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História A Seleção de Konoha - Capítulo 27


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Capítulo 27 - Cicatriz


Fanfic / Fanfiction A Seleção de Konoha - Capítulo 27 - Cicatriz

Apesar de eu ter estado no meio do tiroteio, aquilo não parecia real. Ainda assim, não havia como negar a dor que queimava e aumentava a cada segundo. 

Olhei para os lados. A cidade estava totalmente deserta.

Comecei a caminhar, sem sair das sombras. Não fazia ideia de onde ir. Não sabia se tentar voltar ao palácio era uma boa ideia. Mas, mesmo que fosse, não saberia o caminho.

Meu Deus, como queimava. Era difícil pensar. 

Não havia para onde ir, então caminhei até um beco mal iluminado e me escondi atrás de umas latas de lixo. Desgrudei a manga da ferida, com cuidado para não a irritar mais do que o necessário. Minhas mãos tremiam, com o medo e a adrenalina. Mordi os lábios na tentativa de não gritar, mas mesmo assim meus gemidos ecoaram na noite.

— O que aconteceu? — uma voz fraca e aguda perguntou.

Levantei a cabeça bruscamente para descobrir quem tinha perguntado. Encontrei dois olhos brilhantes nas profundezas do beco.

— Quem está aí? — perguntei, com a voz trêmula.

— Não vou machucá-la. — ela respondeu. — Também estou tendo uma noite ruim.

A menina — eu lhe daria uns quinze anos — saiu das sombras e veio olhar meu braço.

— Deve estar doendo muito. — ela comentou, solidária.

— Fui baleada. — eu disse, quase chorando. Aquilo queimava tanto…

— Baleada?

Fiz que sim com a cabeça.

Ela me olhou hesitante, como se considerasse sair correndo.

— Não sei o que você fez nem quem você é, mas não mexa com os rebeldes, certo?

— Como é?

— Não faz muito tempo que cheguei aqui, mas sei que as únicas pessoas armadas são os rebeldes. 

Eu nunca havia pensado nisso, apesar de todas as vezes que tínhamos sido atacados. Ninguém que não fosse soldado podia ter armas. Só um rebelde conseguiria driblar a proibição.

— Qual o seu nome? — a menina perguntou.

— Saku. — respondi.

— Me chamo Moegi. Parece que você é nova na oitava casta. Suas roupas estão bem limpas.

— É mais ou menos isso. — desconversei.

— Você vai morrer de fome se ficar aqui sozinha. Tem algum lugar para ir?

— Não exatamente. — respondi, me contorcendo de dor.

— Eu vivia sozinha com meu pai. Éramos Quatro. Tínhamos um restaurante, mas minha avó criou uma espécie de regra para quando meu pai morresse: o restaurante passaria para minha tia, não para mim. Acontece que essa tia me odeia. Ela ficou com o restaurante, mas também comigo, e não gostou. Ela começou a me bater e me negava comida. Então fugi. Peguei dinheiro, mas não o suficiente. Ainda que bastasse, fui roubada na minha segunda noite aqui.

Eu observava Moegi falar. Ela tentava ser durona. Tinha que ser. O que mais ela podia fazer?

— Conheci umas garotas esta semana. Trabalhamos juntas e dividimos o lucro. Se você consegue ignorar o que está fazendo... Mas eu sempre choro depois. É por isso que me escondo depois. Se as outras me veem chorando, fazem minha tia parecer uma santa. Enfim, você é bonita. Sei que elas ficariam felizes se você se juntasse a nós.

Meu estômago começou a revirar enquanto eu tentava entender aquela proposta. Em pouco tempo, aquela menina tinha perdido a família, o lar e a si mesma.

No entanto, estava ali na minha frente, na frente de uma pessoa que fora perseguida por rebeldes, o que só podia significar perigo. Mesmo assim estava sendo legal comigo.

— Não dá para levar você ao médico, mas temos alguma coisa que pode aliviar a dor.

Tentei me concentrar na minha respiração. Embora Moegi me distraísse, aquela conversa não diminuía a minha dor.

— Você não é de falar muito, né? — perguntou.

— Não depois de levar um tiro. 

Ela achou graça, e seu riso fácil me fez rir também, um pouco. Moegi sentou ao meu lado. Fiquei feliz por não estar só.

— Vou entender se você não quiser vir comigo…

— Eu… Podemos ficar em silêncio por um minuto? — pedi.

— Claro. Quer que faça companhia?

— Por favor.

E ela fez. Tinha a sensação de que já se passara uma eternidade, mas na verdade não tinham sido nem vinte minutos. O desespero começou a bater. Não tinha ideia de como fazer contato com Naruto.

