História A última Weasley - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Potter, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Ronald Weasley, Rose Weasley, Scorpius Malfoy
Visualizações 25
Palavras 3.993
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Magia, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa pela demora.
MariiCh, obrigada pelo comentário e desculpa por ter demorado tanto para postar o próximo. Espero que você goste.
Beijooos!!!

Capítulo 10 - Recebendo presentes


Eles esperaram pacientemente enquanto eu contava minha história, disse da forma mais convincente que pude e acredito que todos ali acreditaram. Talvez Nina tenha ficado desconfiada, mas quando Neville confirmou parte de minha história todos pareciam convencidos.

Para eles eu encontrei uma casa de lenhadores, me fiz de perdida e confusa, sem saber onde estava. O velho casal me deu alimento, um lugar quente para dormir e me ajudou a sair de lá, talvez a essa altura estivessem mortos pelas mãos dos comensais que me rastreariam até lá, o que eu verdadeiramente lamentava.

Foi fácil também fazê-los acreditar que eu enfeiticei trouxas para me ajudarem, com a varinha roubada de Jacob Zabine eu poderia fazer qualquer coisa, poderia fazer tudo. Disse a eles que não sabia o que fazer em seguida, a quem eu poderia pedir ajuda, Astória estava morta, eu temia pela vida dos Lupin, dos Scamander, dos Potter, sabia que Zacharias jamais arriscaria sua vida sem ter certeza que a mensagem era minha de fato e nenhum deles nunca tinha visto meu patrono.

Foi então que eu decidi chamar Neville, sabia que ele seria corajoso e tolo o suficiente para arriscar sua segurança em uma provável armadilha. Neville me corrigiu nesse momento, disse que há muito tempo tinha prometido aos meus pais que sempre me protegeria, como protegeria Alice e Frank. Defendeu-se dizendo que não fora tolo, ele apenas não ignoraria um chamado sabendo que tinha uma pequena chance de me ter de volta.

Mesmo sabendo que isso foi parte da atuação uma pequena parte minha sabia que aquilo era verdade. Neville já tinha se mostrado fiel, por esse motivo era o único deles a receber mais informações, não todas, mas o suficiente para me ajudar no futuro.

Não lhe contei sobre a ajuda que recebi de Jacob ou das irmãs Snow, falei sobre Theodore, porque ele me pediu para fazer isso. Falei sobre Scorpius, mas não o suficiente, apenas disse que ele me ajudara a chegar até o parque e me esperou até estar seguro que Neville estava lá me esperando. Não falei o que Tori deixou para gente, mas isso não foi por falta de confiança, mas porque eu não sabia o que fazer com essa informação ainda.

Tenho sentimentos conflitantes sobre esse momento, senti uma profunda magoa de Astória, mas ao mesmo tempo me senti privilegiada por ela ter gasto tanto tempo conseguindo aquelas informações. E claro, graças há esse dia Scorpius passou a me odiar menos.

Então, obrigada Tori. Ou não.

 

Quando Theodore voltou para casa encontrou apenas o silêncio, ele deixou a bolsa que trazia em cima do sofá e foi até a cozinha para lavar o rosto. Ele parabenizava os trouxas pela invenção dos automóveis, mas aparatar seria muito mais fácil e prático. Era uma pena que teve que chegar até lá usando um carro, o cansaço não estaria tão gritante.

Theo levou um susto com o grito que ouviu, parecia que alguém estava sendo amaldiçoado, pelo tom ele soube que era Rose e não pensou uma segunda vez antes de sair correndo. Todos os seus sentidos estavam alertas, ele não conseguia compreender como alguém poderia ter invadido a casa, tudo parecia tranquilo até aquele momento.

Mas não havia nada atacando a menina, ela se contorcia na cama, como se lutasse em seu sonho. Ele não tardou em ir até ela e tocá-la para que ela acordasse. Ela respirava ofegante e em seguida olhou para as suas mãos e tocou seu rosto, só então sua respiração foi se acalmando.

– Rose? – Theo falou baixo para não assustá-la.

A menina demorou alguns segundos para perceber que não estava mais sozinha, ela se sentiu aliviada quando percebeu que era Theo e não outra pessoa, não saberia como reagiria se fosse ele ali a olhando com a expressão preocupada. Embora suspeitasse que ele jamais a olharia como Theo a estava olhando.

