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História A sombra do Vampiro: laços sanguíneos - Capítulo 4


Escrita por: CRIS75950

Capítulo 4 - Passado que condena


Fanfic / Fanfiction A sombra do Vampiro: laços sanguíneos - Capítulo 4 - Passado que condena

Marcilla retornou para casa depois de sua visita inesperada até a casa de sua mãe biológica... Assim que entrou no quarto, deu de cara com Laila que surgiu na sua frente.

-Que susto, Laila!..

-Finalmente você voltou, prima!..Eu fiquei feito uma doida procurando por você.

-Desculpe ter saído sem avisar...

-Aonde você foi afinal?

Marcilla ficou silenciosa e respondeu após uma pausa:

-Eu fui até a casa da Daiane....

Laila cruzou os braços e se aproximou dela dizendo:

-Não minta para mim, prima.... Você sabe que eu sinto e vejo dentro da sua mente.

Laila balançou a cabeça e disse:

-Você foi atrás dela...

Marcilla baixou os olhos enquanto presenciava a indignação de Laila.

-Por que não me avisou?.. Você não devia ter ido até lá sozinha!..

-Ela não é o que você pensa...

-Que se foda!.. Ela abandonou você e isso basta!..

-Ela se viu obrigada...

-"Obrigada" um cazzo!.. Uma mãe de verdade nunca faria isso!... Uma mãe de verdade enfrentaria até o demônio para proteger um filho!

-Laila, não é o que você está pensando...

-Durante um período da minha existência, eu cheguei a conclusão de que o homem é o verdadeiro monstro.

Dito isso, Laila saiu do quarto deixando Marcilla totalmente chateada. 

-Mais respeito com a sua prima, garota...-protestou Martino assim que cruzou por Laila no corredor.

Assim que viu Marcilla com lágrimas nos olhos, Martino aproximou-se dela e falou:

-Você está bem, querida?

-Estou... obrigada.

-Eu detesto ter que admitir, mas você agiu com muita irresponsabilidade... Devia ter nos avisado para onde iria.

-Sim, senhor....

-Eu sei que eu não sou um bom exemplo de tio, mas...eu me preocupo muito com você, Marcilla. Laila é uma de nós e pode se defender contra tudo e qualquer coisa, mas você... você é só uma menina de dezoito anos. 

-Desculpe, tio Martino...eu devia ter avisado antes de sair.

-Seu tio Dagoberto quer falar com você. 

-Ele sabe?

-Não tem o que aquele velho morcego não saiba... Dagoberto sempre foi o mais persuasivo de nós cinco... Aquele miserável sabe de tudo e vê tudo.

Marcilla então desceu às escadas e foi até o escritório de seu tio... 

-Com licença, tio...-disse Marcilla assim que abriu a porta.-O senhor queria falar comigo?

-Eu quero sim... Sente-se.

Marcilla sentou de frente para ele com os olhos baixos... ela não ousava encará-lo.

-Olhe para mim, Marcilla....

Marcilla levantou a cabeça e olhou para o seu tio.

-Você sabe qual o significado da palavra "Vampiro"?..."É um ser mitológico de origem eslava. De acordo com a lenda, são mortos-vivos que saem dos seus túmulos para sugar o sangue dos vivos, tirando-lhes a vitalidade."...Sim, é desse jeito que somos chamados. Mas também temos um outro significado muito forte...Somos super protetores. Protegemos nossas famílias. O que você fez hoje foi muita irresponsabilidade, Marcilla... Você é livre para tomar as suas decisões, mas não para se meter em um ambiente cercado por bandidos e traficantes!

-Me desculpe, tio Dagoberto....Eu fui ver a minha mãe...

-Poderia ter nos avisado primeiramente.

-Eu sei...

-Como foi esse seu encontro com ela?

-Eu não sei explicar... Ela me pareceu ser muito sincera e sensível. Ela me disse que foi obrigada a me abandonar... disse que foi ameaçada pelo meu pai que era um criminoso e traficante.

-E o que mais?

-Ela foi ameaçada por ele... ele não me queria.

Dagoberto deu um longo suspiro e disse:

-Quero que você preste muita atenção no que vou lhe dizer, Marcilla... Você tem todo o direito de ir visitar a sua mãe biológica...mas não vá desacompanhada. Se acontecer alguma coisa a você, o seu pai irá destruir tudo o que encontrar pelo caminho. E nem eu ou os seus tios conseguiríamos detê-lo. Armand possui um poder demoníaco ocultado em seu interior...Um poder que foi passado para ele antes mesmo de nascer. Quando ele perde o controle sobre si, não conseguimos detê-lo... Armand é ainda mais poderoso do que eu e meus outros irmãos.

-Mas eu estou bem, tio... não aconteceu nada comigo!

-Por sorte ainda não...mas você não deve retornar sozinha para aquele lugar. Pode convidar seu tio Martino ou Laila para ir com você.

