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História A Tulipa e o Almirante Vermelho - Capítulo 1


Escrita por: e MikutyS2


Notas do Autor


Olá galera!
Estreando minha primeira fic nesse peojeto lindo e com esse shipp que há meses queria escrever sobre.

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único - "Boa Sorte"


O tempo passa devagar, arrastado, muitas vezes corriqueiro, rápido demais. Mas em ocasiões onde o frio no estômago é uma doce tortura, a única coisa mais conveniente na mente é sair correndo e se enfiar no primeiro buraco que caiba um homem ansioso o suficiente para duvidar de si mesmo.

— Eh… Vai ficar sem dedos para pegar na bunda do Enkidu, depois. — As palavras escorregaram da boca de quem era mais devasso e galanteador da escola.

— Pesado. — O outro, que estava sentado na escadaria do ambiente, observou e riu.

— É você quem vai ficar sem braços se disser mais alguma coisa, meliante. — A "vítima" rebateu e recolheu as mãos, enfiando-as nos bolsos frontais do casaco de moletom amarelo.

— Que medo… Gil… — O olhar divertido e os termos para provocar Gilgamesh eram demasiados idiotas para os outros alunos que zanzavam pelo pátio no intervalo, mas para o adolescente de cabelos alvos e longos era uma maneira muito interessante de brincar.

— Você é muito idiota, Merlim.

— Não mais do que você. — Gilgamesh estreitou as pálpebras. — Quem escreve um bilhetinho cheio de coraçõezinhos para o crush com frases do poema em que vai ler para sala em… — O de olhos violetas olhou o relógio de pulso. — Exatos três minutos!

O loiro de olhos vermelhos sentiu uma onda subir pelo corpo, as paredes do esôfago sendo queimadas e os punhos já prontos para socar a cara daquele que arriscava chamar de amigo… Mas Merlim estava mais para "amigo da onça".

— Ainda não sei porque te conto as coisas. — Empinou o nariz, orgulhoso como era, não mancharia sua imagem de aluno perfeito perante a um mestiço insolente.

— Talvez porque ninguém quer ficar perto de você, Sr. Perfeitinho.

— Ou talvez porque você fica negando lanche para gente. — O outro loiro, de olhos verdes, fez um bico. — Isso é maldade, Gil. Você tem dinheiro para alimentar a gente toda semana.

— Você é muito esfomeado, amor. — O platinado abraçou Arthur enquanto sentava-se próximo ao outro.

— Claro! Você não enche minha barriga!

— Eu te encho de outra forma… — disse meio baixo, mas não o suficiente para ser ignorado por Gilgamesh.

— Vão a merda, vocês dois! — disse e girou os calcanhares.

Já bastava aqueles dois serem seus amigos, pedintes e abusadores de sua boa vontade, eles também tinham que se comer na sua frente como se fossem dois coelhos no cio.

— Boa sorte com o poema! — Merlim gritou e recebeu o dedo médio do loiro de olhos escarlates como resposta. — Vai me contar os detalhes depois, Arthur! — Começou a gargalhar por ser ignorado propositalmente.

Apenas alguns passos para a porta da sala e ainda se ouvia a risada escancarada a instigar a paciência de Gilgamesh, mas sua atenção foi tomada por uma pequena roda de conversa próxima.

Ele estava lá.

Divando com seu rabo de cavalo grande e sobre os ombros.

O verde brilhoso que ornamentava os fios lisos fazendo-o imaginar o quanto seriam macios.

Enkidu sorria, conversando algo empolgante com as amigas, logo soltando gritinhos histéricos.

Ele era perfeito e estava apaixonado.

Não tinha mais algo a se dizer sobre isso, na opinião de Gilgamesh. Só que, talvez, ele tinha feito a maior burrada na vida.

"Haste de pétalas caramelo

Uma tulipa, não um cogumelo"

Eram os dois versos que tinha colocado em um bilhete destinado à bolsa do esverdeado e, com certeza, ele, Gilgamesh, o aluno mais respeitado e invejado da escola, só podia ter amanhecido do avesso para fazer uma coisa dessas.

Culpava a maldita condição de ser um adolescente à flor dos hormônios atrevidos.

