História A Um "Bip" de Distância. - Capítulo 7


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aceitacao, Amigos, Amizade, Amor, Aplicativo, Bullying, Drama, Escola, Gay, Gravidez, Preconceito, Racismo, Relacionamento, Romance, Virtual
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Palavras 2.190
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - 06 - Educação física e Novato.


Hoje era o pior dia da semana, era quarta feira. Teria aula no ginásio, o que significaria ter de ficar presente no mesmo lugar que Mike Thomas por horas, o que é um verdadeiro inferno. Iris ainda não aparecia, espero que não pense em faltar sem me avisar.
Hora de ir ao vestiário me trocar, para me esconder de Mike e sua turma eu costumo me trocar no box de deficientes, bom é bem maior, e a tranca é mais resistente o que me deixará mais seguro.

- Rápido, Seus Maricas! - o professor havia chegado e juntamente a ele seu terrível preconceito. Acho que a maioria dos professores de educação física se portava com um verdadeiro homem primitivo. Sinto saudades de quando a aula era administrada pela professora Thalia. - Quero que todos aqui deem 20 voltas no ginásio, o treinamento hoje é resistência.

Assim que todos começaram a sair pulei para fora do banheiro e os segui rumo ao ginásio. O lugar era enorme, a escola possuía vários ginásios, um para cada modalidade: natação, atletismo, futebol entre outros. Ao chegar no local o professor fez questão de analisar o uniforme de todos, um por um. Quando chegará minha vez ele parou. Analisou minha roupa e fez cara de desgosto quando viu meu sapato.

- Esse não é o calçado indicado para as aulas. - Eu estava de All star. Não era confortável correr com ele por muito tempo, mas não me agrava ter se usar aqueles sapatos estranhos que os outros garotos estavam usando.

- Sinto muito, é o único que tenho. - Minto. Papai teria comprado todo meu uniforme, eu quem não gostava de usar aquele sapato feio.

- Mas não é o indicado - Ele disse levando sua caneta até uma ficha que tinha em mãos. Com certeza era outra advertência. Papai vai ficar uma fera.

Mike estava do outro lado do ginásio me olhando e fazendo algum tipo de piada com "gestos sexual" ele é um ser repugnante. Foi então que começou. O professor havia me deixado correr com aquele tênis, o que me deixava feliz. Durante o percurso eu fazia de tudo pra ficar distante de Mike, que enquanto corria fazia coisas para se mostrar o "fodão". Algumas meninas gritavam eufóricas ao vê-lo passar, novamente, repugnante. Espero que ele não seja o mesmo traste que é quando está à sos com as meninas. Acho que não.

Mas algo me dizia que estava demorando para ele me infernizar; - E não demorou muito. - Eu fazia de propósito, desacelerava meus passos a fim de ficar distante dele, mas ele reduziu sua velocidade e ficou ao meu lado. Revirei meus olhos e fiquei no fato de que restavam apenas algumas voltas para aquilo acabar.

- Achei que gazelas corriam pulando. - Ele diz e faz alguém que está do seu lado rir. O professor não viu ou ouviu aquilo, ele estava ocupado. Estava recebendo Marlene, a nossa secretaria, ela parecia entregar várias folhas pra ele assinar, enfim, eu estava sem a proteção de alguém responsável e com autoridade.

- Me deixa em paz... - disse quase sem fôlego. - ... ARGH!

- Não! - Sua voz surtia com ódio, eu, a ignorei novamente. E para a minha triste foi errado ter feito aquilo, digo, ter ignorado e virado para uma direção oposta à dele. O garoto de quase 1.90 de altura avançou pelo canto e me empurrou com seu ombro, o que resultou numa queda que quase me fez arrastar meus dentes pelo chão do ginásio. - Cuidado, garoto! - Gritou Mike.

- Ei! - O professor correu até minha direção e me ajudou a levantar do chão. Seus olhos procuraram machudo ou lesões. Nenhuma. - É por isso que peço para vir com o uniforme ideal.

- Mas foi ele quem me empurrou! - Digo apontando para Mike.

- Michael! - Gritou o professor. - Banco! - Até que enfim alguém que me ajudará em algo. Mike ainda parecia inconformado, eu, maravilhado sorria internamente. Segundos depois o professor se virou para mim novamente e disse: - Você, banco!

De longe via Mike atirar sua camisa recém tirada contra os acentos da arquibancada. Droga. Novamente iria me juntar a ele, para a minha total infelicidade. Ao sentar no banco lembrei-me do dia quando esperava meu pai, espero que não tente o mesmo, bom, ele não seria louco, tem muitas pessoas olhando.

