História A Última Sprinter na Terra - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Choque De Cultura, Julinho Da Van, Maurílio, Sprinterkombi
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Palavras 5.978
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Saga, Steampunk, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


- Você tava achando que não ia mais ter capítulo da fanfic? Achou errado, otário!
- Esse é um capítulo muito especial, Rogerinho.
- Lembrando só que a gente ficou esse tempo sem escrever porque Maurílio tava foragido das fanfics e realmente não podia aparecer.
- As fanfics são muito injustas, né Rogerinho.
- Tem que acabar as fanfics!
- Mas acabou, porra. Não acabou?
- Você não pode dizer que acabou se não leu, Julinho. É paradoxo que chama isso.
- Então vamos ler, na humildade?
- Solta a fic, Simone!

Capítulo 5 - A Estrada da Fúria


Fanfic / Fanfiction A Última Sprinter na Terra - Capítulo 5 - A Estrada da Fúria

Os dedos curtos e grossos de Rogerinho seguravam de forma firme a mão gelada de Renan. Suspirava, de cabeça baixa, enquanto o som dos aparelhos de ventilação artificial quebravam o silêncio do quarto. Já estava se acostumando a música do eletrônico – a maldita música – que se juntava aos bipes do marcador cardíaco e ao gotejar do soro intravenoso naquele quarto de hospital.

- Tio... – disse a voz de um rapaz vinda da porta – ...papai vai ficar bem.

- Rogerinho... – chamou Julinho, entrando com o filho de Renan no quarto. – Cê tem que descansar, cara. Vai pra casa. Toma um banho.

O piloto da sprinter azul e vermelha rapidamente puxou sua mão. Não era tão aberto quando seus colegas àquelas demonstrações de carinho em público. Seu rosto cansado e olhos inchados e com enormes olheiras, entretanto, não o deixavam mentir. Havia chorado em silêncio enquanto acompanhava Renan naquele momento difícil.

- Eu tô bem, porra. – respondeu Rogerinho, limpando os olhos com a costa da mão. Respirou fundo antes de se dirigir ao rapaz, que cada vez mais ficava parecido com Renan – Seu pai vai ficar bem também. Logo, logo ele acorda.

Renanzinho sentou-se na cama, ao lado do seu pai. O garoto já era um adolescente, quase do tamanho de Rogerinho. Costumavam brincar que ele agora iria parar de crescer para os lados e iria crescer pra cima. Porém, naquele momento, ainda era difícil trata-lo como se nada tivesse acontecido. Afinal, antes era apenas o filho de Renan, que muito havia sofrido com os (des)cuidados do pai. Agora, ele era o menino que sobreviveu à explosão que matou e deixou um monte de gente ferida em Brasília. Em tempos obscuros, muitos viriam a interpretar esse dom como algum sinal especial.

Julinho apoiou a mão no ombro de Rogerinho, confortando-o silenciosamente naquele momento difícil. Renan ainda não havia acordado, mesmo depois de mais de uma semana em coma. Pálido e frio, permanecia deitado em uma cama de hospital – que naqueles dias era um luxo que poucos podiam dispor – com uma faixa de gaze cobrindo seus olhos.

- Eles disseram que o estado de Renan é estável. – disse Rogerinho, com uma calma que não era característica sua. Cada palavra parecia pesada de falar, sufocando sua garganta. A impotência por não poder fazer nada para ajudar o machucava mais do que era capaz de suportar. – Mas teve uns ferimentos sérios nos olhos. Ele não vai voltar a enxergar...

- Cara... que merda...

Julinho não era a pessoa mais capacitada para confortar um amigo cabisbaixo. O que poderia fazer, além de oferecer os melhores médicos que seus privilégios de “primeiro damo” podiam conseguir? Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado do colega, esperando a ideia de uma frase reconfortante surgir na sua cabeça.

- Como está Maurílio? – perguntou Rogerinho, quebrando o silêncio que durou por alguns minutos.

- Renanzinho fez outra transfusão de sangue pra ele hoje, agora ele está dormindo. – respondeu Julinho, batendo com sua mão pesada na costa do rapaz, fazendo um som desconfortável que ecoou por todo o quarto. – Mas falaram que ele deve receber alta ainda essa semana.

- Bom. O povo precisa dele agora. – disse o piloto abatido, quase de forma automática.

- E nós precisamos de você, Rogerinho. – completou Julinho, trazendo para a mesa o assunto que estava guardando para si. – Nós precisamos encontrar quem fez isso com meu marido e o seu...Renan. Cerginho e o Craque Daniel estão aqui também, querem ajudar.

- Você não vai querer ficar do meu lado, Julinho. – disse Rogerinho, com uma voz que crescia em fúria a cada palavra, sentimento que estampava seus olhos vermelhos de raiva. De punhos cerrados, levantando seu tom de voz, podia ser escutado até do lado de fora do quarto.  – Porque quando eu encontrar o FILHA DA PUTA culpado por essa explosão... o que eu vou fazer... NENHUM GOVERNO ficará do meu lado!

