História A Última Raéstre - Capítulo 3


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, Harem, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Destino Quebrado - Parte 2


No dia que se seguiu, parecia que nada havia ocorrido, e Guiara foi à escola como o de costume.

O tempo havia fechado nas últimas aulas do dia, a sala se revoltou soltando reclamações e comentários negativos. Guiara não conseguia entende-los, eles estão sempre falando mal da natureza que os sustenta, isso era tão ingrato, mas ela se acostumou a ignorar o que saía das bocas de seus colegas, ou era no que acreditava.

Ela se retirou após todos os alunos de sua classe saíram correndo para chegarem em suas casas antes da precipitação. Guiara caminhou sem pressa, de cabeça baixa, enquanto pensava sobre o dia anterior.

__Por que ele sempre foge das minhas pergunta? Parece que não entende, que isso dói tanto em mim quanto nele.

Um trovão soou, e ela ergueu a cabeça, buscando algo no céu coberto por nuvens azuis acinzentadas. Acelerou o ritmo em que andava, gostava da ideia de tomar banho de chuva, porém, tinha medo de raios.

Estranhamente, surgiu uma bolha preta entre as nuvens, e ela, ao reparar, parou assustada. Mas antes que pudesse pensar em teorias, um pássaro gigantesco atravessou a esfera preta, voando pelos céus e espalhando um rugido horroroso.

Ele desapareceu por entre as nuvens, e reapareceu mergulhando no ar. Guiara apenas se deu conta de que a criatura estava muito próxima, quando já abriu suas asas para pousar sobre ela, que correu, tentando fazer com que seu desespero não travasse seus movimentos.

__Por que entre milhares de pessoas no mundo, eu não podia ser normal?! Será que minha mãe conseguia ver essas criaturas? O que ela faria se estivesse nessa situação?

Outro trovão brandou, algo atingiu o chão detrás dela, e pessoas ao redor, gritaram com o susto.

Guiara continuou correndo, mas quando escutou uma voz estranha, olhou para trás.

__Prokarion! __Um rapaz moreno de trajes orientais estava entre ela e o pássaro preto, erguendo uma katana prateada, e o monstro avançou erguendo as patas frontais para ataca-lo.

__Cuidado! __Ela gritou para ele, antes de fechar os olhos. Um baque foi ouvido, e Guiara não pode evitar imaginar que o pior tivesse acontecido.

__Ei, garota! __Abriu os olhos, vendo o rapaz a encarar com olhos azuis, e percebeu que no topo da cabeça deste, haviam orelhas de lobo. As patas da ave, haviam pousado sobre uma esfera energética azul, quase transparente, do qual envolveu o garoto e ela. __Rô. __Ele a encarou mais desafiante. O monstro deu mais uma patada na esfera, rachando-a. Guiara deu um passo para trás, com o coração disparado e o garoto arfou. __Entendi. __Continuou a observando, e a criatura, com mais um ataque, quebrou a esfera. __On nojento! __Ele saltou sobre o pássaro, segurando a espada, com a qual desferiu um golpe, cortando a ave do ombro esquerdo até o peito. Entretanto, o animal recuou de imediato diante da dor. O rapaz desfez sua arma, e voltou-se para ela. __O quê? __Ele cruzou os braços e ergueu o queixo. __Vai continuar me olhando estranho? __Se mostrou rude, e ela continuou correndo. __Ei! Volte aqui!

A ave pousou à frente dela que ao sentir a respiração do animal, paralisou. O garoto passou por ela correndo, e cravou a katana no peito do pássaro, congelando-o por completo, de dentro para fora.

__Rayon! __Ele apontou para o monstro com a espada, disparando um raio através desta, que fez a ave rachar em pedaços.

Guiara ficou abismada com a cena, do corpo sendo estraçalhado em sua frente, e o causador disso agora estava andando calmamente em sua direção.

__Garota. __Chamou atenção. __Venha comigo. __A encarou, e ela correu dele, o mais rápida que podia. Se um daqueles seres já é perigoso, imagina alguém que os mata sem sofrer um arranhão.

