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História A um bloco de distância de você - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


Olá leitores, como vocês estão??

Finalmente chegou o momento aguardado
O momento de descobrir o que aconteceu para o Hyuck ter adquirido um ódio tão grande pelo Mark
Quero muito saber o que vocês vão achar sobre!


Boa leitura!

Capítulo 14 - Donghyuck não consegue cumprir sua promessa


 

Um mês se passou desde daquela enorme confusão. Renjun, Jeno e Jaemin estavam mais grudentos do que nunca, Jisung e Chenle tiveram sua primeira briga de casal, o apartamento de Mark ficou pronto e, eu, estou uma pilha de nervos, porque as provas estão se aproximando e as chances de eu bombar em matemática são tipo 100%.

Não é como se eu tivesse sido um bom aluno por todos esses anos, ou que me importasse com isso, mas de jeito nenhum eu reprovaria no meu último ano da escola. Primeiro, porque eu quero me formar para nunca mais pisar naquele inferno chamado colégio. Segundo, me recuso a perder a viagem de verão com os meus amigos. E terceiro, minha mãe me mata.

Era o horário do almoço e a mesa se encontrava assustadoramente quieta. Mark me lança um olhar perdido de “o que rolou?”, respondo dando de ombros deixando claro que não fazia ideia também. Me aproximo lentamente de Renjun e cochicho:

— O que tá acontecendo?

— Jisung e Chenle brigaram — responde.

— De novo?

— É a mesma coisa de antes.

— Eles não superaram isso ainda?

— Não. Chenle é teimoso demais.

— É de família.

Tomo um tapa no braço chamando a atenção de todos na mesa. Nos afastamos fingindo que nada aconteceu e cada um termina de comer no silêncio agoniante.

Quando estávamos voltando para sala de aula, seguro no pulso de Jisung e, sem dizer nada, o arrasto até o banheiro masculino mais próximo. Para minha sorte ele se encontrava vazio.

— O que tá rolando entre você e o Chenle? — pergunto sem rodeios.

— Não é nada de mais. — Abaixa a cabeça fitando o chão.

— Nada de mais? Vocês mal se olham na cara.

— A gente está tentando um pequeno problema no relacionamento.

— Isso todo mundo que estava na mesa percebeu. — Fecho a cara. — O que exatamente aconteceu?

— Meu professor de dança passou uma atividade em dupla, mas o Chenle ficou com ciúmes da minha parceira. Mas eu juro que não existe nada entre nós!

— O Chenle não é de criar paranoia sozinho, se ele está com ciúmes deve existir algum motivo.

— Ele disse que ela fica me olhando de um jeito estranho, que está sempre arranjando desculpa para me tocar e esse tipo de coisa. Eu não percebi nada disso.

— Mas você é lesado, Jisung — digo e ele faz uma expressão ofendida. — Você deveria conversar com ele.

— Eu já tentei, mas ele continua me evitando — choraminga.

— Tudo bem, fica calmo. Eu vou te ajudar.

— Como?

— Não sei, mas vou pensar em alguma coisa.

 

 

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 

 

 

 

As semanas que Mark havia dormido em minha casa não foram em vão, o novo apartamento dos Lee estava lindo com toda a reforma feita, e agora, o apartamento não estava completamente alagado. Apesar do canadense ter prolongado sua estadia, acabou sendo uma boa oportunidade para que nos aproximássemos de novo.

Não que eu estivesse 100% tranquilo e confortável com essa reaproximação, mas as coisas pareciam melhorar com o tempo. Mesmo que eu negue até a morte, a saudade que tive de Mark era evidente, tê-lo perto novamente transbordava um sentimento nostálgico por todo meu corpo. Ele me magoou, mas antes disso erámos melhores amigos, além do fato de ser meu primeiro amor. Sei que fui completamente injusto com ele no começo, afinal, o tratei com indiferença e despejei todo meu ódio em cima dele sem ao menos dar uma explicação do porquê de agir desta maneira.

Não posso culpá-lo, quando Mark voltou para Coréia ele esperava que seu grande melhor amigo Donghyuck o acolhesse de braços abertos, mas ele não imaginava que quem ele havia deixado para trás na verdade foi o Donghyuck, seu admirador secreto que teve seu coração quebrado.

