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História .a submissive's diary - Capítulo 1


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Capítulo 1 - .prologue


   Talvez você tivesse saído para atender a uma ligação quando nos viu pela primeira vez ou, se preferir, estava terminando um cigarro discretamente antes de voltar para o aconchego do bar. De qualquer maneira, chamamos sua atenção, em pé em um vão entre prédios do outro lado da rua, não tão distantes de onde você está.
   Não se engane, isso não quer dizer que sou especialmente lindo, nem ele. Somos como qualquer outro casal na noite, não usamos roupas estranhas nem somos barulhentos, nem significantes em nossa insignificância. Porém há uma intensidade, alguma coisa fermentando entre nós, que paralisa você, faz você olhar, apesar de estar super frio e de você estar realmente se preparando para entrar e se juntar novamente aos amigos.
   A mão do homem está agarrada no meu braço em um aperto tão visivelmente firme que, até a distância, por um instante, você se pergunta se vai machucar. Ele me empurrou contra a parede e sua outra mão está enfiada nos meus cabelos, me paralisando, então quando tento olhar para outro lado – para pedir ajuda? –, não consigo.
   Ele não é particularmente alto ou forte. Na verdade, você provavelmente o descreveria, caso fosse se dar ao trabalho de descrevê-lo, como um cara qualquer. Mas tem alguma coisa nele, alguma coisa em nós, que faz você se perguntar rapidamente se está tudo bem. Não consigo tirar meus olhos dele e a profundidade óbvia do meu espanto significa que por um segundo você também não consegue. Você o encara fixamente tentando enxergar o que estou enxergando. E então ele puxa meus cabelos, aproximando minha cabeça da dele em um movimento brusco que faz você se aproximar instintivamente para intervir, antes que aquelas histórias dos jornais sobre bons samaritanos com finais trágicos inundem seu cérebro e paralisem você.
   Agora, mais perto, você consegue escutá-lo falando comigo. Não as frases inteiras – não está tão perto assim –, mas palavras suficientes para que você tenha uma noção. São palavras evocativas. Palavras perversas. Palavras feias que fazem você achar que realmente deve interferir a qualquer momento se a coisa piorar.
   Putinha. Vadia.
   Você olha para o meu rosto, tão perto do dele, e vê fúria reluzindo em meus olhos. Não me vê falando, pois não digo nada. Estou mordendo o lábio como que reprimindo o desejo de responder, mas permaneço calado. A mão entrelaça meus cabelos com mais força e me retraio, mas continuo ali, não exatamente passivo – você pode sentir o esforço que tenho de fazer para não me mexer como se ele fosse uma coisa tangível – mas certamente controlado, amenizando o ataque verbal.
   Pausa. Ele espera por uma resposta. Você se aproxima. Se alguém perguntasse, você diria que era para checar se eu estava bem, mas na verdade sabe que é curiosidade, pura e simples. Tem alguma coisa selvagem e primitiva em nossa dinâmica que atrai para mais perto ao mesmo tempo em que repele. Quase. Você quer saber como vou responder, o que acontece depois. Tem algo obscuro, porém atraente na cena, o que significa que normalmente você sentiria horror, mas sente curiosidade.
   Você me vê engolir a saliva. Passo a língua no lábio inferior para umedecê-lo antes de tentar falar. Começo uma frase, não termino direito, pisco, olhando para baixo para fugir do olhar dele conforme sussurro minha resposta.
   Você não consegue me escutar. Mas consegue escutá-lo.
— Mais alto.
   Agora estou corado. Há lágrimas nos meus olhos, mas você não consegue distinguir se são de aflição ou de fúria.
   Minha voz fica mais clara, até mesmo alta no ar da noite. Meu tom é desafiador, mas o rubor nas bochechas, que se espalha até às clavículas visíveis embaixo da jaqueta aberta, delata uma vergonha que não consigo esconder.
— Eu sou uma putinha, senhor. Fiquei molhado a noite toda imaginando o senhor me comendo e ficaria muito grato se a gente fosse pra casa agora e fizesse isso. Por favor.
