História A Song To Everything - Capítulo 24


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Categorias Amor Doce
Personagens Agatha, Alexy, Ambre, Armin, Bia, Boris, Castiel, Charlotte, Iris, Kentin, Kim, Leigh, Li, Lysandre, Melody, Nathaniel, Nina, Peggy, Personagens Originais, Professor Faraize, Professora Delanay, Rosalya, Senhora Shermansky, Violette
Tags Musica, Romance
Visualizações 6
Palavras 2.455
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


oi gente, eu sei que eu demorei, mas isso tem a ver com várias coisas e eu peço desculpas, a fanfic está bem próxima da reta final, acredito eu que em cerca de cinco capítulos ela vai estar finalizada.

Capítulo 24 - Segundos Amores de uma Vida


 Não a culpe

 foi o que ele disse, e era uma coisa tão… Miguel de se dizer que arrepiava o pelo dos meus braços.
Eu e meu falecido namorado nos conhecemos de uma forma inusitada: disputando um armário em uma biblioteca. Miguel estava irado por estar em uma biblioteca contra a própria vontade e eu estava irada por estar em uma biblioteca que não tinha o “canto de quem não quer ler” contra a minha vontade. 

 Então agora, no silêncio da biblioteca eu abri o armário número 34 e segurei um papel de carta que estava absolutamente empoeirado. Respirando fundo, forcei meus dedos que tremiam a abrí-lo.

 

 Foi aqui que a gente começou
seus olhos estavam queimando de raiva e você estava molhada de chuva, brigando com um garoto desconhecido por um armário numa biblioteca.
Por um tempo, foi só isso, só eu e você trocando farpas e olhares que nenhum dos dois percebia, você estava sempre ardendo e queimando e parecendo eufórica com alguma coisa, Caio estava sempre observando a gente.

 Eu te conheci num fim de tarde nublado e chuvoso, tão quente que minha pele quase escorria dos ossos. Te conheci irada e encharcada e espumando de raiva. Sei que estou sendo repetitivo, mas algumas coisas precisam ser ditas várias vezes pra que não sejam esquecidas.

 Eu te amo, mesmo que eu tenha morrido, eu ainda te amo
Eu te amo eu te amo eu te amo eu te amo eu te amo eu te amo eu te amo, não quero que você esqueça disso.

 No fundo no fundo eu sempre soube que morreria antes, sempre soube que seria você quem leria as últimas palavras de nós dois, quem vivenciaria a perda.

 Sinto muito por isso. Sinto por não poder te abraçar pra te confortar e por não poder secar suas lágrimas, sinto muito por saber porque você está chorando e não fazer nada sobre isso. Meu Deus, Sereny, me desculpe!

 Ter me apaixonado por você foi a melhor coisa que eu fiz na vida, e que você tenha se apaixonado de volta foi a melhor coisa que eu recebi em estar vivo.
Obrigado por me amar de volta, obrigado por se dar o trabalho de ler essa carta, obrigado por ter vindo a essa biblioteca quando era a última coisa que você queria fazer, obrigado por me deixar segurar a sua mão e por me deixar te abraçar. Obrigado pelas horas de conversas aleatórias que tivemos procurando estrelas. Obrigado por simplesmente existir, porque, mesmo que eu nunca tivesse te conhecido, eu teria te amado nessa vida como vou amar na próxima.

                                                                                                                                                                                                        Ass: Miguel

 

Eu não queria chorar nesse papel de carta… e também estava aliviada por ele ter escrito a lápis e não ser solúvel com lágrimas.
Sai tempestuosamente da biblioteca, minha mente se focando em partes não tão importantes da carta, coisas como leria e fazer e aleatórias, não que eu tivesse me esquecido do que estava escrito ali.
Eu estava perdendo o funeral, mas isso não tinha tanta importância quanto encontrar a última carta do amor da minha vida.
Parei abruptamente, dirigindo meus olhos para o céu claro com poucas nuvens brancas e fofas.
Será que eu posso ter mais de um amor da minha vida?
Eu amo Castiel, de uma forma diferente da qual amei Miguel, Castiel foi um soco no meu estômago, como um vaso que caiu na minha cabeça enquanto eu andava na rua, Miguel foi… como a luz amanteigada do sol da manhã, lento e simples e brilhante.
A dor e a tormenta de ter perdido um me permitiu encontrar o outro, e o outro me puxou de uma cova de sofrimento onde não era eu que deveria ser enterrada.

