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História A trilha de um sábio - Capítulo 11


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Notas do Autor


Aqui estamos com a reta final dessa história que tenho tanto apreço, assim como vocês devem possuir. Inicialmente, o planejado era o capítulo 10 ter apenas 8 mil palavras no máximo, mas já tem 10 mil e eu nem cheguei na metade do que tinha planejado, kkkkkk. Então eu decidi por partir em dois, e fazer um capítulo 11. Aproveito e irei adicionar mais algumas coisinhas também.

Esse capítulo e o próximo serão totalmente focados em fechar todas as pontas soltas dessa história, então terá muitos diálogos.

Capítulo 11 - Capítulo 10 - O que significa ser o Sábio dos Seis Caminhos.


Dois dias haviam se passado desde que Konoha quase foi extinta do continente elemental. A todo vapor, a vila tentava se reerguer, com as operações de busca e resgate já finalizadas, graças a velocidade que shinobis poderiam fazer isso e assim, a aldeia poderia se focar totalmente em se recuperar. O que se pensava ser uma situação desastrosa na realidade era algo bem melhor do que Konoha já enfrentou, como o Massacre da Kyuubi. Tudo isso graças a um shinobi que em um único dia, foi do indivíduo mais odiado de Konoha para o salvador, sendo alvo de extrema admiração por qualquer cidadão de Konoha, que rapidamente descobriram quem foi o responsável por trazer mais de 90% das pessoas que estavam mortas durante o ataque das bijuu.

Infelizmente, o Gedō — Rinne Tensei no Jutsu, apesar de ser uma técnica que literalmente manipulava a vida e a morte, ainda assim, não era perfeita. As almas foram retiradas do mundo impuro e redirecionadas de volta a seus corpos, com um acréscimo de energia yang para que pudessem se curar, mas ainda assim havia limites. Pessoas que tiveram seus corpos destroçados ou soterrados em entulhos, em meio a destruição, não conseguiriam receber as suas almas de volta, às fazendo retornar naturalmente para o mundo impuro.

Por sorte, o números de pessoas que se encaixavam nessa situação era realmente pequeno se comparado ao total, então no fim, o ânimo do povo de Konoha ainda estava forte, com a famosa Vontade do Fogo ardendo com paixão no coração daquelas pessoas, dispostas a suarem para reconstruírem novamente o seu lar.

Na questão de danos estruturais, os imensos muros que cercavam Konoha não haviam sido rompidos, o que facilitou bastante para que as vigias pudessem ser efetivas, afinal, com Konoha tão fragilizada, a chance de receberem outro ataque, seja de uma vila menor ou de mercenários, mesmo que remota, ainda era algo a se considerar. Um pedido para o Lorde Feudal já havia sido feito e em uma semana, uma enorme quantidade de materiais de construções junto com um contingente de trabalhadores seria direcionado a Konoha para ajudarem na reconstrução. O lorde entendia a importância de ter a sua vila de volta a ativa e não pouparia gastos para que isso acontecesse o mais rápido possível. 

As missões ainda estavam congeladas do rank-A para cima e todos os shinobis que estavam fora da aldeia no dia do ataque já receberam mensagens criptografadas explicando a situação, com a escolha de cancelarem a missão e retornar caso acharem necessário.

Hiruzen, em seu escritório, assinava a papelada que era necessária ter a sua aprovação e mais uma vez, quando algum desastre abatia Konoha, a quantidade de papel praticamente triplicava, e assim, se tinha a visão de uma grande mesa de madeira com várias e várias pilhas de papel que subiam por metros, onde se um vento mais forte batesse, Hiruzen não duvidaria que ele morresse pateticamente soterrado em toda essa papelada, tendo apenas a sua frente limpa para que pudesse enxergar o seu escritório minimamente.

Obviamente, ter esse risco claro de morte não era um problema para ninguém, já que mesmo trazendo essa constatação para seus funcionários e seus conselheiros, Homura e Koharu, todos eles, em níveis diferente de respeito, alegaram que ele estava apenas sendo um preguiçoso. Mesmo passando décadas, falando com veemência para seus colegas e amigos, ainda assim, ninguém acreditava na ameaça ao mundo que era a papelada.

Talvez, isso poderia ser loucura de um velho, como seu neto afirmava sempre para ele, mas ainda assim, o ódio que se construía dentro do velho coração daquele homem a seu inimigo número um só seria deixado de lado quando seu sucessor fosse escolhido.

Suspirando, sabendo que esse dia ainda estava relativamente longe, Hiruzen decidiu fazer uma pequena pausa e ter o seu momento de alívio em seu coração:

“Nioko-san, pode vir aqui um instante?”, pediu Hiruzen, pelo seu telefone, a sua secretária.

Com a confirmação dela, em alguns segundos, uma mulher de cabelos castanhos, usando uma blazer preto com um blusa roxa por dentro, junto de uma saia colada preta que chegava até os joelhos, entrou no escritório. Nioko Tezumi era a secretária de Hiruzen a quase 3 anos e era um dos poucos motivos que Hiruzen poderia se lamentar minimamente, quando não fosse mais Hokage, sendo uma linda mulher de 25 anos.

Obviamente, esse não foi o fator para a sua escolha, onde a seleção para o cargo foi feito por um longo e extensivo processo, para garantir que ela não era a espiã de alguma aldeia e que poderia ser uma real ajuda para o Hokage. Tendo uma memória fotográfica e formada em administração, ela ajudava bastante Hiruzen em seus trabalhos burocráticos.

“Sim, Hokage-sama?”
           

“Por favor, poderia pegar uma dos arquivos na estante de cima? Necessito fazer uma consulta.”, pediu educadamente.

Nioko assentiu, se dirigindo para a estante que ele apontou, sendo de frente a Hiruzen, ao lado da porta. Nioko, sendo um pouco baixinha, tinha se se esticar na ponta dos pés para que pudesse alcançar a estante de cima e dessa forma, Hiruzen tinha a visão privilegiada de seu corpo tensionado e consequentemente, ver o formato da sua bunda destacada na saia colada.

Ainda com uma expressão séria por fora, por dentro, ele apenas poderia suspirar em prazer de ver aquela cena. Finalmente alcançando o arquivo, Nioko se virou para seu Hokage e entregou o documento, recebendo o agradecimento de Hiruzen e com ele pedindo para que preparasse os últimos detalhes da reunião a tarde com os outros Kages,

Nioko assentiu e se virou, colocando um pouco mais de gingado em seu quadril na saída, tendo a certeza que Hiruzen observava todo o seu trajeto. Obviamente, a ação de seu Hokage poderia ser categorizado como assédio, mas além desses momentos, onde Hiruzen observava seu corpo, ele não fazia nada que pudesse ser considerado grave aos olhos de Nioko. Seu emprego pagava bem e se ela precisava vez ou outra dar uma casquinha visual de seu lindo corpinho para seu chefe, não para manter o seu emprego, mas para ajudar o velho pervertido a lidar com o trabalho massante com a papelada, Nioko não tinha problema algum com isso.

Com ela saindo da sala, Hiruzen deu um suspiro, dessa vez de contentamento com esse breve momento de prazer. Ele não era nenhum velho tarado, apenas gostava de apreciar a juventude, como Guy sempre afirmava.

Deixando esses pensamentos de lado, ele se focou nos próximos assuntos que surgiriam, com a reunião entre os 4 kages sendo a sua principal preocupação. Se fosse em condições normais, Hiruzen sabia que estaria de frente a um desastre diplomático, tendo sediado um evento com a presença de 4 importantes líderes e esse evento ter recebido um ataque que colocou a vida de todos em risco. No entanto, o que aconteceu nem de longe poderia considerado como normal e assim, Hiruzen se deparava com o imprevisível, pois ao mesmo tempo que nenhum kage demonstrou desejos por algum ressarcimento, ainda assim, poderia ser apenas uma fachada, ou suas opiniões poderiam mudar em alguns dias.

De qualquer forma, Hiruzen teve a certeza de chamar Naruto para essa reunião. Ele ainda devia explicações a todos e ter o shinobi mais poderoso do continente elemental usando a sua bandana seria um indicativo bem efetivo para lembrar os Kages de não passarem dos limites em seus pedidos.

Seja o que fosse acontecer, Hiruzen sabia que Konoha continuaria sendo a aldeia mais poderosa com Naruto fiel a eles.

 

[...]