***

- Como diabos você ainda consegue dirigir? – perguntou Julinho, enquanto o samurai mascarado adentrava o seu carro. Esticou um pouco sua cabeça para o lado e conseguiu observar o estado em que o Armet Gurkha Lapv, o veículo do outro piloto, se encontrava: lateral amassada, pintura arranhada e três fios de arame farpado no para-choque, cobertos de sangue e pedaços de carne.

- Você continua inocente, Julinho.respondeu o samurai, enquanto retirava sua máscara. Por trás de toda aquela armadura de metal, Renan continuava o mesmo. Exceto, talvez, pela faixa vermelha que cobria seus olhos, que desde aquela explosão haviam perdido sua luz. – Dá pra dirigir sem enxergar, se esqueceu? E existem outras formas de se ver a vida. E hoje eu vejo o nosso final.

- Pra nossa vida?perguntou Julinho, curioso com seu ex-colega de profissão. Engatava a primeira marcha no carro e notava que Renan segurava firmemente uma espada de samurai em sua bainha.  

- Com o que cê tá preocupado, ô Julinho? Nossa vida já terminou faz tempo. – respondeu o piloto cego, ainda falando com a língua presa. – Só o que resta é lutar pra proteger as pessoas que amamos. Por isso, corra!

Sem ter como contestar, Julinho apenas obedeceu a instrução do amigo, pisando fundo no acelerador quando o semáforo a sua frente piscou com uma forte luz verde. Riu consigo mesmo ao pensar que Rogerinho utilizava aquela lei de trânsito em seu jogo fatal. Sentiu o peso do Mitsubishi no volante, enquanto se emparelhava aos outros veículos na estrada. Todo aquele circo armado, onde a regra principal era chegar ao final com vida. Porra nenhuma, esse jogo é apenas para matá-los!

- Eu espero que você saiba o que estamos fazendo, meu irmão. – disse Julinho, indagando-se que talvez a ideia de matar Rogerinho pudesse não ser o que Renan desejasse. Botou a cabeça para o lado de fora, tentando enxergar seu caminho com mais clareza em meio à confusão que se armava na estrada. – Aquele ali num Dodge Charger é o Vin Diesel?

- Não, aquele é o Marcinho da transportadora, só que ele tá mais magro.respondeu Renan, enquanto ultrapassavam o veículo, que havia se chocado contra um bloco de concreto na estrada. – Maurílio me avisou qual era o plano de vocês.

- Então você tá sabendo mais do que eu. – comentou o piloto, ignorando o acidente do ex-colega de sindicato enquanto se lembrava do quanto estava distante de seu amado e pouco sabia do plano do Palestrinha para salvar esse mundo. – A gente tava separado. Ou estamos separados, não sei. Mas só agora que ele veio me incluir em seu plano. Seja lá qual for!

Os dois entraram em uma reta, onde várias arquibancadas haviam sido construídas para assistir espetáculos como aquele. Dezenas de carro passaram em alta velocidade, exibindo suas luzes de neon e ronco de motor. A plateia gritava e aplaudia, como se fosse apenas um espetáculo em seu dia-a-dia. Os habitantes da capital de um reino que se divertia com os esportes de vida ou morte. Onde foi que havia visto uma ideia assim?

- Você sabe, não é?perguntou Renan, enquanto continuava a olhar para a frente. Julinho sabia de muitas coisas, mas nunca era capaz de decifrar o que o colega queria dizer. A maioria das vezes sequer fazia sentido. Ainda assim, não deixava de atiçar sua curiosidade. – O motivo de Maurílio ter te deixado?

- Apesar dele nunca ter me contado, eu sei. – respondeu o piloto, puxando o freio de mão para desviar de um carro capotado com um cavalo de pau. – Sempre soube, mas esperava que ele tivesse coragem pra me contar. Que confiasse um pouco mais em mim... Ele acha que vai morrer de câncer e que eu ficaria melhor sem ele. Porra, não!

- Ouvi falar que a água de Cerginho pode curar qualquer doença! – disse Renan com certa propriedade. Conhecia o primo de Rogerinho e seu fascínio por água e outros líquidos e todo o sofrimento pelo qual passou na indústria do entretenimento esportivo. E, naquele cenário desesperador, estava aceitando qualquer crença que pudesse ajuda-los.

- O problema é que ele também sumiu, né? – respondeu Julinho, pressionando o volante ainda mais forte, conforme extravasava sua raiva e frustração. – Passei os últimos anos procurando por Cerginho e por qualquer outra forma de curar o que o Palestrinha tem. E mais uma vez eu falhei.

- O que eu quero saber, Julinho, é se Rogerinho pegou ele também. – disse Renan, levantando o dedo e gesticulando para também demonstrar sua raiva – Assim como ele aprisionou Renanzinho em seu castelo! E apesar dele me deixar vivo, nunca mais consegui chegar perto deles!