– Você está bem?

– Que horas você chegou? – Rose desviou da pergunta e se ergueu da cama pegando um casaco grosso para cobri-la.

– Agora a pouco. – Theo a olhava desconfiado. – Eu encontrei o que Astória guardou. Está quase amanhecendo, me encontre na sala daqui uns minutos.

Ele esperou a menina assentir e saiu do quarto. A esquiva dela não lhe deixando tranquilo, ele olhou na direção da sala, pensou que poderia ir até lá, comer alguma coisa, sentar no sofá e erguer os pés, descansar um pouco antes do próximo embate, mas tomou a direção contrária se dirigindo ao quarto de Scorpius.

Sabia que não o encontraria dormindo, duvidava que alguém conseguiria dormir ouvindo os gritos de Rose. O encontrou sentado na cama, com a cabeça apoiada em uma das mãos.

– Você a deixaria perdida em pesadelos e não faria nada para ajuda-la?

Scorpius não olhou para ele, sua cabeça latejava de uma forma quase insuportável, por um instante ele pensou em selar o quarto magicamente para impedir o som de entrar, mas não conseguiu fazer isso.

Theo parecia querer falar algo, mas se impediu no último momento, dizendo apenas que o esperava na sala em alguns minutos. Pelo tom que o homem usou Scorpius sabia que o tinha decepcionado.

Ele sentou no sofá, se sentia destruído fisicamente e mentalmente. A fuga de Rose transformou todo o complexo dos comensais em uma verdadeira bagunça, graças a influência dos Zabine e o temperamento explosivo de Dafne Jacob não foi tão gravemente punido. Dafne ainda carregava o temperamento explosivo dos Greengrass, ela destruiria toda a construção antes de ver seu único filho levar uma cruciatus.

Rose foi a primeira a chegar, estava com os cabelos molhados, carregava a mesma expressão resignada de quando a conheceu, Scorpius apareceu minutos depois e a todo custo evitava olhar para onde a menina estava sentada.

Theo apontou a varinha para a bolsa e de lá veio flutuando duas pequenas caixas de metal, as depositou em cima da mesa e com mais um floreio fez com que as caixas crescessem.

– Foi isso que eu encontrei.

Os dois encaravam as caixas sem saber quem tomaria a iniciativa primeiro, não faziam a menor ideia do que tinha lá dentro, o que Astória poderia ter preparado para os dois, sentiam medo e ansiedade.

– Vou contar até três, se vocês não abrirem isso eu mesmo o farei. – Theodore estava impaciente, passava a mão na cabeça já sentindo a dor chegando.

Os dois se apressaram e abriram as caixas.  Havia inúmeros papeis na caixa destinada a Rose, pergaminhos, livros, anotações com a letra de Astória. Os livros se referiam aos fundadores de Hogwarts, tinha três deles. Ela os colocou de lado. Tirou um conjunto de papeis que estavam presos juntos e passou os olhos rapidamente sobre eles, pelo que ela pôde perceber tinha informações sobre famílias que ela conhecia, membros da Ordem da Fênix.

O suspiro de Scorpius chamou a atenção dela, o garoto olhava para sua caixa admirado. Os olhos dele pareciam brilhar, ele levou a mão para dentro e voltou com um colar incrustado de pedras verdes.

– Foi o colar que ela ganhou do meu pai no dia do casamento, prata e esmeralda, as cores da nossa família. – Scorpius esclareceu aos dois. – Olhem, tem fotos aqui.

Scorpius tirou as fotos e as passou para Theodore que em seguida passou para Rose e a menina percebeu que tivera razão ao imaginar que Draco e Tori faziam um belo casal. Ela nunca viu Astória sorrir daquele jeito, nenhuma vez em todos aqueles anos, ela deveria estar tão feliz, seu vestido perolado arrastava-se pelo chão, ela tinha uma tiara que combinava com o colar, provavelmente era um conjunto. Uma lágrima caiu na foto e Rose se recompôs imediatamente.

Scorpius olhava para outras coisas na caixa e Theodore para outra foto. Nessa estava os três Malfoy, Scorpius parecia ainda não saber caminhar direito, e embora tenha levado um tombo levantou-se e foi parar nos braços da mãe. Astória olhava orgulhosa para o filho.

