História A singularidade do mais forte - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Naruhina, Naruto, Romance, Sasusaku
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Palavras 2.421
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - É aqui onde tudo começa


12 anos atrás  

O inverno estava rigoroso naquele ano, mas não havia verba para comprar novos casacos para todas as crianças do orfanato municipal. O dinheiro mal dava para o alimento, por isso, ter um casaco – mesmo velho e surrado – era um luxo para poucos ali. De vez em quando pessoas importantes viam, apenas para mostrar a mídia o quão humanitária e humilde estavam sendo. E as crianças eram só “bobos da corte”, como Uchiha Sasuke vivia dizendo.  

Naquela manhã, o vereador da cidade desceu de seu luxuoso carro, sendo fotografado e entrevistado pela mídia, antes que os seguranças afastassem os repórteres dali. Hyuuga Hiashi, estava junto com sua família, naquela véspera de natal, mostrando sua compaixão aos pobres famintos do orfanato municipal de Konohagakure.  

As crianças ficaram animadas com o fato de o vereador estar ali, menos as crianças mais velhas, que achavam tudo aquilo uma palhaçada. Acreditavam que ele só estava ali para mostrar o porquê deve ser reeleito no próximo ano. O sistema é corrupto, e por mais que Hiashi tivesse algum intuito de bondade naquelas ações, ainda assim o orfanato e as crianças estavam condenados. “Só os fortes sobrevivem”, esse é o lema do sistema, mas para simples crianças pobres, sobreviver é o máximo que podem almejar.  

Hiashi chegou junto a sua família, pegando crianças no colo, enquanto elas o via como um pai que nunca tiveram, bem como sua obediente esposa fazia o papel de mãe. Aquilo é uma perda de tempo, o pequeno Uchiha pensou, subindo as escadas para ir para seu dormitório, acordar seu dorminhoco amigo, para participar de toda aquela palhaçada.  

O loiro dormia profundamente, após uma noite de sufoco, onde mais passou frio, do que conseguiu se esquentar. Conseguindo pegar no sono naquela manhã, quando finalmente seu corpo conseguiu se esquentar em meio aquele frio – que havia dado uma trégua. Sentiu seu corpo ser chacoalhado, obrigando seu subconsciente a acordar.  

— Só mais cinco minutos — pede o loiro sonolento.  

— O vereador já chegou — anuncia seu amigo.  

— Não ligo, só quero dormir — diz o loiro.  

— Vamos, ou vai perder o almoço — diz o amigo.  

— Não tô com fome — diz o loiro, tentando fazer de tudo para continuar dormindo.  

— Anda, levanta logo — Sasuke diz, pegando na perna do loiro e o arrastando da cama.  

O loiro cai da cama, sendo obrigado a levantar e fazer as vontades de seu amigo. Sete minutos depois, desceram a escada, encontrando uma fila, e o loiro pode sentir o cheiro agradável de comida de verdade que vinha da cozinha, já que todos os dias eles tomam sopa de legumes — sem legumes. A fila era para abraçar a sra. Hyuuga, que abraçava as crianças com aquele doce carinho de uma mãe. O loiro foi para a fila, enquanto seu amigo dizia que aquilo era uma perda de tempo.  

— Você sabe o que é o abraço de uma mãe, já a maioria de nós não — diz o loiro, que desde que era um bebê vive naquele orfanato, enquanto seu amigo só estava ali há três anos.  

Sasuke ficou quieto, preferindo se manter afastado, do que participar de toda aquela palhaçada sobre o “milagre natalino”. Essa história de finais felizes só existe em contos de fadas, a vida real é um fardo, onde a felicidade é para poucos. Um privilégio que só a classe alta pode saborear.  

