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História A última refeição - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction A última refeição - Capítulo 1 - Capítulo Único

15 de Novembro

Gotterville, um nome bem estranho para uma cidade não é? Era pequena, um lugar sem vida, seu cenário era sépia. Aquele que pisara naquele território, se assustará com o que irá observar. Árvores secas e sem vida, céu escuro, ruas vazias e mansões gigantescas.

Castiel Venner era um homem ganancioso, nadava em dinheiro e fazia de tudo para conseguir cada vez mais, não se importando com quem terá que desafiar para conseguir seus objetivos. As mulheres da época dariam tudo para ter apenas uma noite de prazer com ele. Seus cabelos ruivos, olhos hipnotizantes cinzas e corpo bem definido, não deixavam a desejar. Castiel Venner era um sonho de consumo para todas. Castiel Venner era um pilantra. Essa parte de sua personalidade, ninguém percebia, exceto uma pequena garota que trabalhava para ele, cujo nome era Mary Bírcame.

Isso! Cheguei ao ponto que queria, Mary Bírcame! Era uma garota inocente, triste e maltratada pelo seu patrão. A única que sabia a capacidade daquele coração esmaecido. Poderia simplesmente arrumar sua pequena e velha mala e ir para longe daquele lugar. Seu pai. O problema era o seu pai. O velho estava doente, mal conseguia se levantar da cama onde se encontrava e ainda insistia em trabalhar. Apesar de estar cansada, não poderia aceitar isso e para ambos terem o que comer, tinha que fazer alguma coisa da vida, mesmo que tenha que suportar as maldades de um ser desprezível.

Já era noite, significa que teria que servir o jantar para Castiel Vennet e seu amigo Lysandre Housfter, outro homem de classe alta. A pequena garota montou a mesa, comidas deliciosas, pena que elas só faziam sua barriga roncar cada vez mais.

— Empregada nova? — Lysandre perguntava enquanto degustava a refeição.

— Contratei ela faz 3 meses, foi na época em que você estava viajando a negócios. — Bebeu um pouco de vinho.

— Nada mal, para uma simples empregada. — Lysandre comentava ao ver ela se aproximar para entregar mais uma garrafa de vinho.

— Mais alguma coisa? — Mary perguntava antes de sair e voltar para a cozinha.

— Que tal, você por uma noite? — Castiel perguntava descaradamente. A garota apenas ficou envergonhada, mas virou as costas e foi indo para o lugar da onde não teria saído, a cozinha.

— Fique mais um pouco! — Lysandre segurou em seu braço com violência, fazendo-a cair em seu colo. — Adoraria sua companhia nessa noite, me permite Castiel? — Lançou para ele um olhar malicioso.

— Toda sua! — Levantou a taça de vinho soltando uma gargalhada fraca.

— Isso não! — Gritou a garota e recebeu um tapa na cara do ruivo que levantou da mesa.

— Já disse que quem dá as ordens nessa casa sou eu! Pode levá-la para o quarto de hóspedes Lysandre, talvez ela tenha outras utilidades além de lavar e cozinhar! — Alterou o tom de voz.

Como previsto, ela saiu arrastada por Lysandre, subiram as escadas e andaram pelo aquele corredor extenso, cheio de portas. Havia um tapete vermelho e extenso, a cada passo que ela dava, era um arrepio.

— Chegamos! — Ele abriu uma porta, havia uma linda cama de casal de cor vinho, um armário de roupas vazio, um criado-mudo de madeira, outra porta que levava ao banheiro e uma janela tinha a vista daquela rua deserta.

— Eu preciso voltar a trabalhar! — Ela tentou abrir a porta mais foi impedida.

— Seu patrão lhe deu essa noite de folga! — Sorriu malicioso, aproveitando da distração da garota, trancou a porta e se direcionou até o banheiro, jogando a chave no vaso sanitário, dando descarga, fazendo a garota ter mais desespero.

O esperado aconteceu, teve a pior noite de sua vida. Fez algo que não queria fazer. Sentiu-se humilhada, naquele momento estava na cama, se cobrindo com um lençol, observando o homem se vestir.

— Talvez eu venha aqui outro dia, para repetirmos essa dose! — Foi em direção do criado-mudo e tirou uma chave reserva, abrindo a porta do quarto e a deixando sozinha. Não tem como explicar, a sensação que a pobre garota estava sentindo. De seu rosto descia lágrimas que pareciam desesperadas para sair, como se fosse uma cachoeira. Levantou-se, colocou suas roupas íntimas e por fim, seu uniforme.

Já era madrugada, percorreu aquele extenso corredor e chegou ao quarto das empregadas, onde mais outras estavam lá.

— Agora deu para fazer outros serviços? — Disse a mais velha.

— Cobrou quanto? — Disse a loira. Esses comentários eram como uma faca no peito, mas não podia demonstrar sua fraqueza, apenas deitou-se em sua pequena e humilde cama, chorando silenciosamente, como sentia falta de seu pai, se ele soubesse o que ela passava...

Dia seguinte, seus olhos estavam completamente inchados e a ainda não bastava a preocupação que lhe restava.

