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História A tal canção e o trágico fim de Alice - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo único



Após um dia corrido de trabalho, tudo que passava pela mente de Rubin era chegar em casa, tomar um longo banho morno e dormir até que o despertador tocasse de maneira ensurdecedora, obrigando-o a levantar e começar tudo de novo. Porém, apenas metade dos seus pensamentos puderam ser concretizados.

 Depois do banho, Rubin aventurou-se pela cozinha, preparando um delicioso macarrão instantâneo com legumes e carne frita. Mas, quando pensou em jogar-se na cama, um som agudo chamou sua atenção, especialmente quando continuou por alguns minutos sem interrupções. 

 Curioso como era, Rubin dirigiu-se até a janela, encontrando a fonte daquele som estranho. Seu vizinho do prédio da frente estava na sacada do apartamento tocando – ou melhor, tentando tocar – seu violão.

 Logo de cara, notou que o garoto, provavelmente ainda estava aprendendo a tocar. Vez ou outra, as notas saíam do tom, principalmente no refrão que exigia um pouco mais de agilidade e rapidez para posicionar os dedos sob as cordas corretamente, e ele fazia expressões exageradas, arregalando os olhos e pressionando os lábios, e então, logo se recuperava e conseguia manter o ritmo que ele parecia achar legal. Mas só até aquela parte chegar novamente.

 O som soava estranho aos ouvidos de Rubin, ruim não, desconfortável de se ouvir. , soava desafinado e bagunçado, e só tomou um rumo depois de um tempo, tornando-se razoavelmente bom, desagradável para alguém que como Rubin, tinha um grande apreço e familiaridade com o instrumento. 

Quando os acordes finalmente soaram harmonizados, o garoto notou o vizinho observando e envergonhado, ficou de pé mais próximo da mureta de proteção para acenar. Ao ser retribuído com um sorriso, virou-se depressa depois de acenar novamente para o vizinho com um sorriso falso, no entanto, acabou calculando errado e deu um meio giro no lugar, porém o braço do violão esbarrou em algo que estava sobre a mureta de proteção. Rubin não conseguiu identificar se era um objeto, ou um animal de estimação, pois sabia que além do jovem estudante, moravam mais três gatinhos naquele apartamento.

 — ALICE! — Ele gritou se debruçando na mureta para observar a queda, até se espatifar no chão com um som assustadoramente estrondoso. Sua expressão dolorosa assustou Rubin.

 O desespero nos olhos e em seu tom e a forma como saiu correndo sem sequer olhar para trás, ou retirar o violão da mureta antes que ele caísse, fez com que Rubin acreditasse ser um dos gatinhos que tinha caído, ficando estático por alguns segundos. Mas, assim que se recuperou do choque inicial não hesitou em se levantar apressado e colocar os chinelos para descer. Pensando que caso o animalzinho ainda estivesse vivo, ajudaria o dono a levá-lo para o veterinário, ou só seria um ombro amigo caso fosse necessário.

Quando estava perto o bastante, Rubin pôde respirar aliviado ao perceber que não era um gato, mas sim um vaso de planta e um cacto, ambos despedaçados. Notou também que, o garoto não usava um gorro laranja, ele tinha os cabelos tingidos em um tom de laranja-gema-de-ovo.

 — Er… eu te assustei com o grito, não é? — Questionou envergonhado, desviando o olhar para os próprios pés, estes calçados com um par de pantufas verdes com faces de pelúcia que representavam um casal de sapinhos. — Me desculpe, é que Alice foi um presente muito importante.

 — Tudo bem. Não precisa se preocupar, tenho certeza que quem te deu ela não vai se sentir mal se você contar o que aconteceu.

 — Hm — mordeu o lábio, olhando para os lados. — Na verdade, fui eu mesmo que me presenteei com a Alice. 

 — Oh! — Exclamou, surpreso. — Certo, então não deve se preocupar do mesmo modo, olhe… 

 Rubin agachou ao lado dos destroços, pegando o que havia restado do cacto com cuidado para não arranhar os dedos.

 — Ainda dá para salva-lo.

 O ruivo suspirou, e ajoelhando-se na calçada pôs-se a apanhar os cacos do que horas atrás era um lindo vaso de plantas de argila amarela com figuras imitando arabescos em vermelho nas laterais.

 — Sim, George é bem forte. Só que… Alice não tem mais salvação.

Rubin ergueu os olhos do cacto para o garoto que encarava os pedaços do vaso cabisbaixo, um tanto chocado com a nova informação adquirida.

 — Alice é o vaso? — Indagou surpreso.

 — Bem… era. — Sorriu sem graça, mostrando um dos cacos. — Ganhei ela em um jogo de tiro ao alvo na Feira Das Flores de Hongdae no ano passado. Era o único vaso de argila amarela, e eu mesmo quem fiz os desenhos com um pouco de tinta de tecido que sobrou depois de pintar algumas camisetas.

 Rubin sorriu, tentando ser compreensivo com o garoto que tinha se apegado a um objeto de barro pintado a dedo com tinta de tecido, apertando seu ombro com a destra enquanto se levantavam.

 Já de pé, pôde olhar melhor para o ruivo, vestido em um casaco que, além de ser grande demais para o corpo magro, se assemelhava a uma das colchas de cama costuradas por sua avó; um monte de retalhos de diversas cores grudados aleatoriamente até ganhar forma. 

 — Obrigado por ter vindo, mesmo que não tenha sido nada grave… apenas, obrigado. — Disse envergonhado.

 — Não precisa me agradecer.

 — Eu devo ter asustado você, então…

 — É sério, não precisa disso. — Disse pensativo, não iria dizer que só tinha ido ali por acreditar que ele tinha derrubado um gato. — Só vim porque pensei que pudesse precisar de ajuda.

 — Hm. — Murmurou desconcertado.

 Apesar de não parecer tão envergonhado, Jinwoo mantinha os olhos no chão, as mãos nos bolsos fundos e os pés estacados no chão enquanto balança suavemente. Rubin decidiu quebrar aquele silêncio desconfortável antes que ficasse tão envergonhado quanto seu vizinho.

— Se isso for te fazer se sentir melhor, posso fazer um chocolate quente enquanto vai buscar a vassoura para limpar isso. — Sugeriu Rubin. — E amanhã podemos procurar outro vaso para o George.

  Jinwoo sorriu largo, acenando em concordância diversas vezes seguidas, Rubin riu ao compará-lo com um Funko Pop que balança a cabeça após ser agitado.

— Aceito o chocolate, mas quanto ao George, tenho outros vasos de argila em casa que podem servir. São todos vermelhos, mas podem ser úteis também.

Com um sorriso bobo impossível de conter, Rubin atravessou a rua correndo, voltando para seu apartamento apenas para preparar rapidamente um pouco de chocolate quente para servir com o bolo de frutas que tinha comprado para o seu café da manhã, sem se importar com o fato de que teria que acordar cedo no dia seguinte para comprar novamente seu café ou com  o fato de que estava morrendo de sono há alguns minutos atrás. 

No momento, a ideia de lanchar na companhia do vizinho estranho de sorriso bonito parecia bem mais interessante do que simplesmente ir dormir.



Notas Finais


eh isso ae
bom dia views e biscoitos pro 1team ~


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