História A Última Raéstre - Capítulo 2


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Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Harem, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Destino Quebrado - Parte 1


Fanfic / Fanfiction A Última Raéstre - Capítulo 2 - Destino Quebrado - Parte 1

São Paulo - Brasil. 14 anos mais tarde.

Flashback On

Como de costume, Guiara encontrava-se sentada em um dos bancos do grande pátio, onde crianças brincavam e conversavam entre si. Os incomuns olhos turquesas da menina se perdiam por sobre a folha de caderno, onde traçava um desenho. Parecia que nada poderia a distrair, porém, um vulto com mistura de branco e rosa, deu um passo em sua direção. Guiara levantou seus olhos para observar sua inspiração, e deparou-se com algo indesejado.

A garota em sua frente, de braços cruzados e ar superior, logo abriu a boca.

__O que está fazendo? __Guiara permaneceu em silêncio. Não era primeira vez que era abordada desse modo, e esse era um dos motivos de preferir ficar distante dos outros. Impaciente, a garota tomou seu caderno, sem cerimonia, e ao vê-lo, ficou com uma expressão de repulsa. As duas amigas que a acompanhavam, fizeram o mesmo. __Que coisa é essa? __Guiara já esperava que fizesse essa pergunta.

__Um dragão. __Falou baixo.

__Dragões são demônios. __Outra menina comentou desdenhosa.  __Você devia rezar, pra se salvar. __Ela devolveu o caderno.

As meninas se afastaram entre cochichos e olhadelas. Guiara observou seu desenho e virou-se para o lado, olhando o animal que havia desenhado. Ele estava escondido entre alguns arbustos, enquanto comia as folhas desses, com seu focinho de tartaruga, porém, as pessoas passavam por ele, e pareciam não o enxergar.

__Não ligarei pro que dizem. __Falou ao animal, que a observou surpreso, levantando as finas orelhas de equino. __Sei que você não é maldoso. __Olhou para o desenho. __Eles julgam ser ruim tudo o que não conhecem, as pessoas são estranhas.

Flashback Off

Guiara acordou ao escutar o despertador, e se sentou sobre a cama, desligando o aparelho que estava no criado-mudo ao lado. Suspirou, com o coração acelerado por conta do pequeno susto, e observou o quarto médio que ainda estava mergulhado em sombras, por conta das pesadas cortinas azuis.

Ela se espreguiçou, e levantou, ciente de que devia se arrumar logo. Após trajar o uniforme escolar, e pegar sua mochila, desceu a escadaria, entrando na cozinha, onde se encontrava um homem de cacheados cabelos pretos, do qual os olhos azuis se destacavam em meio sua pele pálida. Estava vestido com um terno azul-escuro, e um avental branco sobre este, enquanto preparava o café da manhã.

Sentada à mesa, havia uma senhora com cabelo brancos presos em um coque, trajada com um vestido florido e chale rosa.

_Bom dia, querida. _Ele disse ao escutar os passos dela se aproximarem.

_Bom dia. _Guiara puxou uma cadeira, onde acomodou-se em seguida.

_Bom dia, Gigi. _A senhora cumprimentou sorridente. _Poderia me trazer algumas rosas brancas quando estiver voltando da escola? Gostaria de colocar algumas no jardim.

_Claro, sra. Izabel. _Névuyli a serviu panquecas e suco.

_Querida. _Seu pai chamou-a a atenção. _O que acha de treinar depois da escola?

_Está bem. _Respondeu com um sorriso.

Seguindo sua rotina matinal, Guiara foi direto para a escola de ensino médio, onde tentou não cruzar olhares com os outros estudantes, pois sabia que eles a julgavam mal desde o inicio das aulas. Mas também sabia que haviam pessoas que a olhavam diferente, e essas eram alguns poucos professores e um aluno do terceiro ano, por quem ela tinha uma paixão secreta. Ele se chamava Ajima, e não se importava de protege-la dos colegas maldosos. Entretanto, não insistia em ajudar.

Guiara dirigiu-se para a cantina, pegando um lanche, e encostou em uma parede, enquanto a maioria dos alunos ocupavam o pátio de porte médio.

_Menina. _Uma garota de cacheados cabelos castanhos, e delineador, se aproximou. _Sabia que todos acham você estranha? _Guiara desviou o olhar. _Por que será?

_Não quero problemas. _Tentou se afastar, mas seu caminho foi bloqueado pela garota.

_Como vão seus monstros? _Sorriu provocante. Devo dizer que Guiara tinha um dom nato para desenho, e gostava de registrar as criaturas estranhas que enxergava de vez em quando. Muitas vezes, seus colegas perguntaram a ela, o que eram as criaturas que desenhava, ao não saber o que responder, disse que apenas os via, e assim seus colegas afirmaram erroneamente de que se tratar de monstros. _Se eu tivesse seu dom, já teria mandado eles atacarem certas pessoas. _O sinal soou.