-Tudo bem, tio...eu prometo ir acompanhada da próxima vez.

-É melhor assim. 

-Eu vou falar com o papai...

Marcilla saiu do escritório e foi até o quarto de Armand...

-Pai?-disse ela abrindo a porta.-Você está?.. Pai?

Armand não estava no quarto. Marcilla andou até a cômoda que ficava em frente a janela após notar um estranho caderno que estava aberto sobre a cômoda de madeira. 

Marcilla pegou o caderno e vou que se tratava de um antigo diário...um antigo diário de capa dura do século 19. Marcilla sentou na beira da cama e começou a ler.

"Desde que você se foi, eu sinto um vazio muito grande dentro de mim... você foi a primeira e a única mulher que eu amei durante a minha existência, Adrianne. Eu tinha tantos planos para nós dois...Meu sonho de me casar e viver como um homem normal foi interrompido no dia em que perdemos nosso filho...O filho que eu nunca tive a chance de conhecer e segurar nos braços. Eu perdi totalmente o controle sobre mim e acabei tirando a sua vida inocente para saciar o meu desejo amaldiçoado por sangue humano!... Eu jamais poderei ser feliz novamente, Adrianne...Eu tirei a sua vida e a vida do nosso filho. Nosso pequeno primogênito que nos uniria eternamente e me traria a paz que eu tanto desejava...Eu só queria viver normalmente sem ter que me alimentar do sangue dos vivos...sem ter que tirar vidas inocentes e precoces. Eu queria você ao meu lado...eu queria ter o meu filho ao meu lado para preencher esse buraco negro que se abriu dentro de mim depois que você e ele partiram por culpa minha...Eu matei vocês dois...Que Deus me castigue eternamente!"...

Marcilla fechou o diário e respirou fundo para conter as lágrimas que pingavam sobre a capa do diário. Marcilla sentiu-se inutilizada naquele momento...A porta se abriu e Armand entrou e sorriu ao ver Marcilla.

-Você voltou...Eu estava procurando por você em todos os lugares, filha!..

Marcilla enxugou as lágrimas e evitou de olhar para ele.

-O que aconteceu, querida?

-Sinto muito pelo seu filho verdadeiro... Espero que algum dia você consiga preencher esse vazio dentro de você.

Dito isso, Marcilla entregou o diário nas mãos de Armand que ficou sério e sem entender o que estava acontecendo.

-Espere, minha filha...

Marcilla saiu para fora do quarto. Armand olhou para o diário que segurava em suas mãos... Armand correu até o quarto de Marcilla e se aproximou dela assim que entrou.

-Querida...essas palavras eu escrevi pouco tempo depois que perdi a Adrianne e a criança. O vazio que eu sentia já foi preenchido por você... pela minha menina... minha pequena Marcilla. Eu te amo muito, filha...

-Você nunca me mostrou esse diário...

-Eu o encontrei guardado dentro do meu antigo baú... Ele me trouxe as recordações do passado. 

-Você a amava muito, não é?

-Sim, muito... Adrianne foi a única mulher que amei durante a minha existência. Infelizmente eu destruí a vida dela... Ela não suportou a gravidez.

-Por que isso aconteceu?

-Dificilmente uma mulher humana consegue suportar uma gravidez vampírica. A minha mãe suportou até Lucilla nascer por último... Toda a vida dela foi sugada durante as gestações. 

-E como a mãe da Laila resistiu?

-Seu tio Giancarlo a transformou em uma de nós antes que Laila nascesse. Eu me recusei a fazer isso com Adrianne porque eu não queria vê-la transtornada em um ser das trevas como eu.

-Eu sinto muito.

-Não fique triste pelo que está escrito aqui, querida... O que aconteceu agora é passado. Você é minha filha...e nada e nem ninguém poderá mudar isso.

Armand beijou a fronte dela e completou:

-Nunca mais saia de casa sem antes nos avisar, querida... Eu não tenho mais idade para estar me preocupando.

Marcilla sorriu e abraçou seu pai carinhosamente.

-Me desculpe por ter agido de forma infantil com você, pai...Eu me deixei levar pelas emoções.

-Não peça desculpas, querida... você não fez nada. Eu não devia ter deixado esse diário em cima da cômoda.

Em seguida, Armand levantou e andou até a porta e disse:

-Eu vou me livrar disto...

-O que? Porque?

Armand sorriu de uma forma entristecida e deixou o quarto de Marcilla.

Armand andou até a sala e se aproximou da lareira... ele olhou para o diário e logo em seguida, o jogou dentro da lareira sobre as brasas que crepitavam.

Assim que a noite chegou, Clara e Isadora estavam terminando de jantar na sala.

-Ela vai vir morar com a gente?-perguntou Isadora enquanto mastigava.

-Quem?

-A riquinha bastarda da sua filha.

-Eu já disse para você não falar assim da sua irmã, Isadora!..Por que esse ódio todo?!

