trinta e cinco belas e belos jovens! Qualquer idiota gostaria de ter meu emprego!" Edwin piscou para a câmera. "Mas antes de conhecer essas adoráveis pessoas, lembrando que uma delas subirá ao trono ao lado do nosso amado príncipe herdeiro, tenho o prazer de conversar com o homem do momento, o charmoso Príncipe Arthur."

Após essa deixa, Arthur caminhou pelo palco acarpetado até duas cadeiras que surgiam ao fundo, preparadas para ele e Edwin. O príncipe esticou a gravata e ajeitou o terno, como se precisasse ficar ainda mais arrumado, o que fez Merlin girar os olhos novamente. Ele apertou a mão de Edwin, sentou-se na frente dele e cruzou as pernas – Merlin notou que a sola do sapato do Príncipe Arthur brilhava como se nunca houvesse tocado o chão antes daquele dia.

Entretanto, a cadeira era demasiado estreita e logo Arthur optou por apoiar os pés na barra entre suas pernas. Merlin notou, surpreso, como essa simples mudança fez com que ele parecesse muito mais informal.

Merlin percebeu o suor na palma das suas mãos e secou-as distraidamente em sua calça. Ele teve que conter um arrepio que subiu por sua espinha, uma sensação esquisita de que algo estava para acontecer, mas tratou de associar aquilo à excitação que parecia tomar conta do pub.

"Olha lá o seu namorado, Merlin." Will sussurrou ao seu lado.

Merlin corou, acotovelando-o nas costelas.

"É um prazer revê-lo, Alteza." Edwin cumprimentou, na tela.

"Obrigado, Edwin. O prazer é todo meu."

Merlin notou, em desapreço, como a voz de Arthur era tão empolada como o resto. Ele emitia ondas de formalismo. Merlin torceu o nariz só de pensar em ficar na mesma sala que ele.

"Em menos de uma semana, trinta e cinco jovens vão se mudar para sua casa. Como você se sente a respeito?"

Arthur riu:

"Para ser honesto, é um pouco estressante. Imagino que deverá haver muito mais barulho em casa com tantos convidados. Mas, mesmo assim, estou ansioso para que esse dia chegue."

"Sua Alteza perguntou ao seu querido pai como ele conseguiu laçar uma esposa tão linda em sua época?"

Tanto Arthur como Edwin olharam para o rei. A câmera focalizou o homem, que parecia ter o olhar perdido num momento do passado e aquilo trouxe um incômodo ao peito de Merlin. A tristeza por trás do sorriso parecia verdadeira, tão palpável como a mesa em que Merlin se apoiava.

"Na verdade, não. Não costumamos falar muito sobre minha mãe. Nosso trabalho juntos é mais militar e administrativo, como você já deve imaginar. Não sobra muito tempo para falarmos sobre cortejo."

Algumas pessoas no bar gargalharam, o que irritou Merlin. Ele sabia como era aquele sentimento, sabia que não era fácil querer saber sobre alguém tão importante em sua vida e ter isso negado. Por um momento, encontrou-se tendo compaixão pelo Príncipe Arthur, dentre todas pessoas.

"É uma pena não termos muito tempo para conversar. Mas acho que encontrei a maneira certa de resumir suas expectativas numa simples pergunta. Como seria a pessoa ideal para você?"

Arthur recuou um pouco na cadeira. Merlin teve a impressão de que seu rosto ficou vermelho, mas não poderia dizer ao certo, provavelmente devido à maquiagem.

"Para ser franco, não tenho certeza. Acho que essa é a melhor parte d'A Seleção. Não haverá duas pessoas iguais no concurso, nem em beleza, nem em personalidade. Ao longo do processo, conhecendo todas e conversando com elas, espero descobrir o que quero," disse o príncipe, e Merlin pode notar que pela primeira vez ele estava sorrindo sinceramente. "A única certeza que tenho é que essa pessoa deve amar tanto o meu país quanto eu amo."

"Ótima resposta, Alteza. Julgo falar por todos em Camelot ao lhe desejar a melhor das sortes." Merlin ouviu algumas pessoas fazerem coro nas mesas ao seu lado e por mais surreal que isso pudesse ser, ele notou que também desejava essa mesma sorte. "Mas me diga, Príncipe Arthur, como você escolheu esses trinta e cinco candidatos?"

Merlin notou como um sorriso ameaçou nos lábios do príncipe, mas ele logo tratou de escondê-lo, como se não quisessem que descobrissem um segredo. Arthur olhou em direção ao pai, como se confirmasse que poderia prosseguir.

"Como qualquer decisão na minha vida, tive alguma ajuda do meu pai e da minha prima, a Duquesa de Cambridge." Arthur acenou em direção ao pai e Morgana.

"Ah! Claro! A Duquesa certamente deve ter tido muitas opiniões a esse respeito, não é mesmo?" Edwin ofereceu arqueando a sobrancelha sugestivamente.

"Digamos que eu tenha me divertido no processo." Morgana sorriu maliciosamente e Merlin perguntou-se porque o príncipe não poderia ser mais espontâneo, como ela.

Merlin notou como Arthur olhava para o pai durante a troca de palavras entre Edwin e Morgana, como se buscando a comprovação de que fizera a coisa certa, mas ou o rei parecia não querer respondê-lo ou a forma como ele sustentou o olhar do filho era resposta suficiente, pois logo Arthur voltou sua atenção para Edwin.

