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História A última música. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Ensaio.


Fanfic / Fanfiction A última música. - Capítulo 3 - Ensaio.

A última música.

"Foi só nos teus braços que finalmente tive a sensação de estar em casa."


Estacionaramo Jeep em frente a casa cor creme. A família Uchiha é muito bem sucedida em sua empresa de tecnologia. Apesar de gostarem mais do modelo tradicional seguido por gerações, a  casa tinha um toque moderno por gosto de Mikoto. Era espelhada no segundo andar e possuía um lindo jardim de margaridas na entrada. Não havia nada que ela não pedisse que o seu marido, Fugaku, mesmo carrancudo não fizesse. Amava aquela mulher com todas as forças.

O Uzumaki já tocava a campainha eufórico enquanto segurava o cardeninho que escrevia suas composições. Algumas páginas estavam meio amareladas pelo tempo, mas ele não conseguia comprar um novo, tinha apego pelo objeto, foi ali que tudo começou e ele guardaria para sempre quando as folhas acabassem.  Ficava extremamente empolgado nos dias de ensaio, mais que o normal e esperava que um Sasuke emburrado aparecesse.

A morena estava atrás admirando o jardim, gostava daquele cheiro de flores e de observar as borboletas, com a primavera tudo parecia ainda mais bonito. Diferente do que o loiro esperava, pronto para implicar com o amigo, a matriarca atendeu a porta, imediatamente lhe lançando um sorriso.

– Naruto, estava de saída para ver seu tio rabugento na empresa! Como está Kushina? Sasuke disse que viria e eu tratei de fazer aquele bolo de chocolate que gosta. – não pode deixar de apertar as bochechas com seu jeito terno. Os pais de Naruto e Sasuke se conheciam desde a faculdade, eram grandes amigos. A Uchiha viu o Uzumaki nascer e crescer. Sempre esteve em sua casa brincando com seu menino, gargalhando e trazendo vida para aquele lugar, gritando "tia Miko". Amava-o como um filho.

– Oba, bolo de chocolate! E ela está bem tia Miko, doida para o passeio de vocês no domingo. – seu sorriso aumentou, amava ser paparicado.

– Vai ser bom demais, vou até ligar para ela. Hinata querida, está linda! – a Uchiha elogiu, dando passagem para que eles entrassem.

– Obrigada, tia. Estava admirando seu jardim, está maravilhoso. – a Hyuuga respondeu fazendo carinho no cachorrinho Aoda que correu para os seus pés. Aoda era um filhotinho quando chegou, cresceu correndo e acompanhando eles.

– Eu amo cuidar delas, mas às vezes Aoda as come. – riu, lembrando-se dos chinelos de Fugaku que o labrador também comia e a cara impagável do marido.

– Vamos Hina, sabe como o teme fica com atrasos, ele e aquela cara azeda. Até mais tia Miko! – fez uma careta, puxando levemente as mãos da morena. Despediu-se da matriarca abraçando-a que os observou até que sumissem. 

– O amor jovem, tão intenso e único. Às vezes não percebemos o que está tão óbvio em nossa frente. Eu espero que não demore para que ele perceba, assim como meu menino e Sakura. Torço por eles. – suspirou comentando para si mesma.

A garagem ficava nos fundos em frente a piscina. Tinha espaço suficiente para os quatro carros e para banda. Foi o presente de Sasuke de 17 anos. Fugaku pagou pela reforma, adaptando-a. Isolamento acústico, prateleira de discos, espaço para os instrumentos, frigobar, sofá, sinuca e uma boa iluminação para as gravações.

O moreno dedilhava sua guitarra negra eletrônica, tocar lhe dava êxtase. Havia seguido os passos do irmão, Itachi, que também tinha uma banda em sua adolescência. Eles tinham muito talento, combinavam muito juntos, o que fazia com que Sasuke, mesmo que não admitisse em voz alta, desajesse ser que nem seu irmão. Se questionava se conseguiria ter isso, obter a capacidade de fazer as mesmas coisas, de ser tão bom quanto ele. Itachi deixou a banda para seguir sua outra paixão, a tecnologia, e cuidar da empresa do pai. Já estava no último ano da faculdade. Vê onde chegou hoje lhe causava uma sensação sem igual, no mínimo de orgulho. O que mais gostava em sua banda é que ninguém era melhor que ninguém. Mesmo que Naruto escrevesse a maioria das canções, os outros também escreviam, e apesar de às vezes a composição não ser usada inteira, estavam sempre mesclando em outras, aproveitando alguma coisa. Às vezes Sasuke tocava violão,  ou cantava com o loiro e em músicas agitadas costumavam cantar todos juntos ao refrão. Não tinham um estilo definido, mesmo que puxassem mais para o pop, ideias eram sempre bem vindas.

