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História A sombra do Vampiro: laços sanguíneos - Capítulo 1


Escrita por: CRIS75950

Capítulo 1 - Buscando respostas


Fanfic / Fanfiction A sombra do Vampiro: laços sanguíneos - Capítulo 1 - Buscando respostas

Um ano havia se passado desde os acontecimentos que ocorreram na família de lorde Dagoberto... Felizmente, mais nenhuma tragédia ou coisa do gênero voltou a acontecer. Ele e sua família continuavam a viver pacificamente e "discretamente" na cidade do Rio de Janeiro.

Era final de novembro... faltavam poucos dias para entrar o mês tão esperado de dezembro aonde daria início às férias de verão do colégio estadual em que Marcilla e Laila estudavam. As duas haviam recebido uma viagem de presente por terem passado de ano; uma viagem para a Inglaterra. 

Laila Estava terminando de arrumar sua mala enquanto conversava com Marcilla no quarto.

-Eu nem posso acreditar que estarei visitando a Inglaterra depois de tantos anos... Ainda me lembro daquele maldito baile no palácio da rainha Vitória em 1880!... Um tal de Alejandro Morales me convidou para dançar...era um rico idiota de Barcelona. Eu nunca tinha me sentido tão enojada em toda a minha vida.

Laila percebeu que Marcilla estava distraída, enquanto olhava fixamente seu reflexo na vidraça da janela.

-Prima?... Marcilla?

-Sim?

-Você está bem? Parece que está sonhando acordada.

-Desculpa... Estou aqui pensando...

-Pensando em que? "Na morte da bezerra", como dizem os brasileiros?

-Não, não é isso...Estou pensando na minha mãe biológica.

-Por que motivo?

-Eu queria conhecer ela.

-Conhecer para que? Ela abandonou você em uma lixeira!..O tio Armand e o tio Martino encontraram você jogada lá dentro. 

-Mas eu queria saber quem ela é....

-Seja quem for essa ordinária, ela abandonou você em uma lata de lixo...Quem faz uma monstruosidade dessas, não pode ser chamada de "mãe"! O vovô era um monstro cruel e sanguinário, mas nunca abandonou os filhos.

-Mesmo assim, eu queria entender o porquê que ela fez isso comigo...

-Fez isso porque era uma vadia safada e sem caráter! Quer justificativa melhor que essa?

-Você não entende, Laila...Eu sinto que preciso buscar uma resposta.

-Por que perder o seu tempo procurando por uma vagabunda que abandonou você quando era recém nascida? Não faz sentido nenhum, prima. Você já tem uma família... Nós somos a sua família.

-Eu sei disso, Laila...Mas eu queria muito poder conhecer ela. Eu quero entender o motivo que levou ela a fazer o que fez .

-O motivo é bem simples: gravidez indesejada!..A safada descobriu que estava grávida e depois abandonou você.

-Você não sabe se realmente foi esse o motivo.

-E o que mais seria? Uma mãe de verdade jamais abandonaria um filho dentro de uma lixeira! Não tem cabimento uma merda desse gênero.

-E se ela foi obrigada a fazer isso?

-Obrigada por quem? Pelo faraó que mandou matar todos os recém nascidos do Egito? Não seja tão ingênua, prima.

-E se fosse com você? Não teria curiosidade em conhecer a sua mãe?

Laila suspirou fundo e respondeu:

-O quadro da minha mãe está pendurado no quarto do meu pai...E ela morreu depois que eu nasci. Se fosse comigo, eu não faria questão alguma de conhecê-la... Não importa o motivo que levou ela a fazer isso. Uma mãe nunca deve abandonar o próprio filho.

Marcilla ficou silenciosa e Laila continuou:

-Esquece essa mulher, prima. Vamos nos concentrar na nossa viagem de fim de ano. Tio Dagoberto já comprou as nossas passagens... viajaremos de primeira classe.

-Está bem.

-Ele vai nos dar um de seus cartões de crédito...Vamos gastar até não aguentar mais!

-Desse jeito você vai extorquir o pobre tio Dagoberto...

-Ele sempre foi muito generoso comigo...e com você também.

-Eu vou arrumar a minha mala...

-Está bem...Eu vou até o shopping comprar mais algumas coisas. Você vêm comigo?

-Claro. Vou me arrumar primeiro.

-Ok. Vou te esperar lá embaixo.

Assim que Laila saiu do quarto, o celular de Marcilla tocou.

-Alô?-disse ela assim que atendeu.

