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História A Terceira Princesa - Capítulo 13


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Notas do Autor


Oiiiie!!!

Capítulo 13 - Capítulo XII


Meliodas

Na vida existem momentos que não temos controle de nada, nem mesmo de nosso próprio corpo, sentimentos e pensamentos. Nesses momentos somos apenas levados por nossos instintos primitivos e nada mais. Em meus vinte e dois anos de vida nunca tive - exceto os quatro anos em que passei fora - o controle dela em minhas mãos, vivia sempre regrado aos jogos, ordens e escolhas feitas por Tristan para mim. E agora, por mais que não quisesse ele estava conseguindo tomar minha liberdade novamente, do mesmo jeito que fez até meus dezessete anos.

Respirei fundo bagunçando meus cabelos com a mão, vinte e duas horas se passaram desde que Ellie sofreu o atentado, cerca de dezoito horas que a beijei em seu quarto e dezoito horas que a cena constantemente se repete em minha cabeça em um frenesi incontrolável e irritante. Durante metade da minha vida tive em meus braços a princesa, apoiando-me e erguendo-me do fundo do poço sem nem ao menos ela se dar conta disso, mesmo a tendo assim tão próxima de mim nunca pensei em ultrapassar o limite que a amizade criava entre nós, não até aquele momento.

Engoli em seco encarando a garrafa de Whisky disposta em um criado-mudo do escritório. Levantei da cadeira e fui até lá colocando uma dose da bebida em um copo e a bebendo de maneira rápida. O líquido amargo desceu queimando pela garganta, por menos aconselhável que fosse no momento era a melhor maneira de manter os pensamentos em ordem antes que eu surtasse com todos eles e colocasse tudo a perder. 

E mais uma vez a cena do beijo se repetiu em minha mente.

Os lábios macios nos meus, o corpo perfeitamente encaixado ao meu. O sabor doce de sua boca, a maneira tímida que retribuía e que fazia meu coração disparar feito um louco com o mínimo toque... Deus, eu poderia enganar-me mais uma vez como andei fazendo no último ano inteiro e afirmar que o que sinto nada mais é do que amor fraterno... Mas isso deixou de ser fraterno à tempos. Deixou de ser no maldito dia em que percebi que ela não era mais uma criança, que passei a desejar seu corpo como qualquer outro homem desejava. Pelos céus, eu deveria a manter longe para seu próprio bem, não a puxar de vez para mais perto de mim.

Voltei a sentar na cadeira e olhei para os papéis dispostos na mesa, documentações a respeito do Chapéu de Javali.

Estou indo para o mesmo destino que fui há sete anos... Maravilha. Suspirei. Se apaixonar não era uma boa ideia quando se tinha uma vida como a minha, o cartel, o reino... Qualquer coisa ligada ao sobrenome Hellsay lhe dava passagem direta para uma visita ao inferno. E esse aviso está disposto em nosso próprio nome, afinal, Hellsay significava em uma forma ampla e adaptada para tradução “Aquele que vê o inferno.”, maravilhoso, não?

Elizabeth sempre esteve ao meu lado quando eu precisei, em todos os momentos, e a forma que retribuo a isso? Infelizmente colocando uma mira em sua cabeça. Não que eu verdadeiramente tenha culpa, esse casamento é fruto das ideias malucas de Sther e Baltra, ambos estavam bem cientes dos riscos que ele iria trazer especialmente a saúde da princesa e devo dizer que durante quatro anos os odiei por isso. Minha cabeça estar na beira da forca, tudo bem, aceito. Mas a cabeça de Elizabeth ser enlaçada pela corda... Isso não, já é loucura e passa de todos os limites que posso suportar.

A maior prova do perigo que corria aconteceu ainda ontem, quando Twigo invadiu seu quarto e tentou matá-la a mando de Deus sabe lá quem, afinal nem sob tortura aquele estrupício revelou. Merda. fechei as mãos com força pela memória. Estava tão submerso em emoções e no ocorrido anterior que nem vi que alguém havia entrado no escritório.

—Você não liga nem mesmo para o que lhe convém, não é? - a voz de Estarossa ecoou tirando-me de meus pensamentos e levantando os olhos para meu irmão a minha frente, franzi o senho confuso com a presença dele. 

—O que está fazendo aqui? - perguntei vendo-o sentar na poltrona a  esquerda do criado-mudo.

—Bom dia para você também, irmão. - a voz carregada de escárnio e um sorriso torto nos lábios surgiram.

—Não deveria estar em Lian Yu? - perguntei o ignorando. —Aconteceu alguma coisa?

—Várias na verdade, não que isso importe para você.

—Se não me importassem, irmão, eu não estaria perguntando, não acha? - suspirei.

Para minha surpresa ele ficou calado e jogou uma pasta preta, olhei confuso para ela abrindo-a e analisando o único documento que tinha ali completamente escrito em latim.

