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História A Sombra da Meia Noite - BillDip - Capítulo 36


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Capítulo 36 - Capítulo 35 (Bill)


   Dipper relaxou completamente, como nunca achei que voltaria a fazer na minha presença. Não demorou muito até ele dormir e eu perceber. Sua garganta produzia roncos baixos e manhosos, como o ronronar de um felino, aposto que nem era tão fofo quanto pareceu. Senti meu corpo reclamar de cansaço, inclinei-me para desejar um boa noite sussurrado no ouvido do Dip, mesmo sabendo que ele não responderia, antes de finalmente cair no sono com ele em meus braços.

  O Sol riscou com luz o meu rosto, levando-me a piscar e abrir os olhos. Dipper ainda repousava tranquilo, a cabeça enterrada metade no travesseiro, metade no meu pescoço. Era uma das melhores manhãs, os pássaros cantavam tão fervorosos que o som preenchia o quarto, como se o universo compartilhasse daquele meu prazer. Fiquei o mais imóvel possível para não acorda-lo e aproveitei para admirar mais um pouco o Dipper dormir, ele parecia um anjo imerso em sonhos bons.

   Ouvi duas batidas na porta, antes do Gideão, o mordomo, entrar no quarto, ela ergueu uma das sobrancelhas pela cena que estava presenciando: eu e o Dipper na mesma cama, abraçados. Cobertos pelo lençol, a única parte visível eram nossos ombros desnudos, dando a entender que o resto do corpo não era diferente.

   — Bom dia. — disse ele não muito alegre, mas alto o bastante para que o Dipper ouvisse e acordasse. Talvez não de propósito, já que o Dip tinha um sono relativamente leve.

   — Bom dia, Gideão. — deixei que meu sorriso se alargasse em provocação, e puxei o Dipper para um abraço mais apertado. — Volte mais tarde, por favor, eu e meu namorado estaremos ocupados.

   Ele analisou a situação por mais alguns segundos antes de sair com uma expressão indiferente, seu sorriso falso congelado no rosto.

   — Bom dia, querido. — disse Dipper, finalmente.

   — Também te amo. — soei convencido.

   Ele me lançou um sorriso torto, sorri de volta, verdadeiramente feliz, até emocionado, eu diria. Segurei o Dipper pela nunca, perto de onde algumas manchas no seu pescoço ainda eram visíveis da noite passada. Guiei seu rosto para perto do meu, sem esforço algum, pois ele queria vir. O beijei com calma, eu já tinha a minha confirmação de aquilo poderia durar o quanto nós quiséssemos, e nós queríamos muito. Dipper se mexeu ainda por de baixo do lençol, até que estivesse montado em mim; um pouco vermelho por ele mesmo ter se colado naquela posição instigante. Segurei seu quadril apenas para dar firmeza, mas deixei que daquela vez ele ditasse o ritmo.

   Caímos lado a lado, ofegantes e saciados. Dipper se apoiou sobre meu peito, aproveitei para passear com os dedos pela suas costas e sentir a pele ainda quente do último ápice vivido. O dia parecia fresco, mas nós suavamos pelo cansaço que o amor impõe. Ficamos daquele jeito por algum tempo, num silêncio confortável, apenas apreciando de uma intimidade recém concebida.

   Como se prevesse que já tínhamos "concluído", as batidas na porta voltaram a perturbar nosso momento. Gideão entrou mais uma vez, parecia desgostoso com aquela situação, talvez ele não gostasse mesmo do Dipper.

   — Sirvo o café aqui hoje, senhor? — disse Gideão, uma boa desculpa para atrapalhar.

   — Sim, nós queremos prolongar um pouco mais o nosso tempo na cama.

   Dipper corou, mas não contrariou, aninhou-se em cima de mim. Gideão tinha a expressão sobre controle, embora seus olhos tivessem um brilho suspeito.

   — Quais as probabilidades dele tentar me envenenar? — Dipper perguntou um pouco depois de Gideão deixar o quarto.

   — Ele não vai fazer nada que vá me irritar, ao menos nisso ele é sensato.

