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História A short moment - Capítulo 1


Escrita por: __Catharsis__

Notas do Autor


As músicas que dão nome aos capítulos foram usadas para escrevê-lo, então, é legal que deem uma olhada na letra dela, e se conseguirem, usarem para ler o capítulo em si ^-^

Capítulo 1 - Flower Face - Angela


As fortes luzes que praticamente dançavam pelo salão improvisado junto ao odor desagradável de bebidas alcoólicas trazidas às escondidas por adolescentes irresponsáveis faziam sua cabeça latejar.

Ela massageava suas têmporas com uma certa pressão, torcendo para que tal ato simplório fizesse com que sua irritação tremenda desaparecesse. A ideia de que havia sido completamente tola ao comparecer no, antes, tão falado baile começou a assombrar sua cabeça. Adora tinha em sua mente há pouco mais de duas horas que tudo ali seria diferente, porém, como em quase todos os dias de sua vida, a solidão havia sentado ao seu lado, sem sequer pensar em levantar em algum momento.

A loira varreu o lugar com os olhos, não demorando em encontrar sua até então acompanhante conversando animadamente com um garoto cujo qual Adora reconheceu ser Bow.

E mais uma vez, a ideia de simplesmente levantar do degrau da grande arquibancada que estava sentada e ir para sua casa invadiu sua mente. Porém, fora descartada em poucos segundos, afinal, o carro levemente luxuoso estacionado do lado de fora pertencia à Glimmer, e sair andando por ruas desertas e escuras certamente não fazia parte dos planos da loira.

Adora teria de se contentar em continuar esperando impacientemente até o fim de tal evento.

Ao menos esse era seu pensamento até o momento em que um vulto se aproxima e sem demora nenhuma, se senta ao lado, na arquibancada. Ela não sabia quem era, pois nem sequer havia virado o rosto em sua direção, porém, sem poder conter sua curiosidade crescente, Adora apenas direcionou seu olhar à figura desconhecida.

Tendo o primeiro vislumbre do vulto, que descobrira ser uma garota há menos de um segundo atrás, a loira, sem sequer tentar reprimir a leve surpresa ao notar os brilhantes olhos heterocromáticos que faziam parte do rosto da desconhecida. Curtos cabelos castanhos eram outra característica marcante presente na outra.

“Bem-vinda ao clube dos esquecidos” A voz agridoce invadiu seus ouvidos de forma suave. As palavras ditas em um quase sussurro foram praticamente encobertas pela música alta “Primeira vez?”

Com um ruído parecido com um Aham, Adora respondeu de forma afirmativa a pergunta da garota.

“Com o tempo você se acostuma, deixa de ligar para os olhares das pessoas” O rosto da garota, provavelmente de descendência latina, virou-se em direção a loira, fazendo com que a mesma também direcionasse seu olhar a ela.

“Sempre vem sozinha?” Adora a perguntou, depois de alguns poucos segundos de silêncio.

A desconhecida voltou seu olhar para frente, porém, era nítido que a garota apenas procurava por algo para fixá-lo, mesmo sem ter nem um pouco de interesse no que observava. “Na maioria das vezes” Um sorrisinho sem graça surgiu no canto de seus lábios “Ou melhor, quase em todas as vezes” Um suspiro quase inaudível fora ouvido pela loira “E quanto a você? Veio sozinha ou ninguém apareceu?”

“Estou com minha amiga, ou ao menos estava com ela” Um tom levemente irônico podia ser notado na voz da mais alta “E você?”

“Digamos que, a pessoa que convidei tinha uma opção mais importante” Ela dizia com certo pesar em sua voz.

Alguns minutos se passaram e o silêncio não demorou a se instaurar dentre ambas as garotas. Silêncio esse que fora quebrado quando, como em um estalar de dedos, Adora percebera que a voz pouco conhecida, mas, ao mesmo tempo, levemente marcante, começara a cantarolar a melodia lenta que havia preenchido a quadra.

A garota ao seu lado parecia estar em um mundo completamente diferente, onde ela era a única a residir. Seus olhos fechados e cabeça balançando suavemente no ritmo da música

“Gosta dessa música?” Adora pergunta de forma amigável, recebendo apenas um aceno positivo com resposta.

A loira suspirou fundo, centralizando todos os pequenos resquícios de coragem que haviam dentro de seu ser. Adora se levantou do degrau, onde esteve sentada durante um longo período de tempo, parou logo à frente da desconhecida ao seu lado, estendendo a mão para a mesma.

