História A Seleção - Capítulo 12


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Categorias Cole Sprouse, Lili Reinhart
Personagens Cole Sprouse, Lili Reinhart
Tags Cole Sprouse, Lili Reinhart, Sprousehart
Visualizações 21
Palavras 3.373
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - 1.2


OS CINEGRAFISTAS DERAM UMA VOLTA pela sala e depois nos deixaram aproveitar o café da manhã em

paz, não sem filmar o príncipe antes de saírem.

Eu estava um pouco perturbada com aquela eliminação súbita, mas Cole não parecia

inquieto. Ele comia tranquilamente, e ao vê-lo lembrei que seria bom acabar meu prato antes

que esfriasse. Como antes, estava bom demais. O suco de laranja era tão puro que eu fazia

questão de tomar goles pequenos, só para aproveitar melhor. Os ovos e o bacon pareciam

vindos do céu, e as panquecas estavam perfeitas, não finas como as que eu fazia em casa.

Escutei montes de pequenos suspiros pela sala e soube que não era a única que tinha

gostado da comida. Sem me esquecer de usar o pegador, tirei um pedaço de torta de morango

do cesto que estava no centro da mesa. Ao fazer isso, corri os olhos pela sala para ver se as

outras Cinco estavam gostando da refeição. Foi quando notei que era a única delas que havia

restado.

Eu não sabia se Cole tinha consciência disso — ele parecia mal saber nossos nomes —,

mas era estranho o fato de as outras duas terem saído. Se eu não tivesse conhecido o príncipe

antes de entrar naquele salão, teria sido chutada também? Ruminei essa ideia com o pedaço de

torta de morango na minha boca. Era tão doce e a massa folheada estava tão macia que cada

milímetro de minha boca se concentrou nela, consumindo todos os meus outros sentidos. Não

queria ter soltado nenhum ruído, mas aquela torta era sem dúvida a coisa mais deliciosa que já

provara. Dei outra mordida antes mesmo de engolir o que tinha na boca.

— Senhorita Lili? — uma voz me chamou.

As outras cabeças da sala viraram na direção dela, que pertencia ao príncipe Cole. Fiquei

chocada por ele se dirigir a mim, ou a qualquer uma de nós, de maneira tão informal na frente

de todos.

O pior de ter sido chamada assim de supetão era que minha boca estava cheia de comida.

Cobri-a com a mão e mastiguei o mais rápido que pude. Não levou nem dez segundos, mas

com tantos olhos postos em mim, pareceu uma eternidade. Notei o rosto orgulhoso de Madelaine

enquanto tentava limpar a boca. Ela deve ter achado que eu era uma presa fácil.

— Sim, Majestade? — respondi assim que engoli a maior parte da comida.

— O que está achando da comida?

Cole estava prestes a rir, ou por causa da minha cara de assustada ou por causa do

detalhe que havia levantado sobre nossa primeira e altamente ilegal conversa.

Tentei me manter calma.

— Excelente, Majestade. Esta torta de morango... bem, tenho uma irmã que gosta mais de

doces do que eu. Acho que ela choraria se a experimentasse. Está perfeita.

Cole engoliu um bocado de sua própria comida e recostou na cadeira.

— Acha mesmo que ela choraria?

O príncipe parecia maravilhado com a ideia. Ele tinha uma relação estranha com as mulheres e seu choro.

Pensei na resposta e confirmei.

— Sim, é isso que eu acho. Ela não consegue controlar muito bem suas emoções.

— Você apostaria dinheiro nisso? — ele perguntou rapidamente.

As cabeças de todas as meninas viravam de um lado para outro, como se elas estivessem

assistindo a uma partida de tênis.

— Se tivesse dinheiro para apostar, com certeza o faria — respondi. Agradou-me a ideia

de apostar sobre as lágrimas de alegria alheias.

— E o que gostaria de apostar em vez disso? A senhorita parece ter um talento para os

acordos.

Ele estava gostando do jogo. Muito bem. Então eu ia jogar.

— Bem, o que Vossa Alteza quer? — rebati. Depois, fiquei pensando no que poderia dar a

alguém que já tinha absolutamente tudo.

— O que a senhorita quer? — ele replicou.