- Tá feliz? - Ele começa.

- Eu? Você quem começou! - Respondo, mas ele ainda olhava para o restante dos alunos correndo.

Um pequeno silêncio se formou. Eu até que fiquei agradecido por aquilo, mas quando tudo parece silencioso demais é porque algo de errado está acontecendo. E estava. Quando me virei para o lado notei que Mike estava mais do que próximo, estava quase em cima de mim. Ele levou seu braço até meu pescoço e me abraçou como se fossemos amigos. Tentei me soltar, mas sua força era insana. Ele era um atleta, o que eu era? Um gamer?

- Ficou louco? Me larga! - Digo tentando me liberar.

- Só quero garantir minha estadia no time - Ele dizia com um sorriso perturbador em seu rosto. Parecia que se ele fizesse mais alguma coisa ele seria expulso do time que disputaria partidas importantes para a escola. - Então sorria como se fossemos amigos ou...

Apenas parei de tentar me soltar, ele continuou a me abraçar até que o professor parou de olhar em nossa direção. Me soltei e fui até o outro lado da quadra. Depois daquele abraço soado precisaria de um banho com água sanitária ou soda cáustica.

- Liberados. - Gritou o professor. - Todos para o chuveiro. - Mas ? Não reclamei, achei ótimo. Corri antes dos brutamontes e adentrei no banheiro de deficientes. Eu me sentia mal por tomar a vaga de alguém especial, mas aquele era o lugar mais seguro diante daquela selva de hienas.

Mike parece ter entrado primeiro, sua voz era alta, ele batia nas portas dos banheiros, possivelmente me procurando. Ou não. Ele entrou em algum deles e então gritou, gritou tão alto que podia sentir as paredes temerem, algo estava errado, eu temia saber o que terá acontecido.

"Bip" - meu telefone sooa me deixando em pânico. Afundei o aparelho entre as pernas a fim de abafar qualquer outro toque que viria a surgir. Era do aplicato; por sorte Mike ainda continuava no banheiro, não pareceu ter ouvido meu telefone, ótimo.

- O que... - Sussurro. A massagem era do garoto do umbigo. Ele teria surgido, mas não com uma resposta para a minha pergunta anterior. Ele apenas queria ajuda, como dizia. Ele queria um encontro.

"Eu tive uma semana horrível. Meus pais brigaram, coisas ruins acontecem... se você pelo menos pudesse sair comigo, me ajudar, mesmo que seja com poucos palavras. Eu preciso disso."

Não sabia o que responder. Não sabia se devia responder. Iris estava investigando, e eu estava curioso pra saber sua identidade. - Preciso falar com Iris. ela saberá o que dizer. - Lentamente abri a porta do banheiro e caminhei rumo a saída, mas rapidamente fui impedido. Mike surgia pela porta de um dos vestiários próxima a saída. Ele estava com os olhos vermelhos, estava chorando.

- O que você tá olhando, seu Bosta! - Ele gritou. Eu apenas virei para o outro lado, não queria o ver e muito menos ouvi-lo falar bobagens - Isso é tudo culpa sua...

- Culpa minha? O que eu fiz? - Perguntei assustado. Aquela reação dele foi tão rápida.

- Me fez sair da próxima partida. - Ele se aproximava. - Senão aguentava um empurrão era só ter sai...

- Mas foi você... - O interrompo.

- CALA A BOCA! - Eu estava sozinho. E morreria ali. Da última vez que ficamos assim tão próximos, ele desferiu um golpe em meu rosto e fez com que minha boca sangrasse. Não poderia o parar, nem mesmo que tentasse. - ARGH! - Fechei meus olhos e o vi socar a porta do armário que se situava nas minhas costas. Meu coração quase saiu pela boca; porém resisti, como se não estivesse ocorrendo nada.

- Sai de perto dele. - uma terceira voz surgiu fazendo eco pelo banheiro. Era alguém conhecido; sua voz era meio rouca e meio grave. Quando Mike saiu da minha frente, deixando minha visão mais livre, pude notar e conhecer quem era o dono da voz. Lucas? O que ele faz aqui. Ou melhor, graças a Deus. Meu corpo relaxou como se acabará de receber a melhor massagem do mundo.

- O que você quer? O que tá fazendo aqui? - Mike pergunto já se aproximando de Lucas, que não aparentava nenhum medo. Eu devia tê-lo alertado sobre Mike. Sobre quem ele era, mas creio que com os próprios olhos ele pode identificar.