   Ele riu e eu acompanhei, Gideão era mesmo uma piada. Quando o som das nossas risadas cessaram, só sobrou um resquício, seu sorriso em seu belo rosto. Agradeci silenciosamente por ter aquele garoto alí comigo.

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   A vida seguia em seus trilhos, ou melhor, em meus trilhos, pois a sorte mais uma vez se mostrava ao meu favor. Além de Dipper e eu termos finalmente iniciado uma nova fase em nossos relacionamento, de um amor mais profundo (a profundidade de nossas próstatas); também íamos bem no treinamento, Dipper já conhecia todas as técnicas e as aperfeiçoava muito bem, numa velocidade que praticamente confirmava o que eu já sabia, ele estava predestinado.

   — Vamos ao acampamento hoje? — disse Dipper, enquanto admirava a maneira eficiente em que eu amarrava minha gravata.

   Estávamos no mesmo quarto, por que havíamos dormido e acordada juntos, como vinha acontecendo com frequência.

   — Na verdade, não vamos sair de Sacres, temos que visitar uma pessoa. Nós temos um amigo em comum, e esse eu nem precisei te apresentar. — disse eu.

   — Quem? — perguntou Dip.

   — O oráculo.

   As palavras saíram por entre meu sorriso ansioso e quando encontraram o Dipper também provocaram as bochechas dele a se erguerem, num sorriso bem mais contrariado e confuso.

   — Quem!? — ele repetiu a pergunta com maior ênfase.

   — Você vai ver. — caminhava para deixar a mansão, ele me seguia.

    Quando do lado de fora, abri a porta do carro para que ele entrasse. Em menos de meia hora estávamos em frente a uma casa modesta, porém bonita, com seus gnomos de jardim e pequenos cata ventos.

   — Não acredito que existe um oráculo, por que nunca me falou disso? — Dipper perguntou enquanto descia do carro.

   — Eu falei, já faz um tempo. Não se lembra?

   — Óbvio que não. Você tem noção do quanto você fala diariamente?

   — O suficiente para te manter alegre, certo? — bati na porta.

   — Ah claro. — ele revirou os olhos.

   A porta foi aberta por uma idosa, de olhar distante, mas gentil. Ela era três vezes menor que eu, enquanto uma das mãos dela puxava a maçaneta para trás a outra segurava seu tricô interrompido.

   — Meu príncipe. — a senhora abaixou a cabeça em respeito, aquilo já era o bastante. — Entrem rapazes, eu estou fazendo biscoitos.

   — Ela é o oráculo? — sussurrou Dip.

   — Não. — disse eu. — ...Esse é o escolhido, Dipper. E querido, essa é a Abuelita.

   Dipper desviou os olhos, estava agitado como de costume, quando eu não fazia questão de esconder nossa relação amorosa, ou quando me referia a ele como "o escolhido". Naquele caso haviam sido os dois.

   — Que criança saudável e especial.— disse Abuelita, mesmo que claramente Dip fosse adulto. — Soos! Venha conhecer o Dipper! — gritou de repente.

   — A constelação?... — o faz tudo da pensão do Stan surgiu da cozinha com os prometidos biscoitos em mãos, metade deles já comidos. — Ah oi, Tyrone.

   — Oi, Soos... na verdade, meu nome é Dipper. — meu namorado acenou animado antes de se virar de novo para mim. — Então... Quando vamos ver o oráculo?

   — Ele já tá na sua frente. — disse eu.

   — É você?

   — Não, bobo.

    Segurei ele pelos ombros e o virei novamente para o Soos.

   — Não brinca... — as palavras soaram incrédulas na voz do Dipper.

   — Quê que foi, galera? Tem alguma coisa presa na minha cara? — perguntou Soos depois de perceber que encarávamos ele.

   — Um espírito ancestral toma o controle quando é chamado para dizer alguma profecia, o Soos nunca lembra do que aconteceu quando volta. — expliquei.

   — Essa história de espírito mexe com meus estômago... Não tô gostando nada disso. — disse Soos.