-Oi, amiga...sou eu a Daiane.

-Oi... Você mudou de número?

-Sim, eu tive que mudar de operadora. Como você está?

-Estou bem. E você?

-Bem, também...Eu descobri aquela coisa pra você...

-Que coisa?

-Você não lembra? Você tinha me pedido para encontrar a sua mãe biológica.

Marcilla ficou estupefata e perguntou:

-Como você descobriu???

-Através da minha mãe... ela tem muitas clientes na favela aqui do Rio. Ela é manicure e cabeleireira e acabou descobrindo quem é a sua mãe.

-E como foi?

-Foi durante uma visita na favela... A minha mãe foi até a casa de uma cliente nova chamada Clara. Durante essas visitas, ela contou pra minha mãe que havia abandonado uma criança recém nascida em uma lixeira a dezoito anos atrás.

-Tem certeza que é ela?

-Não temos certeza de nada. Essa tal Clara tem 35 anos e mora bem perto da favela.

-Ela contou mais alguma coisa?

-Ela disse que a criança que havia abandonado, era uma menina.

-Você tem o endereço dela?

-Minha mãe tem, eu consigo se você quiser.

-Eu quero sim... muito.

-Eu não sei, Marcilla... Você já tem a sua família... não precisa conhecer essa cretina que te abandonou!

-Ela tem mais algum filho?

-Não tenho certeza absoluta...mas parece que tem... acho que é uma menina de 14 anos.

-Eu preciso muito do endereço, Daiane... Por favor.

-Tudo bem, eu vou pegar o endereço com a minha mãe....mas eu acho que não é uma boa ideia você ir atrás dessa mulher...

-Obrigada, Daiane.

-De nada, amiga. Até mais.

Assim que Marcilla desligou o celular, saiu do quarto e foi até o escritório de seu tio Dagoberto que estava concentrado assinando alguns documentos importantes vindos da Europa.

-Com licença, tio Dagoberto....

-Entre, querida... Aconteceu alguma coisa?

Marcilla se aproximou da mesa e sentou em frente ao seu tio, que a encarou atentamente.

-Está tudo bem com você?-perguntou Dagoberto analisando as feições do rosto da menina.

-Eu acho que encontrei a minha mãe....

-Sua mãe biológica?

-Sim... Minha colega da escola, a Daiane, conseguiu descobrir quem é ela.

-Por que isso agora? Qual o interesse em conhecer uma pessoa que te abandonou quando era recém nascida? 

-Tio, eu jamais iria abandonar o senhor, o meu pai, a Laila, o tio Martino e o tio Giancarlo...Eu apenas quero conhecer a minha mãe verdadeira. Eu quero entender o porquê que ela me abandonou daquela forma.

Dagoberto suspirou profundamente e disse:

-Marcilla, eu jamais neguei algo a você ou a sua prima...mas desta vez eu terei que recusar esse seu pedido absurdo de querer ir atrás de uma pessoa que abandonou você em uma lata de lixo!

-Mas, tio, eu apenas queria...

-Você não vai atrás dessa mulher, você me entendeu?

-Eu queria conhecer ela apenas...

-Não vai conhecer coisa nenhuma!.. Essa criatura não é digna de ser chamada de "mãe"! Portanto, eu não quero que você vá atrás dela.

Marcilla tentou engolir o choro, mas as lágrimas escorreram pelo seu rosto.

-Querida...eu sei que somos apenas seres das trevas desprovidos de almas e longe do alcance da graça de Deus. Mas estes mesmos seres das trevas tiraram você de dentro de uma lixeira e trouxeram para casa...Estes seres das trevas se tornaram a sua família. Nós somos a sua família.

-Tio, eu sei que vocês são a minha família...Mas eu preciso entender o motivo que levou ela a me abandonar. Eu não pretendo ir morar com ela. Apenas quero conhecê-la.

-E aonde vive essa mulher?

-Perto da favela...

-E você acha que eu vou te deixar ir até esse lugar? Nem pensar!

-Mas, tio...

-Já basta dessa história, Marcilla!..Eu não quero você metida naquele lugar repleto de marginais e criminosos. Vá pensar na viagem com a sua prima...Eu já comprei as suas passagens de primeira classe. Vocês duas viajarão na próxima semana.

-Sim, senhor...

Marcilla levantou cabisbaixa e andou até a porta.