—O que é isso?

—Também gostaria de saber, mas você foi o único de nós três que teve o privilégio de estudar latim. - o tom ácido e de escárnio não saía de sua voz, respirei fundo. Ele não estava errado, Zeldris não podia estudar o idioma por conta da dificuldade de aprendizagem que tinha, já ele não teve a oportunidade por ser o filho bastardo.

—Privilégio esse que só tive depois de juntar-me a Sete Pecados Capitais. - revirei os olhos explicando. —Se dependesse de Tristan eu não entenderia nada dessa língua quase morta. - deu de ombros dispensando minha defesa, passei a analisar o documento, um vinco ia formando-se em minha testa ao ver as palavras, voltei a encarar o homem de forma inquieta e preocupada. —Onde encontrou isso?

—No gabinete do duque junto a vários outros documentos, o que foi? - questionou em alerta, engoli em seco e voltei a olhar para as frases dispostas ali. Um arrepio percorreu minha espinha no momento que constatei que eu não estava enganado sobre a tradução.

“Donec probatus est reactivate permission ut telum project.” (Permissão para o reativamento do projeto da Arma Química aprovado.)

A Markov falava a verdade, sobre tudo. Havia uma arma química pronta para ser produzida sem um único motivo aparente. O que você pretende fazer com isso Tristan? Para quê reabrir esse projeto?

—Meliodas, o que diabos...

—Uma arma química. - revelei. —Tristan e o duque reabriram um projeto antigo de uma arma química, quem está tomando a frente do planejamento é Chandler...

—Como você sabe disso? Tristan lhe contou e está ajudando ele?!

—Não! - bradei não entendendo aquilo, certo que não sou a melhor pessoa do mundo, porém nunca compactuaria com os ideias de meu pai, muito menos um que fosse levar a morte pessoas inocentes. —Nunca ajudaria ele em obra alguma, muito menos em algo assim! - exclamei. —Sei que não pensa o melhor de mim, mas pelo amor de Deus, isso já é demais! - revirei os olhos.

—Então como sabe? - indagou desconfiado.

Suspirei pesadamente.

—Uma mulher que trabalha no centro de pesquisa veio me contar. - revelei, o sorriso malicioso que apareceu em sua boca era irrevogavelmente irritante. —Estarossa...

—O quê? Não posso mais nem sorrir?

—O problema é o que esse sorriso quer dizer.

—O óbvio, não? Não compreendo por que fica assim com tal ideia.

—Estou comprometido, Estarossa, acha mesmo que sou idiota de trair minha futura esposa? - questionei revirando os olhos, o mais novo arqueou um sobrancelha em dúvida, suspirei. —Deixemos isso de lado, temos algo mais importante a tratar do que minha fidelidade.

—Tem razão, então conte-me o que sabe sobre isso. - apontou para a folha.

Comecei a relatar desde a chegada da ruiva até o momento em que saiu.

—Então sua ex sabia do cartel? - questionou como se somente aquela parte importasse. Assenti um tanto incomodado pelo assunto, mas nada comparado com o que senti quando a Markov tocou nele. —Foi por isso que ela morreu?

—Foi. - limitei-me a responder. Por mais que ele e Zeldris soubessem do meu caso com ela, da morte e do meu envolvimento nela, o que sabiam não passavam de meros fragmentos, pois os reais motivos fiz questão de esconder, eles eram novos demais e temia o que Tristan pudesse fazer a eles caso tivessem ciência da real situação.

—E agora Elizabeth sabe dele também, não tem medo da história se repetir? - perguntou preocupado. Engoli em seco antes de responder.

—É o maior de meus temores, Estarossa. - revelei sinceramente. —Mas esse casamento não é algo do qual eu possa impedir.

—É egoísta demais para isso.

—Fale isso de Sther. Que parece que fez questão de ferrar com a vida de todos os filhos. - suspirei. —Sem cláusula no contrato não posso invalidá-lo.

—Posso ver o contrato? Afinal quem estuda Direito aqui sou eu, não o senhor herdeiro do trono.

—Que seja, esta em alguma pasta no armário, depois lhe entrego. - falei. —Agora, sobre aquele outro assunto... Conseguiu descobrir alguma coisa? - o sorriso que apareceu em seu rosto confirmou minhas suspeitas.

—Acha que vim aqui apenas para cuidar do bem estar do reino? - balancei a cabeça em negativa retribuindo ao sorriso de canto do rapaz com outro. Não seria Estarossa se tivesse vindo apenas por isso.

•X•

Narradora

Em plena madrugada de um dia antecedido pela calmaria uma silhueta podia ser vista esgueirando nas sombras das masmorras do Palácio. Não se sabia o que queria ali, muito menos o que buscava achar, apenas tinha plena certeza de que boa coisa não havia de ser.