Quando a garota de olhos heterocromáticos percebeu o que a loira perguntava silenciosamente, uma expressão de surpresa atingiu se rosto, que logo deu seu lugar para um leve sorriso de canto.

“Eu não sei dançar, você vai passar vergonha” Adora notou que suas bochechas tomaram para si, um tom avermelhado suave, quase imperceptível. Ela achou levemente adorável a quebra de confiança bruta que havia ocorrido dentro dela.

“Nunca vai aprender se não tentar” Uma expressão levemente terna tomou o rosto da mais alta “A não ser que prefira ficar sentada até o fim da festa”

Catra, mesmo tendo seu corpo em um completo incêndio por conta da vergonha que sentia, estendeu sua mão, logo tocando e segurando a mão da garota à sua frente. Mão essa que fora puxada suavemente por Adora, na intenção de ajudá-la a se levantar do degrau antes ocupado pela mesma.

Quando ambas estavam sobre seus pés, a loira a guiou pela quadra, levando-a para um ponto praticamente esquecido do salão improvisado, um cantinho quase vazio. Chegando em tal, Adora virou-se em direção a mais baixa, que ainda tinha um sorrisinho envergonhado em seu rosto. Suas mãos foram em direção à sua cintura, posicionando-as sem qualquer pressão ao tocá-la.

Catra acomodou parte de seus braços, mais especificamente, seus pulsos, sobre os ombros da loira, mantendo uma certa distância. A mais alta pode notar o receio completamente exposto no olhos heterocromáticos à sua frente, deixando-a decidir quando e como começar a dança.

Por outro lado, a outra não tardou em iniciar os movimentos suaves. Pequenos passos foram dados, de um lado para o outro, de modo extremamente leve. Adora a acompanhava, tentando ao máximo manter a distância, mesmo que pequena, imposta pela outra.

“Eu nem perguntei seu nome” A loira não precisou se aproximar, pois, a música antes estrondosa, não tinha um volume tão elevado no local escolhido por ela.

“Catra, me chamo Catra” Surpreendendo a garota de olhos azulados, a latina havia se aproximado. No exato segundo em que a voz agridoce invadiu seus ouvidos, um intenso arrepio correu por sua espinha. Adora quis enterrar sua cabeça em um buraco quando uma risadinha chegou em sua audição. Era óbvio que Catra havia percebido.

Um breve transe atingiu a loira, que nem sequer percebeu o momento em que sua acompanhante voltara a sua antiga posição. Um Adora fora proferido para fora de sua boca em forma de um quase sussurro.

O silêncio pairou novamente no ar, porém, diferente de alguns momentos atrás, tal silêncio fazia com que um sentimento de conforto tremendo atingisse ambas. Completamente hipnotizadas, as garotas encontravam-se fora da realidade. Viajavam mentalmente por seu próprio mundo criado em poucos segundos. Nada poderia às atingir.

Exceto pelo toque final dado pela melodia suave que antes preenchia o ambiente.

E antes que qualquer uma das duas pudesse dizer algo, uma voz muito conhecida por parte da loira surgiu “Eu te procurei por toda a parte desse maldito baile, e você estava dançando?!” Glimmer parecia levemente irritada, felizmente, a julgar pelo nível de irritação, ela não teria mais um de seus ataques.

“Preciso ir” Adora direcionou seu olhar novamente para a garota à sua frente, falando diretamente com ela, soltando-a logo em seguida.

Quando poucos metros de distância, Glimmer começou um breve monólogo de sermões direcionados para a amiga.

“Eu disse para esperar um pouco, e quando volto, você está dançando com uma completa desconhecida” Os braços da garota de cabelos rosados estavam cruzados, porém, sua voz permanecia calma.

“Se com um pouco você quer dizer mais de uma hora

“Eu só… perdi a noção do tempo” Suas bochechas tomaram para si um tom rosa claro.

“Glimmer, não é porque você me convenceu a vir aqui que precisa ficar ao meu lado por todo esse tempo. Você não era meu par”

Uma sensação de alívio invadiu o ser da baixinha “Acho que está na hora de irmos, eles já pararam a música e acenderam as luzes”

Adora estendeu o braço, que logo fora agarrado por ela.

Ambas seguiram para fora da quadra, por entre os vários outros adolescentes antes presentes ali.


 


 



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