Antes que pudesse perceber, o carro foi atingido na traseira por um caminhão. Renan permaneceu imóvel, enquanto Julinho girava o volante com força para permanecer na estrada. Pelo retrovisor era possível ver parte do veículo que o agredia, um grande caminhão vermelho e preto, com espinhos no parachoque de metal.

O gran finale daquele espetáculo estava chegando. O caminhão se aproximava, acelerando mais do que o veículo de Julinho, enquanto dezenas de motoqueiros com máscara de caveira os cercavam pelos lados, atirando bombas explosivas em todos os carros que se aproximavam. O piloto respirou fundo, lembrando-se daqueles ciganos vacilões que atacaram no reino das Amazonas e o sequestraram até ali.

Renan deslizou sua mão pela bainha da espada, ciente de seu papel naquela missão. Julinho bufou de raiva, sem tirar o pé do acelerador, e lembrou-se do equipamento explosivo em seu peito. Aquela bomba instalada em todos os competidores podia evitar a sua fuga da corrida, mas iria impedir a batalha pela sua vida? Talvez não, considerando que tudo aquilo ainda era parte de um show televisionado.

O grande veículo emparelhou com o carro de Julinho pela direita, enquanto um motoqueiro surgiu do lado do motorista, apontando uma escopeta para o piloto. De dentro do caminhão, a voz de uma mulher que ambos conheciam muito bem os chamavam com risadas e escárnio, enquanto tentavam acelerar para escapar dela.

- A única coisa que corre na savana é comida. – gritou Simone, para ser ouvida por trás do barulho do caminhão. Citava uma das falas de Julinho no programa, retirada do Minutos de Sabedoria.

Uma flecha atingiu o capô do carro, penetrando cerca de 10 centímetros acima de suas cabeças. Outro projétil quebrou uma janela traseira e o último disparo Renan conseguiu proteger com a lâmina desembainhada de sua espada. Não fosse seu reflexo, a flecha teria atingido o motorista.

Julinho arregalou os olhos e não sabia porque o amigo estava sorrindo. Talvez por orgulho em demonstrar suas habilidades de artes marciais que de alguma forma havia adquirido. Talvez prevendo o que estava acontecendo na estrada, tanto a sua frente quanto o que surgia logo atrás. Talvez apenas por ser um idiota psicopata. Mas quem não era, afinal?

- Mas que diabos é... – balbuciou Julinho, observando o seu retrovisor sem entender o que se passava. Havia uma estranha luta entre os ciganos com máscara de caveira e alguns motociclistas com capacetes azul-bebê na forma de cabeça do Mickey.

- Esse é o meu exército, o que sobrou do sindicato. Minha parte nesse plano. – disse Renan, ouvindo o som das motocicletas pesadas passando por cima dos ciganos de Simone. Por todos os lados se via o brilho vermelho-púrpura das explosões. – Então solte os palhaços e deixa o leão fazer a festa.

Julinho sabia que precisava agir rápido se quisesse sobreviver. O que The Rock faria naquela situação? Sem pensar duas vezes, abriu a porta de supetão quando um dos inimigos acelerava ao seu lado. A motocicleta do cigano colidiu contra a porta, girando e lançando piloto e suas armas para todos os lados. Renan rapidamente segurou o volante e enfiou o cabo da espada no pedal do acelerador, assim que Julinho esticou seu corpo para o lado de fora. Agarrou a escopeta ainda no ar com uma mão e segurou uma daquelas esferas em forma de caveira com a outra.

Segurou-se com os cotovelos no teto do veículo e prendeu seu pé debaixo do banco do motorista para lhe dar mais estabilidade. Sabia que um erro de Renan e ele acabaria voando pelos ares, mas precisava confiar em seu parceiro de loucura. Enquanto o samurai mantinha o veículo estável, Julinho encarou Simone no caminhão.

- Todo mundo sabe que o que para um animal feroz é atirar fogo na cara dele. – disse Renan, do lado de dentro do carro, citando uma fala sua no programa.

Julinho deu um sorriso levado, enquanto a mulher apontava a besta na sua direção. Renan soltou o acelerador por alguns segundos, fazendo o veículo sair da direção dos disparos. O piloto da Sprinter, mantendo o equilíbrio o máximo que podia, arremessou o explosivo em forma de caveira, que rodopiou pelo ar e adentrou o interior do caminhão. E um BUM instantâneo ensurdecedor o fez se arrepender de não ter voltado logo para dentro do carro.

O piloto foi lançado para fora do seu veículo quando a bomba explodiu. Sentiu o ouvido zunir quando caiu no chão, a alguns metros de onde o caminhão de Simone era envolvido em chamas. Pela dor que sentia em sua costa, sabia que havia quebrado seu corpo na queda. Ouviu, quando seu ouvido lhe deu alguma trégua, longe dali, o som de carros freando e colisões no meio da estrada, indicando que o jogo ainda não havia acabado.

