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História A última maga celestial - Capítulo 27


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Capítulo 27 - A minha decisão


Lucy

Três dias se passaram, seis fechaduras do portão do eclipse estavam abertas e eu não sabia como fazer para parar o plano de Hades. Estava no meu quarto, deitada na cama a observar a pequena janela que tenho. Felizmente cumpriram a palavra de Hades e eu era tratada relativamente bem, não era torturada, alimentavam-me bem e tinha um médico a ver-me de hora a hora para ver como eu estava. Eu sabia que assim que as doze fechaduras estivessem abertas que este tipo de tratamento iria terminar, até porque depois de me tirarem todo o poder mágico eu estaria morta.

Passo a minha mão pela cicatriz da minha perna, não posso acreditar que aquele homem realmente me cortou a perna com tanta facilidade. Nunca mais voltaria a correr ou a saltar, precisaria sempre de ajuda para andar, não havia nada que ninguém pudesse fazer, nem a Grandine nem a Wendy. No entanto, mais uma vez, eu estaria morta quando isto terminasse, porque é que estava a pensar no futuro?

Natsu. É por ele que penso no futuro, porque uma pequena parte de mim tem a esperança que ele me venha salvar, uma pequena parte de mim não perde a esperança de o ver mais uma vez e de acreditar que ele terá um plano para voltarmos ao normal. Tenho saudades dele, do toque dele, da voz dele, do amor dele, gostaria de o ter conhecido mais cedo, numa época em que a guerra com Alvarez não me tinha arrancado tudo. Tenho a certeza que iríamos lutar lado a lado e salvar Seven e Fiore.

-Está na hora de abrir mais uma fechadura - aquela voz era demoníaca. Acnologia tinha um tom de voz que nos faz tremer, e por mais que eu saiba que ele está proibido pelo Hades de fazer o que quer comigo, não consigo parar de sentir medo dele - toca a levantar - ele diz com um ar de troça e eu pouso a minha perna direita no chão e levanto-me da cama.

Pego na bengala de madeira que me deram para me ajudar a andar e começo a caminhar ao único ritmo que consigo, na direção de Acnologia. Assim que passei por ele vejo-o a dar um sorriso de lado, ele divertia-se com a minha dor, e por mais que eu tentasse não a conseguia esconder dele.

Natsu

Era o terceiro dia desde que saímos da capital de Seven, não paramos durante a viagem, e apesar de estar cansado eu sabia que não podíamos parar, todos os minutos contavam, precisava de estar em Alvarez o mais rápido possível, não havia tempo a perder.

-Natsu temos que parar - ouço Jellal a dizer mas ignoro-o - Natsu! - ele chama mais alto mas eu continuo a seguir em frente - os cavalos estão cansados, precisam de comer e beber decentemente, não pararmos está a atrasar-nos

-Natsu, por favor - ouço a voz da Levy mas também decidi ignorar, eles tinham que entender que não era nada contra eles, mas eu não podia deixar a Lucy às mãos de Alvarez.

Vejo um cavalo a colocar-se à minha frente e sou obrigado a parar, a cavaleira ruiva olha para mim com um ar sério e eu retribuo o olhar. Eu sei que ela não ia ceder, mas eu também não iria, não me importa o que ela diga, temos que seguir caminho.

-Prometemos ajudá-lo, prometemos que a iríamos salvar e nenhum de nós pensa em voltar atrás com a nossa palavra, mas você tem que entender que tem que ser racional, se a quer salvar tem que usar a cabeça e não só o seu instinto - ela disse no seu tom de voz sério - é só parar algumas horas, iremos recuperá-las rapidamente se os nossos cavalos estiverem em condições

-Ela tem razão - ouço a voz de END - vocês humanos e animais precisam de descanso ou só estarão a andar a um passo mais lento, por outro lado se você me deixar dominar o seu corpo, consigo pô-lo em Alvarez esta noite - fecho os meus olhos, não posso deixar que END se meta nos meus pensamentos, ele não é de confiança - é um pequeno preço a pagar Natsu, o seu corpo pelo meu poder, ou vai-me dizer que a Lucy não vale isso?

-Paramos por 3 horas - eu digo a tentar parar a voz de END - depois disso eu vou continuar, se vocês quiserem ficar para trás fiquem - eu disse e a Erza acenou em concordância. Descemos todos dos cavalos e deixamo-los soltos para que pudessem descansar e recuperar.

