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História A vez de Lacey - Capítulo 11


Escrita por: CameliaBardon

Notas do Autor


oi gente! depois dos surtos dos capítulos passados, aí vem a calmaria. troquei a capinha da história, vocês gostaram?

no capítulo de hoje temos:
— pintura
— cartões
— mais surtos

Capítulo 11 - Margarida


Fanfic / Fanfiction A vez de Lacey - Capítulo 11 - Margarida

No dia seguinte, Lacey surrupiou algumas frésias para seu registro pessoal. Hesitando um tanto quanto às margaridas que viriam na página seguida, Lacey deu-se por vencida ao lembrar que o significado das flores era o amor puro e inocente. E não era exatamente isso que sentia por cada uma das irmãs? Amor sem maldade? Suspirando, Lacey fechou a última página da caderneta. Faria as anotações depois.

O salão que Kathleen usava para pintar seus quadros, sejam eles grandes ou pequenos, era um canto recluso e extremamente colorido no palácio. A sala era repleta de flores, retratos, esboços e um projeto maior estabelecido bem no centro da sala. Em meio a tantas cores, ainda assim o alaranjado dos cabelos de Kathleen se destacava. Rindo sozinha, Lacey lembrou-se dela se queixando para Ashlyn que Lady Winters havia dito em tom pejorativo que seu cabelo era “muito laranja”. Era bem verdade que ela tinha sido a única premiada com a genética da avó materna, mas Kathleen parecia estar indiferente à singularidade de sua aparência. Deixando os devaneios de lado, Lacey bateu à porta do “estúdio” com timidez.

Kathleen – ou a Número 11, Lady Aluada, “penúltima” ou apenas “ruivinha” – voltou-se para trás com curiosidade. Ao ver que a irmã mais nova estava parada no batente da porta, acenou animadamente. Era possível ver que sua bochecha tinha uma mancha azul de tinta, provavelmente uma tentativa de limpeza que havia dado em mais sujeira. Lacey segurou a risada e aproximou-se da irmã.

— Oi! Como vai? — Kathleen perguntou indo abraçá-la sem qualquer reserva. — Não estou atrasada para alguma coisa, estou?

— Ah, não. Ainda estamos no intervalo entre o almoço e o jantar.

— Ufa! Estava muito concentrada.

Lacey sorriu de lado, espiando o rascunho.

— Espero não estar atrapalhando. Quer dizer, se estiver muito concentrada e não quiser desperdiçar a inspiração, posso voltar outro dia...

— Imagine! Acho que eu travei no céu estrelado que estava trabalhando, aí parti para a tela grande. Eu detesto rascunhar, mas também morro de medo de desperdiçar uma tela gigantesca dessas... Daria uma tristeza daquelas.

Lacey assentiu com a cabeça, aproximando-se para analisar a “tela gigantesca”. Os traços eram finos, porém Lacey reconhecia o local. Ainda que não estivesse colorido e que fossem lembranças muito antigas, era impossível não ter um choque de realidade e familiaridade tão grande.

— Está pintando o pátio de dança...!

— Estou — Kathleen admitiu, encarando os próprios pés. — Combinamos de não falar mais a respeito dele, mas ninguém falou a respeito de pintá-lo. Além do mais, vai parecer mais uma pintura criativa do que um registro de memória. Ah, eu... Queria relembrar os velhos tempos onde tudo era mágico.

E quem era Lacey para contradizê-la? Não havia pensado o mesmo pouco mais de um mês antes? Sorrindo, ela abraçou a irmã de lado.

— Tem todo meu apoio, Kathleen. Não vou dizer nada até ficar pronto.

— Agradeço muito. Muita expectativa num trabalho provoca muita pressão — Kathleen comentou sabiamente. — Então... Se não veio para me chamar, qual o motivo de sua visita?

Lacey respirou fundo, organizando os próprios pensamentos. Imaginando que faria bagunças piores que a da irmã, ela sacou do bolso do avental uma fita para amarrar o cabelo num coque. Kathleen permaneceu observando-a, com a sobrancelha erguida.

— Eu gostaria... De pintar com você, hoje.

— Oh! — Kathleen piscou algumas vezes, assimilando a informação. — Não achei que você quisesse aprender a pintar, Lacey.

— Ah, vai saber. Talvez eu tenha algum talento oculto.

Lacey quase podia escutá-la dizendo “eu duvido”, porém se Kathleen o pensou teve a decência de guardar o pensamento para si. Chegando mais para perto, Lacey acrescentou:

— E... Eu gostaria de fazer alguns convites personalizados. Trouxe minha caneta-tinteiro e meus papéis de carta, mas queria deixar as bordas bonitinhas, sabe...? Como é o nome daqueles negocinhos?

— Floreios — Kathleen completou, assentindo com a cabeça. — Claro! Podemos fazer isso. Ali está a mesa de desenho, mas acho que podemos sentar numa mesa normal, já que o papel é pequenininho.

Lacey acompanhou-a quase saltitando. Com a animação da irmã, era quase impossível esquecer-se do dia nublado anteriormente. Lacey acreditava que, mesmo que houvesse alguma discussão colossal entre alguma das doze irmãs, essa ainda seria muito fácil de ser resolvida. Estavam intrinsecamente ligadas, por meio de uma força avassaladora chamada amor. O pensamento a fez sorrir.

— Então... O que pensa em fazer? — Kathleen indagou, com um sorriso sincero. — É uma festinha que está organizando?

 — Algo do tipo — Lacey sorriu enigmática. — Estava pensando em doze convites. Cada um com um “floreio” em cima e embaixo, para ficar bonitinho. Aí o resto eu preencho com a minha letra mesmo...

— Entendi! Parece divertido! Qual o tema?