— Como posso saber se tenho chances de estar grávida? — Pensou. Nunca havia tido uma noite de amor, se bem que aquilo não foi uma noite de amor, e sim uma noite de traumas. Imagine se engravidasse? Como sua imagem ficaria manchada? Além de ser uma empregada teria um bebê para cuidar, isso não poderia acontecer. Estava na hora de preparar o café da manhã do patrão.

— Droga! — Limpava um pouco do café que havia derrubado no chão da cozinha.

— Ela ainda deve estar nas nuvens com a noite que teve. — Uma das empregadas comentou.

— Alguma de vocês podem servir o café do patrão? — Perguntou para uma das empregadas, não queria ter que encará-lo.

— Não estou afim, agora vai lá! — Disse a mais velha. Apenas ignorou e levou a bandeja até a mesa onde Castiel estava sentado. Seu olhar era de deboche, naquele momento queria desaparecer da face da Terra.

— Quando Lysandre estava prestes a ir embora, disse que você é boa no negócio. — Falou com ironia. A garota apenas virou de costas e ele insistiu em provocá-la. — Que tal isso se repetir novamente? Só que comigo. — Riu.

— Não! — Gritou a garota desesperada!

— Não grite comigo seu verme! — O ruivo levantou-se da mesa com fúria e lhe deu um tapa na cara. — Acho que não é o suficiente! — Continuou a distribuir socos e chutes ali mesmo.

Depois de horas, ainda dolorida das pancadas que teve, Mary teve que servir o jantar, ele estava com Debrah Foster, uma das garotas que se divertia.

— Oh, perdoe-me — A mulher dizia.

— Não entendi senh.. — Foi interrompida pelo barulho de pratos, talheres e algumas taças caindo no chão, Debrah derrubou tudo aquilo de propósito.

— Você é inacreditável amor. — Riu brindando com ela. — Mas, vamos melhorar a situação. — Trocou olhares com Debrah. — Mary! — Gritou o nome da garota, que veio correndo com uma vassoura, uma pá e um pano para limpar o chão.

— Sim, senhor? — Mary tentava se manter calma, mas era impossível. Daqueles dois não podia se esperar nada de bom.

— Retire os cacos do chão com a boca e coloque na pá. — Seu patrão disse.

— Mas assim.. — Deu uma pausa significativa. — Vou me cortar!

— Por isso mesmo, agora pare de fazer essa cara e faça o que se patrão mandou, ou quer ser demitida? — Debrah disse ironicamente. A garota, apenas se abaixou e fez o que eles pediram, tomava todo o cuidado do mundo para não se ferir, mas era impossível, seus lábios e um pouco de sua língua sangravam. Não podia chorar, isso seria uma vitória para eles. Mas, não conseguiu. Chorou.

— Ela está chorando! — Castiel riu. — Parece uma verdadeira cadela assim, de quatro no chão. — Debrah não esperou e soltou mais uma ofensa.

— Sabe de uma coisa? Eu conheço alguns políticos que adorariam contratar um de seus serviços, coitados, estão sem uma namoradinha faz tempo! — Mary entendeu o que ela quis dizer e ficou apavorada.

— Só não engravide, imagine como seria a cria dela? — Debrah caiu na gargalhada. — Você está muito tempo sem fazer nada, vá preparar o quarto de sempre, porque hoje eu e Debrah vamos usá-lo. — Ordenou o patrão.

Sentia-se apavorada, se Debrah sabia o que aconteceu entre ela e Lysandre, mais pessoas sabem também. Subiu as escadas, percorrendo aquele corredor extenso, avistando o quarto em que Castiel e Debrah, resolviam seus "negócios". Ainda com um pouco de sangue pingando de seus lábios, abriu a porta e arrumou a cama, limpou o banheiro, acendeu as velas e colocou uma garrafa de vinho no criado-mudo. Aproveitando-se disso, foi até o banheiro e se encarou no espelho.

— Estou totalmente destruída. — Pensou. — Virei um objeto de uso inapropriado. — Chorou. Ela era fraca. Mas, isso não ia continuar assim.

Desceu as escadas e isso significava, que o quarto já estava pronto. Debrah e Castiel começaram a se agarrar, não separavam-se um do outro até chegar no quarto, e ouvir o barulho da porta fechando. Era a hora perfeita! Retirou de seu avental um pote pequeno que tinha dentro um pózinho branco, era veneno. Preparou uma sobremesa, morango com chantilly, finalizando com o ingrediente especial. Saiu da cozinha com a bandeja determinada a completar sua pequena vingança. Subiu as escadas até chegar na porta do quarto. Debrah era escandalosa, sentiu nojo. Abriu a porta bruscamente.

— O que faz aqui? — Gritou Debrah.

— Está pedindo para apanhar! — Castiel cerrou os punhos ainda próximo de Debrah.

— Calma, só trouxe a sobremesa! — A garota deixou na cama e saiu correndo, enquanto os dois voltavam a se agarrar.

Esperou 1 hora, até que não ouvisse mais gemidos, estavam em silêncio. Abriu a porta e viu os dois corpos no chão, totalmente sem vida. Foi até o ruivo e beijou-lhe a bochecha.

— Pena que foi sua última refeição. — Sorriu.

A garota e seu pai, nunca mais foram vistos naquela cidade.



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