   Minha rebeldia morre na última palavra, que sai como uma doce súplica.
   Ele passa um dedo distraído na barra da minha camisa – o corte é cavado o suficiente para dar uma sugestão de decote, mas não exatamente vulgar – e estremeço. Ele começa a falar e seu tom de voz faz com que você reprima um impulso de tremer também.
— Isso soou quase como alguém implorando. Você está implorando?
   Você me vê começar a concordar com a cabeça, mas sou impedido pela mão nos cabelos. Em vez de concordar engulo a saliva rapidamente, fecho os olhos por um segundo e respondo:
— Sim. — Há uma pausa que se transforma em um longo silêncio. Uma respiração que pode ser quase como um suspiro. — Senhor.
   O dedo está passeando pela curva da minha clavícula enquanto ele fala.
— Pelo visto você faria praticamente tudo agora pra conseguir gozar. Você faria? Tudo?
   Fico em silêncio. Minha expressão é de cautela, o que surpreende você, considerando o desespero óbvio na minha voz. Você se pergunta o que o “tudo” já incluiu no passado, o que vai significar agora.
— Vai se ajoelhar e chupar o meu pau? Aqui mesmo?
   Ficamos calados por um bom tempo. Ele tira a mão dos meus cabelos, se afasta um pouco. Espera. O barulho de uma porta de carro a distância me faz tremer, então me mexo para olhar os dois lados da rua com nervosismo. Vejo você. Trocamos olhares por um segundo, arregalo os olhos com surpresa e vergonha antes de olhar para ele de novo. Está sorrindo. Completamente imóvel.
   Faço um som no fundo da garganta, meio choro, meio súplica, e engulo a saliva com força fazendo um gesto vago.
— Agora? Você não prefere que a gente...
   Ele pressiona os dedos contra meus lábios, que ainda se movem. Está sorrindo de maneira quase indulgente. Mas sua voz é firme. Até mesmo imperiosa.
— Agora.
   Dou a olhada mais rápida do mundo para você. Você não sabe, mas na minha cabeça estou jogando a versão adulta de um jogo infantil – se não olhar para você diretamente, você não vai estar lá de verdade para testemunhar a minha humilhação, não pode ver porque não posso ver você.
   Faço um gesto nervoso mais ou menos na sua direção.
— Mas ainda está meio cedo, tem gente andando...
— Agora.
   Você está em um estado de hipnose vendo as emoções conflitantes no meu rosto. Vergonha. Desespero. Raiva. Resignação. Abro minha boca para falar várias vezes, penso melhor e fico calado. Enquanto isso, ele fica de pé. Observando-me, absorto. Assim como você.
   Finalmente, com o rosto vermelho, dobro os joelhos e me abaixo na frente dele nos paralelepípedos úmidos. Minha cabeça está inclinada para baixo. Meus cabelos caem sobre o rosto e dificultam a visão, mas você acha que vê lágrimas brilhando no meu rosto sob a luz dos postes.
   Por alguns segundos, fico só ajoelhado, imóvel. Depois você me vê dando um suspiro profundo, calmante. Ajeito os ombros, olho para cima e pego nele. Contudo, assim que minhas mãos trêmulas tocam a fivela do cinto, ele me detém e faz um carinho suave na minha cabeça, como se faz com uma cadelinha leal.
— Bom menino. Eu sei como isso foi difícil. Agora se levante e vamos pra casa. Está um pouco frio pra brincar aqui fora hoje.
   O toque é solícito e ele me ajuda a levantar. Passamos por você de braços dados. Ele sorri. Faz um gesto positivo com a cabeça. Você meio que corresponde antes de acordar e se perguntar que diabos está fazendo. Estou concentrado no chão, cabeça baixa.
   Você vê que estou tremendo. Mas não vê o quanto essa experiência toda me deixou excitado. O quanto endureceu meus mamilos no confinamento da blusa apertada e meu pau por dentro da calça. O quanto meu tremor é tanto por causa da onda de adrenalina de tudo que encenamos na sua frente quanto do frio e da humilhação. O quanto cresço com isso. O quanto me completa de uma forma que não consigo explicar totalmente. O quanto odeio e amo. Anseio por isso. Desejo.
   Você não consegue ver essas coisas. Tudo o que consegue ver é um homem trêmulo com joelhos sujos indo embora com pernas cambaleantes.
   Esta é a minha história.



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