História A Sonserina (2 Temporada) - Capítulo 6


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Categorias Harry Potter
Tags Harry Potter, Sirius Black, Sonserina
Visualizações 170
Palavras 3.954
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Demorei, mas voltei! Muito obrigada a todos que comentaram nos capítulos anteriores e que vem relendo a primeira temporada e que vem relendo esse poucos capítulos que tenho aqui. Agradeço também a quem favoritou, eu não esperava por tanto. Muito obrigada pelo carinho!
Boa leitura, meus amores.

Capítulo 6 - Evans


Sirius pov.

- Sirius...

Acordei sobressaltado ainda com o eco do sussurro de Haillee em meus sonhos. Eu só lembrava o toque dela em meu rosto, a pele macia de seus seios contra meu peito, seu quadril pressionado contra o meu... Mas não conseguia ver nada. Nada da pele alva contrastando com os cabelos negros, ou dos olhos verdes realçados pelo rubor nas bochechas, ou dos lábios vermelhos por tantos beijos se abrindo para sussurrar meu nome...

A cama parecia uma sauna, então dei um pulo para longe dos cobertores suados e andei pelo quarto, parando diante da janela. Lá fora, a lua iluminava a copa das árvores e as folhas balançavam com o vento aparentemente forte. O verão estava indo embora e as noites refrescantes tinham um pouco mais de frio agora.

Suspirei e abri a janela, sentindo o vento esfriar meu rosto e meu corpo, soprando meus cabelos para longe da nuca e apagando a vela ao lado da mesa de cabeceira.

Elena havia me contado tudo o que se passara durante a fuga do apartamento em chamas, a mentira que Haillee contara e como isso repercutiria em minha situação. Eu não seria inocentado até que Voldemort caísse e as pessoas certas pudessem me ajudar. Era uma esperança vã que agora se tornara muito mais possível graças a ela... Eu queria agradecer, mas não havia como escrever sobre aquilo e mesmo que fosse seguro, duvido que palavras fossem capazes de descrever a gratidão que eu sentia.

No dia seguinte...

Eu já havia me habituado ao café da manhã com os Evans, mas naquela manhã algo estava errado. Sentei ao lado de Elena e ergui uma sobrancelha em questionamento, porém ela mal abriu a boca e Thierry explodiu.

- Isso é um absurdo, Cecie! – ele bradou usando um apelido para a irmã que nunca o ouvira usar antes. – Como permitiram que as crianças viessem para cá? Meu filho está louco!

- Em defesa do meu sobrinho, duvido que “permitir” seja a palavra adequada. – Cecília comentou secamente. – E “crianças” talvez seja ainda menos adequada.

Ela parecia profundamente aborrecida com a reação do irmão.

- É o dever dele como pai manter aquelas crianças a salvo! – Thierry retrucou alterado e, num rompante, levantou da cadeira e deixou a sala de jantar.

- Como vamos localizar Naya e os outros? – Elena perguntou à meia voz.

- Não temos como localizá-los. – Cecília respondeu seriamente. Sua comida estava intocada e o chá fora esquecido até esfriar. Apesar do tom que havia usado com Thierry aquilo indicava que ela não estava menos preocupada com os sobrinhos netos.

Elena, que parecia a única a ter comido, empalideceu e apertou a xícara que tinha em mãos até os dedos ficarem brancos ao ouvir a resposta da mãe.

- Não podemos baixar as barreiras e esperar por eles. – Elena disse num fiapo de voz. – E eles não usaram a rede de flú... – ela se calou e ficou pensativa. Ao passar a mão pelos cabelos, soltou várias mechas do coque elegante que usava.

Prestei atenção às roupas dela e percebi que as vestes também eram elegantes. Com mangas compridas e gola alta, o vestido era rosa claro e decorado com pérolas miúdas na gola, nos punhos e abaixo dos seios.

- Vai sair? – indaguei.

- Sim. – ela respondeu, largando a xícara. – Há certos lugares onde roupas e perguntas certas trazem informações confiáveis.

- Entendo. – murmurei.

Ela ajeitou os cabelos, levantou da cadeira e saiu num farfalhar de tecido leve.

- Coma, Sirius. – Cecília pediu. – Sua missão agora é se recuperar.

Ela suspirou antes de anunciar que precisava falar com o irmão.