Poucos metros à frente, se deparou com uma garota loura, vestida da mesma forma que seu perseguidor, porém, suas orelhas eram de leoa.

__Ã? __Ela olhou para Guiara com grandes olhos verdes. __Casuki, o que está fazendo?

__O que você está fazendo!? Não a deixe fulgir! __O garoto lupino gritou. Guiara desviou da loura, seguindo caminho antes do garoto lobo a segurar forte pelo braço. __Radi, venha com a gente. __O olhar de súplica dela não afetou a expressão rígida dele.

Os olhos da garota loura brilharam, um sorriso tomou seus lábios em um instante, e se ajoelhou em frente à Guiara.

_Nayret, é uma honra finalmente estar em sua presença, juro com meu corpo e alma, te proteger até o fim de minha vida. _Ela ficou sem reação.

_Pare de brincadeira, Escou! _Casuki gritou irritado. _Nossa missão ainda não acabou, idiota!

_Casuki, atrás de vo...

O lobo olhou para trás, vendo algo brilhante vir rapidamente em sua direção, e soltou Guiara, antes de ser atingido, tendo seus braços amarrados ao corpo por cordas de luz.

_Mas que droga é essa?! Um selamento?

Todos observaram o leopardo albino, que se aproximou encarando os garotos.

_Você de novo. _Guiara balbuciou.

_Quem são vocês? _A voz soou do felino, e Escou sorriu amigável, ao colocar as mãos sobre os ombros dela.

_Somos os kylris da raéstre, e você?

_Escou! _Casuki berrou. _Pare de falar com estranhos e tire essa coisa de mim! Você não vê que ele é um inimigo?!

_Meu nome é Névuyli. _O leopardo interrompeu. _Sou o protetor dela.

_Névuyli? _Guiara ficou atônita. _Impossível.

_Guardião da Trévide. _Casuki o encarou, fechou os olhos antes de seu corpo se iluminar por completo, mudando sua forma física e quebrando o selo. Agora se assemelhava à um lobo alado, com elementos de servo e crinas longas, completamente preto. _Temos que voltar antes que o portal se feche. _Observou Escou.

_Certo. _Escou segurou Guiara no colo, revelou suas asas douradas, e levantou voo, alcançando a esfera negra que se encontrava em meio ao céu nublado, sendo seguido pelo leopardo albino.

Guiara não teve tempo de reagir, assim que entraram na esfera, tudo ao redor havia sumido, sobrando apenas a escuridão, e quando se deu conta, estavam voando em um céu esverdeado. Sua surpresa foi tanta que por um minuto se esqueceu do que acabou de acontecer, para encantar-se com uma paisagem totalmente exótica. O oceano que ocupava a maior parte daquele mundo, era um misto de mares coloridos, enquanto em terra firme, uma pangeia era dividida por características climáticas distintas.

Eles estavam sobre uma floresta, onde se encontrava um castelo branco, com imensas janelas, e guardas vigiando seus arredores. Todos pousaram em uma das torres, onde havia um homem jovem de longos cabelos brancos, olhos lilases e traços de felino. Este estava na beirada de um pentagrama bem elaborado, que brilhava em azul.

_Há quanto tempo. _O leopardo reconheceu o homem.

_Realmente. Vejo que fez bem em cuidar dela. _Ele desviou sua atenção para observar Guiara. _Seja bem-vinda, nayret. _Cumprimentou com uma breve reverência, e ela não soube como corresponder.

_Quem é você? _Mostrou-se perdida enquanto se afastava de Escou.

_Me chame de Itã, sou o atual responsável pelo reino de Difuin. _Ela permaneceu confusa. _Podemos entram para conversar melhor. _Ele passou por uma porta de madeira, e o restante o acompanhou.

O interior da moradia exibia luxuosos móveis que pareciam ter vindo do século XIX, haviam muitos enfeites dourados, e um castiçal que se encontrava no centro do teto, mas, o salão já estava bem iluminado pela luz solar que as grandes janelas nas paredes brancas ofereciam.