 

O Hospital Geral de Konoha, junto com a torre Hokage, era um dos maiores prédios da Aldeia, visto a importância que o local possuía. O prédio ficava próximo a torre Hokage e a Academia, permitindo que com a proximidade entre esses locais importantes, fosse mais fácil a defesa deles. Durante o ataque, o hospital havia recebido algumas invasões, mas as defesas do local já estavam estabelecidas e qualquer invasor de Oto havia sido morto ou capturado. Inclusive, Naruto não havia diferenciado amigos e inimigos na hora de reviver os mortos, por escolha própria, e assim, Konoha tinha uma quantidade grande de prisioneiros e a divisão de Tortura e Interrogatório teria os próximos dias bastantes ocupados, extraindo informações.

De qualquer forma, o hospital era dividido em duas alas, uma delas, que se encontrava logo na entrada do prédio principal e se estendia pelos primeiros 3 andares, era responsável por cuidar dos civis da aldeia. O outros 2 andares do prédio, era reservados exclusivamente para shinobis, sendo expressamente proibido a entrada de civis nesse local, com a exceção de nobres importantes do País do Fogo, assim como médicos civis renomados que eram delegados a tratar dos shinobis na maioria das vezes, com os médicos ninjas, a elite da medicina de qualquer aldeia ninja, sendo responsáveis por tratar dos casos mais urgentes e graves.

Pela a grande quantidade de feridos, diversas tendas médicas foram colocadas em pontos chaves de Konoha para os tratar, então as únicas pessoas que ocupavam os inúmeros quartos da ala shinobi do Hospital Geral eram shinobis com ferimentos graves, ou na maioria dos casos, shinobis com um grau de importância que necessitava os colocar em um espaço seguro. 

Esse era o caso de Fuu, que havia acordado horas depois do ataque ter acabado, em um quarto que não era o que ela estava e sendo atendida por um médico que não era Nayumi. O médico, em um tom rápido e profissional, explicou o que havia acontecido enquanto fazia um check-up em seu estado. Fuu ficou surpresa que havia despertado para seu estado Bijuu, tendo nenhuma lembrança disso, e ela logo questionou se alguém se feriu enquanto estava transformada. A resposta estava clara na face do médico. Por baixo de seu profissionalismo, havia medo e raiva, sentimentos que Fuu já estava tão familiarizado de receber que poderia reconhecer com facilidade.

Depois disso, Fuu foi deixada sozinha pelos próximos dois dias, não tendo permissão para sair de seu quarto a nenhum momento e sendo isolada do mundo exterior, com apenas a visita do mesmo médico, que continuava a tratando com profissionalismo. Sua aldeia ainda não apareceu para saber de seu estado, e ela duvidaria muito que acontecesse. Politicamente, Taki tinha o direito de pedir algum ressarcimento pelo o ataque que Fuu recebeu, em um evento sediado por Konoha, mas seu status como uma vila menor fazia ter que refletir bem se gostaria estar no lado ruim de uma aldeia tão poderosa como Konoha.

Enquanto Taki não decidisse o que fazer, Fuu ainda seria mantida presa até segunda ordem e isso apenas a fazia condenar mais ainda a vida que ela foi destinada a ter.

Ela estava nesses pensamentos melancólicos a quase dois dias e duvidaria muito que parasse de ter, mas pelo o seu próprio destino que a muito tempo era amaldiçoado, coisas boas iriam acontecer.

Uma batida na porta foi ouvida por ela, com a garota estranhando já que o médico nunca batia para entrar, e logo pôde ouvir a voz de um certo loiro:

“Fuu, posso entrar?”

A jinchuurinki estranhou, já que ela acreditava que ninguém a poderia visitar, estando isolada, mas mesmo assim, ela respondeu com uma afirmação e logo Naruto entrou, usando as mesmas roupas que da última vez que a conheceu, mas agora usando uma faixa laranja com o símbolo de um redemoinho em preto na testa e estranhamente, esferas negras flutuavam pelas as suas costas.

PAI! É VOCÊ? É VOCÊ MESMO?”, gritava Choumei de dentro da mente de Fuu, fazendo ela ter uma dor de cabeça pelos os gritos da Bijuu.

“Não, eu não sou seu pai, Choumei. Sinto muito.”, respondeu Naruto, em uma voz tranquila, entrando no quarto enquanto passava pelos os dois Anbu que guardavam a entrada.

Tecnicamente, Naruto não deveria entrar, mas quando o Sábio dos Seis Caminhos para de frente a você e informa que deseja entrar no quarto que você tem ordens expressa de proibir a entrada, não existe muita coisa a fazer além de dar espaço e informar rapidamente ao Hokage.

Naruto puxou um banco, se sentando próximo a cama de Fuu e vendo os olhos delas fixos em suas Gudōdamas, ele logo explicou de maneira vaga:

“Desculpe, eu ainda não aprendi a suprimir isso. Apenas ignore, por favor.”

Fuu ainda estava curiosa, mas estava tão sedenta de uma companhia que acatou sem protestar, assentindo e assim, Naruto a perguntou:

“Como você está?”

“Bem. Para uma pessoa que foi transformada forçadamente em sua Bijuu. matou um monte de gente, sequer se lembra disso e agora está preso em um quarto de hospital, eu estou bem.”, afirmou ela, de maneira sarcástica.

Se fosse qualquer outra pessoa, Fuu não falaria dessa maneira, mas estando com alguém que realmente compreendia a situação que estava, a garota se permitiu ser mais verdadeira e botar para fora tudo que sentia.

Naruto teve uma expressão levemente mais triste com essas palavras, mas logo respondeu:

“Isso não foi culpa sua.”

“Poupe-me, Naruto.”

“Estou falando sério. Orochimaru criou uma cobra que carregava uma selo amaldiçoado que fez com que os Jinchuurinkis que estavam em Konoha se transformarem em Bijuu ensandecidos. Sim, pessoas morreram, mas eu garanti que fosse um número bem mais reduzido.”

“Como assim, garantiu?”, questionou Fuu.

O garoto parou, percebendo o que disse e apenas aumentando mais ainda a curiosidade de Fuu. Hesitando para responder, Fuu persistiu:

“Isso está relacionado com essas esferas estranhas?”

Essas são as Gudōdamas! O garoto herdou os poderes do Pai!”, explicou Choumei, e tomando as rédeas da conversa, ela perguntou: “Você encontrou com papai? Ele disse alguma coisa sobre mim? Como ele estava?

Fuu não entendia nada que estava sendo dito e estranhava mais ainda que Naruto conseguia ouvir a voz que tecnicamente vinha da sua mente.

“Sim, Choumei, eu me encontrei com seu pai e não, ele não comentou nada sobre vocês, desculpe.”

Choumei fez alguns resmungos, claramente triste com essa informação e Fuu queria por respostas e precisava delas:

“Naruto, o que aconteceu?”

A forma como foi dita, mostrava que Fuu não daria qualquer espaço para que Naruto enrolasse. Em um suspiro, aceitou que teria que explicar tudo que aconteceu, mas optando por privacidade, ele falou em voz alta, para os Anbus que ainda se mantinham guardando o quarto pudessem ouvir:

“Eu não quero ser atrapalhado por ninguém.”

Não havia autoridade por trás dessa frase, mas para os dois Anbu, sabendo o que aquela criança poderia fazer, decidiram que a não ser que o próprio Hokage aparecesse na frente deles, ninguém entraria naquele quarto.

Com a privacidade garantida, Naruto estendeu o seu punho para Fuu, que não entendeu o gesto, mas Choumei logo afirmou:

Toque com seu punho! Ele também sabe Ninshun que nem o papai!

Fuu ficou um pouco confusa, mas vendo o sorriso leve de Naruto, ela optou por confiar em Choumei e nele, tocando com seu punho. 

O resultado foi praticamente instantâneo. Em um momento, Fuu estava sentada numa cama de hospital e no próximo, estava sentada em uma grama verde e cheirosa. Havia um céu azul cheio de nuvens, com um sol amarelo brilhando e 9 pilares de pedra estando ao seu redor. Ela podia ver uma floresta a uma longa distância assim como um grande lago perto de onde estavam.

O que de fato fez ela ficar assustada, era a presença de uma raposa gigantesca atrás de Naruto, que facilmente associou a Kyuubi e quando ouviu o bater de 3 pares de asas em alta velocidade, assim como um vento forte nas suas costas, Fuu se virou para ver Choumei, em todo o seu esplendor, voando para cima enquanto gritava em alegria:

Livre! Finalmente posso bater as minhas asas!