-Marcilla...Apesar do que eu sou, eu gosto muito de você e quero o seu bem. Eu tenho mais de quinhentos anos de existência e nunca, jamais havia me apegado emocionalmente a uma pessoa igual a você... Você é mais do que minha sobrinha... é minha filha também.

-Mesmo eu sendo diferente de vocês todos?

-Não, nós é que somos diferentes de você... Nós somos criaturas sugadoras de sangue que vagueiam pela escuridão durante séculos. E você é um anjo de luz que iluminou as trevas em que todos nós vivíamos.

Dagoberto levantou e se aproximou dela.

-Por você nós aprendemos a controlar nosso instinto assassino. E é por você que nós existimos.

Marcilla sorriu e abraçou seu tio. Dagoberto deu um beijo na fronte dela e disse:

-Você nunca será abandonada por nenhum de nós, querida.

-Eu sei. Eu amo muito todos vocês.

Marcilla retirou-se dali deixando Dagoberto pensativo e, pela primeira vez, preocupado. 

Momentos depois, Laila e Marcilla estavam dentro do carro indo em direção ao shopping da cidade. Martino estava dirigindo como de costume.

-Vocês duas me tiraram do meu "sono da beleza"...Eu estava sonhando.

-Sonhando com o que, tio Martino?-perguntou Laila.-Com a Elizabeth Béthory?

-Não...com a minha conta bancária.

-A sua conta falida?

-Minha conta não está mais falida, minha querida...Eu consegui recuperar o dinheiro perdido.

-Conseguiu como? Assaltou algum cofre na Itália?

-Infelizmente não tenho essa sorte. Eu vendi aquele baú de jóias antigas que havia trazido da Itália...Me rendeu quase quatro milhões de reais. 

-Eu adorava aquelas jóias...o senhor não devia ter vendido todas, tio Martino.

-Infelizmente eu tive que fazer isso para ter minha conta bancária de volta, querida. Mas eu prometo recuperar algumas delas para você.

-Eram jóias tão lindas da Era vitoriana e renascentista...

-Minha princesa não ficará sem jóias... Aliás, as minhas duas princesas não ficarão sem suas jóias.

Martino percebeu que Marcilla estava silenciosa desde que sairão de casa.

-Marcilla?.. Está tudo bem?

-O que o senhor disse?

-Eu perguntei se está tudo bem com você.

-Sim... está.

-Você não disse uma palavra desde que saímos de casa...

-Ela está assim porque cismou com a ideia de conhecer a mãe biológica...

-O que? Porque isso agora? 

-Foi só uma coisa que me passou pela cabeça, tio Martino...-disse Marcilla.

-Por que você quer conhecer alguém que te abandonou em uma lixeira?-perguntou Martino enquanto dirigia usando óculos escuros.

-Apenas curiosidade, tio...

-Seu pai e eu achamos você jogada dentro de uma lata de lixo no meio da noite, Marcilla... Você era a coisinha mais linda que eu já tinha visto na vida. Tive vontade de te morder.... não da forma que está pensando, mas sim porquê era uma bebê muito fofinha.

Marcilla riu de uma forma doce e carinhosa.

-Mas é verdade...-continuou Martino.-Você era muito lindinha. Uma bonequinha de bochechas rosadas. Você e Laila fizeram de mim o tio mais bobo do mundo.

-Até o meu pai ficou bobo com o passar do tempo...-disse Laila.

-E Dagoberto também... Aquela carcaça velha de quinhentos anos, o mais terrível entre nós vampiros, se tornou um "cordeirinho" quando Marcilla entrou para nossa família.

Marcilla voltou a ficar cabisbaixa e Martino disse, assim que percebeu o olhar melancólico da sobrinha:

-Esqueça a sua mãe biológica, Marcilla... Você não precisa dela. Nunca precisou. Nós somos a sua família

-Tio Martino tem razão, prima... Você não precisa daquela ordinária que te abandonou. Ela nunca agiu como uma mãe de verdade. Sabe o que é pior? Perder uma mãe que te ama verdadeiramente...Eu nunca tive a chance de abraçar a minha mãe, porque ela foi morta com uma estacada no peito!..Meu pai disse que ela me amava muito. Então, minha prima, nunca lamente por alguém que não teve pena de você e te abandonou no meio do lixo. Essa pessoa não merece te conhecer!.... E você não deve perder o seu tempo indo atrás dela.

Marcilla baixou os olhos e permaneceu em silêncio, chorando por dentro como se estivesse antecipando uma grande decepção formar-se na sua vida....



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