Seus passos eram calmos, firmes e sem hesitação. Visitar pessoas na prisão não era o seu costume - admitia isso em seus pensamentos -, porém naquele instante tornava-se necessário e ninguém deveria ao menos pensar o quanto temia pelo encontro.

Talvez de uma maneira convencional a mulher não devesse estar ali, não, deveria deixar de lado tudo o que ouviu por detrás de uma parede, escondida feito um rato, mas fazer o que? Se ninguém lhe contava o que queria saber descobriria por si só. Suspirou. Os olhos concentrados nas grades das celas até parar em uma em específico, onde um homem musculoso e do qual se recordova de já ter visto algumas vezes ao redor do castelo falando com alguns cavaleiro do reino. Estava com o corpo completamente coberto de hematomas e escoriações, fora vários arranhões sangrentos e possivelmente profundos.

—Foi você que atacou a princesa? - questionou achando-se tola por isso.

Twigo levantou a cabeça pendida para baixo com certa dificuldade e forçou os olhos a focarem-se na figura do outro lado das grades de ferro.

—Quem quer saber?

—A pessoa que pode te tirar daqui se responder as perguntas que receber. - ditou.

—Ah, claro e uma mulherzinha que nem você pode fazer isso? Aliás,... - estreitou os olhos na direção da mulher analisando-a melhor. —a senhora não era a preceptora daquela vadia?

—Por que a chama assim? Não tem medo de que alguém escute a difamando?

—É isso o que ela é, não se difama quando se fala a verdade.

—E em que o senhor se baseia para alegar ser verdade? - perguntou curiosa. O homem ficou em silêncio ponderando se contaria ou não a ela, todavia depois de alguns segundos decidiu-se, com toda certeza sua cabeça estava na guilhotina, levar a da pobre garota e a do noivo dela consigo não parecia má ideia.

—Os Hellsay tem uma marca que só é dada a seus cônjuges no dia que consumam o casamento.

—Ora mais a princesa ainda não se casou com o nobre rapaz. - disse sem entender aonde ele queria chegar.

—Não, mas tem a marca, no alto do peito esquerdo. Entende agora em que baseio-me?

—Compreendo, milorde. - respondeu com um sorriso malicioso nos lábios. Então a santa Elizabeth deitou-se com o noivo? Que notícia mais doce...

•X•

Na manhã seguinte Elizabeth acordou entorpecida, seu pai havia chegado ainda pela madrugada e estava tão cansado que as três princesas do reino resolveram deixar para contar todo o infortúnio do dia anterior depois do homem idoso descansar. A princesa levantou da grande cama e seguiu até o  banheiro para fazer sua higiene matinal e depois ir até seu closet trocar o macacão que vestia por um vestido simples. 

Ellie não sabia como contaria todas as ocorrências ao pai, mas de longe, tinha mais coisas a tratar do que uma tentativa de assassinato, só esperava que quando o fizesse Meliodas estivesse ao seu lado. Bom, infelizmente a princesa não teria tanta sorte assim. 

Todos os seus pensamentos foram jogados para longe quando a porta de seu quarto foi aberta com um baque, assustada a menina já pronta para o dia voltou ao quarto e encarou o homem de aparentemente sessenta anos a sua frente acompanhado das outras duas filhas que tinham um semblante assustado e confuso como o da mais nova, ele tinha um olhar inquisitivo e um tanto acusatório, sem entender nada do que se passava com o rei, ficou parada vendo-o se aproximar a passos duros até si, segurar seu braço com força e rapidamente abaixar a alça larga de seu vestido expondo a marca de Lian Yu. A menina engoliu em seco amedrontada pelo olhar decepcionado e furioso do mais velho. 

•X•

Estarossa e Meliodas saíram cedo do Chapéu de Javali, ambos estavam um tanto animados para contar as novidades para a terceira princesa do reino, já haviam esperado tempo demais desde a noite passada, e após chegarem ao castelo e se informarem com um dos empregados sobre onde se encontrava a jovem subiram afoitos os degraus da escada em direção ao quarto dela. 

A euforia dos dois acabou assim que entraram pela porta do leito da menina, as íris verdes ao capturar a cena passaram a transbordar um brilho feroz e perigoso. O rei de Liones estava aos berros com a filha mais nova, exigindo que ela contasse alguma coisa enquanto segura o braço dela com uma força desnecessária e que estava - além de a provocando dor - alertando seu medo, mais que nítido pelas linhas grossas que as lágrimas formavam nas bochechas dela. As duas irmãs de Elizabeth estavam ali tentando acalmar o pai mesmo sem saberem do motivo de Baltra estar agindo assim. 

Com o maxilar tenso e a postura rígida, o herdeiro de Lian Yu intrometeu-se no meio daquela discussão. 