Fui deixado sozinho pelo resto do dia e não posso dizer que lamentei. Por mais que gostasse de Thierry, ele falava demais e eu me perdia em suas inúmeras histórias. Então, decidi passar meu dia solitário no bosque e me transformar em cachorro foi libertador. Corri livre, fortalecendo músculos e relaxando a mente. Fiquei sem fôlego, parei e retomei a corrida, esquecendo as horas passando.

Após correr sem rumo, eu me deparei com as margens de um rio. A paisagem era bela demais e o princípio de outono não havia chegado até ali, pois tudo permanecia verde e florido. Os cheiros se misturaram à minha volta, doces, frescos e terrosos e a brisa era fria mesmo com o sol alto no céu. Pulei no rio e nadei alegre, latindo e comemorando minha liberdade. Espalhei água para todo lado quando voltei à margem e deitei na grama úmida para secar ao sol.

“Queria que você estivesse aqui, Hai” pensei.

Algum lugar em Londres

Londres estava começando a ficar fria, Marcos percebeu a diferença de temperatura assim que entrou no aconchegante pub ao qual tinha levado Elena no mês anterior. Sentou na mesma mesa onde estivera com ela e ficou olhando para o vazio por longos minutos, tentando deixar que a raiva ardesse para fora dele, mas não funcionou.

Marcus queria se livrar da mulher que atormentou a vida dele e que o transformou em alguém terrível*, mas ela não se daria por vencida e tocou no ponto mais sensível... Como Marcus podia ser inocente para pensar que se livraria do envolvimento com os Comensais da Morte? Ele seria caçado e morto como um traidor e Amber seria arrastada junto com ele para essa desgraça...

“Ela não se importa com a própria filha”, Marcus pensou com extrema amargura.

Ele estava tão perdido em pensamentos que não reparou em Elena entrando no pub com uma expressão carrancuda. Ela ainda estava usando o vestido rosa claro elegante e isso fez com que todos os olhos se voltassem para ela que imediatamente buscou um local mais reservado para sentar.

- Aceita companhia para um chá outra vez? – ela indagou ao parar em frente a Marcus.

- Elena! – ele exclamou surpreso e a observou dos pés à cabeça. – Você está linda! – acrescentou com aquela intensidade que a deixava corada.

Ela sorriu e baixou a cabeça timidamente, enquanto Marcus levantava e puxava a cadeira para que ela sentasse.

- O que faz por aqui? – ele indagou com humor renovado.

- Minha mãe pediu que eu resolvesse algumas coisas. – ela respondeu um pouco evasiva. – Não deu muito certo. – deu de ombros.

- Bem, ao menos você pode tomar um pouco de chá para renovar os ânimos. – Marcus sorriu.

- A boa companhia também ajuda. – ela retribuiu o sorriso e Marcus sentiu o coração acelerar.

Ele admirava e desejava Elena como há muito tempo não o fizera por mulher alguma. Lembrava-se de dançar com ela no baile de natal, onde tudo começara, e ainda podia sentir aquela conexão intensa entre os dois. E queria descobrir até onde aquela conexão poderia ir.

Os dois tomaram chá com bolos sem tocar em assuntos mais pesados, não porque quisessem esconder coisas um do outro, mas devido ao clima suave e quase romântico. Temiam quebrar aquela frágil ilusão de paz, mas era inevitável.

- Algo está preocupando você. – Elena comentou pesarosa.

- Perturbando talvez seja a melhor definição. – ele suspirou. – Não posso falar sobre isso aqui.

- Se você quiser falar comigo, podemos ir para outro lugar. – Elena sugeriu.

- Estou morando nas redondezas, por causa do divórcio. Podemos ir para lá – Marcus disse e se apressou em acrescentar: - se não for problema para você.

- Não somos crianças, Marcus. – Elena riu. – Podemos ficar sozinhos num apartamento.

“Eu não tenho tanta certeza de que resisto à tentação” ele pensou, mas nada disse quando levantou da cadeira e ofereceu um braço a ela.

Ao saírem do pub, Marcus aparatou com Elena e a levou para o apartamento onde estava morando. O lugar era pequeno e muito organizado; tinha uma sala com um único sofá, uma cozinha precária e um quarto por onde se via uma cama de colchão fino.