– Há cartas aqui, mamãe me escreveu cartas. – Scorpius falou sobressaltado. – Há dezenas, para quando eu entrasse em Hogwarts, para quando saísse, arranjasse a primeira namorada, me casasse, tivesse meu primeiro filho. Ela me escreveu cartas.

Rose se voltou para sua caixa e procurou por cartas também, mas não havia nada nesse sentido para ela. Os dois perceberam a movimentação dela, Theodore sentiu pena, Scorpius ainda se sentia confuso, não entendia por que Astória não fez o mesmo por ela, mas também se sentia bem por isso.

– O que tem aí, Rose? – Theo perguntou para sair daquela situação constrangedora.

Rose tinha alguns papeis em mãos, ela lia as informações lá com o cenho franzido. Ela se ergueu do chão e passou a andar pela sala ainda lendo o conteúdo do pergaminho.

– Rose?

– Por isso ele estava tão estranho. – Ela divagava. – Por isso foi tão cuidadoso.

– Sobre o que você está falando? – Theodore perguntou.

– Minha mãe, minha mãe salvou Draco Malfoy. – Ela falava espantada. – Ele foi pego em um cerco, estava em desvantagem, mas mamãe o deixou ir embora.

– O que? – Scorpius se levantou rápido e arrancou os papéis da mão dela. Rose não apresentou qualquer resistência, ela parecia catatônica.

– Scorpius? – Theodore o chamou.

– É um tipo de relatório da minha mãe. – Ele passou as folhas, seus olhos se prenderam nas últimas palavras da sua mãe. – “Hermione desapareceu pouco mais de um ano após o encontro com Draco, não consegui obter muitas informações, Laura Portman dissera que os comensais apareceram liderados por Draco Malfoy, Hermione os dividiu, ela viu os primeiros bruxos morrerem, Hermione saiu sozinha com Harry e nunca mais foi vista. Não sei o que aconteceu aquela noite, mas sei que Draco não demonstrou a misericórdia que Hermione merecia. Lamento dizer isso, mas não creio que haja esperança dela estar viva.”.

Rose encarava os próprios pés, Astória nunca fez com que ela alimentasse falsas esperanças, mas nunca foi tão direta sobre o assunto. Nenhum deles era. Era claro que Hermione ter sobrevivido todos aqueles anos seria algo fantástico e terrível, mas pouco provável.

Se Draco estivesse certo, assim que perceberam que nem mesmo ela poderia leva-los ao Potter não haveria motivos para mantê-la presa. Ela era uma nascida trouxa, sua morte não teria qualquer significado para eles além do sabor doce da vitória de terem conseguido pegar um dos cérebros por trás da rebelião.

– Ninguém sabe o que aconteceu, Rose. – Theo se aproximou dela. – Ela nem mesmo foi levada à Fortaleza, foi mandada diretamente para o Lorde e poucos são aqueles com acesso a ele. Lamento não ter qualquer informação para dar a você.

– Meu pai? Meu pai também morreu? – Ela perguntou em um sussurro.

– Sim, na sua casa ainda. Ele estava protegendo alguma coisa, ele explodiu uma sala inteira, ainda aguentou algum tempo, mas tinham muitos comensais.

Ela assentiu.

– Meus tios? Primos? Alguém?

– Fred, Carlinhos, Gui, Fleur, Percy... Sinto muito. – Theodore lamentou. – Eles foram muito bons, lutaram bravamente, mas...

– Não foi o suficiente.

Rose pensou que quando finalmente tivesse a certeza sentiria uma dor imensurável, dor essa sentida apenas por aqueles que sabiam estar sozinhos, mas ela não sentia nada. Só o vazio.

– Rox, Victorie, Dominique? Eles mataram as crianças também eu imagino.

– Todo Weasley era um risco e todo risco deve ser eliminado. – Theodore proferiu. – Era a regra que os comensais deveriam seguir.

Ela resmungou algo que nenhum deles conseguiu entender.

– O que? – Theo perguntou.

– Você sempre fala “comensais”, como se você não fosse um deles. Como se não matasse inocentes também.

– Eu fiz o necessário para sobreviver. – Theo estreitou os olhos na direção dela. – Eu faço o que tenho que fazer para continuar vivo.

