História A Vida de Uma Garota Depressiva - Reescrita - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 5
Palavras 2.014
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Mutilação, Sadomasoquismo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - 04


No dia seguinte, Leonardo acordou se sentindo animado e decidido a esclarecer tudo com Isabela. Ele queria muito ser amigo dela, queria estar perto dela, queria conhecê-la melhor. Ele entendia como ela se sentia, e temia que ela fizesse uma besteira por conta disso.

 

Se levantou, vestiu seu uniforme e desceu para tomar café da manhã, saindo logo em seguida. Ao chegar à escola, ele dirigiu-se diretamente para a carteira que ficava na frente da carteira de Isabela, que estava de cabeça baixa. Ela provavelmente nem percebera sua chegada.

 

Assim que a professora de português chegou, ela tirou os fones, colocou de volta na mochila e tirou o caderno, olhando finalmente para frente. Leonardo não pôde ver a sua expressão, mas com certeza ela estava surpresa e confusa.

 

Isabela havia chorado na última noite e feito novos cortes. Não ligava mais para a promessa que havia feito para ele. Era uma promessa vazia. Seus olhos naquela manhã provavelmente estavam inchados. Ao ver Leonardo sentado à sua frente, arregalou os olhos em surpresa. O que ele estava fazendo? Ela disse para ele se afastar, e ele faz o total contrário?

 

Quando iria pegar novamente seu caderno para trocar de lugar, ele segurou seu braço, ainda virado para frente, virando-se depois para dizer algo a ela, que estava estupefata com aquela atitude ousada do rapaz.

 

- Nem pense em sair daí. Eu disse que quero ficar perto de você, e não vou desistir facilmente. E, também, precisamos conversar sobe algo. Quero esclarecer uma coisa... – ele sussurrou, para que a professora não escutasse.

 

- Não precisa esclarecer nada! E eu já disse que quero que se afaste e que não preciso de ajuda! – sussurrou ela de volta, indignada. O que ele queria esclarecer? Que tudo o que ele sentia era pena? Disso ela já sabia!

 

- Leonardo? O que tanto conversa com a Isabela? Vou ter que te trocar de lugar? – pergunta a professora, olhando com atenção para eles dois, fazendo com que todos da sala olhem também. Isabela abaixa a cabeça, enquanto Leo se vira novamente para responder à professora.

 

- Não, professora. Eu estava apenas perguntando à Isabela algo sobre a matéria, já que cheguei a pouco tempo na cidade e quero saber se estou atualizado o suficiente junto com a turma. – ele sorriu, carismático. A professora sorriu, assentindo.

 

- Não me surpreende. Isabela é a minha melhor aluna e é muito inteligente! – ela diz sorrindo, fazendo com que Isabela corasse e escondesse o rosto nos braços, ficando de bruços sobre a carteira.

 

- Sim, eu percebi isso. – Leo sorriu, concordando com a professora, olhando de relance para Isabela. Quando viu sua situação, deu uma pequena risada, voltando a prestar atenção à aula, juntamente com Isabela.

 

Passado as três primeiras aulas, chegou a hora do intervalo. Isabela, assim como em todos os dias, esperou que todos saíssem primeiro, e Leo a acompanhou, esperando juntamente com ela. Ao saírem da sala, Isabela tentou correr, mas Leonardo segurou seu pulso, fazendo com que ela parasse imediatamente e olhasse para ele.

 

- Eu disse que precisamos conversar, Isa. – ele tentou argumentar, mas Isabela rapidamente se soltou dele e o olhou com indignação.

 

- Conversar sobre o quê? Eu sei que sente pena de mim, Leo! – ela soltou, sem pensar. Para sua total surpresa, ele não esboçou reação. Foi exatamente como quando ele viu os cortes em seu braço.

 

- Eu sei, e é exatamente isso que eu quero explicar. Venha comigo – ele pegou o seu braço, fazendo-a soltar um resmungo de dor. Ele a olhou confuso, mas continuou a arrastando pela escola até um lugar calmo. – Muito bem. Bela, me desculpe se eu me expressei mal e te fiz pensar que só estava com você por pena, mas não é assim que eu penso. Eu quero realmente ser seu amigo, quero estar com você, te fazer companhia! 