Olhando para o céu estrelado, Julinho lembrou-se de todos os motivos que tinha para se levantar e continuar. Apesar dos hematomas e da provável costela quebrada, ergueu-se, um passo de cada vez. Precisava encontrar Renan, precisava voltar pra Maurílio e para sua filha. Precisava lutar. Assim como a doida varrida chamada de Simone que se recusava a morrer.

- Você tá acabado, Julinho da Van! gritou a morena, chutando a porta do caminhão em chamas e pulando para fora. Ainda era possível ver as chamas queimando em seu vestido e as bolhas de queimadura em seu rosto. Mesmo assim, cambaleando enquanto arrastava sua perna ferida, ela continuava a se aproximar, apontando sua besta em direção ao piloto. – Nunca gostei de você, com esse jeito de machão metido a gostosão! Dando em cima das mulheres e dos homens e de tudo que tivesse um buraco pra enfiar esse seu pau!

Julinho procurou a escopeta, mas a arma estava do outro lado da estrada. Levantou o braço, apesar de saber que rendição estava fora de cogitação para aquela mulher. Olhou novamente para o céu, franzindo os olhos em surpresa. Simone deu dois passos em sua direção antes de perceber que algo estava acontecendo. Um estranho som vinha do céu, cada vez mais próximo do chão. E então, quando a moça finalmente resolveu tirar os olhos de Julinho e virar-se para trás, deu de cara com uma Sprinter branca descendo de paraquedas em alta velocidade, colidindo diretamente com seu corpo.

Aviões de guerra cruzavam o céu, disparando rajadas contra a tropa armada de Rogerinho. Alguns eram derrubados, outros derrubavam e atiravam suas próprias bombas. Explosões iluminavam a cidade e por todos os lados havia correria e arquibancadas despencando. No meio da estrada, com um giro que fez um desenho do pneu no chão, Maurílio freou a Sprinter, perto de onde Renan caminhava com dificuldade.

Um sentimento estranho levou Julinho ao chão. Sentou-se, novamente, sem saber se ria ou chorava. De alguma forma, vendo sua Sprinterzinha novamente, aproximando-se lentamente com Renan e Maurílio, toda a sua bravura desesperada era substituída por alivio e alegria. Seu amado desceu, trajando o terno chique de presidente e segurando uma arma de fogo.

Julinho sorriu ao ver seu marido correr em sua direção, enquanto outros carros se aproximavam, junto dos motoqueiros de cabeça de Mickey. Renan aparentemente não havia se ferido gravemente e Amanda também descia com um carro em um paraquedas. Mas naquele momento, para o piloto de bigode, tudo o que importava era o seu amado, correndo e se jogando em cima de seu corpo machucado.

- Calma, dodói. Soldado abatido. disse Julinho, em um misto de dor e alegria.

- Cala a boca e me beija, Julinho!

A mão de Maurílio deslizou pelo rosto do amado, limpando a fuligem e a areia. Seus lábios se tocaram em um beijo molhado, traduzindo em energia toda a amargura e as desculpas que suas bocas não precisavam dizer. Julinho olhou nos olhos do marido e balançou a cabeça, aceitando tudo o que ainda tinham pra viver juntos. Sorriu ao segurar a mão de Maurílio e sentir a aliança de volta ao seu dedo.

- Que loucura foi essa de dar uma de Vin Diesel agora? – perguntou Julinho, roçando seu bigode na orelha do moreno e sentindo seu cheiro mais uma vez. – Confesso que esse novo Maurílio me deixou ainda mais excitado, senhor presidente...

- Ex-presidente, depois de hoje. – respondeu Maurílio, com aquele sorriso encantador que desarmava o marido. – Te prometo que serei só seu quando isso acabar, ok?

- Pessoal, é agora! – gritou Renan, sentado na van aberta, enquanto apontava sua espada para o outro lado da ponte Rio-Niterói. – Ele está aqui! Rogerinho tá aqui!

- Como é que ele faz isso? – perguntou Maurílio, soltando-se do abraço de urso de Julinho e tentando enxergar o que vinha no horizonte.

- Sei lá, dodói. No começo achei que era só loucura, mas Renan sempre foi doidinho, né? – comentou Julinho, tentando processar o que havia vivido com seu colega de corrida. – Talvez ele tenha desenvolvido algum superpoder vivendo na escuridão.

- Tipo aqueles peixes estranhos que vivem nas profundezas. – disse Maurílio, fazendo seu marido sorrir.

O presidente ajudou Julinho a se levantar e juntos se aproximaram da van, estacionada perto de alguns destroços daquela corrida. Enquanto a guerra continuava, uma espécie de limusine encravada com caveiras prateadas se aproximou. Rogerinho desceu do banco de passageiro, acompanhado de um cigano com máscara de caveira e um rapaz careca, que sabiam que se tratava de Renanzinho.