 Mesmo que me esforçasse, sabia que não conseguiria fugir de Mark por tanto tempo. Isso me deixava frustrado, mas agora agradeço pelo destino ter sido completamente filho da mãe comigo.

Mark Lee ficava extremamente fofo com os fios de cabelo caindo em seu rosto e com os óculos circulares apoiados na ponta de seu nariz. Ele continha uma expressão concentrada em seu rosto, completamente focado no problema de matemática em seu livro, ao menos percebia que o encarava profundamente quase babando.

— Você conseguiu fazer o exercício cinco? — Pergunta, me acordando de meus devaneios.

— Hã?

— Você fez alguma questão da tarefa, Hyuck? — Ele pega meu livro de minhas mãos e vê que estava completamente em branco. — O que você ficou fazendo nesses quinze minutos? — Te encarando.

— Desculpa, eu não consigo me concentrar quando o assunto é matemática, eu nem entendi a matéria que a professora passou. — Bufo frustrado.

— Não é tão difícil como você imagina.

— Diz isso porque é inteligente.

— Você também é. — Sinto minhas bochechas corarem. — Vem cá, vou te ensinar.

Ele dá dois tapinhas no chão indicando para me sentar ao seu lado, engulo meu nervosismo e me aproximo.

— Essa é a fórmula de volume, você precisa pegar os números do enunciado e colocar na fórmula, a resposta será em metros cúbicos. — Ele escreve os números em meu livro e explica como calcular.

Mesmo nervoso, consigo entender perfeitamente o que Mark explica. O que não aprendi em anos no ensino médio, Mark me fez entender em menos de uma hora. Ele era um professor excelente.

— Olha, Canadá, se não fosse por você eu com certeza bombaria nas provas — digo rindo.

— Canadá? — Arqueia uma sobrancelha.

— É apenas um apelido. — Rio para ele não levar aquilo a sério.

— Achei que ainda estivesse chateado comigo.

— Já disse que não estou, não precisa ficar franzindo a testa, você fica muito feio desse jeito.

— Tudo bem, estou feliz que não esteja chateado. Não queria que nos afastássemos de novo. — Ele segura a minha mão, mas rapidamente puxo a mão colocando no bolso do casaco.

— É só você continuar sendo meu tutor de matemática até as provas que prometo não me afastar de novo.

— Promete mesmo?

— Prometo.

Ficamos um tempo nos encarando. A sensação de ter Mark por perto novamente era muito boa.

 

 

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 

 

 

 

Era final da tarde e estávamos reunidos em meu apartamento. Eu, Mark, Jaemin, Jeno e Renjun. Precisávamos debater um assunto muito importante, uma questão de vida ou morte.

— Acho que vocês sabem o porquê de eu ter pedido para nos reunir — começo falando.

— Na verdade não — diz Jaemin confuso.

— Nós teremos uma importante missão essa noite. Missão: Chenji.

— Chenji? — Mark pergunta sem entender.

— Chenle e Jisung — explico.

— E o que é exatamente essa missão? — questiona Jeno.

— Fazer os dois pararem com aquela briga besta e serem um lindo casal novamente.

— E como você pretende fazer isso?

— Elementar meu caro, Renjun. — Ando de um lado para o outro. — Vamos fazer isso da maneira mais simples de todas: os enganando e os trancando em um ambiente pequeno.

— É uma péssima ideia — Mark debocha rindo.

— Tem alguma ideia melhor, Lee? — O olho ferozmente e ele levanta as mãos se rendendo.

— Tudo bem, vamos fazer isso — Renjun diz e eu dou pulinhos de alegria.

— O primeiro passo é atrair eles pra cá, o que será bem fácil e depois trancamos eles no meu quarto. De acordo?

— De acordo — todos respondem ao mesmo tempo.

Dez minutos depois eu estava batendo na porta da casa do Jisung desesperadamente, invento uma desculpa esfarrapada que Jaemin estava no meu quarto chorando por ter brigado com os namorados e meu amigo inocente cai como um patinho.

Na Jaemin merecia um prêmio pela sua atuação, até lagrimas de verdade escorriam pelos seus olhos. O coitado do Jisung fazia de tudo para acalmar o Jaemin, mas o Na estava empenhado em gritar a plenos pulmões.

