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História A Trilogia do Erro: Tododeku. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - De quem é a culpa?


 Izuku tinha sua visão turva. Suas narinas buscavam incessantemente por ar, mas nada conseguia sentir, era como se alguém estivesse impedindo que seus pulmões funcionassem devidamente fazendo com que o esverdeado não conseguisse respirar da maneira adequada.

E de fato estava. O garoto abriu os olhos de uma vez com o susto que levou e assim que teve seus olhos completamente abertos, confirmou que a dificuldade na respiração se devia ao fato de ter uma mão contra seu pescoço. Uma mão grande, grossa e pesada que rodeava seu pescoço pressionando aquela região.

 

– Vagabundo. - A pessoa rosnou e logo Izuku pôde perceber que se tratava de um homem. Apesar de o rosto estar coberto por um escuro enigmático que ocultava sua identidade, o esverdeado sabia que aquela voz era familiar. - Eu sabia que você nunca ia ser alguém de respeito na vida. - O homem continuou a falar e a cada palavra, Midoriya considerava aquela voz ainda mais comum para si. - Um fracassado.

 

 

Mas foi a última palavra dita pelo homem que acabou servindo como um gatilho para que as memórias começassem a retornar.

 

 

– P-pai? - Questionou apanhando o puço do homem que rodeava seu pescoço. Com muita dificuldade ainda conseguia respirar.

 

– Não ouse me chamar assim! - O homem vociferou aumentando seu tom. - Eu não sou seu pai. Eu não criei filho vagabundo!

 

E mesmo aquela não sendo a primeira vez que ouvia palavras tão rudes e duras de seu progenitor, Izuku sentiu seu estômago se contorcer. Era sempre assim, desde que viu o homem pela última vez aos 6 anos, sempre era desqualificado pelo pai por nunca ter correspondido aos padrões esperados desde seu nascimento.

 

– Você é a merda de um perdedor e nunca será mais do que isso. - O homem voltou a falar enquanto ainda pressionava o pescoço do esverdeado. - Nunca será como eu.

 

Mas não era como se Midoriya estivesse esperando ser como o pai algum dia. Não era como se o garoto estivesse correndo atrás de agradar o mais velho. Não seria nenhuma decepção não ser como ele, e tendo plena certeza disso, Izuku sorriu.

 

Contudo, no momento mais inadequado, aquele sorriso serviu apenas para estressar ainda mais o homem que, com a mão destra, apertou o máximo que podia o pescoço do esverdeado e com a outra pegou impulso pronto para acertá-la com toda força possível no rosto do filho.

 

 

 

– Não! - Izuku gritou assim que percebeu que seria socado. Apesar de não ser a primeira vez que apanharia do pai, ainda assim não estava pronto para aquilo. - Não, não, NÃO!!

 

 

– DEKU, ACORDA!

 

Entretanto, tudo que sentiu contra seu rosto foi um tapa fraco vindo de Uraraka que o balançava freneticamente.

 

– O-ochaco? - Perguntou confuso olhando ao redor e notando estar em sua casa, mais precisamente em seu quarto. - Cadê ele? Onde ele ta? - Levou as mãos ao próprio pescoço se lembrando da figura do pai que a momentos atrás o enforcava e estava prestes a surrá-lo.

– Quem? - Mas Uraraka que certamente não havia visto aquele sonho do amigo, não entendeu nada. - Deku, a única pessoa que está aqui além da gente, é o Todoroki. - A castanha fala e logo o esverdeado tomba seu olhar para o lado vendo que o bicolor estava parado em pé na porta do quarto e provavelmente havia visto aquele surto seu vergonhoso. - Ele veio após saber do vídeo.

 

“Ah, o vídeo.” E rapidamente Izuku se lembrou do que havia acontecido e do porquê de ter desmaiado na frente daquele restaurante a léguas da sua casa.

 

– Eu vou deixar vocês a sós. - A garota se levantou da cama onde o esverdeado estava deitado e rumou até a porta passando pelo bicolor.

 

Izuku apenas jogou sua cabeça para trás respirando fundo. Independentemente do que Shoto tivesse a dizer não mudaria nada, o vídeo já tinha vazado e, a não ser que o meio ruivo fosse apagar a mente dos colegas de faculdade, não tinha nada a ser feito.

 

Se perguntava do porque de não ter escutado Uraraka quando ela disse que gravar filmes pornográficos amadores era uma péssima ideia. Se perguntava se teria como de fato apagar aquele vídeo da memória dos colegas.

 

 

– Izuku? - O bicolor se aproximou se sentando ao lado do esverdeado que agora encarava o teto enquanto começava a sofrer com uma melancolia extrema junto com um sentimento de raiva crescente.

– O que você quer? - Não, Izuku não havia sido nem um pouco educado, mas quem seria? Poderia culpar o bicolor por tudo aquilo não é? Afinal, foi Shoto quem o convenceu de participar daqueles vídeos e era o meio ruivo quem estava responsável pela segurança dos mesmos.