Meliodas

—Solte o braço dela, Baltra. - ordenei segurando em seu punho que estava envolta do braço de Elizabeth, lágrimas escorriam pelos olhos da princesa e uma alça de seu vestido pendia por seu ombro, mostrando o ferimento ainda não cicatrizado completamente, o ferimento do ritual. Será que...?

—Solte, você, o meu braço! - rosnou bravo como nunca havia visto o homem daquela forma. —Saía daqui o assunto é entre eu e minha filha.

—Não, você está machucando minha noiva acha mesmo que vou deixar-vos a sós? - ri irônico. Um soluço pôde ser escutado, droga, a garota estava com medo de todas essas reações, só poderia, não havia dado-se nem mesmo dois dias que a tentativa de assassinato aconteceu e já estava passando por mais essa. Olhei para Margaret e Veronica que estavam inertes, tão assustadas quanto Ellie para com a reação do rei.

—E você se importa com machucados agora? - sua voz possuía um escárnio que nunca havia presenciado vindo dele. —Ela é minha filha é meu dever corrigir sua conduta!

—Do que merda está falando? Elizabeth não fez nada para tratá-la assim! - bradei irritado.

—Rhunf dizia que preferia desvirtuar-se, mas não casaria com você e no final abre as pernas para ti antes da hora e ainda diz que não é fazer nada? - gritou irado, arregalei os olhos. Então é isso. —A porra dessa marca não parou ali sozinha, Hellsay.

Engoli em seco, ele sabia dos rituais, estava ciente das tradições e irado por pensar que eu... Isso não justifica estar usando a força com ela.

—Um idiota quebrou as ordens e a marcou. - as palavras saíram sombrias de minha boca. —Não fiz nada a sua filha, Baltra.

O riso irônico que escapou dos lábios do homem idoso foram mais que o suficiente para fazer meu sangue ferver, tudo o que eu temia estava acontecendo bem ali a minha frente, mas de longe aquela reação era uma completa surpresa, por mais que eu fantasiasse como aquela conversa seria, nunca cheguei a cogitar que ele ficaria possesso assim, não era do feitio de Baltra perder a cabeça.

—Claro que não! Canalhas feito você nunca fazem nada! - gritou fazendo Ellie se encolher, os olhos vermelhos e o rosto marcado por lágrimas grossas. Meu coração palpitou como se uma mão o esmagasse. Eu tinha que dar um basta naquilo e logo.

—Eu não toquei nela, droga! Se não acredita nisso, chame uma curandeira e mande averiguar, mas solte ela, sua filha já passou por poucas e boas nos últimos dias e você está piorando a situação que já está ruim.

—Faça isso, Baltra, estou de prova que meu irmão não fez nada indecoroso com a princesa, se a marca está aí, é por conta de que um maldito resolveu passar por cima de todas as ordens e a marcou. - Estarossa interferiu em meu apoio.

—Pai, acalme-se, por favor. - Margaret pediu junto a Veronica.

Baltra saiu do quarto soltando fogo pelas ventas, as duas princesas aproximaram-se da irmã, acalentando o choro da menor. Respirei fundo passando a mão em meus cabelos incomodado.

—Alguém pode explicar-me o que foi isso tudo? - Estarossa pediu complacente com a situação de Ellie. O que fez-me lembrar do que eles eram um do outro. Veronica o olhou e ironicamente sorriu.

—Desculpe, assuntos de família e não era nem para você está aqui.

—Sou irmão dela, então acho bom começarem a explicar-me.

As duas mulheres espantadas o encararam surpresas, enquanto que a terceira princesa levantou o olhar do chão para o rapaz.

—O-o que?

—Isso que a senhorita ouviu, aparentemente viemos do mesmo ventre. - revirou os olhos, neguei com a cabeça.

—Só pode ser brincadeira, minha mãe não teve nenhum outro filho! - Veronica protestou já recuperada do choque inicial.

—Mas a minha pode ter tido... - Ellie sussurrou ainda sem entender. —Como descobriu?

—Você se parece com ela, ou pelo menos do que me lembro dela.

—Do que diabos...

—Veronica, eu sei que sou adotada! - Elizabeth disse exaltada, a segunda princesa arregalou os olhos sem crer. —Não entendo porque tanto mistério quanto a isso!

—Ellie você disse isso mesmo? Disse que preferia... - a irmã do meio trocou de assunto querendo dar mais importância a confusão de instantes atrás.

—Falei no calor do momento, estava com raiva e não pensei direito. - minha futura esposa admitiu abaixando a cabeça. —Foi no dia do meu aniversário, quando sai do escritório de papai e Meliodas foi atrás...

—Como pode ter dito uma dessas, Ellie? Agido de maneira imprudente como uma adolescente cheia de...

—Veronica, não sei se chegou a notar, mas eu sou uma adolescente! - a albina interrompeu e suspirou. —De qualquer maneira, como ele descobriu? Nós dois estávamos sozinhos...