***

O sol já se tinha posto, eu sei que devia dormir mas não conseguia, só conseguia pensar na última noite que estivemos juntos. Como é que eu não percebi que ela ia fazer o que fez? Como posso ter estado tão cego a todos os sinais que tinha visto nela? E na verdade conseguia culpá-la? Na situação dela não teria feito o mesmo?

-Natsu - ouço a voz de Gildarts e nem precisei de olhar para trás pois ele estava a sentar-se ao meu lado - fale comigo

-Não há nada para dizer Gildarts - eu disse a olhar para o céu e a pensar na loira que me tinha roubado o coração

-Natsu - ele chamou e colocou uma mão em cima do meu ombro - eu conheci a Lucy numa das minhas viagens a Seven - ele disse e eu olhei para ele, estava com um sorriso de canto - gostei dela mal a conheci. Era uma garota alegre, sonhadora, simpática, barulhenta e cheia de garra - não consegui evitar dar um sorriso - o pai dela obrigava-a a andar com aqueles vestidos da corte, mas mal me via ela tirava o vestido e mostrava que tinha calças e camisa por baixo daquele monte de tecido todo, o pai dela ficava sempre envergonhado - ele deu uma gargalhada - pedia-me para lhe ensinar novos golpes de espada porque queria partir em aventuras pelo mundo quando fosse mais velha e queria conseguir defender-se

-Gostava de ter conhecido esse lado dela - eu disse a suspirar e a perder o sorriso - eu só conheci a versão dela que perdeu tudo - eu olhei para o Gildarts que percebi que tinha os olhos a lacrimejar - só conheci a versão dela que tentava passar despercebida e que colocou uma muralha à volta dela. Penso que seja por ter medo de gostar de pessoas e depois poder perdê-las - olhei novamente para o céu - vi-a sorrir poucas vezes, mas as vezes que o fazia enchia-me o coração, era como se não soubesse o que era verdadeiro calor humano até ser alvo do sorriso dela.

Ficamos em silêncio. Cada um a recordar a memória que tinha da Lucy que tinha conhecido e a imaginar a versão um do outro. Gostava de poder voltar atrás no tempo, de poupá-la de toda a dor que sentiu, deixá-la ser a aventureira que ela queria ter sido e conhecê-la numa dessas aventuras e quem sabe juntar-me a ela. Daria tudo por um futuro que ela mereça, incluindo a minha própria vida.

-Vamos conseguir salvá-la - Gildarts diz com uma voz firme e eu olhei para ele - não vamos permitir que roubem o futuro dela, vamos vencer Hades e Acnologia, resgatar a Lucy e voltar para Fiore. Vamos trabalhar todos os dias do nosso futuro para que a Lucy tenha aquilo que merece, tem a minha palavra

-END tem falado comigo - eu confessei ao meu amigo que ergueu uma sobrancelha - nunca tinha acontecido conseguir falar com ele, mas de uns tempos para cá que ele fala comigo. Prometeu proteger a Lucy se eu lhe der o controlo do meu corpo. Não sei o que fazer Gildarts.

-Você começou a vê-lo como algo com vida não é verdade? - ele perguntou e eu não entendi - Antes você só o via como uma semente, algo que estava a mais dentro de você, no entanto agora até lhe dá um nome. Acho que reconhecer que ele é alguém vivo faz com que consiga comunicar com ele

-Não fui eu que lhe dei um nome - eu expliquei - foi a Lucy que lhe perguntou

-Não invalida a minha suspeita. Uma vez que agora você sabe que ele é um ser vivo, com sentimentos e pensamentos próprios, penso que seja por isso que consegue comunicar com ele. No entanto Natsu, não ceda o controlo do seu corpo, a Lucy ama você, não ao END. Não lhe tire a oportunidade de ser feliz ao lado de quem ela realmente quer - ele diz a levantar-se - agora vamos seguir viagem, não falta muito para chegar ao destino - eu acenei em concordância.

-Foi a Lucy que me viu como algo mais do que um parasita - a voz de END encheu o meu pensamento - foi a primeira pessoa a querer saber quem eu era. Foi a primeira pessoa a ver-me como alguém diferente, não como uma versão de você, ou algo dentro de você. Ela foi a primeira a perceber que eu estou vivo, e é por isso que tem a minha palavra que a salvarei. Quando estiver disposto a pagar o preço diga. - END está vivo e está apaixonado pela Lucy, essa é das poucas certezas que tenho em relação a ele.

Lucy

Já só faltavam abrir duas fechaduras, Sagitário e Capricórnio, e eu estava esgotada. Apesar de me deixarem descansar eu já não aguentava mais. As minhas pernas doíam, não sentia força nenhuma nos meus braços, manter-me acordada era um esforço, eu estava a morrer, tinha a certeza disso.