O loiro recebeu seu abraço maternal naquela véspera de natal. Sentindo o calor dos braços de uma mãe de verdade, no entanto a sra. Hyuuga começou a passar mal, tossindo sem parar, tendo que se retirar, deixando as outras crianças tristes, culpando o loiro por tê-la feito passar mal. Afinal diziam que ele era uma criança amaldiçoada, pois no dia de seu nascimento seus pais morreram, e as outras crianças dizem que ele traz desgraça para todo mundo, por isso eles passam frio e fome.  

O loiro tenta não se abalar por essas palavras, mas as vezes tem a sensação de ser mesmo amaldiçoado, afinal nada nunca deu certo em sua vida. O sr. Hyuuga convida as crianças para ouvir uma história, enquanto aguardam o almoço ficar pronto. Todas as crianças se reúnem ao redor dele, animadas para ouvir uma boa história. O loiro se senta próximo a janela em companhia de seu amigo, que achava toda aquela baboseira um bom teatro ensaiado pelo vereador. A história sobre um garoto pobre que conseguiu vencer na vida, com certeza não era a história de vida de Hyuuga Hiashi, que nasceu no clã mais rico do país.  

O loiro olha pela janela a rua movimentada, naquele lugar afastado do resto da civilização da cidade, agora com caminhões parado ali, carros e repórteres que aguardam mais notícias do vereador e sua família. Olha em direção ao velho parquinho, onde apenas um lado do balanço está apropriado para brincar, talvez o único brinquedo que ainda podia ser usado sem correr o risco de se machucar. Ali estava uma garota em suas vestes de grife, a herdeira do clã Hyuuga. Ela olha em sua direção, como adivinhando que ele estava lhe encarando. Seus olhos perolados penetraram sua alma, fazendo seu coração bater acelerado. Percebe que suas bochecham ficam ruborizadas, não sabendo distinguir se era pelo fato do vento frio ou por vergonha. Um homem se aproxima, lhe dizendo alguma coisa, o que a faz sair correndo em direção a porta de entrada do orfanato.  

O sr. Hyuuga termina sua história para “boi dormir”, como Sasuke dizia. E então são direcionados a sala de jantar, onde um banquete de natal os aguardava. A sra. Hyuuga estava ali em companhia de suas duas filhas, recebendo as crianças com muita alegria. A filha mais nova estava se enturmando com as outras crianças, enquanto a mais velha estava ao lado de sua mãe, com vergonha – talvez – da própria sombra.  

O almoço foi uma maravilha só, as crianças nunca viram tanta comida, ainda mais com todo aquele sabor delicioso. Depois voltaram para a sala de estar, onde distribuíram presentes: brinquedos, cobertores, um par de casacos e calças de moletom, meias e sapatos novos. Todos estavam animados, por isso não se importaram com as fotos que tiravam delas ou do que estavam escrevendo sobre si.  

O loiro observava a jovem herdeira do clã Hyuuga, grudada a sua mãe, observando sua irmã a brincar com outras crianças. Sasuke decide voltar para seu quarto, guardar os meros presentes “engana bobo”, antes que outra criança roube. O loiro decide lhe acompanhar, afinal estava com sono. Sasuke acha uma perda de tempo passar o dia inteiro dormindo, preferindo ler um bom livro, mas o loiro não se importa, logo caindo no sono.  

Mas, mal pregou os olhos, quando ouviu uma certa briga. Garotos rindo, enquanto uma garota parecia pedir para eles pararem. Percebe que Sasuke dorme profundamente, com o livro debaixo do rosto, parecendo não estar escutando aquela briga. Foi até a janela do quarto, se deparando com três garotos e a herdeira do clã Hyuuga. Os garotos estavam rindo dela, por causa do seu jeito de ser, enquanto ela estava acuada em seu canto, enquanto eles destroem seu cachecol.  

O loiro não pensou duas vezes, desceu pela janela, através de alguns cipós que cresciam pelas paredes da casa. Mas cai de cara do chão, machucando seu nariz, que agora estava sangrando. Os garotos olham aquilo e começam a rir.  