Corro para fora do quarto quando escuto a voz de Chenle na sala. A segunda parte do plano era Renjun, de alguma forma, atrair o irmão mais novo para meu apartamento, não sei exatamente como, mas Renjun conseguiu.

— Por que você me arrastou para cá, Renjun? — o irmão pergunta irritado.

— Eu preciso que você me ajude com uma coisa no meu quarto — digo ao Chenle e o puxo pelo braço.

Assim que chego perto da porta do meu quarto empurro Chenle com força para dar tempo suficiente do Jaemin sair correndo do quarto e trancar a porta.

— Ei! O que vocês estão fazendo? — Chenle berra do outro lado da porta e começa a socá-la enfurecido.

— Vocês dois vão ficar trancados nesse quarto até se resolverem — grito de volta.

— Eu não tenho nada para resolver com o idiota do Jisung!

— Eu sou seu namorado! — Jisung aumenta o tom de voz.

— Atualmente você está afastado desse cargo.

— Isso vai demorar — Mark diz e todos concordamos.

De fato, ele estava certo. Mais de meia hora havia se passado e não escutávamos nenhum som vindo atrás da porta, nem mesmo Chenle tentando esganar o Jisung. Aquilo começou a me deixar agoniado, o resto dos meninos já estavam impacientes.

— Eu juro que se vocês não começarem a dialogar como duas pessoas maduras, eu vou entrar nesse quarto e esganar os dois! — Renjun ameaça e esmurra a porta.

— Eu vou pedir uma pizza. — Jeno se levanta do chão, onde estávamos sentados no corredor, e vai para sala com o celular em mãos.

A ameaça de Renjun acabou surtindo efeito, porque cinco minutos depois conseguíamos escutar um burburinho atrás da porta. Não conseguíamos decifrar as palavras direito, mas eles pareciam estar se entendendo. Bom, pelo menos era o que parecia até que os gritos voltassem a ecoar.

— Você não está me escutando! NÃO ACONTECEU NADA! — Acho que nunca havia escutado Jisung usar aquele tom de voz.

— EU VI COM OS MEUS PRÓPRIOS OLHOS! Vocês dois dançando super agarrados!

— ERA A TAREFA DA AULA.

— Você acha que eles vão se entender? — Jaemin me questiona.

— Não faço ideia, mas nunca vi Jisung tão alterado.

— A verdade é que você não confia em mim. Porra, quantas vezes eu vou ter que te dizer que você é a única pessoa que eu amo! — Jisung estava xingando, não era um bom sinal...

— Você nunca disse que amava antes!

Eu e Jaemin nos entreolhamos com os olhos arregalados. Grudamos mais os ouvidos na porta para tentar escutar a conversa com mais clareza.

— Então agora eu estou dizendo. Eu amo você, Huang Chenle, consegue entender?

O quarto ficou novamente em silêncio. O show acabou, mas pelo menos parecia ter tido um final feliz.

— Já se resolveram? — Renjun pergunta ao casal.

— Sim — Chenle responde e destrancamos a porta.

Os dois sorriam tímidos, estavam com uma aura leve e romântica outra vez. Meu plano poderia ter sido péssimo, mas foi muito eficiente. A felicidades deles eram a minha felicidade também. 

— Nunca mais faça isso de novo — Jisung me ameaça e eu dou um sorrio malandro.

— Tudo bem. Agora vamos comer, porque as pizzas chegaram.

 

 

 

 

 

 

 

 

***

 

 

 

 

 

 

 

 

O período de provas havia se passado e eu poderia dormir tranquilo de novo. A boa notícia é que eu não bombei em matemática graças ao Mark, a má é que em “agradecimento”, o canadense pediu para que eu dormisse em seu apartamento. Só eu ele, nós dois, sozinhos...

Não vou fingir que não estou surtando totalmente com isso, até porque era tão visível em minha cara que três pessoas desconhecidas pararam para me perguntar se eu estava me sentindo bem. A vontade era dizer que não e implorar para eles me ajudassem a sumir do planeta. Infelizmente não aconteceu.

