História A sereia - SwanQueen - Capítulo 24


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Categorias Once Upon a Time
Tags Romance, Swan Queen, Swanqueen, Swen
Visualizações 127
Palavras 1.522
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, LGBT, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P)
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


se eu atualizar ate o capitulo 28 hoje eu finalizo a fanfic amanha

Capítulo 24 - Capítulo 24


JÁ FAZIA UM ANO E MEIO desde a nossa última vez na Flórida, e fiquei feliz de verdade quando entramos no estado. Não por saber o que estava por vir – na verdade, lamentava a viagem para a Índia – mas porque tinha sido na Flórida que conheci Emma. Era como se eu fechasse um ciclo, como se voltasse ao começo. Talvez estar ali sarasse a ferida que eu temia ser incurável.

— É aqui — disse ao estacionar na casa alugada. — Não é maravilhosa, mas não vamos ficar muito tempo.

— Não, está ótima — Ariel disse ao contemplar a pequena casa e respirar o ar úmido, uma mudança abençoada depois de meses de neve.

Estávamos no interior da cidade; não queríamos chegar perto demais da praia.

Para o plano funcionar, precisávamos garantir que não haveria chance de nenhuma de nós sequer molhar o dedinho do pé na Água. Só tínhamos aproximadamente um mês até Ela precisar se alimentar de novo. Não aconteceram muitos naufrágios ao longo do ano e, a não ser que um grande acidente ocorresse logo, teríamos que cantar um pouco mais cedo do que o normal. A Água estava cada vez mais faminta, e eu não queria abusar da paciência dEla.

Tínhamos poucas horas livres na casa. O voo partia de manhã. Guardamos a bagagem e nos reunimos na sala de estar, onde dei as instruções finais às minhas irmãs.

— Aqui estão as passagens — disse ao entregar os papéis com nomes e identidades falsas. — Foi o melhor que consegui, Kristin.

Ela encarou o rosto no passaporte.

— Mas o nariz desta garota é horrível!

— E é por isso que você pode escrever que fez plástica no nariz caso alguém pergunte — expliquei. Corria os dedos pelo cabelo, exasperada, sem saber ao certo se devia me odiar naquele momento ou não. — Muito bem, tudo o que vocês precisam fazer é serem discretas. Kristin, lembre que é crucial não falar com ninguém em nenhum momento — continuei, encarando-a bem nos olhos. — Você é muito nova na vida de sereia, é difícil ficar em silêncio no começo, mas se quer mesmo se vingar, precisa ficar quieta.

— Entendi — ela disse ao enfiar o passaporte na pasta com as passagens.

— Já arrumei um transporte para quando vocês chegarem lá. Kristin, conto com você como guia. Circulei os hotéis em que vocês podem ficar se precisarem — falei ao entregar o mapa impresso para Úrsula. — Talvez seja melhor viajar à noite, mas vocês que sabem.

— Espera aí. Você não vai com a gente?

— Não posso — respondi, mordendo o lábio e esfregando as mãos de ansiedade. — Mas fiz todos os preparativos para vocês. Não está bom?

Ariel pôs a mão no meu joelho.

— Está mais do que bom.

Soltei um suspiro.

— Escutem, acho que nunca é demais enfatizar o seguinte: para qualquer coisa que precisarem, usem água tratada e engarrafada. Nada de ligações com Ela, ou estamos acabadas. E enterrem os corpos. Não os deixem em contato com a Água. Se Ela descobrir…

Úrsula me tomou pela mão.

— Somos espertas. Vamos cuidar de Kristin e nos manter a salvo.

Engoli em seco. Era estranho sentir a garganta seca.

— Vou esperar vocês aqui. Por favor, tomem cuidado.

Elas reorganizaram a bagagem para o voo enquanto desfiz minha mala em silêncio, tentando me sentir confortável naquele purgatório.

Meu instinto natural era ir à biblioteca. Ele não tinha comentado nada sobre  voltar à faculdade, mas depois de todo o tempo que tinha passado, eu imaginava que Emma estaria de volta às calças cáqui e aos carrinhos de livros que empurrava pelo corredor, talvez de cabelo curto de novo ou com um coque. Me comportei por tanto tempo que, se havia uma chance de vê-la mais uma vez, ainda que precisasse me esconder, tinha que aproveitar.

Mas bastou pisar fora de casa para saber: Emma não estava lá.

Não sabia como podia afirmar isso, mas tinha certeza de que ela ainda estava no Maine. Era uma sensação esquisita, como se nossos punhos estivessem presos com uma corda. Se eu prestasse atenção o suficiente nesse sentimento, podia estranhamente sentir a presença dela. Ou melhor, a falta dela.

