História A Seleção - Capítulo 16


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Categorias Cole Sprouse, Lili Reinhart
Personagens Cole Sprouse, Lili Reinhart
Tags Cole Sprouse, Lili Reinhart, Sprousehart
Visualizações 16
Palavras 2.385
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


6/10🦊

Capítulo 16 - 1.6


AO ACORDAR NA MANHÃ SEGUINTE, senti minhas pálpebras pesadas. Esfreguei os olhos para me

livrar daquele resto de mágoa, feliz por ter contado tudo a Cole. Parecia estranho que o

palácio — aquela bela jaula — fosse o único lugar onde eu podia me abrir de verdade sobre

meus sentimentos.

A promessa feita pelo príncipe na noite anterior me dava a certeza de que eu ficaria segura

ali. Todo esse processo de filtrar trinta e cinco garotas para escolher uma consumiria

semanas, talvez meses. Tempo e espaço eram tudo que ele precisava. Eu não tinha muita

certeza de que conseguiria esquecer Aspen. Ouvi minha mãe dizer que o primeiro amor

permanece para sempre. Mas talvez com o tempo eu voltasse a me sentir normal mais cedo ou

mais tarde.

Minhas criadas não perguntaram nada sobre meus olhos inchados; apenas cuidaram para

que voltassem ao normal. Não falaram do meu cabelo bagunçado; apenas o ajeitaram.

Apreciei esse gesto. Não era como em casa, onde todos viam minha tristeza e não faziam nada

a respeito. Ali pude sentir que todos estavam preocupados comigo e acreditavam que,

independentemente do que fosse, eu superaria. Sua reação era me tratar com um carinho

extremo.

Por volta das nove eu estava pronta para começar o dia. Aos sábados não havia rotina nem

programação. Era a única vez na semana em que tínhamos que permanecer o dia inteiro no

Salão das Mulheres. O palácio recebia visitas aos sábados, e já estávamos avisadas de que

alguma delas poderia querer nos conhecer. Isso não me entusiasmava muito, mas ao menos eu

ia usar a calça jeans nova pela primeira vez. Obviamente, nunca uma calça me caiu tão bem na

vida. Como minha relação com Cole era boa, tinha esperança de que ele me deixasse levá-la

quando fosse embora.

Desci as escadas devagar, um pouco cansada por ter ido dormir tarde. Antes mesmo de

chegar ao Salão das Mulheres, já podia ouvir o burburinho das vozes das garotas. Quando

entrei, Camila me agarrou pelo braço e me arrastou até duas cadeiras no fundo do salão.

— Finalmente! Estava à sua espera — ela exclamou.

— Desculpe, Cami. Tive uma noite longa e dormi demais.

Ela se virou para mim, provavelmente percebendo a nota de tristeza na minha voz, mas com

muita doçura comentou a calça nova:

— É fantástica!

— Eu sei. Nunca tinha usado nada assim.

Minha voz se elevou um pouco. Decidi retomar minha velha regra: nada de Aspen.

Expulsei-o da cabeça e me concentrei na segunda pessoa de quem mais gostava no palácio.

— Desculpe ter feito você esperar. O que queria dizer?

Camila hesitou. Mordeu os lábios e sentou-se. Não havia ninguém por perto. Ela estava

querendo contar um segredo.

— Na verdade, pensando agora, talvez eu não devesse falar nada para você. Às vezes

esqueço que estamos competindo.

Hum... O segredo envolvia Cole. Eu tinha que saber.

— Sei como é, Camila. Mas acho que podíamos ser amigas de verdade. Não consigo ver

você como uma inimiga, sabe?

— É. Você é tão doce. E as pessoas te adoram. Quer dizer, você provavelmente vai

ganhar... — ela disse, um pouco derrotista.

Tive que me segurar para não rir.

— Camila, posso contar um segredo? — perguntei, com a voz cheia de carinho e

sinceridade. Esperava que ela acreditasse em minhas palavras.

— Claro, Lili. Qualquer coisa.

— Não sei quem vai ganhar isso aqui. Mesmo. Pode ser qualquer uma nesta sala. Acho que

todas pensam em si mesmas, mas eu sei que, se não for a escolhida, quero que seja você. Você

parece generosa e justa. Acho que daria uma ótima princesa. De verdade.

Era quase a verdade.

— E você parece inteligente e elegante — ela comentou em um tom baixo. — Seria uma

ótima princesa também.

Abaixei a cabeça, agradecida. Era gentil da parte dela pensar isso de mim. Ficava um

pouco desconcertada quando falavam assim, mas... Minha mãe, May, Mary... era difícil

acreditar na quantidade de gente que pensava que eu daria uma boa princesa. Por acaso eu era

a única pessoa a ver meus defeitos? Não era refinada. Não sabia ser mandona nem

superorganizada. Na verdade eu era egoísta e geniosa, e não gostava de aparecer na frente dos

outros. Não era corajosa, e esse emprego exigia coragem. Sim, emprego: não se tratava só de

um casamento, mas de um cargo.

— Penso isso de um monte de meninas — confessou Camila. — Tipo, cada uma delas tem

uma qualidade que não tenho, então sinto que são melhores que eu.

