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História A Song To Everything - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Olá pessoal. Descobri hoje que eu demorei muitooooo pra postar esse capítulo. E eu sinto muito pela minha falta de senso e consideração com as pessoas, vocês, que acompanhavam a estória.

Capítulo 25 - Se encontrar


 Seus pais já tinham mandado fazer a lápide ao receber a notícia de que ele estava morto mesmo sem terem encontrado o corpo, queriam diminuir o mínimo possível de tempo em que Miguel seria desconhecido.

 Algo estava se rasgando em meu peito. O tinham colocado ali. Tinham talhado uma pedra com seu nome e jogado sete palmos de terra sobre seu corpo. Esse parecia o pior castigo para o meu puro e livre Miguel.
O mármore estava frio sob meus dedos e uma lágrima solitária tinha escorrido pela minha face. De repente, todas as facetas do plano dos meus pais apareceram para mim: me manter em casa e fingir a minha morte, deixar Miguel acreditar e usar isso para machucá-lo, nos mudarmos e fingirmos que nada disso nunca aconteceu.

 Não sei, não consigo entender como me apaixonei outra vez. Não compreendo o que aconteceu para que eu me tornasse uma fogueira esnobe e que queimava com a força do ódio e não uma fria pilha de trapos sofredores. Deus! Era meu namorado que tinha morrido, que tipo de monstro eu sou?

 Me sentei ali, o vento balançando meus cabelos.
  – Você é um filho da puta, sabia? – digo – Talvez literalmente.

 Há que ponto ia a minha insanidade para que eu estivesse conversando com uma lápide? A terra, que tinha sido remexida e coberta de grama recentemente, estava fresca abaixo de mim.
Olhei ao redor, ouvindo cigarras, um grilo e pássaros. A brisa chacoalhou os galhos das enormes árvores de folhas verde-escuras, criando uma sinfonia natural. Outra lágrima deslizou por minha bochecha.
  – Você teria amado esse lugar, M. – tento respirar, mas está se tornando cada vez mais difícil – Seria o tipo de lugar em que você viria para fazer um piquenique – continuo, a voz sumindo.

 Era verdade. Ele passaria tardes tranquilas somente olhando as formas das nuvens nesse lugar. Estendo a mão a frente, espalmando-a na grama áspera, as lágrimas molhando o chão a minha frente.
  – Você não consegue ver as nuvens, não é? – uma respiração entrecortada tenta abrir caminho até os meus pulmões. – Ou ouvir o vento nas folhas. Ou respirar, ou falar, ou amar.

 Um grito estrangulado rompe todas os meus escrúpulos.
  – Você é um hipócrita, sabia? – berro, me levantando e encarando a lápide como se olhasse nos olhos dele – Sempre dizendo “não me abandone” e agora sou eu que estou aqui abandonada, sozinha, perdida e ferida enquanto você resolveu bancar o viúvo machucado e morreu

 Meus soluços estão ecoando pelo cemitério enquanto eu dou outros gritos sofridos.
  – AH! Eu te amo e eu te amo e eu te amo. E dizer isso é pior do que dizer que te odeio porque não odeio e está me destruindo. – não consigo mais segurar isso, não depois de tanto tempo. – Me escreveu uma carta! UMA maldita carta para se despedir! Eu preferia morrer com você, caralho!

 

 Meu coração doeu. Não estava mentindo, tão pouco o que saía dos meus lábios era a verdade completa. Não importando quanto tempo passasse, eu não me importaria de ter morrido com ele. Mas agora eu tinha Castiel e pensar em deixá-lo depois de tê-lo conhecido doía tanto que mal era capaz de respirar. Será que ele experimentaria a mesma dor que eu? Como se alguém estivesse fatiando meu coração com uma lâmina cega?

 E a raiva passou. Não era justo que eu tivesse me envolvido com outra pessoa tão rápido. Mas também não era justo ele morrer e não me dar explicações. Me sentei ali outra vez.
  – Eu fiz uma coisa pra você – falei, a voz agora rouca e baixa. – Acho que ela estava aqui a muito tempo, mas percebi a bem pouco.
Respirei fundo e deixei o vento criar a minha melodia.