Renjun falou que eu estava exagerando, não é como se o Mark fosse me atacar dentro da própria casa, mas apenas de pensar que estaríamos — teoricamente — sozinhos, já era o suficiente para o meu surto. Renjun perguntou “Então por que só inventa uma desculpa para não ir?”, a realidade é: eu queria muito passar um tempo sozinho com o Mark, mas era perigoso.

No final das contas, cá estou eu, na sala de estar dos Lee’s assistindo um filme ao lado do Mark. Para minha sorte, ele estava do outro lado do sofá, assim não conseguiria ouvir os batimentos do meu coração super acelerados.

Assim que o filme acaba, o canadense se aproxima sentando-se ao meu lado.

— O que você quer jantar? Podemos pedir alguma coisa em delivery.

— Seus pais e Taeyong não vão jantar aqui? — pergunto nervoso.

— Taeyong está com Jaehyun e meus pais saíram para jantar com alguns amigos. — Que ótimo, então quer dizer que passaríamos a noite completamente sozinhos.

— Ei, tudo bem? — Mark me olha preocupado. — Te chamei duas vezes e você não me escutou.

— Estou bem sim, desculpa. — Solto um risinho desconfortável. — O que você está com vontade de comer?

— Hamburguer.

— Vamos de hamburguer então.

Enquanto esperávamos o jantar chegar, Mark iniciou uma saga de perguntas do que aconteceu no período que esteve fora. Era basicamente questionamentos de como conhecemos Renjun, como ficamos amigos de uma grande parte dos moradores do condomínio, como Jeno, Jaemin e Renjun começaram a namorar...

As histórias do passado acabaram tomando praticamente a noite toda. Comemos os nossos hamburgueres enquanto Mark me contava como tinha sido voltar para o Canadá, apesar de ter sido por pouco tempo. Ele revelou que mesmo sabendo inglês fluente, era difícil conviver com os nativos, porque era acostumado com os modos e a convivência coreana. Afirmou amar seu local de nascença, mas prefere viver na Coréia, mesmo que tenha uma boa parte da sua família morando no ocidente.

Mark não parava de repetir como sentia falta da Coréia e sempre pedia para os pais que voltassem a morar aqui. Devido ao trabalho do sr. Lee não era uma realidade voltar a morar no oriente, mas depois de um tempo a família inteira começou a sentir saudade e resolveram voltar. Segundo Mark, ele nunca mais quer mudar de país. Saber dessa informação me deixou feliz.

Assim que terminamos de comer, fomos para o quarto de Mark continuar a conversa.

— Então quer dizer que a mãe do Jeno e do Renjun tem uma franquia de sex shop?

— Sim, acabei de falar isso — digo rindo de sua cara incrédula.

— Desculpa, eu ainda estou processando essa informação.

— O Jaemin sempre se oferece para testar os produtos, mas o Jeno e Renjun odeiam isso.

— Ok, isso não é tão surpreendente. — Caio na gargalhada junto a Mark.

— Eles são um trisal meio exótico.

— Eu acho a relação deles fofa. — Concordo com sua fala. — Eu lembro que antes de eu viajar, Jeno confessou que gostava de Jaemin, ele ficou em choque quando respondi que já sabia disso.

— Todo mundo sabia que Jeno e Jaemin se gostavam, só eles não conseguiram perceber. Lerdos.

— Às vezes eles sentia que ainda faltava alguma coisa para que pudessem se entregar a esse amor. Ai o Renjun apareceu e tudo se completou.

— Uau, não sabia que Mark Lee era um romântico. — Provoco e ele vira a cabeça envergonhado. — Eu queria saber o que eles sentem, mas nunca gostei de duas pessoas ao mesmo tempo.

— Eu já. — Mark revela me deixando surpreso. — Mas não era a mesma coisa, o sentimento não era igual em relação as duas pessoas.

— Você gostava mais de uma do que de outra?

— Tipo isso.

Estávamos deitados na cama de Mark, ele estava atravessado de lado ao um canto ao outro da cama, seus pés ficavam de fora do colchão, e eu estava com as costas apoiadas na cabeceira.

— Quantos garotos você já gostou, Hyuck? — Mark questiona me pegando de surpresa.

— Não sei... uns três eu acho.

— O primo de Renjun está incluído? — Era impressão minha ou ele parecia incomodado?