— Aí é que está, Camila. Você provavelmente vai encontrar uma coisa especial em cada

menina neste salão. Mas quem sabe exatamente o que Cole procura?

Ela concordou com a cabeça.

— Por isso — continuei —, não vamos nos preocupar. Pode me contar o que quiser.

Guardo seus segredos se guardar os meus. Vou me apoiar em você, e, se quiser, pode se

apoiar em mim. É bom ter amigas aqui.

Ela sorriu e olhou ao redor para garantir que ninguém estava ouvindo.

— Cole e eu tivemos aquele encontro.

— É? — perguntei.

Dei a impressão de estar curiosa demais, só que não pude evitar. Queria saber se o príncipe

tinha sido menos travado com ela. Queria saber se ele tinha gostado dela.

— Ele enviou uma carta para minhas criadas perguntando se eu poderia vê-lo na quinta.

Sorri quando ouvi Camila contar isso, lembrando como na quarta-feira ele e eu tínhamos

decidido eliminar essas formalidades. Ela continuou:

— Respondi que sim, claro, como se eu fosse capaz de negar! Ele foi me buscar e demos

uma volta pelo palácio. Ficamos falando de cinema, e ele gosta de vários filmes que eu

também gosto. Então descemos as escadas para o porão. Você chegou a ver o cinema que tem

lá?

— Não.

De fato, eu nunca estivera em um cinema. Não via a hora de ela começar a descrevê-lo.

— Ah, é perfeito! Os assentos são grandes e reclináveis e tem até uma pipoqueira lá.

Cole estourou uma porção só para nós dois! Foi tão fofo, Lil. Na primeira vez, ele

errou na medida de óleo e queimou a pipoca. Teve que chamar alguém para limpar antes de

tentar de novo.

Fiz uma cara de decepção. Bonito, Cole, muito bonito. Pelo menos Camila tinha achado

romântico.

— Então a gente viu um filme e na parte romântica, no fim, ele segurou minha mão! Pensei

que fosse desmaiar. Quer dizer, eu tinha segurado o braço dele enquanto caminhávamos, mas

isso é normal. Naquela hora ele segurou minha mão... — concluiu Cami antes de suspirar e

soltar o corpo na cadeira.

Comecei a rir alto. Ela estava completamente caída por ele. Sim, sim, sim!

— Não vejo a hora de sairmos de novo. Ele é tão lindo, não acha?

— É, ele é bonitinho — respondi, depois de uma pausa.

— Ah, Lili! Você deve ter reparado naqueles olhos e naquela voz...

— Menos quando ele ri! — repliquei, lembrando que a risada de Cole era meio esquisita.

Fofa, mas esquisita. Ele dava uns soluços fortes e depois puxava o ar fazendo um barulho que

parecia outra risada.

— Está bem, a risada dele é esquisita, mas é bonitinha.

— Claro, se você gosta de ouvir o adorável som de uma crise de asma cada vez que conta

uma piada.

Camila se rendeu e levou as mãos à barriga de tanto rir.

— Está bem, está bem — ela disse, recuperando o fôlego. — Mas deve ter algo nele que

você ache atraente.

Abri minha boca para dizer algo, mas fechei. Fiz isso umas três vezes. Minha vontade era

dar outra cutucada, mas não queria que Camila o visse de um jeito negativo. Pensei no que

dizer.

O que era atraente em Cole?

— Bem, gosto quando ele abre a guarda. Como quando fala sem escolher muito as palavras,

ou quando você nota que ele está olhando alguma coisa e... e vendo mesmo a beleza daquilo.

Camila sorriu. Eu sabia que ela ainda não tinha visto esse lado dele.

— E gosto de como parece ficar mesmo envolvido quando estamos com ele, sabe? Como se

apesar de ter um país para administrar e milhares de coisas para fazer, ele esquecesse tudo

quando está do seu lado. Ele se empenha naquilo que está diante dele. Gosto disso. E —

continuei — não conte a ninguém, mas... os braços dele. Gosto dos braços dele.

Corei no final. Que burrice... Por que não me limitei a comentários genéricos sobre as

coisas boas na personalidade dele? Por sorte, Camila não teve problemas em continuar o

assunto.

— Sim! Dá para sentir os braços debaixo daquele paletó grosso, não é? Ele deve ser

superforte — ela emendou.

— Por que será? Quer dizer, para que ser tão forte? Ele trabalha sentado. É estranho.

— Talvez ele goste de fazer poses em frente ao espelho — gracejou Camila, fazendo careta

e flexionando os bracinhos fracos.

— Há, há, há! Aposto que é isso. Mas duvido que você tenha coragem de perguntar!

— Sem chance!

Pareceu que a noite tinha sido maravilhosa para ela. Por que Cole evitara falar desse

encontro? Se fosse levar em conta a reação dele, diria que o encontro nem tinha acontecido.

Timidez?

Olhei ao redor do salão e vi que mais da metade das garotas parecia tensa ou infeliz.

Angelina, Elle e Sophia escutavam algo que Holland contava. Ela parecia sorridente e animada,

mas o rosto de Angelina estava franzido de preocupação, ao passo que Elle roía as unhas.

