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História A toda velocidade - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Estou aqui para mais uma história, espero que gostem ❤️
Desculpem os erros, tentei meu melhor para betar sozinha rsrs

Capítulo 1 - 01


Os gritos ecoavam pela arquibancada, multidões empolgadas por um final já esperado. A corrida, por muitas vezes, deixou dúvidas sobre quem venceria, devido às curvas nas pista que aproximavam os carros em demasia. Por mais que no coração das pessoas só houvesse espaço para um vencedor, a adrenalina da pista afetava a todos. Quando Min Yoongi ultrapassou a linha de chegada e a alegria dos fãs o atingiu, soube que estava na profissão certa. Ainda dentro do carro, elevou uma das mãos em punho fechado para comemorar a vitória e foi desacelerando o carro à medida que sua equipe se aproximava.

O calor causado pela roupa fechada e o capacete que abafava sua respiração quente e ofegante não o incomodava, não mais. Yoongi pulou do carro e tirou o capacete, o sorriso arrogante em seu rosto indicando que era uma vitória esperada. Por mais que fosse o treino classificatório, não aceitava ficar em qualquer outra classificação que não o primeiro lugar. Nasceu para estar no topo e não aceitaria nada inferior a isso.

— Você passou, Yoongi! — O chefe da equipe o abraçou rapidamente, antes de apoiar suas mãos no ombro do piloto e sorrir.

— Não deveria expressar tanta surpresa, Kyung. — Yoongi o encarou antes de se afastar ao ver que alguns de seus fãs que pagaram para estar perto dele após as corridas se aproximavam. — O primeiro lugar é meu.

Yoongi se afastou do chefe, canetas e câmeras sendo direcionados a si para dar autógrafos e tirar fotos. Ignorou completamente sua equipe. Era melhor que eles para ter que aceitar ficar muito tempo em suas presenças. Enquanto eles eram meros trocadores de pneus e homens que abasteciam seu carro, ele era o piloto, o homem que subia ao pódio para receber seu troféu.

Liu Kyung o observou alguns metros afastados, negando com a cabeça. Yoongi era seu maior orgulho e sua maior decepção. Aquele jovem deixou que fama, poder e dinheiro lhe subisse à cabeça e se tornou um egocêntrico arrogante ao achar que pode humilhar os outros. Observou sua equipe comemorando entre si e um sorriso discreto apareceu em seu rosto velho e cansado. Pelo menos seus homens mais inteligentes sabiam não depender do piloto para apoiarem-se uns aos outros quando venciam uma corrida.

— Vamos, ainda temos trabalho a fazer. — Kyung foi até sua equipe e sorriu, evitando pensar no moleque arrogante que ainda estava envolto por fãs obcecados. — Min Yoongi não venceu o campeonato ainda.

Acompanhado por sua equipe, Kyung retornou ao boxe e encontrou os outros assistindo pela televisão a pontuação final dos outros competidores para poder comparar com a de Yoongi. A primeira corrida aconteceria em uma semana em Busan e não poderiam perder tempo, ainda que o circuito fosse fácil e não houvesse curvas fechadas e perigosas.

Quando o sinal soou pelo autódromo, Kyung pôde ver as câmeras sendo direcionadas para os três primeiros colocados que já se direcionavam para receber o prêmio pela corrida. Kyung revirou os olhos ao assistir Yoongi num andar desleixado, como se o mundo estivesse à espera dele. Perguntava-se constantemente em que momento aquele garoto se perdeu em meio à fama e deixou de seguir seus objetivos de maneira racional e menos impulsiva. Era tarde demais para tentar alertá-lo. O piloto não aceitava conselhos e irritava-se com facilidade quando não tinha o que queria, consequência da liberdade exagerada que foi concedida a ele quando começou a vencer todas as corridas. ChinMae, alto executivo da Ferrari, o mimava demais. Kyung via mais como uma troca satisfatória para ambos. ChinMae liberava Yoongi de algumas regras e oferecia-lhe mais liberdade e, em troca, Yoongi lhe devolvia medalhas e reconhecimento. No fim, Kyung era quem limpava as merdas que Yoongi causava por sua arrogância e egocentrismo.

Yoongi subiu no pódio, o sorriso satisfeito por estar mais alto que seus colegas que ocupavam a segunda e terceira posição. Estavam como deveriam, Yoongi no topo, vendo-os de cima. Paciente e com o sorriso falso no rosto, esperou que as medalhas fossem colocadas no pescoço dos outros e o breve momento deles de glória fosse consumido por gritos baixos e raros.