   — Só é preciso um pequeno ritual de palavras-chave, coisa simples, até divertido. — continuei explicando ao Dipper e ignorando completamente o jovem gorducho e tapado que perecia confuso.

   — Bill disse que é divertido, então com certeza não é. — Dipper resmungou como se eu não estivesse presente. Ri daquilo, afinal, sou bem humorado.

   Os dois, Soos e Dipper, estavam tensos, sem necessidade já que nada perigoso iria acontecer alí. Eu disse as palavras que trariam o oráculo, sem intervalos e em bom tom. Os olhos do garoto hospedeiro viraram até encararem o próprio interior. O branco que substituiu seu olhar era macabro, os vasos sanguíneos tornaram-se linhas esticadas pelo esforço de se manter contrários a natureza humana, um brilho leitoso fantasmagórico irradiava daqueles globos.

   — O céu gritou em luz o nome de seu escolhido, marcou sua pele antes que nascesse... agora você está aqui. — disse Soos, com uma foz madura e andrógina, saia de seu corpo, mas claramente não era dele. Ele olhava para o Dipper, se é que aqueles olhos enxergavam algo.

   — Soos? — chamou Dipper, em vão.

   — Você fará a vontade do povo, mas permanecerá digno. Sua sina estará completa quando a coroa vir ao chão, junto à cabeça da rainha. — disse o oráculo.

   Dipper empalideceu, e trocou olhares comigo, como se esperasse que eu agisse em relação a situação. Eu apenas permaneci parado, não havia nada a se fazer além de ouvir.

   — O corpo decepado não irá desistir até que você quebre seus ossos. O coração da soberana só poderá parar de pulsar em suas mãos.

   A rouca voz falhou nas suas últimas palavras, indicando que a entidade deixaria o flácido garoto em paz. Soos piscou confuso enquanto seus olhos rolavam e voltavam a normalidade.

   — Você está bem? — Dipper soou verdadeiramente preocupado.

   O garoto respondeu somente com um acenar com a cabeça, depois ele teria que refletir sobre o que acabara de acontecer (isso se ele fosse capaz), mesmo que mal se lembrasse da voz ancestral que habitou a sua mente. Dipper também faria o mesmo, ao chegar na mansão se acolheu em seu quarto e para pensar a respeito do seu futuro; eu esperava que ele entendesse o seu propósito.

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   — Os humanos já foram derrotados uma vez, eu duvido que não houvesse um profaemon sequer que os defendesse e mesmo assim você me contou dos resultados, por que seria diferente agora? — já em sua cama, de volta ao conforto de um "quase lar", Dipper me questionou.

   — Primeiro que não é uma luta de uma espécie contra a outra. Existem profaemons que detestam o nosso sistema, do mesmo jeito que, por mais contraditório que seja, existem humanos que apoiam o governo de minha irmã. — disse eu.

   — Não os julgo, esse é o mundo que eles conhecem, qualquer coisa fora disso soa assustador e errado. — falou Dipper, enquanto refletia sobre o assunto. — ...Mas você ainda não me convenceu de que podemos ganhar.

   — Beth é diferente do nosso pai, o apoio que ela tem não é o mesmo que ele tinha. O número de profaemons na luta é mais que o dobro, e dessa vez estamos preparados. Além de que não vai ser uma guerra, tá mais pra um golpe.

   — E se não for o bastante?... Você pode estar mandando todos pra morte. — provavelmente ele se incluía nós cálculos, mas não parecia assustado.

   — Acha que eu não sei? Liderar não é fácil, é ser responsável por vidas e se eu tiver o trono, tenho que ser capaz disso... — disse eu. — Se eu fosse o seu rei, você me seguiria?

   — Odeio admitir, mas já é o que eu estou fazendo... — ele se esticou para um selar de lábios, como sinal de sua lealdade. — Eu vou estar com você.






Notas Finais


Eu cheguei num ponto que eu mal tô lendo o que eu escrevo, só posto, se não eu fico com vergonha kkkk


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