Isadora não respondeu. Continuou a mastigar a comida de uma forma debochada. De repente, alguém bateu na porta.

-Atenda a porta pra mim...-ordenou Clara.

Isadora levantou da mesa e se aproximou da porta... assim que abriu, viu uma moça de cabelos pretos e com os braços cruzados; seu olhar era estático e assustador.

-Deseja alguma coisa, moça?-perguntou Isadora.

-Eu quero falar com a Clara...

Aquela moça era Laila que havia ido até lá.

-Posso saber quem é você?

-Alguém que você não gostaria de conhecer... Agora chame a porra da sua mãe.

-Atrevida você, garota...escuta aqui...

-Escute você, sua vagabundinha ordinária...Eu não sou da sua laia... portanto, é melhor tomar muito cuidado com as palavras e com quem você está falando. Agora chame a maldita da sua mãe antes que eu enfie a mão no seu estômago e arranque os seus intestinos!

Isadora encarou Laila com grande pavor e sentiu seu olhar ameaçador sobre si.

-Boa noite...-disse Clara assim que se aproximou com um pano de prato nas mãos.-Eu posso ajudá-la?

-A senhora é a dona Clara?

-Sim, sou eu mesma. Porque?

-Posso falar com a senhora?

-Sim, é claro. Mas quem é você?

-Laila Spallanzani...sou a prima da Marcilla.

-Aconteceu alguma coisa com ela?

-Não, ela está bem...eu apenas vim aqui para ter uma conversa séria com a senhora, dona Clara.

-Por que? Qual motivo?

-Você já vai saber...

Laila passou por Clara de uma forma que ela mal pôde perceber e fechou a porta de uma forma brusca sem ao menos tocar na maçaneta. Isadora ficou assustada e correu para trás da porta da cozinha. Laila encarou Clara seriamente que se manteve parada no mesmo lugar em que estava.

-O que a senhorita deseja de mim?

-Em primeiro lugar, eu quero que saiba que Marcilla está na minha família desde que foi resgatada de dentro de uma lata de lixo há dezoito anos atrás...Em segundo lugar, nem eu e nem ninguém da minha família irá permitir que você ou outra pessoa venha querer tirar Marcilla de nós!

-Tirá-la da sua família? Eu nunca faria uma coisa dessas! Eu tenho certeza que ela é muito feliz vivendo com a sua família...Eu não tenho motivos para reclamar ou de querer tirá-la do seu convívio familiar. Eu fiz uma coisa horrível no passado...eu abandonei a minha filha recém nascida dentro de uma lata de lixo. Eu não queria ter feito aquilo, mas eu fiz.

-Eu posso até compreender que você estava sob pressão, sendo ameaçada...mas poderia ter evitado esse abandono.

-Eu não tive escolha...E me condeno por isso até hoje.

-Sinceramente, eu não queria estar me intrometendo nessa história...mas Marcilla é minha prima... é muito mais do que minha prima, é como se fosse minha irmã.

-Eu fico feliz em saber que a minha Daniela...

-Ela se chama Marcilla Spallanzani!.. Registrada com certidão de nascimento italiana no cartório de Veneza pelo meu tio Armand Spallanzani. Certidão de nascimento autêntica e carimbada. 

Clara ficou em silêncio enquanto olhava para Laila que permanecia séria e com o olhar estático. Antes de ir embora, Laila aproximou-se de Clara e disse:

-Não queremos proibir a Marcilla de vir aqui visitar você...Mas se caso tentar fazer alguma coisa para tirá-la de nós, sentirá o nosso ódio.

Dito isso, Laila deixou a casa de Clara. Isadora voltou para junto de sua mãe e disse:

-Eu disse que essa gente era esquisita... Todos na minha escola falam sobre os Spallanzani. Já me contaram coisas assustadoras sobre eles.

-Já chega desse história, Isadora! Eles têm razão em querer proteger a sua irmã.

-Mãe, você viu essa garota que saiu daqui!.. Você mesma viu o quanto ela é estranha. 

-Você está com inveja porque a sua irmã foi adotada por uma família rica estrangeira...

-O que? Eu não estou com inveja!..Estou assustada com o modo que aquela garota entrou aqui em casa!..Eu senti um arrepio muito forte quando ela entrou...

-Imaginação sua, Isadora....Eu não vi nada de estranho nela..

-Mas, mãe...

-Já basta com essa história, Isadora!.. Se você não quer aceitar a sua própria irmã, ao menos tenha mais respeito por ela e pelas pessoas que adotaram ela. Estou farta do seu egoísmo e dos seus deboches!

Cansada de ouvir toda aquela história"fantasiosa" de Isadora, Clara retornou para dentro da cozinha. Por um longo período, Isadora ficou se perguntando quem eram àquelas pessoas estranhas...E também continuava disposta a livrar-se de Marcilla o mais breve possível.



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