Ali estava uma pergunta fascinante. Quase tanto quanto pensar no que eu poderia oferecer a

Cole era pensar no que ele poderia me oferecer. O príncipe tinha o mundo a seus pés. Então,

o que ia escolher?

Não era da Um, mas estava vivendo como se fosse. Tinha mais comida do que podia dar

conta e a cama mais confortável possível. As pessoas me serviam o tempo todo, mesmo que eu

não quisesse. Se eu precisasse de algo, bastava pedir.

A única coisa que realmente queria era algo que fizesse aquele lugar parecer menos um

palácio. Queria minha família correndo pelos corredores, ou não estar tão arrumada. Não

podia pedir uma visita, porque só tinha passado um dia ali.

— Se ela chorar, quero usar calça por uma semana — propus.

Todo mundo riu, de maneira discreta e educada. Até o rei e a rainha pareciam ter achado

meu pedido divertido. Gostei de como a rainha me olhou, como se eu tivesse me tornado

menos estranha a seus olhos.

— Feito — afirmou Cole. — E, se ela não chorar, a senhorita me deve um passeio pela

propriedade amanhã à tarde.

Um passeio pela propriedade? Era isso? Não parecia nada especial. Lembrei-me do que

Cole havia dito na noite anterior: ele era vigiado. Talvez apenas não soubesse pedir um

encontro a sós com alguém. Talvez esse fosse seu jeito de navegar em águas muito estranhas

para ele.

Alguém perto de mim soltou um resmungo. Ah! Percebi que, se perdesse, seria a primeira

garota ali a ter um encontro oficial a sós com o príncipe. Parte de mim quis renegociar, mas se

era para ajudar — como prometido — eu não podia rejeitar suas tentativas de ficar comigo.

— Alteza, seus termos são severos, mas eu os aceito — afirmei.

— Justin?

O mordomo com quem ele tinha conversado antes deu um passo à frente.

— Embrulhe as tortas de morango e envie-as para a família da senhorita Lili. Peça que

alguém espere enquanto a irmã experimenta e nos informe se ela, de fato, chora. Estou

curiosíssimo quanto a isso.

Justin apenas sacudiu a cabeça e saiu.

— A senhorita deveria escrever um bilhete dizendo que está bem para acompanhar o embrulho. Na verdade, todas vocês deveriam escrever a suas famílias. Façam isso depois do

café. Garantiremos que as cartas sejam entregues ainda hoje.

Todas as garotas sorriram e respiraram aliviadas, felizes de finalmente serem incluídas nos

acontecimentos. Terminamos o café e fomos escrever as cartas. Anne me arranjou material de

escritório, e escrevi um bilhete à minha família. Embora o começo no castelo tivesse sido bem

estranho, a última coisa que eu queria era preocupá-los. Tentei parecer contente.

Queridos papai, mamãe, May e Gerad,

Já sinto tanta falta de vocês! O príncipe pediu que

escrevêssemos para casa contando a nossa família que estamos

seguras e bem. Eu realmente estou. A viagem de avião foi um

pouco assustadora, mas de certo modo divertida também. O

mundo parece tão pequeno lá de cima!

Ganhei montes de roupas e coisas maravilhosas, e tenho três

criadas adoráveis que me ajudam a me vestir, limpam meu

quarto e me dizem para onde devo ir. Assim, mesmo que eu

fique completamente perdida, elas sempre sabem onde devo

estar e me ajudam a chegar na hora.

A maioria das garotas é tímida, mas acho que fiz uma amiga.

Lembram-se de Camila, de Kent? Eu a conheci a caminho de

Angeles. Ela é incrível e adorável. Se eu acabar voltando para

casa mais cedo, espero que ela fique até o fim.

Conheci o príncipe; o rei e a rainha também. Eles são ainda

mais nobres em pessoa. Ainda não conversei com o casal real,

só com o príncipe Cole. Ele é uma pessoa

surpreendentemente generosa... eu acho.

Preciso parar por aqui, mas amo todos vocês e sinto saudades.

Escrevo de novo assim que puder.

Com amor,

Lili

Não achei que havia nada de surpreendente no texto, mas podia estar errada. Fiquei

imaginando May lendo e relendo a carta várias vezes, à procura de detalhes escondidos da minha vida nas entrelinhas. Será que ela leria antes de comer as tortas?

P.S.: May, essas tortas de morango não fazem você chorar de

tão boas?