Lacey sentiu as bochechas esquentando, como sempre acontecia quando estava prestes a dizer algo que só parecia óbvio em sua cabeça.

— Flores...

— Claro que seria. Vamos lá então! Uh... Você está com sorte, pedi uma aula sobre elas esses dias atrás.

É claro, Lacey murmurou para si mesma sem emitir som algum. Não seja amarga, Lacey.

— Sério? Que bom!

— É... O senhor Luke é muito atencioso. E... Nós conversamos bastante. Mas ele é muito, muito tímido.

— Oh, é mesmo? — Lacey respondeu num misto de frase genérica com interesse mediano. Não iria deixar a irmã falando com as paredes. — Fico feliz que se deem bem.

Kathleen fez que sim, porém logo seu rosto ficou tão vermelho que chegou a competir com o tom laranja do cabelo. Parecia estar prestes a explodir.

— Está tudo bem...?

— Ai, eu não vou me segurar. Era para ser segredo, mas você está pensando bobagens...

Lacey franziu a testa, verdadeiramente confusa. Por fim, Kathleen soltou um suspiro exasperado.

— Não tenho certeza se estou entendendo, Kathleen...

— Não, não está. Eu e Luke não conversamos muito sobre... Trocar gostos pessoais. Eu fui atrás de referências artísticas sobre flores e eu e ele, nós conversamos sobre... Você. Como sua irmã, ele queria saber se havia algo que você gostava em particular para fazer uma surpresa. Pronto, falei.

Lacey arquejou quase se derrubando da mesinha.

— Como é que é?

— Ele está caidinho pela senhorita, Alteza. Você só não vê por conta das suas inseguranças.

Em seguida, foi um festival de descrença. Lacey procurou amaciar a dor no coração, enquanto Kathleen a abraçava de lado. É claro que ela pediu ao menos cinco vezes desculpas – uma por dar um susto na irmã, uma por guardar segredo, uma por revelar o segredo, uma pelo jeito que havia contado e mais uma para dar sorte –, porém Lacey não iria se distrair de seus objetivos agora. Ainda precisava tentar antes de entregar os pontos. A diferença é que agora tentaria um novo ofício com um sorriso bobalhão pendendo dos cantos dos lábios.

— A primeira é um gerânio... São aquelas... Uh... Como digo sem ofender a artista...? Rosa por fora e roxo por dentro?

— Sei! — Kathleen correspondeu à descrição com bastante ânimo. — Você tem algum livro ilustrado para a gente não ter que ficar quebrando a cabeça?

— Ih, é mesmo. Tenho sim, está lá no quarto.

— Vamos buscar então. Com a condição de que a gente passe na cozinha para eu tomar um segundo café da manhã.

— Fechado.

❀⊱┄┄┄┄┄┄┄┄┄┄┄⊰❀

Simples assim. Como num passe de mágica, as duas se resolveram.

Os dezesseis anos eram assim. Num dia, profundas amarguras. No seguinte, vinha a bonança. E no terceiro, sequer havia lembrança da amargura. Eram anos vividos em dias, e dias vividos em minutos. Lacey podia dizer que enfim a magia havia a alcançado – apenas pelas beiradas e não com força total como havia sido aos 5 anos.

Fosse como fosse, após resgatarem a Enciclopédia Botânica – e alguns biscoitinhos surrupiados da cozinha –, Kathleen e Lacey traçaram com delicadeza as flores no topo e no final de cada convite. Como Kathleen havia pontuado tão bem, como Lacey não tinha experiência com desenhos, seria bem mais fácil para ela copiar conforme o modelo do que tirar o desenho de suas memórias. Além disso, Lacey tinha certeza que se fizesse assim teria como resultado algum rabisco uniforme que só faria sentido em sua cabeça.

Portanto, com muito custo, Lacey conseguiu terminar sua obra-prima. Kathleen deu a ideia de pincelar um pouco de aquarela para colorir o papel e tirá-lo do preto-e-branco, ideia essa que animou Lacey. Apesar de borrado em alguns cantos, Kathleen opinou que isso deu um charme a mais na composição do convite.

— Agora você tem algo original e bonito — Kathleen elogiou com um sorriso orgulhoso. — Todo mundo ama um trabalho artesanal.

— É, mas não estão tão bonitos quantos os seus...

— Não, não estão. Mas estão bonitos como os seus. Você deu o seu melhor e o resultado final é caprichoso e agradável de olhar, é isso que importa.

Lacey assentiu com a cabeça, ao passo que Kathleen voltou-se para sua “tela gigantesca”. Algo na distração do momento havia lhe dado inspiração para continuar seu quadro, então quem seria Lacey para atrapalhá-la? Aproveitando a privacidade, Lacey passou a preencher os “convites” com o esmero que lhe faltou na hora de colorir com a aquarela. De qualquer forma, é um treino para quando for trabalhar na caderneta, Lacey consolou-se.

Doze convites, doze prensas, onze irmãs e vinte e quatro floreios. Era um trabalho e tanto para um dia só, mas ao fim Lacey admirou seu próprio trabalho uma vez na vida. Estampado em cada cartão, lia-se:

 

“A Princesa Lacey gostaria de convidar-lhe para um breve chá no Jardim Real, que será realizado no dia 15 de maio, às 16h. A vestimenta formal está suspensa. Venha como mandar o coração.”

 

Acima do floreio de lírios brancos, Lacey particularmente caprichou na assinatura do nome. Para o convite com sua flor favorita – afinal, não podia convidar a si mesma sendo a anfitriã – o nome que assinou foi o para sua pessoa favorita em segredo. Seria o primeiro convite formal que o jardineiro receberia, e o mais importante.


Notas Finais


até semana que vem!


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