Shikamaru quase dormia na poltrona com seu baixo, Gaara montava sua bateria, batizada como sua nova bebê e Neji lia algumas partituras do piano. Sakura, Ino, Tenten e Temari conversavam animadas no sofá.

– Olha quem chegou! – o loiro gritou com a Hyuuga logo atrás, sem ter tempo de desviar quando foi acertado por uma almofada no rosto.

– Dobe, a pé até aqui são dez minutos e de carro cinco. Foi fabricar instrumentos novos? – o Uchiha revirou os olhos.

– Muito engraçado, teme! Estávamos conversando com a sua mãe. E vai ter volta, ok. – pegou a almofada indignado.

– Agora sim, vamos fazer o que a gente faz de melhor, Shikamaru acorda! Não sei o que minha irmã viu em você. – Gaara acertou as baquetas na cabeça do Nara que resmungou massageando-a. O ruivo ficava inconformado que sua irmã namorava um de seus melhores amigos, sentia ciúmes. No início o ameaçou de todas as formas possíveis, mas no fundo ficava feliz, sabia que eles faziam bem um pro outro.

– Não faça isso com ele! – Temari gritou, dando um selinho no namorado. Os meninos fizeram uma cara maliciosa, e olharam para o Sabaku, sabiam que isso o irritaria. Ele sentou atrás de sua bateria, resmungando.

– Senta aqui, Hina. – Ino chamou abrindo espaço para a amiga sentar entre ela e Sakura.

– Antes, senhoras e senhores, vou cantar uma música que compus um dia desses, quero que vocês vejam. – o Uzumaki pegou seu caderno animado, foliando-o. Parou em frente ao microfone fechando os olhos. Quando cantava sentia como se fosse explodir, não tinha nada que ele gostasse mais no mundo. Doava-se por inteiro, de corpo e alma.

A Hyuuga olhava-o. A forma como ele ficava concentrado e tranquilo, seu peito subia e descia de forma serena, sentia a paz que ele emanava de longe. Naruto era como um vidro, tão transparente, não escondia nada que sentia e não se importava com isso, a morena entendia-o só de olhar. Mas até para ela que lia o loiro tão bem, sentia-se frustrada por não saber o que se passava naquele coração. 


O que vivemos foi uma febre 

Um suor frio, uma obsessão 

Eu joguei tudo pro ar 

Para ver o que você ia me mostrar 

Você me desafiou a continuar por perto 


Sua voz saiu baixa, quase como um sussurro inaudível. Porém, a delicadeza que as letras era pronunciadas por aqueles lábios tão convidativos e carnudos faziam com que até a nuca de Hinata se arrepiasse. Em anos, não conseguia controlar o efeito que ele surtia nela. Deus, como era patética.


Tantas indas e vindas 

E aqui estamos 

Me diga agora 

Me diga agora, você sabe o que 


Em nenhum momento ele ousava abrir aquelas safiras tão brilhantes que ela amava. Tentava decifra-lo a cada instante, uma tentativa ridiculamente falha. A leveza que começou a música ainda permanecia ali, com suas mãos firmes ao microfone.  A morena sentia-se com 12 anos novamente, apaixonada pelo vocalista de uma banda famosa, completamente louca por qualquer movimento que ele fizesse, disposta até a atravessar o mundo só para vê-lo, perseguindo-o em todos os shows. Mas sabia que não era assim, na verdade, quem dera fosse apenas uma paixonite adolescente. Ali era seu melhor amigo, muito mais que um astro famoso que ela sabia que ele se tornaria. O amor chegou antes da cantoria, antes de qualquer fama. Seria para sempre assim, e era isso que ela mais temia no final.


Tem algo na sua presença 

Que me faz sentir como se não pudesse viver sem você

E isso me prende a nós

Eu quero que você fique


Quase soltou uma risada debochada. Era como se ela tivesse escrito aquele verso e não ele, como se estivesse cantando para o loiro, pois combinava infinitamente com ela. A vida era sarcástica e bastante cruel quando queria ser. Sentia a boca amarga pelo gosto da verdade. A verdade que ela nunca conseguiria compreender: como havia acabado naquela situação. Quis evitar durante anos, mas de nada adiantou. Sentiu as mãos de Sakura apertando as suas, virou o olhar enxergando todo apoio mudo que a amiga tentava transmitir, mesmo sem dizer uma palavra se quer. Ino ergueu uma cerveja oferecendo-a, poderia imaginar a voz da Yamanaka dizendo "desse jeito só bebendo", e até acharia graça se não estivesse em uma situação tão medíocre. 