Pronto. Era o melhor que eu podia fazer.

Mas parece que não tinha sido bom o bastante. Um mordomo bateu à minha porta naquela

tarde com uma carta da minha família e uma informação.

— Ela não chorou, senhorita. Disse que estava tão boa que poderia ter feito isso, como a

senhora sugeriu, mas não o fez de fato. Sua Majestade virá buscá-la em seu quarto por volta

das cinco da tarde de amanhã. Por favor, esteja preparada.

Não fiquei tão irritada por perder, mas teria gostado de poder usar calça. Mas pelo menos

tinha as cartas da minha família. Eu me dei conta de que era a primeira vez que me separava

deles por mais que algumas horas. Não tínhamos dinheiro para viajar, e como não tive amigos,

nunca passara uma noite fora. Se ao menos houvesse um meio de receber cartas todos os

dias... Talvez fosse até possível, mas sairia caro.

Li primeiro a carta do meu pai. Ele insistia em dizer que eu estava linda na TV e que ele

tinha orgulho de mim. Dizia também que eu não deveria ter enviado as três caixas de torta

porque May ia acabar mimada. Três caixas! Meu Deus!

Depois, ele contou que Aspen passara em casa para ajudar com as tarefas de escritório e

levara uma das caixas para sua família. Eu não sabia como me sentir com relação a isso. Por

um lado, estava feliz por terem algo decente para comer. Por outro, imaginava Aspen

dividindo a torta com sua nova namorada. Uma namorada que ele podia mimar. Eu me

perguntava se ele tinha ficado com ciúme do presente de Maxon ou se estava feliz por se

livrar dos meus cuidados.

Detive-me naquelas linhas muito mais do que gostaria.

Meu pai concluiu dizendo estar contente por eu ter feito uma amiga, lembrando que sempre

tinha sido devagar nesse quesito. Dobrei a carta e passei o dedo pela assinatura do lado de

fora do envelope. Nunca tinha notado como sua assinatura era esquisita.

A carta de Gerad era curta e grossa: ele sentia minha falta, dizia que me amava e pedia que

eu mandasse mais comida. Dei boas gargalhadas.

Minha mãe foi mandona. Dava para notar seu tom de voz mesmo no texto escrito, naquele

seu jeito orgulhoso de dar os parabéns por ter conquistado a atenção do príncipe — Justin

contara que minha carta tinha sido a única a ser acompanhada de presentes — e de sugerir que

eu continuasse fazendo o que quer que estivesse fazendo.

Claro, mãe. Vou continuar dizendo ao príncipe que ele não tem chance comigo e a

ofendê-lo sempre que possível. Excelente plano.

Fiquei feliz por ter guardado a carta de May para o fim.

Era muito animada. Ela admitiu que tinha ficado com inveja ao saber que eu comia coisas

daquele tipo o tempo todo. Também reclamou que mamãe estava ainda mais mandona com ela.

Eu sabia como era. De resto, havia um bombardeio de perguntas: Cole era tão bonito pessoalmente como na TV? Que roupa eu estava usando naquele momento? Ele tinha um irmão

secreto disposto a se casar com ela algum dia?

Ri e abracei as cartas. Tinha que me esforçar para respondê-las logo. Devia haver um

telefone em algum lugar, tão distante que ninguém nem o mencionou. Mesmo que houvesse um

aparelho em meu quarto, seria loucura ligar todos os dias. Mas eu ia conservar aquelas cartas.

Seriam provas de que eu tinha estado ali quando aquele lugar se tornasse uma vaga lembrança.

Fui para a cama reconfortada por saber que minha família ia bem, e essa ternura acalentou

um sono gostoso, perturbado apenas pelo incômodo de saber que teria que ficar a sós com

Cole outra vez. Não sabia muito bem o motivo disso, mas esperava que não fosse nada de

mais.

— Em nome das aparências, você poderia segurar meu braço? — o príncipe pediu ao me

buscar no quarto no dia seguinte. Hesitei um pouco, mas cedi.

As criadas já tinham posto em mim um vestido para o fim de tarde: era azul, acinturado e de

alcinha. Meus braços ficavam nus, e eu podia sentir o tecido engomado do terno de Maxon

roçar minha pele. Algo nisso tudo me deixava desconfortável. Ele deve ter notado, porque

tentava me distrair.