 

- Por quê? Por que está fazendo isso? Por que insiste em ficar perto de mim? E-Eu... Eu não entendo! – Isabela estava com lágrimas nos olhos e sua cabeça começava a doer. Havia um conflito interno em si entre sua consciência e se coração. Ela não sabia a quem ouvir.

 

- Bela, Bela olha pra mim! – ele segurou seus braços e a envolveu em um abraço reconfortante. Isabela apenas se rendeu àquela sensação de segurança que ele emanava. – Eu ‘tô aqui agora. Eu vou proteger você. Vou estar sempre com você...

 

- E se não estiver? E se algum dia você for embora? E se acontecer alguma coisa e eu nunca mais conseguir te ver? – ela começou a falar sem parar, criando mais e mais suposições. Ele segurou seus braços com mais força, arrancando mais um gemido de dor dela. Ele a olhou preocupado.

 

- Bela me deixe ver seus braços, por favor... – ele pediu. Ela negou, mas ele puxou suas mangas e viu. Ele viu aqueles cortes recentes. – Me desculpe, Bela. Isso foi por minha causa... Me desculpe mesmo! Por favor não faça mais isso... – ele a abraçou forte, os olhos marejados.

 

Por que estava chorando? Ele não sabia, mas sabia que não queria vê-la se ferir novamente, principalmente por sua causa. Ele queria que ela ficasse feliz, e faria o que estivesse ao seu alcance para conseguir isso. Isabela estava confusa ainda. Ela queria acreditar em Leo, mas algo a impedia. Ela queria desabafar, MS as palavras não saíam.

 

Ouviram o sinal tocar e se dirigiram novamente para a sala, e Bela abaixou novamente as mangas de sua blusa. Os dois últimos horários eram de biologia e história, que eram matérias razoavelmente fáceis. Para Leonardo e Isabela, os horários passaram voando, e o sinal da saída tocou. Como sempre, Leo e Bela foram os últimos a sair, sempre com ele a acompanhando. Quando chegaram à metade do caminho e Leo ainda a seguia, Isabela se virou para encará-lo.

 

- Você está me seguindo por acaso? – ela perguntou, meio irritada. Ele se limitou a sorrir.

 

- Não, esse Também é o caminho da minha casa. – ela o olhou espantada e um pouco envergonhada, o que a fez corar. Ela rapidamente se virou para frente quando ele continuou – E mesmo se estivesse, teria algum problema?

 

- Ah... – ela pretendia dizer “não”, mas teve medo de parecer muito pretensiosa. Então, resolveu fazer graça. – Sim! Teria problema sim. – ela disse, ainda olhando para frente.

 

- Ah é? E por quê? – ele perguntou, chegando mais perto dela.

 

- Bem, porque no meu dicionário isso se chama perseguição. – ela sorriu, olhando para ele e vendo seu sorriso sarcástico.

 

- Hum... Sendo assim, acho que vou começar a persegui-la, Bela. – ela o olhou, incrédula.

 

- Que graça teria me perseguir? Minha vida é muito entediante. – ela riu, sendo acompanhada por ele.

 

- Mas é exatamente por isso que quero te perseguir. Vou fazer sua vida ser mais interessante. – ele fez uma cara sapeca que a fez rir mais ainda. Fazia tempo que não dava uma boa gargalhada. Leo deve fazer milagres.

 

- Muito bem, se acha que consegue...

 

- Então estou autorizado a te perseguir? – ele fingiu estar esperançoso, como uma criança que pede sua mãe para brincar na casa do amigo enquanto espera a resposta.

 

- Se eu disser não você vai me perseguir do mesmo jeito, não é? – ela o olhou de relance.

 

- Exatamente! – sorriu, sapeca.

 

- Ok então. Pode me perseguir o quanto quiser que eu não vou ligar – voltou a olhar para frente, rindo da cara feliz dele.

 

O resto do caminho foi cheio de conversas sobre coisas aleatórias que ambos gostavam, até que estavam perto da casa de Isabela, e ela mostrou a casa para Leo.

 

- Então é ali que você mora... Que coincidência! Eu moro aqui perto!

 

- Sério? Onde? – perguntou ela, com curiosidade.

 

- Daqui a dois quarteirões. Pelo visto, te perseguir vai virar rotina. Melhor ir se acostumando comigo no seu pé – ele disse e riu, começando a caminhar – A gente se vê amanhã, pequena suicida...