Não é grande coisa a vida que você leva 

Não é só receber o amor 

Você tem que dar 

Tantas indas e vindas 

E aqui estamos 


Era como se ele conversasse consigo. Ninguém fazia um barulho se quer, todos tocados por aquela letra que com toda certeza atingiria outras pessoas. Hinata pensava se aquelas letras possuíam uma dona, tão profundas, dolorosas mas não deixavam de serem bonitas. Era assim que o amor era, doloroso e bonito.  


Me diga agora 

Me diga agora, você sabe o que 

Não sei o que sentir em relação a isso 

Tem algo na sua presença

Que me faz sentir como se não pudesse viver sem você 

E isso me prende a nós


Abriu devagar os olhos finalizando a música, as íris azuladas foram de encontro com as orbes pérolas. Tenten puxou as palmas sendo seguida pelas outras meninas despertando a morena de seu transe, que logo as acompanhou. 

– Para alguma coisa o dobe serviu nessas férias. – Sasuke foi o primeiro a comentar, todos ali sabiam que essa era a maneira dele de elogiar o amigo. Naruto o mostrou a língua. 

– Você está com inveja! – provocou-o. – Ainda não terminei a segunda parte, é só um esboço, mas fiquei ansioso para mostrar. – deu de ombros, estava aliviado que os amigos gostaram, havia perdido um tempinho escrevendo e gostaria de cantar aquela com a banda.

Enquanto cantava pensei que combinaria muito com o acompanhamento do piano. Pensei em usar no primeiro verso c -dm seguido no am - c/g, am - c/g, am - c/g 4 vezes, assim... – as mãos deslizaram pelas teclas pretas e brancas, o som preencheu a garagem.

All along it was a fever... – o loiro cantou acompanhando a melodia do amigo, imediatamente os lábios repuxaram-se em um sorriso pela combinação.

– Ficou muito bom, já posso imaginar cutucando os corações partidos das garotas e eu estarei lá para consola-las. – Gaara estufou o peito orgulhoso, lançando um olhar provocativo em direção a Ino. A loira de olhos azuis piscina sabia que ele queria uma reação enciumada, e como uma boa Yamanaka que era jamais daria esse privilégio a ele.

– E eu com os garotos, é claro. Mas, caso não dê conta com as garotas, pode passar para cá que dou um jeitinho. – passou sensualmente as mãos pela franja comprida que emoldurava seu rosto de boneca, devolvendo ao ruivo uma piscadinha, se ele queria competir, ela que não ficaria para trás com as suas provocações. Viu o sorriso prepotente do Sabaku murchar e a gargalhada alta do Uzumaki que empurrava os ombros do amigo. Rapidamente foi acompanhado pelas meninas, Shimakaru e Neji, até mesmo o Uchiha comprimia os lábios, em uma tentativa inútil de segurar o riso. Enquanto os outros infernizavam Gaara, o loiro se aproximou de Hinata, tomando a cerveja de suas mãos e bebendo um gole generoso. 

– Ei, é minha! – ralhou, fingindo estar brava.

– Deixe disso, sabe que duas garrafas já é o suficiente para deixar você rindo atoa. – implicou, olhando a confusão que formava-se em sua frente, com as garotas morrendo de rir e importunando o pobre Sabaku com as piadas, era melhor ter ficado quieto.

– Até parece, eu facilmente ganho de você em uma disputa alcoólica. – pegou o recipiente de vidro de volta, dando de ombros.

– Gostou da música? – as safiras reluziam em expectativa pela resposta.

– Eu gostei bastante, como sempre. – queria perguntar mais sobre, mas tinha medo do que ouviria, então apenas limitou-se em poucas palavras. Para disfarçar a confusão que sentia por dentro, um sorriso amável brotou em seu rosto, e qualquer estranheza que estivesse vindo da parte dela foi imperceptível para ele.

O ensaio seguiu com mais vinte músicas. Estavam entusiasmados pelo tempo que ficaram sem tocar juntos, e não viam a hora de se apresentarem. Naruto e Sasuke duetaram uma vez e fizeram uma versão acústica. Shimakaru mandou um solo com o baixo e Gaara estourava com as baquetas nas mãos, quase como se pudessem flutuar, o coração palpitava em pura adrenalina. Já havia anoitecido quando tocaram a última.

Itachi estava encostado no batente da porta observando os adolescentes que vibravam alegria e energia. Havia chegado da faculdade há poucos minutos, achava-os realmente bons, com um pontecial incrível, mais que a banda que tinha até. Estava feliz pelo irmão viver aquilo.

– Impressionante! – comentou no fim da performance, a atenção voltou para si.

– Ita! – Sakura correu abraçando-o.