 - Eu durmo no sofá. – Marcus explicou. – É mais confortável.

- Achei que estivesse na casa de seus pais. – ela comentou.

- Pensei que poderia causar problemas caso a pessoa errada me seguisse. – ele contou. – Tem barreiras, é claro, mas prefiro ser realista.

- Entendo. – Elena assentiu e sentou no sofá ao lado de Marcus.

Marcus contou a ela sobre as ameaças da esposa, do medo que sentia por Amber, temendo colocá-la em perigo. Elena o tranquilizou da melhor forma que pode, lembrando que ele tinha uma boa família que já amava e protegeria com todos os esforços.

- Você é tão boa, Elena. – ele disse com um tom triste. – Uma mulher incrível... Eu não sou um homem por quem você deva se interessar... As coisas das quais participei, de uma forma ou de outra...

- Então me conte. – ela o interrompeu. – Conte e deixe que eu tome minhas próprias conclusões.

Então ele contou. Havia uma vulnerabilidade no olhar de Marcus que deixou Elena de coração partido antes mesmo que ele terminasse de falar.

- Marcus, - ela disse quando ele por fim se calou. – você merece uma segunda chance. Achei que diria que matou, destruiu ou fez qualquer outra dessas coisas horrendas que os comensais causam, mas você sequer estava presente na maior parte do tempo. Não posso chamá-lo de Comensal da morte. Por favor, dê uma segunda chance a si mesmo.

- Como posso não me apaixonar por você, Elena Evans? – Marcus indagou num tom carregando de emoções e a beijou, despejando tudo sobre Elena.

Ela o beijou de volta e permitiu que ele a inundasse com os sentimentos e que se aproximasse dela até não haver nada entre eles. Até as roupas sumirem e os sentimentos se tornarem um só.

Haillee pov.

Olhei para a fileira de alunos prontos para fazer o teste e entrarem no time de quadribol e mantive minha expressão séria.

- Quero que fique bem claro, - comecei a falar em voz bastante alta e todos se calaram. – que o primeiro requisito para entrar neste time é saber jogar com excelência. Não aceitarei menos do que isso. O segundo é que estejam dispostos a treinar duramente para vencer. Eu quero a Taça de Quadribol esse ano para a Sonserina e farei com que vocês gastem sangue, suor e lágrimas para isso.

- As lágrimas poderiam ser dos outros. – Vaisey falou e os outros riram.

- As lágrimas serão suas se nós perdermos, Vasey, eu posso garantir isso. – falei perigosamente e ele se calou de cara fechada quando os outros riram baixinho. – Se alguém acha que não pode lidar comigo na liderança ou com meus planos de treino árduo, saia agora antes que eu mesma expulse. Não serei menos dura quando subirmos nas vassouras.

Como Sonserinos eram muito arrogantes, todos permaneceram. Mas isso não dava crédito a nenhum deles e não pouparia meu trabalho de eliminar os ruins.  Crabbe e Goyle apareceram para fazer o teste e eu já estava imaginando que o dia seria muito, muito longo quando vi Blaise sorrir para mim com aparente bom humor. Arqueei a sobrancelha, mas ignorei seu sorrisinho.

x-x-x-x

Muitos gritos, xingamentos e expulsões do campo depois, eu tinha uma parte do meu time formada. Blaise se provou muito ágil na vassoura assim como Vaisey, o garoto de cabelos escuros e pele clara que era quase tão bom quanto eu e estava apenas no quarto ano; então escolhi ambos como artilheiros. Como não havia ninguém que melhor do que Crabbe e Goyle no time, eu precisei eleger ambos como batedores por mais um ano, porém com ameaças bem explícitas em mente para que obedecessem. Talvez falar com Draco fosse suficiente.

- Malfoy será o Apanhador por mais um ano! – anunciei e Draco lançou um sorriso arrogante para mim e se posicionou junto aos outros eleitos.

Infelizmente, eu ainda precisava do goleiro e dos substitutos e ainda não achara ninguém bom o bastante.

- Você terá um infarto se continuar nesse ritmo. – Blaise me provocou.

- Se deseja ser o alvo da minha irritação, Zabini, recomendo continuar com as brincadeiras. – falei rispidamente e ele recuou para perto de Draco mais uma vez. O loiro me olhou como se compreendesse meus motivos.