"Então, Príncipe Arthur, vamos ao anúncio dos selecionados?"

"Claro." Arthur limitou-se a dizer.

A partir de então os nomes e fotos dos selecionados começaram a surgir à direita e a imagem do príncipe foi focada, permanecendo à esquerda na tela, para que as pessoas pudessem ver sua reação ao nome de cada candidato.

"Cathryn Hansport, Greater Manchester, Dois."

"Eira Stoles, Beja-Évora, Três."

Merlin notou como a postura do Príncipe Arthur voltara a ficar rígida, assim como seu rosto, que expressava pouca ou nenhuma reação aos nomes, provavelmente porque ele já estava farto de repassar os formulários dos selecionados. Merlin não prestou atenção em nenhum dos nomes ou rostos – a maioria eram Dois ou Três e só haviam anunciado dois homens até o vigésimo selecionado. Merlin desejou que aquilo terminasse logo para poder voltar para casa.

"Mordred Lowddoc, Andaluzia, Quatro."

"Caralho! Ele é a sua cara, Merlin!" Will exclamou ao seu lado.

"Will." Hunith reprovou, lançando um olhar feroz que fez com que o garoto se encolhesse.

Merlin franziu o cenho e torceu o lábio. O rosto redondo e os cabelos encaracolados não poderiam destoar mais dos seus, mas os olhos azuis e a cor dos cabelos tinham alguma estranha semelhança. Entretanto, Merlin logo afastou aquela estranheza enquanto as próximas cinco mulheres apareciam na tela.

"Você acha…" Merlin começou a dizer, mas a voz de Edwin Muirden chamou sua atenção.

"Merlin Emrys, Ireland, Seis."

O queixo de Will caiu ao seu lado e Merlin voltou sua atenção para a televisão, onde o Merlin da foto o encarava de volta, sorridente e completamente alheio ao fato de que estava sendo transmitido em rede nacional. Ao lado esquerdo da tela, Merlin poderia jurar que a mesma sugestão de sorriso de anteriormente havia surgido nos lábios do príncipe, mas tão rápido quanto veio desapareceu novamente, quando outro nome e outro rosto substituiu o de Merlin.

Merlin estava de olhos arregalados, muito consciente que metade das pessoas do pub o encaravam, algumas garotas com olhares invejosos. Ele estava tão atônito e sem reação que era como se sua alma tivesse se desprendido do seu corpo. Sentiu, como poucas vezes antes, sua magia se rebelar contra ele e esvair-se pelos seus poros, fazendo as luzes do local piscarem por alguns segundos antes de retornarem. Sua audição sumira de repente, como se alguém tivesse colocado em mudo as vozes ao seu redor. Estava tão desorientado que não conseguiu sequer ouvir as palavras de sua mãe ao seu lado, quando ela puxou-o para fora do bar com Will.

Ele caminhou tropegamente, sua mente confusa, sem saber o que estava fazendo ao devolver os cumprimentos de conhecidos e felicitações de alguns, no caminho para casa. Como ele poderia saber o que eles estavam dizendo quando não conseguia ouvi-los, era uma incógnita.

Sua mãe permanecia estoica enquanto Will parecia exultante e, quando recuperou-se um pouco, sua audição voltando decibel por decibel – primeiro apenas um tinido como se fosse estática ao fundo antes de começar a realmente ouvir os sons ao seu redor –, Merlin só conseguia pensar na expressão de Arthur ao anunciarem seu nome. Por que ele teria escolhido Merlin, dentre milhares de pessoas? Ele poderia ter escolhido qualquer outra pessoa de Ireland e Merlin sabia sem sombras de dúvidas que qualquer uma delas estaria exultante por ter sido escolhida, além de serem muito mais aptas que ele. Então… por quê logo Merlin?

Quando enfim cruzaram a soleira da porta ao chegar em casa, Merlin caminhou – ou melhor, arrastou-se – até largar-se em uma das cadeiras à mesa da cozinha.

"Vocês dois têm muita coisa a explicar." Merlin ouviu a voz da sua mãe soar, como se vinda de muito longe.

"Foi culpa minha, tia Hunith." Will disse, sentando-se ao seu lado. "Ele nem sabia que eu…"

"Merlin, você está bem?" O tom preocupado da sua mãe chamou-o de volta a realidade, sua audição parecendo subitamente mais aguçada.

"Se eu estou bem?" Ele grunhiu. "É claro que não estou bem!" Então encarou Will ao seu lado. "Eu vou te matar." Ele tentou avançar sobre Will, mas o amigo esquivou-se, levantando-se da cadeira. Merlin levantou para correr atrás dele, mas suas pernas falharam e sua vista escureceu quando ele tombou ao chão. O último pensamento que lhe ocorrera, antes de sua mente ser entorpecida pelos sonhos confusos com o Príncipe Arthur Pendragon, foi que não havia comido nada no último dia.

1 – A maioridade, no caso, é 23 anos de idade.

2 – Os nomes das regiões dos selecionados foram escolhidos a partir dos nomes de grandes áreas administrativas de diferentes países da Europa.


Notas Finais


Nota: não farei promessas sobre postagens. Beijos.

Nota da Amy: alguém aqui está tão empolgado quanto eu por esta fic? Não é um sonho juntar "A Seleção" e Merthur? Receita de sucesso, ainda mais tão bem escrita!


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