– Eu não sei como isso foi acontecer, eu juro. - O bicolor falava fitando o esverdeado com um olhar de culpa, mas Izuku não devolvia o olhar. O menor apenas encarava o teto enquanto sua mente se perguntava se deveria de fato acreditar nas palavras do maior. - Eu perdi a câmera ontem a noite e não faço ideia de quem vazou o vídeo, se e....

– Por que só eu? - Mas Izuku logo interrompeu aquele discurso de auto defesa que o bicolor estava prestes a começar. - Eu não sou a única pessoa com quem você gravava esses vídeos. - Continuou encarando o teto pensativo. - Por que só tem um vídeo com o meu rosto rondando por ai?

– E-eu não sei. - Mas Shoto estava igualmente confuso sem saber o que responder ou ao menos pensar. - Como eu disse, eu não sei quem vazou.

 

Aquilo não foi nada satisfatório. Não era nada justo. Poxa, o que Izuku havia feito para merecer aquela exposição? Por que alguém faria algo tão baixo? Até onde sabia ele não tinha inimigos. A única solução plausível era que alguém estava tentando se vingar de Shoto.

 

Shoto....

 

– Sabe, Shoto. - Finalmente Izuku retirou seu olhar do teto mirando o bicolor sentado ao seu lado. - Quando você propôs que eu participasse desses seus vídeos, você disse que os guardaria em segurança, que jamais deixaria qualquer pessoa por as mãos....

– Eu sei o que eu disse. - Mas o meio ruivo prontamente o cortou tentando se defender das acusações que logo mais seriam jogadas contra si. - E eu não fiz por mal, eu juro.

 

E novamente Izuku apenas suspirou decepcionado com aquela resposta nada satisfatória voltando a encarar o teto.

 

– Então, se não vai propor nenhuma solução, o que veio fazer aqui? - Pode ter sido grosso de sua parte, mas o esverdeado não via sentido em continuarem com aquela conversa. Se Shoto não se responsabilizaria pela situação, não tinha nada a se fazer ali, afinal não tinham nenhum compromisso além do sexo.

– Eu apenas queria esclarecer as coisas. - O bicolor suspirou cansado, mas meio que já esperava aquela reação do esverdeado e não era como se desse para exigir que ele fosse calmo e educado dado a situação. - E ajudar no que for possível.

– A menos que consiga apagar o vídeo da mente e dos celulares das pessoas, não tem nada que esteja no seu alcance. - Fechou seus olhos tentando se acalmar, mas cada pedaço do seu corpo queria descontar toda aquela frustração atirando o bicolor pela janela. - A não ser apagar todos os outros vídeos, é claro. Do jeito que você é “cuidadoso”, é capaz de logo logo descobrirem sobre os outros. - Deu ênfase na palavra “cuidadoso” para mostrar que estava sendo ironico.

 

Shoto apenas suspirou em desistência se levantando e rumando até a porta. Não seria produtivo continuarem aquela conversa e não seria justo querer cobrar educação e paciência do esverdeado naquela hora. Mesmo tentando negar, o bicolor sabia sobre sua parcela de culpa no ocorrido, pois se não houvesse se distraído conversando com Bakugo, não teria esquecido a câmera em cima do balcão do bar da boate. Mas Shoto não iria deixar aquela situação como estava, iria descobrir quem havia roubado sua câmera não apenas pela máquina ter sido cara, mas também para fazer justiça ao esverdeado e a si mesmo.

 

Izuku apenas reabriu seus olhos quando ouviu a voz de Ochaco e Shoto conversarem – provavelmente sobre si – na sala de sua casa.

Aproveitando o tempo que teria antes da amiga retornar até o seu quarto, pegou o próprio celular e o carregador, ligando o aaprelho na tomada já que estava descarregado. Não demorou para conseguir ligá-lo e mais do que rapidamente o esverdeado entrou em seu Whatsapp vendo que havia mais de mil mensagens que se dividiam entre os diversos grupos da faculdade, os amigos no privado perguntando o que havia acontecido e se estava tudo bem, algumas de números desconhecidos que o esverdeado não se seu ao trabalho de ler e uma de bom dia da sua mãe mas que Izuku resolveu ignorar já que não estava no clima de conversar com a esverdeada.

Mesmo relutante, guiou-se até um dos grupos que falava sobre o assunto, ignorou completamente todas as mensagens trocadas – não estava no clima para descobrir o que as pessoas estavam falando dele no momento – e apenas parou de deslizar a tela quando encontrou o maldito vídeo. Rapidamente baixou o arquivo e, relutantemente, clicou.

Apenas os três primeiros segundos do vídeo já foram suficientes para que o esverdeado saísse da fase de negação – de que poderia negar ser ele no vídeo. Era indiscutível que o garoto de cabelos verdes e sardas que gemia loucamente enquanto quicava no colo de um enigmático – só que não – bicolor, era ninguém menos que Izuku Midoriya.



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