Julinho lembrou-se de quando as coisas eram simples e normais. Rogerinho era feliz – ao seu modo – quando ganhava uma camisa da seleção de presente, tinha dinheiro pra gasolina ou quando achava um iphone dando bobeira na mão de algum adolescente solitário na pracinha do centro da cidade. Agora caminhava de forma elegante, trajando um casaco marrom com adornos dourados e trazia uma coroa de rei na cabeça.

- Não... tem algo errado... – murmurou Renan, com a mão desarmada apontada em direção ao ex-companheiro. Maurílio ainda estava surpreso com aquele estilo samurai místico, que agora parecia muito com o Keanu Reeves em Matrix Reaload, sentindo a energia das máquinas. Era como se mesmo cego conseguisse ver tudo aquilo que os olhos se deixavam enganar. – Rogerinho...

- Renan! – gritou Maurílio, quando o piloto desembainhou sua espada.

O presidente ainda se preocupava se o envolvimento de Renan com Rogerinho iria afetar aquela missão, ainda mais com seu filho de refém à sua frente. E não houve conversa da parte dos inimigos, apenas um Rogerinho e seu capanga se aproximando, com o que parecia ser um controle de TV na mão. Julinho e Maurílio se entreolharam, como se o mundo estivesse caminhando em câmera lenta. Por todos os lados, quando Rogerinho apertou um botão no controle, o aparelho que os prisioneiros da corrida tinham presos no peito começou a piscar em vermelho, indicando a ativação das bombas.

Amanda disparou com sua pistola em direção a Rogerinho, enquanto o capanga segurava Renanzinho e o usava como escudo. A primeira explosão ocorreu próximo às arquibancadas e a segunda mais perto, fazendo com que o próprio Rogerinho fosse arremessado contra o chão. Maurílio sentiu seus dedos soltarem da mão de Julinho ao perceber que debaixo dos destroços onde estavam, algum piloto deve ter ficado preso. Os bipes incessantes e a luz vermelha de alerta eram sinais que demoraram a perceber o quanto estavam em perigo. Com a terceira explosão vindo de baixo, o presidente teve tempo apenas de empurrar Julinho, antes de ser arremessado pelo impacto da explosão.  

Maurílio!

Cê tá bem?

Você tem que se levantar!

Maurílio!

Você tem que sobreviver!

Minha vida

Te amo!

Em meio a nuvem branca de poeira e concreto, a voz de Julinho parecia distante e abafada. Maurílio forçava o próprio corpo a permanecer acordado, sem muito sucesso. Antes de não resistir ao desmaio, pode ver seu marido embarcando na sprinter com Renan. Arrancaram em um ziguezague violento e avançaram pela ponte. Com o que restava de força em seu corpo quebrado, Julinho puxou Rogerinho para dentro da van, jogando-o contra seu carpete novo.

O explosivo em seu peito piscava cada vez mais rápido, no mesmo ritmo em que Julinho desferia socos no rosto de Rogerinho. Quanto mais batia, mais desesperado parecia. Logo agora que havia se reencontrado com seu amado, tudo seria perdido de vez. Permitia-se chorar em seus momentos finais, arrancando sua coroa, segurando o inimigo pelo pescoço e olhando dentro de seus olhos. Quando o rosto de Rogerinho já estava coberto de sangue, Renan apontou a espada para o peito de Julinho.

- Chega, Julinho! Você não tem que fazer isso! – disse Renan, com a espada em uma mão e o volante no outro. Seu ex-companheiro não reagia aos golpes, apenas recebia cada soco com um olhar de desespero.

A sprinter acelerou pela estrada, cantando pneu e cobrando toda a aceleração que seu motor era capaz de produzir. Em meio a explosões, tanques e caças de guerra, motociclistas mascarados e tiros de canhão, óleo queimado e luzes de neon, a van desviou de seu trajeto, rolando pela ribanceira próximo da ponte, sendo engolida por uma bola de fogo e uma nuvem de fumaça negra antes de chegar ao final.

Maurílio levantou-se, sem saber quanto tempo havia ficado desacordado. Olhou para os lados, com dificuldade, e não conseguiu encontrar ninguém. Estava surdo de um dos ouvidos e um fio de sangue escorria de sua cabeça. Mais do que seu corpo machucado, a dor em seu peito era excruciante ao imaginar o quanto estaria sozinho. Caminhou lentamente em meio ao cenário de guerra, seguindo a trilha de pneu no asfalto deixada pela sprinter, desesperando-se ao enxergar apenas fogo e fumaça no final do caminho. Foi ao chão novamente, sabendo que tanto Renan, quanto Rogerinho, quanto seu Julinho já não existiam mais nesse mundo.

- Agora a vida matou o sonho que sonhei... – murmurou Maurílio, dando um soco no chão de concreto depois ver o veículo sendo destruído pelas chamas. Suas mãos trêmulas pareciam incapazes de sentir dor com os golpes e se machucavam cada vez mais, manchadas com sangue, cinzas, cimento, lágrimas e desespero.

