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História A vez de Lacey - Capítulo 10


Escrita por: CameliaBardon

Notas do Autor


oii! Muito obrigada pelo carinho da última semana pelos comentários! Já estou me organizando pra responder tudo direitinho, mas não queria deixar vocês em dia com a postagem. Vamos lá:
no capítulo de hoje temos:
- amor e conselhos de irmã
- surtos com borboletas
- ameaças de trocas de soco (unilaterais)

Capítulo 10 - Frésia


Fanfic / Fanfiction A vez de Lacey - Capítulo 10 - Frésia

Lacey e Kathleen caminharam lado a lado pelo caminho de pedras do jardim. Não havia como Kathleen saber que há apenas alguns momentos Lacey estava saltitante, então procurou disfarçar a melancolia súbita. Além disso, não era culpa da irmã se ela era naturalmente adorável e talentosa.

— Onde estava? — Kathleen indagou timidamente. — Ashlyn disse que só voltaria mais tarde...

— Oh, eu estava com Hadley e Isla. E eu ia voltar mais tarde, mesmo... Mas mudei de ideia.

— Entendi... Ah, Lace, o que você viu... Não é o que está pensando.

— Eu não estou pensando em nada — Lacey replicou num tom doce.  — Fique em paz, Kathleen. E a sua tarde, foi agradável?

Esquecendo-se da preocupação que demonstrava há poucos segundos, Kathleen se aprumou e abriu um sorriso contente. Lacey apreciava esse traço de personalidade na irmã, apesar de que ele andava lado a lado com a distração avassaladora com a pintora. Luke não disse que viver no mundo da lua era um sinal de criatividade e inteligência? Seria possível que estivesse pensando em Kathleen quando disse palavras que tanto haviam a consolado?

Ah, Luke...

— Foi ótima! Estive pintando, como sempre. Testando técnicas diferentes. Hum... E só. E a sua, Lacey?

— Foi bem... Ah, foi uma tarde normal. Nada de muito espetacular. Janessa está em casa?

— Acho que sim. Se não estiver, já já estará aí.

Assentindo com a cabeça, Lacey despediu-se dela quando seguiram em direções opostas.

O resto do caminho foi feito em silêncio. Após um bom banho, Lacey pediu que lhe servissem qualquer coisa que lhe forrasse o estômago. De repente, nem mesmo as tortas de mirtilos conseguiam provocar algum efeito na altezinha.

Quando Janessa retornou, enfim, de suas aulas com Paul, Lacey estava praticamente inconsolável. Apesar de nascerem no mesmo dia e com o intervalo de minutos, Janessa – a Número 10, Doutora Inseto, Nessa ou Jane (em matéria de apelidos, era comum a variedade de usos e desusos) – possuía o forte senso de liderança entre as trigêmeas. Fosse por sorte, destino ou acaso, sua personalidade era a única dentre as três que condizia com sua posição. Afinal, Kathleen era muito desatenta; Lacey, por sua vez, era muito medrosa. Fosse como fosse, Janessa sabia dizer quando qualquer fio de cabelo das irmãs estava fora do lugar. Não foi diferente daquela vez.

— Ei... — Janessa sentou-se ao seu lado na cama, tentando atrair a atenção da mais nova. — O que aconteceu? Parece chateada...

— Não foi nada — Lacey suspirou. — Quero dizer... Amanhã já vai passar, não se preocupe.

— É, mas ainda é hoje. E eu ainda estou aqui. É segredo?

— Mais ou menos. Mas já disse que não precisa se preocu...

— Oh, certo. Então pode me contar hipoteticamente. O que acha da ideia?

Após ponderar a questão e notar que Janessa não iria desistir tão fácil, Lacey apenas suspirou e assentiu com a cabeça. Deixando os ombros caírem, a mais nova observou enquanto Janessa deixava o prato com a torta na cômoda ao lado. Em seguida, ela segurou a escova de cabelo com determinação.

— Você, Alteza, está precisando de cuidados. Ofereço os meus.

— Está tão feio assim? — Lacey olhou por cima do ombro, exprimindo um muxoxo desanimado. — Claro... Fique à vontade.

— Feio, não... Acho difícil algum cabelo molhado no geral ficar bonito. Arrume a postura aí.

Lacey fez conforme pedido, jogando as madeixas loiras para trás. Olhando o estrago, Janessa trocou em silêncio a escova pelo pente. Começando do topo da cabeça, Janessa segurou-a para não machucar enquanto desfazia os nós do cabelo comprido. Quando notou que os ombros de Lacey relaxaram, aí sim começou a pensar em algo a dizer.

— E então? Hipoteticamente, o que estaria chateando uma pessoa imaginária?