-Vamos a mais uma rodada - a voz de Acnologia encheu o meu quarto e eu tentei levantar-me mas simplesmente não me conseguia mexer - toca a andar pequena maga, não tenho o dia todo - voltei a forçar-me a sair da cama mas não me conseguia mexer, era como se o meu corpo tivesse simplesmente desistido. Será que eu poderia fazer o mesmo? Desistir? Fechar os olhos e simplesmente morrer de uma vez? - Toca a levantar! - sinto o meu cabelo a ser puxado, mas já nem tinha forças para gritar. Já tinha dado tudo o que conseguia, não aguentava mais.

Sinto-me a ser colocada no ombro do mago que mais odeio à face da Terra, e fechei os meus olhos. Com sorte morreria pelo caminho e o imperador castigaria Acnologia ao pensar que tinha sido ele a matar-me. Não sei quanto tempo a viagem durou, sei que senti o chão frio nas minhas coxas quando ele me atirou ao chão como um saco de batatas.

-O que se passou? - ouço a voz de Hades

-Sei lá - Acnologia respondeu - não obedeceu quando lhe disse para se levantar então trouxe-a - ele disse e eu sinto uma mão a tirar os cabelos que tenho no meu rosto

-Défice de magia - a voz calma e controlada de Hades estava com um leve tom de preocupação - um médico aqui imediatamente - ele diz e sinto alguém a deitar-me com cuidado no chão - com o poder que tem consegue abrir as duas fechaduras que faltam? - ele perguntou

-Não - o médico respondeu e eu abri os olhos - se não descansar vai morrer em poucos minutos - ele disse e vejo Hades a acenar em concordância

-Consegue pô-la com magia suficiente para amanhã? - ele perguntou - Não quero perder a lua cheia

-Se a colocar num sono profundo sim - o médico disse - teremos que ter alguém a alimentá-la de magia até amanhã

-Trate disso, tem a minha autoridade para fazer o que for necessário - o imperador Hades disse e eu vejo o médico a acenar em concordância. E assim caí num sono profundo, quando na verdade teria sido melhor ter morrido de uma vez.

***

Quando voltei a acordar, conseguia mexer o meu corpo. Não estava forte como normalmente estava, mas já não me sentia tão debilitada, o que quer dizer que vou ter que abrir mais uma fechadura do portão do Eclipse. 

O médico que vi a cuidar de mim ontem estava ao meu lado. Assim que percebeu que estava acordada ajudou-me a levantar e levou-me até ao salão onde o portão me aguardava. Podia ter ferido o médico, poderia tentar fugir, mas para onde? Não estava em condições de fazê-lo, não conseguiria dar dois passos sem ser apanhada.

-Um melhor aspeto sem dúvida - ouço a voz de Hades - segura o pedestal, vamos abrir mais uma das fechaduras - ele disse a olhar para o portão do Eclipse. 

O jovem médico ajudou-me a colocar as mãos no pedestal que se alimentava na minha magia e assim que se afastou sinto novamente aquela força a sugar-me as poucas forças que eu tinha. Gritei. Gritei como nunca tinha feito. Não conseguia mais ser forte, não conseguia mais ter forças para esconder a minha dor por detrás da minha teimosia. Sentia como se todo o meu corpo estivesse a ser rasgado.

Quando a fechadura foi aberta caí ao chão. Parei de gritar, mas sentia a baba a cair-me, sentia o meu corpo a tremer e sentia dores como nunca antes sentia.

-Estará pronta para logo à noite? - Hades perguntou

-Tratarei que esteja - o médico disse a segurar-me em estilo de noiva. Eu olhei para Hades, odiava-o.

-Nunca encontrará o que procura - eu disse sem fôlego

-E o que pensa que procuro Lucy? - ele pergunta com um ar divertido

-A magia una - eu disse e ele ergueu uma sobrancelha - a sua busca pela origem da magia nunca será concluída. Não tem em você o necessário para entendê-la

-E o que uma pessoa insignificante como você sabe sobre isso? - ele perguntou sem conseguir esconder a curiosidade

-Talvez nada, ou talvez tudo - eu disse a reunir a pouca coragem que tinha - só sei que a origem da magia não é um demônio, ou um objeto, é algo muito maior que isso

-Parece perceber muito sobre o assunto, mas não sabe de nada Lucy

-Talvez - eu respondi a fechar os meus olhos. Para mim a magia era amor, era acreditar, nunca poderia ser algo como um demônio. Para mim a magia una era algo tão simples como amor, no entanto para uma pessoa com o coração preso nas trevas talvez não fosse assim tão simples de alcançar.