Será que Naruto estava bem? E Sasuke?

Estavam em menor número, mas armados. Será que reconheceram Naruto também? Se sim, o que teriam feito com ele?

— Shhh… — ordenei, embora Moegi não tivesse feito qualquer ruído. — Está ouvindo?

Nós duas prestamos atenção na rua.

— … Naru. — alguém gritava. — Venha, Saku, é o Naru.

Usar aqueles nomes tinha sido ideia de Sasuke, com certeza.

Levantei com dificuldade e fui até a saída do beco; Moegi vinha logo atrás. Vi o caminhão descer a rua em marcha lenta. Cabeças para fora das janelas, à minha procura.

Olhei para trás.

— Moegi, quer vir comigo?

— Para onde?

— Prometo que terá emprego e comida de verdade, e ninguém vai bater em você.

— Então não me importa para onde. Eu vou. — ela diz, com os olhos cheios de lágrimas.

Caminhamos pela rua, perto dos prédios.

— Naru! — gritei ao me aproximar. — Naru!

O caminhão freou, e Naruto, Sasuke e Hatake correram para fora.

Soltei Moegi ao ver os braços abertos de Naruto. Ele me apertou e acabou por acertar a ferida. Soltei um grito.

— O que houve? — ele perguntou.

— Levei um tiro.

Sasuke nos separou e agarrou meu braço.

— Podia ter sido bem pior. Suponho que queremos o médico fora disso, certo? — ele questionou, olhando para Naruto.

— Não quero que ela sofra. — Naruto disse.

— Alteza! — Moegi saudou, pondo-se de joelhos. 

— Esta é Moegi. — eu disse, sem acrescentar mais nada. — Vamos entrar.

Naruto passou o braço pelas minhas costas e me acompanhou até a traseira do caminhão. 

— Tinha certeza de que levaríamos a noite toda para encontrar você. — comentou, preocupado.

— Eu também, mas estava com muita dor para conseguir ir muito longe. Moegi me ajudou.

— Então cuidaremos dela. Prometo.

Naruto, Moegi e eu entramos na traseira do caminhão. O assoalho de metal me pareceu estranhamente reconfortante durante a volta ao palácio.
 

Foi Sasuke quem me tirou do caminhão e me carregou às pressas para um quarto. O lugar era menor que o meu banheiro e tinha duas camas e uma cômoda. Alguns bilhetes e fotos conferiam certa personalidade ao lugar. De resto, era bem vazio, apesar de estar lotado no momento: Sasuke, o soldado Hatake, Naruto, Moegi e eu ocupávamos cada centímetro disponível. 

Sasuke me colocou deitada em uma das camas. Meu braço latejava.

— Precisamos chamar o médico. — Naruto disse, mas dava para ver que não estava nem um pouco confiante para fazer aquilo.

— Não chamem. — supliquei. Chamar o médico implicava contar toda a verdade ou inventar uma mentira estapafúrdia.

— Ela pode pegar uma infecção. O beco era muito sujo, e eu a toquei. — Moegi confessou.

Uma pontada de dor queimou em meu braço.

— Shizune. Chamem Shizune. — falei por entre dentes.

— Quem? — Naruto perguntou.

— Uma das criadas. — explicou Sasuke. — Kakashi, traga Shizune e uma caixa de primeiros socorros. Temos que dar um jeito nisso. E nela também. — completou, indicando Moegi.

— Você é uma criminosa? Uma fugitiva? — Naruto inquiriu a garota.

— Não esse tipo de criminosa. Fugitiva, sim, mas ninguém está à minha procura. 

— Bem-vinda a bordo. Siga Hatake até a cozinha e diga à sra. Yoshida que vai trabalhar com ela por ordens do príncipe. Peça para ela vir até a ala dos soldados imediatamente.

— Yoshida. Sim, Alteza.

Finalmente, fiquei a sós com Naruto e Sasuke. Dava para sentir o peso dos nossos segredos naquele ambiente já bastante constrito.

— Como vocês escaparam? — perguntei.

— Neji, Yugao e Konohamaru ouviram os tiros e correram para ajudar. — contou Naruto.

Naruto fez uma pausa. De repente, ficou triste e distante.

— Konohamaru não conseguiu escapar.

Balancei a cabeça. Não sabia nada sobre o menino, mas ele tinha morrido para nos salvar naquela noite. Me senti culpada como se eu mesma tivesse tirado sua vida.

Assenti com a cabeça, apertando os lábios para não chorar mais. 

Ficamos em silêncio pelo que me pareceu um longo tempo.

— Deve ser muito bom contar com uma devoção assim. — Naruto falou de repente.

