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História A última maga celestial - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Amigos


Natsu

Esta era sem dúvida a batalha mais difícil que tivemos ao longo dos anos. Alvarez tinha vindo em força, e se não fosse pela nossa preparação há meses atrás não teríamos conseguido sobreviver de todo. Assim que nos apercebemos da dimensão do ataque mandamos logo batedores às cidades próximas buscar mais gente, para além de ter consigo falar com o meu pai através de uma lacrima portátil e ele ter concordado em esquecer sobre os magos não registados que aparecessem.

Eu estava cansado, coberto de suor e de sangue. A batalha só acalmava quando o sol se deitava, e mesmo assim tínhamos que estar sempre atentos não fosse Alvarez atacar-nos de surpresa. Gray estava ao meu lado e também conseguia ver o cansaço nele, não sei quanto mais conseguimos aguentar assim.

-Nem pense em usar magia Natsu - ele disse sem olhar para mim - eu próprio o congelo e o deixo fora de combate, estamos entendidos? 

Antes que eu lhe pudesse responder sentimos a terra tremer e paramos todos de lutar. Era só o que faltava um tremor de terra neste momento.

-Evil Explosion - ouço uma voz demoníaca e por um segundo penso que é o inimigo, quando para minha surpresa um raio negro passa por mim e atinge os soldados de Alvarez.

Ao mesmo tempo que o raio atinge o campo do inimigo uma mulher loira com calças escuras a cobrirem só a perna esquerda, com um sutiã de de estampa de vaca, as costas cobertas de cicatrizes que me são familiares, com o cabelo preso em dois coques e um chicote na mão, aparece à nossa frente e usa o chicote contra o inimigo. Assim que toca o chão, a terra volta a tremer e percebo que à pouco não foi um tremor de terra, foi sim a força desta maga a bater com o chicote no chão.

-Vocês estão bem? - uma mulher em forma de demônio surge ao nosso lado e eu olhei surpreendido para ela, ela é-me familiar - Não me reconhece Natsu? - ela pergunta e faz um sorriso angelical e percebo que tinha razão

-Mira? - eu pergunto e ela acena em concordância. O chão volta a tremer quando a maga loira ataca mais uma vez o inimigo.

-Onde precisam de mais ajuda? - ela pergunta - O mestre foi para a ala direita, está lá com o neto e com o capitão Jellal

-Ala esquerda - Gray respondeu a recuperar do choque e a lançar flechas de gelo - o Gildarts anda por aqui algures, mas a Cana está praticamente sozinha a cuidar da esquerda

-Combinado, vamos Lucy - ela diz e eu olho para a maga loira que se virou pela primeira vez e não houve quaisquer dúvidas de que aquela era mesmo a Lucy.

-Lucy… - eu e Gray dissemos ao mesmo tempo

-Vamos Mira - ela disse a saltar para as costas da albina que abriu as asas e começou a voar. Eu fiquei completamente atordoado, nunca esperei ver a Lucy aqui, no campo de batalha. Eu sabia que ela tinha algo de diferente, eu sabia que ela não era uma simples plebeia. Mas uma maga? Nunca me tinha passado pela cabeça que ela pudesse ser uma - NATSU CUIDADO - ouço a voz dela mas foi tarde demais. Antes que me conseguisse virar para onde ela apontava senti uma lâmina a passar-me pelo lado esquerdo do meu abdômen - NÃO NATSU!!! - ouço-a a gritar ao mesmo tempo que caí de joelhos no chão e sou segurado pelo Gray.

Lucy

-Temos que descer Mira - eu digo à albina que continua a voar para a ala esquerda

-Confie no Gray e no Natsu, Lucy - ela diz-me com uma voz triste - você ouviu o que o Gray disse, o Gildarts está ali perto deles, eles conseguem salvar o Natsu, nós precisamos ir para o lado da Cana, ela precisa de apoio

Natsu seu idiota, se você morrer aqui eu juro que vou ao inferno, trago-o de volta só para ser eu a matá-lo. Não pode ser este o meu destino, ver as pessoas que me são queridas a morrerem trespassadas por espadas. Afasto os meus pensamentos, tenho que confiar no Gray e no Gildarts, tenho que acreditar que ambos irão tratar do Natsu, ter a certeza que ele vive, preciso de acreditar neles.

Tal como o Gray tinha dito a ala esquerda só tinha uma maga de alta patente, e estavam claramente em desvantagem. A Cana tentava a todo o custo dominar a batalha, e devo dizer que fiquei surpreendida com o poder de destruição dela, no entanto, ela é filha do Gildarts, é só normal que seja tão boa como é.