O motivo que ela afirmava isso, era que o selo que a mantinha presa a Fuu, restringia seu corpo a colocando entre as raízes de uma gigantesca árvore, a impedindo de voar. Fuu apenas olhava tudo isso com os olhos arregalados, enquanto Choumei, extremamente empolgada, saia em vôo para o alto,  e em alguns segundos, o besouro do tamanho de um prédio de vários andares era apenas um ponto no céu.

Ela vai ficar nisso por um tempo. Vou tirar meu cochilo. Até mais, crianças.”, se despediu Kurama, em um leve bocejo e indo até perto do lago e se deitando.

Naruto via a expressão de Fuu, encarando tudo com fascinação, e esperou até que ela voltasse a sua atenção para ele. Quando enfim a garota se lembrou de querer explicações de tudo isso, ela olhou para Naruto, com as perguntas claras em seus olhos.

“Nós estamos em minha mente. É meio complicado explicar como isso aconteceu, mas basicamente, eu te trouxe para a minha paisagem mental. Achei que a Choumei iria gostar de voar um pouco.”, afirmou ele, enquanto olhava para cima e via a Bijuu gritando em alegria, fazendo diversos rodopios no ar: “Creio que acertei nisso.”

“Naruto.”

“Ok,ok, eu irei explicar.”

Assim, pelos próximos minutos, Naruto explicou o que aconteceu com ele. Foi uma versão bem resumida, poupando dos detalhes mais íntimos, mas ao final, Fuu encarava Naruto como se ele tivesse crescido um terceiro braço repentinamente, e o Uzumaki não podia a culpar por essa reação.

“Então, você é a pessoa mais poderosa do mundo?”

“Bem, eu não sei, porque ainda não conheço o mundo, mas acredito que do continente elemental é bastante possível.”

Um silêncio ficou entre os dois, com Fuu digerindo tanta informação e Naruto respeitando o tempo dela. Os pensamentos dela foram interrompidos pelo o pouso de Choumei que ainda eufórica, começou a falar:

Nossa, que saudade disso! Obrigado herdeiro do papai, esse lugar é lindo! Você consegue fazer algo assim dentro da paisagem mental da Fuu?

“Creio que sim, mas eu precisaria da ajuda de Kurama. Manipulação Ying ainda é algo que estou aprendendo.”, respondeu Naruto.

Eba! Finalmente vou poder voar! Eu gosto da Fuu, mas é um saco ter as suas asas presas debaixo de uma árvore, fica doendo demais!”, reclamou Chomei, divagando: “Eu vou lá encher o saco do meu irmão. Até mais!

Com isso, ela se afastou e logo se aproximou de Kurama, que teve seu cochilo interrompido por uma Bijuu que estava sedenta em conversar com um dos seus irmãos depois de séculos sem se ver.

Enquanto Naruto e Fuu viam aquela cena, a garota repentinamente afirmou:

“Eu a odiava no ínicio.”, depois de alguns segundos, ela continuou: “Quando tinha 8 anos, em uma das agressões físicas que recebi dos moradores, fui largada em uma viela toda espancada e tive meu primeiro contato com Choumei.”

“Ela queria oferecer o poder para me vingar contra os moradores, mas a forma como fazia deixava tão óbvio que ela queria destruir meu corpo e se libertar que eu apenas neguei. Depois disso, ela fez birra e começou a falar dentro da minha mente, me infernizando por semanas para que eu aceitasse a proposta dela, até que desistiu e começou a conversar comigo por tédio.”

“Ela parece ser meio infantil.”, observou Naruto.

“Ela é a coisa mais infantil que já conheci na vida. Se eu a ignorar por alguns minutos ela me faz ter uma dor de cabeça forte e muitas vezes, ela me faz ir atrás de insetos na aldeia para os estudar. A questão é que depois de anos com ela dentro de mim eu a considero uma amiga, numa relação totalmente estranha, mas ainda assim uma amiga.”

Agora, algumas lágrimas caiam dos seus olhos e o seu tom de voz adotou uma tristeza profunda:

“Mas eu odeio tanto o que ela me traz estando selada em mim. Eu odeio a solidão, as agressões, mas acima de tudo, eu odeio ter que ser uma arma. Eu não quero lutar, não quero matar pessoas, mas nunca terei essa opção enquanto tiver ela dentro de mim.”

Após colocar isso para fora, Fuu enxugou as poucas lágrimas que caiam e se desculpou:

“Desculpe, não deveria ficar falando dessas coisas.”

“Eu entendo.”

A palavras foram ditas de maneira tão sinceras que Fuu tinha a certeza que ele falava a verdade. Voltando a olhar para Kurama e Choumei, com a Bijuu cutucando o focinho de Kurama com sua cauda e a raposa tentando arduamente a ignorar, Naruto continuou:

“Eu tive esse mesmo ódio no início. No entanto, eu acho que tive um pouco mais de sorte que você, pois encontrei pessoas que realmente gostavam de mim. Então, eu percebi que o problema não era as Bijuu, mas as pessoas e o mundo que nós vivemos.”

“As Bijuus são tão solitários como nós no final.”

Um silêncio retornou entre eles, muito mais calmo, com Fuu refletindo sobre tudo que ouviu e se sentindo bem mais leve. Perdurando por mais um tempo, Naruto afirmou com convicção:

“Eu não tenho as respostas para os seus problemas, mas ainda lhe considero uma amiga e estou disposto a te ajudar no que escolher para si.”

“Eu não tenho uma escolha, Naruto.”

“Todos possuem escolhas.”, havia tanta convicção por trás dessas palavras que ela não conseguia negar: “Se outras pessoas quererem te negar isso, você pode traçar o seu próprio caminho.”

“E eu vou estar aqui para te ajudar.”

A resposta para essa fala foi um pequeno sorriso de Fuu, um sincero sorriso que mostrava a felicidade de ter conhecido essa pessoa de forma tão repentina, mas que já causava grandes impactos em sua vida.

Uma ideia surgiu em sua mente, mas precisava refletir sobre isso melhor.

Por agora, ela poderia apreciar a companhia mais um pouco.

 

[...]

 

“Ele está aí dentro?”

Quem questionava era Jiraya, um dos 3 Sannins de Konoha, que estava atrás de Naruto a doias, já que ele havia sumido de sua casa e deixou apenas um bilhete dizendo que queria um tempo sozinho.

Os dois Anbus que funcionavam como guardas, assentiram e Jiraya pediu:

“Abram espaço então.”

Um momento constrangedor aconteceu após essas palavras. Os Anbus não cumpriram o pedido de Jiraya e apenas se encararam, que estando de máscaras não se poderia saber o que pensavam, mas um diálogo interno acontecia entre eles e Jiraya não tinha muita paciência no momento:

“Eu devo repetir?”

“Uzumaki-san pediu para não ser interrompido dentro do quarto.”

As palavras ditas dessa forma, com Jiraya sabendo que Naruto estava dentro de um quarto com Fuu, estando os dois sozinhos, fez o lado pervertido dele despertar, mas contendo isso, ele respondeu em um tom irritado:

“Eu sou um Sannin. Pela a hierarquia militar de Konoha, vocês devem me obedecer, então eu vou repetir mais uma vez, saiam da minha frente.”

Agora, a situação estava bem complicada para os dois Anbus,pois ou obedeciam o seu superior e talvez irritasse o ser mais poderoso que já viram, ou poderiam ser presos por desacato a hierarquia. Por sorte, a decisão não precisava ser feitas por eles, pois Naruto abriu a porta e saiu da sala, enquanto falava para Jiraya:

“Não precisa ficar amedrontando eles, Ero-sennin.”

“O que eu disse sobre me chamar desse apelido estúpido?”

“Para não te chamar, mas eu vou simplesmente ignorar.”, respondeu ele, com simplicidade.

Suspirando, Jiraya seguiu Naruto, que começou a andar pelos os corredores com segurança, como se conhecesse bem o local e ele não duvidaria disso. Enquanto andava, as pessoas encaravam em reações misturadas de surpresa a admiração, e que Naruto aparentava ignorar, mas Jiraya poderia perceber que isso afetava o garoto.

“Porque você sumiu?”

“Eu queria um tempo para pensar sozinho.”

Outro suspiro por parte de Jiraya, sabendo que ele não teria nenhuma resposta mais concreta por parte do garoto. Aceitando isso, ele o questionou quando passavam por uma das cantinas do local:

“Você comeu alguma coisa hoje?”

“Não.”, respondeu Naruto, sem pensar muito.

“Você está sem comer desde de manhã cedo?”