Sasuke e eu levantamos o olhar e vimos que ele observava a parede atrás de mim. Ao lado de uma foto de seus pais, havia um bilhete escrito para Sasuke.

Sempre vou te amar. Esperarei por você para sempre. Estou do seu lado, aconteça o que acontecer.

Minha caligrafia era mais desleixada um ano antes, quando deixara aquele papel para Sasuke. O bilhete estava repleto de corações bregas, mas ainda dava para entender a importância das palavras. 

Naquele instante, meu medo era de que Naruto reconhecesse minha letra.

— Deve ser bom ter alguém a quem escrever. Nunca tive o luxo de poder escrever ou receber cartas de amor. — Naruto comentou, com um sorriso triste. — Ela manteve a palavra?

— Ficou mais difícil escrever. — Sasuke respondeu, sem encarar Naruto. — Mas sei que ela está do meu lado, aconteça o que acontecer.

Observei-o. De certa forma, ele tinha razão. Mas… e as palavras no papel? Aquele amor imenso que me dominava por inteiro? Já não existia mais.

Será que Sasuke ainda contava com ele?

Voltei o olhar para o rosto de Naruto, e sua tristeza revelava uma ponta de inveja. Se ele soubesse que o homem que eu tinha amado e Sasuke eram a mesma pessoa, com certeza ficaria arrasado. 

— Escreva logo para ela. — Naruto aconselhou. — Não deixe que ela esqueça.

— Por que estão demorando tanto? — Sasuke resmungou, saindo do quarto, sem se dar ao trabalho de responder.

Naruto se voltou para mim.

— Sou tão inútil. Não faço ideia de como ajudar você. Pensei que pelo menos poderia tentar ajudá-lo. Ele salvou nossas vidas esta noite. Pelo jeito apenas o deixei chateado. 

— Todos estamos nervosos. Está tudo bem. — eu disse, para confortá-lo.

Ele soltou um riso nervoso e se ajoelhou ao lado da cama.

— Você está aí deitada, com uma ferida aberta no braço, e ainda tenta me consolar. Você é incrível. 

— Se um dia resolver me escrever uma carta de amor, pode começar assim. — brinquei.

Naruto sorriu.

— Não há nada que eu possa fazer por você?

— Segura minha mão? Só não com muita força.

Naruto enlaçou os dedos na minha mão já bem fraca. 

— Provavelmente não vou. Escrever uma carta de amor, quero dizer. Procuro evitar constrangimentos sempre que possível. 

— Você não consegue planejar guerras, não sabe cozinhar e se recusa a escrever cartas de amor… — provoquei.

— Exato. Minha lista de defeitos não para de crescer. — ele disse, brincando com os dedos na minha mão. 

— Tudo bem, então. Vou ter que continuar adivinhando seus sentimentos, já que você se recusa a escrever uma carta. Com caneta roxa. E coraçõezinhos no lugar dos pingos nos is.

— Que é exatamente como eu faria. — ele disse, fingindo seriedade.

Comecei a rir baixinho.

— Mas não acho que você precise adivinhar meus sentimentos… — continuou Naruto.

— Bom — eu disse, e foi ficando cada vez mais difícil respirar —, você nunca falou de fato, em voz alta.

Naruto abriu a boca para argumentar, mas se calou. Ele tinha deixado transparecer em dezenas de gestos românticos ou entre as palavras que dizia… mas falar de fato ele nunca tinha feito. 

— Senhorita? — Shizune apareceu, preocupada.

Naruto se afastou, soltando minha mão para abrir espaço para ela.

Shizune se concentrou na ferida.

— Você precisa de pontos. Não sei se temos algo para anestesiá-la completamente. — ela avaliou.

— Tudo bem. Apenas faça o melhor que puder. — eu disse. Só a presença dela me acalmava.

— Certo. Alguém traga água fervente. A bolsa de primeiro socorros deve ter antisséptico, mas quero água também.

— Eu pego. — disse Temari, que estava ao pé da porta com o rosto contorcido de preocupação.

— Temari. — murmurei, voltando a chorar baixinho.

Só então juntei os pontos daquela história de sra. Yoshida. Claro que Temari e Shikamaru não poderiam continuar com o mesmo sobrenome. Estavam escondidos bem debaixo do nariz do rei.

— Já volto, Sakura. — ela saiu apressada.

Shizune logo absorveu o choque da presença de Temari, sem perder o equilíbrio. Observei quando ela tirou agulha e linha da caixa. Era um consolo saber que ela havia costurado quase todas as minhas roupas. Meu braço não seria um problema.

Temari voltou com uma jarra de água fervente, uma pilha de toalhas e uma garrafa com um líquido amarelado.

— É para a dor. — ela disse se aproximando com a garrafa.

