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História A Sombra da Meia Noite - BillDip - Capítulo 34


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Capítulo 34 - Capítulo 33 (Dipper)


   Eu havia deixado de trabalhar para o Stan, mas não de o visitar. Além de que ir ver o Stan era um bom motivo para um passeio casual, diferente de sair para treinar no acampamento ou até mesmo de ir beber com os amigos estranhos do Bill (que já eram meio que meus também), aquilo tinha um ar mais familiar. No meio tempo eu poderia observar melhor a cidade natal do Bill, Gravity Falls era um lugar intrigante.

   — Então... você tem um irmão gêmeo? — eu sabia que a pergunta era pouco necessária, afinal, eu tinha visto com os meus próprios olhos.

   Stan apenas murmurou que sim enquanto coçava a sua barriga, que escapava pela desgastada camiseta branca. Ele vestia calção e estava jogado na poltrona de frente para a televisão, onde passava um seriado pouco coerente com a vida real (pelo menos a que eu conhecia, já que nunca ouvi falar de algum pato detetive). Parecia que o Stan se sentia à vontade na nossa presença para ficar daquele jeito, mas acho que ele só não se importava mesmo.

   — Se o seu irmão é rei, por que você não mora no palácio ou algo assim? — disse eu.

   A expressão do Stan se fechou, talvez aquele fosse um assunto delicado. Eu nunca tinha parado para pensar em como me sentiria caso a Mabel tivesse um castelo, eu iria morar com ela? Aquilo trouxe lembranças da minha infância, eu e a Mabel sequer conseguíamos dormir em quartos separados, mas como adultos nós nem morávamos na mesma cidade e a última vez que eu a vi foi em uma chamada de vídeo. Ter tantos exemplos de desunião entre irmãos ao meu redor, só me fez querer voltar a ser o mais presente possível na vida da Mabel, eu ainda não tinha notado, mas estava morrendo de saudade dela.

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   Na volta para casa o Bill permitiu desviarmos o caminho para que me mostrasse mais de Sacres, ele evitava isso, dizia que toda a diversão estava em Trígman. Passamos por uma praça pacata, claramente mais elaborada e sofisticada que qualquer lugar que já estive em Trígman, só que o Bill tinha razão, era meio sem graça. Havia uma espécie de monumento, uma estátua de bronze de um homem vestindo armadura e coroa; uma placa dizia: "Rei Cadmo, o Praguicida".

   — É o meu pai. — Bill praticamente sussurrou.

   — Ah... — aquilo me lembrou de algo. — Fala pra mim sobre o parlamento.

   — Não é do jeito que você conhece, é meio que uma fachada só pra acalmar os democratas, eles não têm o poder que tecnicamente deveriam.

   — São seus amigos? — perguntei.

  — Não, mas digamos que sou aliado da maioria. — disse Bill.

   — Sabem dos seus planos? — falei.

 — Acho que desconfiam, só não se envolvem por serem diplomatas passivos, ainda assim, vão ficar do meu lado quando acontecer.

 — Se acontecer. — corrigi.

— Garoto, você me deprime. — ele disse num tom descontraído e me guiou pelos ombros para que continuássemos.

  Atravessamos a rua para longe do parque, rumo à floresta. A rua seguinte estava cheia de pessoas e elas faziam barulho acima do comum, era um mercado ao ar livre.

  — Podemos contornar. — sugeriu Bill.

  — Minha curiosidade não deixaria.

 Ainda ouvi um muxoxo do Bill, que vinha me seguindo logo atrás.

 Eu já imaginava as cenas que me aguardavam, mas achava que a minha mente estava preparada. Algumas pequenas partes humanas estavam sendo vendidas; dedos fritos na hora; e olhos em conserva que encaravam apáticos a movimentação, por fora do vidro amarelado dos potes. O mais cruel era que os vendedores eram outros humanos, com os seus colares indicando que pertenciam a algum profaemon, eu mesmo usava um quando andava por Sacres, apenas por questões de segurança, obviamente. Não tinham só humanos naquele mercado, por que, no geral, os clientes eram profaemons.

 Um homem puxava uma corrente com outras correntes grudadas, e vários humanos presos nela, logo atrás outros quatro davam assistência ao comboio. Eles pararam em um local estratégico, onde todos que passassem por ali não deixassem de reparar nas suas "mercadorias".

   — Ainda dá tempo de contornar. — disse Bill.

   — Tudo bem... — daquela vez eu concordei, deixando que ele segurasse a minha mão e me tirasse dali.

   De qualquer forma, o gosto amargo daquela situação permaneceu na minha boca. Eu sabia que escravos existiam e existem, mas poder ver eles, seus olhares, aquilo me quebrava por dentro. A alguns meses atrás Gravity Falls não significava nada para mim, porém eu não era nada insensível para me manter indiferente, pelo contrário, minhas dores pessoais não me machucavam tanto quanto as das injustiças contra o meu coletivo. "O meu coletivo", quando eu comecei a pensar assim? Talvez não importasse qual fosse a dimensão, se o povo tivesse humanidade, no sentido de capacidade de empatia e racionalidade, no qual até profaemons estavam inclusos, eu não conseguisse evitar a minha solicitude.

   — Se você fosse rei... tentaria libertar os humanos? — disse depois de nos afastarmos da multidão.

   — Você pergunta por que se importa?

 — Claro que sim! — respondi sem pestanejar, o contrário disso não fazia sentido para mim.

   — Vai matar Beth?

   Eu não esperava por essa pergunta, que me irritou, por que sempre tínhamos que voltar a esse assunto?

   — ... Não. — por menos de um minuto imaginei a Beth morta, mas rapidamente afastei aquela imagem da minha mente. Ela talvez não fosse uma boa pessoa, mas ninguém merecia ser assassinado.

  — A questão não é apenas dar liberdade, o que já é difícil, mas e depois? Os empregos, os direitos, de onde virão? Essa luta vai durar séculos, Dipper, mas seria bom se ela pudesse começar. — disse Bill.

   — Deve ter uma outra opção.

   — Você tem uma outra opção?

   — Eu... não sei, poderia conversar com ela. — disse eu.

  — Amarrado em uma cadeira do calabouço ou em um palco sendo desmembrado?

   — Isso não tem graça.

   — Realmente não tem.

   Bill soou melancólico, como ficava toda vez que se sentia culpado por algo. Sua mão ainda segurava a minha, mas ele parecia um pouco distante. Queria que aquela conversa não tivesse acontecido ali, pois o clima ficou estranho, era como se nós tivéssemos a responsabilidade sobre todos os problemas em Gravity Falls, e de fato, essas questões pesavam nos ombros do Bill, mas e eu? Simplesmente não conseguia não me importar.

   — Vai ter ramen burger pro jantar. — disse Bill de repente, mudando de assunto completamente.

   Sorri pela sua tentativa de amenizar e aproveitei para fazer a minha parte, encostando minha cabeça no seu ombro. Ele suspirou vendo o meu ato como um alívio, e beijou a minha testa antes de seguirmos para casa.


Notas Finais


Gente, eu só queria dizer que eu não sou boa na matéria de história (nem em nenhuma outra) e não tó tendo nada como base, tó só inventando um monte de coisa pra dar contexto a outras coisas que eu inventei antes (ai meu deus). E eu sei que sou eu que to escrevendo, mas tem toda uma questão do eu lírico. Eu sempre narro um personagem e as suas opiniões, que não necessariamente são as mesmas que as minhas. Ok? ok.

Mas eu sempre sou teamDipper, Bill é muito surtado ;-;


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