Essa pergunta fez Naruto parar, como se pela primeira vez, esse ponto fosse passar pela a sua mente. Jiraya, em um resmungo, pegou o braço do garoto e o arrastou até uma das mesas do local, com Naruto obviamente permitindo. A verdade, e isso era algo que Naruto não revelaria para Jiraya, era que estava sem comer desde do dia que havia se tornado um Sábio, a dois dias atrás. Ele tinha passado todo esse tempo sem comer e não sentia nem um pingo de fome.

Essa constatação fez ele se assustar mais uma vez com o que ele se tornou, mas mais uma vez ignorando isso e guardando dentro de si, ele agiu com naturalidade, enquanto Jiraya trazia um sanduíche e um suco para o garoto comer.

“Eu nem devia estar pagando isso para você, depois do prejuízo que me trouxe.”

“Foi uma aposta e você perdeu, lide com isso.”

Jiraya grunhiu em resposta, ainda chateado em perder tanto dinheiro, mas entendia que havia coisas mais importante na vida, como o garoto a sua frente, que comia pacientemente a comida, o que fez Jiraya estranhar, já que ele era uma poça sem fundo para comer.

“Você não está com fome?”

“Não muito.”

O loiro percebeu que Jiraya começaria a fazer perguntas do motivo disso, e então decidiu por mudar de assunto:

“Eu tenho uma idéia que pode te ajudar a recuperar seu dinheiro.”

“Hum?”

“Escreva sobre mim.”

“O quê?”

“Escreva a minha história. Obviamente cortando algumas partes, mas todo esse lance sobre ser eu ser o Sábio dos Seis Caminhos, do que aconteceu em Konoha. Enfim, me torne um protagonista de um novo livro seu.”, terminou Naruto, dando uma leve risada.

Jiraya parecia considerar sobre isso. Icha Icha estava com boas vendas, mas ele estava começando a se sentir fatigado de escrever histórias eróticas. Ele era muito bom nisso, mas estava com vontade de dar uma variada e quem sabe, voltar a escrever alguma história de aventura e romance, mais “normais”.

“Você vai ter que me dar muitas explicações.”

“Eu já teria que dar de uma forma ou outra. Ao menos eu vou ter a chance de ganhar um dinheiro com isso.”

“Quem vai escrever sou eu!”, reclamou Jiraya, levemente indignado.

“Quem possui a permissão para usar a minha imagem sou eu.”, finalizou Naruto.

Jiraya suspirou, não acostumado com esse novo Naruto com as respostas certas. Na realidade, ele não conseguia se acostumar com nada com esse Naruto que aparecia.

“Você está bem, pirralho?”

Naruto poderia esconder as coisas se preciso, mas ele decidiu que pararia de mentir para as pessoas que gostava e assim, afirmou com tranquilidade:

“Não, mas eu vou melhorar.”, terminando de comer, ele se levantou e continuou a falar: “Vamos, eu quero fazer um visita a Juugo ainda essa manhã.”

Jiraya, também se levantou, ainda com dúvidas sobre o estado de seu afilhado e com algumas teorias na cabeça, mas sabendo que não conseguiria ter as confirmações delas agora.

Por agora, ele faria o seu papel como padrinho que negligenciou durante tanto tempo e iria ficar ao lado de Naruto.

 

[...]

 

Em dos 3 portões de Konoha, mais especificamente no portão Norte, o maior dos 3 portões e que servia como entrada principal para a aldeia, Izumo e Kotetsu se mantinham na sua tarefa considerada extremamente vital, mas que para ambos, era apenas um tédio sem fim.

“Estou falando, o garoto deve ser o filho de Kami-sama!”, afirmou mais uma vez, Izumo.

“Pela milésima vez Izumo, ele é a cópia cuspida do Quarto Hokage. Como ele seria filho de Kami-sama?”, questionou Kotetsu, já cansada dessa discussão idiota.

Izumo pareceu pensar profundamente com esse argumento, tentando encontrar outra resposta, e que Kotetsu sabia que sairia outra idiotice. Em um estalo, ele afirmou, como se tivesse descoberto a resposta:

“Então o Quarto Hokage deve ser Kami-sama!”, afirmou ele, numa expressão de surpresa.

“Foda-se, Izumo.”, encerrou Kotetsu, em um tom de puro irritação e tédio.

Izumo deu uma risada leve com isso, já satisfeito em seu pequeno teatro. A realidade é que ser um guarda do portão era um trabalho puramente burocrático e que tecnicamente, deveria ser feito por algum shinobi. Os dois não odiavam o trabalho em si, já estando a anos nisso, mas ainda assim, não se podia evitar o tédio intenso que acompanhava o serviço. Atualmente, o portão que eles estavam era o único aberto da aldeia, que permitia a entrada mais facilitada de pessoas, algo importante quando a ajuda do lorde feudal chegasse.

A vigilância da aldeia era feita pela a divisão de segurança de Konoha, junto com a divisão de barreira. Com o ataque, uma parte da Anbu estava ajudando nessa função e assim, tudo que restava para Kotetsu e Izumo era aguardarem a passagem de alguma pessoa pelo o portão, só acontecendo depois que a dita pessoa passasse por um mini exército de shinobis de elite que observavam cada passo daquela pessoa, até a chegada do portão, e se considerasse um perigo, seria neutralizada na mesma hora.

Com isso, os dois guardiões do portão estava completamente tranquilos, ainda que atentos para qualquer pessoa que passasse. No entanto, atenção alguma séria o suficiente para a pessoa que iria falar, bem de frente a eles, do lado de fora da pequena guarita:

“Ara, acho que já fizemos a mesmo turma na academia.”

A voz, dita com tamanha naturalidade, fez com que Kotetsu e Izumo se assustassem. Não pelo o seu tom ou o conteúdo, mas por ter surgido literalmente do nada a alguns metros de distância dos dois.  Ao mesmo tempo que os dois guardiões olharam em direção a voz, um esquadrão de 6 anbus surgiu ao redor dessa pessoa, que carregava um grande pacote pelo o ombro e tinha uma outra mulher ao lado.

Toda a ação foi tão rápida, que demorou alguns segundos para que os guardiões do portão, assim como os Anbus, pudessem perceber quem era a dona da voz e quando essa constatação chegou, as reações foram de choque para Izumo e Kotetsu, arregalando os seus olhos e de tensão para os Anbus, que já estavam em posições de batalha, com suas armas ao alcance de suas mãos. 

No entanto, os Anbus sabiam que seria completamente inútil, já que de frente a eles, estava Anko Mitarashi, a kuinoche mais poderosa do continente elemental, com um sorriso bobo em sua face. Ela usava um kimono roxo de mangas compridas, mas com a parte dos ombros cortadas, com detalhes em dourado. Toda a sua barriga era enrolado em faixas pretas, demarcando bem o seu tronco magro e na parte inferior, ela usava uma malha de ferro como uma espécie de legging, que mostrava suas coxas, mas que tinha a visão do restante de suas pernas bloqueada por meia calças pretas que iam até  acima do seu joelho, e acabavam antes de chegar aos pés, sendo calçados por simples sandálias shinobis pretas.

Ao seu lado, a visão de Shizune em uma face de espanto era bastante perceptível, que a todo instante voltava a sua visão para um grande saco de acampamento preto que tinha o tamanho de um corpo humano e se remexia constantemente.

Assim, os Anbus realmente estavam pensando que um ataque poderia acontecer, cientes que eles simplesmente morreriam se fizesse qualquer movimento contra essa mulher. Ainda encarando Kotetsu e Izumo e ignorando com maestria os Anbus, Anko esperou que eles respondessem a sua observação. Por parte dos dois chunnin, após eles engolirem o seu nervosismo, foi Kotetsu, que conseguindo organizar seus pensamentos mais rapidamente, falou:

“Por favor, fale quais são as suas intenções para Konoha.”

Seu tom era dito de forma neutra, mas qualquer pessoa podia ver em sua expressão como essa pergunta o deixava tenso. Dando um suspiro com essa resposta tão seca, Anko começou em um tom amuado:

“Que frieza. Eu só queria dar oi para antigos colegas de turma. A Shizune também tem sido tão fria comigo, mesmo que estejamos a quase 2 dias juntos! Será que o problema sou eu?”, questionou ela, direcionando seu olhar para a mulher, que deu um pequeno grito de surpresa ao ser o centro da atenção de Anko.

“Desculpe, Anko-sama! Eu não queria lhe magoar!”, afirmou ela, curvando o seu tronco com medo claro em sua postura.