— Deixem ela em paz! — O loiro diz, limpando seu nariz.  

— O garoto amaldiçoado querendo bancar o herói? — Zomba um dos garotos. — Qual é Uzumaki, você não é um herói, é só mais um fodido nessa droga de mundo.  

— E daí, não perguntei nada — o loiro diz, caminhando em direção da garota assustada. — Agora saiam de perto dela.  

— É você que tem que ficar longe dela ou vai trazer maldição para a vida dela — diz outro garoto, lhe dando um empurrão que faz o loiro cair de bunda no chão.  

— Eu vou quebrar sua cara — diz o loiro, partindo para cima do garoto, mas três contra um não foi uma boa combinação.  

A herdeira do clã Hyuuga pediu para os outros garotos pararem, mas os garotos continuavam a chutar o loiro como se fosse algum tipo de saco de bancadas. Depois que estavam satisfeitos, os garotos se afastaram, zombando do loiro que nada pode fazer. O loiro ficou caído no chão, sentindo seu corpo inteiro doer. O céu parecia mais cinzento que o normal, queria poder chorar, mas não ia fazer isso na frente de uma menina.  

— Você está bem? — Ela pergunta, cobrindo seu campo de visão.  

— Sim, isso... isso não foi nada — ele diz, levantando do chão, com um pouco de dificuldade.  

— Vou contar o que fizeram com você — ela diz.  

— Não, não precisa — ele diz, nem mesmo conseguindo olhar em seu angelical rosto. — Eu lamento pelo seu cachecol — diz, pegando um pedaço do cachecol rosado dela completamente destruído.  

— Está tudo bem — ela diz, parecendo um pouco triste, talvez no fundo aquele cachecol tivesse algum valor simbólico.  

— P-Pode ficar com o meu — ele diz, tirando seu cachecol um pouco relutante e colocando em volta do pescoço dela.  

Ela parece surpresa com aquela atitude, ficando um pouco envergonhada com aquela proximidade. E antes que pudesse agradecê-lo, o homem de antes, aparece, ficando surpreso com o que estava vendo ali, mas o loiro nem olha para trás, para que o homem não veja seu estado deplorável.  

— Está tudo bem aqui? — O homem pergunta.  

A garota faz que sim com a cabeça, seguindo para perto dele, deixando o loiro ali sem saber o que fazer. Ela sai dali, enquanto o loiro desaba em lágrimas. Sasuke se aproxima, tocando em seu ombro.  

— Por que deu a ela a única lembrança da sua mãe? — Sasuke pergunta, um pouco curioso.  

— Eu não tô chorando por causa disso — diz o loiro, tentando enxugar suas lágrimas.  

— Se quiser eu vou lá pegar de volta — Sasuke diz, tentando deixá-lo animado.  

— Não é por causa do cachecol! — Insiste o loiro outra vez, não conseguindo conter suas lágrimas.  

— Eu sei — consola o amigo, mesmo sabendo que no fundo é por causa do cachecol, mas do que seus machucados.  

 

Atualmente 

Está nevando, mas o loiro continua a esperá-la na praça, como haviam marcado. Estava cada vez mais difícil vê-la, ainda mais depois que seu pai ficou doente. Seu clã está passando por uma transgressão, onde não a acham capaz de liderar os negócios da família. E a cada dia é um estresse diferente.  

Era quase 23 horas da noite, quando a viu descer de seu carro do outro lado da rua, estava usando o cachecol que deu a ela 12 anos atrás - ela sempre usa no inverno. Caminhou em sua direção, ela tem um semblante triste, misturado com preocupação e raiva. Queria poder acabar com todos os seus problemas, mas ele em si só já é um problema na vida dela, afinal seu pai morreria ao saber que eles namoram ou que até mesmo fazem sexo sem serem casados.  

— Desculpe o atraso — ela diz, lhe dando um abraço apertado. A rua estava deserta àquela hora, mas ainda era muito perigoso eles serem vistos juntos. — Meu pai foi internado outra vez.  