A questão é que ele não entendia. Eu era uma garota e não uma capitã para aqueles idiotas que achavam ser bons jogadores de quadribol. Os amadores pareciam nunca terem me visto jogando, porém eu provei minha posição entrando eu mesma nos jogos testes e derrubando dois da vassoura com balaços e um com a goles.

- Você! – apontei para um garoto magricela do segundo ano que já havia esquecido o nome. – Será o goleiro. – anunciei.

O menino estremeceu ao ter minha atenção voltada para ele, porém quando entendeu o que falei sorriu de uma orelha a outra e correu para onde estava o resto do time titular. Li os nomes dos substitutos na prancheta que deixei com Blaise e liberei todos após dizer a data do primeiro treino.

- Você vai enlouquecer todo mundo. – Blaise comentou desconfortável.

- Quero ganhar. – retruquei de mal humor.

- Você precisa fazer sexo, Evans. – Draco falou em voz baixa para mim.

- Você também. – rebati com um sorrisinho. – Já deve ser a terceira vez que o vejo tentando devorar Astoria nos corredores.

Blaise soltou uma risada nasalada enquanto Draco fazia uma careta.

- Ela parece ter medo. – ele comentou por alto.

- Ou está nervosa, você não sabe como é para uma garota. – comentei. – Algumas de nós ficam pensando demais no que pode ou não acontecer.

- Vou pensar nisso da próxima vez. – ele sorriu um pouco.

Draco andava sempre tenso e eu não sabia o motivo com precisão, mas imaginava que fosse algo envolvendo magia negra e comensais, devido à lealdade da família Malfoy.

Parecia absurdo que as coisas se alternassem daquele jeito, pensei durante a aula de Feitiços. Numa hora tudo era sobre nossas incontáveis atividades para entregar, rolos e mais rolos pergaminhos esperando, além de feitiços para praticar, então tudo mudava para Comensais da Morte, famílias morrendo e uma possível guerra. Pior de tudo, onde estaríamos nessa guerra? De que lado cada um de nós lutaria? Eu não achava as respostas e não era a única.

- Só nos resta irmos seguindo um dia de cada vez. – Amber falou certa noite, quando levantei o assunto.

Não parecia que tivéssemos escolha e eu detestava essa sensação.

Sirius pov.

Foi numa tarde especialmente fria que os jovens Evans chegaram à Derbyshire.

- Monsieur, Evans! – a governanta veio correndo para a sala de estar onde todos nós estávamos reunidos.

A simples aparição da mulher já criava expectativa, mas naquela agitação isso simplesmente explodiu no ar, sendo quase palpável.

- São eles! – ela anunciou e quase foi atropelada por nós que saímos correndo para fora da casa.

Havia empregados na mansão que vigiavam os limites da barreira - eu fiquei sabendo após assustar um deles na minha forma de cachorro. Com o recebimento do alerta do filho, Thierry pediu que os vigias dobrassem a atenção dia e noite, com medo de que os netos sofressem algum ataque. Ele mesmo não ficara parado e já tinha ido cerca de 6 vezes na vila próxima à mansão indagar se um casal havia passado por ali. Devido ao tempo sem resposta, o anúncio da governanta foi mais do que bem vindo.

Ao chegarmos aos jardins, um dos vigias nos guiou por entre as árvores até onde estavam os jovens, bem no limite da barreira.

- Eles sabiam para onde ir. – Elena comentou para ninguém em especial.

- Claro que sabiam, eles conhecem as barreiras. – Thierry resmungou com uma raiva que não se direcionava para Elena.

Quando chegamos ao local, pude ver dois jovens semi-ocultos embaixo de uma árvore. Eles vestiam capas de viagem empoeiradas e mantinham os capuzes  levantados enquanto olhavam em volta com as varinhas preparadas. Eu não podia ver os rostos, mas Thierry suspirou de alívio e olhou para Cecília antes de abrir espaço para que os dois entrassem. Ao notarem o avô parado a poucos metros, os jovens correram para a proteção da barreira.

- Vovô! – uma voz feminina exclamou antes de baixar o capuz e revelar um rosto estonteante e astuto.