 Castiel não estava ali pra ser meu porto seguro, minha proteção, estava ali pra caminhar junto comigo e pra se ferir junto comigo se as coisas dessem errado. Talvez eu precisasse disso, de alguém que não fosse como o primeiro amor da minha vida, porque eu sei que eu teria renegado alguém assim.

 

 Me dirigi até um café, a carta firme em minhas mãos e me sentei em uma das mesas do lado de fora. Eu queria, quero, amar, quero todas as implicações de entregar meu coração pra outra pessoa, independentemente da dor ou das consequências.
  – O que deseja, senhorita?

 Meus olhos deslizaram até ela, para as feições amáveis e suaves, para a pele clara de porcelana e os lábios pálidos, ela era bonita.
  – Café preto. – respondi, a simplicidade da coisa me acalmando no meio do turbilhão de sentimentos.

 Já estava sentindo falta da Itália, das ruas que seguiam o rio e das luzes calmas. Esse lugar, Nova Iorque, não era mais pra mim, não com toda essa tormenta e barulho.
Um corpo se jogou na cadeira a minha frente.
  – Que volta triunfal, hein?

 A calma, aquela calma fria e perigosa que me perseguia por onde eu andava, se assentou em meus ossos, apagando o brilho do meu olhar e desviando minha atenção lentamente para a garota sentada à minha frente.

 O decote, a primeira coisa que eu percebi foi o decote da blusa rosa, depois as pequenas tranças mal feitas no cabelo castanho e então os olhos azuis aguados, a imitação barata dos olhos do meu pai e da minha irmã.
Reconhecimento carregou minhas veias depois da repulsa, meu cenho se franziu enquanto eu tentava me lembrar.
  – Sou Debrah. – disse, estendendo a mão com luvas de renda sem dedos e unhas pintadas para mim, recusei. – Ah, não seja difícil Starrya. Eu estou aqui pelo bem de nós duas.
  – Duvido que você consiga trazer bem a uma brisa que seja. – retruquei, sorvendo um gole do café que a jovem bonita colocara à minha frente e ignorando o meu nome artístico que ela usou de forma debochada.
A xícara emitiu um baque surdo ao pousar no pires.

 A garota – Diabrah, já que eu já tinha decidido que não gostava dela – passou os dedos feios pela alça da minha xícara, bebendo a minha bebida… e queimou a língua… audivelmente. Um sorrisinho de deboche desenhou meus lábios.
  – Bom – disse, esfregando a mão na boca –, de qualquer forma. Quero que você cante comigo. Por minha conta.
  – Por que eu faria isso?
  – Vejamos. – a garota fingiu analisar as unhas. – Eu já ia fazer um show de qualquer forma. Vai servir para anunciar para as pessoas que você está aqui e para me dar a atenção que eu mereço.

 Era um bom plano. Equilibrado. Oferecer de bandeja para uma cantora tudo o que ela precisa só para poder deslanchar a própria fama.
  – Debrah, Debrah… – levei a xícara até os lábios outra vez, claramente limpando o lugar onde a garota tinha encostado. – Quase temos um acordo.

 

 Diferente de Debrah, que pensou nos próprios termos – com uma velocidade impressionante – só pra me convencer, eu só estava preocupada comigo mesma. Então eu disse – isso mesmo, apenas disse – a ela que usaria uma semana para me decidir de quais músicas eu participaria. Pedi também uma canção solo e avisei que não participaria de algumas das músicas da banda dela.