Sozinha na casa, com mais nada para prender minha atenção, pensei em Ruby, me perguntando se minha irmã mais velha continuava a ser uma mestra da sabedoria na escola nova. Só por causa dela acreditei ser possível enviar as meninas para o outro lado do planeta sem que a Água detectasse. Ruby tinha provado que Ela não sabia de tudo…

Juntei minhas poucas coisas, enchi o tanque do carro alugado e dirigi pelo litoral rumo ao norte.

 

 

Se eu precisasse dar satisfação dos meus atos a alguém, juraria de pés juntos que não tinha sido esse o motivo de eu ter voltado à Costa Leste com as garotas ou de tê-las mandado para outro país. E não foi, de verdade. Não queria brincar com a vida de Ruby. Mas precisava ver o rosto dela, com ou cabelo cheio de ponta, frizado, bagunçado ou arrumado, com sorte com um sorriso. Era a minha única meta.

Dirigi sem parar, mesmo sob a neve e o gelo, e completei a viagem em pouco mais de vinte e cinco horas. Deixei o carro bem no alto da estrada que dava para Port Clyde, decidida a fazer o resto do trajeto a pé. Então descobri uma falha no meu plano.

Minha calça jeans justa e minha blusinha não me protegeriam dos elementos naturais, principalmente daquele que eu mais temia. Mas eu tinha viajado para muito longe. Recorri ao furto: roubei botas que secavam numa varanda e usei a lona que estava num quintal para fazer um casaco. Era o suficiente para eu poder atravessar a neve acumulada no chão. Olhei para as nuvens gordas no céu, esperando que aguentassem um pouco mais para nevar.

Caminhei pelas florestas nevadas até a casa de Alice e Robin. Meu coração acelerou quando avistei as persianas pretas por entre os galhos congelados. A caminhonete estava na garagem ao lado da lambretinha, mas não havia sinal de vida por trás das janelas. Observei a casa por quase uma hora inteira até uma rajada de vento chacoalhar uma carta colada na porta. Quis ler na hora. O bilhete poderia ser a minha única esperança.

Anoiteceu e ninguém apareceu na casa, o que me fez pensar que a escuridão bastaria para me esconder. Assim, me esgueirei até a porta pela beira da estrada.

 

Mandei uma mensagem para o seu celular, mas caso não tenha recebido, tivemos que ir para o hospital. Uma emergência. Deixe a caixa na caçamba da caminhonete para mim. Cuido disso quando voltarmos. Não sei quanto tempo vamos demorar, mas ligo hoje à noite quando tivermos respostas (se dermos sorte desta vez). Em todo caso, obrigado de novo. Nos falamos em breve.

Alice

 

Senti uma pontada de medo por Robin. Lembrei de como ela tinha ficado aflita por mim quando apareci encharcada na porta da casa dela. Será que era ela quem estava doente? Se eu tivesse ficado, poderia estar segurando sua mão naquele momento.

 

 

Me afastei da porta me sentindo uma idiota. Eu não deveria estar lá. Estava arriscando demais. Embora quisesse que Emma fosse feliz, com certeza perderia qualquer esperança de sanidade se ela tivesse seguido em frente sem mim. E se ela me visse ou se eu cometesse qualquer erro, a vida dela estaria em perigo.

Depois de tudo o que tinha acontecido, como Alice e Robin ficariam se a perdessem também? Tinha sido burra, impulsiva.

Passei pela caminhonete, conferi se a tal caixa estava mesmo na caçamba e voltei até o carro pela floresta.

Balancei a cabeça, me considerando sortuda por Emma não estar em casa.

Ao longo do caminho até o Maine, tinha dito a mim mesma que a viagem seria uma espécie de encerramento, o fim dos meus sentimentos por Emma e de qualquer esperança de nos relacionarmos.

Mas descobri naquele momento que não sentia falta só de Emma. Em poucas horas, Alice e Robin me proporcionaram a sensação mais próxima de lar que experimentei em muito tempo. Enquanto eu vivesse como sereia, meu conceito de casa estaria sempre atado ao cheiro de amaciante das roupas de Robin e ao ruído do aquecedor central deles, ainda ligado no fim da primavera. Não as amava como amava Emma, mas eram especiais para mim, vinham junto quando eu pensava em Emma, e desejei ter visto o rosto de ao menos uma delas naquele dia.

Eu tinha vivido décadas, morado em mais países do que a maioria das pessoas seria capaz de visitar. O lugar mais feliz e confortável em que já estivera era naquele sofá surrado com o braço de Emma em volta do meu ombro.

A viagem ao Maine não marcaria o fim de um capítulo. Apenas me forçaria a virar uma página.

Dirigi de volta para a Flórida refletindo se tinha cometido um erro. A frustração doía, respirar era difícil – difícil de um jeito estranho, como se eu tivesse ficado exposta ao frio por muito tempo. Sim, a Água jamais saberia, assim como as garotas. Mas eu sentia um puxão no peito, uma corda invisível, que tornava os quilômetros cada vez mais difíceis de percorrer.



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