– E aí, baixinha. – bagunçou os fios róseos, tinha a Haruno como uma irmã mais nova, e amava a presença dela ali.

– Senta aqui, Itachi. – Naruto chamou empolgado. O Uchiha primogênito convivia com ele há anos, lembrava-se dele na barriga da mãe, sentia-se extremamente velho quando pensava nisso.

– Vim falar com vocês sobre a ideia que tive. Como meu irmão é um chato de primeira, sei que ele nem comentaria sobre. – disse pegando um refrigerante do frigobar.

– Itachi, nem comece! – Sasuke fechou a cara, ficando carrancudo. 

– O aniversário do meu irmãozinho tolo é no sábado. Por mais que todos os anos ele tente fazer com que passe em branco, todos sabemos a data, o que é ridículo. 18 anos e eu acho digno uma festa. Poderia ser a primeira apresentação da Kurama este ano, jogaremos o vídeo na internet, a Akatsuki também irá tocar, um presente meu. Já comentei com mamãe e papai, e eles estarão fora por uma viagem de negócios, o que é perfeito, só pediram para que eu tomasse conta de vocês, rebeldes sem causa. – brincou, contorcendo o rosto em uma careta.

– Vai ser demais! – Gaara balançou as mãos para cima, amava uma festa e uma bagunça.

– Pode esquecer. – o Uchiha mais novo protestou.

– De jeito nenhum! – Tenten retrucou animada, e Neji massageou as têmporas, sabendo que teria que ficar de olho em uma certa morena de olhos castanhos.

– Chamaremos os alunos da escola, os vídeos terão visibilidade na certa, sem contar que irão comentar entre outras pessoas que conhecem. Tambem levarei minha galera antiga, os que acompanhavam a Akatsuki, alguns amigos da faculdade, vão ver o legado que passei pro meu irmão. – gabou-se e Sasuke revirou os olhos.

– Está decidido, teme. – a imaginação de Naruto vagava longe, um comichão atingindo seu corpo pela ansiedade. Algumas pessoas da escola já haviam assistido eles no pub, e conheciam o canal no YouTube, mas não eram todos.

– Agora temos uma semana para colocar isso de pé. – Itachi mencionou apreensivo.

– Pode deixar com a gente, baby. A decoração vai ser babado! – Ino jogou os cabelos para trás, puxando Temari e as outras três. A loira de olhos verdes bufou, prevendo o tempo que passariam no shopping e fazendo compras. 

– E problemático. – Shimakaru completou.

A noite continuou com todos sentados no chão em uma roda comendo pizza. Risadas e conversas paralelas tomaram conta do ambiente fazendo-os perder a noção do tempo. Naruto atacou o bolo de chocolate e até levou um pedaço para casa. Já era nove horas quando despediram-se e foram embora.

O Uzumaki estacionou o carro em frente a casa lilás. Ficaram alguns minutos em silêncio olhando a rua vazia. A boa iluminação dos postes não permetia causar medo, e sim uma calmaria sem igual depois de um dia agitado.

– Está entregue. Hoje foi demais, tomara que no sábado possamos ir bem. – quebrou a quietude olhando a figura parada ao seu lado.

– Será inesquecível. – respondeu, reconfortando-o. Era sempre assim, ela estava sempre torcendo por ele, acreditando até quando ele duvidava de si próprio. Não conseguia explicar o quanto era grato por tê-la, jamais imaginaria ter uma melhor amiga.

– Pois então durma bem, mocinha. – apertou o nariz fino e rebitado, ela devolveu beliscando-o. Uma pequena briga começou onde Naruto apertava as bochechas e a Hyuuga devolvia dando leves tapinhas em suas costas. O empurrou, e sem querer o cotovelo bateu na buzina, que despertou todos os cachorros da vizinhança, começando a latir em coro. O Uzumaki gargalhou e a morena logo riu junto, correndo depressa para fora do carro antes que alguém aparecesse reclamando. Parou na entrada a tempo de vê-lo da ré, e acertar de novo a lixeira.

– Uzumaki Naruto! – Kushina gritou lá de dentro, as luzes do andar de cima foram acesas. Visualizou a cara de espanto do loiro e riu mais uma vez. Vivia sem ele, não era como nos filmes, e sabia disso, mas não queria nem por um momento que ele estivesse fora da sua vida.


















Notas Finais


E aí, seus lindos!
Só p deixar claro que a música não é de minha autoria. É stay, da Rihanna. Segue o link: https://youtu.be/JF8BRvqGCNs
Desculpem a demora para postar, mas estou escrevendo os capítulos de outras fics e esse lance de EAD tá puxado.
Comentem aí o que acharam.


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