O presidente já não ligava mais para o que fosse acontecer. Mesmo que essa não fosse a vontade de Julinho, não conseguia enxergar sentido em sua vida sem ele. Talvez o mundo fosse melhor sem ele para cometer tantos erros. Ajoelhado no chão, ferido por dentro e por fora, Maurílio parecia distante da guerra ao seu redor.

- Vaso ruim não quebra fácil, senhor presidente. – disse a voz do capanga de Rogerinho, o cigano com máscara de caveira, que segurava Renanzinho com uma mão e com a outra apontava uma pistola em direção à Maurílio.

A voz do marginal penetrou como uma agulha na cabeça do piloto, trazendo-o, por um instante, de volta à realidade. Maurílio levantou a cabeça e desviou o olhar da sprinter, enxergando, em algum lugar da ribanceira, um movimento que não havia notado antes. Renan rolava no chão, tentando se levantar, enquanto Julinho arrastava o corpo caído de Rogerinho morro acima, voltando para a estrada com dificuldade.

O presidente queria correr em direção ao seu amado, agarrá-lo, abraça-lo e nunca mais deixa-lo partir. Estaria todo mundo bem? Inteiros? Machucados? Estariam prontos para colocar um ponto final naquela batalha, ao seu lado? Mas do que nunca, agora precisava sobreviver e sobrepujar aquele último degrau.

- Ei! Acabou, cara. – disse Maurílio, levantando-se do chão com as mãos para o alto. Apesar de ter uma arma apontada para seu peito, a bravura o dominava novamente. Talvez fosse loucura, talvez fosse a alegria de ver seu amado ainda vivo. Mas o Palestrinha sabia que também precisava lutar. – Seu chefe caiu. Nós vencemos!

- A esperança é o sentimento mais nocivo que tem pra qualquer ser humano. – disse o capanga, empurrando Renanzinho pro chão e segurando a arma com as duas mãos, encostando-a no peito de Maurílio. – Porque mantém você sofrendo por algo que nunca vai conseguir.

Julinho escalou com fúria aquela ribanceira e jogou o corpo derrotado de Rogerinho no chão. A camisa surrada do piloto de bigode, além de apresentar marcas de queimado, exibia um corte reto que ia do pescoço à sua barriga, rasgando tecido e pele. Era a marca da espada de Renan, utilizada para remover a bomba de seus corpos. O piloto samurai o seguia cambaleante, apoiando-se com a lâmina a cada passo. E então um tiro foi disparado.

POW!

Apenas um disparo naquele inferno que teimava em acalmar. Um disparo e um corpo ao chão. Renan ficou paralisado, processando o que havia acontecido. As pernas cansadas e feridas de Julinho partiram em uma corrida desengonçada. Apertava com força a coroa de Rogerinho que carregava em sua mão e quase caiu quando finalmente chegou até Maurílio. Como se o mundo dependesse disso, o agarrou com força, envolvendo-o em seus braços e quase quebrando seus ossos. Afastou-o alguns passos para trás, onde o corpo do cigano mascarado havia caído e Renanzinho, imóvel, ainda apontava a escopeta em direção do vilão.

- Julinho...acabou... – murmurou Maurílio, fechando os olhos com a cabeça encostada no peito quente de seu amado.

- Acabou, neném. Acabou. – respondeu o piloto, segurando sua cabeça e lhe beijando a fronte.

- Você tá ferido... – disse o moreno, encostando sua mão na ferida de espada no peito de Julinho. – Quase perdeu um mamilo.

- Só um acidente de percurso. – respondeu o amado, olhando pela primeira vez ao estado em que se encontrava. – Espero que goste de cicatrizes.

Ambos se encontravam em seu pior estado, corpos feridos e mentes cansadas. E com toda a adrenalina e confusão vivida nos últimos dias, aquele abraço teve certa dificuldade para ser desfeito. Suas mãos deslizaram em seus corpos e seus dedos se entrelaçaram, comprometidos em nunca mais deixar o outro ir embora.

- Rogerinho... – tentou dizer Maurílio, olhando com medo nos olhos de Julinho. Apesar de tudo, ainda era difícil enfrentar um amigo seu.

- Bem... parece loucura... – respondeu o piloto, com um sorriso por trás do bigode que deixou Maurílio confuso. Virou-se para onde Renan estava, com o corpo do monarca-ditador caído. – ...mas aquele não é Rogerinho.

Amanda aproximou-se, saindo de onde quer que estivesse escondida, e segurou a arma da mão do rapaz. Assustado, Renanzinho abraçou a mulher e se encolheu. Aquele seria mais um trauma que precisaria superar. Marcas de uma guerra que não deveria ter acontecido.

Julinho gemia de dor a cada passo que dava, apoiado pelo seu marido. Maurílio também precisava suportar seu calvário, andando com os pés descalços em meio à cacos de vidro e asfalto quente. A cada passo, entretanto, estava um pouco mais próximo de conhecer a verdade.