— Xiaojun? Na verdade, não. Não aconteceu nada entre nós, foi apenas um flerte. — Eu e Xiaojun as vezes trocávamos algumas mensagens, mas nada no sentido romântico.

— Hum, entendi. — Mark fecha a cara.

— Por que você parece incomodado? Mark Lee, você está com ciúmes? — Brinco e ele taca um travesseiro na minha cara.

— É óbvio que não, Donghyuck. Por que eu teria ciúmes dele? — Eu também gostaria de saber.

— Minha vez de perguntar. Como você sabia que eu era gay?

— Acho que eu sempre desconfiei, tipo com o Jeno e Jaemin, mas eu tive a confirmação quando você postou nas redes sociais.

— Você me stalkeava?

— Eu apenas queria saber o que estava acontecendo com vocês quando me mudei.

— Mas não sabia que Jeno, Jaemin e Renjun namoravam. — O acuso e ele fica mudo por um momento.

— Tudo bem, eu queria saber o que você estava fazendo, satisfeito?

— Não exatamente, isso é estranho.

— Acho que você foi a pessoa que eu mais senti falta, Donghyuck. — Meu coração pula dentro do peito. — Só não conta isso pro Jaemin e pro Jeno.

— Prometo. — Sorrio em sua direção. — Desculpa por ter sido um cuzão quando você chegou aqui, acho que isso te pegou de surpresa.

— Confesso que não era essa recepção que eu esperava de você, mas isso não importa mais. — Ele se levanta de onde está e se senta à minha frente ficando apenas poucos centímetros de distância. — O que importa é que estamos de bem agora, não é?

Ele alcança a minha mão e entrelaça nossos dedos. Ficamos nos encarando por alguns segundo que pareciam eternidades, seu dedo fazia um carinho gostoso nas costas da minha mão, sua respiração era tranquila enquanto a minha estava descontrolada, praticamente ofegante. Aquela aproximação repentina me deixou completamente desconcertado, meu cérebro estava em branco, eu não sabia o que dizer, como agir, havia entrado em pane, e tudo por causa dos lindos olhos castanhos de Mark Lee que me encaravam profundamente.

— Estamos sim — respondo em um fio de voz e um lindo sorriso se forma nos lábios de Mark.

Meu olhar se fixou nos lábios rosados de Mark. Sua boca era linda, como se fosse uma delicada pintura em que o pintor passou horas aprimorando para que ficasse perfeita. Ele passa a língua sutilmente entre os lábios os umedecendo, tornando-os ainda mais convidativo.

Eu estava extasiado, minha pele fervia, meu corpo em completa anestesia, não sentia um musculo se quer. Meu coração disparava, meus pelos se arrepiavam e minha boca ficava cada vez mais seca. Entrei em completa combustão quando Mark acaba com a minha tortura e junta nossos lábios em um beijo molhado e desajeitado. Deixe-me levar por um instante, nossas bocas mexiam em completa sintonia, como em uma dança cheia de tesão e saudade. Emaranho minhas mãos em sua nuca bagunçando seus fios de cabelo e o trazendo para mais perto. Sem me dar conta, estou quase sentado em seu colo e suas mãos apertavam minha cintura com precisão.

As sensações causadas em meu corpo eram de completo deleite, os toques eram quentes e nosso corpos tinham ânsia um pelo outro, submergidos na lubricidade. Era delicioso, porém em um segundo de lucidez volto-me a realidade. De repente o beijo torna-se amargo.

— Espera. — Me afasto de supetão, não permitindo que Mark se aproxime.

— Eu fiz alguma coisa de errado? — pergunta assustado.

— Por que você me beijou?

— Como assim?

— Por que você fez isso? É algum tipo de brincadeira com a minha cara? — Eu estava dominado pela ira. Mark Lee não me faria de palhaço novamente.

— Claro que não, Donghyuck! Eu nunca faria isso!

— É claro que faria! Se já fez uma vez, o que te impede de fazer de novo? — Altero meu tom de voz, o andar inteiro conseguiria escutar meu surto.

— De novo? Do que você está falando? — Mark encontrava-se desorientado.

— Você sempre gostou de garotas, nunca gostou de mim e nunca iria gostar e você deixou isso super claro três anos atrás! — Sinto as lágrimas escorrerem descontroladamente pelo meu rosto. Odiava demonstrar vulnerabilidade.