Ela ergueu minha cabeça para que eu pudesse beber. Bebi, odiando cada gota.

— Estou feliz por você estar aqui. — sussurrei.

— Sempre estarei ao seu lado, Sakura. — falou, com um sorriso.

— Essas paredes abafam bem o som? — Shizune perguntou.

— Muito bem. Não escuto muita coisa neste canto do palácio. — Sasuke respondeu.

— Ótimo. — ela disse. — Pois bem, todos para o corredor. Senhorita Temari, preciso de mais espaço, mas você pode ficar.

Logo, todos tinham saído. A porta se fechou, e Shizune começou a trabalhar imediatamente.

— Segure. — ela disse ao me entregar a toalhinha. — Morda quando doer.

Concordei com a cabeça.

— Os pontos não vão doer tanto quanto a desinfecção. Posso ver que está bem sujo daqui, de modo que precisarei limpar muito bem. A senhorita ficará com uma cicatriz, mas vou tentar deixá-la o menor possível. Vamos costurar mangas folgadas nos seus vestidos para cobri-la enquanto sara. Ninguém vai descobrir.

Assim que terminou de falar, molhou uma toalha e a segurou a alguns centímetros do ferimento.

— Pronta?

Fiz que sim com a cabeça.

Mordi a toalha na esperança de abafar os gritos. Com certeza todos no corredor podiam escutar, mas provavelmente eram os únicos. 

— Vai acabar logo, Sakura. — Temari prometeu. — Pense em algo feliz. Pense em sua família.

Tentei. Lutei para trazer à mente a risada de minha mãe ou o sorriso sabichão de meu pai, mas eles não duravam — desapareciam com uma nova onda de dor.

Como Temari conseguira sair viva dos açoites?

Uma vez limpa a ferida, Shizune começou a dar os pontos. Ela tinha razão: não doíam tanto. Não sei se de fato eram menos dolorosos ou se a bebida tinha começado a fazer mais efeito. De fato, tive a sensação de que as paredes do quarto já não estavam tão retas.

Então as pessoas voltaram. Conversavam sobre os acontecimentos, sobre mim. Quem ficava, quem saía, o que dizer de manhã… Detalhes com os quais eu era incapaz de contribuir naquele momento.

No fim das contas, foi Naruto quem me carregou até o quarto.

— Como se sente?

— Seus olhos parecem o céu da tarde. — balbuciei.

Ele sorriu.

— E os seus parecem esmeraldas.

— Posso tomar água?

— Sim. Litros. — prometeu. — Vamos levá-la para cima. — ele disse a alguém. E eu adormeci com o balanço de seus passos.

 

Acordei com dor de cabeça. Um pouco chorosa, levei a mão à testa, mas dei um grito quando senti a dor aguda no braço.

— Aqui. — disse Samui, me entregando dois comprimidos e um copo d'água.

Sentei devagar para tomar, ainda com a cabeça latejando.

— Que horas são?

— Quase onze. — disse Samui. — Avisamos que a senhorita não estava bem e por isso não desceria para o café. Se nos apressarmos, podemos aprontá-la para almoçar com o resto da Elite.

Essa ideia não me pareceu atraente, mas talvez fosse melhor voltar a rotina. E também não queria dar motivos para ninguém suspeitar que algo tinha acontecido.

Concordei com a cabeça e levantei. Minhas pernas não estavam tão firmes quanto eu desejava, mas mesmo assim andei até o banheiro. Shizune fazia a limpeza em frente à porta, ao passo que Hinata estava sentada em uma poltrona, costurando mangas no que era um vestido de alça. Ela levantou os olhos para mim e perguntou:

— A senhorita está bem? Tomamos um susto enorme.

— Sinto muito. Acho que estou bem, na medida do possível.

— Estamos prontas para ajudá-la no que precisar. — ela sorriu.

Shizune se aproximou para examinar meu braço. Ela encarava a ferida de perto, levantando cuidadosamente as bandagens para analisar a situação.

— Não está infeccionado. Vai sarar logo se continuarmos limpando bem. Gostaria de ter feito um trabalho melhor. Sei que vai deixar marca. — lamentou.

— Não se preocupe. As melhores pessoas sempre carregam alguma cicatriz.

Pensei nas mãos de Temari e nas costas de Naruto. Os dois possuíam marcas permanentes de sua coragem. Era uma honra me juntar a eles.


Notas Finais


Ooi, queria avisar que minhas aulas voltaram ent é provável que as atualizações demorem um pouquinho mais, mas farei o possível para escrever o mais rápido que puder!
E felizmente eles encontram a Sakura!!
E deu até pena do Naruto falando aquilo pro Sasuke kkkk, se ele soubesse...


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