 Algo no meu sangue vibrou, eu conhecia aquela sensação, a excitação antes de um show. Eu vou incendiar aquele palco. 

 

 O show da garota Diabrah será em três meses, o que me dá quase tempo o suficiente para terminar meu semestre no Saint Merlody, mesmo que eu só fosse pegar meu vôo de volta às 18:00 amanhã. Subitamente, ao ver uma chamada de Castiel acendendo a tela, me lembrei onde tinha visto a garota.

  – Conheci sua ex-namorada hoje – disse à guisa de cumprimento quando atendi.
  – Que? – ele perguntou, soando perdido.
  – Debrah, não é? – arrastei o nome da garota, fazendo-o soar sujo.
  – Você não tem jeito mesmo, né?

 Relatei a ele a conversa com a garota, mas ele não pareceu feliz com o fato de eu ter aceitado a proposta dela.
  – Ela é inteligente, essa Debrah… mas você me conhece. – me deitei na cama, respirando fundo para sentir o cheiro dele que ainda estava na camiseta que eu roubei. – Mas… o que você vai fazer? Sobre, sabe, a Itália e eu.

 A linha ficou muda por um momento, então ele soltou uma respiração misturada com uma risada.
  – Não sei, Reny. Você sempre complica tanto as coisas.

 Meu corpo inteiro sentiu a batida do meu coração, que poder esse garoto de repente tinha sobre mim. Era estranho e satisfatório, confuso e doce.
  – Eu tenho um dinheiro sabe, e alguns parentes. A gente podia comprar uma casa aí, se você quisesse. – era um movimento arriscado, me oferecer pra morar junto com ele.
Mais arriscado ainda era me oferecer pra comprar uma casa.
  – Não vamos usar o seu dinheiro pra isso.
  – Eu não posso ficar morando com a Marrie pra sempre, vou precisar de um lugar pra ficar de qualquer jeito. – rebati.
  – Mas-
  – E escuta, além de os dois CDs ainda venderem – sopesei as palavras. Qual seria o impacto dessa declaração pra ele? – Eu… eu, bem, a parte do Miguel em quaisquer ganhos é minha agora…

 O silêncio de Castiel foi mais longo agora, eu estava cruzando os dedos pra que ele não estivesse encanado com o nome de Miguel saindo da minha boca.
  – Reny… eu sei que é egoísta e ridículo, mas eu ainda não gosto de ouvir o nome dele na sua boca. E eu não quero que você gaste esse dinheiro comigo, você pode fazer tantas coisas com ele, eu sei que pode. – faltava o sarcasmo característico na voz dele, aquele que ele usava com o sorriso maldito.
  – Desculpa – pedi, sem saber exatamente porque.

 Eu realmente tinha alguns outros planos para aquele dinheiro, ajudar pessoas com ele, ou ajudar aos meninos e a mim a seguir com a vida. Realmente, a maioria das pessoas fica receosa em usar o dinheiro dos mortos, mas eu não sou a maioria das pessoas, e o dinheiro era última coisa com que Miguel se importava.
  – Não tem problema, sabe? – fiquei muda, ouvindo outra vez um sorriso na voz dele – Você ter ideias bobas as vezes.

 

 Castiel e eu ficamos um bom tempo conversando, até que a noite se tornou madrugada e a lua começou sua descida pelo horizonte. Coisas levianas corriam entre nós e risadas sussurradas ecoavam em nossos ouvidos, e, uma vez, depois de tanto tempo, as coisas pareciam estar no lugar outra vez.
  – O sol já nasceu aqui, e aí? – ele perguntou.
  – Aqui ainda não – respondi, bocejando. – Deus! Preciso dormir, desculpe.

 

 Miguel estava nos meus sonhos, vestido como sempre, cheirando como sempre, vivo como sempre. Ele dançou comigo e me contou histórias, correu e rolou comigo pelos campos como se fôssemos duas crianças. Eu não me lembrava realmente que ele tinha morrido enquanto dormia, minhas memórias estavam borradas e fora de frequência, mas havia um bolo em minha garganta que eu simplesmente não conseguia engolir.

