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História A Sombra da Meia Noite - BillDip - Capítulo 35


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Capítulo 35 - Capítulo 34 (Dipper)


   O dia estava radiante, minha sombra reinava sob a grama, maior até que o meu corpo de carne e osso. Sua silhueta era bem visível, graças ao Sol do meio dia. Bill havia criado várias outras metáforas para explicar o controle da sombra, ele estava realmente tentando ajudar, mas eu não achava que eram de palavras que eu precisava. A ideia de ser o escolhido predestinado nunca me pareceu plausível, porém eu me lembrei da sensação que tinha ao concluir um treinamento, como se só fosse difícil no início e depois algo além de mim tomava a dianteira.

   Eu me sentia confiante por já ter feito antes, quando encarei o meu segundo corpo escuro no chão tinha a certeza que se mexeria. Foi o que aconteceu, ele (eu?) andou livremente pelas superfícies que conseguia se projetar, claro que ligado aos meus pês. Sorri animado para o Bill, que bagunçou meus cabelos num carinho em sinal de aprovação.

   — Agora toque sua sombra. — disse Bill.

   Obedeci, um pouco desconfiado do pedido, ajoelhei-me na grama macia e estendi a mão em direção a minha réplica distorcida. Assim que os meus dedos encostaram na sombra ela pareceu tremer e ceder, minha mão inteira afundou no breu, não esperava que aquilo acontecesse. Por dentro era frio e o ar pesava, tirei minha mão dali com urgência e surpresa.

   — Entre na sombra e visualize o seu quarto na mansão, você vai ser mandado para lá. — instruiu mais uma vez o Bill.

   Encarei a minha sombra, ela ainda oscilava pelo nosso contato, parecia ansiosa para me levar dali na nossa primeira viagem. Aquilo não soava seguro, e se eu ficasse presso lá dentro? Olhei para o Bill, que sorria confiante, ele acreditava em mim, talvez eu devesse fazer o mesmo. Decidi não deixar os meus medos tomarem as rédeas, embora cautela fizesse parte da minha personalidade e fosse várias vezes bem útil, era hora de ser um pouco louco (um pouco mais do que eu já estava sendo desde que cheguei em Gravity Falls). Foi o que eu fiz, mergulhei em minha própria escuridão.

   A sensação foi de afundar e flutuar ao mesmo tempo, meus pés não tinham apoio algum. A pressão do ar parecia maior, respirar era cansativo. Balancei os meus braços com dificuldade, provavelmente eu me igualava a uma galinha em câmera lenta. Fiz o que o Bill havia mandado, imaginei o meu quarto na mansão, o azul celeste e o dourado.

   Senti minhas mãos se sustentarem em algo e depois o meu corpo desceu também, eu caí deitado, mas não foi bem uma queda, assemelhava-se a um pouso. Logo minha visão clareou até voltar ao normal e pude ver o meu rosto refletido no familiar chão frio de mármore. Tentei levantar, mas minhas costas esbarraram numa estrutura de madeira, levou apenas alguns segundos para eu perceber que estava debaixo da minha cama, aquilo tinha sido estranho, no entanto deu certo.

  Engatinhei até conseguir ficar de pê, com certeza não era uma cena tão majestosa quanto o Bill fazia parecer, da próxima vez eu iria tentar me teleportar para um local menos humilhante. Fui até a janela com vista para o jardim, Bill estava do lado de fora esperando por mim, acenei para ele, que fez o mesmo. Desci as escadas de dois em dois degraus e nos três últimos eu pulei direto para o chão, quando cheguei novamente no jardim o Bill me recebeu com um abraço caloroso e me parabenizou com um beijo.

   — O que você vai fazer agora que sabe como ir para casa? — ele estava sério, porém fazia carinho com o polegar na minha bochecha enquanto falava.

   — Eu quero voltar, mas também quero ficar... é confuso.

   Bill me observava com ternura, e esperou pacientemente que eu chegasse a uma conclusão, sua expressão se mantia imparcial e seu dedo continuava deslizando pelo meu rosto.

   — ...Vou lutar por essa causa, mas não sei se vou conseguir ir até o final. — disse eu.

   — Eu sei que vai.

   Ele falou por entre seu sorriso afiado, aquilo fez meu corpo ficar tenso. Até ali tudo que o Bill tinha convicção vinha se tornando realidade, mas eu temia que no final as minhas mãos estivessem tão sujas quanto a dele.