— Você não sabe o que está falando.

— Não sei ou você que não lembra como foi extremamente babaca no passado. — Levanto-me furioso da cama. —  Você não queria saber o porquê de eu não ter ido me despedir? Agora você sabe que eu não tinha coragem de olhar na cara da pessoa que mais me magoou na vida.

— Donghyuck, eu... — Ele agarra o meu pulso, mas o puxo com força me soltando.

— NÃO ENCOSTA EM MIM! — Abraço meu próprio corpo.

— Tudo bem, me desculpa. — Mark dá dois passos para trás acanhado. — Podemos conversar? Com calma.

— Tudo bem. — Sento-me no chão e ele faz o mesmo na minha frente.

— Fale tudo o que tem para me dizer, vou apenas te escutar. — Assinto com a cabeça e começo a contar.

 

 

 

 

FLASHBACK

 

3 anos atrás...

 

           

— Tem certeza de que você quer fazer isso? — Já era a terceira vez que Jisung me perguntava a mesma coisa, estava ficando irritante.

— Sim, Park Jisung, eu vou fazer isso. E se você perguntar mais uma vez eu juro que te dou um soco — ameaço.

— Tudo bem, só quero garantir que não vai se arrepender.

— Mesmo que ele me rejeite, não importa. Ele vai ir embora de qualquer jeito... — Faltavam apenas duas semanas para Mark se mudar, ainda parecia surreal.

— Quem sabe ele não resolve ficar por sua causa.

— Só nos meus sonhos mais loucos. — Jisung era tão sem noção as vezes.

Secretamente eu me pegava imaginando como seria se Mark gostasse de mim de volta e resolvesse ficar em Seoul, apesar de saber que a decisão de se mudar não havia partido dele, e sim de seus pais. Mesmo assim, eu continuava triste com essa notícia, eu iria perder meu melhor amigo e, consequentemente, o menino que sou apaixonado.

Percebi que meus sentimentos por Mark começaram a mudar depois que nos beijos, foi meu primeiro beijo e com um garoto. Eu deveria ter achado o horrível, mas foi completamente ao contrário. Sempre suspeitei que fosse diferente dos outros garotos, os sentimentos pelo meu melhor amigo só confirmaram o que eu já sabia há muito tempo.

Eu tinha consciência que estava me iludindo, o próprio Mark me revelou estar gostando de alguém, e provavelmente era alguma menina sem graça da nossa classe. Nunca entendi o que as garotas têm de tão interessante. Entretanto, havia uma ponta de esperança que esperava que Mark retribuísse meus sentimentos.

Eu tinha plano: Deixar um bilhete em seu armário declarando meus sentimentos por ele. O bilhete está assinado como anônimo, mas assim que ele terminar de ler, vou confessar que eu que escrevi. Eu poderia apenas falar, mas a minha vergonha era muito grande para tal feito.

O plano corria muito bem. Esperei até o final do treino de basquete, coloquei o bilhete dentro do armário e me escondi. Mark apareceu no corredor ensopado de suor e com uma cara de cansado devido ao treino, apesar disso ele continuava bonito.

Assim que abriu o armário o bilhete cai no chão e Mark rapidamente o pega e abre o envelope para ler. Ele estava sorrindo! Isso só podia ser um bom sinal. Porém antes que eu saísse do meu esconderijo, alguns meninos do time de basquete aparecem para falar com o Mark.

— O que é isso, Lee? Uma cartinha de amor? — Um dos garotos debocha. Que idiota.

— Não é nada demais. — Mark coloca o bilhete atrás das costas, mas outro garoto é mais rápido e pega o bilhete de suas mãos e começa a ler.

— Essa é coisa mais brega que já li. Le isso Jaesuk. — Entrega o bilhete para o garoto que ao ler começa a rir.

— Então quer dizer que Mark Lee tem uma admiradora secreta? — O tal do Jaesuk diz com maldade.

— Deve ser de uma garota qualquer — Mark diz tentando recuperar o bilhete das mãos deles, mas sem sucesso.

— Talvez seja daquele seu amigo viadinho, ele sempre está atrás de você. — Meu corpo inteiro congela.

— De quem você está falando?