—Zanelli contou a papai assim que você foi para Lian Yu. - disse Margaret preocupada.

A cor se esvaiu do rosto de minha noiva e um brilho raivoso reluzia de seus olhos.

—Ah, claro! Tinha que ser ela. - cuspiu as palavras com ódio. —Quem mais iria gostar de cuidar da vida alheia?

—Elizabeth.

—E estou mentido?! Intrometer-se na minha vida como se tivesse algum direito é a especialidade daquela... - barrou as palavras antes que terminasse de dizer, mas estava bem nítido aonde elas dariam.

—Olhe a língua, Elizabeth Liones! - repreendeu Margaret temerosa que alguém escutasse.

Ellie respirou fundo, o rosto rubro de irritação.

—Reze para que pelo menos ela não tenha visto seu noivo entrando pela janela de seu quarto ontem a noite. - foi a irmã do meio que proferiu, fazendo com que a mais nova a olhasse em alerta. —E realmente espero que vocês não tenham feito nada, pois se não a ira de nosso pai vai ser pior.

—Não aconteceu nada! - Ellie gritou por impulso, o rosto vermelho de vergonha no mínimo lembrando-se do beijo. Assim você nos entrega, princesa.

—Sei... Se não tivessem feito nada então, o que ele viu para ficar tão nervoso? - Veronica quis saber.

Respirei fundo antes responder simplista.

—A marca do reino. - reverberei.

Confusa a mulher de cabelos roxos caminhou até a mais nova sentada na cama ao lado do recém descoberto irmão, abaixou com cuidado o tecido do vestido o suficiente para ver a razão de toda aquela confusão. Os olhos da princesa de temperamento forte esbugalharam-se ao notar o pequeno triângulo rosado e encascado cravado na pele da irmã. Seus dentes trincaram e uma fúria compreensível apossou-se de seu corpo, o rosto tinha um olhar sanguinário lançado para mim e a passos calculados e pesados partiu para cima.

—Você... Isso tudo é culpa sua! Como pode deixar isso acontecer?! - gritou.

—Eu sei que a culpa é minha, mas obrigada por me lembrar!

Ela caminhava furiosa na minha direção a cada passou que a garota dava eu afastava-me outro para trás.

—Não entendo o que se passou na cabeça de papai ao aceitar a merda desse noivado! Quem já se viu entregar a própria filha nas garras de um monstro feito você?! - encostei as costas na parede.

Tensionei o maxilar com aquelas palavras. Eu precisava ter paciência para o surto de minha digníssima futura cunhada, mas com certeza paciência não é uma das minhas virtudes. Fechei a mão em punhos buscando controle.

—Veronica! - Elizabeth e Margaret repreenderam, mas foram ignorada por ela.

—Olhe só o que fez com ela! Minha irmã se machucou, ficar ao seu lado só vai servir para matá-la!

—Acha que gosto disso?! - retruquei com a voz dura e carregada de raiva. Meu limite havia chegado e por mais que a hora não fosse para brigas, ainda assim depois de tudo o que escutei não dava mais para aguentar calado. —Que adoro ver minha  melhor amiga machucada por minha causa? - ri em escárnio indignado. —Acha que fico feliz em ver a melhor coisa que já aconteceu na minha vida ficando a beira da morte porque dois idiotas tiveram a brilhante ideia de casá-la com alguém que tem mais inimigos do que o céu tem estrelas?! Santa ignorância, Liones, não sei se percebeu, mas eu amo sua irmã ao ponto de sumir por malditos quatro anos apenas por ser ingênuo o suficiente para achar que todos desistiriam dessa ideia maluca! - soltei frustrado arrependendo-me de ter entregado todos os pontos assim... Mas amar não significava apenas uma coisa, existem várias formas de amor e o sentido correto depende do contexto. Amizade, esse é nosso contexto, ou era... De certa forma a amizade pura, o que tínhamos era sim um tipo de amor. Desviei os olhos para qualquer ponto que não fossem meu irmão e as três princesas. —Odeio a droga desse casamento tanto quanto você e ela, mas não posso fazer nada a respeito para livrá-la disso. - ditei mais calmo.

—Claro que não, você nunca...

—Ele está falando a verdade, Veronica. - Ellie intrometeu-se.

—Como assim? - a segunda princesa olhou para a mais nova esperando que ela explicasse. O que não demorou a acontecer.

—Olhamos o contrato, eu fiz questão de ler ele inteiro quando fui assinar, não existe cláusula. O que o quebra em Lian Yu o oficializa aqui. - comentou em um muxoxo.

—E você aceita isso assim tão fácil?! - indagou descrente.

—O que posso fazer, Veronica?

—Lutar por sua liberdade! Merda, olhe o que esse desgraçado deixou que te acontecesse! Se já está assim enquanto são noivos imagine quando se casarem! - voltou a bater no mesmo ponto, revirei os olhos e escutei minha amiga bufar.