— Sinto muito que ela não tenha chorado.

— Não, não sente — meu ar brincalhão deixava claro que eu não estava muito chateada por

ter perdido.

— Nunca tinha apostado antes. Foi bom ganhar.

Havia como que um pedido de desculpas no tom de sua voz.

— Sorte de principiante.

Ele sorriu.

— Talvez da próxima vez possamos apostar se ela ri.

Comecei imediatamente a levantar hipóteses em minha cabeça. O que no palácio faria May

rolar de rir?

Cole adivinhou que eu estava pensando nela.

— Como é sua família?

— O que você quer dizer?

— Só isso mesmo. Sua família deve ser bem diferente da minha.

— Eu diria que sim — respondi entre risos. — Para começo de conversa, ninguém em casa

usa coroa no café da manhã.

Cole sorriu de novo.

— Vocês usam coroa apenas no jantar?

— Mas é claro.

Ele soltou uma risada baixa. Comecei a pensar que o príncipe talvez estivesse bem longe de

ser o esnobe que eu supunha.

— Bem, sou a filha do meio de cinco irmãos.

— Cinco!

— Sim, cinco. A maioria das famílias por aí tem montes de filhos. Eu teria vários se

pudesse.

— Mesmo?

Cole ergueu as sobrancelhas.

— Sim — afirmei em voz baixa.

Não sabia dizer bem o motivo, mas aquele era um detalhe muito íntimo da minha vida. Só

havia outra pessoa que o conhecia. Senti um espasmo de tristeza, mas o afastei.

— Não importa. Minha irmã mais velha, Kenna, é casada com um Quatro. Ela trabalha

numa fábrica agora. Minha mãe quer que eu me case ao menos com um Quatro, mas não quero

ser forçada a parar de cantar. Amo a música, mas agora sou uma Três. É estranho... Acho que

vou tentar permanecer na música, se puder.

E continuei falando.

— Depois vem Kota. Ele é artista. Não o temos visto muito. Ele foi se despedir de mim,

mas é só. Depois eu.

Cole deu um sorriso fácil.

— Lili Reinhart — ele anunciou —, minha melhor amiga.

— Isso mesmo — respondi enfadada.

Não havia chance de eu ser a melhor amiga do príncipe. Pelo menos não ainda. Mas eu

tinha que admitir: ele era a única pessoa em quem eu realmente confiava que não fazia parte

da minha família nem era meu namorado. Bem, eu também confiava em Camila. Será que ele

pensava o mesmo de mim?

Caminhávamos lentamente em direção à escada. Ele parecia não ter pressa alguma.

— Depois de mim vem May. É a que me traiu e não chorou. Para ser sincera, fui roubada.

Não acredito que ela não tenha chorado! May é uma artista... e eu a amo muito.

Cole examinava meu rosto. Falar de May me deixava mais leve. Eu já gostava mais dele,

mas não sabia se queria deixá-lo entrar na minha vida.

— Por fim, vem Gerad, meu irmão caçula de sete anos. Ele ainda não sabe direito se vai

para a música ou para outras artes. Na verdade, ele gosta de jogar bola e estudar insetos, o

que é bom. Só que não vai conseguir ganhar dinheiro com isso. Bem, já falei de todos.

— E os seus pais?

— E os seus pais? — rebati.

— Você conhece meus pais.

— Não. Conheço a imagem pública deles. Como eles são de verdade?

Forcei seus braços para baixo. Uma façanha, já que eram enormes. Mesmo sob as camadas

de roupa, dava para sentir seus músculos fortes e retesados. Cole suspirou, mas percebi que

não o tinha irritado nem um pouco. Ele parecia gostar de ter alguém para infernizá-lo. Devia

ser triste crescer sem irmãos naquele lugar.

O príncipe começou a pensar em sua resposta assim que pusemos os pés no jardim. Os

guardas abriam sorrisinhos maliciosos à nossa passagem. Um pouco mais adiante estava a

equipe de filmagem. Claro que eles queriam estar presentes no primeiro encontro do príncipe.

Com um movimento de cabeça, Cole fez todos se retirarem imediatamente para dentro.

Escutei alguém xingar. Não que eu estivesse ansiosa para ser filmada, mas estranhei a

dispensa.

— Você está bem? Parece tensa — comentou Cole.