Itã se acomodou em um dos três sofás que rodeavam uma mesinha de centro de vidro, em uma sala extensa.

_Fique à vontade. _Itã se serviu com um bule de chá, que enfeitava a mesinha. Guiara se sentou em outro sofá,

_Pode dizer o que está acontecendo? _Guiara o fitou preocupada.

_Há quase quinze anos, você nasceu em meio a uma guerra, sendo a única raéstre e herdeira de Difuin, infelizmente não vimos um modo de deixá-la à salvo aqui, e por conta disso, Névuyli a levou para uma dimensão segura.

_Não entendo, estão me confundindo com outra pessoa. Não sou daqui, e meu pai não é um de vocês.

_Acredite nele, Guiara. _O leopardo branco deu um passo à frente, tomando a forma humana, com suas vestimentas casuais. _Não contei nada a você para que tivesse uma vida normal.

_Pai? _Ficou sem reação, e ele se aproximou, sentando ao seu lado. _Por quê?

_Foi necessário.

_Foi uma mentira. _Ela abaixou o olhar.

_Não foi mentira, tudo o que passamos aconteceu. _Ergueu o queixo dela suavemente com o indicador. _Mesmo não sendo seu pai biológico, criei você desdo dia que nasceu, e não me arrependo nem um pouco, te protegerei com minha vida se preciso. _Guiara o abraçou forte em aceitação.

_Posso continuar? _Itã os observou.

_Sim. _Ela disse após soltá-lo.

_Raéstres são conhecidos como “equilibradores”, do qual têm um coração puro, e poderes inigualáveis. _Itã prosseguiu. _Ainda estamos em guerra, e precisamos da sua ajuda para derrotar a rainha de Gardary. _Ela o fitou assustada.

_Eu não posso fazer isso. _Olhou para seu pai.

_Não tenha medo, querida. _Tentou acalmá-la. _Estaremos ao seu lado. _Tocou sua mão, e Casuki fez careta.

_O que eu deveria fazer? _Pareceu agoniada.

_Não se preocupe. _Itã chamou sua atenção. _Serei seu tutor, e te guiarei até que esteja pronta para guerrear. _Ela ficou em silêncio. _Peço para que nos ajude, e se desejar, quando tudo tiver terminado a levarei devolta ao mundo humano. _Seus olhos demonstraram interesse na proposta, e acenou positivamente com a cabeça. _Devo apresentar seus kylris. Esses são Escou e Casuki, são seres guardiões que nasceram com o único propósito de te proteger. _Ela observou Escou sorrir enquanto Casuki a encarava de braços cruzados.

_Itã. _Névuyli chamou sua atenção. _Talvez fosse melhor deixá-la descansar um pouco, é muito para absorver de uma vez só.

_Compreendo. _Olhou-a. _Deixarei que organizem seus pensamentos. _Levantou-se. _Fiquem à vontade para explorar o castelo.

_Obrigado.

_Qualquer coisa estarei em meus aposentos. _Fez uma pequena reverencia antes de se retirar.

_Que tal darmos uma volta? _Névuyli observou-a.

_Está bem. _A pegou pela mão, a conduzindo pelos corredores, enquanto fitavam o reino através das grandes janelas. _Pai, que lugar é esse?

_É uma dimensão paralela à dimensão dos humanos. _Disse em ar nostálgico. _Ela se chama Dakinem, e nosso planeta é Seygni. _Ela lembrou de já ter escutado tais nomes, das histórias que Névuyli a contava quando pequena.

_Conte mais.

_Em Seygni existe apenas um hiper-continente, que há tempos foi dividido em 13 reinos. Cada reino tem fortes traços geográficos e climáticos. Já que por aqui não existe mudança de estação, você consegue se localizar facilmente por essas características.

_Por quê?

_Posso usar o reino Chynlz como exemplo, é um território onde é comum haver chuvas, por conta disso se tornou um pântano. Já em Otyvan, é raro ter chuvas, e acabou por se tornar um imenso deserto. Essas características extremas tornam as fronteiras de cada reino algo perceptível.