Mesmo suja da estrada, a garota era bonita. Tinha cabelos escuros assim como os olhos e uma boca larga e carnuda. Não era muito alta e tampouco parecia ser muito mais velha do que Haillee. O irmão era bastante alto em contraste com ela e eles se pareciam bastante, mesmo que ele fosse claramente mais jovem. Ao contrário da irmã, o rapaz estava tenso sob olhar de Thierry.

- Vamos para a Mansão. – Thierry disse num tom que não permitia comentários.

Naya e Manuel, como eu descobri que se chamavam os netos de Thierry, tiveram direito a tomar banho e comer antes de ouvirem um longe sermão dos Evans presentes. Preferi não ficar na sala junto aos outros, dando espaço para que a família se entendesse.

Durante o jantar, fui apresentado com as devidas explicações sobre meu relacionamento com a família Evans – fora assim que Cecília chamara. Naya me olhou avaliativamente até as sobremesas serem servidas; graças à torta de fruta ela me esqueceu por alguns minutos.

- Por um momento achei que você fosse namorado de Elena. – Naya disse quando nos encontramos no corredor, mais tarde naquela mesma noite. – Gosto da ideia de que você esteja com Haillee.

- Posso saber qual a razão? – falei com mais aspereza do que pretendia.

- Talvez isso convença meus pais de que não é absurdo que eu namore alguém mais jovem. – ela ignorou meu tom e respondeu com um dar de ombros.

- Você parece ser bastante jovem. – comentei.

- Tenho 19 anos e ele tem 17. – ela suspirou. – Mas isso não importa agora, é só um romance novo. Estou mais preocupada com a minha família.

-É muito corajoso de sua parte vir para cá sabendo do grande perigo que corre. – falei. – Todos os Evans que conheci são muito corajosos, aliás.

- Alguns são muito loucos também. – ela piscou para mim. – Gosto muito de Haillee. E mesmo que não nos vejamos há muito tempo, sempre desejei o melhor para ela.

- Eu a amo. – garanti.

- Bom. – ela sorriu com ar travesso e seguiu pelo corredor.

Algum momento em outubro

- Você precisa entrar em forma. – Cecília declarou abruptamente no café da manhã. – Thierry e eu conversamos e decidimos acrescentar exercícios físicos e duelos à sua rotina. Pode fazê-los junto aos garotos.

- Não sou um adolescente sem experiência. – retruquei.

- Tampouco são meus netos. – Thierry retrucou. – Sem experiência, quero dizer.

- Se quer estar com minha neta, você precisa ser apto a protegê-la. – Cecília rebateu num tom cortante. – Está parado há muito tempo, Sirius, e eu quero que evolua.

- Você não tem escolha. – Elena sussurrou enquanto bebericava o chá.

Ela estava séria e deixando claro que concordava com as palavras da mãe, o que era completamente esperado. Suspirei derrotado e resmunguei alguma coisa em resposta.

- Encontre-me no jardim atrás da mansão após o almoço. – Cecília exigiu e eu assenti mal humorado.

 

Quando Cecília parou diante de mim, eu estava confiante e cheio de empolgação. Apesar de não ter gostado de receber ordens, nunca fui de fugir de desafios. Eu queria provar que aquilo tudo era desnecessário.

Ergui minha varinha sorrindo e... 2 segundos depois fui desarmado. Cecília arqueou a sobrancelha de maneira sarcástica e muito familiar –  especialmente quando um sorrisinho debochado se uniu à sua expressão. Com meu orgulho ferido, deixei minha postura relaxada de lado e me joguei com tudo no duelo.

- Corrija essa postura! Mantenha as pernas paralelas! Seja criativo, Sirius Black! – Cecília gritava suas ordens e por mais que eu tentasse, ela sempre vencia.

Eu não era ruim, disso tinha certeza, mas ela era excelente. Desde a postura até a agilidade. Meus braços ficaram doloridos de tal modo que eu mal erguia a minha varinha acima do quadril a tempo de me defender. O pior de tudo é que Cecília usava feitiços quase inofensivos, mesmo que eles causassem estragos ao ricochetear nas árvores.

- Chega! – ouvi Thierry dizer logo após minha varinha voar pela enésima vez em uma hora. Eu estava descabelado e sem fôlego e muito irritado.

- Eu aguento mais. – quase rosnei e Cecília soltou uma risadinha de escárnio.