Sophia estava com a cabeça longe, apalpando a região abaixo da orelha, como se estivesse

dolorida. Fazendo jus à fama, Madelaine falava algo cheia de empáfia. Camila percebeu meu

olhar e explicou o que acontecia.

— As garotas de cara amarrada são as que ainda não tiveram um encontro com o príncipe.

Na quinta, ele me disse que eu era a segunda só naquele dia. Ele está mesmo querendo

conhecer todas.

— Você acha que é isso?

— É. Quer dizer, olhe só a gente. Estamos bem porque já ficamos a sós com ele. Ambas

sabemos que ele gostou de nós o suficiente para não nos enxotar logo em seguida. Há uma

divisão entre aquelas que tiveram seu momento com o príncipe e as outras, que estão

preocupadas. Acham que ele não está interessado nelas e que só vai vê-las quando for mandá-

las embora.

Por que ele não tinha dito nada disso? Não éramos amigos? Um amigo contaria esse tipo de

coisa. Ele já tinha marcado encontro com uma dúzia de garotas com base apenas no sorriso de

cada uma. Tínhamos ficado a maior parte da noite anterior juntos, e ele só me tinha feito

chorar. Que tipo de amigo guarda os próprios segredos enquanto faz o outro botar os dele para

fora?

Tuesday, que até então estava ouvindo Camille com uma expressão de ansiedade no rosto,

levantou-se da cadeira e olhou ao redor. Descobriu Camila e eu no canto e logo veio em nossa

direção.

— O que vocês fizeram no encontro? — perguntou de supetão.

— Oi, Tuesday — Camila cumprimentou de um jeito alegre.

— Shhhh! — gritou Tuesday. Depois se virou para mim e prosseguiu: — Então, Lili.

Fale.

— Já contei.

— Não. No encontro da noite passada!

Uma criada veio nos oferecer chá e eu estava pronta para aceitar, mas Tuesday mandou-a

embora.

— Como...?

— Holland viu vocês dois juntos e contou — disse Camila, em uma tentativa de explicar o mau

humor de Tuesday. — Você é a única que esteve a sós com ele duas vezes. Muitas garotas

ainda não o viram e estão reclamando. Acham uma injustiça. Mas não é culpa sua ele gostar de

você.

— Mas é completamente injusto — explodiu Tuesday. — Eu ainda não o vi fora das

refeições, nem de passagem. O que vocês dois fizeram?

— Nós... hã... fomos ao jardim. Ele sabe que gosto de sair. Só conversamos.

Fiquei nervosa como se estivesse em uma enrascada. O rosto de Tuesday era tão ameaçador

que desviei o olhar. E vi que uma porção de garotas nas mesas mais próximas escutava nosso

diálogo.

— Só conversaram? — ela perguntou, cética.

— Isso mesmo — respondi, dando de ombros.

Tuesday saiu bufando. Foi até a mesa de Kriss e, de um jeito bem ríspido, mandou-a repetir

sua história. Eu, porém, estava atônita.

— Você está bem, Lili? — Camila perguntou, trazendo-me de volta à realidade.

— Sim, por quê?

— Você parece irritada — ela comentou, com o rosto cheio de preocupação.

— Não é nada. Não estou irritada. Está tudo ótimo.

De repente, em um movimento tão rápido que eu não teria conseguido ver se não estivesse

perto, Dove Cameron — uma Quatro que trabalhava na roça — inclinou-se para a frente e

desferiu um tapa na cara de Madelaine.

Quase todo mundo, incluindo eu, soltou uma exclamação de espanto. Quem não viu logo se

virou para a mesa das duas perguntando o que tinha perdido. Tiny foi uma dessas, e sua voz

aguda ecoou pelo silêncio que tinha se formado no salão.

— Ah, não, Dove, não... — lamentou Sophia com um suspiro.

Um instante depois, Anna começou lentamente a compreender o que tinha feito. Ela seria

mandada para casa. Não podíamos agredir fisicamente outra Selecionada. Sophia chorava

quando Dove se sentou, perdida em um silêncio perplexo. Tanto uma como a outra eram

originárias de fazendas e tinham ficado amigas em pouco tempo. Eu não podia imaginar como

me sentiria se Camila saísse de repente.

Só conhecia Dove de vista. Ela sempre pareceu ser uma criatura explosiva. Mas eu sabia

que não era da natureza dela agredir alguém. Tinha passado boa parte do ataque rebelde de

joelhos, orando.

Não havia dúvida de que ela havia sido provocada, mas ninguém estava sentado perto o

suficiente para provar. Seria a palavra de Dove contra a de Madelaine. Só que Madelaine tinha um

salão inteiro de testemunhas do tapa que levou. Talvez insistissem com Cole para mandar

Dove embora como um exemplo.

Os olhos de Dove começaram a se encher de lágrimas. Madelaine se levantou, sussurrou algo

em seu ouvido e saiu do salão a passos rápidos.

Dove foi despachada antes da hora do jantar.



Notas Finais


O próximo capítulo e bem grandinho então vai demorar pra postar, são umas 13 páginas.


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