_Não tenho monstros. _Guiara desviou e seguiu seu caminho até sua sala de aula.

O professor de história falava com a classe sobre as antigas civilizações. Enquanto escutava sobre guerras sem motivos justificáveis, Guiara se distraía com a natureza, sentia certa admiração por ela, porque ao observá-la, sentia algo semelhante ao que acreditava ser o amor. Pelo menos, como já ouviu algumas pessoas afirmarem ser, porque parecia que o tempo parava ao seu redor, e não conseguia ver mais nada, além de seus devaneios.

Começou a refletir em como todos a enxergavam na escola. Se sentia culpada por não saber como deveria agir com seus colegas, por ser diferente e não ter amizades. Pensava em Ajima, e em como sua existência era insignificante para todos ali. Chegava a imaginar que até mesmo seu pai, estaria bem se não tivesse de cuidar dela.

_Será que um dia terei coragem para enfrentar meus medos? Um dia serei forte o suficiente para arcar com as consequências da minha coragem?

Sempre que ficava perdida em pensamentos, essas questões lhe vinham perturbar a mente.

Guiara despertou de seus devaneios, quando viu algo branco se movimentar entre as árvores, e prestou atenção no gato branco de calda longa, pulando de um galho ao outro. Ele a fitou por uma fração de segundos e seguiu seu caminho, desaparecendo de sua vista, ao se esconder nas copas verdes das árvores. Quando ela se deu conta de si, virou a página de seu caderno, e desenhou à caneta, o felino misterioso. De repente o sinal soou pela escola, e ela deu um sobressalto da cadeira, arrancando algumas risadas dos colegas.

_Que estranha. _Alguém comentou.

Todos se retiraram da sala, entre conversas cotidianas, e Guiara seguiu seu caminho pela mesma estrada de todos os dias, tão nostálgica que nem percebia nos detalhes desse cenário. Entretanto, logo notou a presença de algo, foi difícil ignorar a aura que se manifestou atrás dela.  Virou o rosto para saber se conseguiria enxergar o que parecia estar a seguindo.

Um grande canídeo andava sorrateiro enquanto fitava a imagem dela, que tinha um pouco mais de um metro e cinquenta de altura, porém, ela não tinha certeza se era o alvo dele, e preferia não ter.

Assim que dobrou à esquina, correu por entre os pedestres, buscando sair do campo de visão do animal de dois metros. Infelizmente o cão de orelhas caídas e coloração dourada, a perseguiu causando um terremoto temporário por onde passava. Guiara já não estava olhando para trás, tinha de fulgir ou então... não, não desejava isso, mesmo que sua existência fosse insignificante.

Alcançou a última rua de seu mapa mental, e sentiu o hálito quente de carniça bater contra suas costas. Não lembrava de ter sentido tanto medo de um deles. Estava em pânico, restando apenas a esperança de alcançar a casa antes de ser abocanhada. Apesar de saber luta e auto-defesa, nada tinha a preparado para tal situação.

Um grande vulto branco passou por ela, em direção contrária a sua, e saltou sobre o cão que rugiu de repente. O som a fez virar-se involuntariamente, observando o monstro chacoalhar a cabeça e depois encarar um alado leopardo albino com um único chifre.

_Prisão de Cyen! _Uma voz masculina soou do felino, despertando várias lâminas de luz que dispararam de seu corpo, subindo em direção ao céu, e em instantes, caíram cravando no asfalto ao redor do canídeo. Elas conectaram-se e criaram uma gaiola energética.

O leopardo olhou para ela, que paralisou ao sentir a aura que ele emanava.

_Você... _Guiara balbuciou um pouco incrédula com a situação.

Ele correu rapidamente para longe, e ela se viu sem escolha, tinha de voltar para casa. Aquela aura muito familiar.

Puxou o molho de chaves que estava na bolsinha lateral de sua mochila, e abriu a porta.

_Pai?! _Falou alto, estranhando o silêncio da casa.

_Ele saiu. _Izabel disse vindo do cômodo ao lado.

_Entendo.

_Trouxe as rosas brancas?

_Acabei me esquecendo. _Lembrou-se com pesar. _Posso buscar agora.

_Mas você acabou de chegar, almoce primeiro.

_Certo.

Durante a refeição, o marido de Izabel apareceu para as acompanhar, tinha estado ocupado ajudando alguns velhos colegas. O casal era harmonioso, o que demostrava bem sua estabilidade.

Ao final do almoço, Guiara estava prestes a sair, quando seu pai chegou, com uma muda de rosa branca.

_Oi. _Sorriu amistoso. _Está indo à algum lugar?