Anko deu outro suspiro, dessa vez parecendo muito mais sincero, já cansada das pessoas a tratarem como se fosse uma bomba relógio. Ela construiu a sua reputação para que isso acontecesse, mas ainda assim, tinha saudade de um dos seus discípulos que a tratava normalmente.

“Tanto faz. De qualquer forma, eu estou de visita para encontrar meu discípulo idiota.”, enquanto respondia a pergunta de Kotetsu, ela retirou um papel da manga do kimono e entregou para Kotetsu: “O papel de permissão do velhote.”

Abrindo o documento, Kotetsu rapidamente reconheceu o selo do Hokage, e com uma rápida lida, viu que a chegada de Anko já era prevista pelo o Terceiro, com a data exata de sua chegada no documento e com a explicação de que ela tinha a permissão de visitar seu discípulo após os exames chunnin.

Ainda assim, devido a situação que Konoha estava, Kotetsu, já aceitando que tomaria as rédeas da situação, declarou:

“O documento é válido, mas caso não saiba, Konoha acabou de passar por um recente ataque e as diretrizes de entrada foram alteradas. Preciso que espere até que sua presença seja notificada para o Hokage.”

“Sim, eu sei da situação, trouxe até um presente para vocês.”

Nessas palavras, Anko deixou o pacote que carregava cair no chão, e todos poderiam ouvir o gemido de dor que veio de dentro do pacote, indicando que de fato havia um corpo. Se abaixando, Anko puxou um pouco o zíper do saco e fez com que todos vissem a face de Tsunade Senju, com uma cara de raiva e com a boca tapada por uma faixa grossa branca.

“Eu trouxe a melhor médica de vocês para cuidar dos feridos. Mas antes, ela vai cuidar do Juugo-kun e garantir o melhor tratamento para ele.”, com os barulhos de Tsunade, que poderiam ser xingamentos se não tivesse a sua boca tapada, Anko direcionou o seu olhar para a Senju e questionou em um tom dócil: “Você vai ajudar, né, Tsunade?”

Nessa única frase, a face de Tsunade congelou em medo, fazendo ela relembrar de cenas que não queria colocar em sua cabeça, quando Anko a encontrou junto de Shizune e as raptou, a quase dois dias. Com Tsunade agora novamente obediente, Anko decidiu por parar de seguir essa burocracia idiota e declarou enquanto fechava o zíper de novo e colocava Tsunade de volta em seu ombro:

“Fale com o velhote e explique a situação. Se ele quiser falar comigo eu estarei pelo o hospital geral. Até mais!”

Com essas palavras, Anko, Tsunade e Shizune desapareceram. Não havia qualquer chakra que indicava um jutsu de deslocação ou camuflagem. Em um instante, elas estavam lá e no outro sumiram, deixando até os Anbus surpresos com isso. Após alguns segundos em um silêncio tenso, alguém falou:

“Ok, quem vai falar para o Hokage?”, questionou Kotetsu, tanto para Izumo como para os Anbus, tendo a iniciativa para não ser o responsável por isso.

Afinal, ele não queria ser o responsável por trazer mais uma dor de cabeça para o seu Hokage.

 

[...]

 

Em outro quarto da ala shinobi, Juugo se mantinha deitado, se sentindo relaxado em sua cama de hospital macia. Não precisando esconder a sua identidade coberto por faixas que abafavam seu rosto e nem debaixo de um capuz enorme, que o fazia ter constante calor, ficar em um quarto climatizado, não tendo qualquer coisa para fazer além de comer, dormir e assistir televisão era um pequeno paraíso que ele valorizava.

Ele gostou de ter o Quarto Raikage e Kazekaze os agradecendo pessoalmente por ter ajudado contra o selo amaldiçoado colocado em seus familiares. Juugo os questionou de como estava Fuu e eles garantiram que ela estava assegurada. Dessa forma, tendo o agradecimento de vários kages, incluindo seu Hokage, Juugo estava em um dos quartos VIP do hospital, recebendo bastante regalias que nunca recebeu antes e que estaria mentindo se afirmasse que não gostava.

Apesar disso, não havia como negar que estava levemente entediado. Os enfermeiros e enfermeiras que cuidavam dele eram legais, mas Juugo sentia saudades de sua mestre, ou dos outros discípulos de Anko, que mesmo não sendo muito próximos, ainda eram pessoas que tinha mais contato. Outro que ele queria ver era Naruto, que facilmente era uma das pessoas mais legais que ele conheceu, mas infelizmente, ninguém sabia onde estava, desde que ele aparentemente se tornou o salvador do mundo e até trouxe as pessoas de volta à vida.

Juugo classificou isso como mais uma coisa surpreendente que Naruto conseguiu fazer e seguiu com a vida.

Uma batida na porta foi ouvida pelo o garoto, e uma voz que ele esperava ouvir logo veio por detrás dela:

“Juugo, posso entrar?”, perguntou educadamente, Naruto.

Juugo respondeu com uma afirmação e então o loiro entrou, com uma aparência meio estranha, tendo esferas negras as suas costas, estando com Jiraya atrás dele.

“Como você está?”

“Bem.”

Um silêncio ficou entre eles, enquanto Juugo não comentava mais nada e Naruto se sentava até uma das cadeiras perto de sua cama, com Jiraya se colocando em um canto da sala, optando em ficar calado e observar.

Quando Naruto se sentou, ele viu Juugo olhando para as suas esferas, não com surpresa ou estranheza, mas com uma leve curiosidade:

“Você não vai perguntar sobre isso?”

“Vou.”

O silêncio retornou, com Naruto esperando que ele perguntasse e Juugo não falando nada. Jiraya apenas observava o grande diálogo que acontecia entre dois sábios, vendo como o silêncio já estava chegando a ser constrangedor.

“Você não vai perguntar agora?”

“Não.”

“Você é bem falante, né?"

“Anko-sensei também fala isso de mim. Na verdade, ela fala exatamente dessa maneira.”, respondeu ele, não captando o sarcasmo.

“Oh, bom, acho que ela pode confirmar isso.”, afirmou o loiro, olhando para a janela do quarto que estava aberta: “Acredito que você seja a mestre do Juugo.”

No instante que ele falou isso, alguns segundos se passaram em um silêncio confuso por parte de Jiraya e Juugo, mas logo, como se desfizesse alguma camuflagem do mais alto nível, Anko, carregando um saco de tamanho humano e com Shizune, ainda assustada, ao seu lado, deu um grande sorriso, falando para o Uzumaki:

“Ora,ora, parece que minha técnica de ocultação suprema, não é tão suprema assim!”

Naruto não respondeu, observando a face de choque de Jiraya, que não esperava que Anko Mitarashi aparecesse repentinamente em um quarto de hospital de Konoha. Juugo não estava surpreso, pois conhecia a técnica que sua mestra usava, sendo algo exclusivo das cobras e que utilizava a energia da natureza para se ocultar aos 5 sentidos humanos e até mesmo das habilidades sensoriais.

“Anko-sensei, não sabia que viria me visitar agora.”, disse Juugo, em um sorriso pequeno, demonstrando a saudade pela a sua mestra e fez Anko internamente se derreter por dentro.

“Claro que eu viria quando soube que meu amado discípulo estava ferido! Olha, trouxe até alguém pra cuidar de você!”, afirmou ela, empolgada.

Deixando o saco cair do seu ombro para o chão, mais uma vez, um gemido de dor feminino foi ouvido, com Jiraya arregalando os olhos, temendo quem era a pessoa dentro daquilo. Vendo Shizune ao lado de Anko, logo teve a resposta, com a Mitarashi puxando o zíper completamente, e Tsunade apareceu, com uma faixa amarrada a boca e sendo contida por uma cobra verde enrolada por todo o seu corpo.

“Pronto, Pheles-chan! Pode voltar para casa, obrigado pela ajuda.”

A cobra deu um leve chiado, como se fosse uma despedida para Anko e sumiu em uma nuvem de fumaça, permitindo que Tsunade voltasse a se mexer e arrancasse a faixa de sua boca, se levantando com raiva extrema, mas assim que olhou para Anko, toda essa raiva se esvaziou e ela se manteve calada.

“Parecia que você queria reclamar de algo, Tsunade-chan. Tem algo a me dizer?”

Tsunade rangia os dentes em raiva, mais conseguiu suprimir isso para responder em um tom respeitoso:

“Não é nada, Anko-san.”
“Que bom!”, disse ela, em um sorriso, “Agora vá checar meu discípulo.”