Natsu

-LUCY - eu gritei frustrado

-O que se passa Natsu? - Erza perguntou-me preocupada

-Ouvi a Lucy gritar - eu disse a sentir-me furioso

-Estamos a um dia de viagem - Gildarts diz - se forçarmos os cavalos conseguiremos estar lá amanhã de manhã

-Será tarde demais - END disse na minha mente e eu sabia que ele tinha razão

-Tenho a sua palavra que a salvará? - eu perguntei àquele que não tinha confiança nenhuma. No entanto ele estava apaixonado pela Lucy, e de alguma forma isso dava-me segurança que ele realmente a iria salvar

-Sim - ele respondeu simplesmente e eu tomei a minha decisão.

-NATSU NÃO! - ouço Gildarts gritar mas já era tarde. Eu já tinha cedido o meu corpo ao END e agora não passava de um espectador do que acontecia à minha volta.

-Vamos lá salvar a loira - END abre as suas asas e começa a voar a alta velocidade em direção à capital de Alvarez.  

 Lucy

Parecia que tinha acabado de chegar ao quarto quando voltei a ser acordada.

-Está na hora de abrir a última fechadura - ouço a voz de Acnologia e senti uma lágrima a cair. Alguém precisava de me parar, não podiam abrir a última fechadura ou o mundo estaria condenado - não tenho paciência para lágrimas, levá-a ao imperador - ele disse ao médico que estava comigo.

Ele passou um dos meus braços por cima dos seus ombros e começou a fazer aquela que eu sabia que seria a minha última caminhada. Precisava de um plano. Precisava urgentemente de um plano! Eu sabia, eu sentia, eu acreditava que o Natsu estava perto, mas o medo de ele não chegar a tempo estava a invadir-me. Eu confio nele, confio nele com a minha vida, mas preciso de um plano, não posso abrir a última fechadura.

Assim que cheguei ao salão vejo que está cheia de soldados. Estavam todos preparados para a chegada dos demônios, e eu seria a causa do fim do mundo. Olhei à minha volta, fugir não era opção, recusar-me a andar? Não me serviria de nada. Só ficava uma alternativa, morrer antes de ser morta por falta de magia.

Eu sabia que esse era o meu destino, ninguém conseguiria sobreviver com o défice de magia que eu tinha. O momento que comecei a abrir as fechaduras do portão, tinha sido o dia que a minha morte estava agendada, e agora a única solução era terminar com a minha vida um pouco mais cedo. Ao passar por um dos guardas, suspirei e num movimento rápido e simples como tinha treinado tantas vezes com o Gildarts, tirei a espada de um dos soldados e cortei a garganta do medico que me carregava.

Caí de joelho no chão mas pouco interessava, tinha a espada apontada à minha garganta e ouvi a voz de Hades a mandar que todos parassem.

-Esta é a sua derrota - eu disse a Hades que não parecia preocupado - nunca conseguirá alcançar a destruição deste mundo

Fechei os meus olhos, pensei uma última vez no Natsu e comecei a cortar a minha garganta. No entanto por algum motivo a minha mão parou. Abri os meus olhos e vejo os dedos a abrirem e a espada a cair no chão, olhei em frente e vejo Hades com um sorriso de canto.

-Em vez de matar o médico devia ter-se morto de uma vez - ele disse - uma magia de controlo não é nada para mim - eu começo a levitar e sinto novas lágrimas a formarem-se. Nem me matar consigo fazer.

-Estou farto de você, vai ser maravilhoso vê-la morrer - a voz de Acnologia está no meu ouvido e sinto-o a segurar os meus cabelos com força e eu grito de dor.

-Não podia concordar mais - ouço uma voz fria e calculista. O meu cabelo é solto e eu olho para trás. Vejo um buraco no peito de Acnologia, um buraco feito por uma mão que eu conheço bem, a mão do Natsu, no entanto quem está a usar o seu corpo é END. As chamas negras e a voz não enganam - prometi ao Natsu que a salvaria, como ele pode ver, eu cumpro com a minha palavra - ele diz a tirar o braço do buraco do peito de Acnologia que cai no chão.

-END - eu digo sem acreditar no que estou a ver

-Muito bem - ele diz a pôr-se à minha frente - está na hora de derrotar Alvarez, fique quietinha aí e tudo ficará bem - ele diz-me e antes que eu consiga processar o que se passa vejo-o a partir para cima dos soldados do império.


Notas Finais


Próximo cap: Linha temporal


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