-Cana - a Mira chamou-a e ela olhou para cima. Assim que viu a Mira olhou surpreendida para ela - onde precisa de nós? - ela perguntou e nesse momento ela recuperou do choque e fez sinal para a Mira ir para a direita dela e eu para a esquerda. 

Assim que chegamos ao chão comecei logo a atacar o império de Alvarez juntamente com a Cana e a Mira. A morena não fez qualquer pergunta, simplesmente agradeceu pela ajuda e continuou a distribuir instruções aos soldados enquanto atacava o inimigo.

Para minha sorte vejo que a ala esquerda tem um rio a passar ali, por isso é o ideal para invocar o poder da Aquarius. Sem que ninguém se aperceba, procuro pela chave do signo de Aquário para canalizar o poder dela para mim. As minhas roupas mudam e sinto a água a chamar por mim. Uno as minhas mãos em modo de prece e faço com que uma onda gigante nasça do rio e ataque o exército inimigo.

-Maravilhoso - ouço a Cana dizer - precisa de mais água? - ela pergunta a olhar para mim e eu aceno em concordância - Aqui, tome - ela pega em cartas e faz uma fonte de água jorrar delas. 

Rapidamente uno a água mágica dela à onda gigante do rio e mantenho a ferocidade da água. O exército Alvarez da ala esquerda está a ser completamente varrido, e juntamente com eles o meu poder mágico. Fazia mais de um ano que não usava magia, precisava de voltar a praticar.

Vejo um raio negro a atingir a água e sei que a Mira percebeu a quantidade de energia que eu estava a gastar. Depois do raio negro, vejo a Cana a usar novas cartas para produzir eletricidade e a atirá-las contra a onda, eletrocutando assim o exército inimigo. Quando sinto o meu poder completamente esgotado a onda desaparece e a minha star dress form também e caio de joelhos ao chão.

-Desculpem, não tenho mais poder mágico - eu disse ofegante

-Está ótimo - ouço a Cana a dizer e olho para ela, está com um sorriso vitorioso no rosto - não sobrou um único inimigo do nosso lado - olho em frente e vejo que o exército estava completamente incapacitado - HOMENS AJUDEM O CENTRO! VAMOS VARRER COM ESTES SOLDADOS DE ALVAREZ!!!! - ela grita para os seus soldados e todos correm atrás dela com esperança no olhar.

***

Foram precisas algumas horas para vencer a batalha, mas finalmente Fiore conseguiu. Eu estava cansada, completamente sem forças, e com a certeza que tinha que treinar se não queria ficar mais fraca e perder a capacidade de canalizar o poder dos espíritos celestiais.

-Obrigada pela vossa ajuda - Cana disse a sentar-se ao meu lado e da Mira e a entregar uma garrafa de água a cada uma de nós - sem aquela onda gigante não sei se teríamos vencido esta batalha

-Obrigada pela simpatia - eu disse a beber um pouco da água

-Não é simpatia, é a realidade - ela disse séria - assim que limpamos a ala esquerda conseguimos ajudar os outros. Espero ter a sua ajuda em batalhas futuras - ela estende a mão e eu aperto-o e sorri para a morena - muito bem, hora de levar os feridos para as tendas médicas - ela diz a pôr-se em pé - soldados de Fiore, os soldados de Alvarez que estão vivos vão para as tendas da esquerda onde serão observados, curados e presos. Os nossos homens e mulheres vão para as tendas médicas da direita, lá darão melhores indicações, está tudo a ajudar - ela começa a caminhar entre os corpos que estão no chão e começa a carregar um soldado inimigo até às tendas médicas.

-Vamos lá - eu digo a levantar-me

-Lucy, você precisa de descansar - a Mira disse a levantar-se - senti uma enorme quantidade de poder mágico a ser gasta, é algo muito perigoso para um mago drenar assim o seu poder mágico

-Eu estou ótima - eu digo a pegar num soldado de Fiore nas costas - quando podermos descansar prometo que vou dormir durante um dia inteiro - pisco-lhe o olho e começo o meu caminho até às tendas da direita.

Vejo os soldados a transportarem outros soldados de um lado para o outro, isto da guerra realmente não é uma boa visão. Passamos horas a combater, a ver pessoas a morrer, a ver a nossa terra a ser destruída e ainda temos que ver pessoas a sofrer. Tento parar de pensar em toda a destruição que está à minha volta e sigo o meu caminho para a tenda da direita.

-Deixe-me fazer a triagem - uma maga diz a ver o soldado que tenho às costas - ferimentos graves, tenda dois - ela diz e volta a sua atenção para outro soldado que está a chegar às tendas.

Caminho em direção à tenda dois, e assim que entro fico em choque com a quantidade de feridos que estão naquela sala. O som de gritos de dor, o cheiro a carne queimada, a sangue enche-me o nariz e sinto lágrimas nos olhos.