— Bem... — Lacey suspirou, enrolando uma mecha já penteada na ponta dos dedos. — Imagine que... Essa pessoa, hipotética, goste de outra. E... Acredite que seja recíproco até certo ponto. Mas uma hora lhe passa o pensamento pela cabeça... “E se não for recíproco? E se for apenas gentileza?”. E... Ah, isso está me frustrando. Não gosto da ideia de disputar por alguém ou tentar mostrar a qualquer custo que valho algo. Se ele está interessado em outra pessoa, vou deixar estar. Não é esse o princípio?

— Hipoteticamente?

— Sim. Completamente.

Janessa assentiu com a cabeça, mordendo os lábios para pensar numa solução lógica para o problema. O que insetos fariam no seu lugar? Bem, nada amigável, isso era certo. Apesar de ser a doçura em pessoa, Janessa não levava muito jeito com humanos em geral. Mas faria seu melhor para ajudar uma irmã aflita.

— Olhe... Às vezes, isso é só as suas inseguranças falando mais alto.

— Como assim...?

— Ah. Como eu digo...? Até que a pessoa hipotética diga que sim ou que não, tudo fica morando dentro da nossa imaginação. Podemos supor o melhor e o pior, e você passou pelas duas fases.

Lacey encostou a cabeça no ombro da irmã, procurando analisar suas expressões.

— Hum! E... Como eu posso ter certeza do que é o que não é?

— Perguntando. Ou jogando sujo.

— J-jogando sujo? — Lacey arregalou os olhos turquesa. — Ah, meu Deus, Janessa! Eu não sou uma assanhada!

Janessa gargalhou com a reação da irmã. Terminando o setor direito do cabelo, arrumou a cabeça de Lacey para que voltasse à posição original. Rindo baixinho, Lacey entendeu o recado sem mais dificuldades.

— É. Não estou dizendo para se atirar na pessoa, mas sim... Hum... Fazer pequenas sugestões. Não indiretas, sugerir situações. Por exemplo, pequenos convites para realizar atividades simples e que façam as pessoas se sentirem importantes. Entende?

— Sei...

— Por exemplo. As meninas sabem que são importantes para a Ashlyn porque ela pede para que elas a acompanhem em tudo. Café, almoço, jantar, atividades de folga... Sabíamos que éramos importantes para o papai quando interagíamos com ele no café e no jantar, e enquanto brincávamos por aí. Faz sentido?

Lacey assentiu com a cabeça, mais pensativa. Fazia mesmo sentido. Suspirando, ela soltou a mecha com a qual estava brincando e jogou-a para trás com o resto do cabelo.

— E se for a opção negativa?

—Aí... Vai ter uma irmã com um abraço quentinho para te confortar se for o caso — Janessa sorriu com gentileza. — E provavelmente com minhocas e besouros juntos, mas juro que são inofensivos. A caranguejeira também pode se voluntariar.

— Ah, por favor, a caranguejeira não — Lacey empalideceu de uma maneira cômica. — Não quero testar se ela é inofensiva do jeito que você está falando...

Janessa gargalhou uma vez mais, jogando o cabelo castanho-escuro para trás. Com o pente e mãos habilidosas, Janessa dividiu o cabelo da irmã em três, pronta para fazer o único penteado que sabia: uma trança simples e torta. Não se abalando, ela partiu para fazer um mimo para as madeixas louras e úmidas.

— Ok, deixemos a caranguejeira longe. Mas você entendeu o que eu disse. Não está sozinha, Lacey... Se doer, tem várias pessoas disposta a confortarem você, incluindo as altezinhas que mal sabem o que é sofrer por um coração despedaçado. O “coração despedaçado” delas é quando não tem torta no café da manhã.

— Mas isso é completamente compreensível — Lacey riu baixinho, entregando os pontos. — Obrigada, Nessa...

— É sempre uma honra. Amanhã você vai comigo ao borboletário, acordar com os cabelos lindos e cheirosos. E vamos quebrar o coração dele antes que ele quebre o seu.

Lacey riu menos preocupada com a situação que estava quase a ponto de tirar seu sono. Recostando-se na irmã após ela terminar sua trança torta, Lacey sorriu sozinha pela esperança do novo amanhã.

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Armando-se de um pedaço generoso de torta de maçã – afinal, mirtilos não são eternos – e seu chapéu de abas largas decorado com um fitilho que combinava com seu vestido lilás de verão, Lacey acompanhou a irmã até o borboletário. Se fizesse frio mais tarde, havia o xale elegante para cobrir os ombros. Contrastando com ela, Janessa caminhava firme ao seu lado usando botas de cano alto, uma calça confortável e uma camiseta azul com bordados de frésias nas laterais das mangas. Fora Blair, Janessa era a única que optava por usar calças livremente – e ainda assim o fazia com sua classe.