 Era como se tudo estivesse perdido.
O meu garoto de olhos doces sentou comigo na clareira de lavandas, encarou o horizonte e me pediu para cantar. Então eu engoli a trava na minha garganta, a tristeza e a agonia e cantei pra ele.
Cantei sobre amor e sobre dor, sobre querer e sobre precisar, sobre ter e perder. Cantei sobre ele, sobre mim, sobre nós e a nossa história.
Ele não cantou comigo, não olhou pra mim. Então eu me calei.
  – Viu – disse, virando-se para mim com um enorme sorriso e os olhos doces fechados. Inclinei a cabeça, sem entender. – Eu sabia que você ainda conseguia.

 A pele do meu namorado começou a brilhar, e eu senti que ele estava escapando de mim. Me lancei para frente envolvendo-o e chorei.

 E continuei chorando quando ele era apenas uma memória na brisa e eu estava sozinha em um campo de lavandas.


 

 A luz de meia-tarde acertava meus olhos pela janela, as cortinas oscilando docemente, os carros fazendo um escarcéu na rua. Eu tinha que ver o túmulo de Miguel ainda hoje, então me vesti correndo e pedi um táxi.
Eu não tinha realmente me preparado para ver o túmulo dele, percebi, enquanto o motorista cantava junto com alguma música no rádio.
  – E agora, a maior bomba da semana! O reaparecimento da vocalista da nossa doce banda Darky Moony! Starrya, a garota com voz de anjo, deve um reaparecimento esclarecedor no enterro de seu baixista e namorado, nosso amado Miguel. Que se suicidou após ter “descoberto” a overdose da namorada que a levou ao falecimento…

 A cada palavra eu me encolhia mais no banco, pensando que se ficasse pequena e calada o suficiente essas notícias desapareceriam.
  – A única coisa que ela realmente fez foi ler a última carta do nosso garoto de ouro. Não sei se eu gosto muito dela, já que ela não estava morta e sequer chorou. Se estiver ouvindo isso Starrya, por favor, vá se f-piiii. Desculpe, me exaltei. – disse a voz aguda, rindo. – Agora, vamos ouvir a última música do grupo que foi a sensação do último ano: Crashing Things.

 Eu me lembrava dessa música, era uma das que nós escrevemos apenas porque era bonita.
It’s december and you don’t remember me
You forget about it all we have to be
You don’t care my feelings and I don’t
Would let you on your on

 Me deixei cantar, sentindo a letra ecoando pelo carro
I’m crashing things to let you go
You crash my heart when I say “no”
I’ll fall apart if I don’t know
About what you tell me what was it all

Eu gostava dessa música, cantá-la nunca exigia muito de mim, percebi o sorriso rasgando meus lábios e o motorista me encarando pelo retrovisor, pisquei pra ele.
  Can’t take me broke I have to go
To heal the hurts you don’t quite know
Now I have scars about it all
Now I have a reason to say “no”

 

 It’s January and I still remember you
I’m forgetting about all I have to do
Still accepting all the tears that roll through
‘Cause it comes to you
It’s still too cold to walk on the street
Looking for someone that don’t make me sick
I’m having all this problems about drunk
But I’m paying on
You’re crashing things to have me back
You’ll say you’re sorry on the next step
Try to convince me that with you is best
But about your victims i’ll be the next

 

 O motorista ainda me encarava quando a música acabou, e eu tinha certeza que ele iria me pedir um autógrafo então me pus a correr depois de jogar algumas notas nele.

 Tenho que admitir que sabiam bem onde ele gostaria de ser enterrado. Ali as folhas das árvores tinham tons frios e uma brisa estava sempre circulando pelo ar.
E então eu estava frente a frente com o túmulo de meu ex-namorado.



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