História A terceira opção - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescência, Amor, Drama, Família, Gay, Homossexualidade, Homossexualismo, Preconceito, Revelaçoes, Romance, Yaoi
Visualizações 26
Palavras 1.199
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


- Imagens retiradas do Google;
- Boa leitura ^^

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction A terceira opção - Capítulo 1 - Capítulo Único

Sinto o líquido quente descer pela minha garganta, se espalhando por todo o meu organismo aos poucos, esquentando cada parte. O doce café é um belo contraste com a brisa fria que encontra meios diversos de invadir a casa, mesmo estando todas as portas e janelas fechadas. Dou uma olhada para o relógio de pulso em meu braço, não algo planejado, não como se eu quisesse ver as horas, é um movimento involuntário, do tipo que você faz quando sente-se nervoso. Ao invés das horas que, por sinal, marcavam 05h47min, eu estava mais interessado na data. 

É o aniversário dele, realmente é. Meu pai. Tento me recordar do último dia em que nos vimos, o dia em que eu fui em casa apenas para fazer minhas malas. Logicamente não sei qual a data, por que saberia, afinal? Não foi bem um dia memorável aquele. O dia em que eu oficialmente me despedi da minha antiga vida, daquela falsa realidade.

Pego a segunda xícara, esta com chocolate quente, e me dirijo de volta ao quarto, fazendo um lembrete em minha mente de me agasalhar, pois camiseta e short curto não combina nem um pouco com o frio que fazia naquela manhã. Enquanto caminho, tento centralizar toda minha atenção em não derramar café ou chocolate quente no chão, mas percebo que é tarde para tentar afastar as lembranças, elas já preenchiam toda a minha mente naquele momento, todas elas, todas juntas.

Lembro que, antes de tomar a grande decisão, eu só era capaz de enxergar dois caminhos possíveis. Simplesmente viver a vida que queriam que eu vivesse ou destroçar meus pulsos, uma manifestação rebelde e sem volta em relação ao fato de eu me recusar a viver sendo alguém que eu não era nem queria ser – e nem suportava mais ser. Felizmente, eu consegui, em tempo, observar que havia mais opções, pelo menos uma terceira opção, e eu queria ser corajoso, queria ter ousadia suficiente para me agarrar àquela terceira opção e usá-la. Eu obtive êxito, no fim das contas, e lidei com as consequências dos meus atos, assim como eu sabia que teria que fazer.

A porta está entreaberta, como eu havia deixado. Ao entrar no quarto, repouso as duas xícaras na mesa de cabeceira ao lado da cama e me apresso a procurar um agasalho, encontrando um azul-marinho, o meu favorito, porque foi ele quem me deu, acompanhado por um convite oral. Sorrio ao relembrar a cena, e dessa vez é uma recordação maravilhosa. Will se ajoelhando em minha frente logo após me presentear com o agasalho. Fiquei espantado com a cena, ainda mais quando ele tirou do bolso o porta-aliança aveludado. Mas não era um pedido de casamento nem nada do tipo, era uma chave dentro, uma chave de uma casa situada na região mais fria do país. E então, ele disse: “Casa própria – confere. Em um clima predominantemente frio – confere. Do jeito que nós queríamos”. E eu não conseguia acreditar que ele realmente havia comprado uma casa. Mas aqui estamos nós, afinal. Anos depois.

O episódio do agasalho e da chave da casa ocorreu dias depois da minha grande decisão. Eu finalmente havia contado aos meus pais. Foi um pandemônio. Um grande, o maior, o pior dos pandemônios, e só piorou quando o resto da família ficou sabendo, e quando meus amigos ficaram sabendo, e quando os colegas de trabalho dos meus pais ficaram sabendo, e quando os membros da igreja dos meus pais ficaram sabendo, e durante dias foi tudo horrível. Crises de adolescência, eles cogitaram, traumas infantis, experiências passageiras e carnais, até a possibilidade de uma possessão demoníaca foi discutida, e provavelmente por isso grande foi a minha felicidade quando William se prontificou a me levar para bem longe de tudo e de todos, para um lugar onde pudéssemos ter uma vida relativamente tranquila e, acima de tudo, feliz, um ao lado do outro. Mas não só por isso, também pelo simples fato de ser o William.

Devidamente agasalhado, eu me aproximo da janela, as persianas estão fechadas, e eu abro apenas uma com o dedo para espiar o belo clima lá fora. O chão coberto de neve, os flocos de neve flutuando. Depois de um tempo, não é tão fascinante quanto na primeira vez, mas jamais deixa de ser uma incrível visão. Ouço movimentos na cama. Como eu esperava, o doce aroma do chocolate quente na mesa de cabeceira o acordou. Ele senta na cama e se espreguiça. Para um pouco para me observar, e então alcança a xícara na cabeceira e a esvazia quase que em um gole só, porque não importa o quanto eu diga para ele saborear aos poucos, ele sempre vai tomar o chocolate de uma vez, e eu sorrio com a cena. Ainda estou admirando a neve, mas sei que tudo isso aconteceu porque já vi muito mais vezes do que posso contar, e não acho que um dia eu vou me enjoar de presenciar essa cena. Sinto ele se aproximar de mim, passar as mãos pela minha cintura, afundar o rosto em meu cabelo. Fecho os meus olhos, aproveitando aquele momento. Mesmo que seja uma coisa típica, mesmo que ele tenha me abraçado daquela forma diversas vezes, nunca será a mesma forma para mim, sempre será especial se for ele.

O que mais doeu foi que os meus pais eram ótimos pais. Seria tão mais fácil se eles fossem pais negligentes e terríveis, teria sido tão mais fácil se eles não tivessem feito tudo por mim desde sempre. Eu poderia lidar com as reações dos amigos, colegas, familiares, poderia ignorar todas as asneiras que eles proferissem de forma tranquila. Mas encarar a decepção no rosto dos meus pais foi a pior coisa de todas, a pior das sensações, ter que lidar com o fato de eles pensarem que, em algum momento, falharam comigo e essa falha culminou na minha transformação em um homossexual. Um pensamento tão ignorante, tão pequeno, tão podre. Ainda assim, foi angustiante e doloroso.

E eu não me importo com as lágrimas que caem. Não é como se eu ou Will não esperássemos por isso no dia de hoje. Viro-me e o abraço, e deixo-me ser acolhido por seus braços reconfortantes. Ele não diz nada, ele não precisa, ele sabe disso. A existência dele, a presença dele ali, e aquele abraço dele, o mais maravilhoso dos abraços. Isso é mais do que suficiente, ele sempre será mais do que suficiente.

Quem sabe meus pais um dia não entendam e me aceitem como eu sou? Talvez isso nunca aconteça. Entretanto, eu jamais me arrependi da terceira opção, da grande decisão. A vida já é complicada demais para se perder tempo vivendo uma falsa realidade, e os pais podem ser essenciais na formação do nosso caráter, mas eles não podem definir quem nós somos nem o caminho que devemos seguir. Somos o que somos desde que nascemos, mesmo que demoremos para descobrir, e devemos percorrer nossos próprios caminhos. Não há porque perder tempo tentando suprir as expectativas de outrem, é preciso focar-se apenas nas suas próprias expectativas, focar-se na sua felicidade, no que te faz bem e em quem você é. Colocar-se em primeiro lugar, e viver. 



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