One day I promise if other I lost you
I’ll close my eyes and try to forgot you
But maybe I’m a liar and maybe I hadn’t
Maybe I love you and I can’t just past it
One day you promise you’ll ever be with me
But you broke your promise and I am without you
I try to breath but my lungs don’t want it
Try to don’t love but my heart don’t hear me
I’m close to the sky
But Heaven it’s far away with you
I open my eyes and realize I don’t have you
It’s hard to understand but I promise I’ll try
But I want to see you on the day that I die

 

 Minha voz sumiu… eu não era capaz de continuar mesmo que a letra continuasse ecoando na minha cabeça.
  – I’m close to the sky… but Heaven it’s far away… with you – outro suspiro entrecortado estava escapando de minha garganta e não consegui deixar de me lembrar da superstição japonesa – Eu… conheci uma pessoa.

 Outro eco das folhas me interrompeu. Contar a Miguel sobre o ruivo falso por quem eu tinha me apaixonado míseros meses depois de ele morrer não estava nos meus planos, mas eu não consegui evitar.
  – Eu não sei exatamente como aconteceu… em um dia, eu tinha me mudado para uma cidade nova e conhecido um ruivo se achante e seus amigos estranhos, no seguinte, era meu colega de sala e acabei me apaixonando por ele conforme o tempo passou.

  “Eu sei que não deveria fazer isso. Sequer deveria pensar em me apaixonar. Mas foi inevitável. As coisas com ele são tão… intensas Miguel… como se ele me transformasse numa coluna flamejante.”

 É estranho estar falando sozinha na frente da lápide do meu ex namorado. É estranho que eu esteja aqui, sentada no vento e na sombra, olhando para o lugar que indica que a vida dele acabou, sabendo que meus pais que fizeram isso, e estar me perguntando como as coisas vão ser com Castiel.
  – É claro que eu não esperava me apaixonar por ele… mas eu também não esperava amar você, então acho que está tudo equilibrado. De alguma forma, Miguel… eu vou continuar amando você pra sempre.

 

 Quando eu saí, era como se algo estivesse sendo retirado dos meus ombros, ou melhor, como se tivesse escorrido junto com as minhas lágrimas. O corpo do meu namorado, que meus pais ajudaram a assassinar, tinha sido encontrado e ele poderia descansar em paz. Com isso, eu sempre teria um lugar pra onde ir quando precisasse falar com ele outra vez, sempre teria o meu porto seguro para voltar a mim.

 Tudo que me resta agora é ir ao aeroporto e voltar para a Itália. Ainda tem muitas coisas girando na minha mente, e acho que todas as horas que vou ter antes de ver o Castiel outra vez vão ser suficientes para colocar as ideias em ordem.

 

 O ar da Itália me recebe com toda a vivacidade de sempre quando desço no aeroporto de Milão, barulhento e turbulento como era comum para ele. Familiar. O caos e a comoção era uma coisa extremamente familiar para alguém que sempre viveu viajando e que já foi uma artista. Não era exatamente por isso que eu gostava. Eu nem sei se gosto.

 Teria que dar um jeito de ir até a cidadezinha em que Marrie e Grazy moravam, que ficava a cerca de uma hora daqui, então peguei um táxi.

 Também tinha que ir ver o meu avô… e a minha outra irmã. A nossa caçula, Mikhaela. A dez anos, meu avô ficou enfurecido com meus pais por ficarem pulando de um país para o outro e atestou que eram incapazes de cuidar da menininha de dois anos. Ele, de alguma forma, conseguiu a guarda dela e uma medida cautelar para que mantivessem distantes. Era um italiano de sangue de molho de tomate, bravo como só eles conseguem ser.

 Talvez eu devesse contar para o Castiel sobre ela… sobre a garotinha que teve o benefício de crescer longe de toda essa confusão. Talvez nós pudéssemos ir viver com eles daqui a um ano.

  – Onde você está? – perguntei assim que Castiel me atendeu.
  – Num parque.
  – Parque? Que parque? – meu tom indicava a minha surpresa, não haviam parques lá.
  – Ah, desculpe. É o seu conservatório, é que é tão grande e tem tantas árvores que eu achei que fosse um parque. – conseguia ver o sorriso enviesado nos lábios dele, estava gravado na minha mente.
  – O que você está fazendo aí?