—Meliodas não tem culpa, teve que ir resolver assuntos do reino, nesse meio tempo... - começou a me defender.

—É aí o problema! Ele nunca está, sempre desaparece!

—Mas aí já não foi deslize dele, Liones. - para minha surpresa foi meu irmão que falou. —Meliodas saiu, mas deixou eu e Zeldris cuidando dela.

—E mesmo assim...

—Passaram a perna em todos os três. - completou o albino despojadamente. —É pois é, que coisa não? Devo dizer que foi um plano bem simples, mas estupidamente arquitetado. - suspirou revoltado.

—Bando de irresponsáveis!

—Veronica! - Ellie e Marg gritaram.

—Pelos Deuses, tem como se controlar uma vez na vida?! Ninguém merece ficar escutando suas alfinetadas raivosas sem um fundamento plausível!

—Pelo céus, Ellie será que você não vê o perigo que corre?!

—Será que você não pode raciocinar um pouco?! Os três tem seus deveres para com o reino e seu problemas para cuidarem, além do que eu não preciso de babá!

—Como pode estar tão apaixonada por esse infeliz loiro ao ponto de não se importar com a própria vida?! - proclamou Veronica consternada.

—O... quê? - questionei atônito, o coração disparado feito um louco e de certa maneira aquecido por aquela declaração, eu tinha a confirmação do que suspeitava desde que vi aquele papel escrito em sua escrivaninha, e isso era grati...

—Pelo amor de Deus, Veronica! Se gosta de fantasiar idiotices, que seja, mas guarde elas para você ao invés de ficar gritando elas aos quatro cantos. - Ellie proferiu descrente.

—Será mesmo se é fantasia minha, Elizabeth? - perguntou desconfiada. Engoli em seco aguardando a resposta da princesa e ao ver o olhar em seu rosto eu sabia que não iria gostar do que escutaria em seguida.

—E o que mais seria, Veronica?

Duas batidas foram dadas na porta cortando qualquer continuação que aquela conversa poderia ter. Margaret foi até a porta atendeu a porta vendo o pai e uma senhora usando uma capa da cor vinho, supus que fosse a curandeira. E mesmo a contragosto saímos do quarto deixando Ellie sozinha para lidar com eles.

Escorei-me na parede do corredor que ficava de frente a porta do quarto dela, dispostos no mesmo os outros também ficavam.

—Será que ela vai ficar bem? - o questionamento preocupado da segunda princesa do reino fez-me suspirar, todos estavam pensando a mesma coisa, poderia apostar.

—Imagino que sim. - limitei a responder.

—Você... Realmente não fez nada ontem, não é? - indagou. Revirei os olhos ponderando se não deveria ficar calado.

—Não fiz, Veronica. Não iria fazer nada que a deixaria nessa situação. - minha voz saira amena, mesmo que nada estivesse assim dentro de mim. —Não sou idiota a esse ponto, muito menos sua irmã, deveria confiar nela.

—Meio difícil depois do problema que arranjou falando tudo aquilo. - titubeou fazendo um riso sarcástico escapar do fundo de minha garganta.

—Veronica, querida, alguma vez na vida você já se arrependeu do que andou falando em um excesso de raiva? - perguntei o silêncio foi a resposta que obtive para continuar. —Quando estamos com raiva não pensamos muito bem no que falamos, deveria saber disso. - eu queria falar mais, tudo o que estava entalado na garganta, mas sinceramente não estava com saco para uma conversa que não levaria a lugar nenhum. Conhecia o gênio de Veronica o suficiente para saber o quão orgulhosa, irritada e desaforada ela era quando queria. —Elizabeth sempre fez o que queriam, agiu como queriam que ela agisse. Aguentou tudo sem reclamar, e no primeiro deslize de uma vida inteira você vai julgá-la? Sério isso, Veronica? - inquiri a olhando, realmente não dava para acreditar. A mulher não se deu ao trabalho responder-me, ficou quieta enquanto que a mais velha delas sorria para minha defesa a Ellie. Um sorriso que parecia conseguir ver o que eu desejava esconder.

Elizabeth

Todos os outros saíram da do quarto restando apenas eu, papai e a anciã do reino, nenhuma palavra fora trocada, o silêncio perdurava por todo o relento e ninguém fazia questão de o macular com palavras. 

Com um acenar singelo de queixo, a senhora idosa apontou para que a seguisse até o banheiro, todas as lembranças do que aconteceu ali na noite passada ficaram dilacerando meu corpo de dentro para fora, medo, pavor, temor, assombro, tudo isso estava dentro de mim estava sufocando-me em um vórtice sem fim e que tornava aquele procedimento cada vez mais doloroso. Mon Dieu, ce sera bientôt fini.²

•X•

—E então? - papai questionou assim que saímos do banheiro, olhei para baixo não aguentando ver a expressão decepcionada que tinha refletida em seu olhar. Eu sabia que não havia feito nada, que era inocente do que me acusavam, mas doía tanto ser julgada por algo que não fiz tudo por um erro feito no ápice da raiva. Será que Meliodas se sente assim toda vez que Veronica arranja um jeito de culpá-lo injustamente?