— Está tudo bem — ele sorri, olhando em seus olhos perolados, lhe dando logo em seguida um beijo.  

— Vamos para um hotel? — Ela pergunta, lhe dando mais um beijo, dessa vez com segundas intenções.  

— Acho melhor você ir para casa descansar, precisa cuidar do seu pai — ele diz, tocando com carinho em seu rosto.  

— Mas eu prometi que teríamos uma noite romântica — ela diz, lhe abraçando mais forte.  

— E não é romântico encontrar a namorada as escondidas às 23 horas da noite em um lugar deserto? Para mim está sendo bem romântico — ele diz, a fazendo rir.  

— Eu te dou uma carona até sua casa, afinal o metrô nem deve estar mais funcionando a essa hora — ela diz, tentando compensá-lo de alguma forma por seu atraso.  

— Não, é melhor você ir direto para casa, você sabe que aquele lugar não é para você — ele diz.  

— Nem para você — ela revida.  

— Mas é o que eu posso pagar por enquanto — ele diz sorrindo, como que dizendo que vai ficar tudo bem.  

— Talvez eu consiga te esconder na mansão Hyuuga sem que ninguém veja — ela diz, tentando animá-lo.  

— Sem chances que eu vou ser seu animal de estimação, Hyuuga Hinata — ele diz sorrindo.  

— Minha rapozinha — ela diz, lhe dando mais um beijo.  

O encontro não durou nem meia-hora, mas ele já estava acostumado com aqueles “encontros relâmpagos”, só estava sendo difícil a cada dia que passava. Foi de a pé até seu apartamento caindo aos pedaços na zona leste, a zona mais pobre da cidade, onde refugiados imigrantes ficavam, traficantes de drogas e armas e prostitutas.  

Encontrou seu amigo na pequena sala de estar/cozinha, contemplando seu novo presente, um relógio de ouro. Mesmo diante de algo tão grandioso, ele parecia triste e infeliz, mas imagina o porquê.  

— Como foi a noite romântica? — O moreno pergunta, guardando o relógio de volta na caixa.  

— Boa — o loiro responde, colocando água na chaleira.  

— Transaram? — O moreno pergunta, deitando no chão.  

— Por que quer saber? — O loiro pergunta, olhando na direção do amigo.  

— Depois de uma semana de merda, naquele emprego de merda, o que mais você merece do que sexo? — O moreno diz, parecendo chateado.  

— Paz na minha própria casa? — Ironiza o loiro, colocando a chaleira para esquentar.  

— Eles transaram — o moreno diz, socando o chão. — Aquele filha da puta de merda! 

— Você começou essa merda toda — o loiro diz, encarando o moreno.  

— Eu fiz isso para dar uma vida melhor para ela, e como ela me retribui: transando com aquele babaca! — O moreno diz, furioso. — Eu fiz por amor, mas ela fez por vingança.  

— Vocês precisam conversar, e você precisa prometer que vai parar com isso — o loiro diz.  

— Não posso voltar atrás, não tem como, não ainda — o moreno diz, voltando a se sentar. — Se eu sair agora, vou perder tudo.  

— Dane-se, nós damos um jeito.  

— Não, não tem como, afinal eu já decidi ir morar com a sra. Mei — o moreno anuncia.  

— O quê? — O loiro diz surpreso. 

— Pega, é um presente para você — o moreno diz, entregando a caixa com o relógio de ouro dentro.  

— Não pode ir embora, se fizer isso vai perder a Sakura para sempre — o loiro diz, aflito.  

— Eu já perdi — o moreno diz, seguindo logo em seguida para seu quarto.  

O loiro fica ali, segurando aquela caixa, sentindo o peso de toda aquela dor, raiva, angustia e medo. Ele não sabe ainda, mas tudo está caminhando ladeira abaixo.  



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