   — Ei! Não esquenta a cabeça agora, ok? Você é uma pessoa maravilhosa, nem eu sou capaz de te estragar. — disse Bill quando percebeu a minha expressão azedar.

   Os seus consolos pareciam inúteis, só que isso não mudava o fato de eu gostar de ouvi-los, claro que seria ainda melhor se eu não precisasse deles, mas era bom saber que tinha alguém como ele zelando por mim. Por mais que eu achasse que já sabia me virar bem sozinho, uma parte de mim queria deixar que o Bill me amasse do seu jeitinho, cuidando mais do que eu julgava necessário.

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   O jantar havia sido delicioso, apesar de leve, eu provavelmente sentiria vontade de um lanche pela madrugada. Bill e eu nos separamos para nos arrumarmos para dormir, mas eu sabia que ele ainda passaria no meu quarto e completaria nossa rotina. Ele apareceu a porta, ficava fofo vestindo pijamas (nunca diria isso a ele), mesmo sendo até um pouco estranho ver o Bill usar algo que não fosse um terno ou algo assim, eu continuava adorando aquela cena.

    — Boa noite, Dip. — disse Bill, ainda na porta.

   — E o meu beijo de boa noite?... Não que eu faça questão.

   Ele rolou os olhos e riu divertido.

   — Por que você não me dá hoje?

  — Dá um beijo... — eu "completei" sua frase.

   — Também, claro.

  — Bill! — meu rosto esquentou com o seu sorriso nada modesto, era irritante não conseguir controlar minhas emoções, ele fazia eu me sentir como um adolescente outra vez. 

   — Então, eu vou para o meu quarto. — Bill disse cortês.

   Observei ele se virar em direção ao corredor.

   — Você não vem? — perguntou Bill, cedendo e se contradizendo.

   Eu o segui, como um roedor pulando na ratoeira, entrei no seu jogo, estava apostando que seria divertido. O quarto do dele era espaçoso e tinha, assim como quase tudo que vinha dele, uma decoração de gosto duvidoso; uma vidraça triangular gótica vermelha lançava aquela cor por todo o cômodo, refletida pelo brilho da Lua. De repente eu me dei conta de que ainda não tinha entrado no quarto do Bill. Era como se eu sentisse que o meu fosse só um quarto normal que por acaso eu estivesse dormindo, um lugar para visitas, provisório; mas o do Bill era feito para ele, tudo ali era pessoal dele e entrar me fazia parte daquilo. Talvez eu tivesse receio de sermos parte da vida um do outro, mas quem eu estava enganando? Já estávamos totalmente envolvidos de novo, até mais, como nunca antes.

   Ele se jogou na cama sem nenhuma cerimônia e me encarou esperando que eu fizesse o mesmo, sentei do seu lado, meio tímido por estar ali; os lençóis tinham o seu cheiro, e naquela luz avermelhada o seu rosto parecia o retrato da própria luxúria. Inclinei-me para um beijo e segurei seus ombros para ter apoio, mas logo deixei meus dedos subirem até a sua nuca, acariciei aquele ponto sensível. Bill não conteve sua mão boba, deslizando pela minha cintura e apertando sem dó a minha coxa, do jeito que já sabia que eu gostava. Ele parou para tirar sua própria camisa, apesar da ânsia, seu sorriso também era um misto de paixão e diligência. Eu fiz o mesmo, os ventos da noite não pareciam capazes de amenizar nem um pouco as brasas da minha pele.

   — Quer mesmo que isso aconteça? — Perguntou Bill, aquela altura eu já estava por baixo, e não faltava muito pra que ele me despisse por completo.

 — Sim... — poupei minhas palavras, consentindo no seu ouvido, a respiração ficando incerta pela pressão do corpo enrijecido do meu amante.

   Os olhos do Bill enegreceram por completo, mas eu não estava com medo, confiava cegamente nele, como já havia sido no passado, só que dessa vez ele não me decepcionaria, estava ali para me dar prazer.

   E nós fizemos o mais deleitoso amor por metade de uma noite, antes que eu adormecesse satisfeito em seus braços acolhedores.


Notas Finais


Já estamos em reta final, eu não sei nem que dizer...


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