—Sua filha ainda é pura, vossa majestade. - respondeu a anciã com a voz arrastada e baixa fazendo-me corar.

—Hm... - titubeou acenando para que se retirassem de meu quarto. Em nenhum momento Baltra olhou em meus olhos, apenas me deu suas costas e saiu sem nem mesmo dirigir alguma palavra a mim ou um pedido de desculpas por não confiar em mim.

Desabei na cama soltando o ar preso em meus pulmões. Deus, que semana terrível... 

Meliodas

Quando Baltra saiu do quarto acompanhado com a curandeira todos permaneceram em silêncio o encarando. Ninguém ousou falar nada temendo o que o homem fizesse outra cena. Ao despachar a mulher, o idoso parou em minha frente e a palavras frias e duras disse calmamente:

—Me acompanhe até o escritório, temos muito o que conversar. - assenti seguindo-o.

O escritório de Baltra ficava na ala leste do castelo, não muito longe dos quartos das princesas, na verdade para chegar lá tudo o que precisava era apenas virar à direita quando chegasse ao topo da escada, ao invés de seguir reto, que já entraria no corredor onde existia uma única porta grossa e pesada de madeira castanha-escura ao fundo, o cômodo é um espaço amplo, espaçoso até, cheio de prateleiras com livros e uma mesa grande de orvalho no centro, havia uma poltrona de frente para ela, cujo o patriarca Liones apontava. 

—Sente, Hellsay. E trate de explicar como aquela marca foi parar no corpo de minha filha. - Baltra ordenou. Soltei um breve riso sarcástica.

—Agora você quer ouvir? Não deveria ter feito isso antes de armar aquele espetáculo todo?!

—Olhe a petulância, garoto!

—Oh desculpe-me se lhe desrespeito quando te crítico. - revirei os olhos. —Você me conhece, Baltra, conhece sua filha, por que fez tudo aquilo? - quis saber.

—E esperava que eu reagisse como?! - bufou nervoso. —É de minha filha que estamos falando, Meliodas, da honra dela aliás.

Concordei com um balançar de cabeça, mas ainda não satisfeito com suas ações.

—Não estou te contrariando quanto a isso, sei o quanto se preocupa com cada uma dela, o que acho desnecessário e sem sentido é tê-la amedrontado daquele jeito. Tomado por raiva.

—Eu sei que fiz errado, confesso que não estava pensando direito. - suspirou em seus olhos podia ser notado todo o arrependimento. Ele falava a verdade. —Não tem como voltar no tempo, então, apenas diga-me logo como aquela marca parou lá. - ordenou agoniado, seu olhar preso na madeira maciça da mesa, suspirei sentando na cadeira dando-me por vencido e comecei a contar.

—Um homem, não sei qual muito menos quem é ainda, ele... Ele aproveitou-se do fato de que eu e meus irmãos não estávamos no castelo e a submeteu ao ritual. - joguei as palavras. —Foi tudo estupidamente premeditado, como se alguém já quisesse que isso ocorresse.

—Como deixou isso acontecer?! Você só tinha que cuidar dela! - exclamou bravo. —Sempre acorbetei suas canalhices dentro do reino, mas essa... O que pensa que está fazendo? Jogando a merda de um jogo?!

—Sei muito bem que não é um jogo! Nunca atreveria-me a meter Ellie em tudo isso, droga! - exaltei, minhas mãos tremiam, tudo em minha cabeça era uma confusão. —Estávamos lá, brigados por conta de minhas escolhas, tudo virou um emaranhado de confusões, quando saí para resolver as coisas do reino deixei meus irmãos cuidando dela, mas conseguiram tirá-los do castelo também... Quando voltamos tudo já tinha acontecido. E ontem... - o rei arqueou uma sobrancelha quieto demais para quem estava a beira de um colapso minutos antes.

—O que teve ontem? - ele não sabia? Engoli em seco percebendo que acabei falando demais.

—Um aprendiz de cavaleiro do seu reino tentou matá-la, ninguém havia te falado?

—Cheguei ainda nessa madrugada, acho que não tiveram tempo. - respondeu com os olhos arregalados e com uma fúria solta neles. —Agora conte-me detalhe por detalhe o que aconteceu.

E assim eu o fiz.

Elizabeth

Em algum momento da vida você já se perguntou o que fez de tão errado para merecer algo ruim? Caso não, meus parabéns, provavelmente você é um privilegiado que tem noção de seus erros e acertos.