_Ia buscar isso. _Fitou a rosa, um pouco surpresa.

Caminhou até a cozinha, onde Izabel se encontrava preenchendo uma revistinha de Palavras-Cruzadas.

_Aqui está. _A estendeu a flor, e a senhora abriu um sorriso surpreso.

_Obrigada, Névy. _Pegou-a.

_Disponha. _Sorriu.

_Irei plantá-la agora mesmo. _Izabel se levantou, e Guiara se aproximou dele.

_Como sabia que eu me esqueceria? _O fitou.

_Não sabia, por isso trouxe apenas uma. Já almoçou? _Ela acenou positivamente com a cabeça. _Podemos treinar?

_Sim. _Ela tomou a fronte, seguindo para o quintal dos fundos.

Estava acostumada a praticar Artes Marciais com seu responsável, apesar de nunca ter tido coragem de aplicar tais ensinamentos em outra pessoa. Em alguns momentos enquanto treinavam, Guiara notava que seu pai se distraia com seus próprios devaneios, e se tornava muito sério.

_No que está pensando, pai? _Despertou ele, que mostrou um sorriso amigável.

_Em quanto você se tornou forte.

_Realmente?

_Realmente. _Tocou a cabeça dela, espalhando seus lisos cabelos pretos.

_O jantar está à mesa! _Izabel avisou da porta.

_Estamos indo! _Névuily respondeu. _Vamos?

Durante a refeição, Guiara retomou aquelas questões antigas em relação ao seu pai. Às vezes sentia que as suas frases não eram completas, sempre faltava um pedacinho do quebra-cabeça.

Ao fim do jantar, enquanto Névuyli voltava para seu quarto, ela o seguiu.

_O que houve? _Ele perguntou sem ao menos se virar para ela.

_Queria saber... _Repensou se tentaria.

_O que, querida? _Virou-se para Guiara.

_Quem é minha mãe? _Névuyli ficou mudo por alguns instantes.

_Já falamos sobre isso.

_Mas nunca me falou como ela era, ou como se chamava. _O encarou, e ele sorriu.

_Você se parece tanto com ela...

_Me diga a verdade, por favor. _Seus olhos marejaram. _Eu preciso saber. _Abaixou a cabeça, afim de esconder as lágrimas que começaram a escorrer por sua face pálida.

_Guiara. _Ele a envolveu em um abraço. _Isso é algo do qual não posso te contar.

_Por quê?

_Simplesmente não posso.

_Passou tanto tempo que acabou se esquecendo dela? _Ela se afastou, o obrigando a soltá-la.

_Claro que não esqueci, querida. Mas não posso falar sobre isso por enquanto.

_Já se passou quatorze anos. _Ela cochichou.

_Eu sei, mas você não está pronta.

_Então, me diga pelo menos se ela está viva. _Silêncio.

_Me perdoe.

_Não... não mais. _Ela se afastou, seguindo para seu próprio quarto onde entrou, batendo a porta em seguida. _O que foi que eu disse? _Deixou-se arrastar as costas contra a porta, enquanto deslizava de encontrou ao chão, e encolheu-se, tentando conter seu pranto. _Por quê? _”Você encontrará seu verdadeiro destino.” Ela recordou das palavras que Névuyli sempre repedia, quando ela ficava triste ou magoada. _Qual é o meu verdadeiro destino?

Reino de Gardery

Em meio uma superfície coberta por lava fria, havia uma grande cadeia de montanhas negras, cheias de túneis, de onde dava-se para escutar horripilantes rugidos.

Na torre mais próxima das nuvens que permaneciam sobre aquela terra, era onde morava a princesa daquele reino. Ela estava em seu trono de ossos animalescos, trajava um vestido preto com laços de cor carmim, quando um rapaz de negros cabelos listrados de vermelhas, e olhos prateados, caminhou apressadamente até ela, e colocou-se de joelhos.

__Mestra Trévide, eles irão partir hoje.

__Tem certeza, Esrawgody? __Passou a delicada mão pálida por sobre os cabelos brancos, fortemente arroxeados em metade de sua extensão, enquanto o observava com seus belos olhos vermelhos.

__Sim, eu pude vê-los fazendo os preparativos para o ritual de abertura do portal.

__Muito bem. __Ela sorriu ao virar-se para um monstro que se encontrava ao lado do trono. Um touro metade urubu de pelagem negra, aproximou-se abaixando a cabeça, e a garota lhe tocou o pescoço, ameaçadoramente.

__Vá para Difuin, entre no portal antes deles e mate o raéstre. Se não for capaz de fazer isso, nem precisa voltar. __Seu olhar vermelho iluminado o penetrou o subconsciente e a criatura logo voou para fora de seu reino de origem.



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