— Você sabe, aquele garoto miudinho e magrelo, que está sempre te procurando. Qual o nome dele mesmo? Minhyuck? Dohyuck?

— Donghyuck — Mark responde.

— Isso mesmo. Deve ter sido aquele boiola que escreveu essa carta, só um gay escreveria isso — debocha. Sinto os cantos dos meus olhos se encherem d’água.

— Donghyuck não é gay — Mark diz raivoso.

— O que foi Lee? Está defendendo seu namoradinho?

— Ele não é meu namorado! E eu não sou gay!

— Não precisa ficar estressadinho. — Os dois riem. — Mas toma cuidado com aquele seu amigo viadinho, ele adoraria te beijar.

— Eu nunca beijaria um garoto, muito menos ele. — Sinto meu peito apertar, o ar fica rarefeito. — Eu nunca gostaria dele! E essa carta é estúpida.

Ele amaça meu bilhete e o joga no lixo sem piedade. Sinto como se ele tivesse jogado meu coração fora junto. Começo a chorar, coloco a mão na boca para não ouvirem meus soluços. Saio correndo pelos corredores, trombo com várias pessoas devida à visão turva, mas eu não podia parar de correr. Ninguém podia me ver assim. Meus pés só param quando chego a onde queria.

Bato desesperadamente na porta.

— Donghyuck? — Jisung pergunta surpreso, mas seu olhar muda quando vê meu estado. — O que aconteceu?

— Você tinha razão, Sung. Deu tudo errado. — Minha voz intercalava entre os soluços. — Eu nunca mais quero olhar na cara do Mark Lee. Nunca mais!

— Ele é um babaca, Haechannie. — Ele afaga meus cabelos. — É uma pena que ele não perceba o quanto você é incrível.

— Posso passar a noite aqui?

— Claro. Você quer me contar o que aconteceu?

— Agora não. — Seco minhas lágrimas. Agora o único sentimento que restava era repudio e ódio. — A partir de hoje, Mark Lee é um nome proibido na minha vida.

 

 

 

 

PRESENTE

 

 

 

— Hyuck, eu sinto muito... Eu nem sei o que te dizer... — Mark ainda estava impactado com a história.

— Sente mesmo ou só está falando isso para que eu me sinta melhor? — Pergunto seco.

— Sinto mesmo. Eu nem imaginava... Eu nem me lembrava... — Suas frases eram inacabadas. — Me desculpa, eu fui um completo idiota.

— Foi mesmo. — Seco meu rosto.

— Você tem toda razão em me xingar, me odiar. Eu era um babaca. — Mark parecia pasmado. Acredito quando diz que não se lembrava, talvez para ele aquele momento foi totalmente banal, mas não foi para mim...

— Eu sei que você não é mais assim — digo e ele me olha profundamente. Ele parecia a um passo de desabar em choro. — Se você fosse homofóbico, não suportaria ficar perto da gente.

— Foi tudo um mal-entendido. — O olho desconfiado. — Eu disse aquilo, mas eu não queria dizer, entende?

— Na verdade não.

— Por que eu diria que nunca beijaria um garoto, se já tínhamos nos beijado?

— Eu não sei, Mark. Você disse que estava gostando de alguém e só me usou para saber como era beijar.

— Eu nunca usaria você!

— Bom, não foi o que pareceu. Principalmente porque eu sei que você gostava de uma menina da nossa sala, o Jeno me contou.

— Eu acabei de te falar que gostei de duas pessoas ao mesmo tempo.

— O que? Vai me dizer que você de mim também? — Pergunto desacreditado, mas ele continua me encarando. — Eu não acredito em você.

— Mas é verdade!

— Se é verdade, por que você debochou de mim na frente dos seus amigos? — Minha voz voltava a se alterar.

— Se eu dissesse eles iam zoar com a minha cara. Ou você diria que gostava de garotos na frente de um bando de homofóbico?

— Você se tirou da reta, mas não me defendeu.

— Você tem razão. — Uma lágrima escorre de seu olho. — Me perdoa, Donghyuck. Eu não deveria ter feito isso. Eu deveria ter te defendido, deveria ter ido atrás de você, deveria ter ficado aqui e não ter ido embora...