Tsunade se virou e andando a passos duros, ainda com as pernas meio dormentes por tanto tempo presa, ela se direcionou até a ponta da cama, pegando o prontuário médico e lendo tudo com rapidez. Enquanto lia, todos ficavam em silêncio por diferentes motivos, com Jiraya, após se recuperar de seu choque, querendo perguntar algo para a Senju, mas ela o interrompeu antes de ele falar algo:

“Se você falar qualquer coisa, Jiraya, eu juro que vou arrancar as suas bolas e enfiar goela abaixo.”

Jiraya prontamente se calou e permaneceu em seu canto, como uma sombra, rendendo gargalhadas de Anko.

Depois de ler o prontuário médico, Tsunade se aproximou de Juugo e fez um jutsu de diagnóstico nele, querendo ter a certeza que ele estava se recuperando bem. Ela ignorou o pirralho loiro com esferas negras nas costas, reconhecendo como filho de Minato e Kushina, mas pouco se importando com isso.

“Ele está bem. Recomendo apenas algumas vitaminas, junto de descanso, e ele vai está novinho em folha.”, afirmou Tsunade em um tom profissional.

“Ótimo,agora, vá cuidar do restante dos feridos.”

“O quê?”

“Você é uma médica, certo?”, perguntou Anko, como se perguntasse a uma criança.

Tsunade demorou um tempo para responder, suprimindo ao máximo os seus nervos:

“Sim, eu sou uma médica.”

“Então vá tratar de mais gente.”, afirmou a Sennin das cobras, como se fosse algo óbvio.

Um silêncio permaneceu no quarto, com Anko e Tsunade se encarando com expressões diferentes, até que repentinamente, Tsunade deu um grito de pura raiva e falou para que todos pudessem ouvir:

“FODA-SE, EU TE ODEIO, SUA MEGERA!”, e olhando para Shizune, ela ordenou em um tom extremamente autoritário: “Vamos Shizune!”

Shizune, não a acompanhou de primeira, ainda com medo de que Anko não aprovasse isso, mas num único olhar fulminante de Tsunade, ela a seguiu como um cachorrinho, totalmente obediente.

Quando a Senju saiu pela a porta, batendo com força e quase a partindo ao meio, as pessoas dentro do quarto voltaram a serem conscientes, com Naruto afirmando:

“Isso foi legal.”

“Ora, você gostou? Eu sempre tento deixar tudo interessante.”, disse Anko, em um tom amigável.

Jiraya não sabia ao certo o que faria agora. Seu dever como padrinho lhe dizia para permanecer ao lado de Naruto o tempo inteiro, mas o seu dever como shinobi e principalmente, seu desejo, diziam para seguir Tsunade e ver como ela estava.

Como se percebendo o conflito interno de Jiraya, Naruto olhou para seu sensei e no cruzar de olhares entre eles, o loiro assentiu, informando sem dizer nada, que poderia o deixar sozinho por agora.

Com isso, Jiraya partiu e no caminho para saída, ele disse para Naruto:

“Não se esqueça da reunião com os Kages essa tarde.”

Assim, ele deixou os restante dos ocupantes do quarto para conversarem entre si. Anko, decidindo por iniciar a conversa, se dirigiu para Naruto:

“Obrigado por ter cuidado desse garoto. Tenho certeza que Suigetsu e Karin ficariam triste se Juugo morresse.”

Curioso, Naruto questionou:

“Quem são eles?”

“Meus discípulos. Não são muito conhecidos como Juugo, mas eu me tornei a mestra deles a algum tempo. Apesar de Juugo ainda ser o mais velho.”

“Onde eles estão?”, questionou Juugo.

“Ainda em Kiri. Creio que Suigetsu vai morar lá definitivamente, e não sei muito sobre a Karin. Aliás, você sabia que Karin é uma Uzumaki?”, finalizou com uma pergunta, olhando para Naruto

Naruto arregalou os olhos em surpresa. Ele esperava que ainda existisse algum Uzumaki por ai, mas não que fosse descobri agora.

“Ela sabe sobre mim?”

“Não, mas tenho certeza que os rumores do Sábio dos Seis Caminhos ser um Uzumaki vai chegar a ela, assim como para todo o continente elemental.”, respondeu Anko, com tranquilidade.

Naruto não respondeu, mostrando em seu semblante que não achava isso muito interessante. Se levantando, ele começou a se despedir:

“Já está perto do almoço e eu estou com fome.”, mentiu o garoto: “Eu vou ter uma reunião com os Kages a tarde, mas depois dela, eu passo aqui de novo para conversamos, Juugo.”

Com o assentir do aprendiz de Anko, Naruto virou a sua atenção para a mulher e também se despediu:

“Foi um prazer te conhecer, Anko-san.”

Ele ia embora, mas Anko o questionou:

“Você não vai suprimir as Gudōdamas?”

Isso fez Naruto parar em seu movimentos e voltando a sua atenção para ela, a respondeu:

“Eu não consigo. Ainda estou aprendendo a lidar com elas.”

“Então porque não as diminui? Acho que dava para fazer elas ao redor do seu pulso como se fosse uma pulseira de contas.”, sugeriu a Sennin.

Naruto a encarou, percebendo que isso não era uma idéia ruim. Fechando os olhos, ele se focou em diminuir as suas esferas, algo um pouco complicado, mas sendo capaz de fazer. Assim, em alguns segundos, as esferas da verdade pararam de flutuar em suas costas e se tornaram uma elegante pulseira de contas pretas.

Agradecendo a mulher, ele saiu, desejando melhoras para Juugo.

Com o Uzumaki fora, Anko olhou com mais seriedade para Juugo, falando em um tom levemente autoritário:

“Agora, me fale tudo que aconteceu.”

 

[...]

 

Naruto ainda demorou mais um tempo para sair do hospital. Ele havia ido atrás de Jiraya para ter mais detalhes sobre a reunião a tarde, e aproveitou para perguntar quem era aquela mulher loira com uma marca na testa. Enquanto os dois observavam Tsunade tratando de vários feridos que encontrava pelo caminho, ignorando completamente as reações de choque ao vê-la, Jiraya contava quem era Tsunade Senju.

A história não era a mais detalhada de todas, mas Naruto conseguiu ter um quadro geral da situação. Aparentemente, Konoha tinha uma grande azar para manter shinobis talentosos em suas fileiras. Anko, Itachi, Tsunade, Orochimaru, isso sem contar o número de shinobis talentosos que morreram ainda jovens, como o seu pai. De qualquer forma, após essa conversa, Naruto decidiu por tentar algo mais normal e como uma pessoa comum, sair pela frente do hospital, sem voar ou saltar entre prédios. o motivo era principalmente porque voar por aí já chamava a atenção suficiente e ele não tinha nenhuma técnica de ocultação para evitar esse problema.

A informação sobre a sua presença no hospital geral já tinha corrido por todo o lugar, minutos depois que chegou no local. Em apenas uma hora, quase metade de Konoha já sabia onde Uzumaki Naruto, o salvador, estava. Com isso, não foi uma surpresa que uma multidão de pessoas, em sua imensa maioria civis, estavam na frente do hospital, querendo olhar o homem que começavam a adorar como se fosse um deus.

Naruto sabia dessas pessoas no instante que começaram a se reunir. Com seus sentidos aprimorados, seria bastante difícil alguém o surpreender, mas mesmo sabendo disso, ele decidiu que não seria de todo ruim ao menos mostrar a sua face para as pessoas. 

Infelizmente, ele descobriria que esse seria um grande erro da sua parte.

Um cerco era feito na entrada do hospital por Chunnins, para impedirem dos civis entrarem aos montes no local. No entanto, quando Naruto apareceu para a multidão, rendendo gritos de agradecimentos e adoração, alguns shinobis se distraíram ao o ver, e aproveitando a distração, uma parte da multidão passou pelo o bloqueio e correram em direção a Naruto.

O loiro viu isso e automaticamente seu corpo travou. Quando as pessoas se aproximaram, se aglomeraram ao seu redor, agradecendo de forma fervorosa pelo o que ele fez. Naruto continuava imóvel, com lembranças da sua vida começando a vir, e tudo só piorou quando uma das pessoas quis lhe tocar em seu braço.

No instante que o civil o tocou, Naruto retirou o seu braço, controlando a sua força para não machucar a pessoa. Com a primeira ação, mais pessoas tentaram e agora, um ataque de pânico estava se construindo dentro de Naruto. Caso a situação continuasse, com os Chunnins não conseguindo conter as pessoas pelo o grande fluxo delas, um verdadeiro desastre aconteceria, pois Naruto poderia tomar atitudes, sem pensar direito, que poderiam machucar as pessoas devido a seu ataque de pânico.