Ela se desviou dele, arrancou os papéis da mão de Scorpius e voltou para sua caixa.

– Minha família deveria ter seguido seu exemplo então. – Ela falou com amargura. Iria fechá-la e sair dali quando algo no fundo chamou sua atenção, ela se lembrava de ver aquilo há muito tempo, Astória disse que lhe mostraria um dia, mas isso nunca aconteceu. Rose o pegou, sabia o que tinha que fazer. – Se afastem.

Ela tirou a varinha de Jacob do bolso e a agitando três vezes para cima viu o papel se desdobrar até ficar enorme. Fez com que ele flutuasse, tinha desenhos intricados nas bordas, uma árvore gigante no meio e nomes espalhados por todo o papel.

– É uma árvore genealógica. Temos uma parecida na Mansão. – Scorpius se aproximou. – Nunca vi uma tão grande assim.

Os três olharam para cima para ver quem estava no topo e cada um expressou a sua maneira a surpresa pela revelação.

– Os Fundadores? Mamãe tinha a árvore genealógica dos Fundadores de Hogwarts? – Scorpius riu nervoso.

– Oh, por Merlin. – Rose exclamou.

– Por Morgana, isso não pode... – Theodore afastou Rose com a mão para chegar mais perto, olhou para o mapa e em seguida para a menina, Scorpius foi ver o que ele olhava e sua boca se abriu em um O. – Tudo faz sentido agora. Isso é...

– Estou entre incrível e assustador. – Scorpius bateu no ombro de Theo. – Você pode escolher uma dessas palavras.

– Eu sou...

– A última descendente de Grinffindor e Ravenclaw.

– Isso é real? – Rose deixou a pergunta a quem quisesse responder.

– Pode ser. – Theo disse. – Ela deve ter passado todos esses anos buscando.

– Sophia Smith é a descendente de Helga. – Scorpius apontou chamando a atenção de Rose.

– Há precedentes sobre isso, todo o mundo bruxo sabe que a última descendente conhecida de Helga foi Hepzibah Smith, depois da morte dela seus filhos e netos se tornaram muito mais silenciosos quanto a sua ancestralidade mágica, muitas famílias esqueceram que a família Smith gerou frutos e a descendência de Hufflepuff vingou.

– Sophia vai ficar tão mais insuportável quando descobrir que tem ligação com uma das bruxas mais poderosas do mundo mágico.

– Segundo isso. – Scorpius apontou para o desenho. – Você tem ligação com dois dos bruxos mais poderosos do mundo mágico.

– O que explica porque o Lorde das Trevas caçou sua família com tanto afinco. – Vendo que nenhum deles entendeu, Theo explicou. – Blaise me disse uma vez que ele estava com fixação em achar possíveis membros da família dos fundadores, ele achava que essas pessoas poderiam se tornar um risco. Blaise brincou dizendo que ele queria ser o único membro ligado a um Fundador, que isso o faria se sentir mais especial. A questão é, se ele descobriu que sua família tinha ligação com Gryffindor a sua sana por caçar sua família só iria aumentar, a sede por seu sangue, Rose, a vontade que ele tem de matar você deve ser para encerrar um ciclo. Slytherin e Gryffindor eram inimigos mortais, logo você é uma ameaça.

– Ele é insano. – Rose voltou a olhar para o desenho, entendeu sua mão até tocar o nome de Hermione. – Minha mãe veio de uma família de trouxas, como ela pode ter ligação com Howena?

– O sague mágico as vezes fica adormecido por gerações. – Theodore deu de ombros.

Rose ergueu a varinha e o desenho foi diminuindo até voltar a ser o que era.

– Isso não é importante.

– Não é importante? – Scorpius se exasperou. – Você acaba de descobrir algo... Bruxos matariam para estar no seu lugar.

– Eles mataram, Malfoy. Se Nott estiver certo bruxos mataram minha família, toda a minha família, apenas porque eles tinham ligação com um bruxo morto há mais de mil anos. A última vez que vi Dominique ela tinha dois anos, era só uma criancinha que mal tinha aprendido a andar, e eles a mataram. Você quer que eu me sinta importante, poderosa? Eu me sinto sozinha, Malfoy.

Rose não notou que estava tão perto dele, mas se afastou quando sentiu a respiração quente tocando seu rosto. Colocou tudo de volta à caixa, a selou e os deixou sozinhos na sala.