— Para Mark. — Seguro em seus ombros. — Não foi sua culpa ter se mudado, eu apenas falei isso porque estava magoado.

— Eu gostava muito de você, Hyuck. — Ele segura na minha mão direita. — Eu gosto de você.

— Mark... — Tento soltar minha mão, mas ele segura mais forte.

— Não estou pedindo para você me perdoar ou acreditar em mim, só estou pedindo que você me dê uma chance. — Ele me olha profundamente. — É só isso que eu peço.

— Eu não sei, Mark... Eu não quero me magoar de novo. — Recuo. — Principalmente por sua causa.

— Não vai acontecer de novo.

— E como você pode me garantir isso? — Ele se silencia. — Eu preciso de um tempo.

— O que!? — Ele me olha incrédulo.

— Não vai ser pra sempre — tento me explicar. — Eu apenas preciso de um tempo para assimilar tudo isso. Assim podemos voltar ser amigos aos poucos.

— Amigos? — Seu olhar fez meu coração se despedaçar, mas eu não quero me sentir infeliz de novo.

— Não torne isso mais difícil, por favor. Eu não quero te odiar mais. — Me aproximo dele. — Eu não vou desistir da nossa amizade, mas eu preciso me curar primeiro.

— Eu vou te esperar. — Tento o interromper, mas ele não deixa. — Só acredite em mim dessa vez.

— Tudo bem, eu acredito. — Sorrio e afago seu ombro. — É melhor eu voltar pra casa. — Me levanto e recolho minhas coisas. — Boa noite, Mark.

Saio a passos apressados do apartamento. Doía muito ter abandonado Mark daquele jeito, mas eu precisava pensar em mim mesmo pelo menos uma vez na minha vida. Sei que fui egoísta, porém não me deixaria dominar por sentimentos ruins de novo. Tentar odiar uma pessoa que amamos era cansativo, desgastante. No final, eu nunca irei conseguir odiar o Mark completamente, então o melhor jeito era me afastar, mesmo que isso machucasse nós dois.

Assim que fecho a porta do meu apartamento desabo a chorar. Minha mãe aparece na sala e com um olhar era aflito. Não queria preocupá-la, mas precisava desabar. Ela se apressa ao sentar-se do meu lado e me aninha sobre seus braços me consolando. Um abraço materno é curador.

— O que aconteceu, filho? — Sua voz era estremecida.

— Eu contei pra ele, mãe. Contei tudo!

— Está falando do Mark? — Concordo com a cabeça. — Eu sinto muito, Hyuck. Ele foi rude com você?

— Não. — Soluço. — Ele deve estar pior do que eu. Eu disse que precisava de um tempo.

— O tempo pode ser um grande curador, mas ele não faz milagre sozinho. — Faz um carinho em meus cabelos. — Está tudo bem se afastar do que te faz mal.

— Eu tenho medo de me machucar de novo.

— Isso é impossível de afirmar com toda certeza. Quando nós amamos, nos afundamos de cabeça sem perceber, doamos todo o nosso coração sem pensar que a outra pessoa possa devolvê-lo inteiramente picotado.

— Por que você o deixou ficar aqui? — Esta pergunta estava entalada a muito tempo.

— Eu imaginei que vocês pudessem voltar a ser amigos. Me desculpe.

— Não precisa se desculpar, eu sei que você só queria minha felicidade.

— Eu sempre vou querer te ver feliz, meu filho. — Deposita um beijo delicado no topo da minha cabeça. — Você quer assistir um drama comigo?

— Quero.

Aos poucos minhas lágrimas se secaram. Com o cafuné da minha mãe, me aconcheguei ao seu lado e sem percebe acabei adormecendo.

 

 

 


Notas Finais


Finalmente a história toda foi revelada
E ai? O que vocês achavam que vai acontecer daqui pra frente??


Muito obrigada por todos os comentários e favoritos!


Antes que fique qualquer dúvida, vou listar quais são as orientações sexuais dos casais:

Donghyuck: Gay
Mark: Bi
Renjun: Gay
Jaemin: Gay
Jeno: Bi
Chenle: Bi
Jisung: Gay
Johnny: Bi
Ten: Pan

Se quiser saber de mais algum personagem, é só me questionar nos comentários.


Vejo vocês no próximo capítulo, beijos <3


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