 

- É claro... – disse ela, quando ele já estava longe – até amanhã, Leo...

 

Assim que Isabela entrou em casa, se viu diante de sua mãe, que estava séria e em pé, imóvel ao lado da porta. Isabela pulou de susto, colocando a mão sobre o coração.

 

- Meu Deus, que susto mãe! – disse, estranhado o comportamento da mãe. Ela nunca havia se preocupado em esperá-la.

 

- Quem era aquele garoto? – ela permanecia séria.

 

- Quem? O Leo? – perguntou Isabela, confusa. Desde quando sua mãe se importava com isso?

 

- Então esse é o nome dele? O que estava fazendo com ele?

 

Tudo bem, Isabela estava estranhando MUITO o comportamento de sua mãe. Ela nunca perguntou nada para Isabela nem mesmo sobre a escola, e agora o Leo chega do nada e ela começa a fazer um interrogatório? Muito bem. Quanto mais cedo começasse a explicar, mais cedo ela a deixaria em paz e tudo voltaria ao normal.

 

- Ele é um colega de classe e um amigo. Se mudou há pouco tempo e começou a conversar comigo. Ele mora aqui perto então viemos juntos. – disse tudo rapidamente, mas audível o suficiente para que sua mãe entendesse.

 

- Entendi... Tome cuidado com esse garoto. Não quero filha minha aparecendo grávida por aí. – ela olhou para Isabela com severidade, deixando-a surpresa.

 

- Espera, como é que é? – perguntou ela, indignada – Você acha mesmo que eu sou desse tipo? Que eu não sou uma garota decente? É isso?

 

- Não se finja de sonsa, Isabela. Vi como você olhava para ele. – disse sua mãe, aumentando o tom da voz.

 

- Ah e além de tudo sai vigiando a vida dos outros! O que eu sinto por ele não é da sua conta! – gritou Isabela, alterada.

 

- É claro que é! Eu sou sua mãe! Preciso saber de tudo sobre você enquanto viver nesta casa! – se exaltou ainda mais Leila.

 

- ÓTIMO, ENTÃO EU SAIO DAQUI! SEMPRE SOUBE QUE VOCÊ NÃO QUERIA UMA FILHA COMO EU ATRAPALHANDO SUA VIDA! AFINAL, SOU SÓ UM ESTORVO PRA VOCÊ, NÃO É? – berrou Isabela, totalmente alterada e fervendo em ódio.

 

Leila se calou e Isabela foi para o quarto, fechando a porta muito forte e a trancando, indo diretamente até as suas melhores amigas naqueles momentos de raiva: As lâminas. Ela as pegou e começou a fazer um corte atrás do outro, manchando sua calça e um pouco da sua blusa com o seu sangue. Ela estava chorando muito.

 

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15... Mais de quinze cortes feitos de uma só vez. Após fazer os corte, ela foi até o banheiro para lavar aqueles cortes e limpar todo aquele sangue que escorria de seus braços, e fazer novos curativos. Aproveitou também para tomar um banho e se trocar para sair. Não ficaria naquela casa nem por mais um minuto. Se ficasse ali, ela poderia cometer duas coisas: um assassinato, ou um suicídio...

 

Após se trocar, saiu sem avisar sua mãe. Não poderia realmente ir embora dali, pois não tinha pra onde ir. Nem mesmo sabia onde seu pai estava, e não poderia recorrer a ele. Então foi para a praça, onde tudo aquilo começou, onde ela havia conhecido o garoto de cabelos castanhos, pele bronzeada e olhos negros como o vazio, mas que brilhavam imensamente na opinião dela. Ela não o culpava; claro que não, ele não sabia de nada. Ela não havia contado nada de sua vida pessoal para ele. E ainda bem que não havia contado.

 

No dia seguinte certamente ela receberia um sermão dele sobre os cortes e irá querer saber o que aconteceu para que ela se cortasse de novo. Bem, ela não se importava mais, já que talvez ela não esteja mais viva até o dia seguinte para saber. Talvez ela simplesmente não acorde no dia seguinte, mas para que soubessem do que aconteceu, ela deixaria sua carta de óbito, que já estava pronta, apenas esperando para ser entregue. Leo com certeza seria o primeiro a receber a carta, já que foi um dos únicos especiais para ela, antes de sua morte.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...