 Por um segundo, a linha ficou muda, e pensei que ele tivesse desligado na minha cara. A única coisa que eu ouvia era o som das rodas percorrendo a estrada.
  – Agora, agora mesmo? Estou fumando.
  – Castiel! – exclamei.
  – Com seu professor de piano.

 Foi a minha vez de emudecer.
  – Por quê? – perguntei, ao reencontrar a minha voz.

  – Ele ligou para o número que você deixou como endereço, a casa da Marrie, eu estava lá e atendi. Você não avisou pra ninguém que foi dar um pulinho nos EUA, hein?

 Era justo ele descrever assim depois de ele ter vindo até aqui e eu basicamente me jogar no próximo avião pra o lugar onde ele estava.
  – Mas eu já voltei. Estou indo até você.

 

 A grama emitia um ruído mínimo quando meus pés a esmagavam, já tinha tirado o casaco que estava vestindo e continuava andando até a lateral do conservatório, onde havia mais árvores.
Ouvi a risada rouca do Castiel, sentindo algo se apertar em meu peito, e segui o som. A risada dele sempre ficava rouca enquanto ele estava fumando.
  – Oi – eu disse, assim que os avistei.
  – Reny!

 Encarei o rapaz de cabelos ruivos falsos à minha frente. Não tinha percebido como estava sentindo falta dele até que botei os olhos nele outra vez, controlei o impulso de abraçá-lo e ficar grudada nele até o dia seguinte.
  – Valkn’s – cumprimentou meu professor.
  – Ainda estou me perguntando o que você veio fazer aqui, e porque você me chamou. – anunciei pausadamente, me dirigindo aos dois. – Afinal, você me disse pra voltar só quando eu encontrasse a minha música outra vez.

 Vi o rosto dele se contorcer um pouco ao ver que tinha sido pego no pulo, um sorrisinho maroto surgiu em meus lábios.
  – Mas eu já achei, então não tem problema. – as sobrancelhas dele se ergueram, entregando sua surpresa – Quer ver?

 

 Eu era boa. Muito boa. E tinha me acomodado a isso, eu não vi enquanto a música escorria de mim e se perdia, continuei fazendo, mas não continuei sentindo. E ainda assim, eu era boa. Boa a ponto de levar às lágrimas uma profissional de um conservatório, sem sentir um pingo da emoção que ela deveria estar sentindo.

 Porém, dessa vez, quando me sentei na frente do piano e deixei meus dedos pairarem sobre as teclas, aquela corrente elétrica que eu sempre sentia enquanto estava aprendendo me percorreu outra vez.

 A música nem sempre foi uma parte de mim, sempre me senti sendo uma pessoa de muitas facetas, a minha obsessão pelo meu mural indicava isso.
Assim sendo, nada me surpreendeu mais do que como as minhas mãos estavam receosas e travadas ao se moverem pelas teclas, uma mão se apoiou em meu ombro e eu quase pude ouvir “vai melhorar quando você se acostumar”. Não estava tocando nada que eu conhecesse, dessa vez, precisava ser novo e inteiramente meu. Então criei a melodia da música que fiz para Miguel.

 

 Conforme a luz do sol invadia a sala quase completamente branca, me perguntei o que essa música faria com Castiel. Não queria perdê-lo, mas Miguel também era uma parte da minha vida e tentar me privar de qualquer um deles era uma coisa que me rasgava por dentro.

 A mão em meu ombro estava se apertando conforme eu chegava ao refrão. O refrão, que tinha tanto de mim que era quase insuportável tocar isso para alguém.
  – But I want to see you on the day that… I die. – o tinido das teclas agudas me despertou do meu transe, me fazendo voltar para a sala branca.
  – Você ouviu a diferença, não, Castiel? – perguntou Mellor.
  – Claro que ouvi – mas eu ouvi a resignação na voz dele, isso sim.

 

  – Castiel – chamei, segurando os dedos dele – Você…
  – Não estou bravo por você ter cantado uma música sobre o seu ex namorado. Não vou dizer que eu amei… a música. Mas eu amei que você tenha conseguido tocá-la. Nunca tinha ouvido nada parecido com aquilo, Sereny. – e me deu um beijo na testa – Você é incrível.

 

 Pela primeira vez, em muito muito tempo, eu sabia que tudo daria muito certo.

 

 



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