Por sorte, para Naruto e as pessoas, havia uma shinobi que estava observando o garoto. Saindo do hospital, Anko, em um tom de voz normal, disse de maneira pausada:

“Saiam daqui.”

Obviamente, ninguém a ouviu, mas a intenção assassina que ela emendou para aquela multidão foi percebida por todos. Era algo massivo, sem qualquer delicadeza, mas ao mesmo tempo, com uma precisão extrema, afetando apenas as pessoas que ela queria, com ninguém de fora percebendo. Para os civis, era como se cobras circulassem por debaixo de suas roupas, com alguns até podendo jurar que ouviam chiados característicos de cobras.

O medo se instalou em todos, e assim, a reação natural foi correr para longe daquele lugar, com os rumores da Anko Mitarashi ameaçando a vida de centenas de civis, circulando por toda Konoha ao final do dia.

Com o espaço vazio, Anko, os chunnins, assim como as pessoas que observavam de dentro do hospital, podiam ver Naruto, ainda no mesmo local, com a face abaixada. Se aproximando dele, a Mitarashi pôde ver a sua respiração ofegante e seus olhos vidrados. Tomando a sua decisão, ela se aproximou de Naruto e o tocando com cuidado em seu ombro, ciente que ele sabia de sua presença, ela realizou um shunshin para longe deste local.

Chegando em um telhado a quase um quilômetro do Hospital, Anko se afastou de Naruto, com o loiro ainda respirando de forma rápida, tentando se controlar.

“Você tem o poder de destruir uma montanha no estalar de dedos e estamos dentro de uma aldeia lotada de pessoas. Você não pode perder o controle, Naruto.”, avisou a mulher.

As palavras afundaram dentro de Naruto, com Kurama reforçando o que Anko dizia. Tentando normalizar sua respiração, Naruto caiu de joelhos, tentando respirar no tempo que Kurama ditava em sua mente:

Expire. Inspire. Expire. Inspire. Devagar e de forma profunda. Ninguém vai te machucar. Eu não irei permitir isso.

O loiro assim fez, com Anko observando isso a alguns metros dele. Naruto não se preocupava com alguém o vendo dessa maneira, estando focado em conter um ataque de pânico que provavelmente seria bastante forte, já que fazia um tempo desde do último que teve.

Quando enfim ele conseguiu, o loiro se sentou no chão, com as pernas esticadas. As suas Gudōdamas estavam de volta para as suas costas, tendo perdido a concentração para as torná-las uma pulseira de contas.

“Isso acontece toda vez que um aglomerado de pessoas aparece ao seu redor?”, questionou Anko, não se preocupando em ser invasiva.

Naruto demorou um pouco para responder, ponderando se deveria ou não, mas vendo a face de Anko sem qualquer pena, ele decidiu que poderia conversar sobre isso com alguém:

“Apenas quando são civis de Konoha. Eu não tenho uma relação muito boa com eles.”, respondeu ele, ainda hesitante.

“Aparentemente, isso mudou.”

“Sim, aparentemente.”

Um silêncio ficou entre eles, com Anko optando por respeitar o momento do loiro, que progressivamente normalizava a sua respiração. Quando o garoto deu um suspiro final, fechando os seus olhos e esticando o seu corpo, Anko julgou ser o momento para conversar:

“Você sabia que aquelas pessoas estariam lá e mesmo assim decidiu se aproximar delas.”, observou Anko. 

“Sim. Eu… eu achava que conseguiria ficar tranquilo.”, afirmou ele, de forma lenta, com Anko logo constatando.

“Você achava que eles não teriam mais poder sobre você, sendo tão poderoso.”

A frase foi o que Naruto tentava ocultar. No fundo, aquilo seria o teste para saber se as mudanças em seu corpo estavam acompanhados de uma mudança em sua mente. Ele queria que seus traumas e problemas fossem superados, depois de tudo que passou.

Enquanto pensava nisso, ele pôde sentir uma mudança em Anko. Quando olhou para ela, viu que sua pele havia mudado, adquirindo escamas de cor jade, junto com sua face, tendo uma  sombra amarela ao redor dos olhos, com os olhos com irís horizontal e afunilados também amarelos, como de uma cobra, finalizando com dois chifres verdes saindo da sua testa.

A transformação para o modo sennin havia sido feita de maneira tão rápida e natural que foi quase imperceptível para Naruto. Era como se aquela fosse a verdadeira forma de Anko, e a sua aparência anterior fosse uma pele. A energia da natureza fluia pelo o seu corpo em perfeita harmonia, sem quase nenhuma tensão. Aquilo era superior ao seu modo Sennin antes de se tornar um Sábio dos Seis Caminhos, mostrando quão poderosa ela era.

“Esse é meu modo Sennin.”, afirmou ela, com tranquilidade, e no mesmo segundo que se transformou, ela voltou a sua forma mundana, perdendo a sua conexão com a natureza, enquanto continuava a falar: “Eu posso desativar quando quiser, mas pelo o que percebo, você não consegue.”

Ela afirmava isso, a partir do fato que desde que se aproximou de Naruto, em nenhum momento a energia da natureza deixava de percorrer o seu corpo, na realidade, se observasse com mais atenção, veria que a energia não era absorvida, mas era como se passasse por ele.

Como se ele fosse parte da natureza.

O garoto hesitou em responder, não por não saber, mas pois ele mesmo ainda não sabia como lidar com isso. Por fim, ele decidiu por continuar com isso, confirmando o que Anko falou:

“Eu estou unido a natureza a nível celular. Não é algo que é possível reverter.”

“A quanto tempo está sem comer?”

“Dois dias.”, agora que começava a falar, se tornava mais fácil, percebendo a necessidade de desabafar isso para alguém, “Eu estou a dois dias sem fome, sede ou sono e acho que não irei mais sentir isso.”

“O que mais.”, prosseguiu a Mitarashi.

“Quando fecho os meus olhos, eu não me sinto cego. Eu consigo ver mais do que com eles abertos. Consigo sentir cada ser vivo em um raio de centenas de quilômetros. Eu vejo como eles interagem entre si num grande sistema interligado.”

Enquanto dizia isso, ele ajeitou a sua postura, entrelaçando as suas pernas, e começando a flutuar, sentindo o alívio ao fazer isso e continuando:

“Eu preciso me focar para estar com os pés no chão. Me sinto mais normal flutuando no ar, do que tocando os pés, como…”, hesitou ao final o Uzumaki.

“Como um humano.”, completou a mulher.

Outro silêncio retornou, com Naruto absorvendo as palavras ditas por ela. Retornando a falar, Anko o informou:

“Mesmo perdendo minha conexão com a natureza, meu constante contato faz eu ter a expectativa de no mínimo 300 anos.”, com isso, ela o questionou: “Quanto tempo você possui?”

Essa era parte que Naruto tinha mais dificuldade de assimilar. O motivo que ele precisou de dois dias, longe de tudo e todos, para conseguir organizar minimamente a sua mente.

“O primeiro Sábio dos Seis Caminhos viveu por mais de 600 anos, antes de morrer por velhice. Nem de longe, ele possuía a mesma conexão que possuo com a natureza, então Kurama teoriza que eu deva viver ao menos o triplo ou mais do que isso.”, respondeu Naruto.

Outro silêncio veio, com Anko refletindo tudo isso e após alguns segundos, ela afirmou, com uma expressão neutra:

“Isso é uma merda.”

Naruto a encarou, e vendo a expressão do loiro, ela prosseguiu:

“O quê? Esperava que tivesse algo pra te ajudar? Isso é uma coisa fodida, garoto. Eu não tenho ideia de como te ajudar a lidar com isso. Quer dizer, eu tenho algumas sugestões, mas com certeza você não tem idade ainda para fazer.”

Decidindo por mudar de assunto, já que claramente Anko não o ajudaria com isso, ele questionou a mulher, em um tom curioso:

“Porque você saiu de Konoha?”

Anko o olhou, vendo a sua curiosidade real por isso, junto com uma motivação oculta. Assumindo que não seria ruim compartilhar um pouco com ele, ela respondeu:

“Não houve nenhum motivo real. Eu sofri um pouco de preconceito das pessoas por ter sido discípula de Orochimaru na minha infância, antes dele ter se tornado um Nukenin, mas era algo que conseguia lidar. Na realidade, eu provavelmente ainda seria uma shinobi de Konoha se aquele merda não tivesse decidido por tentar fuder a minha vida.”