— Você fica confuso com choro de mulher, e eu com caminhadas ao lado de príncipes —

disse, dando de ombros.

Cole riu baixo, mas permaneceu calado. Caminhávamos na direção oeste. O sol se escondia atrás da enorme floresta da propriedade, embora ainda fosse cedo. A sombra nos

cobriu como uma tenda de escuridão. Era ali que gostaria de ter ido na noite em que o

encontrei pela primeira vez. Parecíamos estar realmente a sós agora. Continuamos a caminhar,

para longe do palácio e dos ouvidos dos guardas.

— Por que deixo você confusa?

Hesitei, mas contei o que sentia:

— Seu caráter. Suas intenções. Não sei direito o que esperar dessa nossa voltinha.

— Ah.

Ele parou de andar e me encarou. Estávamos bem próximos. Apesar da brisa quente de

verão, um calafrio percorreu minha espinha.

— Acho que você já percebeu que não sou um homem que se esconde. Vou dizer

exatamente o que quero de você.

Cole deu um passo em minha direção.

Minha respiração parou. Eu acabara de me meter na situação que mais temia. Nada de

guardas, nada de câmeras, ninguém para evitar que ele fizesse sua vontade.

Minha perna reagiu automaticamente. Sim. Dei uma rasteira na Sua Majestade. Com

força.

Ele berrou e se levantou rapidamente, cambaleando enquanto me afastava.

— Por que fez isso?

— Se encostar um dedo em mim, vou fazer pior! — ameacei.

— O quê?

— Se você encostar um dedo em mim...

— Não, sua louca. Eu ouvi da primeira vez — ele interrompeu, com uma careta de dor. —

Mas o que quer dizer com isso?

Meu corpo foi tomado pelo calor. Eu havia pensado no pior e lutava contra algo que não

tinha a menor chance de acontecer.

Os guardas acorreram, alertados por nossa briguinha. Cole, meio envergado e capenga,

deu um sinal para que voltassem.

Permanecemos em silêncio por alguns momentos. Ele já tinha superado o pior da dor e

passara a me observar.

— O que achou que eu queria? — o príncipe perguntou.

Abaixei a cabeça e corei.

— Lili, o que você achou que eu queria?

Sua voz soava irritada. Mais que isso: ofendida. Obviamente, ele adivinhara meus

pensamentos e não gostara nada deles.

— Em público? Você pensou... por Deus! Eu sou um cavalheiro!

Ele ameaçou sair, mas voltou.

— Por que se ofereceu para ajudar se me considera tão baixo?

Eu não conseguia encará-lo. Não sabia como explicar que fora induzida a me preparar para

um monstro; que a escuridão e a privacidade tinham me deixado insegura; que só havia ficado

a sós com um único garoto.

— Você jantará em seu quarto hoje. Cuido disso amanhã de manhã.

Esperei no jardim até ter certeza de que todas as outras já estavam na sala de jantar. Em

seguida, circulei pelo corredor antes de entrar no quarto. Annie, Mary e Lucy estavam uma ao

lado da outra quando entrei. Não tive coragem de contar que não passara todo aquele tempo

com o príncipe.

Meu jantar já havia sido servido na mesa perto da sacada. Eu estava com tanta fome que

consegui parar de pensar em como tinha sido ridícula. Mas não era por causa de minha longa

ausência que elas estavam inquietas. Havia uma caixa enorme na minha cama, implorando

para ser aberta.

— Podemos ver? — pediu Lucy.

— Lucy! Que falta de educação! — reprovou Anne.

— Deixaram aqui assim que a senhorita saiu. Desde então, estamos curiosas! — exclamou

Mary.

— Mary! Tenha modos! — ralhou Anne.

— Não se preocupem, meninas. Não tenho segredos.

Quando me enxotassem na manhã seguinte, eu explicaria tudo a elas.

Dei um sorriso amarelo e comecei a desfazer o laço grande e vermelho da caixa. Dentro

havia três calças. Uma de linho, outra mais formal, de tecido macio, e um jeans maravilhoso.

Sobre elas, havia um cartão com o brasão de Illéa.

Você pede coisas tão simples que sou incapaz de negá-las.

Mas, por mim, use apenas aos sábados.

Obrigado por sua companhia.

De seu amigo,

Cole


Notas Finais


Lili meio doida kkkk


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