– No que você está pensando? – Theodore perguntou.

– Para que Casa você acha que ela iria? Grifinória ou Corvinal? – Scorpius perguntou sério, Theo pensou que ele estava brincando, mas depois percebeu que não.

– Não faço a menor ideia. O que você acha?

– Eu não a conheço.

– Você a conhece melhor do que eu.

Scorpius pensou um pouco.

– Sonserina, acho que ela iria para Sonserina.

Talvez uma Rose que cresceu em outro ambiente, com um pai amável e sempre ao seu lado, uma mãe a estimulando a sempre ler, descobrir coisas a faria ser diferente. Haveria a chance dela ser corajosa e ir para a Grifinória ou prezar a inteligência e ir para a Corvinal. Mas a Rose que cresceu sendo treinada, que viu sua família ruir e seu pai temeroso, que foi ensinada a sempre ser cautelosa iria para a Sonserina.

– É, talvez você tenha razão.

 

Mesmo estando com três camadas de roupa e com um grosso cobertor Rose ainda sentia frio, uma sensação que parecia lhe congelar por dentro. Não saberia dizer que horas era, mas o céu estava escuro, a lua estava escondida atrás de grossas nuvens e poucas estrelas poderia ser avistadas.

Sua cabeça pesava com todas as informações que Astória tinha lhe dado, eram tantas coisas, a imaginava passando seus dias atrás de respostas para perguntas que ninguém ousava fazer. Ainda não conseguia associar a ideia de ser descendente de pessoas tão importantes. Nunca se sentiu mais inteligente ou mais corajosa que ninguém. Tudo que sabia tinha conseguido através de estudo e treino, muito treino. Sua coragem não era maior do que a de Lys ou Albus, ela só fazia o que era necessário para permanecer viva.

Sorria ao imaginar Hermione em Hogwarts, todos falavam como ela era inteligente, agora entendia porque o chapéu tinha ficado em dúvida se a colocava na Corvinal, mas talvez fosse o destino dela acabar na Grifinória com seu pai e Harry Potter. Perguntava-se se seus pais se sentiam diferentes na escola, será se quando seu pai entrava na torre acontecia alguma coisa especial? Ela acreditava que não, mas era bom imaginar.

– Iria perguntar se você teve um novo pesadelo e por isso está aqui, mas levando em conta que não escutei gritos imagino que você não tenha dormido ainda.

Scorpius sentou ao lado dela lhe estendendo uma xícara fumegante.

– É chocolate quente. – Ele disse. – Vai ajudar com o frio.

Rose pegou a xícara, mas não a levou aos lábios.

– Não tem veneno aí, sabe? Theo me esfolaria se eu fizesse isso.

– O que você está fazendo aqui? – Ela se virou para ele.

– Conversando com você? – Scorpius ergueu uma sobrancelha. – Achei que iria querer conversar sobre tudo aquilo.

– Conversar? Com você? – Rose deu um sorriso debochado, ela jogou a cabeça para trás sem acreditar que tivesse que aturar mais aquilo naquele dia. – Ótimo, vamos conversar. Vamos conversar sobre o fato da minha mãe ter poupado a vida do seu pai e ele ter a entregue  aquele ser asqueroso, vamos conversar sobre ele ter visto Astória ser torturada e não fazer nada, vamos conversar sobre eu querer mata-lo com as minhas próprias mãos.

– Acha que é a única a sofrer pela morte dela? – Scorpius falava baixo, o vento soprava forte abafando as vozes. – Eu sei que ela foi importante para você, que ela esteve ao seu lado todos esses anos, foi mais sua mãe do que minha...

– Pare! – Rose não aguentava mais aquelas acusações, o ressentimento vindo dele. – Se você quer me odiar o faça pelos motivos certos, Scorpius. Me odeie por tê-la matado, por ela ter sido pega por uma estupidez minha, por eu ter sido incapaz de protege-la. Mas não me odeie por achar que ela me amava mais, que de alguma forma eu substitui você.

– Você não...

– Não percebe? Ela deixou cartas para você e objetos pessoais para que tivesse algo dela sempre com você. Ela preparou algo para você, talvez ela tenha passado meses preparando seu cofre, colocando as coisas que eram especiais para o caso de algo assim acontecer.