-Pouse-o aqui - ouço uma voz e olho, era Grandine, a mãe da Wendy - rápido, esta ala não é para pessoas que se impressionam facilmente - ela diz bruta e eu deito o homem na maca e a maga começa rapidamente a aplicar magia na cura no homem - antes de ir embora - ela diz-me e eu volto a olhar para ela - está uma mulher na cama 20 que está curada, pode levá-la lá para fora? Precisamos da cama - ela diz e eu aceno em concordância.

Olho à minha volta a tentar perceber qual é a cama 20, e vejo que o número das camas está escrito nas grades, procuro rapidamente pelo número 20 e caminho até lá o mais rápido que consigo sem perturbar o trabalho dos médicos. Pelo caminho sinto uma mão a rodear o meu pulso e salto de susto.

-Está tudo bem - ouço a voz tão familiar e irritante, olho e vejo o mago de cabelo rosa - Lucy

-Oh meu Deus Natsu - eu digo a pôr-me de joelhos no chão ao lado da cama dele e a segurar a mão dele com força - você está vivo!

-Claro, acha que morria assim tão facilmente? - ele diz com aquele sorriso idiota de canto que ele tem

-Não seja idiota - eu digo-lhe chateada e ele dá uma gargalhada - não é suposto você usar uma cota de malha que repela ataques mágicos? Como é que a espada o trespassou? - eu pergunto a passar os meus dedos pela faixa ensanguentada que está à volta da barriga dele

-Porque era uma espada normal, não era mágica - ele diz a segurar a minha mão e eu olho para ele - ainda bem que você está bem, já posso descansar - ele diz a fechar os olhos e a largar a minha mão

-É mesmo um idiota - eu digo a levantar-me e a tirar os cabelos rosas de frente dos olhos dele - mas ainda bem que você está bem, também vou conseguir descansar em paz - eu digo e observo-o uma última vez antes de ir até à cama 20 e levar a maga que está lá para fora da tenda médica.

***

Sinto alguém a tocar-me no braço, abro os olhos lentamente e cheia de sono e vejo uma mulher que nunca vi na vida e por instinto dou um salto para trás.

-Desculpe acordá-la menina Lucy - ela diz rapidamente - o príncipe Natsu pediu-me para procurá-la e pedir para a levar até ele - eu ergo uma sobrancelha, aquele idiota mandou mesmo alguém vir acordar-me para me levar até ele - ele já foi transferido da tenda médica para a dele, pediu se podia ir até ele, e disse para eu lhe dizer que usou a palavra por favor - ela diz a encolher os ombros e eu não consegui evitar dar um sorriso de canto.

-Vamos lá - eu disse a pôr-me de pé e a seguir a maga em direção à tenda que seria do Natsu.

As pessoas do acampamento estavam praticamente todas a dormir, não sei que horas são, mas sei é meio da noite. São poucos os soldados que estão acordados, provavelmente só alguns médicos e aqueles que estão de guarda aos prisioneiros. Assim que chegamos em frente à tenda do rosado a maga faz-me uma vénia e volta para o seu posto. Eu respiro fundo e entro, rapidamente o vejo sentado numa cadeira com um manto em volta dos ombros, está com um ar cansado, mas pelo menos a faixa já não mostra sinais de sangue.

-Acha correto acordar uma dama a meio da noite e pedir para ela vir até à sua tenda seu desgraçado? - eu digo-lhe e ele abre os olhos e vejo um sorriso a se formar assim que me vê

-Eu disse que se você estivesse a dormir não valia a pena acordá-la - ele respondeu a tentar levantar-se mas eu aproximei-me dele e pus uma mão no seu ombro para ele estar quieto. Peguei noutra cadeira e sentei-me em frente a ele - Lucy, desculpe por tudo o que aconteceu à alguns meses atrás, devia ter tentado falar com você novamente…

-Está tudo bem - eu disse-lhe a olhar para as minhas pernas e a segurar a bainha da minha saia - eu também deveria ter falado com você, mas o meu orgulho meteu-se no caminho

-Explique-me só uma coisa - ele pediu. A voz dele estava rouca e arrastada, estar aqui a conversar comigo estava a ser exaustivo para ele, é mesmo um idiota a esforçar-se desta forma - porque ficou tão brava comigo? - eu olhei com raiva para ele

-Está falando sério? - eu perguntei a cruzar os meus braços por baixo do meu peito

-Sim - ele disse simplesmente - eu pedi desculpa pela cena no bar, porque ficou tão nervosa durante a nossa conversa?