 Foi apenas no dia seguinte que Lacey conseguiu ver que o consolo de Janessa havia sido muito mais eficaz do que ela havia calculado. Antigamente, borboletas lhe eram criaturinhas horripilantes; agora, ela havia conseguido deixar Lacey animada com a perspectiva de passar uma tarde com elas. Talvez a animação da irmã fosse contagiante, afinal de contas.

— Você tirou a sorte grande hoje, Lace — Janessa só faltava dar pulinhos de alegria. — Hoje é o primeiro voo de um grupo que vai sair do casulo. Eu estou tão ansiosa! Elas são Pontia protodice. Roubei as larvinhas do repolho para as verem crescer.

— A-ah! Isso é... Nossa...

— Eu sei. É incrível. Sabia que elas dormem mesmo à noite?

Lacey franziu a testa.

— E aquelas grandonas pretas?

— São mariposas. Ou... Borboletas noturnas. Elas também são interessantíssimas.

Certo, Lacey não tinha tanta certeza sobre o entusiasmo.

Entretanto, sua dúvida minguou ao ver o amontoado de pequenas colorações pousadas nos galhos, folhas e arbustos. Soltando um “uau” involuntário, Lacey rendeu-se aos encantos do mundo da irmã. Antes que tivesse tempo de dizer alguma coisa, uma borboleta azul e preta rodopiou em frente de seus olhos e pousou na ponta de seu nariz.

— Ah, meu... — Lacey sussurrou, ficando vesga para encarar o inseto. A borboleta parecia estar num misto de curiosidade e ameaça. — Nessa...?

— Não se mexa, ela vai sair já já.

— Mas meu nariz está coçando...

— Sabe que o pozinho delas causa cegueira, não sabe?

Ah, meu Deus.

Janessa então riu como se não houvesse amanhã. Foi a hora de Lacey perceber que raras as coisas eram levadas a sério quando tratava-se de Janessa. Pior ainda: a irmã vivia nos dois extremos entre levar tudo com nenhuma seriedade ou seriedade ao extremo. Talvez Lacey devesse começar a imitá-la nesse aspecto.

— É brincadeira! No máximo vai dar alergia, mas é realmente... — enquanto Janessa se explicava, a borboleta tratou de voar para longe. Então, Lacey sentiu que podia respirar novamente. — Raro. Viu só? Seu siricutico assustou a pobre da borboletinha.

— Ridículo. Foi o contrário.

— Vamos indo antes que a gente perca o voo das outras, sim?

Lacey assentiu com a cabeça energicamente, pondo-se a seguir a irmã em busca das... Larvas de repolho. Era tão melhor quando elas já estavam crescidas. Pelo menos não são mais besouros. Rindo sozinha, Lacey escutou o que a irmã tinha a dizer antes de introduzir as novas borboletas. Já era possível ver um par de mãozinhas lutando para romper sua prisão tão confortável.

— É uma cena agridoce... Borboletas se machucam muito no processo de sair da crisálida. É incrível, não é? Para terem a leveza das asas, elas travam uma batalha árdua para se acostumar com o ambiente aqui fora e o novo corpo. Pode demorar um pouco, mas prometo que vai valer a pena.

Então, tudo que restou foi observar. Era ao todo cinco borboletas, o que resultou num processo demorado de ser assistido. Ainda assim, Janessa permaneceu observando-as e anotando tudo que podia em sua caderneta. Lacey não esperava ficar tão fascinada com o ato, mas conforme as borboletas despediam-se de suas casas e davam olá ao novo mundo que as aguardava com tanta paciência ficava mais boquiaberta.

Nascimentos eram permeados de dor e beleza. Por que, então, renascimentos não seriam equivalentes?

Quando todas saíram e deixaram de lado sua timidez, foi um festival de branco pelo ar. Primeiro, elas voaram em círculo todas juntas, reencontrando-se após muito tempo separadas umas das outras. Lacey e Janessa trocaram um sorriso cúmplice, após o grupo de borboletas brancas completarem mais uma espiral para juntarem-se às outras. Janessa suspirou apaixonadamente.

— Mais uma vez, a natureza segue seu curso.

— É... É muito bonito — Lacey admitiu, brincando com o fitilho de seu chapéu.

— E?

— E o que?

Janessa estreitou os olhos azuis para a irmã, como quem diz “não se faça de desentendida”. Lacey riu um tanto para dentro, sentindo as bochechas queimarem. Daí, ela ofereceu o dedo mindinho para a irmã, como faziam quando eram criancinhas.

— Prometo colocar o plano em prática, mas amanhã. Para hoje já tenho outros planos.

Janessa segurou o mindinho da irmã com o seu, selando o acordo com muita seriedade.

— Muito bem. Senão, Luke pode me esperar pronto para levar uma surra. Aquela bobagem hipotética não me convenceu de nada, Lace.

— Ah, meu Deus...



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