_Em qual reino você morava? _O fitou curiosa, e este fez silêncio por um momento.

_Gardery. _Guiara não conseguiu esconder a surpresa. _É um reino que foi isolado pelos deuses, por seus reinantes terem feito coisas terríveis.

_Você sabe o motivo dessa guerra?

_Sinceramente, não tenho certeza.

_Então, todo esse tempo, aqueles seres que eu via...

_Pertencem à esse mundo. Mas alguns acabam se perdendo em dimensões diferentes por conta dos portais naturais.

_E o que acontece com eles?

_Se adaptam à uma nova vida, ou não, e se extinguem.

_Você correu esse risco já sabendo disso. _O olhou preocupada, e ele sorriu amigável.

_Itã pode não ter deixado claro, porém, você é a única que pode tirar esse mundo do caminho da destruição.

_Isso é muito pesado pra mim. _Abaixou o olhar, e sentiu a mão dele pousar em seu ombro.

_Podemos dividir esse peso. _Ela sorriu.

 

Enquanto isso, Itã se encontrava em um quarto escuro, olhando o reino através de uma janela.

_Não esperava que ela fosse tão insegura. _Falou ainda olhando para o horizonte.

_Como esperava que fosse diferente? _Uma voz soou dentro do quarto. _Ela está confusa com tudo o que está acontecendo, é questão de tempo, logo ela irá ver que este é o seu lugar.

_Sim, eu sei. _Ele pegou um amuleto de cristal de seu bolso, vendo o seu reflexo fragmentado neste. _Tenho que fazer isso por ele.

 

Não demorou para que os recém-chegados fossem chamados pelos kylris para que se juntassem aos demais na sala de jantar, para a refeição da tarde.

_Espero que esteja melhor, nayret. _Itã quebrou o silêncio.

_Um pouco. _Mostrou um sorriso suave. _Você me apresentou os outros, mas não sei o que você é.

_Sou um servo da família Orlayem, e seu atual responsável.

_”Orlayem”?

_Sim, o nome que seus pais te deram, é Radi Orlayem.

_Conheceu meus pais? _Inclinou-se para frente, demonstrando interesse.

_Sim. Mas, infelizmente, ambos não estão mais vivos. _Guiara sentiu um aperto no coração, apesar daquelas palavras previsíveis, ainda tinha alguma esperança.

_Nunca vou poder conhece-los. _Pensou em voz alta.

_Não exatamente. _Itã interrompeu. _Existe um modo de conhece-los.

_Como?

_Descobrirá no momento certo.

_Assim que terminarmos. _Névuyli a chamou atenção. _Podemos treinar um pouco.

_Sim. _Se animou com a ideia de fazer algo familiar.

Ambos foram ao jardim, onde se estendia um campo coberto de pedras, dividindo a flora. Se cumprimentaram, e tomaram as posições iniciais, enquanto os kylris observavam curiosos. Artes marciais era como uma dança bem elaborada, e regrada. Mas a realidade não é feita de regras absolutas.

O jantar foi harmonioso, logo todos se prepararam para dormir, e Itã mostrou os quartos aos hospedes, deixando-os se acomodarem.

 

Após a noite ter dominado os céus de Seygne, Esrawgody aproximou-se das janelas do castelo de Difuin, chegando ao quarto onde se encontrava Guiara.

_Tchi, aquele inútil. _Ele sentiu uma aura conhecida, e queria estar errado quanto a presença dela. Abriu um sarlop, voltando para o reino de Gardery. _Mestra, o raéstre está no castelo de Difuin. _Declarou ao entrar na sala.

_Como?! _Soou semelhante a um grunhido. _Não esperava mais que isso. _Trévide sorriu. 

_Bem, já que ele conseguiu chegar aqui, vamos dar as boas-vindas.

_Não é só isso. _Esrawgody abaixou o olhar. _Parece que... Névuyli voltou. _Trévide ficou séria por um minuto.

_Traidores não são de meu interessam, Esrawgody.



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