- O que você queria?! Por quê tá querendo fazer isso? - Ele disse apontando para mim.

- Não é da sua conta. - Mike diz abrindo o seu armário e procurando sua roupa. Eu, caminhei lentantmente até chegar a saída. Ao passar por Lucas lhe mandei um sorriso breve, mas com muito significado. Seria grato a minha vida toda.

Horas mais tardes Lucas veio ao meu encontro, no Jardim da escola. Eu estava esperando meu pai vir, já que Iris não viria a escola hoje eu teria de voltar pra casa com ele. Quando vi Lucas se aproximando lhe mandei um sorriso, eu precisava agradecer, mas algo me dizia que eu deveria mudar. Deveria enfrentar Mike, amadurecer, caso não, seria aquilo pelo resto do ensino médio.

- Obrigado, Lucas. - Digo assim que ele senta ao meu lado no banco. Ele apresentava outro arranhão, dessa vez nos cotovelos.

- Não tem de que. Melhor ficar longe dele. - Ele disse, e eu estava feliz pois finalmente descobrirá como Mike era.

- Eu tento, mas parece que ele tem um imã. - Lucas esboçou um sorriso, enquanto ele ria, pude perceber que Mike passará. Ele entrou no carro de sua mãe. A mulher parecia não se atrasar mais. Queria que papai fizesse o mesmo, mas compreendo que há muito coisa pra fazer na loja, então logo compreendia o atraso. - Então... O que fazia aqui?

- Acho que é meio óbvio. Vou estudar aqui. - Ele disse sorrindo, e eu me reprovo pela pergunta tão boba e fácil de retórica. - Decidi fazer uma tour, para sua sorte.

- Sou grato por isso. Mas não quero parecer fraco, nem passar essa imagem.

- Você não é fraco. Você não tem culpa da ignorância das outras pessoas. Mike terá o que merece, pode apostar. - Assenti com a cabeça assim que ele terminou de falar.

- Então... Outro incidente? - Perguntei apontando para seu cotovelo. Ele riu

- Sim, e creio que precisarei de seus cuidados. - Ele fala como se eu fosse um médico importante e ele um mero paciente. Sorrio.

- Sinto em lhe informar. - Falo com um ar de  superioridade. Essa brincadeira até que é legal - Hoje não irei comparecer no mercado.

Nos colocamos a sorri juntos como um coral, ele era divertido, assim como Iris havia comentado. Ainda bem que veio, hoje havia começado com trevas, mas terminou de uma forma até que legal. Minutos se passaram e com isso o pai de Lucas havia chegado. O carro que ele dirigia dava de 10 a 0 no carro do pai do Mike, por um breve momento tinha esqueci que Lucas não era um rico esnobe. Pelo menos ele não aparentava ser.

- Vamos?! Rápido! - Gritou o pai do garoto que se encontrava ao telefone.

- até mais! - Ele disse sussurrando, entrou no carro e sumiu. Antes de sair pude ouvir seu pai brigar sobre alguma coisa, não deu pra escutar direito, mas seu tom era grosteco. espero que não tenha descoberto que seu filho saiu de casa quase meia noite escondido.

"bip" - Uma nova notificação. Não era o aplicativo. Era Iris. Ela parecia ter descoberto o nome do irmão do Mike. Graças a Deus.

"Eu fui pra aula hoje, mas fiquei o tempo quase todo olhando os anuários. Como o dele era recente foi fácil de achar. Ele se chama Max. Fim da missão, fracasso." - Ela brinca, o que me faz sorrir por um momento. Então quem era esse garoto? O melhor era que ele queria me encontrar e eu queria o ver também. Precisava avisar isso para Iris, ela iria odiar saber que não estava por dentro dos assuntos; Meu pai chegou.

- Desculpe a demora. Tinha passado num atacado, precisava comprar coisas para o mercado.

- Tudo bem, pai. Posso ir pra casa da Iris? - Perguntei.

- Claro, filho. Vou ficar ocupado essa tarde, então pode ficar lá.

Ótimo. Eu não via a hora de por um fim nesse mistério sobre esse tal Ronald. Espero que não seja alguém mais velho mentindo ser alguém jovem. Isso acabaria comigo, quer dizer, seria estranho. Mas espero que seja alguém da minha idade... - aposto que estou rindo. Droga, estou demonstrando está apaixonado e isso, isso não podia acontecer.



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