Quando se inclinou para receber sua medalha de ouro, agradeceu as parabenizações das pessoas que ali estavam e finalmente ergueu os braços para cima, sua típica saudação de vitória. Seus ouvidos foram agraciados pelos gritos histéricos de fãs e sorriu orgulhoso de si mesmo, acenando para as câmeras apontadas para si e para as pessoas que ainda estavam nas arquibancadas e acompanhavam a premiação pelos telões.

Findada a premiação, a expressão indiferente retornou e olhou para os demais com indiferença. Estava prestes a se afastar e voltar para o boxe quando ouviu um bufar atrás de si. Virou-se para reconhecer Jimin, o piloto que conseguiu o segundo lugar. O odiava. Jimin era ingênuo demais, bonito demais e sincero demais. Não sabia como ele conseguia agir daquela forma, achava patético o sorriso que dava aos fãs e aos fornecedores e equipe. Sempre atencioso e respeitoso. Era um otário.

— Meus parabéns, Yoongi. — Jimin sorriu, mas por baixo de toda aquela simpatia ele conseguia ver o desprezo em seu olhar. Desprezo que direcionava apenas para ele. — Foi uma bela corrida, não?

— Sim, foi uma bela corrida. Mas nada que tivesse me surpreendido, o primeiro lugar foi meu, como sempre acontece. — Sorriu vendo que algumas pessoas os encaravam. Poderia ser famoso, mas Jimin também era o queridinho das pistas.

— Sua arrogância ainda será sua derrota, Yoongi. — Jimin deixou de sorrir e respondeu sério.

— Desculpe, estou muito alto no primeiro lugar para escutar você. — Rebateu irritado, pouco se importando com o fato de que ainda estavam sendo filmados. Yoongi quase sorriu por seu olhar surpreso se transformar em um enraivecido, mas não deu tempo para que Jimin o respondesse, não tinha paciência para conversar com pessoas como ele. Deu-lhe as costas e voltou para o boxe.

— Estou muito alto no primeiro lugar para escutar você? — Foi a primeira coisa que ouviu quando entrou no boxe, todos de sua equipe o encarando em silêncio. Conseguia ler a decepção em seus olhares, a falta de surpresa pela declaração. Todos sempre esperavam o pior dele e Yoongi fazia questão de não decepcionar ninguém nesse quesito.

— Ele me provocou. — Respondeu ao revirar os olhos e desabotoar sua roupa, o calor já insuportável de aguentar por mais tempo. Retirou o macacão vermelho com detalhes em branco, símbolo da marca que o patrocinava, e o colocou sobre seu carro, ficando apenas com uma calça fina e uma camisa branca. Só então encarou o semblante irritado de seu chefe, mas não dando a mínima para o sermão dele. Não era a primeira vez e, com certeza, não seria a última.

— Ele não te provocou, Yoongi. — Kyung se aproximou até estar cara a cara com Yoongi que se negou a recuar sequer um passo. — Sua arrogância será sua derrota.

Yoongi semicerrou os olhos para ele, a frase atingindo-o mais do que deveria. Aceitava ouvir aquilo de qualquer um, exceto de sua equipe. Eles sabiam o quão esforçado era, o quanto exagerava nos treinos para manter seu nível e estar sempre em primeiro lugar. Por isso odiava quando era repreendido por qualquer um de sua equipe. Odiava ainda mais quando seu chefe lhe dava sermão na frente deles, sentia-se humilhado, inferiorizado.

— Eu tenho pena de vocês. — O sorriso cínico reapareceu em seu rosto, escondendo a irritação ou qualquer outro sentimento que pudesse surgir ali.. — Enquanto eu recebo os méritos pelo que faço, vocês estão aqui, escondido das câmeras e do reconhecimento. — Caminhou até o armário e pegou sua chave e carteira.

— Onde pensa que vai? — A voz de Kyung foi severa e rude.

— Não lhe diz respeito. — Riu em escárnio e se afastou, parando no limiar do boxe antes de se virar para encarar seu chefe. — Segunda feira estarei aqui para treinar.

Deu as costas e ignorou as vozes que começaram baixas. Sabia que estavam falando de si e de suas atitudes e, sinceramente, não se importava.  Deixou o autódromo e seguiu para o estacionamento, entrando em seu carro, decidido a deixar Seul e vagar pela estrada até encontrar alguma cidade que lhe despertasse o interesse.


[...]


O pequeno bar que encontrou em meio a zona rural de Ulsan parecia promissor. Antes de pegar a estrada, Yoongi passou em seu apartamento e fez uma mala com os itens que precisaria para sua estadia em Busan, onde aconteceria a segunda corrida. Não era irresponsável com seu trabalho como muitos achavam e não se demorou em casa, guardou apenas o essencial em sua bolsa e voltou para o carro.