-Natsu - eu digo a não acreditar que aquele imbecil realmente não sabia - você tem noção do que me disse no meu quarto? - eu perguntei e ele olhou confuso para mim - primeiro disse que ninguém me iria desejar só pelas marcas que eu tenho nas minhas costas - olhei para o lado, não conseguia olhar para ele nos olhos - isso não é algo que se diga, eu sei que ficaria melhor sem elas, mas… - eu mordi o meu lábio inferior

-Isso foi só uma desculpa para você não aceitar o pedido de casamento com o Hibiki - ele disse e eu olhei para ele. Ele estava sério, mas os olhos dele estavam cheios de ternura - é verdade que muitos homens se preocupam com isso, não menti sobre esse assunto, mas qualquer homem que a conheça consegue perfeitamente ultrapassar isso - ele disse calmamente - qualquer um ficaria com raiva pela pessoa que a fez passar o que quer que tenha passado, Lucy - ele diz-me num tom de voz tão bondoso que senti o meu coração a apertar-se - mas você disse que isso foi a primeira, qual foi a segunda coisa que eu disse que a ofendeu assim tanto?

Olhei para o lado. Detestava voltar a lembrar-me daquela conversa, daquelas palavras, mas ele estava a fazer um esforço, e eu só podia fazer o mesmo.

-Você me mandou deitar e abrir as pernas para você me fazer um filho - eu disse a sentir as minhas bochechas a ficarem vermelhas - a forma como o disse foi tão…

-Desculpe - ele disse e eu continuei a olhar para o lado - olhe para mim Lucy - eu acenei em negação - por favor, não me obrigue a mexer muito, ainda estou fraco - olhei para ele de relance e vejo-o a fazer um sorriso de canto 

-Não pode usar essa carta de garoto ferido para sempre - eu disse-lhe a virar lentamente o meu rosto e a olhá-lo diretamente nos olhos dele

-Enquanto funcionar pode ter a certeza que vou usar muitas vezes - ele disse a dar um risinho e eu dei-lhe um soco no braço - agressão a um ferido! Você não tem mesmo escrúpulos pois não?

-Idiota - eu disse-lhe e ele riu, o que me fez rir também

-Não o devia ter feito - ele continuou a conversa séria e eu voltei a sentir-me envergonhada - mas estava com tanta raiva, não a conseguia fazer ceder quanto ao casamento e quando dei por mim já estava a dizer algo que não devia

-Vamos só esquecer esse assunto - eu disse e ele acenou em concordância

-Você já cancelou o casamento? - ele perguntou e eu ergui uma sobrancelha - Vá lá Lucy, sabe perfeitamente que só aceitou para me irritar, tenho razão ou não?

-Mesmo que tenha, você continua a não ter nada a ver com isso - eu disse-lhe e agora era ele que tinha uma sobrancelha erguida. Respirei fundo. Não íamos voltar a brigar sobre isto - não, não cancelei o casamento - eu disse-lhe - não sei como o fazer, uma vez que ele não tem culpa de nada disto

-Quer que eu fale com ele e lhe diga que não dou permissão para você se casar? - ele perguntou com um sorriso de canto e eu revirei os olhos - Adoro irritá-la, já tinha dito? - ele perguntou com uma gargalhada

-Nunca me tinha apercebido - eu disse sarcasticamente - eu trato do assunto, agora você precisa de ir dormir, e eu também, estou a morrer de cansaço - eu disse e ele acenou em concordância - venha, eu ajudo você a se deitar - eu disse-lhe a levantar-me e a passar o braço dele por cima dos meus ombros e a levá-lo calmamente até à cama.

Sentei-o na cama e tirei o seu braço de cima dos meus ombros. Ele não desviou o olhar e eu não conseguia desviar o meu.

-Lucy - ele diz o meu nome numa voz muito baixa - quem é você? - ele perguntou e eu respirei fundo

-Isso é conversa para outro dia - eu digo-lhe e ele segura o meu pulso

-Promete? - ele pergunta

-Prometo - eu respondo. Inclino-me para ele e dou-lhe um beijo na bochecha - falamos disso em Magnólia depois de você estar em plena força - ele pega uma madeixa do meu cabelo e coloca atrás da minha orelha

-Quer dormir aqui? - ele pergunta - tenho espaço na minha cama para uma gorda como você

-Você quer mesmo que eu lhe bata não quer? - eu digo-lhe a dar-lhe um soco no ombro - Deite e durma mas é, amanhã é um novo dia - ele deita-se na cama, e assim que a sua cabeça repousa no travesseiro percebo logo pela sua respiração que ele adormeceu profundamente.


Notas Finais


Próximo cap: A verdade

Os nossos queridos fizeram as pazes <3
Espero que estejam a gostar pessoal! Beijosssss


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