Durante toda a minha vida eu me perguntei o que fiz para merecer Zanelli em minha vida, depois de vários anos culpando-me por um perjúrio que eu acreditava ser verdade, eu finalmente entendi que não importava se tinha feito algo certo ou algo errado, ela sempre trataria-me daquela forma quando não estivesse a vista dos outros. Seus motivos para agir assim nunca descobri e por mais curiosa que eu fosse as vezes ainda temia em esclarecer isso. Definitivamente afrontá-la no momento não é a mais sábia das ideias, ainda mais sem provas, pois se o fizer é capaz da mulher jogar as coisas contra mim.

—Ei. - meu noivo chamou tocando em meu ombro, nem havia percebido sua presença até então. Levantei a cabeça para encará-lo, seus lábios continham um mínimo sorriso reconfortante. —Como você está? - perguntou sentando-se ao meu lado.

Funguei procurando as palavras enquanto olhava a porta, estava bem aberta, qualquer pessoa que passasse pelo corredor veria que estamos apenas conversando. Ótimo, pelo menos assim Zanelli não vai ter como espalhar fofocas sobre nós.

—Vou ficar bem. - por fim respondi repuxando os lábios no melhor sorriso que consegui. —Nunca vi papai tão bravo...

—Também não. - segurou minha mão. —Queria poder ficar aqui até ter certeza que as coisas voltarão ao normal. - franzi a testa analisando suas palavras.

—Já vai voltar para Lian Yu? - ele assentiu.

—Estarossa descobriu um documento falando sobre aquele assunto que soubemos da existência na cede. - sussurrou, arregalei os olhos.

—Então... Meu Deus! - a exclamação entoou-se em minha voz mesmo que o tom não passasse de um sussurro. —O que pretende fazer? - indaguei, meu amigo ficou calado, os olhos verdes olhando para qualquer ponto. —Você vai fazer alguma coisa, não é?

—Claro que vou. - respondeu indignado por minha dúvida. —Só não sei o quê. - completou. —O fato é que preciso voltar para lá, tenho a viagem inteira para pensar em uma forma de descobrir mais e impedir o negócio de ir para frente.

—Tome cuidado. - pedi preocupada.

—Você também, pode guardar segredo sobre isso, por favor?

—Claro. - respondi receosa. A arma química não era problema de meu reino, por enquanto, esse fato deixava bem claro por si só que por agora ninguém precisaria ficar sabendo dele. Na melhor das hipóteses essa desgraça seria amenizada e extinguida antes mesmo de qualquer barbárie acontecer, na pior delas teríamos uma ameaça de morte fortificada em cabeças que não mereciam. No final de tudo um alvoroço não ajudaria em nada nessa situação.

Uma aposta arriscada, admito, mas que infelizmente precisaríamos fazer, uma vez que se jogarmos a notícia a público Tristan e Chandler - que se não me engano foram os mencionados por Katie Markov de fazerem parte desse projeto - podem tomar medidas drásticas e irremediáveis ao bem do reino.

Tínhamos uma bomba prestes a explodir nas mãos, literalmente, e eu só rezava pra que desse tempo de desarmá-la.

Meliodas se levantou em silêncio ficando a minha frente, fiz o mesmo.

—Mantenha-me informada sobre isso, por favor. - pedi segurando em suas mãos prestes a nos despedir.

—Se envolver nisso colocará sua cabeça na guilhotina, Ellie. - avisou.

—Mas os dará uma carta na manga. - argumentei. —Pense comigo, se, Deus nos livre, acontece alguma coisa com vocês? Precisam disso para que garantam que as pessoas inocentes nessa trama fiquem bem, caso contrário será em vão. - o rapaz suspirou contrariado.

—Sua família vai me odiar mais ainda. - resmungou.

—Ela não odeia. Quer dizer, Veronica sim, mas logo ela se acostuma com você. - sorri. —Por favor, Meliodas, deixe-me tentar ajudar pelo menos nisso.

—Não estou te impedindo de ajudar, apenas...

—Como posso ajudar se estiver as cegas do que acontece? - interrompi-o, ele revirou os olhos.

—Vou pensar no seu caso. - disse a contragosto puxando-me para um abraço do qual retribui. 


Notas Finais


²Mon Dieu, ce sera bientôt fini. = frase em francês que significa "Meu Deus, que isso acabe logo."


Genteee não vou negar, essa cena do início do capítulo, com o Meliodas é uma das minhas preferidas até agora 😏 Ele já admitiu pra si mesmo, meio caminho andado falta só a coragem pra revelar pra outra parte que se interessa rsrs 🤭

E olha a injustiça com o loirinho, a maioria colocando culpa nele por causa da marca... Tadinho. Mas eai, na opinião de vocês Meliodas tem culpa no cartório por isso ou não? Rs

Até a próxima, bjs 😘


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