Preferiu dirigir até uma cidade próxima de Busan para que não ocorresse imprevistos e quando chegou em Ulsan, vislumbrou a bagunça urbana que era aquele lugar. Hospedou-se no hotel mais caro e ficou surpreso quando algumas pessoas o reconheceram e pediram para tirar fotos. Sorriu como sempre fazia, a curva dos lábios impondo a arrogância característica. Em Seul ele tinha noção de sua fama, mas era ao visitar outras cidades que realmente se dava conta do quão conhecido era.

Mal deu atenção aos detalhes do hotel, aos funcionários ou a qualquer outra coisa que considerasse irrelevante. Apenas seguiu a direção explicada pelo gerente no saguão e o dispensou quando o homem se disponibilizou a acompanhá-lo. Encontrou a porta em meio a um longo corredor onde havia diversas outras portas iguais. Passou o cartão chave e entrou quando o acesso foi liberado. Jogou sua bolsa na cama e se deitou, pegando o celular para atualizar sua vida nas redes sociais.

O barulho lá fora o desconcentrava, o som de buzinas e vozes tão altos e incômodos como se estivessem ali dentro do quarto. Impaciente, jogou o celular de qualquer jeito sobre o tecido macio da cama e respirou fundo algumas vezes. Em sua timeline só era visto notícias sobre a sua vitória e sobre sua resposta à Jimin. Alguns veículos de informação sabiam bem como manipular os acontecimentos e não era a primeira vez que aquilo acontecia. Já perdeu as contas de quantas vezes escutou sermões de Kyung por sua falta de responsabilidade quanto ao que falava para as outras pessoas, principalmente para os outros competidores.

Não queria pensar nisso, admitia agora que fora impulsivo. Mas se negava a dar qualquer desculpa sobre o acontecido para a imprensa. Quando sentia seu sangue esquentar, não media as consequências de suas ações, muito menos quando já estava habituado a não resolvê-las. Conhecia muito bem as suas liberdades e se  apropriava delas. Se o alto executivo da Ferrari lhe permitia certa independência, não seria ele a se limitar. Na maioria das vezes, fazia o que queria, quando queria e como bem entendesse. No fim das contas, ele tinha Kyung para desfazer a bagunça.

Fechou os olhos com força e tentou ignorar seus pensamentos inoportunos. Não estava no trabalho, não queria pensar em ninguém da sua equipe ou seus concorrentes. Jimin, com aquele sorriso ingênuo, era o pior de todos, quem mais o incomodava.  Tudo piorava quando lembrava que a marca que patrocinava o outro era sua concorrente, a Hyundai. Ver Jimin todo sorridente vestindo aquele macacão prata lhe enojava.

Sentou-se na cama, uma raiva já conhecida controlando sua linha de pensamento. Agarrou a colcha branca firmemente, os nós dos dedos brancos pela força exercida. Sempre que aquilo acontecia, uma onda insuportável de pensamentos ruins vinham em sua mente, o atiçando. Primeiro vinha o ódio por saber que aquilo sempre o afetava, depois a repulsa por pensar tais coisas. Por fim, a vergonha. Sabia que pensamentos ruins eram apenas pensamentos ruins, mas quando eles apareciam como um enxurrada em sua cabeça, não era seu lado racional que predominava.

Tentou ignorar Kyung, Jimin, sua equipe e as notícias contra si. Tentou lutar contra as bobagens que o provocavam em seu consciente. Sorriu forçadamente, enquanto permanecia sentado na cama, mas logo a lágrima que escorreu em sua bochecha transformou seu sorriso em um bico  entristecido. Chutou seus sapatos para fora dos pés, enxugou a única lágrima que permitiu derramar e se deitou na cama, abraçando o travesseiro e escondendo seu rosto nele.

Eram em momentos como aquele que o alívio por estar sozinho o tranquilizava. Nunca permitiu que o vissem assim e pretendia manter tudo como estava. As pessoas poderiam achá-lo soberbo, arrogante e intolerante, ele não se importava, ele era tudo isso. Mas vê-lo dessa forma, vulnerável, isso jamais permitiria que alguém presenciasse.

Movido pela raiva, parou em uma cidade que não conhecia e que não fazia ideia de como se localizar. Movido pela raiva, dirigiu em alta velocidade não se importando com as possíveis multas que receberia. E movido pela raiva, ali estava, em um quarto vazio, lutando para manter tudo escondido dentro de si, enquanto sua casca arrogante se mantinha intacta. Mais uma vez ali estava, sozinho porque ninguém suportava conviver muito tempo com ele.


Notas Finais


Quero agradecer infinitamente a @unknowhere pela capa. Eu amo demais. 💞


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