Aquilo era uma idiotice, quando lesse o poema em frente a sala, Enkidu saberia na hora.

Fechou os olhos e mordeu as bochechas internamente.

"Mas que porra estou fazendo?! Eu não sou idiota, por que estou agindo como um?!"

Antes que discutisse mais consigo mesmo, o sinal tocou e o desespero o abraçou, criando uma imensa vontade de sair correndo dali e se enfiar em qualquer lugar que desse para se esconder.

Abriu as pálpebras e encontrou os olhos verdes claros o fitando, Enkidu o observava com um sorriso contido.

— Oi, Gil… — disse, com as bochechas coradas.

Enkidu não era humano, era simplesmente um anjo.

— Oi… T-tá tudo bem? — "Maldição! Por que gaguejei?!".

— Hm… Sim… Fez... o poema que a professora pediu? — Enkidu levou uma mecha até a orelha.

— Sim. P-por quê?

Gilgamesh sentiu os olhos arregalarem e o estômago se contrair.

"Ele já sabe?"

— A-ah… É que gosto das suas poesias, acho elas bem realistas… — disse, acanhado.

Agora sim, o ego do loiro riquinho havia aumentado de proporção exageradamente.

— Eu também gosto das suas… — confessou baixo, vendo o sorrisinho alheio aumentar.

— Vamos, queridos? — A professora questionou, já parada em frente a porta. Eles nem tinham notado sua presença.

Ambos assentiram com suas cabeças e foram para seus lugares, logo a professora já estava com seus materiais postos na mesa e sentada, a espera das leituras.

— As palavras que pedi para que vocês criassem uma poesia eram "primavera", "cores", "brisa", "borboleta" e "símbolo", correto?

— Sim, professora — Gilgamesh respondeu pela turma, já que era representante dela, e o que mais tinha voz de liderança.

— Ótimo. Pode começar por você, Gilgamesh?

"Maldição! Cavei minha cova cedo com essa mulher!".

— Sim. Pode ser. — Sorriu falso.

O loiro levantou-se de sua carteira com seu caderno e andou até a frente da sala. Seus dedos queriam tremer, mas seu interior nunca permitiria uma coisa tão fútil dessas como o nervosismo.

Gilgamesh jamais seria fraco.

Jamais vacilaria.

Jamais teria um ponto fraco.

Isso tudo era quase verdade, apenas uma exceção contradizia, e ela estava analisando o representante com olhos admirados e desejosos.

— O nome do meu poema é "A Tulipa" — disse, antes de recitar os versos preenchidos por amor a Enkidu.

“Encontrei-te com vida

Com brisa e maciez

Era uma primavera doce

Tão delicada, tão bonita

Perfumada de lucidez

Minh'alma a quem fosse

Tu era a mais charmosa

Atração de qualquer borboleta

Brisante, não uma beleza obsoleta”

Gilgamesh respirou fundo, seria agora que entregaria seu coração ao outro adolescente, e foi com os olhos baixos e as bochechas começando a se tingir de vergonha que terminou a estrofe única.

“Haste de pétalas caramelo

Uma tulipa, não um cogumelo

Minh'alma a quem deseja 

E que agora, chora por ti Formosa

Suas cores, a minha completude

Meu símbolo, a sua virtude

Minh'alma a quem festeja

Quer a primavera outra vez

Mas terei que esperar-te florzinha

No outro mês.”

O fato era que o loiro estava apaixonado há muito tempo pelo esverdeado. Enkidu era sobrinho de seu vizinho da frente e visitava a casa do tio uma vez por mês. Gilgamesh o via todos os dias da semana na escola, mas quando ele aparecia na frente de sua casa, com aquele sorriso que tanto achava lindo e naquelas roupas tão confortáveis, seu coração questionava o porquê daquele jovem ainda não ser seu. 

Ele ficava tão perto de si, mas possivelmente nem sabia da sua existência.

Queria ser notado por Enkidu.

Queria que Enkidu soubesse de seus sentimentos, mas sem que fosse de forma tão direta.

Para isso, Gilgamesh não teria coragem, era um completo covarde.