Anko observava Naruto, vendo ele ainda flutuando, com as esferas orbitando a sua volta e a sua expressão demonstrando uma curiosidade que apenas uma criança poderia ter. Isso apenas reforçava quão jovem ele era, e o quanto já havia passado tendo sequer entrado na puberdade.

“O que ele fez?”, questionou o Uzumaki, curioso.

“Antes de partir, ele havia colocado um protótipo do selo amaldiçoado em mim. Essa merda não concedia poder algum, além de causar extrema dor e extrair informações de cada grama do meu corpo e de como o selo reagia. Então, anos depois, Orochimaru fez algo que eu tenho certeza que até hoje se arrepende, decidindo tirar o selo de mim. Com isso, em um momento, eu estava comendo meus dangos, e no próximo segundo, eu sentia que minha alma estava sendo partida em dois.”

“Foi doloroso, mas por pura teimosia e um ótimo atendimento de emergência de médicos ninjas, eu consegui sobreviver. Passei quase 4 meses acamada, até que tivesse permissão para treinar e no meu primeiro treino, decidindo por testar algumas manobras ofensivas em parceria com uma cobra, eu invoquei sem querer uma pequena cobra, usando um chapéu engraçado e aparentando ser bem velha.”

Naruto já conseguiu prever onde isso iria parar, mas ouvia com atenção a fala de Anko:

“Seu nome era Inma-sama, uma das sábias cobras da Caverna Ryūchi, lar das cobras. A partir daí, eu descobri que tinha talento para o senjutsu, informei para o velhote Hokage e ele me concedeu um tempo de 6 meses para treinar com as cobras e retornar para Konoha.”

“Quanto tempo demorou de fato?”, questionou Naruto, em um tom levemente divertido.

“2 meses. Depois disso, as cobras não tinham mais nada para me ensinar, e diferente dos sapos, elas não são muitas amistosas com estrangeiros. Assim, eu estava em algum lugar no País da Terra, com 4 meses de folga. Então, eu decidi por aproveitar e viajar.”

“Eu comi todos os dangos que podia encontrar, bebi em dezenas de bares e conheci várias pessoas que lembro ou não de seus nomes ou suas faces. Me divertindo como a muito tempo não fazia.”, constatou Anko, dando um sorriso: “Quando dei a perceber, faltava apenas uma semana para o prazo que Hiruzen deu e descobri que não sentia vontade de retornar, então eu não retornei.”, finalizou ela com simplicidade.

“O que Hiruzen fez?”

“Mandou um esquadrão de Inuzukas, que me acharam rapidamente já que não fazia questão de me esconder. Quando me encontraram, questionaram porque não retornei e eu disse que não queria. Então, quando falaram que iriam me levar de volta a força, eu os dei uma surra e eles voltaram para o Hokage.”

Naruto deu uma leve risada, se divertindo com a história, com Anko fazendo questão de a deixar divertida.

“Aí ele mandou um esquadrão de Anbus. Dessa vez, eles não falaram nada, apenas tentaram me atacar de surpresa. Eu os derrotei e eles retornaram para Hiruzen. Aí, creio que dessa vez levando a sério, ele fez com que Jiraya fosse até mim, para me trazer de volta.”

“O homem me parou no meio da estrada, afirmando que me levaria de volta, lamentando ter que machucar uma mulher tão bonita, aí eu mostrei a minha forma sennin e ele desistiu da ideia no mesmo segundo.”

Naruto riu abertamente, afirmando:

“Isso é a cara dele!”

“Ele ficou curioso para saber como conseguir me tornar uma Sennin perfeita e decidiu me pagar uma bebida. O resto dessa conversa eu não posso falar porque você não tem idade para saber.”, concluiu Anko.

Demorou alguns segundos para Naruto entender, mas vendo o sorriso travesso de Anko, ele logo compreendeu e fez uma expressão de nojo ao imaginar a cena de seu mestre transando com ela.

“Porque fez isso?”, questionou o Uzumaki, em leve descrença.

Anko deu de ombros, respondendo:

“Eu estava de bom humor e o licor era bom. Não que eu tenha me arrependido depois, os livros que ele escreve não vem só da teoria e fantasias.”, finalizou com uma risada levemente pervertida a mulher.

“Vocês estão juntos, então?”

“Não, garoto. Foi algo de uma vez, e já estou relacionado com alguém.”

“Certo, e como Juugo entra nisso?”

“Juugo foi um dos experimentos de Orochimaru. Quando eu tive o poder de matar aquele verme, eu decidi ir atrás dele, mas infelizmente, se existe algo que Orochimaru é superior a qualquer pessoa, é a capacidade de sair vivo.”, afirmou a mulher, com irritação clara em sua voz: “Não importasse o que fizesse, tempos depois, eu já ouvia rumores de sua volta, fazendo alguma coisa. Assim, se eu não poderia matá-lo, eu podia frustrar os planos dele.”

“Ataquei várias bases e libertei vários de suas cobaias presas. Juugo foi um dos primeiros que logo me apeguei. Sua afinidade com a natureza ajudou nisso, e decidi torná-lo meu discípulo. Karin e Suigetsu vieram alguns anos depois, e hoje, eles são meus amados discípulos.”

“Porquê fez Juugo ser um shinobi de Konoha?”

“Porque eu não sou a mãe dele.”, respondeu a mulher: “Eu estou com ele a anos e tenho um carinho enorme por ele, assim como ele comigo, mas eu não posso oferecer muita coisa, com o estilo de vida que levo.”

“Eu quero que ele tenha novos amigos, tenha sua primeira paixão, faça idiotices e que aprenda com suas idiotices. Quero que ele descubra o sexo com alguém legal, na hora certa, e que goste. Enfim, eu quero que ele tenha uma vida que tive antes de me tornar o que sou hoje.”

“Você quer que ele tenha uma vida normal.”, concluiu o louro, em um tom levemente triste.

Anko percebeu a implicação dessa conclusão. Suspirando, ela disse para Naruto:

“Olha, quando eu disse que não tinha o que falar para te ajudar, eu estava falando sério. Você em menos de um mês foi de um Gennin patético para a pessoa mais poderosa do mundo. O que eu posso afirmar, é que apenas você pode resolver isso e é bom pensar bem.”

“Porque querendo ou não, você agora irá influenciar diretamente os rumos desse continente enquanto viver.”   


Notas Finais


IMPORTANTE:

Link para a imagem da roupa de Anko: (ROUPA D, com algumas trocas de cores)
https://i.pinimg.com/345x/1b/89/45/1b894586d305450930e55af6cbae5b2e.jpg

(Se possível, me falem se a descrição da roupa ficou boa com base na imagem. Eu agradeceria muito do feadback de vocês.)

Meu principal foco neste capítulo (além de trazer a Anko sennin que eu meio que criei, porque eu gosto e eu vou enfiar ela sempre que eu puder nas minhas histórias kkkkkkkk), é justamente me focar nas mudanças que aconteceram na vida de Naruto.

Estando fundido com a natureza a nível celular, ele deixou de ser um humano e basicamente se tornou um alienígena, como Kaguya e Hagoromo eram. Ele não precisa extrair ou conservar energias de outro local, pois a natureza já o fornece, assim, ele nunca irá sentir fome, sede ou sono, mesmo que posso fazer tudo isso, caso queira (no caso do sono, um simples genjutsu para o fazer dormir é o suficiente, com ele permitindo ser afetado é claro). O lance dele se sentir mais natural flutuando que estando no solo, foi algo que eu botei para reforçar quão diferente ele é dos outros.

Por fim, a enorme longevidade dele é o último aspecto que fez ele hesitar desde do ínicio para se tornar um Sábio dos Seis Caminhos. Não é algo que tem volta. Ele deixou de ser humano e irá ver todas as pessoas que conheceu morrerem antes dele. É duro e é uma coisa que com apenas 12 anos é uma merda fudida, como Anko afirmou.

Ficou longo, mas precisava colocar essas questões em registro. Obrigado para quem leu até aqui e espero que tenham gostado do capítulo.

Elogios, críticas, dúvidas e sugestões são bem-vindos. Todos os comentários serão
respondidos com a devida atenção.

Link para a apresentação de “Notas de um jovem escritor”:
https://www.spiritfanfiction.com/jornais/notas-de-um-jovem-escritor--apresentacao-18152994


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