Enquanto o homem que se denominava Rogerinho recobrava a consciência, Renan o imobilizava com sua espada. Maurílio ainda não entendia como poderia se tratar de outra pessoa. Era o mesmo rosto, o mesmo corpo do piloto com quem conviveu por tanto tempo. Com seus trajes queimados e rasgados, a costa do homem estava desnuda, exibindo uma tatuagem de tubarão no ombro esquerdo. Um símbolo que não tinham certeza do significado, mas sabiam que Rogerinho jamais faria uma tatuagem dessas. Renan, porém, sabia muito bem quem era o impostor.

- Cerginho. – disse o samurai cego, quando os seus amigos se aproximaram. – Primo de Rogerinho. Vocês conhecem ele daquele programa da copa.

- Mas Cerginho é uma topeira. – disse Maurílio, coçando sua barba e fazendo funcionar as engrenagens de sua cabeça pequena. – O que significa que a mente diabólica por trás de tudo disso...

- Craque Daniel, eu tinha um sonho! – gritou Cerginho, se debatendo no chão e tentando escapar de Renan.

Amanda, que apontava sua arma para o cigano caído, retirou a máscara de caveira que escondia o rosto daquele ex-jogador maluco que havia se envolvido com o primo de Rogerinho e o jornalismo esportivo. Aquele maldito que sempre teve clara tendência a se aproveitar dos outros, mas agora havia ido longe demais.

- Já proibi você de ter sonhos, Cerginho! – gritou o homem, caído no chão, segurando o ferimento de bala em sua costela. Amanda, por sua vez, fazia questão de pisar em sua barriga com seu sapato.

Maurílio sentiu a mão de Julinho apertar a sua, como se estivesse empolgado com alguma ideia. O presidente só queria, entretanto, que aquilo tudo voltasse ao normal. Seria preciso muito esforço e cooperação para quem sabe salvar esse país.

- Então... agora temos Cerginho. – disse Julinho para Renan, aproximando-se do inimigo caído. Torcia internamente para que os boatos fossem verdade. Era o que precisava para salvar a vida de seu esposo. – Você vai nos falar sobre aquela sua água milagrosa.

O silêncio mostrava o quanto todos ali estavam curiosos. Renan talvez voltasse a enxergar e Maurílio poderia viver o resto de uma longa vida ao lado daqueles que amava. Tudo isso se aquele o líquido com poderes curativos realmente funcionasse, como diziam os antigos. Cerginho olhou, pelo chão, para Julinho e para o craque Daniel, e entendeu que não havia mais nada a fazer.

- Pra que vocês querem água... – murmurou Cerginho, cuspindo terra enquanto Renan segurava sua cabeça no chão. – ...quando vocês tem o sangue do garoto em vocês? Ele é que é milagroso de verdade.

Novamente se fez silêncio, enquanto todos tentavam entender o que ele queria dizer. Renan sentiu as mãos de seu filho acariciar sua cabeça e lentamente retirar a venda vermelha que prendia em rosto. O piloto piscou três vezes e arregalou os olhos, antes de ser inundado com suas próprias lágrimas ao enxergar o rosto do filho e o mundo ao seu redor.

- Isso significa o que? – perguntou Maurílio, levemente confuso com tudo o que estava presenciando.

Renan abraçou o garoto, rindo e chorando ao mesmo tempo, enquanto olhava para todos que ali estavam. O sol começava a nascer no horizonte, iluminando a beleza daquela cena, onde todos os problemas pareciam ficar no passado. Julinho olhou para Maurílio, com os olhos marejados, e colocou a coroa de Rogerinho na cabeça do presidente.

- Significa que o garoto deve ser tipo um Highlander ou coisa assim. – respondeu o piloto de bigode, abraçando Maurílio apertado. – Que Renan foi curado por receber o sangue dele e você também.

Maurílio, ainda incrédulo, apenas observava Renan com o filho, sorrindo e se abraçando. Amanda amarrava o Craque Daniel e Cerginho, enquanto outros pilotos chegavam para ajuda-los. Respirava fundo, sentindo a brisa do mar e o sol de um novo dia em sua costa. Sentia que, apesar de nada daquilo ter lógica, agora poderia ser feliz novamente.

- Isso não faz sentido, Julinho.

- Meu anjo, e alguma coisa aqui parece fazer sentido pra você? – respondeu o piloto, roçando seu bigode no pescoço do amado. – Só embarca e aceita que acabou. Vamos pra casa, neném.

***

EPÍLOGO

Em uma vitrola antiga, Lulu Santos cantava que “pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então”, embalando uma tarde quente de verão. O chão de terra amarela refletia a luz solar como um espelho, o que obrigava Julinho a usar óculos escuros pra passar algum tempo na varanda de casa.