E ele sentiu isso novamente quando terminou de ler e Enkidu o olhava o surpreso.

A merda estava feita.

— Que romântico! — a professora disse em meio aos aplausos, o que serviu para estimular um muxoxo pela sala e para piorar o estado sem graça que o representante se encontrava.

Gilgamesh apenas sorriu amarelo e sentou-se em seu lugar, evitando os orbes questionadores do de cabelos longos.

— Quem é o próximo? — Ainda sorrindo, a mulher indagou.

— Eu, professora! — Enkidu falou e o loiro fechou os olhos, amaldiçoando-se, abrindo-os só quando o outro aluno já falava em frente a turma.

— O nome do meu é "O Almirante Vermelho" — o esverdeado disse, olhando os orbes rubis com um estranho apreço, um comportamento um tanto confuso para o loiro.

“Sorrisos me acompanham

Ilusões me fascinam

De flor em flor é mocidade

De brisa em brisa é saudade

O almirante vermelho, rei dos reis

A primavera fresca, serva dos servos

Sua metamorfose é transformação 

Da mágica e da esperança 

Que regressa a uma viagem de encantos

Oh! Bela borboleta da verossimilhança 

Tão pouco é seu tempo

Tão amada é suas cores

Sua escolha, em momento, a faz

Um toque amigável em flores

Um símbolo liberto em dejeto

E um enfeite no quarto de uma jovem criança.”

Mais aplausos se ecoaram pela sala e Gilgamesh não sabia o que sentir, não até receber um bilhetinho de Enkidu quando ele passou por si para voltar ao seu lugar.

"Deveria ter me dito mais cedo que eu era a sua Tulipa, meu Almirante Vermelho.

Espere-me para voltar para casa, irei dormir no meu tio hoje."

As bochechas do loiro estavam mais vermelhas que seus próprios olhos.

Enkidu também se confessou, do mesmo jeito que ele.

Seu peito explodia.

Virou-se para trás e olhou o jovem que também o mirava com um sorriso jocoso na face, enfeitado por dentinhos brancos mordendo o lábio inferior.

Gilgamesh sorriu e levou as mãos ao rosto, estava envergonhado, porém muito feliz.

— O Merlim vai adorar ver você todo vermelho. — Uma voz zombou em sua nuca.

Gilgamesh já ia dar um tapa no amigo que sentava atrás de si, quando o viu com o celular nas mãos, mirado para si.

— Arthur… Você não está gravando, está? — Semi-cerrou as pálpebras para o outro loiro.

— Hm… Vamos te zoar pelo resto do ano, Gil~.

— Eu odeio vocês! — resmungou entre dentes e deu-lhe um soco no ombro.

— Se me bater mais, vou dizer para o Enkidu que você ficou a noite inteira escrevendo aquele poema! — O outro riu enquanto apanhava mais um pouco.

— Argh! Você já sabia, seu estorvo!

— Quem não saberia?! Vocês se comem se olhando, igual quando o Mer-

— Nem ouse nos comparar a vocês dois!

Arthur deixou de provocar, mas só para rir da cara enfezada do amigo.

Pelo menos, o "boa sorte" de Merlim trouxe resultados positivos, mesmo que não tivesse mais paz com um vídeo seu rolando pelas mãos de Arthur. Com cem por cento de certeza que sua carteira seria assaltada pelos mestiços para comprar dois pastéis e uma garrafa de coca-cola na lanchonete da esquina, todos os dias.


Notas Finais


Aos agradecimentos primeiro; @joowonx pela betagem, @snobbism pela capa. Apaixonada pelo trabalho de ambos S2

Bom, o cenário da fic foi inteiramente inspirado na escola onde cursei o ensino médio, a professora e as personalidades tbm foram inspiradas em pessoas que eram próximas a mim na época. A lanchonete da esquina existe e a carteira de um amigo meu sempre se esvaziava com a gente kkkkkkk deu saudades da época, nada que revivê-la em um shipp que gostamos, não é mesmo?

Espero que tenham gostado e acompanhem as outras fanfics maravilhosas do projeto @BLheaven, que agradeço imensamente por ter conseguido entrar S2
By, bjos da Miku-chan~


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