Rose se levantou deixando o cobertor cair no chão, a xícara permaneceu intocada.

– O que você está querendo dizer com isso? – Scorpius perguntou mais alto para que ela o ouvisse.

– Astória não era minha mãe, ela nunca me tratou assim. Ela não substituiu minha mãe e eu não substitui você. Ela era minha tutora, a mulher que me ajudou a praticar magia, era a pessoa que meu pai mais confiava depois de Neville Longbottom.

– Isso não faz...

– Não há nenhuma memória para mim naquele cofre, Scorpius. Só instruções, por que no final era apenas isso. Era o dever dela me treinar, me instruir e ela fez isso até o final. – Não podia esconder o tom amargo com que disse essas palavras. – Tão tola, lá estava eu querendo me despedir e ela apenas me dando mais instruções... Então não, Malfoy. Ela não foi uma mãe para mim.

– Ela amava você. – Scorpius falou com convicção. – Eu posso estar confuso ainda sobre várias coisas, mas eu sei que ela amava você. – Ele pegou um papel do bolso do casaco que vestia e colocou embaixo da xícara que tinha dado a ela. – Por ela, Rose. Só por ela.

Ele voltou para dentro da casa a deixando sozinha novamente.

 

 

Meu querido Scorpius,

Já escrevi tantas cartas como esta que até mesmo perdi as contas, espero que tenha tempo de escrever uma próxima ainda. Pois isso significa que terei mais tempo com você.

Tempo sempre foi algo que prezei e que passei a temer depois que perdi você. Temia que o tempo passasse e nunca mais o visse, temia que o que tínhamos se perdesse para sempre e depois que nos encontramos passei a temer que meu tempo com você fosse curto demais.

Meu amado filho, não há nada que eu ame mais do que a você e eu sei que tem suas dúvidas sobre isso, por isso quero deixar aqui gravado que eu o amo, eu o amo, eu o amo.

Sei que você acha que eu o abandonei, que preferi uma família estranha a você. Mas a verdade é que eu buscava construir um mundo para você, meu amor. Um mundo em que você não precisasse escolher entre ter uma vida segura ou seguir um lunático. Sei que isso é apenas utópico da minha parte, que os males do mundo não serão extintos, mas eu não conseguiria viver sendo conivente com as atrocidades que eles praticavam.

Sei que seu pai também o ama muito e que ele lhe protegerá, por isso, mesmo que eu não confie nele eu sei que você pode confiar, pois acima de tudo ele é seu pai e nunca o vi mais feliz do que no dia que o viu pela primeira vez. Meu pequeno Scorpius... Nosso pequeno Scorpius...

Gostaria de viver uma vida inteira ao seu lado, querido. Mas sei que o tempo é traiçoeiro e os ares estão perigosos novamente. O caminho está se estreitando e não sei se chegarei a ver o horizonte. Mas onde eu estiver quero que saiba que estarei olhando por você, amando e lhe protegendo.

Agora tenho que lhe pedir algo... Com o decorrer do tempo Rose foi se perdendo. A dor da perda que ela sentiu tantas vezes acabou por endurecer seu jovem coração e temo por ela. Por isso lhe peço que se algo acontecer a procure. Theo saberá como encontrá-la.

Ela é apenas uma menina, Scorp. E lhe tiraram tudo, os pais, a família, a casa... E não, nada disso é culpa dela. Ela é a vítima que sobrou de uma chacina, condenada a viver sozinha, vagando entre dois mundos onde não pode confiar em nenhum dos lados.

Não a abandone também, por favor. Por mim. Eu a amo de uma forma tão grandiosa, vê-la crescer e se tornar a pessoa destemida e corajosa foi um acalento para o meu coração. Saber que de alguma forma eu contribui para a pessoa que ela é hoje me deixa orgulhosa.

Mas ela precisará de ajuda na busca que começará e você é capaz de ajuda-la e principalmente de pará-la. Por que vingança não é justiça e matar um assassino também é assassinato. Você saberá conduzi-la, eu sei disso.

Confio em você, meu filho.

E nunca esqueça, meu amor, eu sempre estarei com você.

Adeus, meu pequeno dragão.

Eu amo você.


Notas Finais


Me digam o que acharam, por favor.
Espero que gostem.


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