Uma menina de cachinhos dourados e vestido amarelo rodopiava em meio a poeira, tentando alcançar as bolas de sabão que seu pai assoprava. Uma profunda e prazerosa tragada no cigarro e um sopro no brinquedo da menina, enquanto coçava sua barba crescida. Daria tudo por uma lâmina nova para trazer seu bigode de volta. Muitas coisas, entretanto, não voltariam mais.

Maurílio deslizou para debaixo de sua Kombi, apertando algum parafuso com uma chave que Renan lhe entregava. Demorou cerca de dez minutos debaixo do veículo, até ficar em pé novamente. Estava mais magro, era certeza, mas talvez um pouco mais forte. Teria ganhado algum super-sentido também? Seu peito nu e peludo fez com que Julinho precisasse desviar o olhar para evitar pensamentos mais sórdidos.

Renan aproximou-se, ainda mancando com a perna direita, trazendo uma garrafa de água quase vazia. Dentro da Kombi, seu filho seguia as orientações de Maurílio e pisava no acelerador, enquanto o piloto conferia alguma coisa no motor do veículo. Quando uma nuvem de fumaça negra subiu pelo capô, a pequena garota correu para rir de seu pai.

- Cê tá bem, ô Julinho? – perguntou Renan, sentando-se nos degraus da varanda. De alguma forma, parecia mais como o velho piloto do que com o samurai que lhe ajudou a sobreviver. – Como tá Maurílio?

- Nós estamos bem. – respondeu Julinho, cruzando sua perna com dificuldade. Sua costela ainda doía com qualquer movimento – Só estamos nos acostumando... a tudo isso de novo. À calmaria.

- Soube que Amanda ficou no Rio. – disse Renan, enquanto desembainhava sua espada e limpava a lâmina com um pano vermelho. Julinho o observou com o canto do olho, indagando se era o único que preferia deixar o passado para trás.

- Sim. E Maurílio ainda quer voltar pra lá. – bufou o piloto, claramente desconfortável com aquela ideia. Pressionou seu cigarro contra o cinzeiro, imprimindo seu descontentamento naquele gesto velado. – Agora que Amanda confirmou que ele tá curado... ele acha que é o Superman.

- E você não quer que ele seja. – comentou Renan, analisando o amigo com sagacidade.

- Nossa guerra acabou, Renan, mas esse mundo ainda é perigoso. – respondeu Julinho, levantando-se da sua cadeira de balanço para sentar ao lado do amigo. – Você ainda carrega essa espada como se precisasse lutar. Ele ainda conserta sua van como se precisasse partir. E eu perdi a minha. Não sou um guerreiro, nem sequer sou mais um motorista. Tudo o que eu queria era ficar junto da minha família. Em paz, sacou?

- Isso é o que todos querem, Julinho. Mas nem todo mundo consegue. – respondeu Renan, colocando sua mão no ombro do companheiro – As vezes é preciso que alguém se sacrifique para manter a ordem nesse caos... é dificílimo de admitir, mas Maurílio sempre foi o mais sensato entre nós.

- Você tá falando igual ao Rogerinho. – disse Julinho, olhando para o céu rosa-alaranjado de fim de tarde. Era, de alguma forma, desconfortável repetir a mesma conversa que levou a toda aquela confusão.

- E ele estava errado? – perguntou Renan, olhando para o rosto cansado de Julinho.

Teresa jogava água no rosto de Maurílio, limpando com suas pequenas e delicadas mãos a fuligem escura de mais um dia de trabalho duro. O presidente sorria enquanto espirrava agua em sua filha e no rapaz que o ajudava, que corriam em brincadeira. No rádio tocava uma música do Katinguelê, que fazia Julinho batucar no batente de madeira da varanda.

- Não... Maurílio sempre foi... especial. – disse o piloto, abrindo um sorriso discreto por baixo de sua barba bagunçada. – Talvez por isso seja difícil dividi-lo. Deixá-lo ir.

- Não dessa vez, Julinho! – completou Renan, quase colocando o dedo no rosto do amigo. – Sem mais separações! Agora vocês estão juntos! E nós estaremos com vocês!

- E nós vamos encontrar Rogerinho. – afirmou o piloto, levantando-se com alguma dificuldade quando sua filha se aproximou e o puxou pela mão. Ainda havia uma promessa a ser cumprida antes de resolver o caminho que suas vidas iriam seguir. Precisavam encontrar o amigo desaparecido. – Onde foi que Cerginho disse que ele estava preso mesmo?

- Honduras! Alguém sabe onde fica? – respondeu Renan, enquanto Julinho era arrastado para a brincadeira com uma mangueira d’água. Sorriu, em meio a felicidade daquela família complicada e pela esperança que havia de encontrar Rogerinho novamente. Tinha fé de que em breve os 4 amigos estariam juntos mais uma vez. – E no final das contas, era tudo uma loucura...


Notas Finais


Cabou, cabou a fanfic!
Talvez, quem sabe, um dia, num futuro não muito distante... A Última Kombi na Terra

Obrigado pela leitura! E estamos ai pra qualquer xingamento.


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