- Não agora. – Thierry falou com paciência. – Dê-me a honra de duelar contra minha irmã pela primeira vez em quase trinta anos.

Algo na postura dos dois me fez esquecer minha raiva por um momento. Não sei se a convivência com eles estava mudando algo dentro de mim, porém eu estava menos impulsivo e mais avaliativo. “Mais maduro” como comentou Elena outro dia.

- Uma vez que já faz tanto tempo, eu não me importo em ceder minha posição. – falei com certa zombaria na voz. Thierry sorriu com bom humor. Ele parecia fã de sarcasmo e, com uma irmã daquelas, não poderia ser diferente, imagino.

O duelo de ambos começou com um cumprimento muito mais elegante do que o exigido e prosseguiu com um ritmo lento. Era como se eles estivessem se avaliando, ou talvez recordando fosse o termo correto. Essa calmaria, entretanto, não durou muito. Cecília era o tipo de duelista eficiente; ela incapacitava o adversário no mínimo de tempo possível e garantia a vitória sem se desgastar. Porém com Thierry isso não aconteceu e eu fiquei bastante surpreso.

- Esse é um duelo que não se vê todos os dias. – Naya comentou aparecendo sabe-se lá de onde.

- Segundo seu avô, eles não duelam há quase trinta anos. – falei sem tirar os olhos dos irmãos que duelavam.

- Não duvido. – Naya inclinou a cabeça para o lado, assistindo atentamente. – Não me lembro de vê-los duelando quando era criança. Hum, esse foi bom.

Thierry havia lançando uma azaração de pernas presas que Cecília desviou tão rápido que o braço dela virou um borrão. Apesar de nenhum dos dois ter sido acertado ainda, ambos já tinham mechas de cabelos caindo no rosto. O tão impecável coque de Cecília estava frouxo e a fita de Thierry pendia da mesma forma.

- Vamos, minha querida. – ele incitou a irmã. -  Você é mais feroz do que isso!

Cecília riu de uma forma sinistra e quase arremessou o irmão pelo ar, mas ele desviou, jogando-se para o lado com agilidade e se erguendo com um feitiço já voando contra ela.

- Isso está tomando proporções grandiosas. – murmurei.

- Nós, Evans, costumamos nos entregar por completo. – Naya sorriu empolgada com o duelo. – Não importa se é ódio ou amor, um duelo ou a leitura de um livro.

“Ah, isso é bem notável em sua prima de segundo grau” pensei, mas mantive a boca fechada.

Os cabelos de Cecília finalmente se soltaram e eu não esperava que fossem tão longos. Os cachos brancos desciam pelos ombros até quase a cintura, revoltos como os de Haillee eram. O vento os soprou em seu rosto e ela os afastou com impaciência e acertou Thierry com um feitiço que ele não conseguiu desviar. Enquanto o irmão rolava na grama e perdia a varinha no processo, ela jogou a cabeça para trás e gargalhou, parecendo muito mais jovem.

- Parabéns, vovó! – Naya comemorou batendo palmas.

Cecília se virou completamente para nossa direção e eu pude ver com ainda mais clareza o que Thierry tanto dizia sobre Haillee ser idêntica a ela. Antes, eu só via detalhes óbvios, como a cor dos olhos, o sorrisinho debochado, a postura altiva... Mas agora eu podia ver a selvageria e a intensidade que caracteriza aquelas duas mulheres. A Cecília que eu via agora seria Haillee no futuro, na verdade, ela já estava se transformando naquela mulher. Ninguém que visse Cecília Evans daquele jeito tornaria a comparar Haillee com Bellatrix.

- Está pronto para outra, Sirius Black? – Cecília indagou e eu assenti, disposto a ser o homem que protegeria sua tão querida neta. 


Notas Finais


*Imagino que a maioria lembra a situação em que Amber foi concebida, um ato bem violento que eu escrevi na primeira temporada. Bem, eu não tenho tempo agora de escrever novos capítulos, quem dirá rescrever antigos, então peço que desconsiderem isso também. Eu não consigo sequer imaginar Elena com um homem capaz disso, tampouco vejo Marcus comentando algo assim agora. É isso.
Então, gostaram? O capítulo ficou bem grandinho e tem vários pontos de vista e uma passagem de tempo. Digam o que acharam, Bjs.


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